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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cronologia do Maior Roubo da Mística



1) Jorge Jesus, que quer ser o responsável pela "potenciação" de jogadores escolhidos por ele nas madrugadas a olhar para o Brasileirão, despreza o talento de um génio formado no Benfica desde criança, um miúdo completamente apaixonado pelo clube que é avistado várias vezes nas rulotes, nas bancadas, na Luz ou em qualquer estádio por onde passe o Benfica.

2) Vieira, perante a pouca utilização do génio por parte do Catedrático, empresta o jogador ao Mónaco. Na comunicação aos sócios e adeptos, o negócio é apresentado apenas como empréstimo porque Vieira, sempre o maior populista, sabe que os benfiquistas conhecem o talento do génio e não aceitam que o jogador seja despachado. A maioria benfiquista, sempre maravilhada com o negociador implacável, aplaude o empréstimo.

3) Vieira, numa entrevista posterior, introduz uma frase bem no seu registo, assim como quem não quer a coisa: "há para lá umas cláusulas". Ou seja, a maior parte dos benfiquistas, sempre maravilhada com o Grande Presidente, não ligou para aquela pequena frase, dizendo que estava tudo controlado - o jogador era nosso e continuaria a ser. Os que ligaram e escreveram sobre isso, alertando para o perigo que a frase anunciava, foram insultados de tudo. Uns abutres que só sabem é dizer mal e não apoiam, naturalmente.

4) Meses depois, o Benfica anuncia a venda de Bernardo Silva por 15 milhões de euros. Os abutres passam-se com O Maior Roubo da Mística, relembram o que já tinham dito aquando da famosa frase "há para lá umas cláusulas". A maioria benfiquista, sempre maravilhada com o Extraordinário Líder e tudo o que ele faz em todos os segundos, clama: "grande venda! Um miúdo da formação que nem jogou na equipa principal vendido por estes valores! Obrigado, Vieira!". Mas não só Vieira. A maioria benfiquista, sempre de acordo com todas as decisões de todos os funcionários do clube - desde as opções do roupeiro às opções do Presidente - concorda com o grande mister Jesus: "o miúdo ainda estava muito verdinho". Pedro Guerra, na Benfica TV, passa semanas a difundir esta mesma mensagem: a miudagem da formação não tinha qualidade suficiente para jogar na equipa principal. A malta, que adora cheirar as cuecas do Maior Representante do Bairro das Furnas, concordava, naturalmente.

5) O Benfica tenta despachar Jorge Jesus para as arábias. Jorge Jesus recusa e aceita conversar com o Sporting. Vieira arrepende-se e tenta recrutar Jesus de novo. Jesus não atende o telemóvel, é apresentado no Sporting. Ventoinha, o Maior Presidente do Benfica que o bairro já viu, envia a máquina propagandística atacar de todas as formas o Mestre da Cátedra. Entre as várias mensagens a difundir na Benfica TV para denegrir o ex-treinador, a cartilha diz: "Jorge Jesus só usava Bernardo Silva a lateral-esquerdo!". Os comentadores da BenficaTV, que nos 6 anos anteriores passaram os dias a venerar o Pastilhas da Reboleira, inclusivamente insultando os abutres que se aventuravam a criticar o Grande Treinador - quem não se lembra do escabroso episódio em Londres, com Jesus a empurrar o Senhor Shéu, os abutres a defender o Senhor Shéu e a maralha, sempre ávida de snifar as meias de todos os funcionários do clube, a vociferar contra os abutres? -, passam a atacar vergonhosamente o Catedrático em todos os programas. Dois anos depois, ali continuam eles a ler a cartilha no canal do clube e em programas em outras estações, com a lata própria de quem não tem vergonha na cara nem espinha onde assentar a dignidade.

6. Bernardo é vendido para o City por 60 e tal milhões de euros. O dinheiro que, bastando ter um Presidente benfiquista, o Benfica deveria estar hoje a receber. Mas não. A culpa é só do Jesus, que antes era muita bom e até podia empurrar o Senhor Shéu e agora é o Diabo na Terra.

