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sexta-feira, 19 de abril de 2013

A soberba ...


“Confronte-os com a aniquilação e então sobreviverão; mergulhe-os numa situação mortal e então eles viverão. Quando as pessoas ficarem em perigo, eles são capazes de lutar pela vitória.”




retirado do blog vídeos e futebolices
 
 
A soberba é uma muito má conselheira. Infelizmente o português devido ao seu carácter tem o hábito de amesquinhar os que estão por baixo. É um sentimento verdadeiramente anti-benfiquista mas inerentemente benfiquista, pois é tipicamente português. Apesar de sermos um clube que teve humildes origens e foi fundado nos mais sólidos princípios ético-morais, o crescimento e glória tem-nos levado a olhar para os adversários menos poderosos com desdém.
Basta ouvirem os adeptos de outros clubes e reparam que temos alienado o nosso crédito devido à nossa sobranceria quando estamos na mó de cima. E depois ainda se admiram que as equipas corram mais contra o Benfica que contra qualquer outro adversário. Nessa soberba somos tipicamente portugueses e tentamos desculpar essa falha de carácter com comportamentos alheios em situações análogas, como se o mau comportamento dos outros justificasse o nosso. Ou então, criamos conspirações, como se todos os adeptos dos outros clubes fossem os intervenientes no que as escutas trouxeram à tona da água.
Nunca, por nunca, se deve desprezar e humilhar um adversário. É uma atitude condenável, uma falta de fair-play que tanto envergonharia o Cosme Damião que tantos gostam de invocar como sua referência. No entanto, se essa soberba se limitasse aos sócios e adeptos, menos mal viria ao mundo. O problema é que esse sentimento passa dos adeptos para jogadores e treinadores e consequentemente as equipas tendem por vezes a menosprezar os adversários e a verem-se em dificuldades desnecessariamente.
Por esse motivo a selecção portuguesa tem mais dificuldades nas fases de apuramento do que nas fases finais. Mas não só, podemos também olhar para os clubes. Ainda recentemente criou-se a ideia que o Newcastle era um adversário tão fácil que nem era preciso jogar para passar a eliminatória da UEFA League, tal era a bazófia que se encontrava na net e entre os adeptos. Só depois de a equipa estar a perder é que foi buscar as forças para emendar a situação. Mas não, não vou falar de 85/86 e do título perdido com no jogo com o Sporting. Aliás, tecnicamente o Benfica não perdeu o título no jogo com o Sporting, mas foi a derrota em causa que acabou por custar o título.
Vou dar exemplos do Sporting e de como, sempre que eles nos consideraram os participantes na festa deles, fomos a Alvalade e mostrámos o nosso valor. Foi o Menino d'oiro que pegou numa equipa a perder 0-1 e 1-2 e virou o jogo para um 6-3 que conduziu o Benfica ao título de 93/94. Mas o exemplo mais famoso é o Sabry-show que calou uma semana contínua de massacre com as tretas dos cabeçudos.
Essa atitude de achincalhamento vai criar nos adversários uma raiva tal, que os mesmos jogarão para lá dos seus limites, não pelo resultado, mas pelo orgulho próprio e quem joga pelo próprio orgulho nada tem a perder. Ou como diria Sun-Tzu : “Quando cercar o inimigo, deixe uma saída para ele, caso contrário, ele lutará até a morte.”
A confiança nunca deve dar lugar à soberba e acima de tudo e para que nos respeitem, devemos respeitar os outros. Quem afirma o contrário pode ser do Benfica, mas nunca compreenderá o que é ser Benfica.
retirado do blog A nossa mística