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domingo, 6 de janeiro de 2019

Nova Vida Técnica no Banco da Luz


Rui Vitória já não é treinador do Benfica. Todos sabemos isso. O que ainda ninguém sabe é o que aí vem, é o plano para o que resta da época. Pelos vistos teremos de esperar pelo novo programa das manhãs da Cristina Ferreira para sabermos alguma coisa.

Interinamente o Bruno Lage assume a equipa. Pelo que tem sido especulado será só mesmo para 3 dias. Dois dias de treino e o jogo do Rio Ave. Com poderes de decisão totais? Não sabemos. Duvido muito. Alguma liberdade de decisão mas não um espirito livre.

A expectativa para ver a equipa hoje na Luz com o Rio Ave é muita. Há uma grande diferença entre o anterior técnico e o provisório agora presente. Contudo não acredito que isso fique visível hoje em campo. Acredito sim que teremos aquele impacto motivacional que uma chicotada psicológica provoca no imediato. Se conseguirmos resultados nos primeiros 20 minutos de entusiasmo então partiremos para uma jornada tranquila e refrescante. Se o jogo estabilizar e as equipas encaixarem no relvado ainda sem amasso encarnado no marcador, o efeito da chicotada esfumaça-se e teremos um jogo de coração na mão. Os problemas que levaram à mudança técnica não estão ainda nem perto de estar resolvidos e a equipa de hoje é a mesma da derrota em Portimão e anteriores exibições.

A vontade de ver Benfica é enorme. Porém a grande expectativa tem de estar no pós-Rio Ave. Sim queremos divertir-nos e ganhar os 3 pontos mas e depois? E o resto da época? Como vamos encarar as 4 competições? Como vamos fazer para encurtar a distância para a liderança e fugir ao 4º posto?

Vários nomes têm sido avançados. Aliás, têm-no sido há já um mês. A conversa do presidente do Benfica é pura politica. Sempre o foi. Não é para levar a sério. Porque se fosse... a incoerência matava cada neurônio de qualquer um que se importasse em ouvir.

O universo de treinadores é infinito e infinito é o universo de treinadores interessados em liderar o Futebol do Sport Lisboa e Benfica. Há qualidade por todo o mundo e com as mais variadas nacionalidades. Há genialidade em muitos nomes desconhecidos por todos ou quase todos os adeptos do futebol em Portugal. Mas não acredito que Vieira arriscará em um desconhecido.

Assim entre os nomes mais falados temos:

Leonardo Jardim
Paulo Fonseca
José Mourinho
Rui Faria
Luís Castro
Jorge Jesus
Abel Ferreira
Marco Silva
Vitor Pereira

Excluo já os seguintes: O Jardim optou por ir encher os bolsos na China, o Vitor Pereira com o passado que tem no Porto não me parece que estivesse interessado nem que agradasse ao povo benfiquista e o Mourinho não é possibilidade.

Aproveito para dizer que gostava de ver José Mourinho a assinar no final da época pelo Setúbal. Este José Mourinho não está interessado no Benfica nem o Benfica deveria estar interessado nele. É um treinador que precisa de se reencontrar e reinventar. Ficar dois anos no Setúbal, clube da sua terra e infância, poderia ser a melhor opção pessoal e profissional para o ex-Special One. Mourinho precisa voltar a ser apaixonar pelo jogo.

Dos restantes seis treinadores só vejo dois que aceitariam vir já: Rui Faria e Jorge Jesus. O Rui está livre e provavelmente ansioso por começar a sua carreira como treinador principal. O Jorge Jesus está louco por voltar a Portugal e principalmente ao Benfica. Contudo tem clube, obrigações e objectivos que certamente quererá cumprir lá.

Fosse qual fosse a opção, defendo que esta época deveria ser continuada pelo Bruno Lage até ao seu término. O comboio está em andamento e em alta velocidade. Não há tempo para parar e pensar. Não há paragem para ir apanhar um pouco de ar. Bruno Lage é competente, é entendido, é conhecedor e é um treinador que já está no comboio. Conhece o talento e forma de trabalhar do clube e conhece as mais variadas opções que tem na equipa principal e nos escalões de formação. Bruno Lage tem a capacidade e a tranquilidade para liderar a equipa nos 4 meses que restam de competições. Não quer e sabe que não pode fazer mudanças drásticas. Saberá ir treino após treino melhorando aquilo que necessita já de ser melhorado.

