Primeiro golo: Aimar perde uma bola na zona central. Em vez de iniciar a pressão, decide ficar parado a reclamar com o árbitro. Mudança de flanco, bola para Hulk. Emerson - o tal que serve para ser titular a época inteira - marca com olhos. Golo.
Segundo golo: Gaitán - o tal que tem de ser mimado, caso contrário o menino amua e não joga nada -, pela milionésima vez esta época, arrisca em zona crucial, perde a bola e lança contra-ataques adversários. Golo.
Quando há uns meses, enquanto vitórias iam acontecendo, falámos de Gaitán e Emerson como perigos para o que restava da época, o chorrilho de asneiras e insultos caiu sobre este tasco. Gente que vive os jogos pelo lado errado: vê resultados, não vê mais nada. Não sabe ter uma atitude crítica em relação a um jogo, mesmo que seja um jogo de 5-1.
Jesus também não vê problemas nenhuns com a forma de jogar destes dois jogadores, visto que são seus titulares indiscutíveis. Um pode muito, mas não quer, goza com adeptos, colegas e clube. Outro luta muito, mas não pode, é fraco, não serve para o Benfica. Dois cancros numa equipa são tudo o que é preciso para a desgraça quando os adversários - como se sabia que ia acontecer nesta fase da época - são de outra qualidade e sabem aproveitar os erros destes dois indivíduos.
Esteve lá sempre. Jogo após jogo. Jogada após jogada. Fraca qualidade do Emerson (em tudo!), displicência e perdas de bola infantis do Gaitán. Mas não. Importava apoiar. Como se eu andar a gritar para um cego "vai, caralho, eu acredito em ti, vê, vê" o cego, por obra e graça do espírito santo, vai miraculosamente começar a ver.
Não é aceitável perder 8 pontos em 9 em três jornadas cruciais para o campeonato quando tínhamos 5 de avanço antes delas. Não é possível aceitar isto, por mais voltas que sejam dadas. Falem das arbitragens, do tipo de relvado, do azar, da fealdade dos jogadores adversários, do clima, do Gomes, do Oliveirinha, da fruta e seus derivados. Mas falem também da incapacidade desta equipa para lidar com a pressão. Falem também de Jesus que, de tão mestre da táctica, ontem levou um banho de um treinador ridículo. Falem na Direcção e a sua total incompetência para conquistar sucesso desportivo. Falem em quem dirige o clube e a sua nula capacidade para gerar um espírito de guerra e superação contra os corruptos.
Sejam críticos. Pensem pela vossa cabeça. Olhem para lá dos momentos esporádicos de bom futebol. Vejam para lá do que vos dizem. Leiam mais. Dediquem menos tempo a dizer frases vazias de sentido. "Agora temos de apoiar" - que sentido tem isto? "Agora"? Sempre! Apoiamos sempre. Mas apoiar não é meter a cabeça na areia e não ver o que os sinais fazem adivinhar. Apoiar não é dizer bem de tudo o que se faz no Benfica para "não desmotivar". Parecem o Jesus com o Gaitán: "precisa de carinho". Não, do que o Gaitán precisa é de um treinador que o cuspa todo quando faz merda. Precisa de um líder que lhe explique que o que ele faz em campo é vergonhoso. Precisa de sentar o cu no banco até entender conceitos básicos de futebol. Ou então vendam-no. O Ferguson fará dele o jogador que o Jesus nunca conseguirá fazer.
Com menos um jogador, Jesus decide não reforçar a equipa, deixando Gaitán - esse portento defensivo! - como lateral-esquerdo. Jesus teima muito, Jesus vê o futebol de forma caótica. É ele próprio que nos avisa disso mesmo quando afirma coisas tão absurdas como "não dou especial atenção ao processo defensivo, quero saber mais do lado ofensivo". Isto é muito estúpido. Isto é mesmo muito imbecil. Em 2012, pensar desta forma dá nisto: goleadas em jogos fáceis, derrotas em jogos difíceis.
E, pelo trajecto de 3 anos de Jesus no Benfica, já se percebeu que o homem não evolui. É aquilo, não dá para mais. Mas, como gosta de atacar (e não liga muito ao processo defensivo), é um deus na terra. Mau era o outro que era um cobardolas. Embora tenha disputado um campeonato até ao fim com um plantel que nem metade da qualidade deste tinha. É o Benfica e a sua estranha complexidade. Perder este título para o incompetente do Pereira é um selo de incompetência clara de quem nos dirige e treina. E o pior é que ainda há muita gente que ainda não percebeu que com esta Direcção o Benfica nunca voltará a dominar o futebol português. Nas próximas eleições, dêem-lhes mais votos. 90 por cento é pouco.
Campeonato acabou. Taça de Portugal tinha acabado há muito tempo. Taça da Liga é prémio menor. Resta-nos a Champions. O mínimo dos mínimos neste momento, aquilo que se EXIGE ao Benfica e seu treinador, é a passagem aos quartos-de-final. Alguém que explique a quem gere os nossos destinos que, depois de mais uma facada profunda nos nosso corações, os adeptos merecem uma noite de alegria. Lá estaremos para apoiar. Porque é no estádio que se apoia, não atrás de um teclado.