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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Alternativa a Vieira

Como já disse anteriormente, sobre Jesus falarei no final da época desportiva, embora já tenha uma idéia formada. Quanto ao LFV, eu sei que as eleições são só para Outubro, ou seja daqui a 6 meses, porque desta vez não interessa antecipá-las e porque os estatutos já condicionam suficientemente os sócios para que apenas uma pequena minoria possa ambicionar ser líder de qualquer orgão social do nosso clube, mas visto que estamos a falar do mandato desportivo, podemos já prepararmos um balanço.

Comecemos pois pelo futebol, a mim interessam-me os resultados, os títulos, não as séries de vitórias ou as boas campanhas.

Campeonato - 1 (lamento imenso, mas a teoria do matematicamente possível é boa para quem não tem calo suficiente para saber que se fôr preciso, o próprio PdC apitará o que fôr necessário para ser campeão).
Taça de Portugal - 0
Taça da Liga - 3
Supertaça - 0

Se compararmos com o mandato não desportivo que antecedeu temos:

Campeonato 1 vs 0
Taça de Portugal 0 vs 0
Taça da Liga 3 vs 1 (embora só tenham existido 2 edições no anterior mandato)
Supertaça 0 vs 0

Ou seja, o mandato desportivo, aquele onde foram investidos milhões atrás de milhões, onde tivémos os plantéis mais caros de toda história sem qualquer tipo de comparação, rendeu apenas 1 campeonato e 2 taças da liga a mais que um mandato não desportivo.

Será então na formação que obtivémos o domínio ?

Juniores 0  vs. 0 (desde de 2003/04 que não ganhamos 1 título de juniores)
Juvenis 1  vs 1
Iniciados 1  vs 1

Este ano está em aberto a possibilidade de sermos campeões nas 3 categorias, embora a derrota com o Porto neste fim de semana prejudique as nossas ambições em Juvenis.

Passemos então para o Pavilhão e continuemos com a bola no pé, ou seja o Futsal.

Campeonato 0 vs 3
Taça de Portugal 0 vs 2
Supertaça 1 vs 2
Uefa Futsal Cup (AKA Champions do Futsal) 1 vs 0

Conclusões, apostámos tudo na conquista da Champions, no primeiro ano de mandato, mas a nível nacional perdemos a hegemonia para os lagartos, mesmo que este ano conquistemos a dobradinha.

Basquetebol

Campeonato 1 vs 1
Taça de Portugal 0 vs 0
Supertaça 2 vs 0
Supertaça Luso-Angolana 1 vs 0 (De referir que a competição só existiu neste mandato, tendo nós conquistado em 2009/10, tido uma participação vergonhosa em 2010/11 e nem fomos apurados em 2011/12)
Troféu António Pratas 1 vs 2
Troféu Hugo dos Santos 1 vs 0 (A competição só existiu neste mandato)

No Basquetebol devido às constantes mudanças de nomenclatura e à criação e extinção de competições, torna-se difícil fazer comparações, mas não existe uma clara hegemonia a nível nacional, ao contrário do que parecia iniciar-se após as vitórias no campeonato no último ano do mandato anterior e no primeiro ano deste mandato. A derrota no ano seguinte, perante os tripeiros, ditou o fim do projecto em curso, pelo que se espera que o projecto iniciado este ano dê frutos.

Hóquei em Patins

Campeonato 0 vs 0
Taça de Portugal 1 vs 0
Supertaça 1 vs 0
Taça Cers (equivalente à Taça UEFA) 1 vs 0
Taça Continental (equivalente à Supertaça Europeia) 1 vs 0

Embora no campeonato não existam indicações do fim da hegemonia dos tripeiros, os títulos europeus e as taças mostram que se está a trabalhar melhor que nos anos anteriores, a liderança no campeonato perto do fim, embora seja apenas de 1 ponto, deixa-nos a esperança de sermos campeões.

Andebol

Campeonato 0 vs 1
Taça de Portugal 1 vs 0
Supertaça 1 vs 0
Taça da Liga 0 vs 1

O despedimento incompreensível de Aleksander Donner, interrompeu uma trajectória de sucesso que existia no mandato anterior. Neste mandato nunca, em momento algum parecemos fazer perigar o domínio dos tripeiros.

Voleibol

Campeonato 0 vs 0
Taça de Portugal 2 vs 0
Supertaça 2 vs 0

Sem lagartos nem tripeiros, com um investimento sem precedentes, que inclui 3 titulares da selecção nacional resgatados a equipas profissionais estrangeiras, inacreditável foram as derrotas nos 2 primeiros anos de mandato nas fases decisivas após largo domínio nas fases regulares, estando este ano em aberto a possibilidade de finalmente sermos campeões.

