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terça-feira, 11 de maio de 2021

Desconforto de Vieira em Falhada Tentativa de BTVizar a CPI

Ontem ficou compreendido o porquê de Luís Filipe Vieira ter tido a necessidade de não marcar presença no Clássico da passada Quinta-Feira. Isto apesar de ser um Benfica-Porto na reta final da época e com as dezenas de milhões da Champions em jogo.

É que pelas últimas comissões parlamentares de inquérito e pelos vários clips que andaram por aí a circular, a estratégia do “esquecimento” já estava a ser usada em excesso. Mais uma vez o Vieira saiu prejudicado.

Então não podendo aparecer em São Bento largando o trunfo do esquecimento para tudo e mais alguma coisa, Vieira teve de rever os seus planos e estratégias.

Pelo que vimos ontem, foi definido um Plano B e várias outras pequenas estratégias para o complementarem caso os deputados não estivessem lá para prestar vassalagem ao Rei-Sol.

Não estavam.

Então e no que consistia este Plano B?

- Comissão Parlamentar de Inquérito equals Entrevista BTV.

Portanto, Vieira chegava e lia uma autobiografia elogiosa à sua pessoa, todos batiam palmas, Vieira demonstrava disponibilidade para responder a todas as perguntas por escrito à posteriori, todos concordavam e por fim passavam ali umas agradáveis horitas onde Vieira contava umas histórias engraçadas, fazia uns desabafos, ninguém contestava, Vieira repetia as lengalengas do costume, ninguém averiguava nada e no final era coroado rei daquela porra toda. Pelo meio largava a sua versão mais agressiva e não havendo sócios disponíveis então insistiria no enforcamento de um Centeno desta vida. Caso estivesse presente era o momento alto para André Ventura.

Contudo o Plano B também não foi um sucesso. Não houve aplausos, não houve coroação, não houve Rei-Sol.

As perguntas eram mesmo para ser respondidas ali, naquele momento e por ele.

Qual o problema? Não dava para começar de novo, o plano já estava em marcha.

Assim lá tivemos várias vezes de ouvir o presidente daquela comissão de inquérito a pedir a Luis Filipe Vieira que:

- Respondesse às perguntas.

- Não lançasse insinuações sobre quem lhe fazia perguntas desconfortáveis.

- Que concretizasse as insinuações que deixava no ar sobre seres abstractos.

- Não estivesse tão “à vontadinha”.

Aquilo não era mesmo a BTV e por isso foram dando jeito as outras pequenas estratégias também preparadas:

- Apostar no esquecimento mas dos deputados.

- Alcochetear assuntos incómodos. “Suores frios e tremores” em cada negócio sem explicação.

- Redireccionar as perguntas incómodas para o sócio.

- Puxar pelos Gato Fedorento. Optou pelo “Falam falam”. O do “15 a 0” fica para quando finalmente nos der a prometida explicação sobre as vendas a 15 milhões.

- Inverter a situação. Não era o BES/Novo Banco que lhe faziam favores, ele é que fazia favores a estas instituições.

- Distribuir Kits Novo Sócio pelos deputados. Pelo menos pareceu-me que era isso que ele estava a fazer naquele breve intervalo.

De referir que o senhor que não se esquece, não foge nem se esconde, andou a adiar a sua presença em inquirições noutro processo e também nesta CPI devido a surtos de amnésia e consultas médicas.

As histórias da carochinha que Vieira conta para enganar tolos benfiquistas, não eram do interesse de ninguém daquela sala.
Contudo Vieira sabia que nunca estaria ali somente como presidente da Promovalor porque Vieira é presidente do Sport Lisboa e Benfica. Ele sabe isso, ele não poderia nunca esquecer-se disso e foi ele que constantemente sentiu necessidade de puxar o Benfica à equação. Os acontecimentos naquela sala iriam sempre ter impacto fora dela, a sua imagem perante os benfiquistas também estava em xeque. Depois (suponho) da família e saúde, a popularidade é o seu maior Bem. Vieira estava bem ciente que naquela CPI também iria estar a lutar pela segurança da sua posição no Sport Lisboa e Benfica.
Daí as muitas demagogias e histórias da carochinha. Não eram para o Fernando Negrão, nem para o João Paulo Correia e muito menos para a Mariana Mortágua ou para a Cecília Meireles. Eram para a comunicação social e especialmente para os sócios do Sport Lisboa e Benfica.

Para a posteridade ficarão os conceitos de Luís Filipe Vieira. Ao longo de todos estes anos sempre o ouvimos gabar que, ao contrário de outros, sempre pagou as suas dívidas e que nunca nada lhe foi perdoado.

Ontem ficámos a saber que para Vieira pagar as dívidas é pagar os 3% de juros e adiar indefinidamente o real pagamento do valor devido.

Ontem ficámos a saber que para Vieira constantes reduções das taxas de juro, constantes extensões de prazos e reestruturações constantes no seu vencimento, não é uma forma de perdão.

Ontem ficámos a saber que para Vieira só está em incumprimento quem pode cumprir. Quando alguém não paga mas é sabido que não tem como pagar, esse alguém não está a incumprir, está só a ser coerente.

Uma pessoa que fez toda a sua vida empresarial com base em endividamento sem se ter de preocupar em o pagar de volta, é normal que não esteja bem ciente do real conceito de “pagar dívidas”.

Felizmente o Benfica, apesar do Vieira, foi e é demasiado grande para cair perante endividamentos astronómicos.

Já o Alverca não teve a mesma sorte, não tinha mesma grandeza.

Vieira é só mais um ser vergonhoso que pulula por este país e que os benfiquistas continuam a optar por o deixarem também envergonhar o mais maravilhoso clube de Portugal.

Apesar de tudo isto, e muito mais, houve quem rapidamente viesse elogiar a prestação de Luís Luís Filipe Vieira. Aquela parte em que meio estupefacto e meio indignado refere que tinha de pagar aos seus colaboradores, foi certamente o que conquistou o seu não-opositor Bruno Costa Carvalho.




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Desconecta BTV

 

Ontem de madrugada acordei meio atordoado. Alheio às horas liguei a televisão sem saber bem com que intenção.

Não eram ainda 4 da manhã e o Benfica tinha jogado com o Famalicão no inicio da noite do dia anterior. A verdade é que aquela segunda parte deixou-me deprimido e assim que acabou o jogo afundei-me no Youtube até adormecer.