7. O Maior Roubo da Mística passou com uma cagança tal que, para a maralha sempre prontinha a deitar-se no chão para deixar passar o Rei dos Pneus, em 26 de Maio de 2017 se resume a um boçal "grande venda por um lateral-esquerdo!!!! loooooooooooooooooooooooooool"

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Memória de um Inferno que desapareceu



É difícil explicar aos gloriosos mais novinhos o que é, o que era, o INFERNO DA LUZ. Impossível pintar com palavras aquele ambiente que começava dentro do coração de cada um dos 120.000 benfiquistas e, de repente, inundava todos os centímetros de betão da Catedral. O zumbido, o batuque, o sismo que fazia disparar todas as escalas de som, fúria e movimento.

As cores do Estádio pareciam cair do céu, uma chuva de vermelho e branco. Ondas tectónicas cresciam debaixo dos pés, vagas de bandeiras e cachecóis mergulhavam-nos num mar glorioso. Sentia-se o estalar do cimento, a compressão do ar. Cheiros de tochas, de fumos incandescentes, do cheiro da relva a pegar fogo.

Alguém no topo do Terceiro Anel começava a dança tribal: batia em compassos rápidos os pés no chão. Ao lado, a fila seguia a percussão. Alastrava-se a batida por toda a bancada. Descia o batuque para o Segundo Anel, para o Primeiro, para dentro do relvado. A onda levantava o campo, juntava-se ao som do coração dos jogadores. TUM-TUM, TUM-TUM, TUM-TUM. A bola abanava as costuras, quase explodia, queria golo do Benfica.

O Estádio da Luz era uma nave, uma caravela, um balão mágico. Era um sonho louco. Uma festa surrealista com placards e torres de iluminação a derreter como queijos amanteigados. O tempo dobrava-se naquele batuque: 240.000 pés como adufes divinos, como bateria mística, a última música do último dia do Universo.

O som era vermelho, o cheiro era branco, a vibração tinha a cor da Mística - que é a cor de todas as cores. Se um avião passasse por Lisboa, via lá em baixo um cogumelo cósmico às pintinhas vermelhas e brancas. Uma explosão nuclear de amor. Uma alucinação colectiva. O Deus Benfica transformando a sua alma etérea em corpo palpável. O Estádio da Luz, a nossa eterna Catedral, era o lugar em que todas as aparições eram possíveis.

É difícil explicar aos gloriosos mais novinhos o que é, o que era, o INFERNO DA LUZ. Peço só que amanhã não assobiem os nossos jogadores. Que passem o jogo todo a empurrar o Benfica para a vitória. Que batam com os pés no betão, que cantem a Mística, que sejam gloriosos. Que façam da Nova Catedral a ancestral dança primitiva do INFERNO DA LUZ.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Rui Vitória e o Benfiquês



As conferências de imprensa de Rui Vitória são autênticas lições de benfiquismo. Ali se encontram todos os valores da Mística: solidariedade, espírito construtivo, memória pelos que passaram pelo clube e o elevaram, humildade, ambição, respeito pelo adversário, amor pela glória. Independentemente da opinião que temos sobre as suas qualidades técnicas, julgo ser consensual que Rui Vitória transporta no peito a verdadeira chama imensa. Para mim, é, a par de Toni, o treinador que mais gosto de ouvir falar essa linguagem linda e universal que é o Benfiquês.

terça-feira, 5 de julho de 2016

32 possibilidades de futebol




1. Será o futebol… resultado?

2. Será o prazer da vitória superior ao amor pelo jogo? Terá a “técnica da força” superado a “força da técnica”? Merecerá o “antes” e “após” maior destaque que o “durante”? Quem são hoje verdadeiramente as “estrelas” da modalidade? Onde reside, actualmente, a alegria do povo?

