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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Gestão Ruinosa

«Eu creio que Luís Filipe Vieira, que elogiei várias vezes pelo plantel que fez o ano passado tem, independentemente das contingências e de percebermos que há uma realidade que afecta o Benfica, feito uma gestão do mais incompetente que eu vi até hoje no futebol português, do sucesso e de uma pré-época.

Aquilo que está a acontecer no Benfica é absolutamente inadmissível e Luís Filipe Vieira tem que vir depressa explicar o que está a acontecer (…) porque agora parece quase uma anedota ouvir Luís Filipe Vieira há três meses falar de estabilidade, dizer que "fiquei com Jorge Jesus e foi a estabilidade, depois de ter perdido, que garantiu um ano tão vitorioso". Passados três meses, ouvimos isto e isto só dá vontade de rir quando se vê a forma como está o plantel do Benfica. Portanto, não faz sentido nenhum. Houve uma mudança de rumo, o tal projecto que o presidente do Benfica insistiu que tinha, aparentemente, desapareceu. Há negócios absolutamente incompreensíveis. O do Garay é um absurdo. Vender Garay por 6 Milhões, quer dizer, ou é gato escondido com o rabo de fora, ou então é um negócio ruinoso. (...) Vender Garay ao Zenit, ao preço, por exemplo, que o Dier do Sporting, é uma coisa que não faz sentido nenhum! (...) Mesmo o negócio Markovic, enfim, há uma série de circunstâncias que estão por explicar.»

Carlos Daniel, jornalista RTP, in Grande Área, 6 de Agosto de 2014.

E para que não restem dúvidas, Carlos Daniel é benfiquista. E um excelente jornalista.

domingo, 3 de agosto de 2014

Entrevista a Carlos Daniel



O jornalista e comentador Carlos Daniel - para nós o mais competente a falar de futebol na televisão nacional - aceitou dar uma entrevista ao Ontem. Combinámos que a entrevista versará apenas sobre questões puramente futebolísticas, deixando de lado clubismos e políticas. 

Pedimo-vos, portanto, que deixem aqui as perguntas que querem ver respondidas pelo Carlos e esqueçam Vieiradas, pintinhos, Valentins, Apitos Dourados e outras quaisquer palhaçadas do peculiar futebol português. Falemos de bola pura e dura.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O Pecado da Gula

É mais forte que Jorge Jesus: quando se sente por cima, num jogo ou num campeonato, não resiste a forçar em exagero a nota ofensiva. Será um caso reiterado de arrogância táctica. Há dois anos estava a ganhar ao FC Porto em casa quando Aimar se lesionou. Poderia ter dado consistência ao meio campo mas lançou Rodrigo e passou a ter dois avançados puros no eixo. Perdeu por 3-2. Já este ano, estava a ganhar por 3-1 ao Sporting para a Taça e até a ameaçar goleada. Jogava com três médios puros quando um se lesionou (Amorim). Não resistiu a lançar Cavaleiro e a voltar ao sistema de risco, de quatro atacantes, agravado com o facto de ter trocado o melhor gestor de posse de que dispõe por um jogador propenso à perda de bola. Sofreu dois golos e a eliminatória só foi salva no prolongamento. Em Barcelos, a situação repetiu-se.

Ponto prévio: foi pouco valorizada a exibição do Benfica ante o Gil Vicente. A equipa encarnada está num óptimo momento, os jogadores apresentam uma condição física invejável (ganharam quase todos os duelos num terreno impróprio) e, mesmo com todas as vicissitudes, o resultado normal teria sido uma vitória da equipa da Luz. Ou seja, mesmo tendo o melhor plantel, de longe, a verdade é que Jesus voltou a pôr o Benfica a jogar bem e transformou-o de novo no candidato principal ao título. Só não resistiu, mais uma vez, ao pecado da gula.

Líder da prova e com o FC Porto derrotado na mesma tarde, o Benfica estava por cima no jogo quando fez o primeiro golo, mesmo com menos um homem em campo. Uma leitura realista - que Jesus já teve noutros jogos - recomendava que entrasse Amorim (ou André Gomes, se contasse), reequilibrando a equipa. Não entrou, e foi uma questão de poucos minutos até Cardozo ser chamado. O mal não foi lançar Cardozo com o jogo empatado - opção natural e totalmente justificável -, o problema é que Cardozo ia entrar mesmo em vantagem no marcador (e um homem a menos). Numa equipa que devia baixar linhas, gerir posse e aproveitar espaço, seria o jogador errado na hora errada. A rábula do penálti prova que o paraguaio usufrui de um estatuto que mais ninguém tem no plantel e Jesus deveria ter assumido logo que há uma hierarquia, sem responsabilizar os jogadores por uma decisão que só a ele compete. Que Cardozo tenha atirado e falhado é normal, é futebol.