Por isso quando ligo a televisão esta encandeia-me com BTV. Estava a dar o programa Chama Imensa.

Apesar da vitória o Benfica vinha de uma sequência de maus resultados, pouco futebol, eliminação da Taça da Liga e com uma desvantagem de 11pts para a liderança do campeonato. Apesar da vitória frente ao Famalicão, este foi mais um jogo pouco conseguido: bom arranque com dois golos logo a abrir, depois 30 minutos a controlar os espaços e por fim 45 minutos a ver jogar.

Assim deixei-me a ouvir o que na BTV, perante o contexto actual do nosso futebol, se estaria a dizer.

No momento deu-me um impulso imenso de vir aqui desabafar mas... 4 da manhã. E apesar das 36 horas já passadas, não tenho como não soltar aquela experiência aqui em palavras.

Apanhei o finalzinho da intervenção de um João Diogo onde falou do Porto, de arbitragens e de penalties. Deu-me logo um nó.

De seguida o jornalista da BTV passa a palavra para um tal de António Bernardo, perguntando-lhe se sobre o Porto e a arbitragem tinha algo a dizer. Depois de nos fazer saber que também o António Rola já tinha estado minuciosamente a falar do Porto e de arbitragens e que concorda totalmente tanto com o Rola como com o João Diogo, o António Bernardo afirma que quer falar de “outras coisas que eu acho que posso acrescentar... E posso já relembrar aqui 3 ou 4 situações que me andam a preocupar”.

Pensei eu, ingénuo, que estando o assunto arbitragem arrumado, agora iriam falar sobre os jogos do Benfica, as dificuldades que temos tido, as melhores e/ou piores exibições de alguns jogadores, sistemas tácticos, reforços... algo assim.

Não. Começou a falar do Pedro Mantorras. Sim. “Relativamente ao Porto tenho uma coisa a dizer, eu estava no Benfica em 2002-03 quando o Pedro Mantorras era um mártir a levar pancada”. Epa o que esta malta faz para não ter de falar de Futebol.

Portanto as 4 coisas a que este António Bernardo andavam a preocupar eram:

1 – Arbitragens
2 – Imprensa toda dominada pelo Porto e pelo Sporting
3 – Unilabs, se mudaram de laboratório e se é verdade que os jogadores do Benfica tiveram mesmo Covid.
4 – “Caso” Palhinha e ter juízes amigos.

E termina a dizer “Isto é que são coisas importantes a debater no Futebol e no Desporto em termos gerais”.

Exacto. São estas merdas de novelinhas e de choros que é crucial debater no Desporto.

Já estava eu meio em dúvida se estaria mesmo acordado quando aparece o José Marinho a falar. Questionado sobre esta época atípica onde o Paços de Ferreira surgia com tão bom desempenho, o José Marinho entra, como sempre, naquele seu mundinho onde é rei mas de coisa alguma. Fala e fala e fala, com grande autoridade, mas depois quando se espreme percebe-se que não faz ideia sobre o que diz.

O inicio da sua intervenção dava um bom número de comédia. Começou a criticar aqueles que tanto falam da importância de se ter uma boa estrutura nos clubes e a meio desta palermice lá se lembrou que é no Benfica que mais se fala nisso. Enrolou-se. Inverteu a coisa e começou a elogiar a Estrutura do Benfica.

Assunto estrutura rebobinado lá começou a falar do sucesso do Paços de Ferreira. Então salientou que aquele clube tem um sucesso constante e que isso se deve por sempre ou quase sempre escolherem acertadamente tanto os treinadores como os jogadores. E enquanto o Marinho debitava eu juro que pensei que ele estava era a falar do Rio Ave.

Então avança relembrando que a actual posição do Paços de Ferreira não é surpreendente porque “por exemplo” há uns anos com o Paulo Fonseca tinham conseguido apurar-se para uma pré-eliminatória da Liga Europa. Insiste que para o Paços esta não está a ser uma época atípica porque nos últimos anos têm-nos habituado a andar lá em cima e sempre com boas equipas. É o que dar falar de cor caro José Marinho.

Para começar é esquecer o “por exemplo” porque a referida época é uma exepção e não somente um dos possíveis exemplos. E depois é elucidar que o apuramento foi mesmo para o Play-Off da Liga dos Campeões.

Sim, em 2012-2013 o Paulo Fonseca conduziu o Paços de Ferreira a um excelente 3º lugar.
Desde então disputaram-se mais 7 campeonatos o Paços classificou-se em:

16º
8º
7º
13º
17º - Despromoção
1º - Promoção
13º

E atenção, todo o respeito pelo Paços de Ferreira. Contudo dizer que nos últimos anos estar em 5º lugar não é atípico para o Paços quando nos últimos 7 anos só duas vezes ficou no Top-10 tendo mesmo sido despromovido em 2018 e tendo disputado a segunda liga em 2019...

Tão sobranceiro falou o José Marinho sobre o Paços de Ferreira conseguindo confundi-lo com o Rio Ave e mostrando deste somente saber que há uns anos era treinado pelo Paulo Fonseca e que ficou num lugar Europeu (qual não sabe) e que esta época é treinado pelo Pepa.
De resto não refere nada em especifico sobre este clube – nem treinadores, nem jogadores, nem modelo de jogo – e o que tenta falar sai tudo ao lado.

Que fraude é este José Marinho.

E que tristeza de canal tornam a BTV.

Depois desta intervenção do Marinho desliguei a televisão. Não dava para mais. A curiosidade matou mesmo gato.



quarta-feira, 29 de julho de 2020

Benfiquistas com Voz – Bernardo Deu o Mote


Vamos aqui todos ser directos e honestos com tudo isto.

É ou não é verdade que nos últimos 15 anos criou-se uma mentalidade acrítica no Sport Lisboa e Benfica? Parece-me um facto incontestável.

Sim há pequenos focos críticos. Há alguns espaços que promovem o pensamento critico. Mas na generalidade criou-se no Benfica a mentalidade do “apoia”.

Uma grande maioria, incluindo os dirigentes e os meios de comunicação do clube (à cabeça a BTV), fomenta uma ideia de guerra, de nós contra os outros. E assim cria-se uma realidade onde os benfiquistas devem elogiar o que é seu e denegrir o que é dos rivais. O sentido critico dos benfiquistas passa a ser exclusivo dos clubes adversários.

