«São as duas grandes pragas do Benfica moderno, com medo de mudar e preso
à mediocridade presente como garantia de não observar algum cataclismo
maior do que perder 7 campeonatos em 9 anos.
O Jesuísmo é uma autêntica religião que apela à fé mais irracional. O Jesuísmo defende que é possível ganhar campeonatos sofrendo golos como se não houvesse amanhã. Defende que uma equipa defende muito bem as bolas paradas apesar de levar golos de todas as formas e feitios, sejam em cantos ou livres. O Jesuísmo acha que um central só pode ser bom com mais de 1,90m. Que um trinco tem que andar pela mesma ordem de valores. Que qualquer avançado ou extremo que seja rápido pode virar defesa lateral. Que os jogadores não são pessoas e não se sentem minimamente melindrados por não jogarem um único minuto em jogos disputados em dias consecutivos.
O Jesuísmo é um entrave à construção de plantéis. Está a ser especialmente complicado ao Benfica ter um plantel com soluções suficientes porque o Jesuísmo acredita que cada jogador está em campo com uma tarefa muito específica e complexa. Para o lugar de um Javi Garcia, tudo o que for menos que um Javi Garcia deixará logo evidentes as lacunas da sua ausência. Para o lugar de um Witsel, só resulta um Witsel. E isto torna muito mais complicado formar um plantel. É uma questão táctica, apesar da mestria professada vezes sem conta pelo Profeta. O Jesuísmo vê o Profeta como ser verdadeiramente brilhante, que vê mais longe do que os olhos alcançam, e tolera perfeitamente que evidentes cepos como Emerson (certamente pior que Escalonas e Pesaresis) possam fazer uma época inteira a destruir jogo numa lateral, acreditando que campeões do mundo com carreiras exemplares pudessem em algum momento ter feito algo de tão grave que merecesse o eterno ostracismo.
O Jesuísmo tem tudo o que tem uma religião: nada de objectivo e factual sobra para validar as suas teorias. Sobra a fé. A fé inabalável que uma pessoa sem formação, sem carácter e sem noção dos seus limites possa, num dia de nevoeiro, recuperar a lucidez e a humildade que desapareceram em combate algures pela Reboleira.
E depois há o Vieirismo. Religião bem mais antiga e com uma implantação de fazer corar de inveja qualquer ditador Norte Coreano, que faz acreditar as pessoas que um líder pode ser uma pessoa sempre ausente. Que um líder pode ser uma pessoa que delegue em adversários da empresa/clube cargos fundamentais para a condução dos negócios. Que um líder pode ser alguém que antes de entrar na sua nova missão, andasse publicamente a enxovalhar a imagem da instituição que vai liderar. Que um líder pode prometer um plantel de fazer inveja a qualquer equipa do Mundo, apesar de estar há anos sem uma alternativa a Maxi Pereira, sem uma alternativa evidente a Javi Garcia ou sem lateral esquerdo, mais de um ano depois de se tornar claro que Coentrão ia sair.
O Jesuísmo e o Vieirismo são dois cancros cujas metástases estão para lá do que já está diagnosticado. Domesticaram pela mediocridade uma massa humana que outrora não admitia a menor desculpa para a derrota, mesmo em tempos em que o polvo corrupto do nosso futebol usava armas bem mais eficazes e intimidantes do que hoje em dia. Fazem-na acreditar que o caminho para o abismo não é a perda do estatuto de maior instituição portuguesa, mas sim o longo mas compensador caminho da redenção após uma eleição que está a celebrar 15 anos em 2012. Como quaisquer religiões, o mal do Jesuísmo e do Vieirismo não é existirem. O mal é colherem fanáticos dispostos a dar a vida por eles, como nunca dariam pelo próprio clube. O mal é esvaziarem a coragem, a ambição e a galhardia que foram em tempos os grandes atributos (e a dada altura até os únicos, que o Benfica sempre foi um clube humilde e sem grandes posses) que catapultaram a mágica instituição para um estatuto de mito mundial no século XX.
Até ver, o Benfica no século XXI é apenas um clube patético de um campeonato menor. E em muito deve a estas religiões. Sobretudo ao Vieirismo. Quando o Jesuísmo cair finalmente em desgraça generalizada, o Vieirismo por cá continuará, forte e capaz de sugar mais algumas almas demasiado depenadas para evitarem o beijo da morte.»
