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domingo, 26 de julho de 2020

Candidatura de João Noronha Lopes

Foi a última candidatura a ser apresentada para as próximas eleições. E parece ser a candidatura que mais está a mexer com o apoio dos benfiquistas. 

João Noronha Lopes apresenta-se a eleições com mais vantagens que qualquer outro dos opositores à actual Direcção. 

Ainda é cedo para fazer uma apreciação mais definitiva mas por agora ressalvo as características desta candidatura que a favorecem no contexto actual: 

- Vice-presidente da Direcção de Manuel Vilarinho 

- Vários apoios mediáticos 

- Sem ligações ao actual dirigismo 

- Abordagem benfiquista e apelo ao benfiquismo 

- Experiência profissional 

- Inteligência do discurso 

- Controlo emocional 

- Insistência na vertente desportiva do clube 

- Destaque à necessidade de Credibilidade e Transparência 

- Ambição europeia 

- Abordagem à questão estatutária 

- (Re)Conhecimento de várias preocupações existentes no seio do benfiquismo 


A Candidatura de Noronha Lopes tem como primeiro grande mérito o vir afastar o fantasma Vale e Azevedo da narrativa da actual Direcção. O fantasma Vale e Azevedo, as pedras da calçada, o papel da impressora, o papel higiénico, etc, etc e etc. 

Noronha Lopes foi vice-presidente de Manuel Vilarinho. Foi Manuel Vilarinho que derrotou o Vale e Azevedo, foi a Direcção de Vilarinho que pegou no clube super-endividado, sem posse sequer sobre as pedras da calçada. Portanto Noronha Lopes é um nome mais presente e relevante nesse primeiro momento pós-Vale e Azevedo que o próprio Luís Filipe Vieira. 

Outro dos principais méritos desta candidatura é o de conseguir cativar o apoio de várias figuras públicas reconhecidamente benfiquistas. Apesar de tudo o que o que LFV fez ao longo destes anos para criar uma unanimidade pública à sua volta, a verdade é que Noronha Lopes tem conseguido apoios importantes, apoios de benfiquistas que têm voz nos meios de comunicação, que têm fãs e seguidores, apoio de personalidades que têm a sua opinião respeitada e admirada por milhares e milhares de benfiquistas. Vasco Mendonça com o Azar do Kralj e o programa Dia Seguinte, o Ricardo Araújo Pereira com os seus artigos na Visão, o programa Isto é Gozar com Quem Trabalha e o Governo Sombra e o Pedro Adão e Silva que é cronista do Expresso e comentador na SportTv. Além destes surge também por exemplo Pedro Ribeiro com a sua voz nas manhãs da Rádio Comercial e até muito recentemente no programa Mais Futebol. Entre outros que já se juntaram ou ainda se juntarão a esta candidatura. 

O mito dos paraquedistas também cai por terra com esta candidatura. Noronha Lopes tem um currículo rico, uma experiência profissional vasta e com reconhecidos méritos. As suas competências de gestão e liderança estão à vista. Não será certamente visto como um abutre ou um aventureiro. 

Por fim, na sua primeira aparição e no seu manifesto mostra um discurso cuidado, estudado e inteligente. Não ataca a Direcção de LFV à descarada, o que lhe causaria vários atritos entre muitos benfiquistas. Não. O que ele faz é tocar em muitos dos pontos negativos da actual Direcção. Fala neles e reconhecendo a sua existência, joga-os na praça pública onde os próprios benfiquistas os irão considerar e criticar. Oposição inteligente.  

Puxa pela emoção na hora de falar do sentimento benfiquista, dos feitos do passado e das ambições para o futuro, mas puxa pela racionalidade, pela ponderação, no momento de falar sobre os pecados de Luís Filipe Vieira. Com esta inteligência emocional, se a conseguir manter até ao dia das eleições, será também no debate a principal e mais séria oposição a Vieira.  

