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sábado, 16 de maio de 2015

Futebol e Benfica pelo Mundo (Parte 3)



Agora uma olhada em 4 das principais ligas europeias, enquanto seguro as unhas antes de me permitir focar a 100% na deslocação a Guimarães.


Na Holanda falta uma jornada para o fim do campeonato.

O ciclo de quatro títulos seguidos do Ajax já foi interrompido por um PSV campeão com uma larga margem de pontos.

O Ajax já (e só) garantiu o vice-campeonato.

O restante lugar do pódio está a ser disputado entre o Feyenoord, AZ e Vitesse.
O Zwolle e o Heerenveen fecham os restantes lugares europeus.

O NAC Breda, clube onde joga o Uros Matic, irá disputar o playoff de despromoção.

O Depay, mais recente contratação do Man Utd, lidera a lista dos melhores marcadores, seguido pelo avançado (também) do PSV Luuk de Jong.

A Taça foi conquistada pelo Groningen, numa final disputada com o Zwolle.

Longe estão os tempos áureos das equipas holandesas as competições europeias. O Ajax tetracampeão não se tem conseguido mostrar na Champions e esta época também não foi além do 3ºlugar no seu grupo (de referir que este foi liderado pelo Barça e PSG). Na Liga Europa acabou eliminado pelo Dnipro nos Oitavos.
Já o campeão PSV não foi além dos 16-avos da Liga Europa, tal como o Feyenoord. O Zenit e a Roma foram os seus carrascos (respectivamente).


Em França o PSG continua a afirmar-se como a grande potência futebolística do país, muito à base de “cheats” estilo The Sims.
Com duas jornadas por se jogar basta 1pt para a equipa de David Luiz se tornar tricampeã. Entretanto já conquistou a Taça da Liga e irá disputar a final da Taça com o Auxerre.
O sonho europeu parece estar só à espera de um sorteio mais favorável. Este ano foi eliminado nos Quartos pelo Barcelona depois de ter eliminado soberbamente o Chelsea nos Oitavos.

Por sua vez o Lyon parece aos poucos estar a recuperar a força que evidenciou na primeira década do século. O vice-campeonato já não foge e fica por saber que Lyon teremos na Champions e se haverá espaço para lutar contra o multi-milionário de Paris pelo campeonato francês.

O Mónaco, o Marselha e o Sain-Étienne estão a disputar um lugar no top-3.
A equipa monegasca, com o brilho do Bernardo Silva, parte com 2pts de vantagem nesta disputa e nas Champions alcançou os Quartos onde foi eliminado pela Juventus depois de ter vencido o grupo do Benfica e de ter derrotado o Arsenal.

Curioso que tanto o Mónaco como o PSG foram eliminados nos Quartos pelos finalistas da competição.

O Lille com o Marco Lopes está a disputar a 7ª posição e na Liga Europa não passou a fase de grupos.
O Evian do Daniel Wass está em zona de despromoção e a 4pts da linha de água.

O top-3 da lista de melhores marcadores é composto pelo Lacazette, Gignac e Zlatan. O avançado do Lyon lidera com 7 golos de vantagem.
O B.Silva e o D.Wass aparecem ambos com 8 golos, enquanto o M.Lopes tem 3 e o D.Luiz 2.


Apesar de um final de época decepcionante, o Bayern voltou a ser rei na Alemanha conquistando o tricampeonato, o bi de Pep Guardiola.
A época parecia correr de feição à equipa germânica mas as lesões e pouca capacidade de resposta da equipa levaram a um último terço de campeonato “terrível”.
O Bayern perdeu as últimas duas jornadas, foi eliminado pelo Dortmund nas Meias da Taça e também nas Meias da Champions. A campanha europeia começou com um domínio total num grupo com City, Roma e CSKA, continuou com duas estrondosas vitórias caseiras contra o Shakhtar e Porto e terminou na derrota por 3-0 em Camp Nou.
Neste momento, apesar das duas derrotas consecutivas, o Bayern é campeão a 2 jornadas do fim e com 11pts de vantagem.

A luta pelo 2º lugar está a ser feita entre o Wolfsburgo (com 2pts de vantagem) e o M’gladbach.
O Wolfsburgo tem 2pts de vantagem e chegou aos Quartos da Liga Europa após ter eliminado o Sporting e o Inter e caindo aos pés do Nápoles. Já o M’gladbach foi eliminado logo nos 16-avos pelo Sevilha.
O Leverkusen fecha os lugares Champions, competição na qual foi este ano eliminado nos Oitavos pelo Atlético depois de se ter apurado no grupo do Benfica.

