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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Análise Financeira Benfica SAD


Hoje o Benfica aparenta estar dividido naquilo onde é mais forte, nos sócios e adeptos. Nunca como hoje me recordo de ver ataques, por vezes pessoais, entre associados, apenas pelas diferentes ideias ou diferentes visões para o futuro do clube.
Eu não sou Vieirista ou anti-Viera, não sou taliban e não sou abutre. Sou Benfiquista (e isso me envaidece) e como tal o meu objectivo tem que ser apenas e só um, o superior interesse do Sport Lisboa e Benfica.
O Benfica tem que ser mais do que uma pessoa. Tem que ser mais do que o grupo de pessoas que o dirige a determinado momento. O Benfica tem que ter Orgulho no seu passado, tem que ser forte no seu presente e tem que ter visão na construção do seu futuro.
E é esse que me preocupa hoje, o Futuro do Benfica.
Segundo palavras do Presidente do Benfica, o clube é hoje gerido como uma empresa. Quer se goste ou não dessa expressão e dessa visão para o nosso clube, há uma coisa que eu tenho a certeza, o Benfica não está a ser gerido como uma empresa, ou pelo menos, não como uma boa empresa.
Uma boa empresa é sustentável operacionalmente, sem necessitar de proveitos extraordinários, neste caso vendas de jogadores, para conseguir honrar os seus compromissos. Uma boa empresa não tem o seu Capital Próprio Negativo. Uma boa empresa não deixa que o seu Passivo Financeiro aumente todos os anos da última década, sem que consiga colocar travão a essa dependência.
Mas analisemos os factos mais gerais que me causam desconforto em relação às contas da Benfica SAD que o Benfica disponibilizou na ultima sexta-feira aos sócios (Deixarei para futuros Posts analises mais particulares como a Benfica Tv, a Relação com o BES/NB e outros...):

1) Resultados Operacionais e sustentabilidade operacional

Explicando de forma simplificada, os resultados relativos a um ano de um clube dividem-se nas seguintes grandes rubricas:
- Resultados Operacionais – Os proveitos (Direitos Televisivos, Bilheteira, Loja...) e custos (Salários, Água, Luz, Manutenção...) que decorrem da operação normal de um clube.
- Resultados com atletas
- Juros da dívida: Juros gerados pelas dívidas bancárias

Ou seja, qualquer leigo consegue facilmente perceber que para que um clube não seja dependente da constante venda de jogadores e da consequente reconstrução de um plantel, os seus resultados operacionais têm que ser suficientes para pagar os Juros gerados pelos seus empréstimos e o seu serviço da divida caso se vença algum empréstimo.
O grande problema é que os resultados operacionais do Benfica são constantemente negativos ou insuficientes para pagar os juros da divida. Este ano o resultado operacional da Benfica Sad, sem vendas de jogadores, ascendeu a cerca de 4M€ negativos, algo que torna impossível a sua sustentabilidade.
Dado esse recorrente deficit operacional, o Benfica depende de duas coisas para suportar o pagamento dos juros ou do serviço da divida à banca:
      1)      Vender jogadores e delapidar constantemente o plantel que vai construindo;
      2)      Endividar-se mais para conseguir pagar o serviço que já tem de divida e o seu passivo financeiro continua a aumentar regularmente.

Assim sendo o Benfica tem que suportar numa base anual quer os seus juros, que este ano ascenderam a 19,6M€, quer os seus resultados operacionais negativos (este ano de 4M€), com os resultados de vendas de jogadores (Vendas - Compras) em valores pelo menos superiores a estes (e isto se não se vencerem empréstimos).
Os números não deixam margem para uma segunda interpretação e se o Benfica fosse de facto gerido como uma empresa isto já teria sido explicado anteriormente aos sócios e adeptos, para que os mesmos fossem de facto chamados para decidir o futuro que querem para o nosso Clube.
Este modelo não é único em Portugal, aliás, nenhum dos clubes grandes é de facto sustentável operacionalmente para aguentar não vender jogadores sempre que há uma proposta elevada. O que choca mais no caso do Benfica, é que também sabemos que somos os únicos que temos dimensão e capacidade de gerar proveitos para não estarmos tão dependentes das transacções de jogadores.
Assim, quando a direcção do clube vos disser que os resultados operacionais do clube são 34M€ positivos, vamos todos lembrar-nos que estão a considerar os resultados com transacções de jogadores no valor de 38M€.  
Mais preocupante são as declarações do nosso Presidente há cerca de um ano, quando referiu que seria o último ano em que o Benfica precisaria vender jogadores por questões financeiras, o que me deixa com as seguintes interrogações:
    -          O Presidente do Benfica mentiu aos sócios e adeptos do clube?
    -          O Presidente do Benfica desconhece os números do próprio clube?
    -          O Presidente do Benfica equivocou-se?
    -          Será que o presidente do Benfica consegue hoje fazer mais alguma afirmação deste género?