Perdeu-se até a noção do que significa apoiar. Apoiar o clube é ignorar e/ou defender o que de errado é feito por quem nos dirige? Ou é também apontar esses erros e exigir melhorias e mudança?

Estamos a falar de um clube do qual os adeptos sempre, mas sempre mesmo, se gabaram de ser democrático ainda quando o país vivia uma ditadura. Um clube onde os adeptos sempre gabaram a pluralidade de ideias. Um clube onde os adeptos sempre apontaram o dedo aos métodos do Pinto da Costa, incluindo os seus métodos pouco democráticos de gestão.

Mas nos últimos 15 anos tudo mudou. Parece que passámos a viver mais os programas televisivos do que o próprio clube. Importante não era o representante benfiquista analisar com qualidade a actualidade do seu clube. Não. Importante era que batesse muito no adversário, fosse com verdades ou com mentiras descaradas. Quantas vezes não nos foi dito “não deviam discutir essas coisas publicamente, é dar armas aos rivais”? Quantas vezes?

No final da época não é altura de se discutir o clube. Porquê? Porque se ganhou então devemos reconhecer o mérito. Ou então porque se perdeu e não é o momento de bater mas sim de apoiar.
O arranque da época não é o momento de debater o clube. Porquê? Porque não podemos desestabilizar. Temos de apoiar para começarmos bem.
A meio da época não é o momento de debater o clube. Porquê? Pelos mesmos motivos do ponto anterior. É momento de apoiar e deixar as criticas para o final da época. Mas como já se sabe... também o final da época não é o momento para debater o clube.

Sim, esta foi a mentalidade que Luís Filipe Vieira instaurou no benfiquismo.

Os adeptos não devem ser ouvidos. Os adeptos não devem ter massa critica. Os adeptos simplesmente servem para encher o estádio e dar receitas de merchadising. O papel dos adeptos é ser fonte de receita e fonte de motivação para os atletas.

Aqueles adeptos que se atreverem a pensar o clube, a se preocuparem e a discutirem o seu clube, esses adeptos não são verdadeiros adeptos.

- Anti-benfiquistas
- Dragartos
- Vale e Azevedistas
- Velhos do Restelo
- Abutres
- Garotões
- Tachistas

Etc, etc e etc.

São demasiados os episódios em que vemos quem está no clube atacar os adeptos. Os ataques na BTV, os ataques do Pedro Guerra, os ataques no Jornal O Benfica, os ataques do José Nuno Martins, os insultos do presidente do clube, as tentativas de agressão do presidente do clube, a(s) agressão(ões) do presidente do clube e os ataques de outros membros da direcção.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” foram feitas alterações estatutárias que retiraram voz e poder aos sócios. Alguém se lembra de Manuel Damásio? Alguém se lembra de como ele saiu da presidência do Sport Lisboa e Benfica?

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” foi criado um canal de propaganda onde sócios críticos são rebaixados e até insultados.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” o vice-presidente Nuno Gaioso sentiu-se confortável o suficiente para dizer o seguinte aos sócios em plena Assembleia-Geral do clube:

- Os vossos votos não nos interessam porque vocês não percebem nada do assunto.
- O maior activo do Benfica é o presidente Luís Filipe Vieira.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” a actual direcção do Benfica conseguiu colocar os benfiquistas a ter de pagar mais 1/3 que os rivais para assistirem aos jogos da sua equipa.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” esta direcção dirigida por Luís Filipe Vieira tentou utilizar o dinheiro do clube para garantir as suas reformas e encher os bolsos dos seus amigos e companheiros de negócios, numa OPA totalmente escandalosa – desde os motivos apresentados, aos beneficiários e ao método de financiamento.

Esta direcção comporta-se há mais de 15 anos como se o Benfica fosse deles, deles dirigentes. E não dos sócios. E os sócios permitem isso. Permitem isso porque permitem não ter voz. Permitem isso porque agem como agentes de censura desta direcção. Permitem isso porque permitem que não se discuta o clube.

Vamos ter eleições em Outubro. Ainda não começou a campanha eleitoral. E o que já vemos por esta internet fora? Propagação de mentiras, de fake news, sobre os vários candidatos. A máquina de propaganda de Vieira – Hugo Gil e companhias – já anda a montar o seu pequeno espectáculo.

Nos últimos 5 dias são as mais variadas informações com que me deparo sobre os candidatos. E quando questiono as pessoas que vejo partilhar essas informações sobre as mesmas elas nunca têm a fonte da sua informação, nunca têm o sustento. Leram por aí. Afirmam que num canal a figura X disse Y. Afirmam com convicção. Mas quando questionadas se viram tal afirmação... não viram.

E foi nisto que Vieira transformou a democracia do Benfica. Qualquer opositor irá ser enxovalhado na praça pública e quase sempre com mentiras. Irá ser insultado. Irá ser conotado ao Porto ou ao Vale e Azevedo. Serão sempre aventureiros que nunca fizeram nada pelo Benfica e agora querem vir retirar dividendos do trabalho da actual direcção.

Muitos adeptos com este discurso nem sequer se apercebem que andam tão perdidos nessa narrativa que acabam por apelar ao fim das eleições no clube, ao fim da Democracia do Benfica.

Se ninguém se deveria poder candidatar. Se ninguém poderia sequer poder criticar. Então isto é o quê?

E como sempre temos a BTV a tomar a opção de não realizar debates, de não participar no processo eleitoral.

Como é que os benfiquistas aceitam isto? Como é que se aceita que a televisão de um clube paga pelos adeptos do clube, simplesmente ignore o acto eleitoral? As eleições de um clube não são um momento crucial da sua existência? Então como pode o canal do clube se fechar às mesmas?

Chega a altura das eleições e a BTV fecha a discussão do clube. Corta um espaço de divulgação do clube. O canal do clube promove a não pluralidade de ideias, o pensamento anti-democrático, a não discussão do clube, o não viver o clube. O canal do clube fecha as portas e as janelas aos seus adeptos. Afasta os benfiquistas das decisões da vida do clube. Mais uma vez, tira voz aos benfiquistas.