Os restantes lugares europeus estão a ser disputados pelo Augsburgo, Schalke (que chegou aos Oitavos da Champions onde foi eliminado pelo Real), Dortmund e Werder Bremen. O Hoffenheim também ainda espreita uma possibilidade.

O Dortmund está a caminho de salvar uma época que começou desastrosa e mostrou horizontes trágicos.
Após ter andado pelos lugares de despromoção e de ter sido eliminado pela Juventus nos Oitavos da Champions com uma derrota caseira por 3 golos, a equipa de Klopp está 2pts dos lugares europeus e encontra-se na Final da Taça, com o Wolfsburgo, após ter eliminado o Bayern. Contudo o calendário não lhe é favorável pois irá deslocar-se ao Wolfsburgo e receber o Werder Bremen.

Na luta pela manutenção 4pts separam o 18º e o 13º posicionado, Estugarda e Hertha respectivamente, e estão envolvidos tanto o Hannover do João Pereira como o Friburgo do Mitrovic.
Já o Colónia do avançado Deyverson está num sossegado 10º lugar.

O Alexander Meier do Frankfurt é o melhor marcador do campeonato seguido pelo Robben, pelo Bas Dost do Wolfsburgo e pelo Lewandowski. O Deyverson só contabiliza um golo.
No Wolfsburgo ainda é de se destacar as 19 assistências que leva o De Bruyne.


Em Itália a Vecchia Signora tem-se imposto como nunca antes desde a década de 30.
Com três jornadas por jogar já conquistou o tetracampeonato, o seu 31º título de campeão nacional, e irá disputar a final da Taça com a Lazio.
Os sucessos internos finalmente se estão a reflectir nas participações europeias do clube de Turim. Na Champions a Juventus regressou às grandes decisões e irá defrontar o Barcelona na Final. No seu percurso está a vitória por 3 golos em Dortmund, a eliminação do Mónaco à italiana e uma eliminatória vencida com grande personalidade ao Real Madrid.

O Top-3, acesso aos lugares Champions, está a ser disputado pela Roma, Lazio e Nápoles, com as equipas da capital em vantagem nesta luta.
A Roma não foi além do 3ºlugar no seu grupo da Champions e na Liga Europa derrotou o Feyenoord, caindo nos Oitavos perante a Fiorentina. Já o Nápoles caiu perante o Dnipro nas Meias da Liga Europa depois de ter eliminado o Wolfsburgo nos Quartos.

A Fiorentina está em 5ºlugar e na luta por assegurar a sua actual posição, tendo também alcançado as Meias da Liga Europa, após eliminar o Tottenham, Roma e Dynamo Kiev e tendo caído perante o Sevilha.

As equipas da cidade de Milão continuam a desiludir. O Inter está em 8º e continua a aspirar o lugar europeu da Fiorentina, na esperança de conseguir melhor que os Oitavos da Liga Europa deste ano, competição onde eliminou o Celtic e caiu perante o Wolfsburgo. Por sua vez o Milan está em 10º e voltará a ficar de fora das competições europeias.

O Torino em 9º pode ainda remotamente sonhar com a Europa. Nesta época chegou aos Oitavos da Liga Europa, competição onde derrotou o Bilbau e foi eliminado pelo Zenit.

A Sampdoria com o Bergessio está em 6º a 1pt da Fiorentina. O Empoli do Mário Rui e o Verona do Saviola contam ambos com 41pts e portanto fora do Top-10 mas com a manutenção assegurada.

Despromovidos já estão o Parma e o Cesena. O Cagliari está a 1pt de também confirmar a despromoção.

A tabela dos melhores marcadores é liderada pelo Tévez com 20 golos, seguido pelo veterano Luca Toni do Verona, pelo Icardi do Inter, Higuaín do Nápoles, Ménez do Milan e pelos 14 impressionantes golos na Udinese do impressionante Di Natale.
O Bergessio e o Saviola contam ambos só com 1 golo.

