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quarta-feira, 10 de junho de 2020

Futebol Português - Retoma Foi Levantar a Tampa do Esgoto

O campeonato recomeçou há uma semana e antes do seu início já havia uma polémica - decisões quanto a subidas e descidas. Mas esta seria sempre uma polémica que tinha de acontecer. Esta aceita-se, é normal.

Mas o arranque do campeonato, que repito só começou há uma semana, trouxe-nos vários outros casos.

Desde a invenção que o presidente do Famalicão estaria na lista directiva do Pinto da Costa e que por isso o Famalicão ofereceria o jogo ao Porto. Não ofereceu, venceu e uma invenção é uma invenção.

A polémica com a arbitragem do jogo Famalicão - Porto. De penalties não assinalados que supostamente envergonhariam o futebol nacional pelo mundo a fora a penalties não assinalados totalmente ignorados. Isto claro, a depender da cor de quem fala. O campeonato arranca logo com fortes críticas e suspeições sobre a equipa de arbitragem.

A isso sucede-se o ataque a um autocarro de uma equipa que empatou o seu jogo. Sim. Os jogadores do Benfica obtiveram um mau resultado e por isso o autocarro em andamento foi atacado, dois jogadores foram hospitalizados e o clube viu-se obrigador a fortalecer a segurança dos atletas. Se a bola que foi ao poste tivesse entrado estava tudo bem e os rapazes das pedras estariam a lançar fogo de artificio. A juntar a isto ainda tivemos a vandalização da casa de jogadores.

Ainda se discutia isto e lá veio mais um caso, mais uma polémica. Uma investigação jornalística a expôr supostos actos ilegais ou imorais do Sport Lisboa e Benfica.  

E isso trouxe-nos várias acusações e exposições de coisas relacionados com o Futebol Clube do Porto. Aliás, nos últimos dias a minha caixa de correio electrónico parece que só recebe ataques ao Porto. Ataques vindos da própria comunicação do Benfica. Agradeço mas dispenso ser arrastado para esse lodo.

E atenção. Isto em uma semana! Depois de dois meses e meio sem futebol. Depois de uma quarentena forçado por um vírus que afectou o mundo inteiro. E isto é só aquilo que sei, é só aquilo a que fui exposto enquanto benfiquista. O pouco que tive atento às notícias e o contexto do meu facebook - sigo somente determinadas páginas e todas elas benfiquistas ou supostamente neutras.

Portanto se a isto juntarmos toda a treta que andará pelos lados dos azuis e brancos, dos verdes e brancos e de todos os outros clubes desta primeira liga... É este o esgoto que é o futebol português.

(Eu a escrever isto e o meu cão a mandar uma daquelas bufas caninas... não podia ter tido um timing mais perfeito)

A retoma do futebol nacional trouxe certamente uma multiplicidade de orgasmos pelos estúdios da CMTV. Mas o que é bom para esse canal não é bom para o Futebol. Porra, não é bom para o Desporto e nem sequer para o país.

Eu amo o meu clube, eu amo futebol. Sou desde sempre um louco por este desporto. Mas digo sem qualquer ponta de hesitação que se é para esta merda então que se suspenda o futebol português, que se limpe toda esta trampa, que se criem rigorosas medidas de protecção dos jogadores e do espectáculo e que só aí se retome a competição. E se o problema principal forem os três grandes então que se resolva esse problema.

É inaceitável que se continue a destruir um desporto, uma cultura, um belo fenômeno social, só para alguns lucrarem com os ódios alimentados.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Os Nossos Ferem-nos e os Outros Aproveitam-se


O que se está a passar no nosso Benfica é vergonhoso. Aliás, há anos que o é.

Esta pessoas que andam no futebol acham que nada lhes toca. Que o Futebol é um mundo à parte.

E até parece ser. Porque o cidadão João não é a mesma pessoa que o adepto João. A cidadã Maria não é a mesma pessoa que a adepta Maria.

No Futebol onde deveriam imperar os mais altos valores de desportivismo, respeito, solidariedade e camaradagem, neste mundo olhado e seguido por milhões e que devia ser um exemplo de comportamento para todas as crianças, é onde todos largam toda a educação e valores segundo os quais cresceram.

O que importa são as cores. As cores definem quem é o bom e quem é o mau. Não são os seus comportamentos. Não é a pessoa em si.
Se é da nossa cor é dos nossos. Se é dos nossos é dos bons. Se não é dos nossos é dos maus.


O futebol português é uma guerra de clubites onde os cidadãos se estragam, os clubes se arruínam, as pessoas se magoam e os dirigentes aparecem para recolher os espólios.