Queria deixar apenas uma referência à entrevista de Domingos Soares de Oliveira que referiu que os gastos com salários do Benfica, por termos chegado longe em todas as competições ajudaram a piorar os resultados. Será que o Benfica chegará a um ponto em que terá que perder para ser sustentável?

2) Análise de Balanço (Activo, Passivo e Capital Próprio)

A análise do Passivo é a mais exaustiva em todos os jornais e televisões, levando muitas vezes a análises incorrectas e até disparatadas.
As comparações entre clubes sucedem-se mesmo quando os critérios apresentados são diferentes e parecem olhar exclusivamente para esta rubrica como se uma empresa (ou clube) enorme devesse ter o mesmo passivo que a mercearia da esquina da rua.
Neste ponto estou portanto de acordo com o Domingos Soares de Oliveira, que referiu que toda a gente olha para o Passivo, deixando de parte o activo.
O único senão é que o Benfica não tem hoje activos liquidos suficientes para pagar o seu passivo.
Alguém tem que lembrar o Dr. DSO que a Autonomia Financeira do Benfica (Rácio que mede a Solvabilidade Financeira, ou seja, a capacidade de uma entidade fazer face aos seus compromissos) é Negativa. O Capital do Sport Lisboa e Benfica Sad Consolidado é Negativo!!!
Mas vamos por partes, o Passivo do Benfica são hoje 449M€. (sim, infelizmente leram bem, não digitei números a mais)
Do activo do Benfica a curto prazo temos apenas cerca de 108M€. Ou seja, recebendo a totalidade desses activos restam cerca de 340M€ de passivo para pagar. Se considerarmos que o Benfica não vai vender o estádio nem os seus activos fixos, resta que o plantel do Benfica seja suficiente para pagar esta barbaridade de passivo (mais uma vez, dependência total das vendas).
A tudo isto há a acrescentar que o Benfica é , como expliquei no ponto anterior, anualmente deficitário, pelo que o seu passivo vai continuar a aumentar.
Para verificarem que o que eu estou a dizer é factual e baseado em numeros e não demagogia, a Benfica Sad consolidada tem hoje um passivo de 449M€, quando em 2013 era de 440M€... e em 2012 eram de 426M€... e em 2011 era de 380M€.... e em 2006 eram de 151M€...
Eu sei o que me vão dizer, “que incoerência, a dizer que não se podem comparar passivos e vai comparar com uma altura (2006) em que as contas ainda não consolidavam com a Benfica estádio e a Benfica Tv”. Pois, é verdade, mas não nos esqueçamos que no relatório e contas de 2013 o Benfica revelava que o passivo da Benfica Estádio e da Benfica Tv em conjunto rondavam os 119M€. E o resto do aumento como se explica?
Benfiquistas é hora de acordar por favor, eu não estou a falar de Obras, de construir Estádios e centros de estágio. Nessa área eu até reconheço alguma competência, mas é fácil fazer obra se for a crédito e se for apenas aumentado crédito para repagar o anterior. Eu estou a falar de operação, o Benfica não é sustentável e é por isso que o passivo não pára nem parará de aumentar se continuarmos neste caminho de destruição.

Atenção que todos estes valores se referem à SAD, e que nas contas consolidadas da SAD o Benfica não apresenta a situação de todo o grupo Benfica, faltando as contas do Clube e da Benfica SGPS. Este facto é logo um factor gerador de desconfiança e que não se quer num clube que luta pela transparência do futebol Português.
Mais grave se torna por sabermos que o Benfica clube individual apresenta também ele um Passivo desastroso. 