Há vários outros tópicos do seu discurso que merecem ressalva: 

- A sua posição sobre Jorge Jesus foi dos pontos mais altos. Noronha Lopes traz o seu benfiquismo à cadeira da presidência e aceita Jorge Jesus exigindo-lhe explicações. Vamos ser sinceros, com todo o lixo mediático no pós-saída do JJ do Benfica, uma palavrinha do treinador aos sócios sobre aquele momento seria muito bem vinda e possivelmente acabaria com grande parte do atrito que para já vai encontrar entre os adeptos do Sport Lisboa e Benfica.  

- Destaca a vertente desportiva como o principal foco do clube. Isto é algo que tem sido ignorado pela actual Direcção e que muito tem incomodado os benfiquistas. E na verdade é um ataque ao Benfica Negócio, ao Benfica Empresarial. O Benfica que Vieira tem criado e que tanto por aqui tem sido criticado. O foco do Benfica deverá ser conquistas desportivas e não dar lucros. O Benfica não deverá distribuir dividendos financeiros mas sim investi-los na sua actividade. O Benfica existe para competir e ganhar e não para criar fontes de receitas e alimentar todos e os mais variados negócios. 

- A abordagem ao Benfica Europeu é também mais um mix de ataque à actual Direcção e de partilha da preocupação de todos os benfiquistas. 

Algo muito positivo é não apontar a títulos europeus, até porque hoje em dia não é isso que está em causa. O Benfica Europeu não é o Benfica campeão europeu. O Benfica Europeu é o Benfica presente e com relevância na Europa do futebol. Vieira aponta à conquista da Champions mas nem consegue criar condições para um Benfica de Top-8 nesta competição.  

- Transparência e Credibilidade são dois chavões que qualquer candidato, qualquer presidente, de qualquer clube, partido político ou associação de estudantes, fala. Aqui a questão é o timing. A sua importância é intemporal mas neste momento torna-se crucial. O contexto é tudo e o contexto judicial que a Direcção de Vieira está envolvida e tem envolvido o clube é um verdadeiro escândalo à história e valores do nosso clube.  

- A questão estatutária é outro ponto muito interessante. Pode parecer uma questão menor para quem vê de fora mas para quem vive o dia a dia do clube por dentro sabe a sua relevância. As alterações estatutárias que Vieira protagonizou de forma a se eternizar no cargo são um atropelo à democracia do clube. A revisão estatutária é urgente. E Noronha Lopes, nome por quase todos desconhecido, aparece claramente conhecedor das inquietações mais profundas do benfiquismo. Portanto uma candidatura que se relaciona com as preocupações mais privadas dos benfiquistas. 

Destaco também a inteligência desta candidatura com a insistência no Agora. Isto é um claro apelo a todos os benfiquistas que se sentem obrigados a votar em Vieira por gratidão. É uma forma de criar um fim de ciclo a essa gratidão, a esse reconhecimento generalizado do trabalho da Direcção de Luís Filipe Vieira. É um dizer "Ok eles fizeram a parte deles mas agora é altura de dar um passo em frente, de começar um novo capítulo". 

Até à data tínhamos uma candidatura de alguém parte da estrutura de Luís Filipe Vieira que recentemente decidiu abrir guerra ao seu "antigo" ídolo. Tínhamos uma candidatura de Facebook, de piadas, de ideias copiadas e focada nos amigos e bajuladores da caixa de comentários, um candidato ao sabor do vento das redes sociais. E tínhamos uma candidatura por agora ainda sem qualquer relevo, de adeptos que ainda não se chegaram realmente à frente (aguardam o término da época). 

Se até ao momento via a actual Direcção a ter o seu primeiro incómodo em todo o seu reinado perante a agressividade da candidatura de Rui Gomes da Silva, com a candidatura de Noronha Lopes já acredito na possibilidade de termos umas eleições bem mais competitivas e capazes de colocar em risco o conforto da cadeira do actual presidente. 

A candidatura de Noronha Lopes faz um apelo ao romantismo das antigas glórias do Benfica, do Benfica do Ontem, um Benfica do antes de Vale e Azevedo e Luís Filipe Vieira, com projecção para o Agora. O recomeçar, o retomar Agora a paixão do benfiquismo de Ontem. 

