terça-feira, 15 de novembro de 2011

O astronauta Vieira

É importante dar as boas-vindas a Luís Filipe Vieira, neste seu regresso ao planeta Terra após dez longos e extenuantes anos pelo espaço sideral. Desejar-lhe um bom resto de mandato e, se possível, que seja campeão já em andamento para a reforma do Benfica, porque certamente tem mulher, filhos, cães, papagaios, abutres e dinossauros à espera no alpendre de sua casa. 

Como é sabido, entre asteróides, planetas anões, estrelas, cometas e buracos negros, o cérebro tem tendência a mirrar de espanto perante tamanha grandiosidade universal; não raras vezes - pelos relatos a que temos tido acesso -, acaba mesmo por explodir, devido à compressão do ar, o que o faz, primeiro, expandir-se dentro do crânio, depois soltar-se aos jorros de sangue e, por fim, já em plena comunhão com o espaço, gravitar em milhares de pedacinhos para todo o sempre. 

Ao de Vieira, valha-nos nossa senhora!, esta tragédia não ocorreu mas, pelas declarações feitas ao sair da nave, penso ser da mais elementar evidência afirmarmos que se encontra num estado quase fetal - um cérebro ao nível de um rebento em gestação com duas semanas de vida umbilical.

Por outro lado, tenhamos a decência de dar um contributo positivo a tudo isto: haja compreensão. O que se terá passado - relatará a agência "LUSA" nos próximos dias - terá sido aquilo a que os especialistas consideram como um "salto no tempo", dimensão já por todos sabida ser de grande volatilidade aquando de uma massa cinzenta sem chão gravitacional. Vieira e o seu cérebro mirrado encontram-se hoje, em 2011, num loop que advém de terem parado há 10 anos atrás na vida terrestre, altura em que, vestido a preceito, subiu as escadas da nave enfiado numa máscara de carnaval muito parecida ao boneco Michelin com um penico na cabeça e esvaiu-se verticalmente num peido astrológico, furando, criando mazelas e destruindo a fina camada que protege o planeta do obscuro mundo infinito que o rodeia. 

Importa, portanto, nesta altura do campeonato, relativizar. O que pensa e, sobretudo, o que diz. Importa, numa primeira instância, ensinar-lhe a doença que tem - que é uma junção de amnésia com nescidade - e depois, já ciente da labareda que o afronta, pedir-lhe que feche os lábios muito devagarinho e que assim os mantenha até ao fim dos seus dias. 

Conceitos como "credibilidade", "competitividade", "estabilidade", são ideias muito interessantes para o ano 2000. Fazem sentido, imperam num Benfica destroçado por uma conjugação de factores, tractores e detractores e são obrigatórios para que o futuro comece a ser construído. O problema - para Vieira e, em consequência, para nós - é que o ano não é o de 2000, mas o de 2011, com novos desafios, novas metas e, acima de tudo, novas e astronómicas (não astrológicas) dívidas. Enquanto Vieira, da distância sideral, falava aos terráqueos benfiquistas durante estes 11 anos, o clube - pasmemo-nos todos! - existiu e foi transportado para ínvios caminhos alicerçado nos discursos e acções do nosso astronauta moribundo.  

Agora é, talvez, tarde para tão meritório discurso. Os avisos de alguns, ao longo desta longa caminhada no deserto - pontuada com breves momentos de chuva, que logo terminavam em seca profunda -, nunca chegaram devidamente catapultados pela força da tecnologia aos ouvidos - largos - do viajante do espaço e, gradualmente, enquanto a doença crepitava silenciosa por entre os pneus intergalácticos, adormeceram e extinguiram-se. 

Alguns dos que aqui permaneceram, poucos, foram avisando para o perigo de serem comandados do espaço por um líder eufórico - não de alegria, mas pelos ares opiáceos da grande mancha infinita. Levantaram-se problemáticas, indicaram-se novos caminhos, houve medo, preocupação, angústia. A tudo, o astronauta respondeu com a sabedoria dos pouco sábios: não ouviu. Imerso na alucinante janela da velocidade astral, o astronauta afundou o clube e afundou os que patrocinaram a sua epopeia além-planeta. Hoje, como ontem, o que permanece, o que verdadeiramente sobrevive aos actos grotescos de quem nunca amou o Benfica - porque nunca o chorou - é a capacidade regenerativa que nos faz, terrestres sem bilhetes de ida, preservar o nosso mundo. 
 
