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sábado, 19 de maio de 2012

Ideias para um Benfica sem sabujos

Olhando as contas divulgadas pelo Benfica, uma conclusão simples: estamos na merda. Se, quando temos um ano de receitas muito acima da média, não conseguimos criar riqueza devido à torrente de juros que não tem travão, o que será do clube quando - e essa é a norma expectável - não chegar aos quartos-de-final da Champions ou o povo deixar de acreditar na equipa? 

Vendem-nos uma ideia utópica de que os jogadores valem como activos uma soma que não corresponde minimamente à realidade; inventa-se que o património é a salvaguarda de uma possível hecatombe - mas quem é que quer um elefante?; e a conversa estafada de que não precisamos de vender jogadores todas as épocas já passou de mentirinha a um engano vergonhoso aos adeptos e sócios, sem que ninguém - ou quase ninguém - reclame esta comunicação mentirosa, enganadora e suja por parte de quem dirige o Benfica.

Mas não se espere uma inversão na política adoptada. Virão mais umas dezenas de jogadores para se juntarem à lista interminável de emprestados, inválidos e encostados. Venderemos pelo menos 3 jogadores nucleares da equipa, traremos por empréstimo de outros mais uns quantos e compraremos jogadores que virão ganhar balúrdios para o Benfica. Até um dia em que alguém levante a manta e veja o estado em que está o clube.

Tendo em conta o estado calamitoso em que estamos enfiados (milagres financeiros? não me façam rir, caralho), só restam soluções de emergência, ponderadas e lúcidas (mas que não veremos adoptadas, porque isso significaria gente com os bolsos vazios de comissões e favorzinhos):

- vender os melhores jogadores emprestados, seja ao clube em que jogam actualmente, seja a quaisquer outros - e não prolongar empréstimos no tempo, enquanto vamos pagando ordenados;

- aproveitar os emprestados que têm qualidade e podem surprir lacunas no plantel - e não comprar outros de igual ou menor qualidade, só porque interessa manter o dinheiro (que não temos) em movimento;

- comprar CRITERIOSAMENTE para as posições deficitárias e, se possível, a custo zero ou barato - o Benfica não está em condições de dar 10 milhões de euros por jogadores que, tendo potencial, são de um risco tremendo;

- soltar da lista dos emprestados os jogadores que nos não interessam: com os que não podem, porque não têm qualidade ou valor de mercado, ser aproveitados nem vendidos, têm de ser libertados - mesmo que se perca inicialmente o investimento feito nas dezenas de atletas, a médio prazo essa medida terá repercussões positivas, visto que libertam o pesado encargo de milhões e milhões em ordenados época após época;

- explorar devidamente a relação clube-sócio, com promoções consoante a fidelização - e não, como actualmente, em que geralmente quem sai prejudicado é quem dá mais ao clube;

- ser honesto com quem sente o Benfica, falar verdade sobre a situação financeira aos sócios, explicar consistentemente o que deve ser o caminho no futuro - e não isto que temos, mentiras sobre mentiras, enganos, traições, omissões, fugas para a frente;
- explorar os jogadores da formação, aproveitar os melhores para a equipa principal e rodar os que necessitam de jogo por uma ou duas épocas em clubes bem escolhidos, em que as suas características sejam potenciadas - e não esta desorganização total, este esbanjar de recursos aos quais pagámos formação durante anos para depois os libertarmos sem sermos ressarcidos, nem desportiva nem financeiramente;

- a prospecção não é um bando de olheiros à antiga - tem de ser um laboratório de estudo intensivo sobre os vários mercados. Detecção de talentos, observação ao longo do tempo, conhecimento profundo de várias realidades em todo o globo, organização de informação, rapidez e critério aquando de uma necessidade do clube. A prospecção é fundamental para qualquer clube que se queira de sucesso e não pode trabalhar de forma estanque - deve complementar as ideias do treinador e as políticas dos dirigentes. É em trio que se trabalha e não cada um para um lado;

- respeitar a história do Benfica - o alternativo é branco e nada mais do que isso. As invenções aberrantes que todos os anos temos de aceitar e ver com elas os nossos jogadores é um desrespeito pela memória dos que elegeram as nossas cores como símbolos fundamentais do Sport Lisboa e Benfica. E, podem crer, um branco bem escolhido venderá muito mais do que os pretos, dourados, laranjas, azul-merda e outras palhaçadas com que nos têm presenteado:

- o sócio do Benfica é o activo mais importante do clube. Não o menosprezem, enganem ou desvalorizem. E sobretudo usem os órgãos informativos do clube para realmente informar. E não para lá meterem sabujos lambe-botas que só prejudicam o clube e dão aos que menos informação têm uma ideia errada da realidade. Menos Fialhos, mais Miguéns, se fazem o favor.