Conclusões e desabafos

As contas da Benfica SAD são assustadoras para qualquer pessoa que as entenda, ou que minimamente as queira entender.
O Presidente do Benfica tem dito constantemente que o Benfica é gerido como uma empresa, no entanto qualquer empresa numa situação deste género deixaria de ser apoiada pelos bancos e seria apresentada à insolvência imediatamente.
Os resultados operacionais são negativos, os juros muito elevados. O Passivo é monstruoso e não para de crescer e o Benfica vive na dependência de ter que vender jogadores e pedir novos empréstimos. O seu Capital e autonomia financeira são negativos.
Enquanto isso assistimos a negociatas estranhas e que ficam por explicar, à utilização dos meios de comunicação do clube para desinformar e não para informar e a um constante refundir da situação financeira que o clube atravessa e com contas não totalmente consolidadas com todo o grupo (Falarei destas questões em futuros Posts).

E mesmo com tudo isto a acontecer vivemos a maior crise de democracia de que me recordo no Sport Lisboa e Benfica, onde adeptos que questionem são insultados e tidos como “abutres” ou “talibans”, como se a defesa do Benfica se fizesse pela unanimidade constante.

Ó Benfica, hoje és nevoeiro... É a Hora!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O futuro presente

24 de Outubro de 2025. O antigo estádio do Sport Lisboa e Benfica, também carinhosamente tratado pelos seus adeptos como Estádio da Luz - agora Estádio Luís Filipe Ferreira Vieira, como homenagem ao grande Presidente que leva mais de duas décadas ao leme da instituição -, recebe uma equipa grega numa noite de chuva torrencial. Jogo grande, de Champions League. 

A fase da equipa não é a melhor, mau princípio de época, pontos perdidos, muita contestação, nota-se que o lugar do treinador Bruno Alves pode estar em perigo, caso se verifique uma derrota. Observa-se uma natural saturação por parte dos adeptos com a forma como o técnico vai cometendo os mesmos erros consecutivamente - há mesmo quem diga que o faz propositadamente, maldosamente insinuando ser Bruno Alves um portista doente e um anti-benfiquista primário.

Mas recuemos a 2020, altura em que o Presidente Vieira o contratou. Viviam-se tempos de grande azáfama no Benfica. Augusto Inácio havia sido demitido em Outubro por perder em casa com o Calipolense para a Taça de Portugal, acrescentando essa trágica derrota às outras cinco com que tinha iniciado o campeonato nacional. Não havia outra forma de procedimento: havia que demitir o treinador. Apesar de já levar 4 anos e apenas um só campeonato, Inácio vira, meses antes, o seu contrato renovado pelo Presidente por mais duas épocas. Era um dilema que Vieira tinha de resolver. 

Como sempre, funcionou com a competência que lhe é característica: despediu Inácio, pagando-lhe choruda indemnização, provou aos sócios e adeptos que a responsabilidade daquele mau momento era exclusiva de quem treinava a equipa e convocou para o seu lugar um técnico com as qualidades essenciais para o cargo: passado ligado ao Porto (o mesmo será dizer: conhecia a estrutura competente dos portistas), valores fundamentais como a raça, o querer, a impetuosidade, o conhecimento profundo do princípio bélico "olho por olho, dente por dente". Alves aparecia assim como o verdadeiro salvador e os adeptos acreditavam. Em Alves mas sobretudo na visão profissional, competente e credível do Presidente. Se Vieira escolhera um ex-portista para técnico do Benfica, só podia ser por uma razão fortíssima que não estaria ao alcance de todas as mentes, em especial das suas, que, apesar de poderem gerar laivos de alguma esperteza - inteligência, mesmo, de tempos a tempos - não estavam, é evidente, no mesmo nível da superior genialidade do Grande Dirigente.

Entre os Outubros de 2020 e 2025, Bruno Alves fez um trabalho que poderá ser considerado a todos os níveis brilhante. Somou pontos na Europa - o Benfica é hoje o 17º no ranking europeu -, a espaços pôs a equipa a fazer um futebol maravilhoso - houve mesmo uma goleada de 3-0 ao Sarilhense em 2021 no Estádio da Luz -, deu ideias sobre futebol à UEFA que foram prontamente aceites (um orgulho para o Benfica!), espalhou toda a sua sabedoria dos tempos em que jogava por universidades, bibliotecas, livrarias e alguns ginásios dedicados ao ensino das artes marciais (fundamental exercitar o lado mental do jogo), tornou-se num dos treinadores mais bem pagos de sempre no futebol mundial (prova da sua visceral competência!) e chegou mesmo a ganhar ao Porto num encontro de pré-época entre as duas equipas. Um notável 1-0, com um golo em fora-de-jogo, é certo, mas milimétrico e muito difícil de ajuizar por parte do fiscal de linha. 

