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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Aos Chutões para o Tetra?

Isto é muito pouco. Muito pouco mesmo.

Antes de mais vou deixar aqui claro: acredito no tetra a 100%.
Ganhando ontem não acho que o Tetra nos possa escape. Faltam 6 jogos, o Porto não ganha todos e depois do Clássico na Luz acredito que podemos sair por cima em Alvalade.
Em Junho o Rui Vitória será Bicampeão nacional.

Mas estamos a jogar muito muito pouco. Estamos a colocar-nos a jeito. Assim qualquer jogo vai ser vivido com o coração nas mãos. Falta Futebol a este Benfica.

O Rui Vitória é aquele treinador que uma pessoa quer gostar. Queremos que ele seja bom, queremos vê-lo festejar com os adeptos, queremos idolatrá-lo. Mas a nossa vontade não nos tolda a visão e são os nossos olhos que nos trazem o desgosto de ver o pouco treinador que o ele é.

Falta muito treino a este Benfica. Brincar com os pinos e educar os alunos é para os professores de educação física. Treinadores têm de transmitir muito mais Futebol, treinar muito mais Futebol.

Há bons treinadores que nunca respeitarei. Há treinadores medianos que terão sempre todo o meu respeito. O Rui Vitória é o segundo exemplo.

Ontem vencemos um jogo no qual não jogámos nada. Ignorando as questões de arbitragem, ontem, mais uma vez, só ganhámos porque temos muito melhores jogadores que o adversário. Melhores jogadores e um estádio todo a puxar por nós.

O Benfica viveu dos rasgos do Semedo, da concentração do Luisão e de muitos pontapés para a frente.
O ataque todo desligado, meio-campo inexistente, a defesa sempre em apuros, o Jonas, o Grimaldo e Fejsa longe da melhor condição física e um Salvio que continua com o seu lugar cativo a queimar outros talentos.

Não acredito que o tetra nos escape mas vamos ter os nossos sustos.
Em Junho Rui Vitória será Bicampeão nacional mas continuará a não ser treinador para este voos. 

Talvez eu seja somente um eterno descontente.

Antes defendia que tínhamos treinador de clube grande mas não para um Benfica de valores, europeu e formador – o Benfica que eu idealizo.
Agora acredito que temos um treinador que simplesmente não é de clube grande.

Muito fraco o nosso jogo em Moreira de Cónegos.

E infelizmente o Rui Vitória fica apresentado quando no banco só vai gritando para o Ederson e para os defesas “chuta, chuta, chuta”.



Que chegue logo o jogo com o Marítimo para termos oportunidade de limpar esta triste imagem futebolística que temos andado a pintar.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Estamos na Final!

Parece mentira mas é verdade. Mesmo não parecendo verdade, mentira é que não é.

Não sei o que este Europeu me está a fazer mas já não digo coisa com coisa. Parece que já não percebo nada disto, que já não sei nada ou que só sei que nada sei ou até que não sei o que sei.

Bem o que importa é que…

Estamos na Final porra!

A excitação de estar na Final do Euro só fica ligeiramente anestesiada pela falta de entusiasmo do caminho até aqui. Nem parece que isto está mesmo a acontecer.

Ontem foi o melhor jogo de Portugal. Sem brilhantismo e sem grande criatividade conseguimos ser muito competentes e ter sempre o jogo controlado.
Sem Ramsey o País de Gales não passa de uma equipa muito mediana. Incapaz de ter bola e totalmente dependente de rasgos de força e da meia-distância do Bale.
Soubemos controlar a profundidade, soubemos ter bola e soubemos ser pacientes. O Adrien foi o nosso melhor médio e o Cristiano fez o seu melhor jogo deste Euro.

Não podemos voltar a cair no erro de prender o Cristiano entre os centrais.
Tanto com a Polónia como ontem já vimos um Cristiano mais solto em campo. Ele tem de participar na construção do jogo e precisa de terreno para arrancar. Prendê-lo entre os centrais é desperdiçar um excelente jogador e facilitar a vida dos defesas.

Portugal joga poucochinho mas compensa em atitude e vontade. Isto tem chegado para ir passando sem vencer qualquer jogo e contra adversários acessíveis. Ontem foi a nossa primeira vitória e o nosso melhor jogo. Contudo este País de Gales, a par da Áustria, foi o adversário mais fraco que apanhámos.

Isto está a ser um pouco a imagem do Fernando Santos, focado na ideia que dificilmente alguém nos ganha e não na ideia que dificilmente não venceremos seja quem for. O Seleccionador Nacional tem mostrado excelência em todos os momentos e responsabilidade do cargo que ocupa menos em um: o futebol jogado. Tem 2 anos para melhorar nesse aspecto.

É como já disse. A excitação de estar na Final é imensa mas parece um pouco anestesiada pela falta de entusiasmo do todo o percurso, tanto pelos adversários como pelas exibições.