O sentimento de impunidade que existe nos clubes é alimentado pela existência de milhares de adeptos que vivem mais a guerra de clubes do que o desporto em si.

Os adeptos largam dos seus valores, da sua cidadania, dos valores que fundaram o clube, para darem a cara por um dirigente sobre quem nada sabem, para se sacrificarem por alguém que os usa como escudo em proveito próprio e que não se coíbe de lhes mentir, manipular e enganar.

O que se passa dentro do Benfica é vergonhoso, foi permitido e motivado pelos seus adeptos e assim o continuará a ser.

Porque ao adepto benfiquista importa mais o Porto e o Sporting do que o próprio Benfica. Tal como acontece em todos os outros clubes.


Somos gente que não percebe que quem faz mal ao nosso clube é quem lá anda dentro. Os nossos dirigentes ferem-nos e os nossos rivais desfrutam dessas feridas.

Vamos continuar todos a ser intoxicados pela comunicação oficial e oficiosa da Direcção do nosso clube? Vamos continuar a assobiar para o lado? A permitir que lesem o clube que amamos? A permitir que nos enganem?

O futebol irá melhorar quando os adeptos deixarem de estar de costas para o seu clube. Passamos tanto tempo a apontar o dedo e a olhar para os outros que não nos apercebemos que entretanto virámos as costas ao nosso amor.

Os benfiquistas têm de resolver o problema que têm em casa. Todos estes processos e suspeições têm de ser analisados, visados e valorizados pelos benfiquistas. Estamos a falar da nossa casa.

Os sportinguistas têm de lidar e enfrentar o que o antigo presidente deles lhes fez e o que o processo Cashball indicia.

Os portistas já há muito deveriam ter reconhecido o que se passou na altura do Apito Dourado e retirado consequências disso.

Mas todos, todos sem excepção, só se preocupam com a casa dos outros, bem manipulados pela comunicação criminosa dos seus dirigentes.

Hoje a Comunicação de um clube serve apenas um propósito: Alimentar os seus adeptos com mentiras para que estes travem as guerras dos dirigentes e ocultem o que de grave vai na sua casa.

Em todos os clubes os adeptos invocam ser Diferentes. Constantes frases do género “Se acontecesse no meu clube agiríamos de forma totalmente diferente”. Mas depois todos agem de forma igual. Todos.

O Ministério Público avançou com uma acusação gravíssima contra o nosso clube - o E-Toupeira.
Qual a reacção de muitos e muitos adeptos benfiquistas?

Uns falaram sobre o sorteio da Liga sem realmente estarem interessados em saber a verdade sobre o assunto.

Outros desataram a reproduzir algo que um candidato à presidência do Sporting disse. Reproduzir e deturpar.

Outros irão falar do penalty mal assinalado por falta do Yebda sobre o Lisandro.

Incomoda demasiado. Dói demasiado. Envergonha demasiado lidarmos com os nossos problemas. E tudo continuará esta merda. E o Benfica continuará sem ser defendido. E todos continuarão a ser iguais.

E não, não é verdade que tomos somos inocentes até prova em contrário.

Somos de um clube num país onde mais de metade da população veste a nossa camisola.
Temos uma Direcção que ao longo destes anos tem promovido as boas e próximas relações com várias pessoas e cargos de poder.
Temos um presidente que é o maior apoiante do presidente da Federação, tal como andou a segurar o guarda-chuva ao Oliveira.


E o que dizemos? Contra tudo e contra todos.

Os rivais estão contra nós.
Os restantes adversários estão contra nós.
A Liga está contra nós.
A Federação está contra nós.
A PJ está contra nós.
O Ministério Público está contra nós.
O Governo está contra nós.
Os Tribunais estão contra nós.
A Constituição está contra nós.
A Uefa está contra nós.
A FIFA está contra nós.
A UNICEF está contra nós.
Os Direitos Humanos estão contra nós.
O Vaticano está contra nós.

Está tudo contra nós.


“Contra tudo e todos” – Diz o adepto benfiquista e também o sportinguista e também o portista. Dizem todos.
Não somos diferentes. Pelo menos não o demonstramos.

Preocupemo-nos em cuidar da nossa casa, em curar as nossas ferias e em respeitar o nosso clube. Quando o fizermos os nossos rivais não terão sangue nosso para chafurdar.

Aí sim seremos superiores. Seremos melhores. Seremos novamente Gloriosos.

Esta acusação do MP envergonha qualquer ponta de benfiquismo.