3. Será o futebol… ciência? 

4. Uma modalidade académica, analítica: de fórmulas, calculismo e certeza? Desenhada a régua e esquadro, visando anular ao máximo a perigosidade adversária? E qual a margem deixada à imprevisibilidade? À criatividade? Ao risco? À surpresa? À capacidade para deslumbrar?

5. O que resulta de um espectáculo no qual as partes procuram, acima de tudo, anular-se?

6. O que resulta de um espectáculo passível de ser reduzido à fórmula: futebol = resultado?

7. Não sei ao certo aquilo em que se transformou o futebol. O que quer que seja, sei que não gosto. Dispenso. E ao que parece, não sou o único. O adepto, hoje, suspira pela Islândia ou por Gales na exacta medida ao que, outrora, outros fizeram pelo Portugal de 66. A Holanda da década de 70. O Brasil de 82.

8. Azar. Quem manda, olha para as estatísticas. Para a história. Para o sucesso. E, sobretudo, para o saldo da conta bancária. Olha para quem está por cima em dado momento e, limitado como é, assume ser essa é a única fórmula, procurando repeti-la: pois, assim, estará mais próximo do seu ulterior objectivo - enriquecer.

9. Que muitas outras equipas tenham já jogado bonito e alcançado, entre troféus, a glória divina do direito à imortalidade: escapa-lhes. Que muitas outras equipas tenham chegado tão longe nas competições por precisamente terem ousado, ao invés de se terem remetido ao mero papel de coitadinhos, quais extensões do treino efectuado pelos poderosos ao longo da semana: mero pormenor.

10. Na minha opinião: futebol = junk food.

11. Mais do que uma modalidade de raízes profundamente populares, o futebol é, hoje, um produto de mercado. Não muito diferente da junk food que por aí se vende: que de tão processada e transformada, já ninguém se lembra ao certo como era na sua origem.
 
12. Infelizmente, também aqui a tabela de valores inverteu-se. O futebol, tal como outrora o conhecemos, já lá vai. Não é um acaso o crescente interesse e popularidade pela história e heróis do futebol do passado. Mais do que em reverência pelo passado, surge principalmente da desilusão pela realidade do presente.

13. Como em muito do que de bom existiu neste mundo, o homem decidiu pegá-lo e transfigurá-lo a um ponto cada vez mais irreconhecível. E irá esticar, sugar e abusar até mais não poder. Colher os proveitos possíveis e julgados impossíveis.

14. Até, invariavelmente, aniquilá-lo. E então, abandoná-lo, quando mais nada houver a dele retirar.

15. Este ainda subsiste. Na América Central e do Sul. No futebol de Selecções (tidas como) menores. Em pequenos nichos. Longe e isolados. Que merecem ser preservados. Protegidos. Conforme é realizado com qualquer espécie em vias de extinção: ao caso, situação provocada sempre pela mesma fonte – o homem.

16. Hoje, um clube é pertença do presidente X. A equipa, joga à imagem do treinador Y. O atleta, pertence à lista de jogadores do empresário Z. 

17. Os jogadores? Meros peões. Peças de xadrez perfeitamente sacrificáveis aos caprichos da mais recente divindade do futebol: o treinador.

18. Os adeptos? A sua existência somente encontra fundamento na forma como, de forma acrítica e (c)ordeira, se espera que aplaudam: e, sobretudo, paguem. Consumam.

19. Quem não o fizer, é do contra. Tem agenda própria. É, com um esgar de menosprezo e sobranceria, acusado de puritano. Lírico. Romântico. De gostar de bola (e não perceber “bola” da coisa), ao invés de ser verdadeiro entendedor e defensor do futebol “moderno”. 

20. De forma particularmente desconcertante (de tão insana que é), a opinião que conta é a de quem necessita da legitimação daqueles que verdadeiramente importam e que pensam em contrário: os adeptos.

