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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Anti-Vieira ou pró-Benfica?



Num país que vive tudo entre o tudo e o nada é normal que, nas ânsias de destruir a opinião alheia, se coloquem as pessoas todas em gavetas - e essas, neste país,  geralmente são só duas: de Esquerda ou de Direita, do Benfica ou do Sporting, capitalista ou comunista, branco ou preto, patriota ou libertário, a favor do Carlos Cruz ou contra o Carlos Cruz, socrático ou sorumbático. Naquilo que interessa a este texto: vieirista ou anti-Vieira.

Se ser anti-Vieira é, como acredito,  ser pró-Benfica, então eu sou anti-Vieira. Mas não me confundam com todos os que criticam o actual Presidente do Benfica. Alguns exemplos de pessoas que, criticando Vieira hoje ou no passado,  nada têm a ver com a minha ideologia benfiquista:

- Movimento Benfica Vencer, Vencer. Uma confusão de ideologias que acabou a derramar gente por todo o lado: croqueteiros, íntegros, interesseiros, desistentes, etc. Fazer oposição nunca pode ser juntar todos os opositores. É preciso critério para lutar.
- Apoiantes de Rangel em 2012. Estas pessoas acreditavam que Rangel poderia fazer melhor do que Vieira. Eu nunca acreditei em tal coisa. Primeiro, porque nunca lhe senti capacidade para tal; em segundo, porque era mais ou menos claro que haveria de ser chamado a aproximar-se da actual Direcção.  O que fez, reforçando a ideia de que não havia qualquer ideologia, só alguma ânsia de protagonismo.

- Apoiantes de Bruno Costa Carvalho de 2009 a Março de 2016 (altura em que anunciou o seu apoio à Vieira). Tive mais do que uma oportunidade de dizer pessoalmente a Bruno Carvalho que, achando óptima a sua luta e legítima a sua vontade de ser Presidente do Benfica, eu não o apoiaria por nele não ver as características que, quanto a mim, são necessárias para dirigir um clube como o nosso. Foi importante durante os anos em que lutou contra as aldrabices de Vieira e foi com pena que o vi desistir da ideologia em prol de um apoio a Vieira que acaba por ser eticamente inconsistente e parece advir das vitórias. Como Bruno - e nisso sempre estivemos em comunhão - criticava muito mais do que o insucesso desportivo, a sua passagem para a outra margem não faz qualquer sentido. Algumas críticas que ambos partilhámos ao longo do tempo:

- falta de democraticidade no clube;
- Assembleias-Gerais próximas de um ambiente coreano, que interrompem intervenções de sócios com buzinas e no final das mesmas aparece Vieira aos gritos a mandar os sócios para o caralho e tantas outras vergonhosas atitudes;
- ilegitimidade de candidatura de Vieira em 2012, não cumprindo estatutariamente os requisitos para ser candidato;
- eleições antecipadas em 2009 para evitar concorrência;
- contas reprovadas em 2012 e nem sequer uma segunda A-G. Na História do Benfica  foi a segunda vez que as contas foram reprovadas. A primeira gerou a demissão de Manuel Damásio. Nesta, nem sequer o respeito pelos sócios com a marcação de segunda Assembleia aconteceu,  provando, se fosse preciso, qual a intenção de quem dirige o clube: manter-se ditatorialmente no poder;
- centenas de mentiras ao longo dos anos sobre a realidade do clube;
-  desinteresse total em apelar à participação dos associados nas Assembleias-Gerais. Como sócios,  recebemos dezenas de emails e mensagens a promover camisolas e porta-chaves,  mas não recebemos uma mensagem a anunciar a marcação de uma Assembleia-Geral. Isto  para quem quiser pensar, diz tudo sobre esta gente.

Ora, tudo isto foi posto em causa por mim ao longo dos anos. Tanto nas redes sociais como ao vivo no palanque em Assembleia-Geral do Benfica. Assim como Bruno Carvalho que também sempre foi dar a sua visão crítica do que se passava e passa dentro do clube. Aliás,  Bruno Carvalho - ao contrário de mim, que nunca falei nisso - ainda lançava recorrentemente a suspeita de que a contagem de votos nas eleições poderia estar de alguma forma comprometida.

Tendo em conta que todas estas acções vergonhosas não se apagaram e muitas delas continuam, o apoio de Bruno Carvalho sofre de uma evidente incongruência. Só faria sentido a mudança de crítico para apoiante se Bruno Carvalho tivesse sido ao longo dos anos apenas crítico do insucesso desportivo - isto aconteceu com vários benfiquistas, não com Bruno Carvalho, que elevou a discussão para o lado ideológico e dos valores benfiquistas. Com este apoio, queimou todos os princípios que defendeu ao longo dos anos.

