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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

«Toda a gente sabe que há uns anos eu era um homem de confiança de Pinto da Costa»

Não é toda a gente, Orelhas. Só alguns o sabem. Nós sabemo-lo - por isso andamos há anos a tentar salvar o Benfica das tuas mãos sujas; das tuas e dos que puseste no nosso (nosso, dos adeptos; não teu) clube. 

Depois há os Fialhos desta vida: os que sabem mas, por interesses pessoais, fingem que não sabem. 

E depois há a grande maioria: os cegos. Esses não sabem, não querem saber e, se lhes mostramos FACTOS, repetem a cassete que tão bem lhes ensinaste.

Mas um dia, Orelhas, um dia vais ser responsabilizado. Estejas no Brasil, na Tailândia ou em Mercúrio. 

domingo, 20 de maio de 2012

Os Fialhos

Há momentos na História da Humanidade em que os apelidos de homens extraordinários desaguam numa ideia colectiva. É o caso de Fialho, não o dono do restaurante em Évora, mas outro alentejano que um dia decidiu abrir um blogue sobre o Benfica. Este homem, que deixou de ser extraordinário para se juntar ao grupo dos indecentes, acabou por atingir o notável feito de, através dos seus mergulhos e malabarismos ideológicos, dar nome a um grupo de gente - os Fialhos, aqueles que um dia defendem uma coisa e, meses ou anos depois, por se servirem do seu clube ou quererem preservar o tacho e os croquetes que lhes prometeram, defendem outra coisa completamente diferente. 

António-Pedro Vasconcelos, professor de cinema da minha namorada e homem íntegro (apesar de César Monteiro dizer dele coisas muito pouco abonatórias), era, até à data, um benfiquista de grande qualidade. Até que se afialhou e naturalmente se perdeu. Foi pelo caminho mais fácil, aportuguesou-se, mirrou, deu-se às questões do intestino. Aqui temos pena, António. "Não batas muito no Vasconcelos", pediu-me a mulher, mas eu nestas coisas sou menos de nomes e mais de Benfica - sinta-se escandalizado quem quiser. E é um facto que hoje o António-Pedro é um Fialho. Ou seja, curvou metodicamente a espinha. 

Mas o que diz hoje Fialho, perdão, Vasconcelos? Diz isto:

"Eu sou a favor da recandidatura de Luís Filipe Vieira. Ele fez muito pelo Benfica no plano da credibilização, da estabilidade, da projeção do clube, etc. Falta estabilizar as vitórias desportivas e para isso não chega o que tem sido feito ao nível do plantel, do treinador e das estruturas. É preciso que o Benfica melhore a sua atuação na área da comunicação. E tem de liderar um liderar um movimento para a credibilização do futebol português"

 "As críticas que se ouvem [contra Vieira] têm a ver com a inconsciência dos adeptos"
Para António Pedro Vasconcelos, contudo, as críticas "são uma enorme injustiça", porque, "com todos os erros e críticas que se lhes possa fazer, o clube tem um excelente presidente e um grande treinador". Admitindo a possibilidade de aparecer oposição à atual liderança, o realizador acha "difícil" que "outra lista consiga convencer os benfiquistas". 

"Mas se a vitória de Luís Filipe Vieira for difícil, tem mais mérito"

"É sinal de que os benfiquistas estão com Luís Filipe Vieira e não têm nada a ver com o que se está a fazer para denegrir a imagem dele. Não há conhecimento que qualquer casa do Benfica do país que não apoie o presidente Luís Filipe Vieira"

 
"Tudo isto [apoio a Vieira pelas Casas do Benfica] foi organizado apenas numa semana. Se fosse com um mês de antecedência, tínhamos aqui mil pessoas a apoiar o presidente. Mas fica para a próxima"


De facto, fica para a próxima, António. Mas que convicção, que irreverência, que certezas no cagar! É de elogiar gente assim. É gente que acredita nos projectos, na sequência de anos a construir algo. Não, António-Pedro Vasconcelos é um homem de ideologias. Talvez estejamos a ser injustos. Pelo sim pelo não, vejamos o que escreveu no Público o cineasta há 3 anos atrás, aquando das últimas eleições:


«José Eduardo Moniz adquiriu um protagonismo que fez dele, de um dia para o outro, o futuro presidente do clube.

 
Em poucas horas, com uma conferência de imprensa em que se limitou a anunciar que, ao contrário de rumores postos a correr, não era candidato à presidência do Benfica, José Eduardo Moniz adquiriu um protagonismo que fez dele, de um dia para o outro, o futuro presidente do clube. Em Outubro - se as eleições forem, como deviam ser, impugnadas -, daqui a três anos, ou mesmo antes disso, se esta direcção continuar a prometer títulos e a não ganhar coisa nenhuma.