No Benfica que eu sonhava enquanto criança não havia lugar a situações destas e muitos menos a tamanho desinteresse dos seus adeptos.


Eu enquanto aluno que fui, trabalhador que sou, cidadão deste país e do mundo, adepto e sócio deste clube que amo e pai que pretendo vir a ser, não posso nunca ser cúmplice deste tipo de trampa só porque é cometida por gente que se esconde por detrás das cores que eu envergo.

Não há cimento, não há vitórias e não há chavões que se sobreponham ao Sport Lisboa e Benfica.

E por aqui me fico.



domingo, 27 de agosto de 2017

No mundo dos neandertais

Calculo que estejam preocupados quanto baste com o plano desportivo do Benfica. Ou talvez sejam dos mais indulgentes e nada do que se está a passar mereça alarido. A mim, moderadamente pessimista, as minhas preocupações transportam-me ao que se passou este fim-de-semana em Paços de Ferreira.

Durante o intervalo do jogo que opôs Paços de Ferreira e Vitória de Guimarães, dois adeptos do Benfica, avô e neto, que se deslocaram com as cores e símbolos do seu clube à Mata Real para ver o jogo na bancada central, foram publicamente denunciados pelos adeptos vitorianos pelo "delito clubístico" e subsequentemente expulsos sob coacção verbal e física por parte dos adeptos pacences.

Pergunto-me se é este o futebol que queremos. Se queremos um futebol onde grunhos expulsam famílias. Onde a intimidação vence a ordem pública. Onde as forças de autoridade não actuam e as entidades responsáveis pela organização das provas não castigam. Onde a comunicação social não denuncia este tipo de atitudes (numa pesquisa rápida, apenas o MaisFutebol deu destaque a este triste episódio).

Se já é suficientemente selvático o que se verifica quando um adepto do Sporting ou Porto leva camisola ou cachecol do seu clube para a Luz (e o mesmo se aplica quando um adepto do Benfica leva símbolos do seu clube a Alvalade ou Dragão), é ainda mais incompreensível o que se passou ontem na Mata Real, com dois clubes com os quais o Benfica não tem qualquer rivalidade. Que as autoridades sejam céleres a multar e punir os infractores. Sob pena que os neandertais tomem conta das bancadas.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Doentio

Na antecâmara do derby, fora das quatro-linhas, faleceu uma pessoa vítima de atropelamento na sequência de uma rixa entre adeptos de Benfica e Sporting supostamente afectos a claques dos respectivos clubes. Penso que importa analisar este caso não só pelo facto de ter ocorrido um homicídio mas também pelo aproveitamento do mesmo que adeptos e dirigentes têm tentado tirar para branquear épocas de insucesso, desculpabilizar culpados e para demonstrar o que não são.

O falecido, que me custa catalogar como sendo adepto de futebol, era afecto à Fiorentina e com ligações às claques do Sporting. Ter-se-á deslocado a Portugal para "viver" o clássico juntamente com um grupo de adeptos organizados do Sporting (alguém sabe se iria sequer ao jogo?) à sua maneira. E é nesta estranha forma de vida que gostaria de reflectir um pouco: o que estariam os adeptos do Sporting a fazer naquele local, àquelas horas, na véspera de um derby? Não foram seguramente ver as vistas, passear com as famílias nem terminar faixas, coreografias ou estandartes. Estavam ali com um de dois propósitos: vandalizar murais e infraestruturas fora ou mesmo pertencentes ao complexo da Luz ou para uma rixa previamente combinada com adeptos afectados a claques do Benfica. Se foi a primeira, a inexorável precipitação de eventos é de lamentar mas não pode nem deve surpreender ninguém, pois este é o modus operandi de uma escumalha sem ocupação independentemente se serem vermelhos, verdes ou azuis; se foi a segunda, a lamentar só mesmo não ter havido mais estropiados, uma vez que estes indivíduos que se dizem adeptos de um clube não são mais do que adeptos de uma organização que, legal ou não, serve para encapotar um conjunto de práticas que não são, de todo, legais.

E é precisamente sobre a legalização das claques que me debruço. Pese embora não ter doutoramento na matéria, gostava que claqueiros, dirigentes desportivos e governantes me explicassem quais os benefícios práticos da legalização das claques. O futebol ficou pacificado? Diminuíram os crimes de elementos dessas mesmas associações? Que se saiba, não. Uma medida sem tradução prática e que na prática não serve para mais a não ser para os "ilegais" continuarem a cometer as suas ilegalidades e os "legais" perpetrarem as mesma práticas com a suprema lata de acusarem os "ilegais" de não estarem legalizados.