Manter Bruno Lage como técnico interino é a melhor opção para o que resta desta época e também para a preparação da próxima. Ter o Lage a comandar a equipa nos relvados não implica não ter outro treinador a preparar e planificar o arranque já da próxima época. É isto que defendo. Dar estabilidade ao plantel para o que aí vem e sem pressas nem precipitações escolher o melhor treinador para começar já nos próximos tempos a identificar as alterações que deseja ver implementadas para 2019-20, e assim assumir a equipa em Junho já com a preparação da nova época feita e as movimentações de mercado prontas e em andamento.

Mas quem?

O Marco Silva é uma boa opção claro. Contudo não só seria viável somente no final da época como a sua atenção estaria no Everton o término desta. Não o vejo em Março ou Abril a começar a integrar-se no projecto do nosso clube.

O Rui Faria é provavelmente a maior e mais desconhecida promessa do futebol mundial. Um treinador jovem que se quer afirmar como o seu tutor fez. Um treinador que tem um conhecimento do jogo, do balneário e da gestão do futebol superior a qualquer outro em Portugal. Contudo é um treinador que nunca passou de adjunto. Qual a sua capacidade de liderança de grupo? Qual a sua capacidade de tomar decisões e lidar com os problemas? Qual a sua capacidade de comunicação? Qual a sua ideia de jogo? Qual a sua competência para implementar essa ideia? Qual a sua preferência de jogadores? Certamente no Benfica haverá quem se possa reunir com Rui Faria e construir uma imagem de como este será enquanto treinador. 


Uma aposta que eu aprovaria mas com pouco entusiasmo. Um esperar para conhecer.

O Abel é um nome forte. Construiu uma boa imagem no Braga, muito bons resultados, grandes jogos e mantém uma postura positiva face ao universo benfiquista. Personalidade forte mas nunca pisou os calos dos benfiquistas.


Além disso é conhecida a estreita e constrangedora relação entre o Salvador e o Vieira.
É uma opção fácil e muito possível. Contudo também uma opção que não me agrada. Reconheço os méritos do Abel no Braga mas também vejo ali muito potencial que o técnico nunca soube aproveitar. É um treinador muito à portuguesa, muito focado no estudo e anulação do adversário. Não me parece treinador com qualidade para chegar a um grande e impôr um futebol dominador e tecnicamente superior.

Sobram o Paulo Fonseca, o Luís Castro e o Jorge Jesus. Na minha opinião o mais fácil seria o Castro, o mais indicado seria o Paulo Fonseca e o mais provável o Jorge Jesus.

Este Paulo Fonseca parece-me ser neste momento o treinador mais qualificado para agarrar neste Benfica. É muito mais treinador do que era quando saiu do Porto. Tem mais experiência, mais mundo, mais conhecimento e maior capacidade de liderar e lidar com a pressão. Tem mais estatuto. E tem aquilo que sempre teve mas agora mais aprimorado: competência técnica.


É um treinador que gosta do futebol que eu gostaria de ver no Benfica: jogo de posse e apoios, equipa com as linhas próximas, exploração da qualidade técnica dos jogadores, e equilíbrio.
 É um treinador que joga ao ataque mas que não descura dos equilíbrios defensivos. Seria um treinador caro e já foi negado. Contudo o que o Luís Bernardo nega ou deixa de negar...


Pode ser que trouxesse consigo o Boto também.

O Jorge Jesus é o Jorge Jesus. Um autêntico mestre do treino. Tem uma ideia de jogo entusiasmante mas desequilibrada. É capaz quase como nenhum outro de colocar 11 jogadores a fazer exactamente aquilo que ele quer. É um monstro do treino. Mas falta-lhe quase tudo o resto.


Para começar Jorge Jesus não merece treinar o Benfica. Pelas atitudes que teve tanto cá como depois de sair. Além disso não é treinador para o projecto Benfica.
Esqueçamos as invenções mediáticas alimentadas por quem é pago para isso (como a situação do Bernardo Silva a lateral esquerdo). Jorge Jesus não é treinador para aproveitar o melhor que o Seixal tem para oferecer. Jorge Jesus não é treinador para sucessos na Liga dos Campeões. Jorge Jesus perdido no seu ego não respeita o símbolo que o Benfica lhe coloca ao peito. Jorge Jesus é incapaz de gerir um plantel de forma equilibrada. É um louco por brincadeiras no Mercado.
O seu mundo e o se nível é o campeonato português. Restrito a este patamar brilha mas fora dele fica à deriva.

