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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Não sejas chata, Senhora Velha

É difícil jogar contra a Juventus. Usam truques que os outros todos não têm: três barrotes atrás, a guardar religiosamente o castelo de Turim. Depois têm o Buffon, que, apesar de ter 540 anos, continua a ser um iô-iô. À frente dos troncos que ficam nas ameias, Pirlo: mexe-se como um Michael Thomas, toca a bola como Thomas Bernhard. 

O que faz mais impressão naquele pé do Andrea é a velocidade com que, antes de chegar a informação ao cérebro, já ele está a mudar o flanco. Custa muito, isto, à equipa que tem de aturar este chato. Corre-se muito só com um passe daquele gajo. E depois temos de organizar a pressão, o treinador começa a desesperar, os adeptos sofrem. É muito chato, Andrea Pirlo, embora o seu pé nada tenha disso: é mais um instrumento de prazer, uma espécie de mistura entre colher de sopa e um íman. 

Metem uns laterais-extremos a correr que não são grande espingarda mas andam para ali a importunar os nossos e às vezes até tocam na bola. Guardas de armas no meio-campo são dois: não há ali grande talento, embora chateiem bastante o Enzo, que devia ter um passe-livre para entregar futebol aos outros em vez de ter de andar preocupado com 3 médios. Na frente, um Tevez que ganha ressaltos, come a relva, vai ao chão, ressalta entre a bola e o relvado, marca golos de qualquer maneira. 

E outro: neste caso, o Vucinic, que é um rapaz que já foi bom na Roma e agora tenta mostrar ao mundo que também sabe jogar à bola vestido de Arouca. Não é fácil jogar contra esta equipa da Juventus; é até bastante difícil, praticamente impossível. Não são muito talentosos mas fazem multiplicar o futebol individual pelo colectivo como o cabelo do Conte um dia foi ralo e hoje é triunfante. Tudo se compra, Juventus, e penso que tu sabes disto. 

Sendo assim, e com um Benfica tão descolhoado por lesões e álcool, é capaz de ter sido um bom resultado sendo, claro, um mau resultado. Agora, não jogámos um caralho ou, vá, jogámos o que a Juventus deixou. Ainda não foi desta que o Jesus deu uma aula de catequese aos italianos, mas verdade seja dita: com os italianos, o Glorioso nunca foi de grandes vitórias. 

Fica a vitória. E o golo do Lima, que é tão bonito que apetece congelar no cérebro e deixar que descongele a vida toda. 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Juventus



Foi bom, tem sido óptimo, saborear o jogo e a festa de domingo. A festa que nos estava prometida, que nos era devida há 3 anos, finalmente chegou. O país de vermelho vestido saiu à rua e festejou. Festejou como só é possível de cada vez que o Benfica se sagra campeão nacional.

Não obstante, a época ainda não terminou, há ainda mais para jogar, para conquistar. E muito desse “mais” discute-se nos próximos dias, com a disputa da meia-final da Liga Europa com a Juventus e a meia-final da Taça da Liga com o FCP.

Foi com grande surpresa que vi a eliminação da Juve na fase de grupos da Liga dos Campeões. Não sei bem apontar razões para que tenha acontecido, pois os jogos do grupo em que os transalpinos se encontravam integrados, realizavam-se nos mesmos dias dos nossos. Porém, o plantel dos Italianos, tal como o do Benfica, é plantel de Liga dos Campeões e não de Liga Europa.

Nesse sentido, devemos entender que este será o primeiro adversário top que encontraremos nesta edição da Liga Europa, com a agravante de ser o clube proprietário do estádio onde se realizará a final da competição.

A Juve, normalmente, organiza-se num 3x5x2. Na minha opinião, o seu melhor 11 é constituído por: Buffon, Barzagli, Bonucci e Chiellini; Lichtsteiner, Pogba, Pirlo, Vidal e Asamoah; Tevez e Llorente. Neste 11 podem ainda entrar Cáceres, Marchisio, Giovinco ou Osvaldo, sem que a equipa tenha perdas significativas de qualidade.