E quando estas acusações se estendem aos presidentes, pior o caso fica. De Bruno de Carvalho já não se espera nada de construtivo, positivo ou digno para o futebol português. As mais recentes declarações onde, de forma abjecta, tenta tirar proveito do falecimento de alguém para atacar uma instituição como o Benfica são a prova disso mesmo. Com a agravante do triste espectáculo da entrega da coroa de flores aos membros de uma claque organizada como forma de mostrar solidariedade para com a morte do italiano, para inglês (e câmara de televisão) ver, uma vez que a mesma coroa de flores seria depositada no lixo comum no dia seguinte. Por outro lado, a postura de Luís Filipe Vieira, por aí tão elogiada, merece vários reparos, a começar pelo proteccionismo que a direcção do Benfica continua a dar aos adeptos das claques no que à aquisição de bilhetes diz respeito, como se viu aliás para o jogo de Alvalade.

Já se sabe que a justiça, no futebol português, é um conceito muito arbitrário e que reflecte essencialmente o benefício do clube de cada adepto. A pacificação do futebol nacional é um mito e uma ilusão que se encontram muito longe de ser cumpridos. Com adeptos, dirigentes clubísticos e dos organismos reguladores do futebol nacional e com governantes como estes, diria mesmo que tal será impossível. São estes os responsáveis pelo estado doentio que se vive no futebol português.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O futebol em Portugal

Aproxima-se um jogo que pode ser decisivo na luta pelo título de campeão nacional. Nas duas semanas antecedentes, os dois clubes participantes, desunham-se em comunicados e newsletters. Uns contra a federação, outros contra o antijogo do último adversário. Mais do que querer ganhar, os departamentos de comunicação preparam uma eventual falha. Porque se perderem o título, a culpa será dos processos disciplinares ou do da demora nas reposições de bola, mas nunca, em momento algum, serão culpas próprias ou, muito menos, méritos alheios.

Chega o dia de jogo. Centenas de Polícias são mobilizados para o evento, durante horas e horas a fio. Há ruas cortadas, a mobilidade de pessoas e bens é fortemente condicionada, tudo porque, tomados pelo ódio semeado durante anos, as pessoas não sabem conviver com a diferença, esquecendo-se até que não existiam uns sem os outros. Os da casa não aceitam a visita do inimigo (sim, é assim que se tratam), os de fora querem destruir o território alheio. Há insulto, petardos, pedras, bolas de golfe, copos de urina. Tudo serve para enxovalhar e agredir o adepto rival.

O jogo acaba. O treinador visitante diz-se revoltado com a demora na entrada dos seus adeptos. Ainda não se sabe contra quem é a revolta, se contra quem lhe disse terem sido 40min, quando foram metade, se contra a empresa de aluguer de autocarros que não soube prever a avaria dos seus veículos e que originou o atraso. Pouco importa, o que importa é que a revolta existe.

No dia seguinte, um dos clubes vasculha as milhares de imagens do jogo e lá encontra uma falta antes do golo rival. O outro, apesar de presidente e treinador terem falado diferente, afinal lá encontra desagrado nos amarelos e no encontrão. Pelos vistos, uma arbitragem que até tinha sido boa, passa a reles para ambos.

Dois dias depois, talvez farto de ver gritaria sem ter o que dizer e sem ver o seu nome no meio, um terceiro clube decide pedir castigos para jogadores que, num jogo que não o seu, segundo eles, tiveram condutas improprias para com jogadores e treinadores que não os seus.

Pelo meio, parece que houve 90min de futebol com um golo para cada lado.

Em Portugal não gostamos de futebol. Podemos gostar do folclore, da polémica ou da estupidez, mas do jogo? Não gostamos não.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

"Liga aprova multas para comentadores televisivos"

Contra o Inácio, contra o Guerra, contra o Eduardo Barroso, contra o Gomes da Silva, contra o Guilherme Aguiar e tantos outros que semanalmente dizem disparates e põem em causa a dignidade de jogadores e árbitros. Contra quem não gosta de futebol. A favor da higiene futebolística. Pelo jogo.


terça-feira, 30 de junho de 2015

AGORA SIM, A VERDADE DESPORTIVA.



