Claro que há interesses por trás desta situação. Convém a um certo grupo de pessoas manter os 50 votos. E nem estou a falar dos associados. Afinal de contas, a maioria dos "yes man" pertence a esta facção dos 50, pelo que convém aumentar os poderes desta gente. Independentemente do que lhes seja servido, eles comem e pedem mais, votando a favor do que o dono propõe. Viu-se na AG. Ao presidente, seja ele quem for, interessa ter os yes man com muito poder, são eles que dão as vitórias. São estas pessoas que defendem Vieira. São estas pessoas que há dez anos defendiam Vale. São estas pessoas que há quinze anos defendiam Damásio. E é esta gente que hoje diz que nunca defendeu Damásio ou Vale, gente essa que dirá dentro de dez anos que nunca defendeu, votou ou apoiou Vieira.» (Eterno Benfica)
É evidente que o JNF tem toda a razão. Este critério de votos é absolutamente contra a génese do que é (ou era) o Benfica. Nenhum benfiquista é mais benfiquista que outro; como tal, não deve ter direito a mais 49 votos. Esqueçamos os restantes episódios de acções anti-democráticas a que temos assistido na última década; foquemo-nos apenas em 5:
1. Antecipação de eleições, de modo a evitar uma concorrência organizada;
2. Só ser possível a um sócio do Benfica candidatar-se se tiver pelo menos 25 de anos de sócio efectivo e 43 anos de idade - e não, Rui Gomes da Silva, não são 40.000 os elegíveis; se forem 10000 serão muitos. Tenha vergonha na cara e não minta aos sócios do Benfica.
3. Artigo 68º dos estatutos do Sport Lisboa e Benfica - que definia a obrigatoriedade de uma segunda Assembleia no caso do R&C ser reprovado (como foi, há uma semana atrás) e a posterior demissão da Direcção, se ocorresse novo chumbo - apagado aquando da revisao estatutária (link);
4. Cada casa possuir, além dos seus membros, direito a 50 votos;
5. O artigo 80º dos estatutos definir um mínimo de 4 anos para a revisão dos mesmos:
«1. A Assembleia Geral pode rever os Estatutos decorridos que sejam quatro anos
sobre a data da última publicação, salvo se prazo mais curto resultar de imperativo
legal.
2. A Assembleia Geral pode, no entanto, proceder de modo extraordinário à
revisão dos Estatutos desde que reúna pelo menos a maioria dos sócios efectivos
com capacidade estatutária de votação.»
sobre a data da última publicação, salvo se prazo mais curto resultar de imperativo
legal.
2. A Assembleia Geral pode, no entanto, proceder de modo extraordinário à
revisão dos Estatutos desde que reúna pelo menos a maioria dos sócios efectivos
com capacidade estatutária de votação.»
mas depois mais à frente, no segundo ponto do artigo 90º, aparecer isto:
«2. Os Artigos 80º e 81º nºs. 1 e 2 dos presentes Estatutos só entram em vigor
passados dois anos a contar da sua publicação, passando também a aplicar-se os
prazos neles previstos na data da respectiva vigência.»
passados dois anos a contar da sua publicação, passando também a aplicar-se os
prazos neles previstos na data da respectiva vigência.»
Sim, todos somos culpados. Culpados por desleixo, por inacção, por preguiça, por achar que o Benfica é futebol (ou, actualmente, para alguns, as modalidades), por deixarmos que uma Direcção tirânica se blinde no poder de forma vergonhosa.
Somos culpados por não abrirmos os olhos e lermos com atenção o que estes dirigentes fizeram ao Benfica. Somos culpados por nos deixarmos enredar nas confusões eleitorais de 2009 e na euforia do campeonato de 2010, enquanto esta gente ia fazendo passar verdadeiros atentados à cultura democrática do clube em Assembleias com 100 pessoas presentes.
Somos culpados por não termos cumprido sempre os nossos deveres - irmos a todas as Assembleias-Gerais, por não lermos tudo sobre as alterações que quiseram (e conseguiram) introduzir, por não termos vetado o direito a presidir ao Benfica um homem que tanto desrespeitou o nosso clube.
Mas, acima de tudo, somos culpados por não vermos nestes 5 pontos - e 1 bastaria - uma razão clara e inequívoca para não patrocinarmos dirigentes que promovem Assembleias-Gerais - nas quais se riem, tapam a cara ou olham para o telemóvel - que sabem ser insignificantes para a cultura democrática do Benfica.
Consultaram-nos, reprovámos as contas. E depois? Tiraram ilações, senhor Nazaré? As ilações foram simples: foram para casa rir-se dos benfiquistas que ainda achavam que o clube era deles. A ilação foi o total silêncio sobre o ocorrido e a lata de nem sequer agendarem nova Assembleia. A ilação foi planear a recandidatura e rir dos pobres coitados que foram numa Quinta-feira à noite (Sexta é um dia mau, porque pode chamar muita gente e isso é anti-democrático), alguns fazendo milhares de quilómetros, para um jogo que estava à partida viciado.
Eles há uns anos já apagaram as consequências que o chumbo podia ter tido. A opinião dos benfiquistas é mera novela desagradável que rapidamente se extinguirá no próximo mês. O futuro da empresa é prometedor. Os clientes, satisfeitos, dar-vos-ão mais 4 anos em direcção ao abismo.