Tem, além disto tudo, um discurso muito forte contra as arbitragens, que é uma missão que qualquer benfiquista saudável, lúcido e racional deve ter. Falar sempre nos árbitros. Com razão ou sem, falar sempre nos árbitros. É imperioso dar a conhecer ao mundo a nossa condição de vítimas do mundo. Nos árbitros, nos jornais, nas condições meteorológicas, na saliva dos cães, nos botões de punho, corruptos botões de punho que conspurcam as melhores camisas do Benfica. Bruno Alves entendeu o que era a mística do Benfica de Vieira e disso fez eco ao longo destes anos. Infelizmente, após 5 épocas, começa a haver alguma saturação, algum desprendimento, algum desânimo. Os títulos de facto não abundaram. Desde que entrou em 2020, em 5 anos não ganhou qualquer Campeonato nem Taça de Portugal. Venceu uma Taça da Liga, festejada a preceito por todo o mundo numa demonstração maravilhosa de benfiquismo; desde o Canadá à Patagónia; de Timor à Índia; Austrália, Japão, Sri Lanka, Malásia, Djibouti, Namíbia, Pólo Norte, Vaticano. Em todo o mundo saíram à rua os benfiquistas, loucos com novo título e ávidos de demonstrar a excelência daquela governação. 

Seriam poucos os títulos ganhos por Bruno Alves? Ou melhor: em 5 anos uma Taça da Liga era pobre pecúlio? Sim e não. Sim, se fingirmos que não existem factores externos a prejudicar o Benfica. Não, se descortinarmos os ataques cerrados que o mundo faz ao clube. Como esquecer as rajadas de vento que se levantaram naquela derrota no Dragão? O ângulo da chuva que impediu o nosso guarda-redes de ver a bola no lance que decidiu quem ficaria em 4º lugar na época 2021/2022? A qualidade dos átomos que favoreceram claramente o Sion e o empurraram para uma copiosa goleada sobre nós na fase de grupos da Liga Europa em 2024? Haja decoro, lucidez e seriedade. Não fora vivermos no Planeta Terra e o Benfica teria ganhado nestes últimos 22 anos de Vieira uns 4 campeonatos! E, se assim fosse, alguém poria em causa a competência de quem nos dirige, como hoje o faz uma minoria de incapazes selváticos, mentecaptos anti-Benfica, que não sabem que só apoiando conseguiremos lutar contra o sistema corrupto?

Infelizmente, os ciclos tendem a cumprir-se e o de Bruno Alves parece ter chegado ao seu fim. Foi assim com Jesualdo Ferreira, assim com Camacho, Trapattoni, Koeman, Fernando Santos, Camacho outra vez, Chalana, Quique Flores, Jesus, Domingos Paciência, Pedro Emanuel, Manuel Machado, Nuno Espírito Santo, Helton, Vítor Baía, João Pinto, Secretário, Bandeirinha, Fernando Couto, Costinha, Octávio Machado, Augusto Inácio e também será assim com Bruno Alves. Trabalharam em prol do clube, trouxeram-nos grandes alegrias, aumentámos o número de sócios com os seus fantásticos contributos mas há sempre uma hora de despedida e outra de novos encontros com o futuro. 

Importa é confiar no projecto que o Presidente tem para o Benfica. São 23 anos à frente dos destinos do clube. São 3 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal, 5 Taças da Liga, 1 Taça do Alentejo, 1 vitória na final do Portuguese Day (ilustre prova de reiki para os emigrantes idosos de uma cidade na Nova Zelândia). Temos hoje um Estádio, um Museu, três televisões, duas rádios, uma Casa de Repouso, um Manicómio, 3 Enfermarias, 2 Hospitais, 10 táxis, 3 Restaurantes, Pastilhas Benfica, Lentes de Contacto Benfica, Vendas para os olhos Benfica, Aparelhos Auditivos Benfica, Pacemakers Benfica e, fundamental não esquecer, a Lavandaria Benfica (mais um projecto inovador do nosso Presidente quando ainda ninguém tinha pensado em usar um clube de futebol para lavagens de todos os tipos, a altas e baixas temperaturas, lavando-se roupas, lençóis, cérebros, dólares, tudo o que estiver apto a ser gloriosamente lavado). 