Sporting e Porto, juntos e unidos pela verdade desportiva, votaram a favor do sorteio dos árbitros - verdadeira barreira à corrupção que, como todos sabemos, funcionou maravilhosamente bem nas higiénicas décadas de 80 e 90. Pelo menos, muda-se a literatura das desculpas: de "colinho" passaremos à clássica "bolas frias, bolas quentes". O futebol português é um bêbado em loop, a entrar e a sair de dois tascos ranhosos.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sagres Fora de Contexto



O que dizer sobre mais esta polémica de palha?
Nesta discussão não vejo espaço para falar em decência. Isto nem é uma questão de Futebol mas sim Empresarial. A discussão possível é do foro da Gestão, de estratégia da Sagres.

A Sagres decidiu nesta sua parceria com a Liga aparecer com uma publicidade diferente. Quis ter impacto e acrescentar uma nova dinâmica na sua relação com o futebol português.

Pelo que se vai discutindo parece que a estratégia era ridicularizar o Sporting ou o Patrício. Alguém que pense mais de dois segundos nisto consegue mesmo acreditar nesta possibilidade?

A Sagres imaginou o que seria todas as jornadas fazer um vídeo caricato sobre um (ou mais) dos jogos realizados. A Sagres imaginou o que seria no final de Domingo ter os adeptos à espera de saber qual seria o vídeo que a marca ia lançar, sobre que jogo seria e como seria. A Sagres imaginou ter os adeptos de futebol também a ansiar pelo input da marca nas jornadas do campeonato português

Isto é uma imagem forte. É um marketing poderoso. A Sagres quis ter impacto.

Não vejo qualquer problema no vídeo. Não vejo qualquer problema na ideia. Não vejo qualquer problema na mensagem.

Um resumo em forma de caricatura de um jogo de futebol onde se foca na falha do Patrício e no tombo do Belenenses no último minuto tem sido divulgado como um simples ataque ao Patrício.

Não vejo porque discutir o conteúdo ou qualidade do vídeo mas sim a estratégia da Sagres. Terá sido devidamente analisado o contexto do futebol português? Terá sido bem analisado o timing de lançamento desta propaganda?

Em Portugal já se sabe que há pouco espaço para o que é diferente. Se apontam à nossa “dama” são recebidos à pedrada.
A ideia da Sagres foi boa mas estava praticamente condenada ao falhanço devido ao tipo de adeptos que há no futebol português. Estamos sempre em modo defensivo, em modo guerrilha. 

Mas além desta postura constante era também importante ter em atenção o momento que se vive entre o Benfica e o Sporting. Não era o timing ideal para lançar aquele vídeo. O Sporting de Corte-de-Relações/Sporting-de-Bruno-de-Carvalho não ajuda a possibilitar este tipo de iniciativas. 

A Sagres falhou. Falhou a analisar o futebol português e o momento do mesmo. 

Mesmo já estando previamente definida a data de lançamento, a comunicação da marca deveria ter optado por uma mudança de estratégia, por um adiamento deste.
 
Neste momento um vídeo daqueles sobre um empate do Sporting com o frango do Patrício era lançar lenha para uma fogueira que já está a arder faz algum tempo.
 

A Sagres não tem culpa das limitações do adepto de futebol. A Sagres tem culpa na sua análise de mercado.

Esta iniciativa merecia ter começado noutro jogo e bem distante das susceptibilidades leoninas.
A reacção ao vídeo foi a esperada, as virgens andam muito ofendidas e a Sagres tinha obrigação de estar preparada para isso. Ao retirar o vídeo mostrou não estar.


Quero só acrescentar que não vejo motivo para falar em hipocrisia evocando a questão Je Suis Charlie. A menos que alguém faça ameaças de terrorismo ou realize mesmo um atentado terrorista contra os escritórios da Sagres não há qualquer ligação entre os casos.
Liberdade de expressão não é só para falar mas também para responder.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Fernando Gomes indigna-se (ao de leve) com Pinto da Costa


«O FC Porto corre o risco de ser punido com derrota e, nesse cenário, será o Vitória de Setúbal a defrontar o Rio Ave, nas meias-finais da Taça da Liga.»


A ver se entendo: há um clube presidido por um senhor que, apanhado ao telefone com árbitros, empresários, superiores dos árbitros, magnatas da comunicação social, observadores de árbitros e tantos outros agentes desportivos, revelou corromper todo o sistema futebolístico português desde que há 30 anos se cansou de olhar para os sticks e se decidiu a ir mandar mocadas na verdade e ética desportivas.