O futebol italiano tem andado afastado dos grandes palcos europeus e tem-se apresentado em descrédito e sem fulgor. Contudo este ano parece estar a começar a recuperar a força que lhe era reconhecida até há 10 anos – apurou 5 equipas aos Oitavos e 2 às Meias da Liga Europa e conta com um dos finalistas da Liga dos Campeões.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

Futebol e Benfica pelo Mundo (Parte 2)



Depois da abordagem ao campeonato brasileiro e argentino, partilho agora as minhas anotações sobre alguns campeonatos da segunda linha europeia.


O campeonato ucraniano está a 4 jornadas do seu término e é confortavelmente liderado pelo Dynamo Kiev que se encontra num jejum de 5 anos.
Na Europa o Dynamo foi eliminado nos Quartos da Liga Europa pela Fiorentina depois de se ter superiorizado ao Everton nos Oitavos.

O Shakthar, actual pentacampeão, completa o pódio ucraniano e está só a 1pt da vice-liderança. Na Champions apurou-se no grupo do Porto mas caiu com um estrondoso 7-0 em Munique.

O Dnipro é a equipa ucraniana sensação. Neste momento ocupa o 2ºlugar do campeonato, está na Meia-final tanto da taça como da Liga Europa, onde joga com o Nápoles depois de ter eliminado o Olympiakos, Ajax e Club Brugge.

Na Taça a presença na Final está a ser disputada entre o Dynamo e Olimpik e entre o Shakthar e Dnipro.


Na Suíça ainda faltam disputar 5 jornadas mas o Basileia já pode encomendar as faixas de campeão (ou hexacampeão).
A equipa de Paulo Sousa, e onde joga o Derlis González que conta com 3 golos no cameponato, apareceu a bom nível na Champions ao apurar-se para os Oitavos num grupo com Real Madrid e Liverpool mas acabou aí eliminada pelo Porto.

Irá também disputar a Final da taça onde defrontará o Sion, clube onde joga o Carlitos e que está com a manutenção praticamente assegurada. O português regista 3 golos no campeonato.

O 2º posto do campeonato é confortavelmente ocupado pelo Young Boys, que foi eliminado pelo Everton nos 16-avos da Liga Europa.

Ao rubro está a luta pelo campeonato turco.

Só um ponto separa o líder Besiktas tanto do Fenerbahce como do Galatasaray, os quais estão também a um pequeno passo de colidirem na Final da taça.


O campeonato turco tem alternado entre o Fenerbahce e Galatasaray e este ano pode haver desempate, cada um tem 19 títulos. O Besiktas, com 11 campeonatos, tem sido o único clube capaz de rivalizar com estes dois (excepção feita ao ano de 2010 com primeiro título do Bursaspor).

O Besiktas irá também levar desta época a vitória nos penalties sobre o Liverpool nos 16-avos da Liga Europa, apesar de ter caído frente ao Club Brugge na eliminatória seguinte.

O Galatasaray, apesar da força nas competições nacionais, só conseguiu fazer 1pt no seu grupo da Champions, composto por Anderlecht, Dortmund e Arsenal.

Com os seus golos o Tacuara conduziu o Trabzonspor ao 6ºlugar, somente a 1pt do 4º, e também aos 16-avos da Liga Europa, onde foi eliminado pelo Nápoles. O paraguaio conta com 15 tiros certeiros para o campeonato.

Também o Binya anda por estas paragens e o seu Gaziantepspor está a meio da tabela já coma manutenção garantida.

No Eskisehirspor, em 14º com a manutenção quase segura, está por empréstimo o nosso Funes Mori com os seus 6 golos no campeonato.


Na Escócia o Celtic já se sagrou tetracampeão, apesar dos 9pts ainda em disputa, e também já festejou a conquista da Taça. Na Liga Europa não passou dos 16-avos após uma derrota por 4-3 (agregado) contra o Inter.

Já o Rangers continua a sua caminhada de regresso à 1ª divisão e está neste momento a disputar o playoff de promoção. Na taça foi eliminado nas Meias pelo Celtic.


No campeonato belga, a 4 jornadas do fim, o tricampeão Anderlecht está a 4pts da liderança, perdeu na Final da taça, ficou em 3º no grupo da Champions e caiu logo nos 16-avos da Liga Europa, onde foi eliminado pelo Dínamo Moscovo.

O Gent ocupa a liderança do campeonato e pode chegar pela primeira vez ao título de campeão.