21. A legitimidade para tais apreciações? Ao que parece, advirá do facto de alguém os ter denominado de analistas. Académicos. Comentadores. Treinadores. Pensadores do futebol que, de tanto pensarem sobre o mesmo, esqueceram-se de jogá-lo e, assim, perceber o quanto estão a contribuir para aniquilá-lo. 

22. Para Rosseau, o problema não residia no facto de o monarca soberano ter criado a propriedade privada e imposto aos seus súbditos o pagamento de X valor pelo seu usufruto: mas antes estes terem acreditado na sua legitimidade para tal e, assim, ido na cantiga. 

23. Na cantiga do bandido. Do corrupto. Do contabilista. Do profissional de comunicação. Do técnico. Do “yes man”. Dos “copinhos de leite” a quem isto está entregue. Dos parasitas para quem o futebol é uma “indústria”, um “produto”. Um clube: uma “empresa”, uma “marca”. Um jogador: uma “peça do puzzle”, um “activo”. Tudo terminologias que, ao que parece, terão estado na origem daquilo que nos levou, desde tenra idade, a pegar numa bola.

24. Querem-nos fazer crer de que o futebol é isto. As transferências. A posse estéril de quem não sabe mais. O betão e o cimento. A idade do Renato e o trio do meio-campo do SCP (que, aos 90’ de jogo, já não estava em jogo, na medida em que, nem o meio-campo do SCP é a última santola no oceano, nem um trio tem, só por si, a dinâmica de jogo do clube, pois, além da realidade ser outra, continuariam sempre a faltar os restantes 7).

25. Lançam-se à mesa de uma conferência de imprensa “papagaios” disfarçados de jogadores para forçá-los a dizer que, entre jogar mal e avançar na competição ou jogar bem e sair, preferem a 1.ª opção. Como veículo de transmissão da mentalidade mesquinha e medrosa que afecta quem ali os colocou. 

26. Como se, nessa mesma competição, não exista quem já tivesse ido para casa mais cedo por, precisamente, jogar mal. Ou tenha avançado na competição por, precisamente, saber jogar. Ou ainda, tenha avançado na competição apesar da equipa técnica que a constitui. 

27. Nada sei sobre quem criou o jogo. Quiçá Deus. Acredito contudo que, à semelhança do propósito original aquando da criação da humanidade, não seria este futebol o seu último propósito.

28. A partir do momento em que uma dada transformação implica um declínio (ao caso, no grau de prazer e espectacularidade de uma modalidade), tal não é passível de ser encarado como uma evolução: mas antes uma lamentável regressão. 

29. E não tenham dúvidas: o futebol assume hoje tal dimensão não graças ao que é, mas ao que foi. Enquanto espectáculo. Enquanto prazer. Retirem-lhe isso e será uma questão de tempo até definhar, por muito que tenha evoluído física ou tacticamente. 

30. Pessoalmente, não acredito que só joga numa dimensão física e táctica quem sabe: mas antes, quem não sabe mais. Quem não tem os recursos técnicos para superar os do adversário – e, por isso, recorre à táctica e à força. Mas isto sou eu.

31. Se me pedissem uma prova simples e clara para defender o futebol nos termos acima propostos, diria não conhecer nenhum troféu ou táctica que tenham ficado imortalizados na história enquanto “a alegria do povo” (Garrincha).

32. Manuel Cajuda terá dito, um dia, que recebia-se pouco no futebol (português), mas, em contrapartida, divertia-se à brava. Como as coisas mudam.

RedMist 

domingo, 3 de julho de 2016

Encher a Luz em TODOS os jogos!



Somos 250.000 sócios, imaginemos que 150.000 pagantes com as quotas em dia. Só na Grande Lisboa, apostaria que temos pelo menos 50.000 sócios desses 150.000. Se metade destes fosse, jogo-sim jogo-não, ao Estádio (ou seja, uma vez por mês, o que significaria 15 euros por mês, nenhuma fortuna), teríamos, com os restantes sócios e adeptos do resto do país, a Luz sempre cheia. Mas imaginemos que só 20.000 sócios da Grande Lisboa vão aos jogos. Seriam os suficientes para encher o estádio, acrescentando a estes os adeptos da Grande Lisboa e os sócios e adeptos do resto do país.