Perante os FACTOS provados e comprovados que as escutas denunciam, a Justiça Portuguesa - por possuir essa extraordinária capacidade ilusória consubstanciada na fórmula: "eu vi, eu ouvi, eu sei, é verdade, é factual, não há dúvidas, mas não posso fazer nada porque é extremamente ilegal prender um suspeito que é comprovadamente culpado" - agiu em conformidade: retirou 6 pontos ao clube presidido pelo "suspeito comprovadamente culpado embora nada possamos fazer sobre o caso", num ano em que esse clube tinha uns pontos de que podia abDicar e ainda assim ser campeão - assim como quem diz a um pedófilo: "Olha, nós vamos dar-te um puxãozinho de orelhas, mas para a próxima já sabes: não comes o pequeno-almoço e, se te portares mesmo mesmo muito mal, ficas a tarde toda de castigo".

Ora, é a este tipo de país e Justiça que agora querem pedir uma eficaz resolução de uma ilegal utilização de jogadores por parte do clube do senhor que todos sabem ser corrupto dos pés à cabeça mas que diz coisas muito giras e finas e irónicas? Com sorte, e já estamos no imaginário surrealista, leva um telefonema mais agressivo por parte do outro senhor que passava facturas (mas que também não é culpado, muito menos corrupto, porque na escuta havia alguns problemas de som e a voz parecia, dizem, ser uma imitação da original), e que é hoje o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol (o que ser-se íntegro não vale!): "Ó Jorge Nuno, apre, só me dás chatices."

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O árbitro que melhora a visão para lá de Badajoz

«O melhor árbitro português da atualidade, Pedro Proença, está disponível para dirigir o primeiro clássico do ano, apesar do seu benfiquismo e das criticas de Luis Filipe Vieira.


Pedro Proença teve um ano em grande e tem as melhores expectativas para 2013. Um ano que irá começar com um Benfica - Porto a meio de Janeiro que pode começar a definir alguma coisa em termos de titulo. Pedro Proença é considerado o melhor árbitro portugues e um dos melhores do mundo na atualidade, tem a expectativa de ser nomeado para esse clássico do futebol português a 13 de janeiro. «Tenho essa expectativa e se não for o próximo isso acontecerá com toda a naturalidade».


Sobre as declarações de Luis Filipe Vieira, que chegou a pedir, após o Benfica-Porto, que Pedro Proença não dirigisse mais jogos dos encarnados, diz o árbitro internacional que «esse tipo de discurso já está gasto e não será assim que se dará um passo em frente no futebol nacional», na TSF
 
Se este rapaz for nomeado para o Benfica-Porto, deixo de ver futebol português até isto ficar limpo de vez. Até a falta de escrúpulos tem de ter um limite.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Futebol Português


Anos após ano, o Olhanense recusa-se a receber o Benfica no Estádio do Algarve, supostamente porque é "longe" de Olhão (15 Km) e portanto afastaria os seus sócios de ir ao jogo. Além disso, a equipa não jogaria em casa e isso daria vantagem ao Benfica. Como há muita procura de bilhetes, é normal ver bilhetes a 25 e 35 euros, pois precisam de fazer uma boa receita.

São argumentos válidos e visto que o Olhanense deve defender os seus direitos e não fazer o jeito ao Benfica compreende-se essa tomada de decisão.

No dia 1 de Setembro de 2012 o Olhanense-Porto vai ser naturalmente disputado no Estádio José Arcanjo. 
Ou não ? Afinal de contas, parece que vai ser disputado no Estádio Algarve. Afinal de contas, parece que o Olhanense vai efectuar um serviço de transfer do José Arcanjo para o Estádio Algarve. Afinal parece que o bilhete para não sócios vai ser a 15 euros para homens e 10 euros para senhoras e jovens até aos 16 anos.

Este é o futebol português no seu melhor.

As pessoas acham que têm soluções para tornar a competição mais justa, eu inclusivamente estava a pensar fazer um post neste sentido abordando alguns aspectos que normalmente não são considerados. O grande problema do futebol português está nas pessoas e enquanto não houver uma limpeza a sério, dificilmente a competição deixará de estar enviesada.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A cartilha dos adoradores do cacique beato

O futebol português mete-me nojo. De entre a escumalha dirigente, passando por treinadores e atletas e acabando na profusa fábrica de jornalistas imbecis e comentadores vendidos a um sistema porcalhão, poucos são os que se aproveitam - e mesmo esses, quando são descobertos, das duas uma: ou desaparecem do mapa do futebol lusitano ou entregam-se aos mesmos exercícios masturbatórios que antes criticavam. É a sobrevivência primária no húmus putrefacto que é este deprimente futebolzinho.