O clube com melhor performance tem sido o Club Brugge. Está a 1pt da liderança do campeonato, o qual não vence desde 2005, conquistou a taça e chegou aos Quartos da Liga Europa após derrotar o Besiktas. Foi eliminado pelo Dnipro.

No pólo oposto está o Lierse. O clube onde actua o Capdevila conseguiu, à custa do Cercle Brugge, apurar-se para o playoff de despromoção.

O Mitrovic, avançado do Anderlecht, lidera a tabela dos melhores marcadores no campeonato.


O Zenit está próximo de se sagrar campeão russo pela 4ª vez. O clube onde actuam o Garay, Javi e Witsel, lidera com 6pts de vantagem a 4 jornadas do fim.
Nas competições europeias frustraram as expectativas. Não foram além do 3º lugar no grupo (do Benfica) da Champions e caíram nos Quartos da Liga Europa frente ao Sevilha. Pelo caminho eliminaram o PSV e Torino.

Época negativa para o CSKA. O actual bicampeão russo está a 10pts da liderança e no Champions ficou em último no seu grupo (Bayern, City e Roma).

O Dínamo Moscovo apareceu em grande na Liga Europa ao eliminar o Anderlecht após ter vencido todos os jogos no seu grupo. Acabou eliminado pelo Nápoles nos Oitavos.

A meio da tabela, prestes a garantir a manutenção, está o Mordoviya do ainda nosso Djaló.
No fundo está o Torpedo onde actua o Hugo Vieira. Contudo só 3pts separam o Torpedo da linha de segurança.

A Final da taça traz-nos um duelo entre o Melgarejo e o Manuel Fernandes.

O Kuban do paraguaio está no meio da tabela enquanto o Lokomotiv do português está em 7º.

A tabela dos melhores marcadores é liderada pelos 13 golos do Hulk. O M.Fernandes conta com 6 e tanto o H.Vieira como o Djaló só contabilizam 1 golo.


Na Grécia o Roberto e o Jara já se sagraram campeões pelo Olympiakos e estão também na Final da Taça.

Na Champions não foram além do 3ºlugar no grupo da Juve e Atlético. Na Liga Europa foram eliminados pelo Dnipro logo nos 16-avos.

O Miguel Vítor ajudou o PAOK a chegar ao 2º lugar e está agora, a uma jornada do fim, com 1pt de vantagem sobre o Panathinaikos. Na Liga Europa não passaram a fase de grupos.

O Katsouranis está com o seu Atromitos na luta pelos lugares europeus.

O Barrales lidera a tabela dos melhores marcadores com 17 golos, seguido pelo Mitroglou com 16 e pelo Domínguez com 15, ambos do Olympiakos. O Jara regista somente 2 golos, tantos quanto o M.Vitor.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Arranque 2014-15 – Até agora (1/2)

Após uma pré-época mal preparada, após uma quase revolução no plantel, após a saída de jogadores essenciais, após a aquisição de atletas de qualidade duvidosa e após amigáveis carregados de incertezas e maus presságios, finalmente começou a época.

O Benfica arrancou com um ponto a seu favor: o trabalho táctico feito ao longo de 5 anos. Essas rotinas foram cruciais para minimizar o impacto da redução na qualidade do plantel. Foram muitas as saídas mas a época arrancou com 9 titulares que já faziam parte das contas na época transacta.

Já todos sabemos que as equipas do Jorge Jesus têm uma tendência para começar mal, crescerem e depois claudicarem no final. Essa tendência foi um pouco ultrapassada nestes últimos 4 meses de competição. Se os últimos dois da época passada trouxeram 3 conquistas, já os primeiros dois desta trouxeram uma resposta positiva da equipa (pelo menos em termos de resultados nacionais).

Esta equipa, ainda numa fase muito frágil e inconsistente, tem conseguido juntar às más exibições, as vitórias que tanto interessam. Claro está que ganhar a jogar mal só é possível em consumo interno.

O Benfica à sétima jornada já conquistou uma Supertaça e está na liderança do campeonato com mais 4pts que o Porto e mais 6pts que o Sporting.

Não nos podemos é iludir. Há muito por onde melhorar mas também os rivais têm potencial para fazer melhor. Não há nada pior do que descansarmos na sombra das vitórias, principalmente quando estas são construídas sob exibições tão pobres e com um calendário tão favorável.