Já sabemos que Vieira não debate. À imagem de Pinto da Costa. Estratégia que aprendeu com o seu mentor. Vieira só dá entrevistas, entrevistas controladas. Entrevistas bajuladoras. Entrevistas onde possa exercer o seu monólogo sem contradição. Porque Vieira não aceita o sentido critico no Benfica, não aceita ser contrariado. Vieira não aceita debater o Benfica e o seu trabalho. Mais uma vez, corta a voz, corta a discussão, corta o pensamento e a análise critica aos benfiquistas. Vieira esconde-se para não se expor. Vieira esconde-se para não colocar o seu poder em cheque.

E os benfiquistas vão continuar a aceitar isto?





quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A única oposição a Vieira chama-se Ontem vi-te no Estádio da Luz



O principal problema da crítica gratuita e infundada é o de minar o caminho da verdade e libertação do clube. Sempre que a oposição - ou pseudo-oposição porque a única real oposição a Vieira chama-se Ontem vi-te no Estádio da Luz - ataca sem razão as pessoas da estrutura do clube, mais difícil se tornará a saída do actual Presidente. Em vez de tiros certeiros que abalem a ditadura vierista, estes ataques fazem ricochete e acabam como armas para quem desgoverna o Sport Lisboa e Benfica.

Quando este programa foi para o ar, imagino que há mais de 10 anos, defendi publicamente Ricardo Palacín. Na altura, muitos dos que hoje com ele partilham os estúdios e programas da BTV atacaram o actual director da televisão do clube porque "isto é uma vergonha", porque "nenhum benfiquista usaria esta t-shirt", porque "há que respeitar a dignidade do Benfica!".

Na verdade, aquilo tinha sido uma brincadeira, uma mera aposta. E claro que qualquer benfiquista com cérebro, sentido de humor e cumpridor das suas apostas teria usado aquela t-shirt. Basta não ser grunho e estar bem com a vida para poder usar uma t-shirt assim.

Claro que é giro ver agora toda essa gente que insultou Palacín de tudo e mais alguma coisa andar pela BTV a lamber-lhe as botas para manterem os seus lugares nos programas onde só defendem o Presidente e atacam os benfiquistas que não comem na gamela do carneirismo. Mas esse é outro assunto para outro dia.

Ricardo Palacín faz mal ao Benfica. Não por não ser benfiquista, não por usar esta t-shirt. Faz mal ao Glorioso porque é o Director da Propaganda, o Director do veículo televisivo que envergonha e humilha o Benfica por não ser mais do que uma televisão de louvores a Vieira e de perseguição aos benfiquistas com cérebro.

Com tanto para criticar na BTV, achar nesta imagem razão para atacar Palacín é fraco, é pobre, é insuficiente, é a razão pela qual Vieira se passeia há 15 anos sem verdadeira oposição. É dar razões aos vieiristas para continuarem a votar no único Presidente ilegítimo da História do Benfica. E isso é que não é nada benfiquista.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A BTV é isto.



Um veículo de propaganda a Vieira e um antro onde lambe-cus rebaixam e insultam os sócios e adeptos do Benfica.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Em@il

Cerca de duas semanas depois de o caso dos emails ter vindo a público pela mão do director de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, após a pálida reacção do Benfica e depois de lidas e discutidas diversas opiniões, a minha própria ideia encontra-se formada e até ver é tão desinteressante e sensaborona como este caso dos emails.

Em toda a história, parece-me da mais elementar importância saber se aquilo com que somos confrontados é, em primeiro lugar, real e não uma "inventona". Dada a ausência categórica de resposta em contrário por parte do Benfica, nomeadamente sob a forma de comunicado ou pela voz do seu incompetentíssimo e inábil director de comunicação, Luís Bernardo, parece-me seguro afirmar que a troca de correspondência electrónica efectivamente existiu. Se foi adulterada ou não, parcial ou totalmente, parece-me mais questionável. E vindo de quem vem, é uma suspeita a ter sempre em conta. Não acreditem em tudo o que vêem na televisão ou lêem na internet.

Igualmente interessante parece-me ser o conteúdo dos emails. Especialmente porque aquilo que nos tem sido vendido por parte da comunicação do FC Porto como uma grande teia de corrupção desportiva (olhem quem) não parece ser, nem de perto nem de longe, aquilo que os azuis-e-brancos queriam e gostavam que fosse. A linguagem utilizada e as frases tornadas públicas parecem apenas demonstrar que o esquema que dominou o futebol luso durante as últimas três décadas terminou em definitivo graças à acção de Luís Filipe Vieira (o "primeiro-ministro"). Não há evidência segura de corrupção activa, de ofertas de prostitutas a árbitros, de depósitos em contas de fiscais de linha (ou mesmo o afastamento de Vítor Pereira da UEFA). Há isso sim, uma queixa de uma nota atribuída a um árbitro cujo processo pelo qual foi conduzida a queixa deixa antever que as coisas podem efectivamente não ter sido efectuadas pelas vias legais ou, mesmo sendo, de forma pouco ética. Coacção? Sim, talvez. Da mesma forma que a coacção continua a ser exercida pelos outros grandes do futebol português, bastando ver as ameaças dirigidas pelo director desportivo do FC Porto, Luís Gonçalves, ao árbitro do último SC Braga x FC Porto ("a tua carreira vai ser curta") e que por acaso culminou com a descida do dito juiz à segunda categoria, ou as ameaças diárias oriundas do reino da oligofrenia verde-e-branca, onde presidente, director para o futebol, treinador, director de comunicação e comentadores do canal de televisão do clube perseguem e incitam persistente e diariamente ao ódio contra árbitros, rivais e dirigentes do futebol português.

Será, necessariamente, do interesse público e igualmente dos benfiquistas com escrúpulos que este caso seja investigado. Com celeridade e honestidade. Para já, as "provas" apresentadas parecem ser pólvora seca disparada no contexto do desespero pelos resultados desportivos e financeiros apresentados bem como uma tentativa de condicionar decisões futuras dos árbitros nos jogos do Benfica. E precisamente numa altura de enorme ruído e de estratégia de intoxicação da opinião pública, apareceu o Sporting com aquele que, em tempo de suspeita, pode ser um aliado do Benfica no caso de ser prejudicado em face deste clima: o vídeo-árbitro. Seria de uma sublime ironia.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Cartilha, cartilhantes e cartilheiros

Ainda não falei sobre o assunto do momento no futebol português (não, não é a luta pelo campeonato nacional) por isso vou despachar isto de uma vez.