Ao astronauta enfermo, resta-nos reservar-lhe a nossa profunda e sentida mágoa, quase piedade. E enchermos o peito de ar, semearmos na terra um novo horizonte e esperar. Devagar, sem pressas, esperar. Pode ser que um dia acabemos por gostar de nós.



domingo, 13 de novembro de 2011

O sangue verde caqui-cacique

Este Sábado de manhã tinha tudo para ter sido um dia igual aos outros, não fosse ter aparecido nas mesas do café "O cacifo do Paulinho", ali como quem vira à esquina depois do "Sangue Leonino", uma bomba: Eusébio na capa a chamar racista ao clube de Telheiras!

O povo pôs-se em sentido, caíram cinzas de charuto no maple acolchoado do Senhor Telles Menezes que se levantou de súbito da mesa e gritou: ó Memé, dá cá o jornal que eu quero ler o que esse nhurra anda a dizer do meu querido Sporting!

Lidas as parangonas, Menezes não se conteve e dissertou assim, para toda a plateia ouvir (ver não podiam porque tinham o cabelo à frente):

"Como é que esta merda de Preto pode ser embaixador do futebol português, andar a mamar à custa da Seleção quando esta joga fora, se não tem respeito pela Instituição SPORTING? Devia calar a boca e mesmo que o sentisse, não o dizia! Só espero que quando a Selecção jogar em Alvalade, o atinjam com impropérios que o ofendam a sério. Preto do caralho!",

ao que se seguiu uma enorme e sentida salva de palmas, particularmente de Zacarias Ramalhosa y Mello (de nascença apenas Zacarias Ramiro mas que, entre viagens a Badajoz e uma conquista, mais tarde casamento, com Madalena Lopez Mello, acabou não só com distintos apelidos como com aquele "y" no meio, que tantas portas lhe abririam, mormente na famosa casa de concubinato "Veludo e Primavera", onde passava os serões a injectar heroína e a receber carícias de donzelas altamente qualificadas): "Brilhante, Chico Diogo, brilhante! É pô-lo no espeto, como fazíamos no Ultramar, caralho!". Aqui subiu ao ambiente um ligeiro mal-estar, especialmente na mesa dos Tomaz Britto, que prontamente se apressaram a responder ao bigode extremamente bem cuidado do antigo Zacarias Ramiro, hoje Ramalhosa y Mello: "Ó Ramalhosa, não diga essas coisas. Sabe perfeitamente que nós não dizemos "caralho". No máximo, um "apre" ou um "fosga-se"! Agora um "caralho", Ramalhosa y Mello? Francamente, nem parece seu!"

"Tem toda a razão, Manuel, mas o que é que quer? Quando me falam do meu querido Sporting, sobe-me a gravata ao pescoço!", respondeu Ramalhosa y Mello (antigo Zacarias Ramiro), com a cara intumescida, quase vermelha - o que o irritava duplamente porque, dizia ele, pior do que o objecto da fúria, só a imagem da mesma - tão visceralmente encarnada, cor dos pobres e dos trabalhadores.

Por esta altura, já uma vozearia ecoava por todo o café, sem que se percebesse, no meio dos escombros, palavras definidas ou sons perceptíveis - uma imensa mancha de ruídos alarvemente infectando o brandy do Senhor Leão de Campo de Ourique, que, num salto atlético, caiu em cima do balcão de mogno polido e botou discurso:

"Não diria melhor, Ramiro y Ramalhosa!" (era usual o Senhor Leão de Campo de Ourique, especialmente nos dias em que acordava a torradas e conhaque francês, deixar cair "acidentalmente" o berço de cheiro a sopa dos pobres de Zacarias Ramiro, numa luta intensa pela pureza da raça que já lhe havia custado dois dentes, um prato do Alandroal que muito estimava e uma pequena cadelita rafeira que, na emoção da contenda, acabou debaixo de um cd da Mafalda Veiga). "Embaixador do nosso futebol? Ouve lá ó cabrão: A primeira vez que ouviste um hino português nos jogos olímpicos, não foi ninguém do teu clube galináceo, besta quadrada. Porco preto!"

