Mostrar mensagens com a etiqueta Benfica 2014/2015. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Benfica 2014/2015. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Considerações sobre o futebol do Benfica


Olhando para o jogo com o Mónaco na passada Terça-Feira, analisando o que ia acontecendo tanto em termos colectivos como individuais, teci várias considerações. Algumas já ditas perante jogos anteriores e outras confirmadas durante este último jogo europeu.
Os próximos cinco pontos que vou apresentar aparecem como uma consolidação da análise que ontem fiz do jogo.

- Ficou claro que o Benfica precisa ter no banco uma solução para as alas na qual o treinador acredite e aposte. Com o Pizzi a ser trabalhado para ser 8 e com o Ola John lesionado e mais vocacionado para a esquerda, sobram o Sulejmani, Tiago e Guedes. Para mim seria um all-in no miúdo. Não sendo esta a escolha então que se comece a dar competição ao Sulejmani.

- Com avançados de trabalho mas sem golo no pé, quem tem aparecido é o goleador Talisca. O brasileiro está com o pé quentíssimo. Quando se espera que um ponta de lança finalize e um segundo avançado, ou 9,5, construa, o que temos visto no centro do ataque benfiquista é uma inversão desses papéis.

Antes de falar do Talisca deixo já esclarecido que não dava nada por ele até há um mês e agora já lhe reconheço mais qualidades apesar de estar longe de me convencer. Ainda não vejo no brasileiro um jogador com qualidade e potencial para ser titular num Benfica de grandes voos.
Pé esquerdo com talento, confiança com a bola, bom arranque e uma boa capacidade de, sem bola, ler os processos ofensivos da equipa. Além disso tem também grande humildade no seu jogo.
O rapaz marca imenso mas ainda não fez um jogo que me permita dizer “ganda joga do Taliscão”. Aparece a espaços, isso quando aparece. É um jogador de momentos e que necessita de espaço para jogar.

No processo defensivo da equipa desaparece, não mostra capacidade para participar nos equilíbrios do meio-campo e durante 90 minutos facilmente se deixa ofuscar pela qualidade dos nossos alas.

Estes desaparecimentos também são muita culpa do Jorge Jesus. O Talisca é um 10 que veio para jogar a 8 e que acabou por ser adaptado ao 9,5 do JJ. Andando a rodar entre duas posições que não são a sua, é normal que o jogador se sinta perdido em campo e que só quando reunidas determinadas condições consiga dizer presente.
Este jovem brasileiro precisa de espaço para desenvolver as jogadas, rende jogando de frente para a baliza e liberto de responsabilidades defensivas. Tem também uma grande capacidade de finalização.
A 8 fica demasiadamente longe da sua zona e com pouco espaço. A 9,5 fica condicionado na sua progressão e é obrigado a jogar mais de costas para a baliza.

Veio rotulado de especialista em bolas paradas, contudo tem sido uma desilusão nessa vertente. É a sua veia goleadora, desconhecida dos seus descobridores, que tem feito a diferença.

Deixo uma pergunta. Será que com um jogador que apresente um maior rendimento colectivo, a equipa não ganhará mais do que com os golos do Talisca?

- A questão quente esta época tem sido na posição 6, com o Samaris longe de mostrar ser a solução.
O problema é que no plantel só temos um jogador com características para esse lugar, o sérvio Fejsa que só volta aos treinos em Janeiro depois de 7 meses parado. Sem o sérvio sobra o André Almeida, um jovem regular, um jogador útil e que neste Benfica é o bombeiro de serviço.
A equipa-tipo de Jorge Jesus necessita de um 6 como o Javi ou o próprio Fejsa. Um 8 naquela posição desequilibra a equipa e condiciona o Enzo. O Matic brilhou ali mas não podemos comparar enormes com bons médios. Mesmo com o Matic a equipa jogava em desequilíbrio mas tinha muito mais talento.
Quem não se lembra da péssima primeira metade de época do Enzo em 2013-14?

- Sobra falar sobre o maior dilema dos 6 anos de Jorge Jesus. De César Peixoto a André Almeida, a lateral esquerda tem sido quase um constante problema.
Numa época para a qual não quisemos negociar com o Siqueira, para a qual não vimos talento na formação e para a qual contratámos 3 laterais esquerdinos, a melhor solução para a posição 3 é sem dúvidas o destro centro-campista André Almeida.

