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domingo, 10 de junho de 2018

José Boto

Chegou hoje, de forma oficial, ao fim a colaboração de um dos melhores olheiros do mundo com o Benfica. Confirmando os vários e piores sinais que vinham sendo dados, José Boto anunciou hoje, na sua página de facebook, a saída do Benfica, ficando ainda por saber, também de forma oficial, o seu novo destino.

Da mensagem de despedida, para além do agradecimento a Luís Filipe Vieira, importa sublinhar o seguinte pensamento:

“ (…) Se defendo que o que faz a verdadeira diferença entre os jogadores é a capacidade técnica, a inteligência e a forma como um jogador toma decisões em campo, também eu procurei sempre fazer o mesmo no meu dia-a-dia (…) ”

Esta é a chave de todo o pensamento sobre o jogo para José Boto. E se já era suficientemente grave perdermos um nome com a sua valia, o que significa a sua saída é ainda mais preocupante e as suas ondas de choque irão muito além da perda do nome em si.

Deixar sair José Boto, é deixar sair um estilo que foi pedra basilar dos sucessos da última década. Com a saída do categorizado olheiro Português, muito provavelmente e com sinais já dados nas recentes contratações, veremos a política desportiva do Benfica regredir a ponto de nos colocar no patamar de outros que têm perdido tanto nos últimos anos.

Voltar a um modelo de jogador assente em atributos pouco ou nada diferenciadores, será como voltar a acender a lareira com duas pedras.

É triste termos um clube tão grande e que, por isso, tem ao seu dispor tanta gente verdadeiramente interessante e disponível para colaborar com qualidade e insistirmos em querer tão pouco e tão igual a tantos.

Se é difícil perceber como não se procura melhorar o que está mal, é aterrador ver desperdiçar as melhores coisas que temos, em vez de as melhorar.

Quanto a José Boto, cabe-nos deixar um profundo agradecimento por tudo e tanto que deu ao clube e desejar-lhe o maior dos sucessos futuros, vá ele para onde for.

P.S. E nem me venham com a conversa do dinheiro que José Boto irá ou não ganhar fora do Benfica. Há coisas que o dinheiro, por muito que seja, não compra: Paixão e compromisso. E esses dois predicados só podem existir com um projeto. E esse… Não existe!

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Espiral de destruição interna


As explicações para os vários anos de hegemonia do FC Porto no futebol nacional são várias, das mais conspirativas às mais cândidas, e para todos os gostos. No entanto, para mim, a mais completa e evidente – não única – era a forma como os Portistas conseguiam dominar o mercado de jogadores.

As saídas das suas melhores individualidades no final de cada época sucediam-se e, quase à mesma velocidade, apareciam novos jogadores capazes de substituir com qualidade – e não raras vezes, até com ganhos – os que partiam.

Com uma política de aquisições essencialmente baseada no mercado sul-americano era, de facto, incrível a capacidade que o Porto tinha para regenerar as suas perdas de matéria-prima, reutilizando os ganhos provenientes das joias polidas.

Goste-se ou não, o domínio do Porto começava e acabava no campo. E lá, eles conseguiam ser melhores, porque tinham, sucessivamente, os melhores interpretes.

No Benfica, demoramos bastante tempo até conseguir compreender que o caminho para voltar aos títulos era, primeiro que tudo, o de conseguir ter os melhores. E para termos os melhores, havia que dominar o mercado. E para dominar o mercado, sem ter poder económico, só o poderíamos fazer com conhecimento!

E esse tem sido o nosso maior e melhor segredo: o conhecimento. Hoje em dia, é notório o nosso domínio de mercado. Nenhum dos nossos rivais tem sequer metade da nossa capacidade para ir substituindo os jogadores que, inevitavelmente, vão saindo.
Não têm essa capacidade financeira, é verdade, mas sobretudo não têm essa capacidade de conhecimento que levou anos e anos a ser construída.

Para quem tiver dúvidas que faça um pequeno exercício de memória e compare as realidades de ambos os clubes nos seus momentos mais pujantes. Compare a primeira década deste século do FC Porto e o que está cumprido nesta segunda década por parte do SL Benfica. Faça ainda uma retrospetiva e perceba o declínio do FC Porto na prospeção, deteção e aquisição de talento face ao Benfica, e transporte isso para os títulos ganhos por um e outro desde a época 2009/2010. Recue ao último título do FC Porto e reveja um 11 repleto de qualidade, mas um banco quase risível face ao que tínhamos. Resultado disso? Um tetra, que até pode ser penta, para nós e uma capacidade incrível de regeneração de qualidade.

Pois bem, a folha de jornal que se anexa ao que escrevo, resume em meia-dúzia de linhas o que se prepara para se fazer no Benfica, isto é, a acreditar nas várias notícias que têm saído nos últimos tempos sobre José Boto, preparamo-nos para perder um dos melhores scouts do mundo e o que fazemos para o substituir? Contratamos uma empresa externa ao universo do clube; Perderemos alguém com um conhecimento incrível sobre o jogo e o que realmente interessa na qualidade de um jogador e o que fazemos? Confiamos nos critérios de quem se rege por um pensamento completamente contrário do que é o jogo e o talento; Ficaremos sem um quadro importantíssimo no que diz respeito à recolha e tratamento de informação sobre o mais importante que há no futebol – os jogadores – e confiamos em bases de dados de alguém cujo maior e único interesse é servir os seus próprios interesses; Perdemos exclusividade de conhecimento e preferimos seguir o conhecimento disponível a qualquer clube através da mesma fonte; Deixamos de ter um critério único e completamente definido para estarmos dependentes dos critérios de terceiros que nem sequer sabemos como os analisam. Brilhante! 