Para mim seria uma escolha muito infeliz. E parece-me que Vieira se sente demasiado necessitado dela.

Por fim o Luís Castro. Neste leque não seria a minha primeira escolha mas seria certamente a segunda. É um treinador que aprecio na sua globalidade. A sua postura correcta, as suas conversas sobre o jogo, o seu entender do Futebol, a sua ideia de jogo e a forma como consegue colocar os jogadores a executá-la.

Um treinador de pés assentes na terra, um treinador respeitado e respeitador, um treinador benfiquista, um treinador inteligente e acima de tudo um treinador muito competente. Um treinador que saberia tirar o melhor proveito do Seixal e do talento que já existe no plantel.
Seria o salto na sua carreira que já está pronto para dar.


É um treinador sério que também iria exigir um Benfica sério. Assim não o vejo sequer a aceitar conversações antes dos dois duelos que teremos em Guimarães nas próximas semanas. Posteriormente a abordagem, as negociações e a preparação da próxima época teriam sempre de ser tidas com conhecimento e aval do Vitória.
Não irá abandonar o compromisso que tem para esta época do nada. Seria todo um processo que teria de ser feito com respeito, com calma e sem alarido. Não espero menos dele e espero exactamente isto do meu clube.

E é isto.

Quero o Bruno Lage até final da época a liderar com toda a tranquilidade o que resta das competições. Quero o Paulo Fonseca ou o Luís Castro para assumir o cargo a partir da próxima época, dando-lhes estes meses para irem passo a passo preparando a mesma.

Por agora desfrutemos do jogo de hoje e vivamos nesta ansiedade pelo que terá a Cristina Ferreira para nos apresentar. 



sábado, 2 de abril de 2016

Fonseca, um treinador com eles no sítio

A conferência de imprensa de Paulo Fonseca é uma delícia para quem gosta de ouvir os treinadores deixarem de lado as banalidades e falarem das suas escolhas e das suas crenças, das suas opções e do porquê de as manterem ou delas abdicarem. Enfim, falar de futebol.



O adepto resultadista achará certamente que o Braga ontem levou um banho de bola pelo simples facto do marcador dizer 5-1. Ora, quem viu o jogo sabe o que se passou em campo. Quem viu o jogo viu um óptimo Braga ser melhor equipa até ao 3-0, altura em que naturalmente se desmembrou e a partir da qual o Benfica fez o que quis, acabando por ganhar de forma justa e assertiva.

Quando, em 2009, entre Machado e Jesus (os dois que estavam na calha para suceder a Quique), queria que viesse quem veio por aquilo que a sua equipa demonstrava para além dos resultados, pela forma como o treinador impunha as suas ideias no relvado, havia muito a escolha por Machado apenas e só por "ter ficado à frente do Jesus no campeonato". Mais uma prova de que olhar apenas para resultados é não olhar para nada.

Ontem Paulo Fonseca saiu da Luz com uma manita e mesmo assim conseguiu provar que é já um dos melhores treinadores portugueses. A saída de bola é aquela, Paulo. Vais continuar a acreditar nas tuas ideias e vais evoluir dentro delas. E um dia ter jogadores com a qualidade suficiente para fazer brilhar a bola em zonas de pressão e meteres superioridade numérica no meio-campo adversário em 3 segundos.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Rúben Pinto nas mãos de Paulo Fonseca

Rúben Pinto é um dos meus jogadores preferidos, de entre os que nos últimos anos têm saído do Seixal. Tem tido alguns azares, com lesões que o impediram de jogar futebol durante bastante tempo e com a já conhecida pouco apetência por parte de Jesus para apostar nos nossos miúdos, mas é um jogador de um nível superior à grande maioria dos que saem do nosso Centro de Estágio.

Logo à partida, percebe que o jogo é essencialmente um processo cognitivo e não físico - jogar bom futebol depende muito mais do cérebro do que do corpo.

