Coincidência ter sido Bruto Alves a afastar Rodrigo do jogo e provavelmente dos próximos? Sim, para aqueles que passam a vida a rezar a um deus qualquer que supostamente é Pai de um carpinteiro que a única função que teve foi alertar o povo da sua aldeia para a racionalidade. Curioso é tudo isto, um homem decidiu entrar na História pelo lado lúcido e acabou a gerar milhões de alucinados que ainda hoje rezam coisas à espera de uma salvação que não vem.
Bruto Alves é o melhor exemplo do que é o Porto, não é necessário mais nada: mentira, sujidade, desportivismo às avessas, maldade, pobreza de espírito. Se ainda restassem dúvidas sobre o lance em que o energúmeno varre Rodrigo bastaria olhar-lhe os gestos no pós-homicídio: um orgulho que lhe sobrevive de ser um exemplar filho da puta. E depois o problema é alguém fingir-se de cão e mijar na bandeirola de canto. Portugal vive o que merece: se há subserviência a esta gente, algum dia seremos país?
Irmãos destes crápulas são os homens que vivem a mandar no futebol europeu. Numa fase adiantada da competição, fará sentido aceitar condições pornográficas como as que os jogadores encontraram, onde o que conta não é a qualidade das equipas mas a capacidade de superar frio e pelado? Nas distritais dos juvenis joguei em palcos melhores, talvez seja hoje ingenuidade pensar que a UEFA preserva o futebol sobre o mercantilismo. Mantenho, porém, o sonho de ver gente que goste de ver o jogo para além dos euros. Hoje isso não aconteceu - os euros mantiveram duas equipas a jogar num quintal de couves porque a Rússia interessa do ponto de vista estratégico. Cansa-me a estratégia, cansam-me os filhos de puta que mandam no futebol e no mundo, cansa-me gente que não tem amor nem paixão por aquilo que pode ser este desporto se alguém o amar e por ele estiver apaixonado. Não estando, é isto que temos: um jogo que se decide pela capacidade de uma equipa sobreviver melhor ao clima. E estamos em 2012. Kubrick e Asimov choram as penas de uma vontade que nunca aconteceu.
Sobre nós, tenho orgulho nos nossos heróis. Dois golos pela esquerda e uma falha de Maxi podem gerar discussões. Mas eu, como mau benfiquista, quando chego aqui já deixei de alertar. Como diz o Sérgio: tem tudo a ver com critérios. Se formamos uma grande equipa e deixamos pontas soltas, é normal que os erros aconteçam. Só se pede, com magistral vénia, que sejamos campeões e que na Luz acabemos com estes russos que, num bom relvado, merecem levar uma sova para a história. Parecendo que não - e eu estou fodido convosco -, o resultado não foi nada mau.