O Benfica tem uma competição ganha e também seis vitórias e zero derrotas em sete jogos do campeonato.
Contudo, também temos uma vitória só nos penalties contra o Rio Ave; um arranque na Luz contra um mediano Paços que ainda assustou; uma pobre exibição no Bessa perante um Boavista de segunda divisão e que se pode queixar de um lance mal invalidado perto do fim da partida; um empate na Luz contra um Sporting que terminou o jogo por cima; uma péssima exibição na Luz frente a um Moreirense que foi superior e esteve em vantagem até passar a jogar com 10; uma exibição passiva no Estoril onde deixámos que chegassem merecidamente ao empate depois de termos arrancado com um 2-0 e onde mais uma vez só contra 10 conseguimos a vitória; e ainda mais uma péssima exibição na Luz, desta vez contra o Arouca, e onde o Artur era herói ao intervalo e só aos 75 minutos nos superiorizámos e chegámos às redes do adversário.

Não desvalorizo as vitórias mas também não ignoro os desempenhos.

O pior destes arranques de baixa qualidade é o facto de ficarmos sempre arredados de outras lutas na Liga dos Campeões.
Sou um acérrimo defensor de que o Benfica é clube de Liga dos Campeões e que deve sempre almejar objectivos além da fase de grupos. É com bons desempenhos nesta competição que vamos recuperar o prestígio europeu há muito perdido, e não com grandes prestações em divisões muito inferiores.

Mas será o Jorge Jesus o treinador indicado para um Benfica vencedor na Liga dos Campeões?
Não acredito que o seja e por vários motivos:

• Frequentes maus arranques
• Desconhecimento da génese benfiquista
• Repetida desvalorização da competição
• Insistência numa postura derrotista na antevisão dos jogos
• Incompreensão das necessidades tácticas que esta competição exige.

Claro que o desconhecimento sobre o adepto benfiquista por parte de vários profissionais do clube também não ajuda.
O que pode ser pior do que pegar numa manifestação de amor ao clube cantada por milhares de adeptos e transformá-la numa jogada de marketing, usá-la para tapar a derrota caseira e transfigurá-la para uma “ovação de pé” aos jogadores e staff? Transformar tamanho amor em uma baboseira mediática também não ajudou ao realismo da equipa e a superficialidade com que se abordou e jogou na Alemanha foi bem demonstrativa da fictícia falta de exigência que tanto marketing criou.
 
Seria interessante se todos estes gestores que querem destruir o clube e implementar uma empresa, um dia se dedicassem a conhecer o benfiquismo vivido no meio daqueles que mais o sentem.

(Alguém reparou naquele vídeo onde num agradecimento aos adeptos pelo apoio prestado após a derrota caseira, praticamente só aparecem imagens de festejos efusivos e que nada têm a ver com o momento em questão?)

 
O Benfica 2014-15 parece simplesmente talhado para consumo interno. E é com esse foco que pode surgir aqui algum optimismo. A equipa tem potencial para melhorar, Jorge Jesus costuma evoluir ao longo do campeonato e as más exibições da equipa têm sido compensadas com vitórias atrás de vitórias.

Chegámos agora a uma paragem do campeonato. Veio em boa altura.

  

domingo, 18 de agosto de 2013

Um excelente prenúncio

Há um ano e tal o Bayern perdia tudo, como o Benfica há meses. 12 meses depois, vencia tudo, numa época gloriosa - o que quer dizer, claro, que o Benfica também vai repetir o feito: após uma época em que perdeu tudo no último mês, este ano ganhará Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Champions.

Há uma semana, o Benfica acabava a pré-época com um registo medíocre, não sendo o campeão do Verão - razão óbvia para sabermos que, não sendo campeão de pré-época, será campeão nacional em Maio.

Hoje o Benfica perdeu. É evidente que seremos campeões nacionais. Agradeçamos aos deuses esta derrota - o único jogo em que perderemos pontos até final. Não espero menos do que 87 pontos no final da época. Reservem já o Marquês, que a festa será de arromba.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Erro de casting

Com todo o respeito e admiração pelo excelente profissional que foi e é Fernando Correia - décadas e décadas de Rádio, sempre com uma postura digna e imparcial, apesar de ser dos poucos jornalistas que assumem, sem medos, o seu clubismo -, não consigo entender a escolha da TVI para os jogos da Champions, quando têm Pedro Ribeiro como opção óbvia e de maior qualidade e conhecimento do futebol actual. 

