sexta-feira, 14 de outubro de 2011

César, o Imperador dos Algarves

Gostava de saber o que pensam as cabeças iluminadas que, logo no princípio da época, chamaram "gordo inútil" a Bruno César. Será que batem todos os dias com a cabeça na parede ou, num gesto muito conhecido de contorcionismo, hoje dizem a toda gente: "eu sempre vi a qualidade neste gajo"?

Não me apetece falar no jogo: foi lento, aborrecido, fraco. Muito por culpa de um gajo que decidiu atirar os seus onze jogadores para a área e lá deixá-los até que alguém se lembrasse que do outro lado estava uma baliza. No fim do jogo, o man tem a ousadia de dizer que o resultado foi injusto, entre outras animalidades. O que é que se passa com os treinadores das equipas adversárias, sempre que nos defrontam? Ópio, maconha, coca? Não, isso daria para uma moca decente. Os gajos enfiam, com seringa, a própria merda no cérebro.

O Capdevila esteve certinho. E foi isso. Se quer ter alguma hipótese - improvável - terá de se enquadrar muito mais nos movimentos ofensivos. Mas é bom deixar isto claro: a defender é MUITO melhor que o Emerson. Por mim, punha-o em Basileia.

Foi uma boa surpresa a exibição do nosso puto Miguel Vítor. Pode estar ali a solução para colmatar a falha no planeamento de pré-época. 

Podem dizer: o David Simão perdeu algumas bolas. É verdade, Gaitanizou um bocadinho. Mas a qualidade, é inegável, está lá. Tem de ter mais oportunidades.

O Bruno César é um 10. Pela milionésima vez: O BRUNO CÉSAR É UM 10! Que puta de jogador.

O Matic não é um 6. Cumpre, mas é a 8 que pode fazer a diferença.

O Nolito não apareceu hoje. Chamem o gajo para Basileira, que faz falta aquele rasgo.

Rodrigo - bom jogo e grande golo (desmarcação e frieza em frente ao guarda-redes). Para o ano já não está cá.

Até em Portimão ouve-se "SLB... filhos da puta... SLB"? Foda-se, a estupidez está mesmo em toda a parte.

Tenho saudades do Aimar.


Assistências
Aimar
4
Gaitán
4
Saviola
3
Cardozo
2
Witsel
2
Nolito
1
Bruno César
1
Luisão
1
M. Pereira
1
R. Amorim
1



Golos
Nolito
8
Cardozo
7
Bruno César
5
Saviola
3
Witsel
2
Gaitán
2
Luisão
2
Aimar
1
Rodrigo
1

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

E tu, se fosses Queiroz, que dirias?

Alto! Pára tudo! Queiroz pronunciou-se sobre a Selecção. Vejamos o que tem a dizer o responsável por Coentranizar Paulo Sousa num famigerado jogo:

"Comigo à frente da Selecção, a qualificação teria sido absolutamente natural, normal, consistente, e estaríamos agora na fase final do Euro". Falou e disse!

Pois bem, caro leitor, propomos-te a oportunidade de seres, por um dia, Carlos Carlinhos Queiroz e de, também tu, poderes dizer coisas bonitas do género das que disse o adjunto de Ferguson.

Começo eu: "Comigo a treinador do Sporting, o 6-3 nunca teria acontecido". 


terça-feira, 11 de outubro de 2011

João Vieira Pinto, o Deus-menino de Ouro

Foi desta forma





que João Vieira Pinto marcou o golo mais fabuloso alguma vez defendido por um guarda-redes. Daqueles momentos em que a História, em vez de continuar em frente, decidiu parar num tasco e embezanar-se a torto e a direito, mudando o destino de uma bola que, desde o princípio, estava prometida às redes da baliza do topo Sul do Estádio da Luz. Aliás, curiosa a circunstância de ter sido no velho templo que o destino de João Vieira Pinto não ficou indelevelmente marcado a um golo extraordinário - aquele Benfica de 97, aquele Estádio do Benfica de 97, aquela escumalha do Benfica de 97 não mereciam tão grandioso génio e o golo afinal deu em canto.

Custa-me sempre falar em João Vieira Pinto, herói e mártir nas mãos dos benfiquistas mais desavisados. Do menino de ouro a um renegado, assobiado no Estádio, foi um trajecto de vergonha mesclado com a confusão que deriva da escassez de neurónios na parte superior do cérebro.