Carlos Daniel


sábado, 2 de novembro de 2013

É o mundo que está errado, não Carlos Daniel

Carlos Daniel. Dos melhores jornalistas deste país, homem inteligente, culto, agradável, civilizado, amante profundo do futebol. Carlos Daniel diz o que pensa, argumenta sobre o que pensa - e isto é tanto; isto é tudo. Carlos Daniel, com toda a legitimidade deste e de todos os outros mundos, vê prejuízos para o jogo do Benfica na utilização de Cardozo.

Oiço, leio, vejo os fundamentos que Carlos Daniel defende e concordo com parte da sua visão; discordo de outra parte. Normal, não somos todos iguais e, digo eu, ainda bem. Por algum motivo (talvez o mesmo que faz uma grande maioria de benfiquistas gostar de Vieira ou de ter crescido na Alemanha o nacional-socialismo até um ponto que me escuso neste momento a relembrar), Carlos Daniel é vilipendiado nas redes sociais por ter uma opinião. Uma opinião que é sustentada em argumentos e devidamente explicada. Uma opinião. Tão simples e tão tranquila: uma opinião.

Carlos Daniel, como qualquer ser humano, tem direito à sua opinião. Por mais golos que Cardozo marque, Carlos Daniel continuará a ter toda a legitimidade para ter a sua visão sobre o paraguaio. Primeiro, porque, como devia ser evidente para todos os seres humanos, toda a gente tem direito a opinar - mais ainda se fundamenta o que diz; depois, porque quase ninguém sabe nada do que é o jogo. Terceiro, um avançado não é bom porque marca muitos golos e não é mau porque marca poucos (e volto a reafirmar que discordo de Carlos Daniel em grande parte da sua análise sobre Cardozo). Por fim, a nojeira que é insultar outro ser humano porque tem uma opinião divergente é tal que explica muita coisa, sobretudo revela a pobreza moral de quem o faz.

Carlos Daniel tem família, amigos, conhecidos, gente que gosta do que diz, gente que, discordando, compreende princípios básicos de humanismo para respeitar o que defende Carlos Daniel. Eu, como benfiquista, sinto asco, verdadeiro asco, de quem ataca uma pessoa decente como Carlos Daniel apenas e só por este ter uma opinião. E sinto nojo do mundo por vivermos tão zangados connosco próprios, cheios de tantos traumas e vontade de atacar os outros, que nos esquecemos de amar a capacidade de ter ideias e as fundamentar.

A todos os que dedicam os golos do Cardozo de forma suína a Carlos Daniel: vão pró caralho.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A verdade e o verdadeiro

«Recuso entrar na comparação para ter de concluir quem foi melhor, se Eusébio ou Ronaldo. Só a distância (temporal) a que a história obriga nos mostrará quem chegou mais alto. O maior elogio a fazer já ao CR7 é o de nos deixar na dúvida sobre se o trono ainda é do King, questão que tantos julgavam nunca se colocar. São épocas diferentes, tempos tácticos diversos, preparação distinta, bolas, equipamentos e relvados incomparáveis, alterações de lei, equipas de clube e selecções como antes não havia. Nuns casos a evolução favorece um, noutros o outro.

Claro que a memória colectiva favorece os jogadores mais recentes, Messi face a Maradona, Zidane a Platini, Cristiano a Eusébio. Filmados melhor, de vários ângulos e vistos a fazer magia em semanas consecutivas, ganham facilmente vantagem nas nossas análises. Terá Cruijff sido melhor que Di Stéfano? Muitos juram que não, mas na televisão parece, que é mais agradável rever a laranja mecânica a cores que ir buscar os vídeos que o tempo fez mais pretos que brancos do tempo do hispano-argentino.