- Por fim a abordagem ao mercado. Desastrosa na minha opinião.
Vendas foram muitas. Saíram vários jogadores cruciais. A formação não foi, mais uma vez, um “mercado” a ter em conta. A planificação dos reforços foi simplesmente pobre.

Chegaram bons jogadores mas também vários jogadores sem lugar neste nível.

Júlio César, Samaris, Cristante, Talisca, Jonas e Derley trazem qualidade à equipa mas são também o espelho da má planificação. Uns chegaram para a posição errada, outros tarde demais, outros por valores inaceitáveis e outros como solução somente para o imediato.

Bebé, Benito, César, Eliseu, Candeias, L.Felipe e Djavan falam por si.

Neste momento ainda temos uma parte do plantel em pré-época, temos o nosso ponto forte (alas ofensivas) a caminho da exaustão e continuamos sem uma solução clara para a vaga no centro da defesa, na lateral esquerda e na posição 6.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A lei da realidade

Benfica - 0, Zenith - 2 (dificuldade elevada)
Benfica - 1, Sporting - 1 (dificuldade média)
Bayer Leverkusen - 3, Benfica - 1 (dificuldade elevada)
Mónaco - 0, Benfica- 0 (dificuldade média)
Braga - 2, Benfica - 1 (dificuldade média)

Nos 5 jogos de maior dificuldade - 3 de dificuldade média, 2 de dificuldade elevada - o Benfica, como era expectável, falhou. 3 derrotas e 2 empates explicam bem a destruição de um plantel campeão sem que se tivesse colmatado decentemente as saídas. No fundo, aquilo que era evidente para quem olha para o futebol e para o Benfica com paixão mas sem filtros presidenciais ou de outros quaisquer tipos: um péssimo planeamento de época.

A lei do resultadismo e da estatística diz-nos que vamos na liderança. A realidade dizia-nos e diz-nos muito mais do que isso.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Arranque 2014-15 – A partir de agora (2/2)

O plantel do Benfica tem sido muito curto:

Artur; J.César; Maxi; Eliseu; A.Almeida; Jardel; Luisão; Samaris; Cristante; Enzo; Talisca; Nico; Olá John; Salvio; Lima; Derley.

Portanto 16 jogadores, dos quais 5 estão tocados/lesionados e 1 está ainda muito alheado da realidade da equipa.

Esta pausa irá permitir recuperar lesões e fazer uma maior integração táctica dos novos jogadores. Além disso, os trabalhos arrancam com um jogo para a taça na Covilhã. Está criado o cenário ideal para recuperar jogadores, trabalhá-los, dar-lhes ritmo e criar rotinas.
Saber aproveitar ao máximo estes próximos 15 dias é essencial para o que nos espera.

Se o Benfica beneficiou de um calendário mais soft até ao momento, agora irá encarar um muito mais exigente. É essencial arrancar para os próximos jogos com os tais 16 jogadores em óptima condições e com o número de opções aumentado para 23.

Benito, Lisandro, Pizzi, Bebé, Jonas e Nélson. E já agora porque não Sílvio e até o Jara?
Excluídos destas contas irão continuar o Amorim, Fejsa e Sulejmani.

Depois de uma fase com bons resultados (nacionais) e más exibições, o Benfica parte para uma fase da época onde terá de jogar muito mais para não claudicar.

Arranca a Taça de Portugal, temos jogos decisivos para a manutenção na Europa e o campeonato vai apertar.

Após o jogo com o Sporting da Covilhã iremos ao Mónaco. De seguida temos uma deslocação a Braga, uma recepção ao Rio Ave, outra ao Mónaco, uma deslocação à Madeira para enfrentar o Nacional. Segue-se a ida à Rússia e a Coimbra e chegamos a Dezembro, mês que arranca com uma menos exigente recepção ao Belenenses mas que de seguida traz o Bayer à Luz e nos leva ao Dragão.
Pelo meio, em princípio, aparecerá mais algum jogo da Taça de Portugal.