Alguém poderá dizer, em consciência, que João Pinto foi algum dia um traidor? Para uns, sim, demasiadamente ocupados a limpar os esgotos de onde lhes sobressaem as ideias, pouco dados à ternura das emoções e à simplicidade da contemplação do que é belo. 

João Vieira Pinto foi um génio, um tornado que passou pelo futebol português e deixou cicatrizes e tatuagens profundas nos que o viram jogar: uns, despeitados, choram dores de feridas imaginárias; outros, agradecidos, olham os braços e vêem tatuados os momentos eternos em que o pequeno João deliciou as plateias com o seu talento instintivo.

Às vezes parecia que não via mais nada senão bola, baliza e golo. Mas era mentira. No último momento, soltava a redonda em frente a um colega e ele só tinha de empurrar para a baliza vazia; no último passe, centrava milimetricamente para as cabeçadas certeiras de avançados que, fossem bons ou maus, sentiam a vergonha de falharem golos tão fáceis. Às vezes, fintava de primeira, em recepção, e rematava forte para um dos cantos da baliza; outras, aparecia em peixinho a 20 centímetros do chão, rodava, torneava o pescoço e o pequeno corpo de mira microscópica, enquanto a bola, fiel, ia devagar aninhar-se nas redes laterais da baliza, junto ao poste mais distante.

No espaço, sempre no espaço, João jogava nos anos 90 como muitos treinadores ainda hoje pedem aos seus atletas que o façam: entre-linhas, no espaço, sempre no espaço, em diagonais, naquele lugar da relva onde ninguém imagina que a bola vai ter. Mais pequeno, mais fraco, menos intenso, João dilacerava defesas de postes de electricidade e bisontes altivos com a beleza das coisas simples: um toque, uma desmarcação, golo. 

Se Guardiola entrasse numa máquina do tempo e fosse hoje ao campo de treinos do Boavista ver jogar um João Vieira Pinto de 16 anos, ter-lhe-ia acenado com um contrato ultra-milionário e a promessa de vir a fazer história na melhor equipa do mundo. E estaria correcto, Guardiola. João Vieira Pinto foi aquele que nasceu antes do tempo de poder vir a ser, na melhor equipa do planeta, o melhor jogador da Via Láctea. Por anacronismo, mas também porque, no seu tempo, João Vieira Pinto teve medos, medos lusitanos, medos dos que preferem o conforto da cama, comida e roupa lavada à aventura da diáspora por terras desconhecidas. 

Uns dirão que, ainda assim, foi suficiente; outros que podia ter chegado mais longe, ao lugar dos deuses. Para mim, que o amo, só tenho pena de o ter visto desperdiçar talento num Benfica moribundo e decrépito e num Sporting, que sendo razoável na altura, nunca foi clube suficiente para tanta grandiosidade.

João Vieira Pinto merecia mais, merecia os grandes clubes e as grandes equipas. Teve-os unicamente nos primeiros anos de águia ao peito mas depois a águia morreu e com ela a oportunidade do menino de ouro se imortalizar em coisa etérea e mirífica.

Ficam, no entanto, os lugares que a História, mesmo bezana, não conseguiu apagar. Aqueles instantes em que, provavelmente imaginando a futura traição do destino, João decidiu levar com ele e dar aos outros de forma simples e solidária: momentos de genialidade pura. Como aquele, numa tarde/noite em Alvalade, em que, apoiado por grandes jogadores, destroçou completamente a melhor equipa do Sporting desde os 5 violinos. Marcou três, deu dois, podia ter marcado mais, deu outros a marcar, mas o que sobressaiu nesse glorioso dia foi a voz de um menino franzino gritando aos céus a entrada no panteão dos imortais:



Por mim, aceito o pedido. Por mim, és Deus, João.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

La Gloriosa - um fim-de-semana à Benfica!

1) Num jogo intenso e disputado até ao fim, um Benfica desfalcado de 3 das suas estrelas recuperou 12 pontos de desvantagem de forma fantástica no último período e acabou a vencer (65-63) o Porto e o troféu oficial António Pratas. Mais um para a lista de troféus, deste que é o mais titulado clube em Portugal. A Carlos Lisboa - o melhor português de todos os tempos -, o nosso Obrigado.

2) Em Futsal, uma equipa que não sabe defender - Paulo Fernandes, existe treino? - ganhou aos solavancos o Freixieiro por 6-4.