                            Imagem relacionada

Contudo, ainda é cedo. Muito cedo. Por isso digo-vos que hoje sei em quem não vou votar. Hoje tenho o voto branco como garantido. Hoje ainda aguardo por mais desenvolvimentos para poder dar cor ao meu voto. Mas hoje estou mais feliz, mais realizado, com as novas possibilidades que vão surgindo.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Rui Gomes da Silva – O candidato



Com as recentes exibições, resultados e consequente distanciar do primeiro lugar da liga, são muitos os que agora berram o que por aqui já se tinha afirmado e referido como problemas, quer da equipa, quer do clube.

O mais recente e, reconheça-se, mais relevante a fazê-lo foi Rui Gomes da Silva num texto publicado no “Novo Geração Benfica”. Nesse post o, doravante designado, Sr. Candidato veio a terreiro levantar uma serie de questões pertinentes, mas feridas de credibilidade, à imagem do mensageiro.

O Sr. Candidato apressou-se a colocar em causa Rui Costa e, de forma bem directa, a afirmar que o ex-camisola 10 está “encostado” ao clube, deixando no ar a ideia clara de que o maestro vive, em linguagem corrente, do “tacho” que o Benfica lhe dá, já que aparenta ser mestre em colar-se às vitórias e desresponsabilizar-se nas derrotas.

Não fosse o Sr. Candidato um ex-vice-presidente da actual direcção e esta questão teria todo sentido, o problema é que o Sr. Candidato é ex-vice-presidente. O problema é que muitas das questões que o Sr. Candidato agora se lembrou de levantar publicamente já existiam aquando da vigência da sua vice-presidência; O problema é que o Sr. Candidato que acusa Rui Costa de “tachista”, nunca demonstrou ser discordante com a política da actual direcção enquanto fez parte dela, deixando-se estar até ser empurrado da lista candidata às últimas eleições; O problema é que o Sr. Candidato também já demonstrou ser perito a recolher méritos, quando no primeiro título de Rui Vitória, quando a coisa corria mal, afirmou, no programa onde faz comentário semanal, que a “estrutura se tinha aburguesado” e em Maio veio, subliminarmente, apontar esse momento como um dos momentos-chave da época – como se uma equipa ganhasse ou perdesse por causa de umas banalidades boçais que um engravatado decide dizer na tv.

Estou longe, muito longe, de ser um defensor de Vieira e, pior, da pandilha de engravatados incompetentes (no mínimo) que o rodeia, mas o que o Sr. Candidato não pode dizer é que nunca fez parte das decisões que agora se mostram erradas. Porque se não concordava com elas, só tinha uma decisão a tomar: Demitir-se como fez, e bem, o mesmo Nuno Gomes que o Sr. Candidato tanto elogia, mas que não imitou.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Anti-Vieira ou pró-Benfica?



Num país que vive tudo entre o tudo e o nada é normal que, nas ânsias de destruir a opinião alheia, se coloquem as pessoas todas em gavetas - e essas, neste país,  geralmente são só duas: de Esquerda ou de Direita, do Benfica ou do Sporting, capitalista ou comunista, branco ou preto, patriota ou libertário, a favor do Carlos Cruz ou contra o Carlos Cruz, socrático ou sorumbático. Naquilo que interessa a este texto: vieirista ou anti-Vieira.

Se ser anti-Vieira é, como acredito,  ser pró-Benfica, então eu sou anti-Vieira. Mas não me confundam com todos os que criticam o actual Presidente do Benfica. Alguns exemplos de pessoas que, criticando Vieira hoje ou no passado,  nada têm a ver com a minha ideologia benfiquista:

- Movimento Benfica Vencer, Vencer. Uma confusão de ideologias que acabou a derramar gente por todo o lado: croqueteiros, íntegros, interesseiros, desistentes, etc. Fazer oposição nunca pode ser juntar todos os opositores. É preciso critério para lutar.
- Apoiantes de Rangel em 2012. Estas pessoas acreditavam que Rangel poderia fazer melhor do que Vieira. Eu nunca acreditei em tal coisa. Primeiro, porque nunca lhe senti capacidade para tal; em segundo, porque era mais ou menos claro que haveria de ser chamado a aproximar-se da actual Direcção.  O que fez, reforçando a ideia de que não havia qualquer ideologia, só alguma ânsia de protagonismo.

