Sonho muito com o meu Pai. Aparece-me nos lugares mais insólitos: em cima de um prédio de onde saímos a voar, cheios de asas e cachecóis do Benfica ou então presos num medo de estepes por onde nos agarramos primeiro um ao outro e depois a uma árvore que aparece a dar guarida num final de tempo. Amo isto tudo ou vou aos solavancos pelo mundo?
Sonho com a minha mulher. Imagino-a num descampado de uma Itália que só nós conhecemos, sem fim. Um caminho de terra por onde passámos e rimos junto a uma fonte perto de uns burros que viviam ali sem mais nada, só amor e coisas que agora não posso dizer porque são indizíveis. Os animais ali a pedirem uns beijos e nós numa qualquer vertigem que deu coisas ainda indecifráveis entre nós e um amor que talvez vivesse numa latência de tempo, antes de sabermos de nós.
Sonho com o Benfica. Junto o meu Pai e a Susana aos destinos. Onde andam estes seres e importam? Levo-os aos dois neste rio que continua a correr sem obstáculo e pode ser que os ame aos três da mesma forma. Hoje, agora, amo. Só podemos ser campeões.