"Porco preto não, ó Campo de Ourique! Não se ofendem assim os porcos pretos! Tenha lá isso em consideração e continue, se fizer o obséquio...", exclamou Tobias Barbosa Vaz, enquanto dilacerava dois pedaços de gordura de presunto pata negra e fazia por esquecer a afronta a tão distinto animal que ele, com tanto cuidado, criava e assassinava à queima-roupa num terreno baldio numa terra esconsa da Andaluzia.

"Pronto, está bem, retiro o porco preto. É apenas e só um macaco gorila, um preto calcinha. As saudades que eu tenho de degolar-lhes os ventres, as tripas dos animais a saírem-lhes pela boca, aquelas bestas aos gritos a sangrar pelo cu!"

"É isso mesmo", gritava Biba Parvalheira, "ainda me lembro do meu Pai a trazer para a nossa casa de Sá da Bandeira os crânios dos nhurras atados uns aos outros que a gente desfazia o nó e usava como bola de futebol! Ah, bons tempos... as saudades que eu tenho de África...",

Ficaram nisto uma boa meia-hora, entre gritos histéricos, rememorações de genocídios belíssimos e sovas monumentais, quando entrou pelo café um senhor de tez escura.

"É aqui que se discute o sportinguismo?", perguntou, bebendo um carioca de gole.

"É, sim", disse Francisco Fernandes Fernandez , "e diz-se mal de pessoas como o macaia Eusébio, macaco apreciador do marisco tremoço, pessoa substancialmente diferente do que é o verdadeiro negro, como vosselência, que tem orgulho na sua raça!"

O senhor de tez escura olhou-o espantado, quase a rir, mas conteve-se. Virou-se para o resto das pessoas e disse ao que vinha:

"É só para avisar que, daqui em diante, os senhores vão passar a andar enjaulados".

sábado, 12 de novembro de 2011

Golos e assistências - 19 jogos oficiais


Golos
Cardozo
9
Nolito
8
Bruno César
6
Rodrigo
5
Saviola
3
Witsel
2
Gaitán
2
Luisão
2
Aimar
1


Assistências
Gaitán
7
Aimar
4
Saviola
3
Cardozo
2
Witsel
2
M. Pereira
2
Nolito
1
Bruno César
1
Rodrigo
1
R. Amorim
1
Luisão
1

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Não tem de quê, Senhor Elias.

Apesar de toda a discriminação e silêncio a que sou votado por parte do Senhor Elias - nem uma estatisticazinha depois dos jogos, um bilhete de borla, uns croquetes, nada -, não quero deixar de dizer, muito humildemente, que o Senhor Elias não tem de agradecer o extraordinário contributo que este blogue deu à iniciativa que visa chegar ao milhão de fãs no facebook.

Se bem se lembram, a 27 de Outubro recordei os adeptos benfiquistas com um post cirúrgico ao qual juntei uma foto e uma frase a roçar o genial logo à entrada do tasco. Com isso, não só garanti a profusão de "Likes" pela página do Sport Lisboa e Benfica como, numa primeira instância, pensava ter ganho a corrida ao convite para ser integrado numa comitiva até Manchester ou, quem sabe?, à final da Liga dos Campeões. Fraca tentativa, no entanto, que, do Departamento de Multimedia, ainda nada chegou e eu já estou cheio de fome.
Fica para a posteridade, então, o meu contributo a todos os títulos revelador de ser este um blogue que mexe com o povo (pense nisso, Senhor Elias) e que, por tal facto, fez arrancar a iniciativa para uma velocidade tal que, mais dia menos dia, terão de inventar outra que esta estará concluída.