Atletismo

Campeonato Nacional de Clubes (Masculinos) 1 vs 0

Após 15 anos o título foi conquistado em Masculinos, como consequência do trabalho realizado em Sub-23 e Juniores, que apesar de ter procurado informação, nem no site do Benfica, nem do da Federação consegui identificar resultados mas tenho ideia que o título de sub-23 foi conquistado pela 2.ª ou 3.ª vez consecutiva no ano passado.

O Atletismo é a modalidade paradigma, onde um investimento na formação e detecção de valores nacionais jovens nos levou a conquistar o título quando foram aliados a valores seguros com alguma experiência. Infelizmente esta prática pouco ou nenhuma vez foi repetida nas outras modalidades onde independentemente dos valores dispendidos, serem muitas vezes muito superiores à concorrência, nem sempre conseguimos os resultados pretendidos.

Cada um retirará as conclusões que quiser do mandato desportivo, na minha opinião os resultados ficaram muito aquém das expectativas, revelando na maioria das modalidades onde os tripeiros participam uma incapacidade em quebrar a hegemonia deles, o resultado do basquetebol este ano ditará se nesta modalidade quebrámos a hegemonia ou não. No futsal, perdemos a hegemonia nacional para os lagartos, no voleibol apesar da quase ausência de concorrência os resultados são pobres, apenas no atletismo se vê um trabalho de fundo, sustentado e digno de todo o realce.

Obviamente que esta é uma pré-avaliação antes de se saberem as decisões dos campeonatos, mas para um mandato desportivo que se queria de êxitos, mesmo que conquistemos alguns títulos este ano, ficará muito aquém do esperado.

Não sei qual o vosso veredicto, mas o meu é muito negativo, mais ainda quando se endividou e acumulou resultados financeiros negativos na SAD e no Clube para tentar obter os resultados que afinal não apareceram.


Tudo o que Vieira fez foi mau ? Não.


Objectivamente o Benfica exponenciou a sua capacidade de marketing e as receitas que daí advêm


O Benfica aumentou significativamente a sua base de sócios e a rede de casas.


Os trabalhos realizados na formação de base, quer ao nível do futebol, quer de outros desportos, é exemplar, mas deverá produzir frutos para as equipas principais, caso contrário poderá vir a ser posto em causa um trabalho meritório.


O Benfica é o clube em  Portugal que tem consciência social e ambiental.

O Benfica foi pioneiro na comunicação, com a criação da Benfica TV, apesar dos maus caminhos pelos quais recentemente esse projecto tem entrado, com o saneamento de benfiquistas que ousam criticar ou pensar diferente da direcção (António Melo ou Alberto Minguéns, por exemplo).


Muito do trabalho feito tem como objectivo o longo prazo, não tem visibilidade actual, pelo que deveremos estar gratos pela visão estratégica.


Mas falta o golpe de asa, aquele que caracteriza as Águias. A cultura dos Yes-man nada de bom traz para o Benfica como a qualquer organização. Introduzir no Benfica infiltrados de outros clubes (incluindo homens para quem o Porto é uma religião), ou pessoal que apenas vê no Benfica um bom meio de promoção pessoal ou de ganhar uns trocos à custa do clube é pernicioso. O romper com os interesses instalados, porque representam o que de podre o futebol português tem tido nos últimos 30 anos, em vez de tentar aproveitar as sobras do sistema (será que não aprenderam nada com as lições dadas ao Sporting ?).

Agradeço o trabalho efectuado, mas pode ser feito mais e melhor e não me parece que esta equipa seja capaz de elevar o Benfica à excelência, seja ela desportiva ou organizativa, pelo que é altura de uma renovação na estrutura dirigente.


Quando me falam de grandes presidentes penso em Maurício Vieira de Brito, Borges Coutinho, Fezas Vital, Adolfo Vieira de Brito, Ferreira Bogalho. Querem comparar o palmarés do Benfica no tempo destes presidentes com o tempo de Vieira ? Nem brinquem comigo. Nenhum deles tem menos palmarés que Vieira e em muito menos tempo, pois o único que esteve 8 anos no Benfica, Borges Coutinho, ganhou 6 campeonatos e 2 Taças de Portugal (e não havia nem Taças da Liga nem Supertaças).

Presidentes vão e presidentes vêm e o Benfica continua. O Benfica é muito maior que qualquer presidente. É pois urgente surgir uma alternativa a Vieira.

Não vou discutir nomes, pois esse não é o meu interesse.