Exageros à parte, é o mesmo que o Jesus amanhã, em vez de meter o Enzo a titular, decidir jogar com o Coluna no meio-campo.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A prioridade é ganhar os jogos todos

Olho o calendário dos próximos meses e apetece-me gritar de dor. Ou de medo? Se calhar medo. Mas a um benfiquista - dizem os entendidos - é proibido ter medo. Preocupação, talvez, alguma hesitação, provavelmente também algum receio. Medo é que não. Então prefiro a dor, sinto dor e apetece-me gritá-la. Teremos nós meios, físicos, psicológicos, estratégicos para enfrentar os jogos que aí vêm? Temo que não, tenho esperança que sim.

É quando me deparo com estes dilemas que mais me solidarizo com a profissão de treinador de futebol. Claro, opções e tácticas, soluções milagrosas, mezinhas, verdades universais todos temos. Só que nós não respondemos pelas nossas ideias - atiramos larachas ao vento e esperamos que elas sejam cumpridas: se resultarem, cá estaremos, todos orgulhosos, para afirmar a frase profunda: "eu não disse?"; se não resultarem, como não somos responsáveis por nada, a razão há-de ser outra que não a nossa incompetência. O treinador é que sofre. Deve ser por isso que ganha mais num mês do que muitos de nós uma vida inteira. Só pode ser por isso. 

E agora as prioridades. Temos final da Taça da Liga, temos quartos-de-final da Champions, temos luta pelo Campeonato até ao fim. O que é que interessa mais? Melhor: por onde começarmos a batalha? Retiremos da equação a Taça da Liga, que é só um jogo e contra um adversário que nos permite alguma confiança, embora moderada. 

Ponhamos os olhos nas outras duas competições: uma ou outra? Aqui o coração amolece sobre um relógio. Todos sabemos as ínfimas possibilidades que temos de chegar a Munique, no entanto dentro de nós uma luz que vem de um ângulo desconhecido ilumina-nos a vontade e a esperança e a loucura. Sim, é pouco provável mas o que fazer deste sonho que temos nos braços? Apagá-lo com um letal gesto no pescoço ou deixá-lo crescer com o tempo? Por mim, que enlouqueço na saudade de ver o Benfica numa final europeia, nunca se despreza uma competição como a Champions. Faça-se um esforço extra, um ultra-sacrifício mental e físico, encontrem-se forças no interior dos corações esforçados, mas vamos, vamos em frente. Só podemos ir em frente. O que diz a História do Benfica é demasiado profundo para que desistamos de uma prova em que somos ainda, e com 20 anos de terror e mágoa, uma das grandes forças europeias. Negar isto, negar o passado, negarmo-nos como clube é desaparecermos. Só há uma via possível: querer chegar às meias-finais. E depois logo pensaremos no assunto.

E o Campeonato, como fica? Fica como sempre esteve e que está no sangue dos que nos representam: é para ganhar. Com avanços e recuos (como dói termos desaproveitado os pontos que hoje nos poderiam deixar soltos e livres para a Champions), medos, temores, hesitações e dúvidas. Com pontos ganhos, outros perdidos, mágoas, esperanças, alegrias, tristezas e muita fome. Temos fome de Marquês. Fome de festa, de apocalipse lunático, temos fome, muita fome, de Benfica. 

7 jogos. É isto que temos: 7 jogos. Ganhá-los todos e sermos campeões. Olhando os rivais que connosco lutam pelo troféu, restam poucas dúvidas: se ganharmos os 7 jogos que faltam, seremos campeões. Mas o Benfica será capaz de tal feito? Duvido. Quero, claro, quero muito, espero que sim, tenho esperança, sonho com isso, mas sei (sei?) que, aqui ou ali, perderemos pontos. Só espero que não seja nos próximos 3 jogos. Porque se os ganharmos - Olhanense, Braga e Sporting -, chegaremos a uma fase do calendário que nos será quase definitivamente favorável: jogos mais acessíveis e os rivais com jogos entre eles e contra a gazela do quinto lugar, o Sporting, esse grande cada vez menos grande mas que pode resolver o título pelo lado em que geralmente o resolve: não ganhando absolutamente nada com isso. 