Para terem uma ideia da dimensão do contributo: a 27 de Outubro, aquando do fantástico post que aqui se escreveu, o Benfica tinha 826.059 fãs. Hoje, após publicidade ao mais alto nível neste espaço (pense nisso, Senhor Elias), tem:

949.037! Em duas semanas, cerca de 123.000 "Likes", Senhor Elias! Envia os bilhetes para Old Trafford por correio ou tenho de ir ao estádio?
E, Senhor Elias, veja o crescimento dos nossos rivais, de 27 de Outubro para hoje:

Sporting - De 222.368 para 226.640 -» Nem 4.500, Senhor Elias, nem 4.500!
Porto - De 420.202 para 421.978 -» Nem 2.000, ó Elias Multimedia!

Não tem de quê, Senhor Elias. A morada para o cheque chorudo envio-lha por email, se não se importar.

E, como não sou de ressentimentos, deixo-lhe uma música do Maxi Pereira:










Bom fim-de-semana, lampiões.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O ruído dá garantias

Provado que está o silêncio (ensurdecedor) dos apoiantes de Vieira, voltemo-nos para o ruído da semana: as declarações do atrasado mental do Alan.

Sobre o assunto propriamente dito, tenho pouco a dizer do ponto de vista da discussão objectiva. O palhaço do Alan foi mandatado a dizer alarvidades pela marionete do seu Presidente que, por sua vez, tinha no cu um dedo enfiado do pintinho. É tão evidente que não merece que passemos mais tempo a discutir se o Alan é um filho da puta, se o Salvador é um cobarde ou se o pintinho é um corrupto. São factos provados e comprovados, deixemos a nojeira emporcalhar-se a si própria - se até o nosso líder parece satisfeito com tais actos, quem somos nós, meros "abutres", para botar faladura?

No entanto, as baboseiras do macaco Alan (que não é bem preto, é mesclado de preto com imbecil, que, esta sim, é a grande característica que o molda como ser humano) trouxeram - aos interessados, leia-se: portistas, braguistas, sportinguistas, enfim, todos os anti-benfiquistas, no fundo - o ruído necessário que era o intento primordial de toda esta palhaçada. 

Enquanto a comunicação social, e seus derivados, passou a semana a alimentar a novela do mentecapto Alan, aumentando o volume do ruído, o essencial - o fundamental - passou mais uma vez para secundário, nalguns casos, e, noutros, para a gaveta do esquecimento conveniente. A saber:

-  Em 8 anos de Estádio AXA, os apagões aconteceram "coincidentemente" num jogo contra o Benfica; isto após os anos anteriores em que, desde manobras dentro de túneis, arremesso de bolas de golfe, ambiente extremamente violento contra a equipa e adeptos benfiquistas e arbitragens nojentas patrocinadas por actos anti-desportivos, como a simulação do néscio Alan. Acaso, acidente, coincidência? Não cremos, mas aceitamos abrir a porta ao paranormal. Desde que a Liga e seu líder Gomes - amigo, já se sabe, do nosso Presidente - abram um inquérito profissional e responsável sobre as incidências do jogo do passado fim-de-semana. Até agora, falaram-nos em falha nas caldeiras. O ruído dá garantias.

- O Benfica saiu de Braga altamente prejudicado pela arbitragem. A comunicação social, sempre solícita a escancarar as vias da amnésia conivente, não abordou o assunto. A nossa Direcção não abordou o assunto. E assim ficaram dois pontos no Estádio AXA, sem que ninguém queira abordar o assunto. O ruído dá garantias.

- O "nosso" Presidente foi visto, enquanto o interruptor do Estádio fazia curtos-circuitos "acidentais", em alegre cavaqueira com personagens ilustres do nosso futebol: Mesquita Machado, Joaquim Oliveira, Fernando Gomes e António Salvador. Os jogadores não tomaram banho quente depois do jogo, porque as caldeiras estavam com problemas? Assunto menor, quando comparado com a necessidade diplomática de conviver com outras instituições de nobreza assinalável. O ruído dá garantias.