Há uma injustiça, essa objectiva, cometida com Eusébio, que foi também um erro do jornalismo desportivo, acabando por ter de ser o próprio a lembrar, no que espero não origine um dispensável atrito com Ronaldo. Com não basta dizer que a economia está a crescer sem comparar com anos anteriores, ou que agora se vendem mais carros que no ano passado quando não se vendia nada, também não chega dizer que Ronaldo tem mais 2 golos que Eusébio na Selecção. É obrigatório referir também que o CR7 fez mais 42 jogos que Eusébio. Nem é uma questão de respeito por Eusébio apenas, mas de respeito pela verdade, que é o primeiro dever de um jornalista. E aprendi cedo que neste ofício das notícias não basta contar os factos com verdade, deve procurar-se a verdade dos factos.

Quem foi melhor, quem é melhor hoje, Ronaldo outra vez no debate, frente a Messi? A cada um sua verdade, mas com uma premissa indiscutível: Portugal tem actualmente, e já vai para dez anos, um jogador estratosférico. Vi todos os grandes jogadores dos últimos 40 anos, Figo, Rui Costa, João Pinto, ainda Futre e Chalana. Português, não vi nenhum como Cristiano Ronaldo, este, o verdadeiro. E estrangeiros só dois ou três, incluindo Zidane. E o outro Ronaldo, o primeiro.»


Carlos Daniel


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Lavar as mãos já não é possível

«O título desta crónica remete para a cena bíblica em que a multidão delirante, juntando servos e juízes, pedia a crucificação de Jesus.

Este outro Jesus, Jorge, é o alvo de uma esmagadora maioria que ainda há três meses reclamava uma renovação forever que dele fizesse o Ferguson da Luz. E sem que surja uma voz da estrutura benfiquista que o defenda.

Já agora, teria de ser (de ter sido já) o presidente Luís Filipe Vieira, por ter sido quem insistiu na continuidade do técnico português e por, aparentemente, não haver mais ninguém na estrutura, que António Carraça desapareceu sem rasto depois de Rui Costa ter desaparecido com algum rasto.

Jorge Jesus cometeu erros, vários, por teimosia sobretudo, foi mesmo o principal responsável pelas derrotas finais da época anterior, mas há uma culpa que não tem de certeza: a de lhe terem renovado o contrato. Era evidente a sensação de fim de ciclo que a triste cena de Oscar Cardozo no Jamor ilustrou. (A propósito, o Benfica tinha acabado de falhar três objetivos em quatro jogos decisivos - Estoril, Dragão, Amsterdão e final da Taça de Portugal - no ano em que contratou a peso de ouro um "motivador". Pode ter méritos o cidadão, mas a motivação valeu, na prática, zero).

A gestão do dossiê Oscar Cardozo foi desastrosamente lenta (ainda não resolvida!), com notícias de jornal que são um nítido jogo de passa-culpas para o treinador. Se corresse mal, iam crucificá-lo. Já falta pouco. 

Foi, no entanto e apenas, o caso emblemático de uma pré--época feita de negócios de ocasião (Fariña e Pizzi, dois bons jogadores, só visitaram a Portela de Sacavém) e falta de critério (defesas-centrais e médios ofensivos a mais, sem mais um grande médio-centro que permitisse rotação com Enzo Pérez e Matic e eventual substituição deste, em caso de venda).

Os que só veem a árvore carregam sobre Cortez e consideram--no mais fraco que Melgarejo ou... Emerson. Perdoa-lhes Cortez, que não sabem o que dizem. O problema é que quando o coletivo não dá vitórias, o óbvio é encontrar o réu mais à mão: Roberto, Emerson, Artur, Carlos Martins, agora Cortez. E crucificá-lo. Segue-se Jesus, ele próprio.

O presidente do Benfica está num dilema: sabe que não faz sentido dispensar já o homem a quem renovou o contrato, mas também sabe que mais um resultado negativo o obriga a atuar. Delegar para cima ou para baixo? A escolha é só essa. Lavar as mãos já não é possível.»

Carlos Daniel

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A vantagem de não ser banal

«Porque é que o Benfica não ganha ao Porto?

A pergunta também vale ao contrário: porque é que o FC Porto dificilmente perde com o Benfica, mesmo na Luz? Há três tipos de respostas possíveis: de circunstância, subjetivas e concretas. Só acredito nestas e começo com uma nota prévia: em quatro anos no Benfica, Jesus ganhou algumas vezes ao FC Porto mas não ganhou tantas quanto parecia provável, nem sequer quando parecia por cima em termos de rendimento, opções disponíveis e motivação. Como agora. E só ganhou uma vez no Dragão, para a Taça, perdendo três vezes na Luz.