1. Não há qualquer novidade na existência da cartilha nem qualquer surpresa com o conteúdo da mesma. Há uma podridão instalada no seio do nosso clube que só aqueles que se recusam a ver não enxergam.
2. O processo parece-me este: O Benfica contratou o Carlos Janela para, juntamente com outros que trabalham no clube, criar um documento de ataque comunicacional. Este documento serviria como guia para todos aqueles que têm voz na comunicação social. É um documento enviado semanalmente a vários comentadores, uns mais íntegros que outros mas todos sem coragem ou vontade de admitir esta realidade. Acredito que alguns preferiram não acreditar nos seus olhos e fingiram que tal não acontecia.
3. Estas cartilhas são essencialmente uma vergonha para o Benfica. Não para os comentadores.
4. Estas cartilhas dizem tudo sobre quem lidera o clube e pouco sobre quem as recebe.
5. Isto é só o espelho de tudo aquilo que esta direcção já nos habituou. Seja em entrevistas, seja em AGs ou seja onde for.
Recentemente muito me tem irritado a postura das pessoas que representam o nosso clube. Armados em senadores, vozes da bondade e defensoras do Futebol e do Desporto. Campeões da honestidade e do respeito. Um puro cinismo de gente que utiliza um período vitorioso para se engrandecer. Os valores do Benfica vivem-se de forma constante, imutável e independente de momentos, não são só periódicos nem contextuais. 
Estes senadores até Janeiro de 2014 eram outra coisa. Vieram as vitórias e inverteu-se o comportamento público. Jogam só nas sombras, onde são tão maus ou piores que os outros.
O que mais me enoja é ver os dedos cínicos apontados aos outros por fazerem os que eles sempre fizeram e ainda fazem mas às escondidas.
6. Apesar da maioria pouco ou nada ligar a estes documentos, há aqueles que os seguem à risca, que vivem para estas cartilhas – para as alimentar e servir. Para dar pancada.  Estão mais que identificados.
7. A reacção foi obviamente cobarde. Fugir ao assunto apontando o dedo a outros. Fugir às próprias opiniões e tentar pintar a situação.
8. Aqueles que agora aparecem mais ofendidos e a defender o profissionalismo da cartilha são aqueles que durante meses acusaram e criticaram os adversários por supostamente receberem disto, isto enquanto invocavam a grandeza de não receberem tal coisa.
9. Isto são comentadores com um elástico solto a fazer de espinha dorsal. Esta gente ter direito a tempo de antena é uma afronta ao serviço público que os canais deveriam prestar.
10. Não há maior cartilheiro que o Pedro Guerra. Comentador pago e sem opinião. É a voz do dono e voluntário a fazer todo o trabalho sujo – a sua especialidade. 
Ver o Pedro Guerra falar é uma montanha russa de desinformação e desonestidade.
Mais ninguém convive tão bem com as próprias e constantes mentiras e contradições.
11. A máscara caiu mas eles andam agora de cara no chão recusando-se a deixá-la sair.
12. Sem máscara não são ninguém no Benfica. Sem máscara não sabem nada do Benfica. Isto é gente que apareceu recentemente mas que constrói a imagem de por cá andar há muito tempo. É gente que dá a imagem de muita cultura benfiquista tudo às custas das cartilhas. Não sabem nada do clube além daquilo que decoram antes de irem para o ar.
13. Pouco me importa o que os outros clubes fazem. Agora estou preocupado com a nossa casa. A incapacidade de discutir o nosso clube sem apontarmos aos outros não passa de uma imensa falta de coragem de assumir os nossos erros e falhas.
14. Pelo que parece nos outros existe algo mas não chega a este nível de podridão.
15. Por principio sou contra este tipo de contacto entre os clubes e comentadores. Contudo aceito a vantagem e profissionalismo que pode caracterizar a passagem de informação aos que comentam. Num tom respeitador e informativo, comunicar aos acontecimentos, esclarecimentos e dados oficiais é algo que até pode ser positivo e saudável. Porém neste nosso futebol isto não tem como existir. Não há interesse na Verdade pois só importam as guerras comunicacionais. Os clubes não têm interesse em informar, só em manipular.
16. Hoje já não há desculpas para os benfiquistas aplaudirem certos paineleiros. São actores de guião bem estudado. Gente sem opinião própria e sem conhecimento. Não se importam em dizer a verdade, não se importam com a ética, não se importam com a honestidade, falam para manipular quem os ouve. Não assobiem para o lado.
17. A BTV é a grande arena do cartilheirismo. Alberga as principais vozes da cartilha e funciona muito em prol das suas linhas.
Raras são as vozes independentes lá dentro. Os normais programas de debate são programas de concordância. Todos têm a mesma opinião, seguem o mesmo guião e ninguém tem voz critica sobre nada do que se faz no nosso clube.
Basta e ver o programa de análise ao jogo Moreirense – Benfica. 4 analistas e um ex-árbitro. Uma hora em que se repetiram mutuamente, onde se falaram escassos minutos sobre o jogo, onde ninguém ousou criticar a nossa exibição e onde durante 55 minutos só se falou de arbitragem e se estranhou o esforço do adversário. De realçar as fortes criticas à arbitragem onde nunca se falou de nenhum lance que nos beneficiou, apesar de vários e importantes. Um ataque veemente mas abstracto todo ele exemplificado num lance para 2ºamarelo aos 80 e tal. Deu o mote o ex-árbitro e todos seguiram a cartilha.
18. Luís Felipe Vieira é o maior cínico do futebol nacional. Um homem que se vende cheio de uns valores que contrariam as suas atitudes.
Alguém capaz de utilizar os momentos mais sensíveis para vender a sua imagem.
Alguém capaz de utilizar momentos de sofrimento para se tentar valorizar, com apelos bondosos que nas sombras contraria.
O Benfica, o benfiquismo e aqueles que mais recentemente partiram para o 4º anel merecem muito mais, muito diferente.




19. Termino referindo-me ao outro caso da semana.
Benfica para o tetra com 6 vitórias sem o Samaris.


Agora vou é ver o Dortmund - Mónaco. No mundo do Futebol não há nada melhor do que ver a bola rolar. 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ainda se Lembram do Negócio das Arábias?