7 jogos. Hoje há um. Vençam, mesmo jogando mal. Já não peço nada mais do que isto: vençam. O resto deixem connosco. Lá estaremos para vos brindar com o nosso apoio. E sem poupanças nem hesitações nem temores nem dúvidas. O Chelsea fica para depois. Hoje é dia de assar a carne toda.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cuore rosso

Longe da vista, nunca do coração, nestas últimas três semanas vivi o Benfica pelas entranhas. Sem saber de resultados, sem ver jogos, desconhecendo os marcadores dos golos, se os houve, o clube atinge-nos onde dói e simultaneamente nos sabe melhor: na alma. Sem cores, som, olhos, resta-nos a redescoberta de um sentimento de infância: o clubismo sem explicação. Amo-te muito, Benfica.

As razões para tão grande afastamento são claras: a propositada ausência que me impus da modernidade tecnológica mais básica; um amigo que, tendo ficado encarregue da missão ultra-importante de mensageiro de golos, umas vezes se esqueceu, outras ficou sem saldo; a desesperante falta de interesse no futebol português além-fronteiras, facto mais que provado na inexistência de qualquer notícia, mesmo que de duas linhas, sobre este nosso campeonato no excelente Gazzetta dello Sport - Holanda, Rússia, Escócia, Roménia, até Hungria mereceram, mesmo que timidamente, uma ou outra referência na página sobre futebol internacional. De Portugal, zero. Fica para reflexão.

Por isso, podem adivinhar a sede de bola com que cheguei ontem à 11:10 ao Aeroporto de Lisboa. Pensei em ir ver um jogo qualquer de infantis, desde que uma das equipas envergasse camisolas vermelhas, só naquela de ficar mais próximo de assistir a uma bola pontapeada por jogadores vestidos à Benfica. Mas descobri, no café do Bairro, duas coisas: que tínhamos empatado no Dragão (o que, não sendo fenomenal, me deixou surpreendido - essencialmente, por aquilo que o Armando relata em posts anteriores, compreenda-se) e que havia jogo na Roménia. Estava, portanto, o dia preparado para uma ressaca de viagem em grande.

E, de facto, apesar de o resultado ter sido escasso, não pude ter melhor recepção: o Benfica está a jogar muito mas muito à bola. Falta-lhe só - e talvez tenha sido pontual, não sei, estive afastado - definir melhor os infinitos lances que cria de superioridade ofensiva. Não falo só do remate, mas dos dois, três passes anteriores à possibilidade de golo. De resto, uma delícia: segurança na defesa, circulação de bola exemplar, criação de espaços, apoios frontais, transversais, planetários, bola corrida, rápida, procura das laterais, mudança de flanco. Tudo. Esta equipa está muito bem trabalhada pelo nosso mister e, se continuar a evoluir, pode ser que o meu pessimismo com que parti para Itália se desvaneça e nasça em mim um homem novo, cheio de esperança. 

Ontem, admito, deliciei-me. E era só isso que eu queria quando chegasse a casa, após longo interregno. Ontem o Benfica recebeu-me com música, descalçou-me os ténis, massajou-me os ombros, fez-me um prato fabuloso, serviu-me um copo, acendeu-me um cigarro e aninhou-se-me nos ombros. A minha pátria é o Benfica.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Para averiguar do estado de Jesus

Confesso a minha enorme curiosidade em relação à equipa que entrará de início hoje à noite: Jesus dará provas de maior flexibilidade/adaptabilidade às condicionantes do jogo - vantagem na eliminatória, tipo de adversário, factor "fora de casa" - ou, como é seu hábito, manter-se-á fiel e restringido ao seu esquema, não abdicando das suas ideias, mesmo que, num passado recente, elas tenham sido tantas e tantas vezes negadas pela realidade?

Parece-me que este jogo, mais do que o jogo em si - do qual, apesar de difícil, se espera que resulte a passagem ao play-off da Champions -, será o primeiro farol que iluminará toda a época que se avizinha.

Pela minha parte, estou muito curioso para saber se Jesus acha que deve entrar como visitante com dois extremos ou se tem a noção de que em certos jogos, especialmente fora e especialmente em jogos europeus, terá de juntar um homem a Javi Garcia e moldar a equipa para um esquema que lhe permita mais segurança em posse e menos vertiginosas correrias e desequilíbrios.

