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domingo, 25 de março de 2012

Jesus, o Jorge Arcanjo

Depois do jogo de Olhão, o Constantino deixou-me no hotel em Quarteira. Fiz check-in, agarrei no amigo que lá trabalha e fomos beber copos. Sábado acordei, agarrámos um no outro, fomos para Albufeira - nada como o Algarve em Março. Hoje acordei, deitei-me na praia e esperei pela hora de apanhar o autocarro. Meti-me dentro da viatura e cheguei agora a casa.

De modo que ruminar o Benfica no Algarve em copos e praia favorece bastante o processo. Só agora me lembrei decentemente da miséria que vi no estranho José Arcanjo. E, como já estou em preparação para o Chelsea e não me apetece bater mais no ceguinho de forma muito elaborada, deixo só tópicos, verdades que acontecem há muito tempo mas que no Benfica ninguém parece querer ver. E elas são:

- Não temos central suplente com a qualidade necessária. Jardel ainda fez uns joguitos aceitáveis, mas nos últimos dois voltou a demonstrar todas as limitações. Ninguém quer saber disto.

- 442 formato demencial. Alas abertos, dois gajos no miolo, dois avançados perdidos na frente. O nosso 10 chama-se Maxi Pereira: é nele que reside a esperança de um desequilíbrio. Nolito nem a vê, claro, a equipa tem tanto medo do Emerson que faz construção pela direita, sempre. O meio e a esquerda não existem. Os jogadores vão-se direccionado todos para o lado do Maxi, enquanto Gaitán recebe bolas encostado à linha, a dois quilómetros das zonas de decisão. Mas Jesus não quer saber. Ninguém quer saber.

- Aimar vem fazendo uma época ao nível da discussão com os árbitros que roça o ridículo. A culpa é dele, claro, mas também de toda uma estrutura que não avisa os jogadores que, em Portugal, o Benfica tem de evitar a todo o custo situações dúbias e de protestos. E, já agora: aquela merda é vermelho. Claríssimo. Não haver no Benfica quem explique aos jogadores que, num jogo fundamental, há entradas que não podem acontecer é coisa de amadores. Mas Ninguém quer saber.

- Emerson é péssimo. É-o desde que se sentou no avião para Lisboa em Agosto. Já o era antes, mas isso pouco ou nada nos interessava. Não servindo o gajo espanhol que lá anda, devia ter servido outro gajo qualquer em Janeiro. Mas não serviu. Ninguém quer saber.

- A equipa está de rastos fisicamente. As opções do meio-campo foram todas ou dadas ou emprestadas, uma delas a um rival directo. Para os seus lugares, ninguém. Mas ninguém quer saber.

- Eu entendo perder pontos quando os jogadores demonstram vontade, mesmo jogando mal. Não entendo aquilo, aquela primeira parte de atrasados mentais. Jogámos com mais honra com 10 do que com 11. É ridículo e prova de que há muito trabalho mental a fazer - que nunca será feito pelo limitado ao nível cognitivo Jorge Jesus. Mas ninguém quer saber.

- Um gajo (que são muitos milhares de gajos) faz 600 e tal quilómetros para ir ver o Benfica. Gasta dinheiro, deixa a esposa em casa, consome-se física e psicologicamente. O mínimo que se exige é atitude competitiva. E uma equipa que não tenha em Maxi Pereira a única forma de poder chegar com perigo à baliza de uma equipa ridícula chamada Olhanense. Mas ninguém quer saber.

- Depois de amanhã lá estaremos. Imagino que outra vez em 442, visto que Jesus quer dar uma lição táctica à equipa que escolheu para os quartos-de-final mesmo quando ela ainda nem lá estava e havia, por exemplo, APOEL no sorteio. Em modo lunático ou lúcido, bem, mal, assim-assim, lá estaremos. Porque nós somos os únicos que verdadeiramente queremos saber.