- Apoiantes de Bruno Costa Carvalho de 2009 a Março de 2016 (altura em que anunciou o seu apoio à Vieira). Tive mais do que uma oportunidade de dizer pessoalmente a Bruno Carvalho que, achando óptima a sua luta e legítima a sua vontade de ser Presidente do Benfica, eu não o apoiaria por nele não ver as características que, quanto a mim, são necessárias para dirigir um clube como o nosso. Foi importante durante os anos em que lutou contra as aldrabices de Vieira e foi com pena que o vi desistir da ideologia em prol de um apoio a Vieira que acaba por ser eticamente inconsistente e parece advir das vitórias. Como Bruno - e nisso sempre estivemos em comunhão - criticava muito mais do que o insucesso desportivo, a sua passagem para a outra margem não faz qualquer sentido. Algumas críticas que ambos partilhámos ao longo do tempo:

- falta de democraticidade no clube;
- Assembleias-Gerais próximas de um ambiente coreano, que interrompem intervenções de sócios com buzinas e no final das mesmas aparece Vieira aos gritos a mandar os sócios para o caralho e tantas outras vergonhosas atitudes;
- ilegitimidade de candidatura de Vieira em 2012, não cumprindo estatutariamente os requisitos para ser candidato;
- eleições antecipadas em 2009 para evitar concorrência;
- contas reprovadas em 2012 e nem sequer uma segunda A-G. Na História do Benfica  foi a segunda vez que as contas foram reprovadas. A primeira gerou a demissão de Manuel Damásio. Nesta, nem sequer o respeito pelos sócios com a marcação de segunda Assembleia aconteceu,  provando, se fosse preciso, qual a intenção de quem dirige o clube: manter-se ditatorialmente no poder;
- centenas de mentiras ao longo dos anos sobre a realidade do clube;
-  desinteresse total em apelar à participação dos associados nas Assembleias-Gerais. Como sócios,  recebemos dezenas de emails e mensagens a promover camisolas e porta-chaves,  mas não recebemos uma mensagem a anunciar a marcação de uma Assembleia-Geral. Isto  para quem quiser pensar, diz tudo sobre esta gente.

Ora, tudo isto foi posto em causa por mim ao longo dos anos. Tanto nas redes sociais como ao vivo no palanque em Assembleia-Geral do Benfica. Assim como Bruno Carvalho que também sempre foi dar a sua visão crítica do que se passava e passa dentro do clube. Aliás,  Bruno Carvalho - ao contrário de mim, que nunca falei nisso - ainda lançava recorrentemente a suspeita de que a contagem de votos nas eleições poderia estar de alguma forma comprometida.

Tendo em conta que todas estas acções vergonhosas não se apagaram e muitas delas continuam, o apoio de Bruno Carvalho sofre de uma evidente incongruência. Só faria sentido a mudança de crítico para apoiante se Bruno Carvalho tivesse sido ao longo dos anos apenas crítico do insucesso desportivo - isto aconteceu com vários benfiquistas, não com Bruno Carvalho, que elevou a discussão para o lado ideológico e dos valores benfiquistas. Com este apoio, queimou todos os princípios que defendeu ao longo dos anos.