Bruno Alves sairá nos próximos meses, é seguro. Outro virá, o Benfica não morre com o afastamento de ninguém. Muitos vieram, passaram, foram. O cemitério está cheio de insubstituíveis. Na verdade, só um verdadeiramente o é e esse já tem estátua em frente ao estádio. Luís Filipe Ferreira Vieira. O fundador do verdadeiro Benfica desde 2002 e honroso senhor que dá nome à nossa Catedral. 



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Jogos Olímpicos 2


Depois de olharmos para o panorama português em geral, olhemos então para o caso do Benfica em particular, isto é, como é o que o Benfica se substitui ao Estado na formação de talentos que possam vir a representar Portugal nos Jogos Olímpicos ? Afinal de contas, que resultados tem o Benfica Olímpico ?

Dizendo com todas as letras, o Benfica Olímpico é em termos gerais mais um projecto à Vieira e não à Benfica. Aliás, mais do que à Vieira, é um projecto à Sporting. Porquê um projecto à Sporting ? Todos conhecemos a história do nascimento do Sporting, à falta de talento para a prática do futebol, pagaram o que o Sport Lisboa não podia pagar aos atletas e levaram a grande maioria da equipa de futebol titular da 1.ª categoria, o dinheiro comprou o esforço e a dedicação dos outros. Mas além de projecto à Sporting, é um projecto à Vieira. Senão vejamos:

- a secção de Futsal nasceu comprando o lugar de uma equipa da 1.ª divisão, bem como jogadores de outras equipas. Como na primeira época não ganhámos, continuámos a adquirir jogadores até termos uma grande equipa e ganharmos o campeonato. É certo que posteriormente evoluímos para a formação, mas o nascimento foi pela aquisição e não pela formação. É certo também que o projecto ganhou uma massa crítica própria, mas ainda é marcado pela abissal diferença de investimento entre o Benfica e a generalidade dos outros competidores, nomeadamente o Sporting.

- após a ressaca do futebol e perante a perspectiva de mais épocas de insucesso, o Benfica entrou no ciclismo profissional, na vertente de estrada, através da aquisição de vários ciclistas nacionais e espanhóis. Qual foguete, arrebatando a população que voltou à estrada mostrando um renovado interesse na modalidade e atraiu patrocinadores e se observou a expansão do número de equipas profissionais, conquistando troféus e elevando a generalidade dos salários na modalidade, assim também desapareceu deixando na sua ressaca a crise mais profunda no ciclismo profissional português, que se traduz numa Volta a Portugal moribunda, com apenas 4 equipas portuguesas profissionais e apenas 2 ou 3 equipas profissionais continentais (a antecipação da Volta à Espanha terá ditado o maior descalabro verificado este ano). Basicamente o Benfica pagou, criou a equipa, ganhou, entreteve os adeptos e distraiu-os das derrotas no futebol e desapareceu

- os resultados espantosos de Vanessa Fernandes levaram-na a assinar contrato com o Benfica e à semelhança de outras secções, foi criada a secção de triatlo apenas com uma atleta. Posteriormente, contratou-se o campeão nacional Bruno Pais, entretanto ultrapassado em resultados pelo João Silva, e contratou-se a Anaíz Moniz a segunda triatleta portuguesa atrás da Vanessa que entretanto parou por "motivos pessoais".

- o destaque de Telma Monteiro levou o Benfica a criar uma secção de Judo. Para tal contratou a equipa de Judo da Universidade Autónoma. Depois de algum tempo, num processo muito estranho e após divergências com o treinador principal, provavelmente pela falta de resultados dos outros atletas que não a Telma Monteiro, a secção de Judo no Benfica resume-se hoje à Telma Monteiro.

- na canoagem, o destaque de Joana Vasconcelos primeiro e Teresa Portela depois, levou-as a assinar um contrato com o Benfica, dando assim corpo à secção de Canoagem.