Com uma defesa a três, nas alas vivem jogadores de elevado ritmo e capacidade física, que tanto asseguram uma defesa a 5 quando a equipa se encontra em processo defensivo, como asseguram toda a largura e alguma profundidade ofensivas quando a equipa se encontra com bola. No sector intermédio é, como em qualquer equipa que jogue, Pirlo o comandante máximo de todas as operações. Não tem, como nunca teve, grande intensidade, mas tem cada vez mais refinada a sua qualidade de passe e definição ofensiva, bem como posicionamento defensivo. Junto a si tem uma escolta de honra constituída por Pogba e Vidal. Dois jogadores com uma intensidade tremenda que emprestam à equipa toda a agressividade que Pirlo não consegue dar. Pogba e Vidal são dois tanques de combate, mas também excelentes jogadores no plano técnico. Ambos têm grande capacidade para ultrapassarem linhas em posse, bem como boa capacidade de remate, contando já com vários golos marcados – O chileno é o marcador principal de grandes penalidades. Na frente, o espanhol Llorente é o jogador mais posicional, sendo mestre a segurar bola enquanto aguarda pela subida dos companheiros. À excelente estampa física junta uma boa capacidade técnica e um jogo aéreo assinalável. Ao espanhol junta-se El Apache Carlos Tevez, como elemento mais vagabundo do ataque italiano. O pequeno bombardeiro argentino tem carta-branca para actuar em toda a largura da frente de ataque, sendo temível quando se encontra na meia-esquerda e flecte para o centro, podendo assim aplicar o seu forte remate de pé direito.

Quanto a mim, o maior perigo da Juventus, surge pelo seu jogo interior, seja na capacidade de penetração em posse dos dois escudeiros do estratega Pirlo, com triangulações efectuadas com os alas e a dupla atacante, seja na capacidade de remate de ambos ou pela capacidade que Pirlo tem em colocar bolas a longa distância, sendo-lhe de fácil execução uma mudança de flanco eficaz, aproveitando assim o natural desequilíbrio do adversário.

A nosso favor há o facto de todos os centrais transalpinos serem algo duros de rins e lentos, aspectos que podem ser explorados pela mobilidade e rapidez da nossa melhor dupla atacante (Lima e Rodrigo) – embora seja provável que Cardozo seja um dos titulares. Com dois extremos que se movimentam tão bem no espaço interior como Gaitan e Markovic, podemos aproveitar essa mobilidade para explorar algum eventual arrastar dos centrais adversários, por via da movimentação dos nossos avançados ou, caso não aconteça, explorar os flancos, onde pode haver espaço por via da forte propensão ofensiva dos alas da Juve. Caso seja Rodrigo o elemento mais recuado da nossa dupla ofensiva, pode estar aqui também um factor de desequilíbrio, pois o jovem espanhol pode e deve aproveitar a falta de intensidade e velocidade de Pirlo, desequilibrando assim no espaço deixado entre as costas deste e os centrais.

Sob o ponto de vista defensivo será importante que o homem mais recuado do ataque, seja capaz de “morder os calcanhares” a Pirlo, não lhe dando espaço para decidir e executar com qualidade. O experiente médio italiano é simplesmente genial quando encontra espaço e tempo para executar, mas não dispõe de grande capacidade para se desenvencilhar do 1x1.

Uma forma de limitar os movimentos verticais dos médios e auxiliar os centrais na luta com a dupla atacante da Juve, pode residir na capacidade dos laterais se juntarem aos centrais e assim formarem um bloco compacto na zona interior, deixando o acompanhamento dos alas adversários para os extremos.

Em suma, este será o adversário mais competente que teremos pela frente na presente época, mas a eliminação está longe de ser uma inevitabilidade. Será sempre difícil, mas longe de impossível.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Vingar-vos-emos, malta de 93.


Em dois jogos será sempre mais difícil ultrapassar a Juventus do que apenas num (mesmo que esse fosse no seu estádio). 60-40 para os italianos. Vai depende quase tudo do jogo da Luz - convinha não sofrer golos, mesmo que seja em 0-0. Aqueles nossos heróis de 93 merecem uma vingança condigna. E nós todos merecemos Turim... na final.