É por isso que quando me chamam anti-Vieira devem compreender que o que eu sou é pró-Benfica e que ser anti-Vieira é apenas a natural consequência da minha defesa incorruptível pelo Sport Lisboa e Benfica. E  que não devo ser confundido com outras pessoas que são ou foram críticas de Vieira porque as motivações são diversas. Por exemplo, não posso ser confundido com estas pessoas…
- Rui Gomes da Silva
- Pedro Guerra
- Varandas Fernandes
- José Eduardo Moniz
… que são 4 pessoas que eram muito críticas de Vieira até receberem um convite e passarem a ser muito apoiantes de Vieira. Isto significa que a motivação destas 4 pessoas não era a da defesa do clube mas a da defesa dos seus próprios interesses.
Também não posso ser confundido  com Bruno Carvalho pelas razões que explanei em cima, e evidentemente não posso ser confundido com os apoiantes de Bruno Carvalho que antes adoravam que este defendesse os valores benfiquistas e agora compreendem que ele passe a apoiar Vieira (embora não haja possibilidade de compreensão para tal, uma vez que, como expliquei em cima, o ataque continuo à integridade deste maravilhoso clube, prossegue a grande velocidade).
No fundo, posso ser confundido unicamente comigo e com o Ontem vi-te no Estádio da Luz, que é o sítio que há 8 anos defende o Sport Lisboa e Benfica de quem lhe faz mal. Posso ser confundido com os companheiros que convidei ao longo do tempo para viajarem nesta embarcação. Pessoas que admiro, que respeito, que me dão a grande felicidade de partilhar o mesmo sentimento de honestidade, integridade e benfiquismo. Por isso, quando pensarem em chamar nomes a este blogue, basta apenas um. Chamem-nos Benfica.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Combater Fogo com Fogo



É uma expressão popular e também uma estratégia de combate aos incêndios.

Se somos atacados devemos responder na mesma moeda.
Se há fogo podemos confrontá-lo com um novo fogo de forma a extinguir os dois.

Há uma enorme diferença entre as duas situações. A estratégia dos bombeiros baseia-se na Ciência. A expressão popular desvirtua esta estratégia com a curta visão e a mesquinhez humana.

É aqui que reside o perigo. O heroísmo que envolve o combate aos incêndios não se verifica em picardias entre pessoas e/ou entidades.

Num caso o fogo extingue-se. No outro o fogo adensa-se, propaga-se e fica ainda mais quente.

A época que passou foi tristemente marcada pelo volume da comunicação entre o Benfica e o Sporting.

A táctica passou sempre pelo mesmo: responder ao fogo inimigo com mais fogo.

O Rui Gomes da Silva é um incendiário de lugar cativo na televisão portuguesa.
O Sporting esta época apostou no ruído e na campanha negativa contra o seu rival. Fê-lo muito como resposta a situações passadas mas também por muita pequenez. Colocaram mais fogo num incêndio facilmente controlável.
Como resposta o Benfica lançou dois pirómanos: Gabriel e Guerra.

Nenhum clube se preocupou com o Futebol Nacional. Nenhum clube se preocupou com a imagem da nossa Liga. Nenhum clube se preocupou em promover o bom ambiente desportivo.

Infelizmente a resposta do Benfica aos incendiários de Alvalade foi ignorar os extintores e investir nos fósforos. Não dá para nos escondermos atrás de hipocrisias quando está tudo a arder e nós estamos de Flammenwerfer nas mãos.

Uma parte da comunicação do nosso clube sempre afirmou que no Benfica nos preocupamos com a imagem do Futebol português e com o desportivismo. Sendo isto verdade então a estratégia deste ano falhou.

Fogo com fogo não resulta no futebol nem na sociedade.

Em prol de tudo aquilo que afirmamos nos importar, recomendo que nesta época respondamos ao fogo de Alvalade com água.
Mas atenção, não pode ser água banhada em gasolina.

O Futebol agradece. O Benfica agradece. Eu agradeço.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Ausência de ambição ou desconhecimento?



Depois de ouvir um vice-presidente do Benfica a menorizar um possível afastamento da Champions usando argumentos como “O City e o Ajax na época passada também não se apuraram” e “o futebol não é um caso de vida ou de morte”, agora deparo-me com esta falta de ambição e noção de alguns dos intervenientes do jogo:

JJ: “O único jogo negativo foi a derrota em casa com Zenit.”

Talisca: “Um resultado positivo para a nossa equipa, que ainda não tinha qualquer ponto.”

Isto deverá ser somente desconhecimento do que é o Benfica. Os coitados pensam, com motivos para isso, que trabalham no “benfiquinha”.
Depois de dois bons jogos para estes desconhecedores, espero que venha em Braga um bom jogo para o Benfica.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Rui Gomes da Silva nem a roupeiro

As pessoas não aprendem mesmo. Na internet verifica-se um fenómeno muito curioso: muitos dos que andaram anos a fio a defender o Querido Líder, insultando ou chamando de "antis" aos outros, começam a acordar e a ser muito rebeldezinhos, às vezes até ao exagero, para mostrarem que nunca apoiaram semelhante trambolho. O pior é que continuam sem saber pensar. A nova moda, destes que viram a agulha e largam a crença infinita em Vieira, é falar em Rui Gomes da Silva como um "excelente candidato a Presidente". Esta gente saberá quem é esta coisa e o trajecto que tem, tanto no futebol como na política?