3) Parabéns a Bruno Pais pela medalha de bronze na Taça do Mundo em Triatlo. Como é óbvio (embora não o seja para todos), estando o atleta em representação do país, este feito não entra na contabilidade do clube. Fica, no entanto, a palavra de apreço a um atleta do Benfica que é dos melhores do Mundo no seu desporto.

4) Em Rugby, vitória do Benfica sobre o CDUL por 20-13.

5) Massacre em Andebol: 28-16 para o Benfica contra o São Bernardo.

6) Dupla jornada e duas vitórias em Voleibol, após a Supertaça conquistada: 3-1 contra o Caldas; 3-0 contra o Marítimo.

7) Em Hóquei, não houve jogo. Mas houve amor pelo Benfica do Maradona dos patins, Panchito Velásquez:

«Panchito Velázquez tem 36 anos, a sua carreira como jogador já pertence ao passado, agora é produtor de vinho, mas as memórias da sua passagem por Portugal e pelo Benfica estão bem vivas.
O argentino assume que os melhores anos da sua vida foram passados na Luz e que o seu maior desejo era ter aí terminado a sua carreira.
«No Benfica vestia a camisola e arrepiava-me, sentia pele de galinha. O apoio que tínhamos era impressionante. Acabavam os jogos e ficava uma hora a dar autógrafos e a tirar fotos. Fazia-o com toda a alegria. Gostava de ter terminado a carreira aí», disse o jogador, em entrevista ao jornal “Record”.
Essa realidade levou-o a aprender a gostar do clube, mais do que qualquer outro por onde passou: «Foi o único clube onde joguei e que fiquei adepto. No Benfica podiam deixar de pagar durante muito tempo que eu jogava à mesma».
A sua vida agora é feita em San Juan na Argentina e está dedicado à agricultura. Mas mesmo numa actividade bem diferente do hóquei em patins, o Benfica marca presença.
No pensamento do jogador está a mudança do nome da sua quinta de “Las Marys” para “La Gloriosa”.»
(www.desporto.sapo.pt)

Um fim-de-semana à Benfica, portanto.

domingo, 9 de outubro de 2011

Sporting, um clube sério e desportista

1) Um clube sério - Na ânsia de justificarem os tais mirabolantes 16.000 títulos, os sportinguistas já nem querem saber do que dizem as provas irrefutáveis (acham eles) que nos atiram em links consecutivos. A última discussão sobre o assunto revelou este, que é mais uma prodigiosa demonstração da imaginação fértil dos lagartos. Desde títulos regionais aos escalões de formação, há de tudo um pouco. Mas deixo-vos uma amostra dos títulos que eles contabilizam, só naquela de abrir a cara de riso, que, dizem, faz muito bem à saúde:

- Naide Gomes – vice-campeã da Europa no salto em comprimento e vice-campeã do Mundo em pista coberta
- Francis Obikwelu – 4.º lugar no Campeonato da Europa (100 m)
Arnaldo Abrantes, João Ferreira, - Francis Obikwelu – 6.º lugar estafeta 4x100 m no Campeonato da Europa
- Rui Silva - medalha de prata no Campeonato da Europa de Corta-Mato (equipas)
Irina Rodrigues - medalha de prata na Taça da Europa de Lançamentos sub-23 (disco); 5.º lugar no Campeonato Mundial de Juniores (disco)
Antónia Borges – 7.º lugar na Taça da Europa de Lançamentos (peso)
Sílvia Cruz - medalha de prata no lançamento do dardo
Patrícia Lopes - medalha de prata nos 400 m barreiras
Mário Teixeira - medalha de prata nos 3000 m obstáculos
Edi Maia - medalha de bronze no salto com vara

- Vice-campeões em Aquatlo.

- Torneio do Alto dos Moinhos e de Paço de Arcos em Andebol

- 5º lugar em Duatlo
- Corfebol - medalhas de bronze dos sub-16 e sub-19

É só uma amostra. Eu acho que, a este ritmo e com estes critérios, o Sporting tem é 160.000 títulos.

2) Um clube desportista - A saga Rinaudo continua. Desta vez, o violento anormal, em vez de entrar de sola à perna do adversário, decidiu falar no seu companheiro de selecção, Nico Gaitán. E de forma categórica e educada, como mandam as regras de um jogador à Sporting. Questionado sobre o próximo clássico entre as duas equipas, Fito-e-Falto não se coibiu de dar a sua achega:

«Esse jogo teremos de ganhar ou... de ganhar e se tiver que dar uma patada ao Nico, darei mesmo»

Nada como um gentleman dos relvados para nos ensinar as boas maneiras.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A política do bigode

Estranham o silêncio deste blogue em relação à vaca fria? É normal, temos habituado os nossos leitores à vergastada exemplar a Luís Filipe Vieira sempre que este comete pecadilhos - e se os comete com uma regularidade e pontualidade suíças!