Muito se tem voltado a falar sobre os acordos televisivos entre os clubes e a NOS ou Meo.

Em Dezembro o presidente do Benfica afirmou que em Janeiro iria estar reunido com a NOS a renegociar o acordo acabadinho de se concretizar.

Fala-se que em algum momento de 2016 o Benfica exigiu ou ter os jogos na BTV ou então receber mais 200M.

Também muito se tem falado que os acordos terão de ser renegociados para uma validade de 3 anos (isto claro irá ter um impacto no valor que as operadoras estarão dispostas a oferecer).

Muito se tem falado que o Benfica poderá vir a impor à NOS os valores a que tem direito.

A minha pergunta é:

Andamos todos a comer gelados com a testa?

Fui o único a assistir àquele espectáculo em pleno relvado da Luz?

Fui o único a ouvir as declarações do presidente do Benfica e de todos os que o rodeiam?

Impressionante como aquele que era um negócio das Arábias para o Benfica que demonstrava como Vieira era um negociador implacável, em poucos meses se tornou para todos, dirigentes incluídos, um negócio muito mediano.

Decidam-se.
Afinal foi ou não um excelente negócio para o Benfica?


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Romantismo Invertebrado por 400M Sem Estrondo



O Romantismo ligado à BTV morreu. A espinha das pessoas mostra a sua flexibilidade. Os primeiros a louvar o projecto da BTV porque nos dava autonomia, servia os sócios/adeptos e combatia o sistema, são os primeiros a desvalorizar todo este projecto e a exclamar “o que o importa é o dinheiro”. Pedros Guerra incluídos.

Até houve um vice-presidente que se gabou do facto de o Benfica ter sido campeão quando os jogos saíram da Sport TV e foram para a BTV, dizendo que o sucesso do Benfica se devia ao enfraquecimento dos donos da Sport TV. E agora...

Quanto aos valores... É muito bonito andar escondido quando está tudo a pedir explicações e do nada aparecer com um número estrondoso à cabeça para ser aplaudido e exaltado. 400M! Resultaria caso fosse 400M em 15 anos tal como resultaria caso fossem 300M em 10 anos. O número é grande e a malta delira.



No curto prazo é financeiramente um mau negócio? Não. Parece-me um bom negócio na vertente financeira a curto prazo. Não extraordinário, não o negócio do século. Simplesmente bom financeiramente, não estrategicamente.

Pelos vistos desde 2013 os jogos do Benfica valorizaram 2,5M. Razão para tanta festa? Pelos vistos desde 2013 a BTV, aumentando também os seus custos, valorizou 8M.

Ficar presos a esta valorização por 10 anos é bom para malta que se esquece do anterior contrato de 10 anos com a Olivedesportos. 

Bem sei que pode haver alguma ginástica entre estas duas valorizações, entre os 25M pelos jogos e os 15M pelo canal. Contudo por maior que seja a flexibilidade entre estes números continuamos sem estar perante o Negócio do Século.

É daquelas propostas que devem gerar dúvidas. Pode ser um bom negócio, pode ser um mau negócio e pode ser um não tão bom negócio. A direcção do clube ter aceite não me espanta nem me alerta. Para mim o impensável é a enorme festa que se tem feio à volta de algo que não o justifica.

Os invertebrados… Esses aplaudiriam com a mesma força caso a noticia fosse “Benfica recusa 400M em 10 anos mantendo assim o investimento no projecto do seu canal”. 


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Direitos Televisivos nos 40 Milhões

NOS has reportedly presented an offer of €400m to the Portuguese football club Benfica to acquire the TV rights of Benfica’s home matches for the next 10 years (source: TVI), as well as the broadcasting rights of the French and Italian leagues that are currently under Benfica’s ownership. The contract would yield a €40m/year payment for Benfica, with some press (source: Expresso) also indicating that €25m would be to secure the rights and an additional €15m to ensure the exclusive content.
Opinion: We spoke to the company and although they did not confirm this possibility they also did not deny it, making us believe that there could be some sort of discussions ongoing between both sides. This would mark a change in the company’s approach towards sports content since the company has always relied on its partner Controlinveste to access these contents. We recall that NOS owns 50% of the leading sports Pay-Tv channel in Portugal – Sport Tv – with Controlinveste owning the remaining 50%. We believe the reasons behind this change could be related to Altice’s (PT Portugal owner and NOS’ main competitor) increased focus on sports contents (it recently acquired the English Premier League rights for the French market) with the company also making some approaches to other Portuguese clubs, namely Benfica. Benfica matches typically lead audience ratings in Portugal due to the club’s large supporter base, making it in our view the killer content in terms of sports which could explain this potential struggle between NOS and Altice – PT Portugal, especially if the content can be secured in an exclusive way which would be an important edge for any operator to achieve some market share gains. In this respect we highlight that Benfica has chosen to explore its TV rights through its own Pay-Tv channel BTv and it was able to acquire the broadcasting rights for Portugal of the English Premier League as well as the French and Italian leagues, which has allowed the channel to enjoy some success in recent years, with annual revenues exceeding €30m and a reported number of subs of roughly 300k. We recall that in 2014 before Benfica took the decision to explore its own rights, the club rejected an offer of €22.4m/year from Controlinveste to sell its rights; therefore an hypothetical offer by NOS of €40m/year would represent a significant inflation in the sports content in Portugal which we view with some degree of caution, especially if Altice is also willing to engage in this process and could lead to a widespread rise in sports contents costs in Portugal. However we stress that there is not that much more sport content that would justify this increased aggressiveness in the Portuguese market. We note the two other major football clubs Porto and Sporting have sold their rights to Sport Tv and those contracts only expire in 2/3 years’ time. Therefore this is not a short term issue, which highlights why the Benfica rights could be a swing factor if exclusivity can be ensured.

O que dizer?

Pelos vistos está a haver um maior interesse nos conteúdos desportivos em Portugal e os jogos do Benfica são de longe o produto mais interessante.
 
A Altice tem-se focado em expandir os seus conteúdos desportivos e isso parece ter feito aumentar o interesse da NOS em seguir o mesmo caminho.
A NOS que deixava tais conteúdos a ser geridos pela Controlinvest (dividem a Sport TV 50/50), parece estar disposta a uma abordagem mais agressiva.
 
