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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Samaris, o perfeito exemplo da teimosia de Jesus



Já é mais que sabido que Samaris é um número 8, um jogador forte no transporte, posse e na aproximação à área. Também já é mais que sabido que chegou à Luz para ser o novo número 6 de Jorge Jesus. 

Chegou em Setembro e estamos agora em Fevereiro. Ainda não conseguiu assumir-se como o 6 que o Benfica exige. Naquela posição tem alternado entre jogos maus e jogos medianos. Naquela posição tem cometido erros que não podem ser aceitáveis a este nível.
Estamos longe de ver o melhor Samaris, estamos longe de poder avaliar a real qualidade deste jogador. E com Jorge Jesus duvido muito que um dia Samaris possa finalmente mostrar aquilo que é capaz.
Provavelmente o melhor jogo do grego pelo Benfica foi no fim-de-semana de Alvalade. Curiosamente foi num jogo em que tinha outro médio defensivo ao seu lado.

Foi no referido jogo que vi que Jorge Jesus levará a sua teimosia até ao limite. 

André Almeida é um trinco que tem jogado competentemente adaptado a lateral. Aliás, até o prefiro como lateral do que no meio-campo.
No jogo com o Sporting o treinador do Benfica optou por prescindir de um médio de progressão (Talisca) e por reforçar defensivamente o meio campo com a integração do trinco André Almeida. Com Samaris e o André no miolo de jogo era esperado que o grego assumisse mais a bola e a ligação ao ataque e que o português jogasse mais fixo nas compensações defensivas.
Mas a teimosia de Jorge Jesus em definir o Samaris como o seu 6 fez com que nem neste jogo e nem nestas condições este avançasse ligeiramente no terreno.
Foi o André Almeida o médio mais ofensivo destes dois defensivos.
 

Depois do Derby fiquei com a certeza que mesmo com Fejsa operacional para competir ao mais alto nível o Samaris continuaria naquela posição. 

Ofereçam a Jorge Jesus um Gattuso, um Busquets, um Petit ou o Javi Garcia e ele os colocará a jogar à frente do Samaris como médios mais ofensivos e criativos.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Considerações sobre o futebol do Benfica


Olhando para o jogo com o Mónaco na passada Terça-Feira, analisando o que ia acontecendo tanto em termos colectivos como individuais, teci várias considerações. Algumas já ditas perante jogos anteriores e outras confirmadas durante este último jogo europeu.
Os próximos cinco pontos que vou apresentar aparecem como uma consolidação da análise que ontem fiz do jogo.

- Ficou claro que o Benfica precisa ter no banco uma solução para as alas na qual o treinador acredite e aposte. Com o Pizzi a ser trabalhado para ser 8 e com o Ola John lesionado e mais vocacionado para a esquerda, sobram o Sulejmani, Tiago e Guedes. Para mim seria um all-in no miúdo. Não sendo esta a escolha então que se comece a dar competição ao Sulejmani.

- Com avançados de trabalho mas sem golo no pé, quem tem aparecido é o goleador Talisca. O brasileiro está com o pé quentíssimo. Quando se espera que um ponta de lança finalize e um segundo avançado, ou 9,5, construa, o que temos visto no centro do ataque benfiquista é uma inversão desses papéis.

Antes de falar do Talisca deixo já esclarecido que não dava nada por ele até há um mês e agora já lhe reconheço mais qualidades apesar de estar longe de me convencer. Ainda não vejo no brasileiro um jogador com qualidade e potencial para ser titular num Benfica de grandes voos.
Pé esquerdo com talento, confiança com a bola, bom arranque e uma boa capacidade de, sem bola, ler os processos ofensivos da equipa. Além disso tem também grande humildade no seu jogo.
O rapaz marca imenso mas ainda não fez um jogo que me permita dizer “ganda joga do Taliscão”. Aparece a espaços, isso quando aparece. É um jogador de momentos e que necessita de espaço para jogar.

No processo defensivo da equipa desaparece, não mostra capacidade para participar nos equilíbrios do meio-campo e durante 90 minutos facilmente se deixa ofuscar pela qualidade dos nossos alas.

Estes desaparecimentos também são muita culpa do Jorge Jesus. O Talisca é um 10 que veio para jogar a 8 e que acabou por ser adaptado ao 9,5 do JJ. Andando a rodar entre duas posições que não são a sua, é normal que o jogador se sinta perdido em campo e que só quando reunidas determinadas condições consiga dizer presente.
Este jovem brasileiro precisa de espaço para desenvolver as jogadas, rende jogando de frente para a baliza e liberto de responsabilidades defensivas. Tem também uma grande capacidade de finalização.
A 8 fica demasiadamente longe da sua zona e com pouco espaço. A 9,5 fica condicionado na sua progressão e é obrigado a jogar mais de costas para a baliza.

Veio rotulado de especialista em bolas paradas, contudo tem sido uma desilusão nessa vertente. É a sua veia goleadora, desconhecida dos seus descobridores, que tem feito a diferença.

Deixo uma pergunta. Será que com um jogador que apresente um maior rendimento colectivo, a equipa não ganhará mais do que com os golos do Talisca?

- A questão quente esta época tem sido na posição 6, com o Samaris longe de mostrar ser a solução.
O problema é que no plantel só temos um jogador com características para esse lugar, o sérvio Fejsa que só volta aos treinos em Janeiro depois de 7 meses parado. Sem o sérvio sobra o André Almeida, um jovem regular, um jogador útil e que neste Benfica é o bombeiro de serviço.
A equipa-tipo de Jorge Jesus necessita de um 6 como o Javi ou o próprio Fejsa. Um 8 naquela posição desequilibra a equipa e condiciona o Enzo. O Matic brilhou ali mas não podemos comparar enormes com bons médios. Mesmo com o Matic a equipa jogava em desequilíbrio mas tinha muito mais talento.
Quem não se lembra da péssima primeira metade de época do Enzo em 2013-14?

- Sobra falar sobre o maior dilema dos 6 anos de Jorge Jesus. De César Peixoto a André Almeida, a lateral esquerda tem sido quase um constante problema.
Numa época para a qual não quisemos negociar com o Siqueira, para a qual não vimos talento na formação e para a qual contratámos 3 laterais esquerdinos, a melhor solução para a posição 3 é sem dúvidas o destro centro-campista André Almeida.

- Por fim a abordagem ao mercado. Desastrosa na minha opinião.
Vendas foram muitas. Saíram vários jogadores cruciais. A formação não foi, mais uma vez, um “mercado” a ter em conta. A planificação dos reforços foi simplesmente pobre.

Chegaram bons jogadores mas também vários jogadores sem lugar neste nível.

Júlio César, Samaris, Cristante, Talisca, Jonas e Derley trazem qualidade à equipa mas são também o espelho da má planificação. Uns chegaram para a posição errada, outros tarde demais, outros por valores inaceitáveis e outros como solução somente para o imediato.

Bebé, Benito, César, Eliseu, Candeias, L.Felipe e Djavan falam por si.

Neste momento ainda temos uma parte do plantel em pré-época, temos o nosso ponto forte (alas ofensivas) a caminho da exaustão e continuamos sem uma solução clara para a vaga no centro da defesa, na lateral esquerda e na posição 6.