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domingo, 17 de maio de 2015

Futebol e Benfica pelo Mundo (Parte 4)



Termino esta volta minha volta ao Futebol Mundial (mais especificamente América do Sul e Europa) a actualizar-me sobre os dois principais campeonatos do nosso continente, isto apesar da dificuldade que é continuar a abstrair-me do jogo de amanhã.


A duas jornadas do fim, o Barça está prestes a festejar o seu 7º campeonato nos últimos 11 anos, continuando assim o ciclo Blaugrana na Liga espanhola.
Basta ao Barcelona vencer um dos seus jogos e por isso pode tornar-se campeão já este fim-de-semana em pleno Vicente Calderón.
A equipa da Catalunha está a apontar para o triplete. Além do campeonato está também na Final da Taça com o Athletic Bilbau e na Final da Champions com a Juventus.
Na Liga dos Campeões o Barça tem feito uma campanha excepcional. Ganhou o seu grupo, eliminou o City, PSG e Bayern e teve como ponto alto o 3-0 no Camp Nou frente ao campeão alemão.

O futebol do Barça já não me fascina como há uns anos. Contudo o espírito colectivo que se vê entre todas aquelas individualidades não pára de me impressionar e é um exemplo para qualquer equipa.
A relação Messi-Neymar é para mim, juntamente com a magia do argentino e do Iniesta, o grande trunfo do Barça deste ano.

O Real Madrid sonhou mas o sonho está perto do fim.
O 2º lugar está garantido mas o título parece ser já só uma miragem para a equipa do Fábio Coentrão.
Na taça a equipa foi eliminada precocemente nos Oitavos pelo Atlético.
Na Champions começou forte e ganhou todos os jogos do grupo – Liverpool, Basileia e Ludogorets. Nos Oitavos eliminou um Schalke que chegou a assustar com a vitória no Bernabéu, eliminou o Atlético e caiu nas Meias sem ter conseguido vencer a Juventus em nenhum dos jogos.
De lembrar a conquista do Mundial de Clubes perante o San Lorenzo da Argentina.

Este Real é uma equipa confusa, com um colectivo pouco trabalhado e que funciona muito à base da individualidade dos nomes. Tem jogadores impressionantes e que mereciam jogar num colectivo diferente.
Custa-me perceber uma equipa que parece deixar para segundo plano o seu sucesso em prol das conquistas e consagração individual de um só jogador. Em campo o principal foco parece ser sempre a disputa estatística pela Bola de Ouro.
Vejo um Real Madrid muito bem trabalho no momento ofensivo que favorece as qualidades do Cristiano e muito abandonado em todos os outros sectores.

Qual a melhor dupla de centrais neste Real? Qual o melhor trio do meio-campo? Que posição faz o Modric? E o James? E o Isco? Que anda a fazer um jogador como o Bale perdido e preso na direita do ataque? E qual o papel do Marcelo nesta equipa? O lateral tem um talento imenso mas passa o jogo sozinho na ala esquerda, parecendo várias vezes um jogador à parte da restante equipa.
Este ano, nos blancos, tenho de destacar o Benzema. O francês tornou-se um avançado completo, inteligente e de enorme qualidade.

Acho curioso que esta época o Real só tenha ganho 4 dos 16 jogos grandes que fez.
Venceu os dois duelos com o Liverpool, venceu o Atlético na segunda mão das Meias da Champions no Bernabéu e venceu o Barça para o campeonato também no Bernabéu.
De resto contabiliza 7 derrotas e 5 empates.

Os restantes lugares no Top-5 são ocupados pelo Atlético com 77pts, Valência com 73pts e Sevilha com 70pts, e deve terminar nesta ordem.

O actual campeão, o Atlético de Madrid do Tiago, Oblak e Siqueira, este ano não conseguiu entrar na luta pelo título e tem andado desde o início a disputar o terceiro lugar com o Valência.
Na Champions liderou o grupo que partilhou com a Juventus, eliminou o Leverkusen nos penalties e acabou por cair nos Quartos frente ao Real.

O Valência com o contributo do André Gomes, Enzo, Rodrigo e do nosso João Cancelo, ocupa o último lugar de acesso à Champions.

O Sevilha e o Reyes ainda acreditam no 4º lugar e podem conquistar este ano a sua segunda Liga Europa consecutiva. Depois da vitória sobre o Benfica na época passada, este ano irão defrontar o Dnipro na Final e contam para já com vitórias sobre o Zenit e Fiorentina, nos Quartos e Meias repectivamente.