Sabendo da grande adesão dos sócios e adeptos de todo o país (esses, sim, fazem esforços bem mais significativos em termos financeiros), deparamo-nos com um problema real de "sofazismo" entre os que estão mais perto do estádio. E isto, para mim, é inaceitável. Quantos adeptos do Benfica terá a Grande Lisboa (e aqui englobo Lisboa, Sintra, Amadora, Odivelas, Loures, Cascais, Mafra, Oeiras, Vila Franca de Xira e ainda concelhos da Margem Sul mais próximos da cidade)? Vamos dar um número por baixo: 700.000 benfiquistas, entre adeptos e sócios. Bastava que 6 por cento destes fosse ao estádio (ou seja, 42.000 pessoas), para que a Luz estivesse sempre cheia ou quase, já que os outros benfiquistas do resto do país completam os restantes 10000/15000/20000, consoante o adversário e nível de interesse do jogo.

Não quero com isto culpar ninguém nem medir benfiquismos, muito menos ser insensível à situação financeira de muitos benfiquistas, mas pelos dados apresentados apercebemo-nos de que facilmente encheríamos o estádio se todos os que podem quisessem apoiar a equipa. Bastaria que esses 6 por cento (42000) se fossem revezando ao longo do ano. Repare-se: se um benfiquista da Grande Lisboa decidir ir ver o Benfica ao vivo uma vez em 4 meses, teremos o estádio sempre cheio sem grandes gastos pessoais. Um sócio, se for uma vez em 4 meses, gastará 15 euros (3,75/mês); um adepto, se for uma vez em 4 meses, gastará 25 euros (6,25/mês). Excluamos os que não têm dinheiro para dar comida aos filhos e os que, não estando em situação tão delicada, não podem acrescentar mais despesa às contas mensais. Ainda assim, sobra um número suficiente de benfiquistas que podem ir e não vão porque não querem. Esse número chegaria para ter a Luz sempre cheia.

A questão do "sofazismo" tem de ser confrontada com inteligência. Sabendo que com os actuais preços o Estádio deveria estar sempre cheio (pelas razões e números que apresento atrás), parece-me da mais elementar necessidade que os dirigentes do Benfica contrariem estas fracas assistências com medidas que "forcem" os "sofazistas" a ir ver a equipa ao vivo. A redução de preços de bilhetes é uma medida acertada, tal como a redução do preço das quotas (estamos há 4 anos à espera que a promessa eleitoral se cumpra), mas devem ser-lhes acrescentadas outras medidas que favoreçam a paixão clubística e fidelidade. Não importa só levar o adepto "sofazista" uma vez; interessa que, a partir dessa primeira vez, ele queira voltar e sinta que o lugar dele é no Estádio e não no sofá.

Daqui a uns tempos darei algumas medidas simples que podem favorecer esta maior adesão, mas deixo uma primeira ideia: e se um não-sócio pudesse comprar um pack de 5 jogos com 3 deles a preços de sócio e 2 com preços de não-sócio? Não se conquistaria só um adepto para um jogo, dar-se-ia o incentivo suficiente para que esse não-sócio fosse a 5 jogos (ajudando a encher o estádio) ao mesmo tempo que se promovia a fidelidade desse adepto e possível vontade de ser sócio. É uma, há várias ideias. É necessário é que haja inteligência, vontade, respeito pelos adeptos e visão.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Dar mais Benfica ao Estádio da Luz

Uma das coisas que mais me impressionou no Estádio da Juventus quando lá fui ver a final da Liga Europa foi a forma de homenagem que escolheram para celebrar as grandes figuras do clube: na parede exterior do estádio puseram, dando a volta ao mesmo, imagens dos grandes jogadores, treinadores e figuras de glória que representaram a Juve.