O curioso é que, daqui para o futuro, Moniz não tem que mexer um dedo, emitir uma crítica, fazer uma declaração ou mesmo um reparo. Basta-lhe gerir o silêncio e mesmo a imobilidade. Pelo contrário, Vieira passou a ser um presidente a prazo, cuja margem de erro é nula e cujo prazo de validade está preso por um fio ao primeiro fracasso. Voltar a prometer títulos, novos ciclos de vitórias, como fez com Camacho, Rui Costa e Quique Flores, depois de o ter feito com José Veiga, Koeman e Fernando Santos, já não basta.

Graças a um golpe palaciano, é provável que Vieira volte a ganhar. Mas, em vésperas de se tornar o presidente com mais anos à frente dos destinos do clube, ele é, paradoxalmente, um presidente acossado, que vai passar o resto do seu tempo a olhar para a sua própria sombra.

Pelo eco que teve nos media o simples facto de Moniz anunciar que não era candidato, é fácil perceber que esta não-notícia teve o efeito do "Obviamente, demito-o" de Humberto Delgado. Como em 1958, daqui em diante nada será como dantes. Veja-se o à-vontade, a descontracção e o fair-play que Vieira exibiu no programa Trio de Ataque [RTPN], na véspera da declaração de Moniz, e a atitude crispada com que respondeu no dia seguinte, no mesmo local, à repórter da SIC. Além de revelações pouco elegantes sobre as quotas de Moniz, no intuito de pôr em causa o seu benfiquismo, Vieira voltou a não explicar o inexplicável: a decisão, de legalidade duvidosa, de antecipar eleições, numa altura em que as contratações importantes para a nova época futebolística já estavam fechadas.

Não admira, assim, que, desde que apareceu num hotel de Lisboa a ler uma declaração escrita com rigor, e no tom que era preciso, sem acinte nem dramatismo, com sentido da responsabilidade e fazendo as críticas que se impunham ao "golpe estatutário" e à inoportunidade destas eleições - demarcando-se ao mesmo tempo dos que, no meio de muita gente séria e bem-intencionada, se quiseram servir dele como bandeira de ambições mesquinhas, ressentimentos e vinganças -, Moniz se tenha tornado, para Vieira, uma sombra a abater.

Só isso explica a torpe campanha que A Bola, a partir do dia seguinte, montou contra ele. Que o jornal, que foi de Cândido de Oliveira e de tantos outros, se tornara a "voz do dono" - não do Benfica, mas desta direcção -, já se sabia. Mas que, pela pena de Vítor Serpa e de J.M. Delgado, tenha descido tão baixo, inventando tenebrosas maquinações, urdindo delirantes "complots", denunciando fabulosos negócios, que metem interesses espanhóis e direitos televisivos, com uma presunção de impunidade protegida pelo apelo aos mais básicos sentimentos dos benfiquistas, é coisa que nos faz temer pelo futuro do clube, se Vieira, como muitos pensam, voltar a ganhar.

Se o juiz não der razão aos que exigem a impugnação destas eleições, Vieira retomará as rédeas do clube. Se a equipa, que, com Jesus, vai seguramente jogar um futebol mais bonito, mais agressivo e mais eficaz do que jogou com os dois espanhóis, ganhar o campeonato, os ânimos vão serenar. Mas, ao menor sopro de desastre, tudo se desmorona. E, nessa altura, esperemos que Moniz esteja disponível para servir o Benfica. Há muito que o clube merecia um candidato com este peso, esta capacidade de liderança, este instinto político, e que, ao contrário dos últimos presidentes, não precisa do Benfica para fazer nome, reputação ou fortuna. O que dirão, nessa altura, J.M. Delgado e Vítor Serpa, que se prestaram a fazer um sórdido frete ao presidente em exercício, numa atitude que ofende os pais fundadores e deslustra os pergaminhos de um jornal que foi, no passado, um dos baluartes da verdade e da inteligência?»