Estou curioso mas quase seguro de que Jesus optará por levar as suas ideias até ao fim e, esperemos que não, morrer com elas. Parece-me que, com a lesão de Pérez, as únicas alterações serão a entrada de Nolito para o lugar de Gaitán e deste para a ala contrária, expondo mais uma vez Javi Garcia a um trabalho de sapa num espaço enorme de terreno, sozinho e pouco apoiado. Para além desta alteração, é provável que Jesus retire o melhor jogador da equipa e aquele que liga toda a equipa para colocar Witsel numa posição que não é, a meu ver, a que explora de forma adequada as suas qualidades. Espero um 442 desequilibrado e propício às investidas dos turcos pelos corredores laterais e à posse em superioridade numérica no meio-campo. Jesus queira que esteja enganado:







Eu optaria pelo 433, aproveitando a qualidade de Witsel e Aimar - em simultâneo e não um como alternativo de outro, porque são jogadores completamente diferentes - no miolo para uma posse de bola segura, com qualidade, fluida, capaz de abrir espaços e criar situações de constantes combinações entre os médios, os extremos e o avançado - Saviola, claro, porque me parece ser o melhor para o jogo mais cerebral que temos de fazer, por um lado, e mais dado a transições rápidas, aquando da recuperação de bola com o adversário desequilibrado. Ficaria assim:




Independentemente das escolhas, o que é fundamental já sabemos o que é: passar a eliminatória. Se possível, com classe e de forma categórica.

Viva o Sport Lisboa e Benfica!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Notas de rodapontapénabola

- Não compreendo as críticas feitas por alguns macambúzios anti-benfiquistas acerca da má preparação em relação à lateral-direita. Qual o problema de, um mês depois de ter começado o estágio e 2 jogadores medíocres contratados (e dispensados), o Benfica tenha de chegar a um jogo crucial com o titular chegado de madrugada e de rastos e sem suplente de qualidade inegável? Não vejo onde está a falha. Foda-se, é que arranja-se tudo para criticar a Direcção. Já não há pachorra!

- Levantou-se aí um festival de apupos entre a multidão benfiquista por a Benfica TV ter conseguido um número significativo de jogos internacionais. Dizem os puristas que não se entende que uma televisão de um clube transmita jogos dos outros. Com todo o respeito pelo benfiquismo assinalável e o amor ao clube dos que defendem a tese, parece-me uma falsa questão. Há poucas, muito poucas, televisões de clubes no mundo que transmitam 24 horas por dia como a Benfica TV o faz. A divulgação sobre o Benfica que nos é dada é, regra geral, bastante completa, só pecando no capítulo das repetições. Ora, é neste nicho que devemos encarar as transmissões internacionais. Por um lado, aumentam a qualidade da Benfica TV, dando-nos grandes jogos e e assim evitando escusadas e deprimentes repetições; por outro lado, chama mais público (sim, mesmo os anti e os não-benfiquistas) e, MUITO IMPORTANTE, retira à SporTv o monopólio quase exclusivo que detinha. Uma excelente decisão da Direcção, esta, que espero ter a continuação óbvia com a venda dos direitos televisivos a outra que não a estação de Oliveira.

- Capdevila não jogará os dois jogos com o Trabzonspor porque não foi inscrito a tempo. Isto é incompetência ou é incompetência? Estou na dúvida.

- O Luisão para mim pode ir para o caralho. Sim, é fundamental para sermos campeões; sim, se ele sair, e sabendo nós a demora que esta gente tem para contratar alguém de valor (veja-se a questão lateral-direito, lateral-esquerdo e central), vai ser um pânico descomunal; sim, se ele sair, podemos começar a pensar em lutar pelo terceiro lugar. Então façam só isto: façam tudo para que ele fique mas retirem-lhe aquela coisa que ele mete nos braços. Dêem-na ao Aimar, se fazem favor.

- Hoje é dia de goleada na Luz. As pessoas já estavam com saudades de goleadas na Luz e esta será a primeira da época. Meia-casa para uma goleada na Luz, na Champions, depois de dois meses sem bola? Vergonha! De qualquer forma, aqui fica a minha equipa para os 5-1 de mais logo:

Artur
Amorim, Luisão, Garay, Emerson
Javi
Witsel, Aimar (c), Gaitán
Saviola, Cardozo