Neste contexto parece ter chegado ao Benfica uma proposta da NOS no valor de 400M e com a durabilidade de 10 anos. Esta proposta resulta num pagamento de 40M/ano pelos jogos do Benfica e também pela transmissão dos jogos da Liga Francesa e Italiana. Este valor divide-se em 25M direitos televisivos e 15M pela exclusividade.
 
Esta abordagem parece conduzir a um grande aumento no valor dos conteúdos desportivos em Portugal, principalmente com o impacto que terá quando daqui a 2/3 anos terminarem os contratos em vigor entre Sporting e Porto com a Olivedesportos.

Portanto, uma proposta interessante mas não tão interessante quanto o impacto “400M” implica à primeira vista.
40M/ano é uma grande valorização da realidade actual.
 
Levanto é 3 questões:

- Como fica o projecto da BTV? Como sabemos o canal do clube não era um projecto maioritariamente financeiro. Este negócio coloca em questão a BTV como hoje a conhecemos. Além disso, negociar com a NOS não era voltar a dar força à Sport Tv?

- Como fica o projecto que está a ser negociado na Liga e patrocinado pelo Vieira? Estou a falar claro do projecto da Centralização dos direitos televisivos.

- Os 10 anos parece-me tempo demais. É um contrato mais interessante no curto-prazo do que no médio/longo prazo.

Aceitavam ou não a proposta?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Coerência guerrista à la President

Fernando Guerra Santos disse na BTV que o José Fonte é um exemplo de um grande jogador que teve de sair do país para acreditarem e apostarem no seu valor e que algo ou alguém falhou cá em Portugal mas que não vai fazer acusações.

Quando um telespectador refere que no Benfica não parece que se trabalhe do modo tão perfeito como o Pedro Santos Guerra diz e outro lembra que o José Fonte passou pelo Benfica e não teve hipóteses, Pedro Fernando responde algo como "Não, não. No Benfica tudo se tem feito bem! O jogador simplesmente estava tapado e portanto não tinha espaço! Já viu os centrais que tínhamos no Benfica? Temos sempre centrais de grande calibre."

Foi mais ou menos isto.

Como o Fernando Pedro deixou uma pergunta no ar, irei eu aqui tentar responder só para ajudar.

Portanto, este grande central que infelizmente teve de sair do país para mostrar o seu valor devido à incompetência de alguém no futebol português que continua a permitir estas situações, que não os profissionais do Benfica apesar de ter sido no nosso clube que ele não foi aproveitado, foi tapado pela qualidade excepcional e indiscutível de:

No primeiro ano - Luisão, Anderson, R.Rocha, Alcides.
No segundo ano - Luisão, Anderson , R.Rocha, Alcides, D.Luiz.
No terceiro ano - Luisão, D.Luiz, Zoro, Edcarlos e M.Vitor.
No ano que saiu - Luisão, D.Luiz, Sidnei, M.Vitor.

Se tivermos em conta que o D.Luiz só no quarto ano referido é que começou a jogar com mais regularidade...

Realmente o Guerra Santos tem razão.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Benfica-Sporting: segundo raio-X

Nem o Benfica dava sinais de ir conquistar todos os títulos do ano após a vitória sobre o Estoril, nem o Benfica parece agora, depois da derrota contra o Sporting, que está prestes a iniciar uma época desastrosa. São 15 dias de preparação, muitos jogadores novos, capacidade física alterada, um adversário que ontem jogou muito mais próximo do onze com que irá entrar na maior parte dos jogos oficiais do ano. Após estes dois jogos, há sinais positivos, outros negativos. Há dúvidas ainda, há algumas certezas. Compararei os sinais que este jogo me trouxe com as primeiras impressões que escrevi após o jogo com o Estoril:

1) Uma inesperada (pelo parco tempo de preparação) sintonia entre os jogadores e uma boa assimilação da filosofia de Jorge Jesus: sa saída de bola, vimos o médio defensivo baixar para os centrais abrirem; vimos a compensação do extremo na subida do lateral; vimos a procura de alternar entre o jogo interior e a busca pela verticalidade dos extremos; vimos os movimentos de aproximação ao miolo por parte do avançado; tentativa de combinação em triângulos: «extremo, médio, avançado» ou «lateral, médio, extremo», consoante a zona do campo em que procurávamos a construção de jogo; compensação do médio-defensivo à subida dos laterais; procura (ainda difícil) de sintonia entre o médio defensivo e o médio de transição; movimentos de ruptura de um dos avançados, procurando deixar o terreno livre para a entrada ou do extremo em diagonal ou do outro avançado, com espaço aclarado; pressão alta e orientada para os espaços exteriores para logo "sufocar" o portador de bola com dois e três jogadores; trabalho nas bolas paradas. 


Não há muito a acrescentar ao que escrevi há dois dias atrás. A equipa está, de facto, surpreendentemente bem rotinada após tão pouco tempo e esse é um mérito indiscutível do homem que, compreensivelmente, vem dizer que "só trabalho não chega; tem de haver qualidade". É incrível como esta Direcção tem minado o trabalho de Jorge Jesus, este ano chegando ao cúmulo do ridículo, destruindo por completo uma equipa campeã nacional. Por outro lado, Jorge, este será o ano em que terás plantéis com a qualidade com que os teus antecessores tiveram de trabalhar. Vais poder mostrar que és melhor do que Fernando Santos, Koeman, Trapattoni, Quique e Camacho. Pelo menos é isso que esperamos de ti. 

2) Luís Felipe entra directamente para a Wall of Cepos. Todos os anos, por alguma estranha razão, o Benfica decide contratar um mau jogador. Não é possível acreditar que Jorge Jesus ou a equipa de prospecção do clube tenham vislumbrado qualidade em Luís Felipe, tão mau é o rapaz; logo, temos duas hipóteses para esta contratação: deu alguma comissão ao treinador, ao Presidente ou a outro gajo qualquer; é importante ter nos treinos uma referência no sentido de o mister poder explicar como não se joga futebol - «olhem para o Luís Felipe, aquilo é tudo aquilo que vocês não podem fazer!». Luís Felipe entra assim na Wall of Cepos, continuando a saga que se iniciou com Emerson e teve continuidade com Cortez. Se o primeiro ficou absurdamente uma época inteira a titular, contribuindo para não ganharmos o título, já o segundo ia ficando não fora termos emendado a mão no último segundo de Agosto. Espera-se que Luís Felipe possa seguir as pisadas de Cortez e ficar já encostado para sair em Janeiro. A diferença é que Cortez veio emprestado e este, se ficar os 5 anos ligado ao clube, custar-nos-á 2 milhões de euros. Só 400.000 a menos do que... Garay.