 Enorme Vasconcelos! Contra a tirania dos jornais, contra o trabalho de sapa do caciquismo vieirista! Este, sem dúvida alguma, era dos bons. Mas o que se terá passado, António-Pedro? Terão sido os milhares de euros do "Trio de Ataque"? As conversas em restaurantes, os almoços, jantares, as tertúlias? Vá lá que nunca perguntaram por ti no restaurante onde podias trabalhar. Sortudo! Nem foi preciso, seu malandrão. Os subsídios dos filmes estão pela hora da morte, é o que é. E a ACT já teve melhores dias, certamente. E se fôssemos ler uma peça jornalística que te fizeram há precisamente três anos, quando, angustiado pelas vieirices que afastaram Moniz da corrida, decidiste apoiar o Bruno Carvalho? Isso é que era giro. Olha, está já aqui, que coisa boa a modernidade:


«Apoiante de Moniz, apoia agora o candidato Bruno Carvalho contra Filipe Vieira nas eleições do Benfica. Cineasta e conhecido benfiquista considera que esta candidatura devolve a “dignidade e a democraticidade ao clube que este golpe baixo tinha tirado”.
António Pedro Vasconcelos tinha apenas duas opções. “Sou apoiante do [José Eduardo] Moniz. Era o meu candidato mas não avançou e fiquei com duas opções: ou não votava, como sinal de protesto, ou votava em alguém que me desse garantias de seriedade, benfiquismo e que tivesse um programa consistente”, contou ao PÚBLICO o cineasta.

A “gota de água” para Vasconcelos foi a convocação de eleições antecipadas da parte da Vieira. “Além de ser um golpe estatutário, está ferido de ilegalidade”, diz. “É um golpe baixo”, justificado para tirar outros candidatos da corrida. “A paciência em Filipe Vieira esgotou-se”.

“É uma maneira de tirar o [José] Veiga da corrida, mesmo que assim não seja dito”, continua. “E por outro lado é feita no mesmo momento que se contrata um treinador e se forma uma equipa”, analisa. Para o realizador, que participa também como comentador num programa televisivo de debate sobre futebol “Trio de ataque”, onde defende as cores do Benfica, a estratégia de Filipe Vieira não é séria – “Com pouco prazo para os candidatos apresentarem listas”.

Eleições em Maio, alteração dos estatutos e demarcação das políticas de Pinto da Costa

O apoio à candidatura em Bruno Carvalho, empresário do Porto que se apresenta como o único rosto de oposição a Vieira nas eleições de 3 de Julho, deve-se a três apostas e a dois recuos.

“O Bruno Carvalho já tinha falado comigo e tenho simpatia com as suas ideias. Prometeu eleições em Maio se ganhar, a alteração dos estatutos e foi corajoso e claro nas afirmações que fez”, aponta Vasconcelos. “Havia pontos fracos que ele corrigiu, como ter dito que queria despedir com Jorge Jesus, apesar de achar o Carlos Azenha uma boa aposta. Mas seria repetir os erros das outras direcções...”, referiu.

Outro ponto forte no programa de Carvalho é o afastamento do Benfica em relação a Pinto da Costa. “As relações, não com o FC Porto, mas gostaria de ver uma demarcação maior a Pinto da Costa – dou-lhe o meu voto com convicção”, disse, lembrando que ao início a candidatura pareceu-lhe “quixotesca”. “Está a ganhar pontos”.

“Mesmo que não ganhe é importante mostrar oposição a Vieira”

“Mesmo que não ganhe é importante mostrar oposição a Vieira”, que, na opinião deste benfiquista, quer “perpetuar-se no poder” e demonstra “falta de respeito pelos adversários”.

Mas não é só Vieira que está na mira de Vasconcelos. Manuel Vilarinho, antigo presidente do clube “encarnado”, também é criticado.

“O que o Vilarinho fez é lamentável. Podia ter ficado na história do clube, mas com esta atitude que tomou como presidente da assembleia geral, borrou a pintura”, afirmou. “Já no passado foi lamentável, quando deu o apoio, em nome da direcção do Benfica, ao PSD”, lembrou.

Bruno Carvalho tem a vantagem de “não precisar do clube” como os últimos presidentes, destaca, dizendo também que houve coisas positivas no mandato de Vieira.

”Vieira somou asneiras atrás de asneiras”

“Fez duas ou três coisas importantes como o estádio e o centro de estágio. E também na gestão dos sócios, com a criação do kit, ou a luta no ‘Apito Dourado’ para uma maior transparência no futebol português”. Mas é pouco e tem a oportunidade de dar a vez a outros.

“Os militares do 25 de Abril não tinham que ficar no poder. Ele também já teve o seu tempo. Somou asneiras atrás das asneiras”, concluiu.»


Asneiras atrás de asneiras. Certíssimo, enorme cineasta. Olha, vou chamar outro à conversa, que até estudou contigo em Londres e tudo. Troca só o "público português" por o "António-Pedro". De resto, não é coisa que ele não pensasse de ti:




E assim sucessivamente...