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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Por ti, companheiro.

«Cada vez que as bancadas da Luz se agitam e gritam golo, gosto de pensar que, algures, o meu Pai continua a levantar os braços, a sorrir e a abraçar quem ao lado dele estiver a assistir ao jogo.», António Lobo Antunes


Eu vi o meu Pai chegar a casa duas vezes com os olhos em chamas. Queria trazer-me, das duas vezes, as orelhonas da Taça dos Clubes Campeões Europeus nas mãos. Levantá-las-íamos nas mãos, poríamos a cadela dentro delas e gritaríamos a plenos pulmões e fígados, gargantas e corações: "BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA!". 

Da primeira, prometi-lhe em silêncio, na noite do dia em que chegou, deitado sobre os meus 6 anos e benfiquismo em maturação, que vingaria aquele penálti fatídico do Veloso. Da segunda, dois anos depois, já não me ofusquei no mistério e disse-lho, sem rodeios: "hei-de ganhar uma Taça por ti, Pai" e ele a rir-se, olhos de ternura para o mundo, tão cheio, tão completo de amor.

23 anos depois, corri meio-mundo para pagar a promessa. 23 anos depois, estou aqui, Pai, com este bilhete na mão para te dever o que prometi. O resto deixo com o Benfica. Mal ou bem, já ninguém nos tira este momento.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Estugarda 88

Adeptos do Benfica no dia da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 88. O meu Pai trouxe-me, além da profunda tristeza, um galhardete igual a este que vou preservando à espera de o levar a uma nova final europeia. Um dia.