Uma folha de jornal, uma simples folha de jornal demonstra cruelmente o processo de destruição interna que está em marcha no Benfica. Uma simples folha de jornal demonstra a total incompreensão das razões que nos levaram às vitórias nos últimos anos. Uma simples folha de jornal revela que quem não deve tem cada vez mais influência nas políticas que não lhe deveriam dizer qualquer respeito. Parabéns!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Martin Chrien



O jovem médio Eslovaco apresenta-se como uma das melhores notícias deste defeso. Sem grandes alaridos, chegou e promete vencer.

Os poucos minutos a que teve direito nesta pré-época não são suficientes para lhe esconder o talento que traz agarrado às botas e ligado ao cérebro.

Se no primeiro jogo, ainda em território Helvético, mostrou-nos muita qualidade nas decisões (movimentação, escolha das zonas de passe e posicionamento), mas muito erro na execução (vários passes intercetados), talvez inerentes a tudo o que envolve uma estreia numa realidade completamente nova, a última meia hora do jogo efetuado ante o Hull City, no Algarve, trouxe-nos um leve perfume de tudo o que este menino pode ser.

Não conheço absolutamente mais nenhum minuto para além daqueles que fez com a Gloriosa envergada até ao momento, mas estes minutos deixam muita água na boca. 

Não sei se a permanência no plantel entrará nas contas de Rui Vitória e, mesmo que assim seja, será previsível que tenha dificuldades em ter minutos na equipa, face à presença de Pizzi. No entanto, apetece-me muito dizer: Temos craque!

sábado, 23 de agosto de 2014

Uma Candeia mal iluminada II



“Deste final de época, para além do triplo triunfo e consequentes festejos, sobra ainda a contratação do jogador Candeias, pertença do Nacional da Madeira.

Percebendo que se trata de um negócio de ocasião, por se tratar de um jogador em final de contrato, não consigo encontrar nesta aquisição uma lógica desportiva facilmente entendível. Candeias é um jogador interessante – não mais que isso – que se encontra próximo do seu limite evolutivo. Não vejo no extremo Português uma capacidade para evoluir muito mais do que conseguiu até ao momento, logo, não me é previsível que venha a ter um nível competitivo suficiente para assumir um lugar indiscutível no 11 do Benfica. Naturalmente que é um jogador com qualidade e capacidade para fazer parte do plantel, numa lógica de 2ª linha, mas não mais que isso.

Não obstante, jogadores para constituírem uma 2ª linha do plantel do Benfica já o clube tem sob contrato como Pizzi e/ou Ola John, para lá de Ivan Cavaleiro a quem é preciso dar competição, seja por via de oportunidades na equipa principal, seja por via de um empréstimo a um clube de primeira liga onde se possa impor como escolha principal.

Perspectivando as mexidas naturais do mercado de verão, e na pior das hipóteses, há a considerar as possíveis saídas de Gaitan e Markovic, ou seja, dois jogadores de classe e qualidades inegáveis. Perdendo estes dois fica a pergunta: Candeias é capaz de suprir alguma destas saídas do 11? Obviamente que não. Nem Candeias nem sequer Pizzi, Ola John ou sequer Cavaleiro.

O melhor que consigo prever para Candeias no Benfica é ser o Hugo Vieira ou Steven Vitória do próximo plantel, isto é, contratação para adepto ver (Hugo Vieira) sendo emprestado em seguida ou contratação para preencher uma das vagas na lista a enviar para a UEFA como jogador formado localmente (Steven Vitória).

Em suma, não há em Candeias nada que o diferencie positivamente dos jogadores que já se encontram contratualmente ligados ao clube.

E se a ideia era a de contratar um jovem português para as alas do ataque que pudesse ir evoluindo e conquistando o seu espaço, havia em Ricardo Horta uma solução muito mais promissora, até porque Candeias já conta com 26 anos. Não, não é um “velho”, mas está próximo do máximo que poderá dar, bem diferente do jovem extremo do Vitória de Setúbal e que já pertenceu ao Benfica.”

Este post foi por mim escrito no passado dia 23 de Maio, depois de ver confirmada a contratação de Candeias por parte do Benfica. Os comentários a este post foram muitos e variados, dos quais destaco:

“Quem és tu para falar num jogador que não conheces, quando ignoras tudo sobre futebol, quando falas contra decisões tomadas por especialistas de futebol (Rui Costa e JJ), ignorante dos processos estratégicos que estão por detrás destas decisões?
Os talibans já começam a tentar destabilizar, dar a sua opinião ignorante sobre tudo o que mexe no Benfica. Para ajudar os pasquins que lambem os beiços de satisfação.”

Qual o meu objectivo com isto? Vangloriar-me por ter razão antes do tempo? Passar uma imagem de entendido? Não, longe disso. O objectivo é puro e simples: Demonstrar como um simples adepto como eu, entre milhões, conseguiu perceber o que os PROFISSIONAIS do Benfica não conseguiram.

E são os “Candeias” da vida do Benfica que nos fazem ter dezenas e dezenas de jogadores sob contrato e mesmo assim não conseguimos iniciar a competição com um plantel claramente definido e com lacunas completamente colmatadas. É este o tipo de organização que reina no Benfica e são casos como Candeias, Djavan, Luís Filipe, Vitor Andrade, Fariña, Eder Luis, Rojas, Andrés Diaz, Cortez, Emerson, Roberto, Hugo Vieira e tantos, mas tantos outros que nos custam a afectação de verbas importantes e que geram endividamento escusado e desmesurado. Talvez um dia saibamos a história completa.