- Antes do jogo, Vieira abriu a boca. Como é hábito, entrou mosca e saiu merda. Veio avisar-nos - atenção que este era o mandato desportivo! -, assim de mansinho, que o que interessa é a credibilidade. A competitividade, logo se vê; se der, tudo bem; se não der, paciência, que isto com o Vale e Azevedo era mau e nós não temos a culpa. Ninguém leu bem a coisa, tão distraídos andavam todos com os banquetes de chouriças minhotas e couves tronchudas. O ruído dá garantias.

- João Pereira - esse ser que um dia foi odiado por todos os sportinguistas, vivos e falecidos, mas que hoje é capitão dos lagartos, numa comédia já habitual para aquelas bandas - pisou ostensivamente um jogador leiriense. Não viu amarelo, logo... está (estaria?) sob alçada da Liga e deve (devia?) levar sumaríssimo, o que o impossibilitará de jogar contra o Benfica, no próximo jogo. A comunicação social susurrou o assunto, muito baixinho para ninguém saber, a Direcção do Benfica, politicamente sempre tão abençoada pelo gesto carinhoso, nada disse nem mandou dizer e o Cajuda foi o único que abordou o assunto: o Sporting foi, tal como na jornada anterior contra o Feirense, claramente beneficiado. Desta vez, não ouvimos os histéricos comentadores sportinguistas falarem em pontos ganhos ilegalmente. Ninguém sabe de nada, não se passou. O ruído dá garantias.
 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Uma pergunta sincera aos apoiantes de Vieira (que, muito honestamente, gostava de ver respondida)

Qual é a diferença - ao nível da cegueira conveniente - entre os adeptos portistas que, a troco de títulos, aceitam apoiar um clube corrupto e os adeptos benfiquistas apoiantes de Vieira que, a troco de não sei o quê, aceitam ver o Presidente do seu clube, a troco de interesses pessoais (e contra os interesses do Benfica), sentar-se, em grandes amizades, ao lado de um dos responsáveis (mandatado pelo corrupto-mor) por esta nojeira nacional, corrupção ao mais alto nível e ódio ao Benfica, branqueando assim os vários escabrosos episódios que vão acontecendo em Braga?

A sério, gostava de saber. A pergunta é extensa, agradecia que as respostas também o fossem. Com argumentos, com inteligência, com provas de que faz sentido tudo isto. A sério, muito a sério, convençam-me de que Luís Filipe Vieira está a exercer as funções para que foi eleito - defender unicamente os interesses do Sport Lisboa e Benfica. 

Haiku lusitano

Se a árvore que dá pêras seca e mirra
não te afrontes no teu caminhar,
Salvador com outra fruta virá.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ó Estúpido, o Benfica é vermelho e branco!

Para quem lê este blogue há mais de dois meses, o conhecimento da minha crença não é novo; para quem não lê, ficará a conhecê-la mais em detalhe: acredito profundamente que os equipamentos alternativos devem ser a cópia fiel do principal, com as cores inversas. Se o equipamento é todo vermelho, o alternativo deverá ser todo branco. Se o equipamento é vermelho e branco, o alternativo deverá ser branco e vermelho. Tudo o que fuja disto, está errado. Aceito todo vermelho e derivados dentro das cores vermelho e branco e nada, mesmo nada, mais do que isto. 
 
E isto porquê? Por amor à História do clube, por respeito a quem decidiu as cores que nos representam e - aqui é que entra o sobrenatural, para alguns - porque é minha crença profunda de que o Benfica sai prejudicado em termos competitivos quando usa equipamentos que fogem às cores do clube e que, por isso mesmo, não fazem sentir aos jogadores que estão a representar o Sport Lisboa e Benfica. 

Pode parecer uma conversa de uma estupidez superlativa - esta de achar que um jogador do Benfica não sentirá o peso da instituição que representa se não usar as suas cores - mas não é. É algo até bastante natural e humano, bem distante de alguma espécie de prodigiosa evocação aos deuses ou do domínio do sobrenatural - o jogador não sente o peso, a história, a tradição e o nome do clube porque, quando olha em frente, sente no sul dos olhos cores repugnantes.