O que posso dizer individualmente e tacticamente sobre o Benfica do presente que acho ser importante destacar para a preparação do Benfica dos próximos meses?

•    É preciso resolver urgentemente a situação da baliza. Se o Júlio César é mais um erro de casting então que se entregue as luvas ao P.Lopes e se comece a trabalhar para o mercado de Janeiro.
•    O Maxi, jogando bem ou medianamente, é essencial para a identidade desta equipa.
•    Chega de Jardel. O Lisandro que trabalhe sobre os vários erros que cometeu no último jogo e agarre a titularidade.
•    Eliseu é força, potência e velocidade. Faz pouca diferença dos processos ofensivos e abre um buracão no momento defensivo. O Benito não serve? Há sempre o útil e disciplinado A.Almeida.
•    Samaris não é 6 e o Cristante ainda menos. Nesta posição o grego chega para o normal do nosso campeonato mas em jogos mais exigentes talvez a escolha deva recair no André Almeida.
•    Enzo? Craque que cresce com um 6 atrás. Até Janeiro/Fevereiro, mantendo este esquema, dificilmente veremos o melhor do argentino.
•    Salvio não é Markovic nem Gaitán mas é excelente no seu jeito de puro extremo e desequilibrador na linha.
•    Nico é um génio desperdiçado na linha, atrapalhado pelo Eliseu e condicionado pelos processos defensivos.
•    O Talisca decididamente não é jogador de meio-campo. Sente-se melhor atrás do avançado, onde tem mais tempo para decidir, mais facilidade para progredir e mais espaço para rematar. Se é jogador para um grande Benfica? Ainda não me convenceu. Tem qualidades, tem golo, mas assim que o jogo sobe de exigência torna-se uma nulidade. Não acredito no seu talento mas que me prove errado.
•    O Ola John tem tudo técnica e fisicamente. Uma maior entrega ao jogo e uma abordagem mais confiante aos lances e pode vir a ser um caso sério nesta Liga.
•    O Lima é um avançado lutador, trabalhador e que oferece toda a dinâmica no ataque que a equipa pede. No entanto, parece ter perdido o seu faro de golo. O brasileiro parece ter-se esquecido da baliza. Um avançado nunca pode perder aquela tendência de procurar o remate e a finalização.
•    O Derlei não oferece (ainda) metade do que o Lima oferece mas tem aquela urgência de golo que todo o ponta de lança precisa.
•    O Jonas pode vir a ser a solução para esta questão ofensiva.
•    O Nelson, o Bebé e o Pizzi são opções para o ataque das quais não sabemos o que esperar ainda. Trazem características muito diferentes e podem vir a ser mais-valias.
•    Continuo apologista de um 4-3-3. Neste sistema a inexistência de um puro seis seria atenuada, o rendimento do Enzo seria exponenciado e o talento do Nico seria explorado ao máximo. Com Salvio na direita e Ola John na esquerda, era uma questão de escolher entre o Lima, Derlei, Jonas e Nelson o que estivesse mais inspirado.
•    Sou adepto de Old School. Neste caso refiro-me a livres, tanto directos como indirectos. Quero ver um Benfica sem as mariquices dos livres de laboratório (já conto 64 mal executados em 65 realizados). Espero por um trabalho sério na marcação dos livres directos e também por um maior aproveitamento das torres encarnadas nos livres indirectos.


Para aqueles que quiserem saber, informo desde já que não, não recebo 4M para treinar a equipa nem recebi mais de 80% de votos para liderar o clube. Sou só mais um daqueles adeptos chatos com a mania que podem ter uma opinião e partilhá-la.


Tu és o meu amor
Seja onde for

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Arranque 2014-15 – Até agora (1/2)

Após uma pré-época mal preparada, após uma quase revolução no plantel, após a saída de jogadores essenciais, após a aquisição de atletas de qualidade duvidosa e após amigáveis carregados de incertezas e maus presságios, finalmente começou a época.

O Benfica arrancou com um ponto a seu favor: o trabalho táctico feito ao longo de 5 anos. Essas rotinas foram cruciais para minimizar o impacto da redução na qualidade do plantel. Foram muitas as saídas mas a época arrancou com 9 titulares que já faziam parte das contas na época transacta.