O Villarreal já assegurou o último lugar de acesso às competições europeias e na Liga Europa caiu frente ao Sevilha nos Oitavos.
Ficam assim fora dos lugares europeus tanto o Athletic como o Málaga. O Athletic deverá ter o apuramento europeu assegurado devido à presença na Final da Taça. Este ano ficou em terceiro no seu grupo da Champions e acabou logo eliminados nos 16-avos da Liga Europa pelo Torino.

O lanterna vermelho do campeonato é o Córdoba. A equipa do nosso emprestado Bebé já está despromovida e vê os restantes clubes a pelo menos 11pts de distância.
O Eibar, o Granada, o Deportivo e o Almería estão na luta pela manutenção com só um ponto a distanciá-los.
O calendário não é favorável à equipa do Luis Martins e do nosso emprestado Candeias, já que o Granada irá receber o Atlético na última jornada, nem para o nosso “clube satélite”, o Deportivo, que irá a Camp Nou no fecho do campeonato. Dificilmente os nossos emprestados – Farina, Sidnei, Ivan Cavaleiro e Hélder Costa – conseguirão ajudar o clube do Riazor a manter-se na Primeira. Nas fileiras do Depor está também o lateral Luisinho.

O Celta de Vigo, onde brilha o Nolito, está num confortável 10ºlugar e na luta por se manter no top-10.

Com 42 golos, 9 de penalty, o Cristiano lidera a tabela dos melhores marcadores, seguido pelos 40 golos do Messi, 5 de penalty. O Neymar e o Griezmann são os que se seguem, com 22 golos cada um.
O Bale fecha o top-10 com 13 golos conseguidos.
No Clássico entre avançados o Suárez leva a dianteira com 16 golos marcados contra os 15 do Benzema. Já o Torres só leva 3 golos.
Quero destacar as 14 assistências do Suárez. O uruguaio só assiste menos que o Messi com 18 e do que o Cristiano com 15.

Um jogador que merece destaque é o Nolito. Tem para já 12 golos e 11 assistências pelo Celta de Vigo no campeonato.
O Tiago leva 5 golos e 4 assistências no Atlético e o A.Gomes e Rodrigo 4 e 3 golos, respectivamente, pelo Valência.
No Depor o Ivan Cavaleiro somou até agora 3 golos e 3 assistências.
Tanto o Bebé como o Candeias não conseguiram ainda marcar e levam uma assistência cada.

O futebol espanhol continua a confirmar a sua superioridade no Mundo do Futebol.
Nos últimos 10 anos foram 2 Campeonatos Europeus, 1 Campeonato do Mundo, 4 Liga dos Campeões e 5 Ligas Europa. A isto ainda se pode juntar este ano mais uma Liga dos Campeões e mais uma Liga Europa.


Em terras de sua majestade, no país do melhor que o Futebol tem para oferecer, o campeão é já o Chelsea e nesta altura já se disputa a penúltima jornada do campeonato.

Olho para a tabela classificativa e vejo o Chelsea com 34pts, 34vitórias, 34 empates e 34 derrotas. Ainda tentei arranjar uma explicação para isto mas quando o vi o QPR em último também com 34pts achei que alguma coisa haveria de estar a bater mal.
Tive de desistir quando vi que o Aguero leva 34 golos, tantos como o Nelson Oliveira, o Balotelli e o Varela (!!!!!).

Isto hoje não dá para mais. Inglaterra agora só depois dos desejados festejos do 34.

É ir a Guimarães e voltar para o Marquês se fizerem favor.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Depois da ressaca e ainda com os olhos em Turim

O jogo de ontem foi muito equilibrado e o Sevilha pelo que fez nos penalties mereceu a vitória.
Não se pode dizer que tenha sido um grande jogo de futebol. Foi sim um jogo típico de uma final. Momentos de desespero contrastados com momento de receio. Jogadas de perigo finalizadas pelo nervoso de um troféu na periferia do olhar.
Transitámos de momentos em que parecia nada se passar para momentos de jogo partido e correrias desenfreadas.
No final pagámos caro o preço de uma ansiedade que nos asseguraram ter ficado em Amesterdão. Durante 120 minutos toda a equipa ansiou e no fim foram Cardozo e Rodrigo que deram o nome a tal desinspiração miudinha.

