Por muito que Jorge Jesus diga que não mudou o sistema
táctico, por muito que custe a Jorge Jesus admitir que mudou por força das
derrotas, por força dos seus próprios falhanços, parece-me ser indesmentível que
esta nova formula táctica do Benfica com 3 médios de corredor central
declarados e uma ideia de jogo mais pausada e emocionalmente mais controlada
tem os seus resultados à vista.
O derby de ontem, tal como já havia sido o jogo na
Grécia, foi lançado nestas bases tácticas, com o trio formado por Matic, Enzo e
R. Amorim a controlarem todas as operações a meio-campo, roubando tempo e
espaço aos médios leoninos e demonstrando qualidade na hora de construir. Com
estas unidades em campo, o Benfica relaciona-se melhor com o espaço, havendo
menos espaço entre unidades e, por isso, maior facilidade nas ajudas defensivas
e na criação de linhas de passe no momento ofensivo.
O Sporting, tal como já tinha acontecido com o
Olimpiakos, marcou o 1º golo na primeira e única oportunidade criada através de
lances de bola corrida durante os 90 minutos, e em mais dois erros primários do
Benfica na defesa de lances de bola parada, tudo o resto foi luta a meio campo
e domínio do Benfica.
É verdade que sentimos algumas dificuldades após a
lesão de R. Amorim, talvez porque Jorge Jesus caiu na tentação de trocar o
médio Português por um extremo (Cavaleiro), colocando Gaitan ao meio, no papel
que até ali havia sido de Enzo, mas Gaitan está longe de ser Enzo no que a
capacidade e voluntarismo defensivos diz respeito e Markovic não teve a
capacidade de transporte de bola que Gaitan teve, até ali, pela esquerda. Mas
esse desequilíbrio causado pela má opção táctica de Jorge Jesus, foi mitigado
pela opção de Leonardo Jardim que na busca do golo também trocou um médio (A.
Martins) por um avançado (Slimani). Ainda assim, ainda que essas dificuldades
tenham sido evidentes, reforço, fomos capazes de manter o controlo do jogo,
caindo apenas pela questão, que já se torna desesperante, das bolas paradas
defensivas.
Ao contrário do que considerou Jorge Jesus, eu acho
que a entrada de Lima ia sendo determinante, mas para um desfecho semelhante ao
que temos vivido com o “mestre da tática”. Entrando Lima para a saída de um
esgotado Enzo, a equipa voltou ao sistema “antigo” e ao que isso tem de melhor
e… pior. Voltamos a ser uma equipa a correr desenfreadamente para a frente,
mesmo depois do 4-3, voltamos a ser uma equipa completamente partida a meio (a
3 minutos dos 120 é visível uma linha de 6 jogadores a defender e 4 na zona do
grande circulo), facto que só não melhor aproveitado pelo Sporting pela sua
falta de experiencia e matreirice, pois contra equipas com esses predicados já
vimos por diversas vezes que sofremos, e muito.
Para finalizar gostaria de falar de Gaitan. É verdade
que Enzo foi, mais uma vez, gigante no meio-campo, desmultiplicando-se em 2/3/4
“Enzos” para se entregar à equipa. Não é menos verdade que Cardozo foi
absolutamente letal, marcando 3 grandes golos. Mas Gaitan voltou a provar que,
querendo, é o jogador mais genial deste Benfica. Gaitan é daqueles que leva
gente aos estádios, é daqueles que se funde com a bola num bailado só alcance
dos predestinados, assim haja disponibilidade mental e compromisso com o
colectivo.