Para aferir da qualidade de um povo, nada como identificar o modelo pelo qual ele se rege e para o qual contribui com vénias, altos louvores e humilhantes mamadas por debaixo das mesas da burocracia. Ora, no caso desta gentalha que polui os ares do futebol português, o exemplo não podia ser mais claro da portuguezinha e decadente condição: um beato corrupto, com um ódio de estimação que vem de um trauma profundo de ter vergonha das próprias origens. O português tem historial no gosto por beatos malvados, mas desta vez excedeu-se, metamorfoseando a ideia política na ideia desportiva para criar esta espécie ainda a necessitar de um estudo mais complexo e detalhado mas que, em linhas gerais, se resume a isto: Pinto da Costa é uma mistura de tudo o que é mau no povo lusitano - corrupto, padreco, mentiroso, burlão, caloteiro, labrego e profundamente inspirado por um sentimento de menoridade em relação aos outros (no caso, o Benfica). É este verdadeiro exemplo de tudo o que há de mau no homem lusitano que serve como farol a 90 por cento dos agentes do futebol em Portugal. Espanta que o mesmo futebol esteja pelas ruas da decadência e da sujeira, quando se idolatram heróis desta imunda estirpe?
 
Não espanta. Como não espanta observar a cartilha pela qual se regem os treinadores, jogadores e dirigentes das equipas adversárias do Benfica. 

Primeiro mandamento: entrar em campo como se fosse o último jogo das suas vidas - espumar da boca, ir a todas as bolas como se dela dependesse a vida dos filhos, pressionar o árbitro, simular lesões, fingir agressões adversárias, morrer em campo, se for preciso. Alguém consegue, em consciência, dizer que os adversários do Benfica entram da mesma forma nos jogos com que entram contra Sporting e, especialmente, Porto? Só se for muito cego. Ou então amante de algum cacique beato que por aí ande a pagar jantares a putas brasileiras, enquanto estas lhe vão aparando os peidinhos com o esguio fumo de cigarros finos e delicados. O Vitória ontem só não acabou o jogo com 8 ou 9 bolas no saco porque teve sorte, tal foi o desgaste até ao intervalo. A expulsão (justíssima, mas só para alguns, pelos vistos) veio acentuar as línguas de fora mas era demasiado evidente que a equipa, após aquela primeira parte de cães raivosos, estava de rastos. 

Segundo mandamento: independentemente da actuação do árbitro, no jogo frente ao Benfica dizer sempre que houve prejuízo claro. A cartilha aqui sofreu nos últimos anos uma mudança nas alíneas: antes, as equipas só reclamavam quando tinha havido uma arbitragem sem casos. Agora passaram a reclamar também nos jogos em que saem beneficiadas. Não interessa a verdade, interessa fazer barulho e contribuir para futuros erros (mais ainda) contra o Benfica, para no fim o dono dar uma bolachinha, que é como quem diz: oferecer um Olhanense, uma Académica, um Braga, um Leiria para ir treinando e brincando aos treinadores de futebol ou aos jogadores emprestados. Nesta cartilha, está também o exemplo contrário, como é óbvio: nos jogos frente ao Porto, por mais que a arbitragem seja vergonhosa e prejudicial às equipas B, no fim está tudo muito bem, o treinador vem dizer que o Porto é uma excelente equipa e que nada podia ter feito contra a supremacia adversária - eles, que normalmente experimentam novos conceitos tácticos nestes jogos ou retiram 6 ou 7 titulares para experimentações de âmbito - como dizer? - exploratório, por coincidência sempre contra a mesma equipa. Por coincidência, naturalmente.

Terceiro mandamento: o verdadeiro comentador de futebol deve ser aquele que constantemente vê nos jogos do Benfica uma arbitragem favorável aos de vermelho. Mesmo que o que se passe em campo seja o contrário - o que é bem mais habitual. Ontem tivemos mais um excelente exemplo de como se comenta em Portugal: uma suposta falta de Maxi Pereira fora da área foi discutida durante uma hora como um penálti que terá ficado por marcar. Já Javi Garcia, que faz um gesto obtuso mas sem qualquer tipo de violência ou agressividade dignas de uma expulsão, parece que conseguiu o feito extraordinário de cotovelar ao mesmo tempo que dava cabeçadas. Isto a julgar pelas palavras do parvalhão de serviço, enquanto se falava também num possível penálti, se o árbitro tivesse querido - que a bola estava parada é apenas um pormenor sem importância nenhuma. Mas há mais: os bons jornalistas/comentadores ou, vá, os assim-assim, também começam a cair no caldeirão da poção mágica da Madalena, na esperança de não serem definitivamente postos na prateleira e enterrados vivos. É assim que funciona: exacerbar os feitos do Porto dá lugares na rádio, televisão e jornais. Se a isso vier agregado um anti-benfiquismo primário, é caso para termos uma reaparição de gente repescada do fundilho das memórias. Ontem foi Ribeiro Cristóvão, sportinguista pelo qual sempre tive o maior dos apreços mas que parece estar a passar por uma crise profunda - seja económica, seja ideológica. Claro que há também o facto de o Sporting este ano estar um bocadinho mais forte, o que gera logo no sportinguista (mesmo no mais lúcido) aquele gritinho histérico a querer sair, aquele anti-benfiquismo rasteirinho pronto a dançar pela língua e Cristóvão não se conteve: não só não era penálti sobre o Nolito como ainda o rapaz devia ter sido expulso! Ah Ribeiro, Ribeiro, a fominha é muita. 