Se pensam que esta colecção de exemplos são as excepções (e já são tantas),  basta olharem para as modalidades colectivas e perceber que o Benfica considera que só se pode chegar ao topo contratando os melhores a valores que mais nenhum clube pode chegar.

É assim no Andebol, sem resultados após a saída do Donner, e convém referir que nesse tempo o Benfica formou uma base com a equipa que veio da formação e contratou jovens valores e não consagrados a preços proibitivos como tem acontecido ano após ano e insucesso após insucesso.

É assim no Voleibol, onde o Benfica conseguiu chegar ao título, depois foi ultrapassado por espinho e Guimarães que pensaram seguir a estratégia do Benfica para reconquistarem o título, só que após 1 ou 2 anos de investimento viram-se obrigados a abandonar tais intentos. Na esperança de reconquistar o título entretanto perdido, o Benfica fez regressar a Portugal vários titulares da selecção nacional que actuavam em equipas profissionais alemãs e italianas, juntando-lhe brasileiros e cubanos. Infelizmente, por mais que gastemos, quando chega o momento da verdade, quando o campeonato se decide, perdemos, apenas nos limitamos a ganhar Taças de Portugal.

No Hóquei em Patins, após anos sem saber o que fazer, optou-se por contratar um técnico competente que para quebrar a hegemonia portista contratou vários jogadores com muita experiência mas aproveitou a base de trabalho que já existia no clube e alguns jogadores da formação. No entanto para sermos campeões, foi decisiva a contratação de Sérgio Silva, que com a sua alma, dedicação, profissionalismo e competência mostrou do alto dos seus 37 anos que foi o melhor jogador a patinar em Portugal na época transacta e um dos principais responsáveis pelo título. Esperemos que a sua saída por "motivos pessoais", não nos devolva aos 2.ºs lugares.

O Basquetebol é um caso à parte, pois é uma modalidade profissional onde os jogadores que saem da formação têm muitas dificuldades em afirmar-se como titulares em posições que não sejam as de fora. Podem falar do João Santos, do Elvis Évora ou do mais polémico Carlos Andrade, mas o peso, a força e a qualidade dos postes e extremos-poste estrangeiros continua a ser decisiva. Às vezes até um bom base estrangeiro desequilibra. E no basquetebol, houve até ao passado ano, outra equipa que competia com o Benfica em salários, o Porto, mas que os seus dirigentes com a derrota mostraram ser como os miúdos mimados que quando perdiam levavam a bola para casa.

A única modalidade que tem uma matriz verdadeiramente diferente é o Atletismo. A Prof. Ana Oliveira iniciou há uma série de anos um trabalho que passa pela identificação de jovens de 14 ou mais anos com talento nas diferentes especialidades e trabalha juntamente com os treinadores  desses atletas no desenvolvimento das suas capacidades e no crescimento enquanto atletas.

É certo que a equipa principal, a que é bi-campeã de masculinos ao ar livre e em pista coberta, inclui alguns atletas que apenas vieram para o Benfica como seniores e já consagrados, mas esses vieram para suprir as carências da formação que por vezes obrigam os atletas a disputar várias provas no mesmo evento. Mas se forem observar os resultados dos últimos 6 ou 7 anos em sub-23, juniores e juvenis poderão observar um domínio avassalador nos escalões mais elevados e uma progressão espectacular nos escalões mais jovens consubstanciada pelas vitórias no juvenis este ano.

O campeão olímpico do Triplo Salto em 2008 Nelson Évora é o melhor exemplo do trabalho realizado no atletismo do Benfica, mas convém não esquecer um Marcos Chuva, apesar do fraco desempenho este ano em Londres, que será um dos futuros dominadores mundiais do Salto em Comprimento. Mas há mais atletas, inclusivamente alguns que não foram aos Jogos, ou mesmo que tenham ido e tenham tido uma fraca prestação associada mais à inexperiência em grandes eventos que à sua qualidade intrínseca.


Por muito que o post pareça injusto, em especial aos atletas e técnicos que lutam e ganham por nós os adeptos, enorme é o respeito que existe por eles, e admitindo que esta é a minha visão das modalidades que poderá aqui e ali estar menos correcta, o essencial é o seguinte:


- Os projectos à Vieira traduzem-se essencialmente pela contratação de atletas consagrados com salários elevados.