Só nos Oitavos apanhámos uma boa selecção e com grandes jogadores. Eliminar a Croácia é digno de registo mas nunca será digno de grande entusiasmo. É uma selecção ambiciosa, com potencial mas longe da primeira linha dos favoritos.
Eliminar uma Croácia com um golo em contra-ataque aos 117 minutos numa altura em que nos estavam a sufocar, uma Croácia que foi superior a nós durante os 120 minutos num jogo em que homenageámos a Carris, foi o melhor que conseguimos neste Europeu.

Sobre o jogo só mais uma coisa:

“Oh Fernando por favor, Bruno Alves em vez do Ricardo Carvalho? Nunca mais me faças uma coisa dessas”.

A Final será um jogo diferente e por isso faço já o ponto de situação e dou já os parabéns.

Parabéns a todos, principalmente ao Fernando Santos e ao Cristiano Ronaldo.

Parabéns pela união do grupo, parabéns pelo comportamento com os adeptos, parabéns pelo esforço, pelo trabalho e pelo desportivismo em campo.

Parabéns ao Cristiano pela humildade. No final da fase de grupos houve ali um momento no qual ele mudou de postura. Agora temos visto um Cristiano muito mais capitão do que em toda a sua carreira na Selecção. Colocou o vedetismo de lado e está a dar-se mais ao grupo, tanto a jogar como a liderar. Nunca deixará de ser arrogante mas tem humildade para reconhecer o erro e mudar a postura.

Parabéns ao Fernando Santos pela sua liderança, pelo seu discurso, pela sua crença, pela sua vontade, pela sua educação, pela sua comunicação e pelo respeito que tem sempre mostrado pelos rivais e principalmente pela nossa bandeira.

Ser seleccionador é muito diferente de ser treinador. O Fernando Santos tem tudo para ser o Del Bosque Português.

Sou um daqueles que no arranque do Euro estava confiante que este ano iríamos lutar olhos nos olhos com os maiores pela Final e pela vitória final.
Estamos na Final mas reconheço que a nossa Selecção me desiludiu muito. Esperava muito melhor. Não gosto nadinha do que temos feito em campo.
Mas há expectativas que não saíram defraudadas. Adoro o ambiente que agora se vive na Selecção e adoro estar na Final.

Agora é fazer de tudo para sermos campeões. Não somos favoritos e um futebol defensivo, à imagem do que temos praticado, fará agora algum sentido.

As criticas e tudo o que de menos bom há a dizer deve ser deixado para depois, para a preparação do próximo Mundial.

O nosso futebol é este, a nossa coesão é esta e a nossa vontade é esta. Agora é assim que temos de vencer o último jogo deste Euro.

Vamos Portugal!
 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A Pobreza de Trabalho Esgota Qualquer Tempo



A 11 de Junho, num texto ao qual chamei “Paciência Para Vitória”, escrevi o seguinte:

Paciência e tempo. São dois conceitos essenciais para o trabalho de Rui Vitória no Benfica.
Mais do que se analisar estatísticas teremos de observar o trabalho desenvolvido.
O normal é um treinador só ao segundo ano ter montada uma equipa à sua imagem e estar preparado para vencer tudo. Com Jorge Jesus foi um pouco ao contrário. Primeiro ano de empolgação, segundo ano de desastre e só dois anos depois se colheram os frutos do seu trabalho.
O Rui Vitória terá a pressão e obrigação de chegar ao Tri. Nós temos a obrigação de não dificultar o trabalho ao treinador, ou pelo menos de evitar injustiças.



Ontem, 15 de Dezembro, publiquei o texto “Olhar o Benfica”, no qual escrevi isto:

A Supertaça e a Taça já foram, temo uma contagem de 4 derrotas nos 4 jogos com os rivais e estamos também a 8pts da liderança.
O mínimo exigível é que hoje se fique a 5, que se elimine o Zenit e que sejamos Tricampeões.
Que hoje se junte à vitória uma boa exibição e maior evolução. Só assim o Rui Vitória recupera margem de manobra.
Quero muito poder voltar a dar-lhe o benefício da dúvida
.



Pois bem,

A paciência esgotou-se. A margem de manobra não foi conquistada. O benefício da dúvida evaporou-se.
Como eu disse, mais do que analisar estatísticas temos de analisar o trabalho desenvolvido. A estatística pontual é o que é. A estatística de resultados é o que é. O trabalho realizado é o que arrasa qualquer boa vontade.

O tempo passou e o futebol continua fraco.
O tempo passou e as ideias continuam básicas, escassas e aos trambolhões.

É um problema perder com o Sporting? É um problema perder com o Arouca? É um problema perder com o Porto? É problema perder com o Galatasaray? É um problema perder outra vez com o Sporting? É um problema perder mais uma vez com o Sporting? É um problema empatar com o Astana? É um problema perder com o Atlético? É um problema empatar com o União?
 
É.

Mas maior é aquele problema que se vê tanto nas derrotas como nos empates como nas vitórias. Pior é este problema com que somos constantemente confrontados quando vemos a nossa equipa jogar.

Por mais água que o treinador beba, é preciso muito mais para a equipa começar a jogar.