É polivalente mas convém que o não desperdicem, usando-o em todos os lugares do campo numa época. Para mim, é um 8, que pode fazer de interior em losango ou como segundo médio num 433 - no sistema de Jesus, pode perfeitamente jogar nas duas posições do miolo, embora potencie as suas características se jogar mais à frente. Boa técnica de recepção, passe, remate, finta - não é nenhuem virtuoso mas é um jogador que raramente falha funções básicas em campo.

Excelente posicionamento, entendimento do jogo, do que deve fazer em cada momento: compensação, antecipação, dar opções de passe, desmarcação, compreensão do momento para soltar. Óptima decisão - com e sem bola. É intenso sem ser violento - não precisa, geralmente está no sítio certo.

Rúben Pinto é um daqueles talentos que ainda vai a tempo de mostrar tudo o que vale. Com Paulo Fonseca, bom treinador que após a passagem infeliz pelo Porto já é considerado erradamente um incompetente, pode crescer nestes 6 meses e mostrar que tem qualidade para ser jogador do plantel principal do Benfica.

Resumindo: ao contrário da maioria das escolhas das equipas e treinadores que os nossos emprestados vão encontrar, esta opção faz todo o sentido. Boa sorte, puto!

sábado, 10 de novembro de 2012

7

1) Muita atenção ao trabalho de Paulo Fonseca, no Paços de Ferreira. Não é só o facto de estar em 4º lugar à 9ª jornada; muito mais importante do que isso: o que esta equipa joga, com os parcos recursos de que dispõe. É, com Peseiro, o treinador que tem sabido construir melhor futebol na relação qualidade de jogo/jogadores que tem.
2) O que a Comunicação Social tem feito ao Sporting é das coisas mais nojentas a que tenho assistido. As montagens - primeiro de Jeffrén, agora do Van Wolfswinkel - servem de atestado à mais simples filhadaputice dos jornalistas e dos directores de jornais que aceitam fazer parte dessas jogadas porcas. Os sportinguistas, mesmo que recorrentemente queixinhas e desculpabilizadores - não, a culpa de o Sporting estar assim não é externa -, não merecem tamanha humilhação. Isto serve hoje para o Sporting como no futuro poderá servir-nos. Temos de estar atentos ao nojo em que se tornou o jornalismo desportivo em Portugal.
 3) O jogo de Vila do Conde é fundamental - não importante; fundamental. Com um Porto forte e em crescendo, não podemos de forma nenhuma descolar da liderança. Recebendo a Académica, a probabilidade de vitória portista é altíssima; já o nosso jogo tem uma dificuldade maior e não é nada óbvio que consigamos vencer o Rio Ave. Espero que a equipa entre organizada - fundamental reforçar o meio-campo! -, a querer resolver o jogo de início e não à espera de que o resultado apareça. Chamar Miguel Rosa começa a ser tão evidente que não se percebe tanta teimosia em ignorar uma mais-valia que ainda por cima é benfiquista e da formação. 

4) Garantem-me que sairão jogadores em Janeiro. Não um, mas mais. Se a época está praticamente perdida pelo péssimo planeamento de Agosto, uma ou mais saídas serão as machadadas finais. Espero que, no Benfica, alguém (Rui Costa?) avise os dirigentes de que não podemos vender Luisão, Cardozo ou Aimar em Janeiro e esperar resultados positivos em Maio. Por favor, tenham respeito pelos benfiquistas.

5) Os dirigentes do Benfica não obrigam o Sporting a pagar os estragos do incêndio que atearam no nosso estádio porquê? Usem das estratégias de aproximação aos lagartos que quiserem, mas não gozem connosco, adeptos. Nós exigimos que o Sporting pague os actos violentos dos animais que nos destruíram parte do estádio. 

6) Muito bom trabalho de Jesus com Ola John. Soube esperar e integrá-lo no tempo certo. Bem regado, poderá estar aqui uma pérola que dará ao Benfica benefício desportivo - pensemos primeiro neste, no desportivo, e deixemos a questão da valorização de activos para a terceira época. 

7) O Benfica precisa de um lateral-direito e de um médio para ontem. Maxi está de rastos e os próximos meses serão ainda piores - em termos defensivos, a cair fisicamente, comete todos os erros que cometia na primeira época, é um autêntico passador. Proponho um jogador que pode fazer as duas posições, que não seria caro e cuja saída enfraqueceria um adversário: Salino. Perfeito para o que precisamos.