Já todos sabemos que as equipas do Jorge Jesus têm uma tendência para começar mal, crescerem e depois claudicarem no final. Essa tendência foi um pouco ultrapassada nestes últimos 4 meses de competição. Se os últimos dois da época passada trouxeram 3 conquistas, já os primeiros dois desta trouxeram uma resposta positiva da equipa (pelo menos em termos de resultados nacionais).

Esta equipa, ainda numa fase muito frágil e inconsistente, tem conseguido juntar às más exibições, as vitórias que tanto interessam. Claro está que ganhar a jogar mal só é possível em consumo interno.

O Benfica à sétima jornada já conquistou uma Supertaça e está na liderança do campeonato com mais 4pts que o Porto e mais 6pts que o Sporting.

Não nos podemos é iludir. Há muito por onde melhorar mas também os rivais têm potencial para fazer melhor. Não há nada pior do que descansarmos na sombra das vitórias, principalmente quando estas são construídas sob exibições tão pobres e com um calendário tão favorável.

O Benfica tem uma competição ganha e também seis vitórias e zero derrotas em sete jogos do campeonato.
Contudo, também temos uma vitória só nos penalties contra o Rio Ave; um arranque na Luz contra um mediano Paços que ainda assustou; uma pobre exibição no Bessa perante um Boavista de segunda divisão e que se pode queixar de um lance mal invalidado perto do fim da partida; um empate na Luz contra um Sporting que terminou o jogo por cima; uma péssima exibição na Luz frente a um Moreirense que foi superior e esteve em vantagem até passar a jogar com 10; uma exibição passiva no Estoril onde deixámos que chegassem merecidamente ao empate depois de termos arrancado com um 2-0 e onde mais uma vez só contra 10 conseguimos a vitória; e ainda mais uma péssima exibição na Luz, desta vez contra o Arouca, e onde o Artur era herói ao intervalo e só aos 75 minutos nos superiorizámos e chegámos às redes do adversário.

Não desvalorizo as vitórias mas também não ignoro os desempenhos.

O pior destes arranques de baixa qualidade é o facto de ficarmos sempre arredados de outras lutas na Liga dos Campeões.
Sou um acérrimo defensor de que o Benfica é clube de Liga dos Campeões e que deve sempre almejar objectivos além da fase de grupos. É com bons desempenhos nesta competição que vamos recuperar o prestígio europeu há muito perdido, e não com grandes prestações em divisões muito inferiores.

Mas será o Jorge Jesus o treinador indicado para um Benfica vencedor na Liga dos Campeões?
Não acredito que o seja e por vários motivos:

• Frequentes maus arranques
• Desconhecimento da génese benfiquista
• Repetida desvalorização da competição
• Insistência numa postura derrotista na antevisão dos jogos
• Incompreensão das necessidades tácticas que esta competição exige.

Claro que o desconhecimento sobre o adepto benfiquista por parte de vários profissionais do clube também não ajuda.
O que pode ser pior do que pegar numa manifestação de amor ao clube cantada por milhares de adeptos e transformá-la numa jogada de marketing, usá-la para tapar a derrota caseira e transfigurá-la para uma “ovação de pé” aos jogadores e staff? Transformar tamanho amor em uma baboseira mediática também não ajudou ao realismo da equipa e a superficialidade com que se abordou e jogou na Alemanha foi bem demonstrativa da fictícia falta de exigência que tanto marketing criou.
 
Seria interessante se todos estes gestores que querem destruir o clube e implementar uma empresa, um dia se dedicassem a conhecer o benfiquismo vivido no meio daqueles que mais o sentem.

(Alguém reparou naquele vídeo onde num agradecimento aos adeptos pelo apoio prestado após a derrota caseira, praticamente só aparecem imagens de festejos efusivos e que nada têm a ver com o momento em questão?)

 
O Benfica 2014-15 parece simplesmente talhado para consumo interno. E é com esse foco que pode surgir aqui algum optimismo. A equipa tem potencial para melhorar, Jorge Jesus costuma evoluir ao longo do campeonato e as más exibições da equipa têm sido compensadas com vitórias atrás de vitórias.

Chegámos agora a uma paragem do campeonato. Veio em boa altura.