É por isso que quando me chamam anti-Vieira devem compreender que o que eu sou é pró-Benfica e que ser anti-Vieira é apenas a natural consequência da minha defesa incorruptível pelo Sport Lisboa e Benfica. E  que não devo ser confundido com outras pessoas que são ou foram críticas de Vieira porque as motivações são diversas. Por exemplo, não posso ser confundido com estas pessoas…
- Rui Gomes da Silva
- Pedro Guerra
- Varandas Fernandes
- José Eduardo Moniz
… que são 4 pessoas que eram muito críticas de Vieira até receberem um convite e passarem a ser muito apoiantes de Vieira. Isto significa que a motivação destas 4 pessoas não era a da defesa do clube mas a da defesa dos seus próprios interesses.
Também não posso ser confundido  com Bruno Carvalho pelas razões que explanei em cima, e evidentemente não posso ser confundido com os apoiantes de Bruno Carvalho que antes adoravam que este defendesse os valores benfiquistas e agora compreendem que ele passe a apoiar Vieira (embora não haja possibilidade de compreensão para tal, uma vez que, como expliquei em cima, o ataque continuo à integridade deste maravilhoso clube, prossegue a grande velocidade).
No fundo, posso ser confundido unicamente comigo e com o Ontem vi-te no Estádio da Luz, que é o sítio que há 8 anos defende o Sport Lisboa e Benfica de quem lhe faz mal. Posso ser confundido com os companheiros que convidei ao longo do tempo para viajarem nesta embarcação. Pessoas que admiro, que respeito, que me dão a grande felicidade de partilhar o mesmo sentimento de honestidade, integridade e benfiquismo. Por isso, quando pensarem em chamar nomes a este blogue, basta apenas um. Chamem-nos Benfica.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Presidente, o que tinha a dizer em 2009 sobre Varandas Fernandes, o seu actual Vice-Presidente?



Obrigado, Presidente. Agradeço-lhe a útil informação sobre quem pagou o almoço a quem, sobre a sua ideia de que o actual Vice-Presidente é um tachista e, sobretudo, regozijo em saber que pôs como Vice-Presidente um homem que serve pessimamente o clube. Mas consigo compreender a medida, visto que o pelouro de que é responsável é pouco importante - não falamos de negócios, gestão financeira, valorização de activos, Marca Benfica ou outros assuntos que realmente interessam ao Sport Lisboa e Benfica. Varandas Fernandes tem só como funções a "gestão das iniciativas institucionais com os sócios e adeptos" e "gestão de todos os projectos de Responsabilidade Social que não estejam cobertos pela Fundação Benfica". Na relação com os sócios e adeptos podemos lá colocar uma pessoa que sirva pessimamente o clube, grande Presidente, é até desejável que assim seja.


Presidente, só mais uma questão, se me permitir. O que achava em 2009 de José Eduardo Moniz?


Mais uma vez, muito obrigado, senhor Presidente. Estou esclarecido. Chamou então para Vice-Presidente para a Comunicação Institucional alguém que, palavras suas, passou 31 anos sem pagar quotas - uma vergonha, de facto, grande Presidente, mais valia nem sequer ter sido sócio e depois, quando chegasse ao clube, então sim, fazer-se sócio e dizer que tem mais de 25 anos  de associado que ninguém notava, Presidente. Além disso, vejo com bastante alegria e até alguma desmedida euforia que chamou para liderar  a "coordenação da comunicação oficial do SLB", a "coordenação da Benfica TV" e a "gestão dos diversos intervenientes públicos em representação do Sport Lisboa e Benfica" alguém que, na sua opinião, deixou uma televisão com contas muito piores do que as contas do Benfica. O meu Presidente é competente, inteligente, sagaz, negociador implacável mas sobretudo é um homem que defende, acima de tudo e de todos, o melhor para o Sport Lisboa e Benfica. Já não há muitos homens como o senhor, grande Presidente. Por favor, mantenha-se no nosso clube o tempo que quiser. A obra ainda não está concluída.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Varandas e tachos de incoerência

O aparecimento de Varandas Fernandes - um acérrimo crítico de Vieira nos últimos anos - como Vice-Presidente da Direcção, caso a actual vença as eleições, é (mais) um sinal de como vai o Benfica: os que detêm o poder aglutinam os seus críticos no seu círculo (Moniz também será Vice), evitando vozes discordantes e incómodas - a troco de quê ainda viremos a compreender; os que construíram oposição no passado, defendendo ideias impossíveis de sofreram alterações tão drásticas, vão, a pouco e pouco, caindo nas redes das promessas de tachos e vira-casaquismo elementar. 

A incoerência desta gente é tanta que não se importam, uns, de agregar ao seu projecto quem dele disse raios e coriscos e, outros, de aparecerem em listas representadas por pessoas que ferozmente criticaram e a quem acusaram de estar a prejudicar o Benfica. É um circo, uma verdadeira palhaçada ideológica.

Não se sabe, para além da Vice-Presidência, o que foi prometido a Varandas nem sequer é preciso - um homem que vira a 180 graus desta forma está mais do que apresentado. E ele é apenas mais um, neste circo de gente que ou tem o poder e dele abusa ou não tem e quer lá chegar, mesmo que a troco de uma mudança ideológica radical. O clube, esse, fica à espera mais uma vez. À espera de gente honesta e coerente. À espera de gente credível e séria. À espera de gente que ame o Benfica.

Tal como o país, este clube é dominado por gente que não o respeita e prejudica, com o aval sereno e solidário do povo que elege os seus governantes de forma acéfala. Mas há uma diferença: enquanto a larga maioria dos que votaram nestes políticos sabe hoje que foi enganada e começa a rebelar-se contra o engano e desrespeito, no Benfica a larga maioria vive num autismo sem paralelo, defendendo de forma injustificável o que não tem nem explicação nem justificação. 

O amor irracional e pouco lúcido pelo Benfica não explica tudo. Há gente que, de facto, mesmo com um machado em frente aos olhos a um segundo de se escarrapachar nas retinas, é capaz de dizer que aquilo serve para ajeitar as pestanas.