É neste lodo que o Benfica tenta dançar sem escorregar muito. Não lhe basta ser melhor, tem de ser MUITO melhor para poder ganhar em Portugal. E, mesmo quando é claramente superior aos adversários, como há dois anos, tem de penar até ao fim para garantir o título. Outros beneficiam de jornadas iniciais em que os adversários são afastados por arbitragens vergonhosas para chegarem a Janeiro tranquilos - é a chamada organização competente. Mas este ano vão ter de levar connosco. E só serão campeões se mais uma vez puxarem dos galões e mostrarem ao mundo os corruptos que são. Vai ter de ser aos olhos de todos e de forma escandalosa. Caso contrário, vão ouvir dizer lá para Abril: ontem vi-te no Marquês de Pombal.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Para definitivamente terminar o assunto Sporting (e depois deixá-lo em rezas na Madalena)

Tenho assistido às manobras da Direcção do Sporting com um misto de regozijo e preocupação.

Regozijo porque, enfim, há muito que este grande clube deixou de verdadeiramente sê-lo para dar lugar a uma agremiação que apenas fomenta o anti-desportivismo, mais especificamente: o anti-benfiquismo. Nesta sua cruzada ideológica, dá-se ao ridículo de todas as formas possíveis, na esperança de que alguém lhe dê a mão e lhe ampare as dores de uma inveja e uma sobranceria que são, as duas, prejudiciais à manutenção do próprio estatuto de grandeza que ainda acredita ter. 

O Sporting Clube de Portugal - clube de glórias, valores éticos, grandeza, desportivismo, ecletismo, dimensão europeia - há muito que acabou. Hoje o que há é esta pobre e patética coisa: um clube que, de tanto odiar outro, se torna patético e não tem vergonha de fazer figuras tristes. Na linha de Jorge Gonçalves, Sousa Cintra, Santana Lopes, Soares Franco e Bettencourt, Godinho Lopes continua a sua epopeia da palhaçada, destruindo o próprio clube e envergonhando quem ainda, sendo sportinguista, resiste a tanta estultícia junta. Os outros, os que baixam a cabeça e dizem que "sim" a tudo - desde que o "sim" seja dizer mal do Benfica -, merecem o clube que têm. Um clube gerido por pobres de espírito para pobres de espírito. E rimos, rimos muito. Eu sempre gostei de fantoches.

 

Por outro lado, preocupo-me. Com tudo isto. Com o futebol português. Com a dimensão da farsa que isto tudo significa. Seja por corrupção e ódio (Porto), seja por imitação aos corruptos e ódio (Sporting e Braga), a verdade é que os dirigentes destes clubes sentem que a melhor estratégia para chegar ao sucesso passa por aniquilar o Benfica. Um, por saber o que faz, ganha mesmo. Outros, não ganham nada e mancham de forma indelével o nome e a honra dos próprios clubes. O que é óbvio, e sempre o foi, é que a desavença entre Benfica e Sporting favorece sempre o mesmo, e não é nenhum destes. 

Fica a pergunta: o Sporting entra nestas palhaçadas exactamente por saber que, no fim, ganha o mesmo - cumprindo a sua já histórica condição de submisso do sistema - ou acredita verdadeiramente que o alvo a abater é o Benfica? Qualquer que seja a resposta, deixa-nos perante uma certeza: há gente muito estúpida. 




Pssssst, não vás já ver pornografia, que eu ainda tenho uma coisa a dizer: a forma como, pelo estádio, se espalhavam sportinguistas é que é o desporto, é que é bonito em futebol. Na Luz, um sportinguista pode entrar no Estádio e ir para perto dos sócios e adeptos do Benfica e não lhe acontecer nada. Em Alvalade, pode-se? Farei o teste daqui a uns meses. Se nunca mais virem textos meus aqui, têm a vossa resposta.