O Jesuísmo é uma autêntica religião que apela à fé mais irracional. O Jesuísmo defende que é possível ganhar campeonatos sofrendo golos como se não houvesse amanhã. Defende que uma equipa defende muito bem as bolas paradas apesar de levar golos de todas as formas e feitios, sejam em cantos ou livres. O Jesuísmo acha que um central só pode ser bom com mais de 1,90m. Que um trinco tem que andar pela mesma ordem de valores. Que qualquer avançado ou extremo que seja rápido pode virar defesa lateral. Que os jogadores não são pessoas e não se sentem minimamente melindrados por não jogarem um único minuto em jogos disputados em dias consecutivos.
O Jesuísmo é um entrave à construção de plantéis. Está a ser especialmente complicado ao Benfica ter um plantel com soluções suficientes porque o Jesuísmo acredita que cada jogador está em campo com uma tarefa muito específica e complexa. Para o lugar de um Javi Garcia, tudo o que for menos que um Javi Garcia deixará logo evidentes as lacunas da sua ausência. Para o lugar de um Witsel, só resulta um Witsel. E isto torna muito mais complicado formar um plantel. É uma questão táctica, apesar da mestria professada vezes sem conta pelo Profeta. O Jesuísmo vê o Profeta como ser verdadeiramente brilhante, que vê mais longe do que os olhos alcançam, e tolera perfeitamente que evidentes cepos como Emerson (certamente pior que Escalonas e Pesaresis) possam fazer uma época inteira a destruir jogo numa lateral, acreditando que campeões do mundo com carreiras exemplares pudessem em algum momento ter feito algo de tão grave que merecesse o eterno ostracismo.
O Jesuísmo tem tudo o que tem uma religião: nada de objectivo e factual sobra para validar as suas teorias. Sobra a fé. A fé inabalável que uma pessoa sem formação, sem carácter e sem noção dos seus limites possa, num dia de nevoeiro, recuperar a lucidez e a humildade que desapareceram em combate algures pela Reboleira.
E depois há o Vieirismo. Religião bem mais antiga e com uma implantação de fazer corar de inveja qualquer ditador Norte Coreano, que faz acreditar as pessoas que um líder pode ser uma pessoa sempre ausente. Que um líder pode ser uma pessoa que delegue em adversários da empresa/clube cargos fundamentais para a condução dos negócios. Que um líder pode ser alguém que antes de entrar na sua nova missão, andasse publicamente a enxovalhar a imagem da instituição que vai liderar. Que um líder pode prometer um plantel de fazer inveja a qualquer equipa do Mundo, apesar de estar há anos sem uma alternativa a Maxi Pereira, sem uma alternativa evidente a Javi Garcia ou sem lateral esquerdo, mais de um ano depois de se tornar claro que Coentrão ia sair.
O Jesuísmo e o Vieirismo são dois cancros cujas metástases estão para lá do que já está diagnosticado. Domesticaram pela mediocridade uma massa humana que outrora não admitia a menor desculpa para a derrota, mesmo em tempos em que o polvo corrupto do nosso futebol usava armas bem mais eficazes e intimidantes do que hoje em dia. Fazem-na acreditar que o caminho para o abismo não é a perda do estatuto de maior instituição portuguesa, mas sim o longo mas compensador caminho da redenção após uma eleição que está a celebrar 15 anos em 2012. Como quaisquer religiões, o mal do Jesuísmo e do Vieirismo não é existirem. O mal é colherem fanáticos dispostos a dar a vida por eles, como nunca dariam pelo próprio clube. O mal é esvaziarem a coragem, a ambição e a galhardia que foram em tempos os grandes atributos (e a dada altura até os únicos, que o Benfica sempre foi um clube humilde e sem grandes posses) que catapultaram a mágica instituição para um estatuto de mito mundial no século XX.
Até ver, o Benfica no século XXI é apenas um clube patético de um campeonato menor. E em muito deve a estas religiões. Sobretudo ao Vieirismo. Quando o Jesuísmo cair finalmente em desgraça generalizada, o Vieirismo por cá continuará, forte e capaz de sugar mais algumas almas demasiado depenadas para evitarem o beijo da morte.»
trainmaniac, no Eterno Benfica.