Há pessoas que não têm nem talento nem conhecimento do jogo para analisar rapidamente um jogador. Por isso pedem tempo, "é preciso esperar para ver", etc, etc. Na verdade, saber ver talento num jogador é mais difícil do que saber ver que ele é um mau jogador. E Luís Felipe, para quem sabe e quer ver, é de facto um mau jogador. E para isso não são precisos 3 meses de visualizações; bastam três ou quatro jogadas. 2 jogos depois, os sinais que a primeira jogada do Benfica-Estoril me deu continuam perfeitamente vivos. É o cepo do ano, como já é tradição com esta Direcção. Convinha assumir o erro - tal como com Cortez o ano passado - e contratar um lateral-direito que dê garantias. Fica, no entanto, a pergunta: como é possível alguém dentro do Benfica achar que um jogador mau como Luís Felipe tem atributos para ser contratado?

3) João Teixeira. Uma surpresa no onze e uma boa surpresa em campo, embora não tenha feito um jogo exemplar. Cometeu alguns erros compreensíveis pela natural ansiedade em mostrar serviço de um puto que tem qualidade: bolas perdidas em zonas cruciais, alguns erros no passe, nem sempre mantendo o equilíbrio posicional aquando das subidas dos laterais. Positivo: muito boa antecipação dos lances, entrando em desarmes que denotam concentração e capacidade para antever o jogo adversário; disponibilidade física; agressividade positiva, disputando cada lance com o espírito competitivo que se exige a um jogador do Benfica; visão de jogo, encontrando boas e inesperadas soluções mesmo quando estava pressionado; a procura pelo jogo vertical interior - quase sempre para Talisca ou Derley - dá bons indícios sobre a forma como interpreta o jogo. 


Não mudo uma vírgula das primeiras impressões. Acrescentaria apenas: com este plantel com tão pouca qualidade e quantidade no miolo, não integrar João Teixeira será um erro dos grandes. Se for preciso, mudem-lhe o nome. Muito bom jogador, John Texas.


Visto o segundo jogo destes dois reforços, mantenho uma dúvida - Benito - e ganho uma certeza - César. 

Sobre o primeiro, preciso apenas de confirmar o seu jogo contra uma equipa diferente do Sporting; ou seja, uma equipa que privilegie um ataque continuado e não, como os leões ontem fizeram, um jogo de contenção e cinismo. O Ajax será um bom teste para avaliar se as preocupações que tenho com Benito são reais ou se o jogador consegue ser um bom reforço. Defeitos: mau posicionamento em situação defensiva, não antecipando os movimentos do adversário e caindo excessivamente na "queima" que ou o faz perder o lance e deixar o extremo ficar isolado ou o força a um jogo demasiado faltoso; nas bolas paradas, Benito hesita muito e é várias vezes apanhado fora do seu espaço, deixando o adversário com tempo para executar; com bola, procura pouco o jogo interior e as combinações com os médios - recorrentemente dá no extremo, ao longo da linha, o que mostra uma compreensão deficiente do que é o jogo. Virtudes: compensa bem o lado contrário da defesa, sempre que a equipa está descompensada; mostra tranquilidade e segurança no seu jogo; boa condição física, subindo e descendo sem dificuldades e sem ficar com as costas desguarnecidas; boa eficácia de cruzamento; consegue ser desequilibrador quando se aventura em zonas ofensivas. Em resumo, não me parece ser o lateral titular de que o Benfica precisa. 

Sobre César, julgo que estamos perante uma boa contratação. Bom jogo nas alturas; excelente a antecipar os lances - pelo ar ou pelo chão -; forte no desarme; percebe bem a necessidade de ser fiel à linha defensiva; tem segurança com bola quando sai com ela ou passa para o miolo, sem dificuldades; lançado em velocidade com o adversário, mostra-se rápido e eficaz na procura do espaço que lhe garanta o desarme. Deve procurar menos os passes de risco para o lateral, quando este está pressionado - a equipa tem de ter mecanismos que o protejam dessa opção, mas o jogador deve também saber defender-se e defender o perigo para a equipa de uma perda de bola em zonas perigosas. Resumindo, tecnicamente capaz, atleticamente forte, tacticamente inteligente, César é já, se Lisandro sair, o segundo melhor central do Benfica e o previsível titular, se não contratarmos ninguém para a posição.


Nada acrescento a "talento puro" e "cabe a Jesus burilar este diamante.

6) Derley deixava água na boca no Marítimo e ontem confirmou todas as expectativas. Sendo titular ou vindo do banco, será uma das figuras da época 2014/2015. Tem golo; tem presença física; sabe deslocar os defesas para a entrada dos colegas; combina muito bem com os extremos, não raramente mudando de posição com eles; de fora para dentro é perigosíssimo, tanto em diagonais dentro da área como aparecendo à entrada da área para finalizar um cruzamento; sabe recuar, tabelar, abrir jogo e rapidamente procurar a bola no espaço; nas recuperações de bola em transição, é óptimo porque sai rápido e decide geralmente bem. Não é um 9 puro, é mais um Rodrigo. O que quer dizer que, se Cardozo sair ou se mantiver lesionado, o Benfica precisa de ir ao mercado para ter uma opção mais "posicional" no ataque.

Nada acrescento a "será uma das figuras da época".


Nada acrescento a "fica a ideia para o nosso mister reflectir" e "Luís Felipe é um feliz contemplado na Wall of Cepos".

8) Bernardo Silva não pode entrar só a 10 minutos do fim, para uma posição que não é a dele e depois concluir-se que "não serve". Se o Jesus quer desperdiçar talento puro de um puto que é benfiquista até ao tutano, pode dizê-lo publicamente; isto assim é que não. Se quer desculpas, arranje outras. Não vale é fingir que se aposta quando na verdade está-se a apostar em não apostar. 


Diz mesmo tudo.