A vaca fria terá de ficar para mais tarde, para quando compreendermos verdadeiramente que espécie de loucura/demência foi esta em, mais uma vez, apoiar um corrupto para os lugares do poder do futebol português.

Vieira é estúpido? Não me parece. Vieira é ingénuo? Não creio. Vieira tem uma agenda própria? Sim. Qual? Ainda está por entender.

Fica, no entanto, a pergunta: a agenda própria envolve defender o Benfica e recolher louros, PARA O CLUBE, deste desavergonhado apoio OU tudo isto não passa de mais uma vieirada de rei na barriga e olhos nos lucros próprios, saindo o Benfica prejudicado?

E, já agora, uma conclusão: apoiando um corrupto, é-se corrupto. Vieira não tem - há já muito tempo - legitimidade para criticar a corrupção no futebol português. Isso que fique claro, de uma vez por todas.

A vaca fria vai ficar a pastar. Até que alguém se decida a queimar-lhe o cu.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Emerson é exactamente o quê?

De entre 132 pessoas que votaram na sondagem, 58 (43%) escolheram a opção:

"Um bom jogador. Cumpre bem, não deslumbrando. Serve para as competições internas e para os jogos europeus com equipas do nosso nível"

o que traduz, de forma bastante razoável, a confiança que boa parte dos benfiquistas têm no seu lateral-esquerdo.

Houve também quem preferisse a opção

"É uma fantasia sexual do Jesus."

não se compreendendo muito bem se, optando por esta solução, discordam de que o brasileiro tenha qualidade ou se apenas preferem fazer pequenos anotamentos sobre o imaginário erótico de Jorge Jesus.

No outro lado do espelho, tivemos 8 marmelos que acham que o Emerson de tão péssimo jogador que é nem para as distritais serve, o que - convenhamos - é capaz de ser um bocadinho para o exagerado mas, enfim, é a democracia a tomar o seu lugar na tribuna.

Já eu encontro-me a meio destas deambulações. Escolheria a opção

"É razoável. Dá para o campeonato português, sem contar com os grandes."

o que faz de mim, é verdade, um adepto pouco satisfeito com a opção titular para a lateral-esquerda. Especialmente porque o Benfica tem no seu plantel um jogador com mais qualidade, com uma experiência internacional fabulosa e que tem sido ostracizado de maneira vergonhosa sem que alguém explique aos adeptos a razão de tal afastamento.

Da minha parte há, portanto, uma descrença óbvia nas qualidades de Emerson. E o medo - quase pressentimento, quase certeza - de que, mais cedo ou mais tarde, porá em causa objectivos primordiais da equipa, falhando em jogos nos quais os seus erros, mais do que falhas que o adversário não aproveita (como já ocorreu esta época), prejudicarão gravemente a equipa.

Como sempre, espero estar errado. Que Emerson seja homenzinho para me calar e fazer com que tenha de vir aqui daqui a um mês escrever um texto choroso a pedir lamentáveis desculpas pelo erro cometido. Nada me daria mais gozo.

Entretanto, ao discriminado campeão do Mundo, deixo uma música de conforto:



Mais duas Supertaças para o clube mais titulado da Via Láctea!

Caminhando a passos largos para os 10 milhões de títulos só em seniores (masculinos e femininos), sem contar com a formação, os torneios de quintal, as jogatanas na praia e as vezes em que um jogador do Benfica foi à casa-de-banho, o nosso clube lá trouxe mais um troféu a que os sportinguistas poderiam chamar de "desinteressante", tal a importância do mesmo. É que, no Sporting, um título é mesmo um título: e tudo o que seja ficar em primeiro lugar em alguma prova oficial num desporto relevante será sempre parte da minoria dos títulos aclamados.

No Benfica, loucos como somos, gostamos de manter a tradição: não só não colocamos 30ºs lugares em modalidades anónimas e em torneios não-oficiais na lista dos troféus, como apenas contabilizamos como título o que, de facto, é um título e um primeiro lugar de uma modalidade profissional e num torneio reconhecido oficialmente. Coisas nossas, naturalmente, coisas estranhas.