Um Benfica ganhador não pode ser incompetente, aquele que ganha 1 campeonato em cada 5 anos, deixando os adeptos a culpar o sistema, apesar de o Benfica com ele pactuar e o alimentar constantemente.


Quero alguém que seja benfiquista, honesto, vertical, não pactue com esquemas, que imprima uma cultura de exigência em vez de pactuar com a mediocridade e afastar os mais competentes, como foi o caso do Donner, em detrimento de outros menos conflituosos, mas obviamente muito menos competentes.


Quero alguém que tenha uma visão estratégica e que pense o Benfica como sendo maior que o rectângulo onde vive, um Benfica Europeu e Mundial, que não se limite a falar de 6 ou 14 milhões e efectivamente explore e desenvolva a marca Benfica no mundo.


No fundo quero um Benfica à Benfica.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Em vez da estátua do Eusébio, que tal a inscrição "Arbeit macht frei"?





Tenho lido por aí que a entrevista de Vieira foi vazia de conteúdo, que o Presidente do Benfica se defendeu, chutou para canto e não disse nada. Permitam-me que discorde. Vieira disse muita coisa, directa e indirectamente. Aceito a opinião que defende que Vieira está mais polido - é verdade, já não diz o que lhe vem à cabeça, agora leva tudo estudado. O que pode ser problemático porque, se antes dávamos o benefício da dúvida às coisas absurdas que dizia, hoje sabemos que tudo o que diz tem um pensamento e uma ideologia como base. E, tendo em conta o que disse, é coisa para não me deixar nada tranquilo. Vejamos então o que disse o grande líder:

- Rui Costa - não manda nada mas está ao seu lado. Mas tem alguma influência no Benfica? Não, quem manda é ele. Então o que está Rui Costa a fazer no Benfica? Vieira não consegue explicar, não sabe explicar e não quer explicar. É compreensível: Vieira não vai dizer aos benfiquista que Rui Costa está, neste momento, amarrado a um posto que não lhe dá liberdade para agir directamente pelo clube nem sequer o potencia como possível futuro candidato à Presidência. Isto porque Vieira alterou os estatutos há uns anos, quando nem sequer quis ir a votos com outros candidatos. Mas Rui Costa tem culpa nisto. Se está amarrado, desamarre-se. Se lá se mantém e não bota faladura, lá saberá as linhas com que se cose. Sabendo que, quanto mais se mantiver atrelado a Vieira, menos hipóteses terá de vir a ser uma figura de destaque no futuro. É que, um dia, as pessoas vão ver o que Vieira vai deixar de pé no clube. E vão ficar chateadas, muito chateadas. Por ora, desfrutemos da paz dos anjos. 

- Enzo Pérez - Interessante o momento da doença da mãe do rapaz. Não ponho em causa, acho curiosa a coincidência. Mas pode, de facto, ser apenas isso, uma coincidência. Só que mães adoentadas de jogadores há algumas e os jogadores mantêm-se ao serviço do clube. Este, por aquilo que nos fez, não devia beneficiar de qualquer privilégio. Ver a mãe, sem dúvida, ficar uns dias, sem dúvida; não arranjem é forma de atirar o homem para a Argentina por 6 meses. Nesse caso, estaremos certos do que sempre esteve em causa. E serão mais 5,5 milhões de euros a juntar aos 30 e tal milhões que estão enterrados em jogadores emprestados. É a crise, dizem. Mas no Benfica não parece haver falta de dinheiro. A não ser quando há que justificar medidas que vão no sentido oposto ao que foi sendo dito anos a fio. Alguém consegue ainda perceber isto? Concordar com isto? Não criticar isto? Digam-me como se faz, se puderem, que eu preciso de dormir mais descansado.

- O Mandato desportivo - A 26 de Junho de 2009, Vieira falava aos crentes assim:  

“Falta-nos conquistar títulos. Posso garantir que este mandato será para fazer obra nisso. Temos serenidade para investir no nosso ‘core business’ e ganhar não um, mas dois ou três campeonatos seguidos” 

E, de facto, o primeiro ano correu como prometido. Um campeonato, futebol de excelência, público empolgado, o Benfica estava de volta. Mas... estava? Não, bastou vencer um troféu 5 anos depois para recomeçar o disparate e a bazófia. Verteram-se entrevistas megalómanas, Jesus e Vieira, os dois de mãos dadas na imbecilidade, prometeram mundos e fundos, informaram o país de que o Benfica estava para ficar. Resultado: uma Taça da Liga, humilhações contra o Porto em todas as competições, incluindo nesse manjar um campeonato perdido em casa e uma meia-final da Taça depois de termos ido vencer por 2-0 ao Dragão. Afinal, o mandato desportivo não era para "dois ou três campeonatos seguidos", era para um e a masturbação consequente. 