- Se o título não aparecer, contratam-se mais e mais, de forma a que nenhuma outra equipa consiga competir em termos de orçamento com o Benfica, isto se estivermos a falar de desportos colectivos.
- Se falarmos de desportos individuais, os projectos caracterizam-se pela contratação avulsa de atletas sem preocupação pelo desenvolvimento da modalidade.

Não me admiraria que os atletas que se destacaram nestes jogos que ainda não pertencem a um clube de nomeada ou estejam no estrangeiro possam vir a assinar em breve pelo Benfica, na esperança de obter alguma medalha no Rio de Janeiro.

Se entrarmos numa modalidade com os valores que se praticam, então será a competência a decidir, mas quando estamos presentes em modalidades gastando 2 ou mesmo 3 vezes mais que qualquer outra equipa apenas estamos a mostrar que o dinheiro é que faz a diferença. Pior é quando isso acontece e mesmo assim não ganhamos.

É certo que é mais agradável entrar contratando os melhores, mas se a ideia é apenas  ser campeão através do orçamento mais elevado, então iremos pôr em risco a sustentabilidade e o futuro do Sport Lisboa e Benfica.

O que eu defendo, e esta é a minha visão, é um Benfica que quando aposte numa modalidade não se limite a ser um abutre, mas que queira desenvolver a modalidade desde os escalões de formação com técnicos competentes. E vocês, o que pensam ?

PS - Já agora, boa sorte para a meninas do Hóquei em Patins e bem-vindas ao Benfica.

PS2 - Claro que o oportunismo do Vieira já fez escola. E quem melhor que o Sporting para adoptar esse oportunismo. Antes que saltem todos, reconheço e aprecio o trabalho do Prof. Mário Moniz Pereira, mas o que a direcção do Sporting lhe tem feito em termos de condições é o melhor exemplo de que quem o deveria respeitar não o faz.

As recentes declarações de Godinho Lopes a respeito do desempenho dos remadores Fraga e Mendes e o rocambulesco episódio com o Sport Clube do Porto, o clube que verdadeiramente os formou e lhes deu todas as condições para chegarem aos Jogos Olímpicos, mostram que apresentar medalhas ou bons desempenhos, pode ser um paliativo para as frustrações do futebol.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Rui Costa, há um ano era assim:

“É um prazer especial, uma honra muito grande apresentar estes quatro jogadores oriundos da formação. Representa a aposta do clube, um dos projetos que o Benfica tem para o futuro, e é um prémio que cada um recebe pelas ótimas prestações que têm vindo a ter”



Dois meses depois era assim:






Seis meses e 138 minutos jogados na Taça de Portugal por David Simão com a camisola do Benfica depois, era assim:





Um ano depois, com Miguel Rosa emprestado a época inteira, David Simão emprestado a meio da época e Rúben Pinto sem um único segundo com a camisola do Benfica, é assim:


 «David Simão é um jogador livre para escolher o próximo clube, uma vez que chegou a acordo para a rescisão do contrato com o Benfica.

O médio, que na época passada venceu a Taça de Portugal pela Académica, deixa a Luz sem ter conseguido conquistar o espaço, embora não tivesse tido muitas oportunidades para tal.

Na temporada transata, David Simão fez parte do plantel do Benfica na primeira metade da época, mas não sendo opção para Jorge Jesus mudou-se por empréstimo para a Académica.

Agora, o jogador de 22 anos procura um novo clube, sendo que no currículo conta com passagens por Académica, Paços de Ferreira e Fátima, sempre por empréstimo do Benfica.»

E assim:

«O sonho de Miguel Rosa de vingar no plantel principal do Benfica vai ser adiado. Após ter recebido a primeira indicação que iria integrar os trabalhos da equipa principal, o médio, de 23 anos, recebeu nova informação que será integrado na equipa B.

O jovem terá de apresentar-se no centro de estágio na quarta-feira, dia em que Luís Norton de Matos vai arrancar com o projeto dos encarnados. Refira-se que o jogador foi contactado por equipas da 1.ª Liga, mas a sua saída terá de ser negociada pois está vinculado até 2016.»


Rúben Pinto não conhece o futuro. Mas temos aquela noção - talvez muito pessimista, afinal somos mesmo muito do contra e nunca apoiamos, nunca apoiamos - de que não entrará nos planos de Jesus para esta época.


O futuro do Benfica, Rui Costa, é isto. Go, Nélson, go.