As causas de circunstâncias são as que se referem às arbitragens, a uma ausência, a erros ou grandes exibições individuais. Proença, Hulk, Roberto, Emerson ou Artur explicam um jogo, não uma tendência. As subjetivas são as que se refugiam nos chavões, tão difíceis de confirmar como de desmentir, de um bloqueio anímico ante o rival, de menor maturidade competitiva, blá-blá-blá. Tretas.

Chegamos ao essencial: a forma de jogar do que chamei "gémeos falsos", candidatos com idêntico rendimento pontual mas identidades marcadamente distintas. Onde o Benfica é emoção, o FC Porto é razão, que se o Benfica faz de cada posse de bola um ataque, o FC Porto quase faz de cada ataque uma posse de bola. O Benfica só se sente confortável quando domina, o FC Porto sente-se sempre cómodo quando controla, mesmo não dominando.
Nestes jogos, o FC Porto é mais igual a si próprio, que o seu modelo não é tão arrasador contra equipas mais pequenas mas, pelo equilíbrio, adapta-se facilmente a jogos de maior exigência. O Benfica sai da zona de conforto quando não tem a iniciativa permanente e os jogadores acusam a mudança de chip se lhes pede que reparem na cara do adversário, para "marcar" Xavi ou Messi, Moutinho ou Lucho, habituados que estão a ignorar anónimos do Moreirense ou do Olhanense. Em suma, o FC Porto mantém o modelo, os princípios de jogo, mesmo quando altera o sistema, enquanto o Benfica mantém o sistema mas acaba, forçado ou deliberado, a jogar segundo princípios diferentes.

PS 1- Para ser justo e coerente: antes de Jesus, o desnível era incomensuravelmente maior e só com ele o Benfica voltou a discutir provas com o FC Porto. Não é de somenos, após a década mais negra da história do clube.

PS 2 - Vítor Pereira esteve muito bem no campo, na gestão do resultado que lhe interessava mas deplorável depois. As palavras de desvalorização do adversário não se justificavam mas pior do que o conteúdo foi o tom. Já há ódio que chegue.»


Carlos Daniel, de muito longe o melhor comentador de futebol que por aí anda. Pena ser a excepção num universo de frases feitas, banalidades e ignorância sobre o jogo. Os sublinhados são meus.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A minha ideia para o Benfica - Parte 2 - Comunicação

Comunicação

Esta é uma área crucial que, em meu entender, tem sido explorada de forma deficiente. A Comunicação não deve ser um corpo estanque que apenas serve para uns comunicados pueris – normalmente apontando a alvos exteriores -, misturando desinformação com novelas mexicanas que nada favorecem à compreensão e conhecimento dos benfiquistas dos problemas/acções do clube.

A Comunicação deve servir, primeiro, para informar os adeptos, com o detalhe possível (algo mais interno deverá ser anunciado e discutido em Assembleias Gerais), de todas as acções e áreas estruturais do Benfica e, segundo, quando os alvos são extrínsecos, apontar, de forma inteligente aos visados. O Benfica não deve, na minha opinião, reagir a tudo o que mexe com Comunicados imberbes. Deve, antes, se decide apontar incongruências de arbitragem, responder a discursos de rivais ou refutar informação duvidosa por parte da Comunicação Social, planear e escolher criteriosamente a forma como o faz.

Um exemplo claro é a quantidade de Comunicados, muitas vezes dizendo quase nada, que o Clube tem lançado nos últimos tempos. Defendo, como resposta, quando o Benfica acha que o assunto merece uma acção, não tanto a opção de Comunicados no site oficial, mas a convocação de conferências de imprensa em que, através de um discurso firme, sólido, inteligente, por vezes irónico quando o assunto merece esse tratamento, defende o seu ponto de vista e põe a nu o que pretende refutar.

No caso das arbitragens, não basta colocar vice-presidentes em figuras ridículas nos programas semanais ou comunicar no site que o clube se sente “lesado”; exige-se muito mais: uma análise detalhada dos erros, comparando-os com situações similares que foram ajuizados de forma completamente diferente – tanto no próprio jogo, em favor do adversário, como em jogos dos rivais -, com recurso a imagens.