Vieira, então, veio a terreiro: "tenho a culpa, cometi erros", frase pela primeira vez ouvida ao sujeito embora o sujeito tenha andado a cometer erros desde que pôs os pés no Benfica. Mas os benfiquistas são corações amolecidos (pelo tempo e pelas tristezas) e acreditaram no líder. E ele vem hoje, mais uma vez de peito aberto, assumir o que esteve mal: "fui eu! tive a culpa", embora tenha deixado no ar a ideia de que o que mudou da época passada para esta foi Rui Costa e o que fazia/faz no Benfica. Foi assim um daqueles "mea culpa" que soa a coisa falsa: "sim, falhei, mas" que é aquele "mas" que, em filosofia, se estuda como o elemento apenas apaziguador na discussão para depois ferir de morte o oponente. 

Recapitulemos: este é o mandato desportivo de Vieira, disse-nos ele há 3 anos, apesar de no ano passado termos tido das épocas mais humilhantes de que há memória, mesmo que a equipa, sejamos justos, nem sempre tenha estado mal - teve até momentos de brilhantismo. Mas lá está: ao brilhantismo desportivo, correspondia sempre a cagança no discurso e nas acções. Lá se foram os "dois ou três campeonatos seguidos" para a sarjeta. 
 
E este ano? Faremos melhor? Começaremos um ciclo (o 132º de Vieira)? Sim, mas com precaução. E Vieira explicou muito bem explicado o que pensa nesta entrevista:

«Não nos podem estar a julgar pelos resultados. Vejo o nosso trabalho por um todo. Os títulos são muito importantes para o clube, mas primeiro houve que construir uma base sólida, que tem vindo a ser construída ao longo destes anos"

Mas... não podemos julgar Vieira e a sua equipa de sportinguistas e portistas pelos resultados? Mas então... o mandato desportivo não tinha começado há 3 anos? Primeiro uma base sólida e depois então resultados? Há quantos anos ouvimos Vieira dizer estas mesmas palavrinhas, iguaizinhas, pequeninas? Anos a mais. Mas não para todos. Para 90 por cento de nós, Vieira está correcto na avaliação que faz e nas promessas que vende. São só 10 anos disto, caramba, não sejamos injustos, estamos ainda "em construção de uma base sólida". Até porque, diz o nosso líder hoje, «só agora começo a ter tempo para pensar exclusivamente no futebol». 

 Na Alemanha também foi assim. O Reichstag já foi queimado. A perseguição dos malvados comunistas já começou. Falta agora acabar com a concorrência interna. Ah não, isso já aconteceu com a mudança dos estatutos. A História, apesar de estar aberta, é de muito difícil interpretação.

 
- Olivedesportos - Não se coíbe Vieira de dizer que é amigo, muito amigo, de Joaquim Oliveira. Não sei a que propósito vem tal afirmação, mas deve ter razões profundas e compreensíveis. A mim, que não gosto da personagem (embora, pelos vistos, o homem seja afinal apenas e só um empresário, parem com essas insinuações sobre corrupção, se fazem o favor, que o Fialho não gosta nada disso), interessa-me mais saber o que vai o Benfica fazer em relação aos direitos televisivos. Vieira não confirmou nem desmentiu, disse "nim", embora tenha ficado no ar aquela politiqueira forma de dizer "sim", parecendo "não". Mas Vieira disse algo que estará neste momento a preocupar Luís Fialho: disse, e cito, "Com a Marca Benfica não há riscos", respondendo à hipótese de o clube não renegociar os direitos televisivos com a Olivedesportos. Afinal, como é que ficamos, ó Fialho? Então parece que a Olivedesportos não é a solução "inevitável", parece que há "marca sem riscos" para além disso. Estamos todos muito confusos. Ou então não. É que Vieira e a sua equipa de sportinguistas e portistas já nos habituaram ao longo dos anos a frases que se desmentem umas atrás das outras. Recuperemos o que dizia Soares Oliveira a 21 de Abril de 2010 sobre a necessidade de venda de jogadores:

«Do ponto de vista prático, com este último instrumento que fizemos aqui estamos tranquilos do ponto de vista de necessidades de tesouraria para os próximos anos.»

Hoje Vieira afirma, com todas as letrinhas, que a gestão do Benfica está pensada a contar com a venda de jogadores todas as épocas. Em matérias de maleabilidade da espinha, Luís Fialho tem ainda muito a aprender com estes homens. Mas acreditamos que, pelo caminho que leva, terá mais que tempo, espaço e lugar para atingir igual nível de filhadaputice.
 

E o mexilhão Benfica é que se fode.