Julgo que na Luz podíamos fazer o mesmo. Seria extraordinário termos imagens em tamanho substancial de um Torres a saltar para um belo cabeceamento, de um Eusébio no momento de um remate, de um Chalana a fintar um adversário, de um Rogério «Pipi» a passar com elegância a bola por cima do guarda-redes, de um Cosme Damião em pose clássica, de um Arsénio a correr para a bola, de um Bento a voar pelos céus da baliza, de um Rui Costa a chorar no momento do golo «traidor», de um Diamantino a marcar um livre, de um José Águas a parar a bola no peito, de um Germano a controlar a defesa, de um Zé Gato a estirar-se para a o aconchego do abraço com a bola.

De um Borges Coutinho numa Assembleia-Geral, de um Ferreira Bogalho a discursar, de um Sven-Goran num banco ao ar livre do relvado do Jamor, de um Toni em Leverkusen, de um Bella Guttmman a orientar um treino, de um Humberto Coelho a mandar na área, de um Aimar já sem ângulo a encostar a bola para as redes do Patrício, de um Otto Glória e seu carismático olhar, de um João Santos sentado na cadeira presidencial, dos irmãos Rosa Rodrigues num onze do Benfica, de um Félix Bermudes em traje de passeio, de um Isaías em Londres, de um Paneira a atirar-se para a multidão da Luz, de um Víctor Baptista à procura do brinco, de um Simões a cruzar com classe, de um José Augusto a receber em velocidade, de um Coluna a cumprimentar Maldini, de um Valdo a acariciar a bola com os seus pés de veludo, de tantos e tantos e tantos grandes jogadores e treinadores e presidentes que fizeram do Benfica este maravilhoso clube.

Ao longo do estádio, em cima de cada porta, estas imagens. Por dentro, nas quatro torres de iluminação, o palmarés do clube: Numa torre: 33 CAMPEONATOS; na outra: 25 Taças de Portugal; na terceira: 5 Taças da Liga e 5 Supertaças; na quarta: 2 Taças dos Clubes Campeões Europeus e 1 Taça Latina.

O nosso Estádio precisa de mais vida, de mais memória, de mais mística.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Parabéns Toni



Há precisamente 68 anos atrás nascia aquele que viria a ser, juntamente com Rui Costa e o eterno Eusébio, uma das minhas maiores referências de e do Benfiquismo. Há precisamente 68 anos nascia António José Conceição Oliveira, o mesmo que volvidos alguns anos viria a ser “Toni”.

“Toni”, esse nome tão simples, mas tão cheio de Benfica. “Toni”, essa pessoa tão transparente, mas tão cheia de mística, tão repleta de sentimento glorioso. “Toni”, tão Benfica quanto o próprio Benfica.

Parabéns António Oliveira, obrigado Toni.


sábado, 19 de abril de 2014

Reservado



Desde ontem têm chegado ao facebook do “Ontem” dezenas de fotografias oriundas dos mais diversos lugares do país e do mundo que documentam uma reserva nacional e internacional das praças mais emblemáticas de cada região.

Devo dizer-vos que é delicioso receber, ver e publicar tamanho benfiquismo. É emocionante rever toda a nossa grandeza. É apaixonante sentir toda a nossa volúpia vermelha.

O país e o mundo estão reservados para nós, estão reservados para o Benfica. Já nada o pode impedir, seja hoje, amanhã, na próxima semana, no próximo mês, o mundo vai explodir de vermelho, uma onda, um mar, um tsunami de proporções incalculáveis atingirá qualquer cantinho deste ou doutro qualquer mundo onde bata um coração vermelho sangue.

Cá como lá, seremos campeões. E de cá para lá vai a nossa melhor homenagem e o nosso maior Obrigado. Eusébio, Sr. Coluna e demais habitantes da tribuna Cósmica, este é vosso, é nosso, é do Benfica.

A quem se pergunta pela mística do Benfica, terá aqui a sua resposta. A quem duvida que o Benfica é mais especial que os especiais, mais que os melhores, terá a sua prova. A quem desconhece a dimensão do Benfica, verá e não esquecerá o universo pintado de Vermelho.