Um homem que está no clube porque vendeu os ideais que defendia há uns anos a troco de um tacho é o Presidente ideal para o Benfica? Estará tudo doido? Andaram a ser aldrabados durante 10 anos pelo Vieira e agora preparam-se para ir na cantiga do bandido do primeiro que lhes vier acenar com conversas ridículas e completamente contrárias ao ADN do Benfica como aquela treta do "olho por olho, dente por dente" e as constantes parvoeiras que debita semanalmente num programa de televisão. Basta um tonto falar muito nos árbitros e lá vai esta maralha toda atrás em submissões e admirações boçais. Não chegará já?

Meus caros, o Benfica não precisa de mais patetas e trafulhas. Precisa de um Presidente competente, de alguém que conheça a fundo a História do Benfica, a sinta visceralmente e a defenda para o futuro. Precisa de um homem com conhecimentos, que saiba delegar convenientemente nas pessoas certas, que não seja um egocêntrico como o actual, que transmita uma mensagem de verdade e honestidade aos sócios e adeptos, que junte uma equipa de benfiquistas na Direcção e não esta amálgama de vendidos, incompetentes e adeptos de outros clubes como a actual mixórdia que desgoverna o Benfica.

Depois de Damásio, depois de Vale e Azevedo, depois de Vieira, era mesmo só o que faltava termos o pateta alegre do Rui Gomes da Silva. Era mesmo para acabar definitivamente com o Benfica.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Em casa que não há pão…



Em qualquer organização/entidade que se queira de sucesso há uma condição absolutamente imutável que tem de estar presente e ser transversal a quem a dirige, refiro-me à unidade. Quanto maior for a organização/entidade em causa, maior deverá ser a capacidade de quem a comanda para unir em seu redor, juntar em torno das ideias que defende, o maior numero de pessoas que constituam essa mesma entidade e que, por consequência, dirige. Parece-me pacifico que se compreenda que não haverá sucesso num qualquer grupo de pessoas, por mais pequeno que seja, se todas não se sentirem impelidas a lutarem pelo mesmo objectivo, sem todas estabelecerem entre si um rumo e compromisso comum.


No entanto, ainda que o objectivo de todos possa ser o mesmo, um grupo de individualidades não será uno e indivisível por si só, pois cada um tem as suas motivações próprias, que derivam das suas origens geográficas e culturais e não só, e porque cada individuo terá sempre os seus objectivos pessoais que serão sempre diferentes do individuo que está ao seu lado.


Sendo assim, para se conseguir dar unidade e rumo a um grupo de pessoas, terá de haver um líder forte. A liderança pode surgir de forma natural (no caso de um grupo pequeno), por imposição (por exemplo numa empresa em que os lideres absolutos e intermédios podem surgir tão só pelas suas competências reconhecidas ou pelas habilitações atribuídas ou ambas) ou, no caso de grupos socialmente abrangentes, por eleição democrática dos seus pares.


Seja qual for a forma de “nomeação” desse mesmo líder, para que essa pessoa se constitua um líder forte, um líder na verdadeira acepção da palavra, esse individuo terá de demonstrar competência nas acções apoiando-a na capacidade de aglutinação no seu discurso colectivo.


Se assim for obterá a união e o reconhecimento de liderança em todos, ou na generalidade, dos membros que constituem o grupo/organização/entidade que se propõe liderar, mesmo daqueles que inicialmente olharam de soslaio para a sua liderança. Por outro lado, se assim não for, mesmo os mais entusiastas da sua liderança acabarão por abandonar o compromisso que haviam consigo estabelecido, logo, juntos e desunidos traçarão um rumo de insucesso e derrota.