Este procedimento terá muito maior visibilidade, chegará a muito mais gente, pressionará os árbitros a uma maior justeza nas apreciações (não se pretende que nos favoreçam; pretende-se apenas que nos não prejudiquem) e ditará as leis que avisarão os demais que o Benfica está atento e pronto a revelar as diferenças de tratamento entre clubes.

Não sou um apologista do discurso vitimizador; durante anos defendi que não devíamos abordar tanto este tema mas após a época vergonhosa a que todos assistimos, este assunto não pode ser tratado com leviandade, antes com acções assertivas que defendam o clube das jogadas podres de bastidores deste nosso futebolzinho podre e corrupto. Se possível, com elevação e ironia pontualmente, para que a mensagem passe sem que tenhamos de cair num discurso chato, de coitadinhos, que nos não interessa nem é essa a nossa génese.

Aos adeptos, a informação tem de ser clara. Basta de comunicados que, em vez de informar, confundem ainda mais. São vários os exemplos de vendas de jogadores cujas cláusulas não entendemos. Não que sejamos burros, mas porque a informação geralmente vem em códigos. Isto não é informar, é desinformar, raiando muitas vezes o desrespeito, porque assente num discurso que é claramente voltado para o não entendimento claro das particularidades dos negócios.

Os adeptos e particularmente os sócios merecem saber em que moldes são feitas as vendas e compras, com que valores, que cláusulas têm, com que percentagem exacta fica o clube. Afastá-los dessas informações será sempre afastar o clube daquela que é a sua origem: de todos, um. E não mais do que isso: de todos, um.

No aspecto comunicacional ainda há muito a melhorar. Na Benfica TV, que tem melhorado mas que persiste ainda como braço armado da Direcção, o que é, do ponto de vista informativo e da opinião, um atentado claro à verdadeira democraticidade e pluralidade de vozes. Não defendo um canal de televisão em que constantemente se criticam as acções da estrutura (isso seria contraproducente), mas uma grelha de programação que equilibrasse bem a informação propriamente dita com espaços em que benfiquistas de todos os quadrantes pudessem dar as suas opiniões, preferencialmente gente anónima, que não tem nada a dever aos órgãos de soberania e que muitas vezes é esquecida ou calada.

Noutro espectro informativo, o Site oficial terá de ser reformulado e evoluído. O que existe é pobre, pouco funcional, nada interactivo e parco para um clube desta dimensão. Entendo que as vitórias devem ser empolgadas em detrimento das derrotas mas não consigo compreender que, muitas vezes, resultados menos bons sejam relegados para o total esquecimento ou que as crónicas sobre os jogos sejam de um alheamento da realidade e clubite aguda que mais valerá ler os jornais desportivos do que passar os olhos por textos absurdos de tão facciosos. Isto serve também para os comentários aos jogos na Benfica TV, em que, se se exige benfiquismo, não se pede um completo alheamento ao jogo e uma forma tão enviesada de ver lances e decisões arbitrais.

Há muito a melhorar mas também há que manter o que tem qualidade: programas como “Vitórias e Património”, as excelentes pesquisas de Alberto Miguéns (que acho que já não está na Benfica TV), os “Em Linha”, os jogos de todas as camadas jovens e modalidades e outros são inegáveis mais-valias para a divulgação e expansão do Benfica. Que outros se juntem à grelha de programação para que a Benfica TV seja, de facto, um canal de grande qualidade e benfiquismo.

Como projecto futuro, penso que a ideia de uma rádio do Benfica faria todo o sentido. Obviamente alicerçado num orçamento possível e numa plataforma que o tornasse viável. Seria mais uma estaca de Benfica para todo o Mundo.

À Comunicação tem de exigir-se também um ponto fundamental: a relação íntima com todas as outras áreas, a informação específica e detalhada de tudo o que se vai fazendo em todas as outras sub-estruturas. Como escrevi no post anterior, especialmente na área da “Gestão Financeira”, que é crucial para que os benfiquistas entendam de que forma estão a ser geridos os bens do clube.

Para Vice-Presidente, tenho vários nomes, tal como para Director de Comunicação, Director da Benfica TV, Responsável pelo Site e equipa em geral. Dou, portanto, alguns, sem que se esqueça que a premissa passa por perfis antes de nomes:

Ricardo Araújo Pereira, Ricardo Palacín, João Gobern, Carlos Daniel, José Eduardo Moniz, Pedro Ribeiro, Pedro Ferreira