Sejam bem-vindos ao glorioso mundo do Benfica!


P.S. Ainda que não seja este o timing correcto, mas porque este foi o primeiro post que fiz desde o sucedido, gostaria de endereçar a Luís Filipe Vieira e a toda sua família, as mais sentidas condolências

terça-feira, 12 de junho de 2012

"Simão e Miguel gostavam de terminar a carreira na Luz ...


... Vieira está a pensar e vai falar com Jorge Jesus."

E vocês o que acham ? Querem os dois de volta ? Acham que fazem falta, ou pelo menos ainda podem ser úteis ? Ou à semelhança do Nuno Gomes, devem ir acabar a carreira para o raio que os carregue ? Ou devem ser-lhes impostas condições do tipo salarial, comportamental (convém que atletas do clube não andem por aí aos tiros), etc. ?

Deve o Benfica ser grato a quem tanto lhe deu, ou pelo contrário, só faz falta no Benfica quem ainda pode correr como se não houvesse amanhã ? Faz sentido ter referências no clube a acabar as carreiras ?

E a Mística ? Será que hoje em dia é só uma revista ?

A palavra fica com os nossos leitores ...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A herança de Damásio, Vale & Companhia…

Nós conhecemos bem a história, não a vou repetir. Em 1994 muda o presidente e treinador e tudo mudou. E mudou mesmo.

É consensual que foi um período trágico, em que mais do que as derrotas custou mesmo foi a perda de dignidade, internacional e nacional. Como já disse, vocês sabem a história. Naturalmente, duvido que muitos benfiquistas já tenham recuperado desse período. Mais até, os benfiquistas da minha geração têm até alguma dificuldade em saber como era o Benfica, qual era a nossa identidade antes de esta ter sido amarfanhada pelos ditos.

Esta introdução porquê? Bom, basicamente porque tenho passado os últimos tempos a remoer na enorme tolerância que há por parte dos benfiquistas à corrente gestão. Neste e noutros blogues gastam-se palavras a apontar e desmontar a parada de asneiras a que assistimos no Benfica e logo acorrem hordas de benfiquistas indignados a atirar pedras, revoltados com a traição.

A malta até comenta nos cafés, a malta critica enquanto encolhe os ombros, os jornais desdobram-se em bandas desenhadas carregadas de gozo e os adversários comentam com escárnio. Mas poucos se indignam. Pouquíssimos. A malta continua a ter esperança - pois claro, que é o Benfica, não haviam de ter – e vai-se aprendendo a achar normal as contratações disparatadas, as negociações intermináveis, as vendas pouco claras e trapalhonas, o tradicional enxovalho por parte do porto após nos termos posto de quatro atrás de um jogador por meses a fio que em segundos apanha a A1 para Norte. Tudo isto é normal, e se não for é por culpa dos adversários, dos empresários de jogadores, dos próprios jogadores ou do diabo em pessoa: o “bufas”, o “diabo”, o “papa”, o pinto da costa. É tudo culpa dele. Até sermos estúpidos é culpa dele.

E é aqui que chegámos. Esta foi a pior consequência daqueles anos negros. Não foram os 7-0 do Celta, o Leónidas ter vestido o manto sagrado ou o resenborg ter repescado o rushfeld depois das garantias bancárias terem batido na trave. Nada disso. Isso não foi o pior. O pior foi os benfiquistas terem-se esquecido do que é o Benfica, ou do que era o Benfica. O pior de tudo é malta já não se lembrar, ou nunca ter assistido, a um clube sóbrio, com identidade, com rigor, com gente com classe e, acima de tudo, com boa gestão, com um balneário forte e carregado de benfiquistas. Será a isto que se chamava mística? Mas ainda sabem o que é mística? Eu não – sou novo demais! – mas estes que lá estão, e vocês que os defendem, também não sabem.