Esta prelecção toda para, como já devem adivinhar, chegar a Luís Filipe Vieira. Se há coisa que Vieira enche a boca para dizer ser, é a de que é um bom gestor, no entanto, embora possa parecer a mesma coisa, ser-se um bom gestor (coisa que também não aparenta ser) não é o mesmo que ser um bom líder.


Como refiro acima, para se ser um bom líder há que se obter o reconhecimento desse estatuto pelos que são liderados, obtendo-o pela competência e discurso. Na questão da competência, penso que os 2 títulos em 13 anos que leva de Benfica, são bem demonstrativos da (in)competência que Vieira demonstra (não) ter. Isto em termos genéricos, porque se quisermos particularizar, a coisa piora, por isso, e porque essa questão tem sido muito (e bem) debatida aqui no Ontem, proponho analisar o discurso de Vieira.


Não há muitos dias, num post que fiz sobre o Rui Costa e as suas acções ao longo do tempo enquanto membro da estrutura dirigente do clube, referi que Vieira não tem um discurso. E de facto não o tem nem ao nível da ideologia nem ao nível da forma. Se ideologicamente Vieira prima pela errância do que diz, na forma prima pelos atropelos ao Português. Mas sejamos sérios, fosse a forma horrível conforme é, mas ideologicamente fosse algo puro e vertical, não seria por aí que Vieira não deixaria de ser um líder.


Em questões de liderança e discurso de Vieira, a última semana foi absolutamente reveladora, uma vez que, no espaço de uma semana, repito, uma semana, tivemos 5, sublinho, 5 pessoas ligadas ao Benfica a falarem para o exterior. Na última semana foi possível ler/ouvir declarações públicas do treinador da equipa principal (Jorge Jesus, naturalmente, na antevisão e rescaldo dos jogos disputados), do Presidente (final do jogo com o Belenenses e na casa do Benfica em Paris), do chefe do departamento de scouting (Rui Costa à partida para Paris), de um dos Vice-Presidentes do clube (Rui Gomes da Silva que fala semanalmente – um absurdo sem nome – no programa “Dia Seguinte”) e do Vice-Presidente da SAD (José Eduardo Moniz numa entrevista concedida à Rádio Renascença).


O caricato e absurdo disto é que esta situação acontece na mesma semana em que Vieira, na tal intervenção que protagonizou na casa do Benfica de Paris, pediu unidade aos benfiquistas e referiu ser importante que o clube falasse a uma só voz. Já perceberam a contradição da coisa, não já? Das duas uma, ou Vieira diz uma coisa e manda fazer outra demonstrando a tal falta de conteúdo no discurso que um líder deve ter, ou Vieira fala e ninguém da sua estrutura dirigente o ouve colocando a nu a sua fragilidade na liderança.


Mas atenção, eu concordo com Vieira quando diz que o clube deve falar a uma só voz, mas falar a uma só voz não é o mesmo que se colocar 4 dirigentes a dizerem o mesmo (que não disseram, mas ok), falar a uma só voz implica que fale sempre o líder máximo – o Presidente – e, em questões pontuais, o líder intermédio da área que está em analise – o treinador nos dias antecedentes a um jogo e no rescaldo do mesmo, ou seria normal colocar o treinador a discursar numa AG de aprovação do Relatório e Contas, por exemplo? Se não era normal nem faria sentido, porque raio se há-de colocar 3 dirigentes (não contando com o presidente) a falar sobre futebol?


A última semana foi a caricatura perfeita do que tem sido a liderança que Vieira tem exercido no Benfica ao longo dos anos em que lhe tomou o poder. Podem estes sinais passarem despercebidos ao adepto e assim refutarem-me quanto à capacidade de liderança de Vieira, mas proponho-vos que façam uma análise mais profunda ao que tem sido Viera no Benfica e facilmente encontrarão exemplos como os da semana passada e que eu aqui reporto. Facilmente, pela soma de todos, chegarão à conclusão que há muito cheguei, Vieira pode ser o Presidente democraticamente eleito do Sport Lisboa e Benfica, mas não é, nem nunca foi, o líder competentemente aceite do Sport Lisboa e Benfica.