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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jorge Jesus tem mérito, mas treina muito sozinho e ainda não se adaptou à nossa forma de jogar, que é mais colectiva. Ele aposta na embirração contra a arrogância e às vezes é preciso mais humildade e inteligência

Estive hoje a rever, com mais cuidado, o jogo de ontem frente ao Trabzonspor. Visualização essa que acrescentada às dos jogos de pré-época me permitem chegar a conclusões. Não definitivas, claro, mas conclusões assim-assim, porque é também dessa forma que me caracterizo: um visualizador assim-assim. E isto já é sendo amigo, mas hoje sinto no ar um optimismo que me faz gostar mais de mim do que aquilo que valho. Apreciem as conclusões assim-assim que eu, visualizador assim-assim, retive:


- Artur é titular indiscutível. Sabe bem ter um guarda-redes na baliza.

- Garay é daqueles de quem se espera uma época sólida, competente, boa. Se Luisão ficar, temos dupla de qualidade. O problema está nas alternativas.

- Luisão não sabe jogar mal. Mesmo com os palhaços assobiadores em cima. Espero que fique. Mas retirava-lhe a braçadeira.

- Amorim esteve bem, dentro do possível. Mas é daqueles fundamentais para termos uma época de sucesso.

- Emerson é limitado. Chega para o campeonato português - tem garra, boa antecipação, sabe dobrar os companheiros, tanto ao centro como em compensação ao extremo. Não chega para outros voos - não sabe mais do que o passe lateralizado para o central ou a bola pela linha para o extremo. Desconhece o que é a diagonal, nunca lha ensinaram na escola.

- Javi preso de movimentos. Não esteve mal mas tem de subir de forma.

- Enzo Pérez não é interior, não será interior e nunca foi interior. Não sei onde foram buscar essa ideia. A extremo, num 433, rende. Ali, não, nunca.

- Gaitán, o mesmo de sempre. Perde bolas que deixam a equipa em perigo, não sabe defender e arrisca demasiadas vezes (este não viste a ser individualista, Jesus?). Depois... bem, depois é aquilo. Golão. Tem de sair das faixas antes que seja tarde.

- Aimar não fez um jogo fabuloso mas esteve longe das apreciações tontas de António Tadeia, o qual afirmava de Pablito estar "longe do jogo". É o problema que as pessoas que só vêem a bola têm: perdem o melhor de tudo.

- Saviola é outro que sofre as agruras do comentário imbecil. Até ter estoirado, ali a meio da segunda parte, jogou que se fartou. Que nem todos o entendam já não é do meu departamento.

- Cardozo esteve assim-assim. Tem de melhorar a forma física e começar a entender melhor os movimentos tanto de Aimar e Saviola como de Nolito e Gaitán.

- Maxi estoirado, cansado, verruguento, ainda assim agitou as águas.

- Nolito - temos jogador. 35 minutos em campo, originou o lance que levou a bola ao poste, fez um excelente passe de ruptura a isolar Cardozo e marcou o golo. Importante o lance do golo, porque demonstrou um jogador que conhece e espera lances inacreditáveis, como o de Aimar. Individualista? Nada. O Jesus deve ter visto outro jogo qualquer.

- Witsel tem de ser titular. Dá consistência ao meio-campo, segurança, classe. É um crime fazer dele o substituto de Aimar, quando este está cansado, e não permitir que os dois se entendam no meio-campo.



Dito isto, tenho ideias assim-assim para o Benfica, pois claro que tenho. Antes de qualquer outra coisa, o Benfica devia jogar em 433. Os jogadores que tem gritam pelo 433. Mas, como sabemos que o Jesus não vai acudir aos gritos, deixemos só a ideia hipotética assim-assim para que os anais da memória as não esqueçam:


4-3-3

Artur
Maxi, Luisão, Garay, Capdevila
Javi
Witsel, Aimar
Gaitán, Nolito
Saviola

O Benfica não pode deixar o centro do terreno entregue ao crescimento da relva. Tem de ter a zona bem povoada por jogadores que saibam defender e simultaneamente esticar o jogo, para além de controlarem a posse e a troca de bola com qualidade. Witsel e Aimar no meio são disso garantia segura. Por outro lado, Nolito e, principalmente, Gaitán, não são jogadores que ofereçam do ponto de vista defensivo as melhores garantias. Num 433, mais apoiados pelos médios, poderão explorar o poder desequilibrador de uma forma mais eficaz e, sobretudo, mais segura nas perdas de bola. Para além disso, com Saviola a começar, no papel, no centro, facilmente iriam ocorrer trocas posicionais entre os 3 da frente, desbloqueando defesas mais rígidas e todos os 3 com bom poder de aparecerem a finalizar. Cardozo? Seria uma solução pontual para a titularidade mas uma solução muito real no decorrer do jogo.


4-1-3-2

Artur
Maxi, Luisão, Garay, Capdevila
Javi
Witsel, Aimar, Nolito
Gaitán, Saviola


Witsel pode perfeitamente fazer de interior, que é aliás, juntamente com o papel de "8", a posição que me parece explorar da melhor forma as suas características. Na frente, a titularidade seria disputada entre Gaitán e Cardozo, dependendo do perfil das equipas adversárias. Gaitán é um ala mediano em 4132, um bom extremo em 433 e, parece-me (vale o que vale), um excelente avançado móvel. Retirá-lo de posições potencialmente perigosas para a equipa, deixando-o deambular na frente com Saviola: sabe movimentar-se, tem boa finalização, é desconcertante, imprevisível e bom no último passe.


Deixo-vos a ruminar nestas ideias assim-assim. E, se insultarem, ao menos sejam originais.