Ontem não consegui ver a primeira parte. Lá ao longe no
rádio ia ouvindo os gritos de golo do locutor. 0-3 ao intervalo e eu a caminho de
casa.
“Porra devemos estar imperiais!”
Estava ansioso por chegar a casa e ver o nosso Benfica a brilhar ao mais alto
nível.
Epa mas que merda…
Expectativas máximas e desilusão maior ainda. Comecei a ver o jogo aos 50
minutos e não é preciso descrever o que aconteceu. Aquela segunda parte é uma dolorosa
memória que não adianta estar agora a avivar.
Foi mesmo muito mau.
O que resta do assunto é perguntar como é possível um super-Benfica acabar
massacrado. Como é possível deixar aquele jogo empatar?
Há mérito dos turcos? Obviamente. Pelo que percebi o treinador do Besiktas
soube ler o jogo, soube mexer no jogo e mudou o rumo de todos os acontecimentos
ao fazer entrar o Tosic para a ala esquerda da equipa.
Mas o mérito do Besiktas nunca poderia ser suficiente para o Benfica sofrer o
que sofreu naquela segunda parte.
A minha opinião é baseada no que vi ontem e não só.
Este Benfica é uma equipa de ataque. Mentalidade ofensiva e muita qualidade nos
processos ofensivos. O que não nos falta é criatividade e imaginação.
Somos bons a atacar. Muito bons. Que o diga o Besiktas que levou 3 e podia ter levado
mais (segundo li).
Contudo, e como foi ontem aqui referido neste espaço, há uma bipolaridade na
nossa equipa.
Nos processos de uma equipa é o defensivo que tem mais mão do
treinador.
Aqui mora o grande defeito do Rui Vitória.
Aqui mora o grande defeito do Rui Vitória.
O nosso processo defensivo é muito fraco. Temos uma equipa mal trabalhada defensivamente.
Quando apanhamos uma equipa com bons definidores no ataque, quando apanhamos um Besiktas, a coisa treme toda ali atrás.
O nosso processo defensivo depende todo ele da omnipresença do Fejsa. Cabe ao sérvio compensar todas as lacunas que temos no modo como encaramos o ataque adversário.
Quando apanhamos uma equipa com bons definidores no ataque, quando apanhamos um Besiktas, a coisa treme toda ali atrás.
O nosso processo defensivo depende todo ele da omnipresença do Fejsa. Cabe ao sérvio compensar todas as lacunas que temos no modo como encaramos o ataque adversário.
A ganhar 0-3 e com o jogo e qualificação no bolso tínhamos 3 abordagens
possíveis:
- Continuar a fazer o nosso jogo, expondo-nos a contra-ataques e condicionando
a posse de bola adversária.
- Recuar um pouco a linha ofensiva e dar mais bola ao adversário, não nos limitando a querer defender mas tentando controlar mais os espaços e tempos do jogo.
- Segurar o resultado com unhas e dentes. Foco na defesa, autocarro estacionado e todos os caminhos tapados.
- Recuar um pouco a linha ofensiva e dar mais bola ao adversário, não nos limitando a querer defender mas tentando controlar mais os espaços e tempos do jogo.
- Segurar o resultado com unhas e dentes. Foco na defesa, autocarro estacionado e todos os caminhos tapados.
Normalmente a segunda opção é a abordagem mais inteligente e matura de uma grande
equipa. Foi a escolha do Rui Vitória, a escolha mais óbvia mas a pior escolha
para a especificidade da nossa equipa.
Nesta abordagem arrefecemos o nosso ponto forte e expomos ao máximo o nosso
ponto fraco. Com esta escolha damos espaço e liberdade para o adversário
constantemente explorar a nossa ineficiente forma de defender.
Ficar ali no intermédio foi o que nos lixou.
Aquela segunda parte foi muito uma colisão entre a nosso filosofia de jogo –
mentalidade de equipa grande que se recusa a jogar à equipa pequena – e a nossa
necessidade.
Se não era para atacar teria de ser para defender com tudo. É este o contexto do
nosso jogo em duelos mais exigentes.
Mas atenção. Não critico a opção do Rui Vitória. Eu não quero o Benfica com o
autocarro na Turquia e adoro que o nosso treinador respeite a grandiosidade da
nossa águia. Gosto de um Benfica com mentalidade de clube enorme.
Simplesmente constato que para a situação em análise talvez outra abordagem
tivesse sido mais eficaz. Faço-o à posteriori.
No jogo de ontem só tenho uma critica para o nosso mister. Critico o Rui
Vitória por ter permitido que o Salvio deixasse que o Semedo fosse atropelado
toda a segunda parte.
3-3
8pts
Ganhar na Luz e ganhar o grupo. Não há outra conta a se
fazer.