Não concordo com as vozes que dizem que o Benfica foi superior e mais perigoso. Foi certamente mais rematador mas só isso.
Durante todo o jogo vi um Benfica muito partido e sem ideias enquanto o Sevilha, apesar de mais fraco, aparecia com maior sentido de jogo e consciente táctica e colectivamente.
A nossa equipa teve momentos de grande pressão, momentos em que sufocou o Sevilha na sua área, momentos em que podia e devia ter marcado. Mas não passou disso, momentos. Aconteceu na compensação da primeira parte, no arranque da segunda e nos últimos 10 minutos dos 90 e tal jogados.
Se durante praticamente todo o primeiro tempo vi um Sevilha a ganhar o meio-campo e com isso a conseguir construir melhor as jogadas que o nosso Benfica, entre os 50 e os 82 vi um Sevilha com menos mas melhor iniciativa, conseguindo criar vários momentos de ataque que ainda nos fizeram engolir em seco.
A equipa espanhola tinha os seus trunfos nas alas mas era no meio que estava o seu principal craque, o seu criador de jogo. Rakitic era a maior arma deste Sevilha e perdendo nós a luta no meio campo, demos imenso espaço para o craque croata dirigir o jogo sevilhano.

Nos penalties venceu a equipa mais confiante e concentrada.

Ficou um penalty sobre o Lima por assinalar. Todos os GKs avançam antes do tempo mas no penalty do Cardozo o Beto excedeu-se e o árbitro deveria ter mandado repetir.

Perdemos e houve erros e situações estranhas da nossa equipa. Contudo não é isso que fica. Os jogadores lutaram e o treinador tentou o melhor que conseguiu.
Saíram todos derrotados mas de cabeça levantada.
Os aspectos que destaco agora não são criticas mas sim desabafos, desabafos de quem gosta de discutir o jogo e não consegue passar uma vitória ou derrota sem o fazer.

Quando soube o 11 não tive nenhuma surpresa. Claro que talvez achasse mais natural a equipa jogar com o Almeida no lugar do Fejsa e o Amorim no lugar do Enzo mas não era por aqui que havia algo a apontar ao treinador.
A primeira situação que me deixou de pé atrás foi a resposta do JJ à lesão do Sulejmani. Não tenho dúvida que o mais lógico seria colocar o Cavaleiro e manter a identidade e colectivo da equipa. Outra opção poderia passar pelo Djuricic, colocado tanto deslocado para a linha como encostando o Rodrigo e colocando o sérvio entre a dupla do meio campo e o Lima. Jorge Jesus optou por colocar o A.Almeida. Achei arriscado, pois apesar de defender o 4-3-3 não me parecia ser o mais adequado para o final de uma época onde tanto se insistiu no 4-2-4 até finalmente se o aperfeiçoar. Contudo tendo em conta que estávamos a perder o meio-campo achei que poderia resultar. A verdade é que presenciámos uma típica invenção do JJ, desta vez colocando o Maxi a extremo e baralhando todas as rotinas de jogo da equipa. Aquela ala direita foi uma confusão.
Por fim, também não consegui ainda entender a substituição do Nico pelo Cavaleiro, já com o árbitro prestes a apitar para os penalties. Como prescindir para os penalties do nosso especialista de bolas paradas e jogador mais técnico do plantel em prol de um jovem da formação acabado de chegar ao plante principal e que foi escassamente utilizado toda a época?
O Cardozo voltou a jogar e voltou a claudicar. Só apareceu para falhar mais um penalty decisivo. A discussão sobre o Tacuara fica para outra altura.

Não é por estes aspectos que quero justificar a derrota de ontem. Longe disso. Não vou nem posso nem quero apontar o dedo a ninguém, a nenhum destes campeões.
É que por falar em campeões é sempre importante lembrar as restrições que tivemos com a ausência do Fejsa, Enzo, Salvio, Sílvio, Markovic e depois até do Sulejmani.

O Maxi foi um autêntico lutador, o Siqueira foi dos melhores, o A.Gomes ainda procura o seu espaço e jogo enquanto sénior e o Rodrigo foi dos que mais cedeu à pressão desta final.

Custou perder. Custou voltar a perder. Fica a dúvida se nos próximos anos voltaremos a ter estas hipóteses (até porque o meu desejo é ver o Benfica regularmente nos oitavos da Champions e não na Liga Europa).
Ansiava por disputar a Supertaça Europeia.

Que no Jamor conquistemos o triplete.


Por toda a terra portuguesa, se ouvem unidas numa voz, milhões de chamas bem acesas, cantando à vitória a tua história somos nós