Por isso podem juntar à vitrine do Glorioso mais esta Supertaça em Voleibol, num jogo em que, em 3 sets, arrumámos o assunto contra o Fonte Bastardo, equipa de mérito que nos "roubou" o título o ano passado. Com o investimento feito, espera-se que a este se juntem Campeonato e Taça de Portugal. Parabéns, Benfica.

Por outro lado, estive a analisar a carreira das nossas meninas no Rugby. Desconhecia por completo a hegemonia que temos nesta modalidade. Para terem uma ideia, nos últimos 4 anos, o Rugby feminino do Benfica ganhou:

- Campeonato Nacional 2010/2011

- Taça de Portugal 2010/2011

- Supertaça 2010/2011

- Taça de Portugal 2009/2010

- Supertaça 2009/2010

- Campeonato Nacional 2008/2009

- Taça de Portugal 2008/2009

- Supertaça 2008/2009

- Campeonato Nacional 2007/2008

- Taça de Portugal 2007/2008

- Supertaça 2007/2008

O último foi ontem, com a Supertaça 2011. Agradecia a quem aqui vem e tem conhecimento profundo sobre modalidades mais desconhecidas e sobre a performance das nossas meninas nos vários desportos que praticam que me avisassem de todos os títulos que o Benfica vai vencendo. 

É que, ali em baixo, à direita, está uma lista dos títulos oficiais masculinos que o clube ganhou desde que o blogue teve existência. Mas, como é óbvio, não acompanho tudo o Benfica ganha e por isso agradecia que quem tiver um conhecimento aprofundado do assunto mo indique para que coloque os títulos em falta na referida lista. E, já agora, alguém mais conhecedor das modalidades femininas, que aborde o mesmo assunto, porque até agora coloquei só esta torrente louca e vitoriosa das nossas benfiquistas em Rugby. Quem diria: logo em Rugby. Ironias do destino.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

A fábula dos filhos da puta

Estamos em Outubro do ano de 2011. O ambiente é paradisíaco, o Benfica lidera campeonato e grupo da Champions, faz um futebol bonito, envolvente, romântico, o público festeja os jogos sem ódio aos rivais, apenas entoando durante longos minutos odes aos seus heróis. As pessoas riem, dançam, cantam, há no ar aquele ambiente de festa que todos antecipam poder vir a fazer meses mais tarde. 

Todo o país foi ocupado pela qualidade do jogo do Benfica. Todo? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis filhos da puta vestidos de negro ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para os talentos de legionários benfiquistas nos campos fortificados de Aimarom, Saviolium, Witselom, Nolitum, Cardozum e até, sim, em Cesarium,  terra do Imperador Brunus Cesarius.

O pequeno Bruno Estevix, herói apafiano e melhor amigo de Fernando Gomix, só tem medo de uma coisa: que a mão do druida Pinto da Costix lhe caia em cima. É o único medo que tem Estevix, o protagonista épico desta história que devia ser aos quadradinhos para o herói e para quem lhe dá a poção, feita de uma mescla muito trabalhada e antiga que envolve café com leite, fruta de época, quinhentinhos e uma essência especial muito secreta que só quem visita a Madalena pode conhecer.

Com este néctar dos Corruptos, Estevix e seus companheiros fiéis ganham uma força tremenda, uma energia superlativa, uma espécie de visão alucinogénica que os faz ver coisas que não existem e não ver outras que lhes aparecem aos olhos de quase tão perto como os javalis, ouro e menires que estranhamente vão aparecendo nas catacumbas antes do herói e seus compinchas subirem as escadas do Coliseu.

Nesta aldeia de palhaços irredutíveis, o que os move é o ódio aos legionários benfiquistas - sempre tão brilhantes nas suas armaduras, com a destreza de espadas que envergonha e humilha os que não aprenderam o ofício -, o que os move é a dor e a vergonha de serem apenas carne para animais repousarem as patas depois de comerem.

Estevix, embriagado de poção, usou de todas os golpes baixos que podia para que a contenda ficasse desequilibrada a favor das bestas. Mas nem assim pôde contra a força da arma em punho e do golpe rápido e incisivo com que os gloriosos benfiquistas atacaram o mal e dele fizeram trapo inconsequente e imóvel.
Estevix ajoelhou no pó, pediu clemência e o druida, enfadado com a impotência do seu servo, deixou-o sair catacumba abaixo, sem o ferir de morte.

Apenas deixando no ar a frase que corroeu por milhões de anos, pela eternidade, a alma do palhaço irredutível: "acabou-se a poção!".