Aliás, pior do que sentir uma deformação de cores, o jogador não sente o encarnado viçoso sobre o corpo e isso, naturalmente, fá-lo-á correr menos, ter menos dose de superação, gastar menos gotas de suor naqueles minutos finais, falhar mais passes, ser menos solidário com os colegas, enfim, o jogador, quando envergando um cinza misturado com cor de merda, quase só quer fechar os olhos, aninhar-se junto a uma linha lateral sem tráfego humano e esperar pelo fim do jogo. E é humano, indescritivelmente humano, que um jogador queira desaparecer dos olhares dos outros quando vestido com tão desesperante e horripilante traje - que nem parece coisa de futebol, mas de algum torneio 12 horas de ping-pong, ali entre a Pontinha e Mem-Martins.

É importante que o Benfica saiba que, enquanto anda a desrespeitar a sua própria História, além de castigar os jogadores ao nível psicológico, está também a contribuir para um menor sucesso desportivo. Isto tem de ficar bem claro, de uma vez por todas. Aquilo que era, há um ano, uma ideia um pouco abstracta para mim, hoje é mais científica do que a certeza que todos temos sobre a verdadeira cor cerebral do Alan: é estúpido. 

Senhor António Elias, contacte os senhores do marketing e diga-lhes isto, está bem? Pode ser que um dia eles percebam que esta merda não é o Alverca.

Benfica - Trabzonspor (principal) - vitória
Trabzonspor - Benfica (alternativo) - empate
Twente - Benfica (alternativo) - empate
Benfica - Twente (principal) - vitória
Gil Vicente - Benfica (alternativo) - empate
Benfica - Feirense (principal) - vitória
Nacional - Benfica (principal) - vitória
Benfica - Guimarães (principal) - vitória
Benfica - Man Utd (principal) - empate
Benfica - Académica (principal) - vitória
Porto - Benfica (principal) - empate
Otelul - Benfica (alternativo) - vitória
Benfica - Paços Ferreira (principal) - vitória
Portimonense - Benfica (principal) - vitória
Basileia - Benfica (alternativo) -vitória
Beira-Mar - Benfica (principal) - vitória
Benfica - Olhanense (principal) - vitória
Benfica - Basileia (principal) - empate
Braga - Benfica (alternativo) - empate



Principal: 13 jogos, 10 vitórias, 3 empates



 Alternativo: 6 jogos, 2 vitórias, 4 empates

domingo, 6 de novembro de 2011

Ontem vi-te no Estádio sem luz

É oficial: este Benfica não tem categoria para se afirmar ao mais alto nível. Num jogo de dificuldade média, exceptuando lances esporádicos de alguma qualidade, banalizou-se perante uma equipa cansada e pouco capaz de criar verdadeiros problemas defensivos ao Benfica. Dois pontos perdidos, incapacidade para aproveitar o deslize do Porto e, acima de tudo, muito trabalho mal feito. Colectivamente, somos fracos. Individualmente, há ali muita gente que merecia receber uma mensagem do Saw.

Mas o resumo do jogo é simples:
 
Primeira parte: Luisão é puxado dentro da área - penálti obviamente NÃO assinalado.
Primeira parte: Mão involuntária de Emerson - penálti obviamente assinalado.
Segunda parte: Mão involuntária de Lima - penálti obviamente NÃO assinalado.

Quanto ao circo do acende-apaga-acende-apaga, o mínimo - o mínimo! - devia ser estádio interditado até final da época e derrota da equipa da casa. Estamos definitivamente no terceiro mundo.
 
Com esta incapacidade para extrair qualidade colectiva de tanto talento, com estes critérios arbitrais (chamemos-lhe assim, eufemisticamente) e com estes "truques", o Benfica só será campeão se mudar muita coisa naquilo que pode controlar. Ou seja, Jesus tem muito trabalho para apagar o mau trabalho que tem feito.

PS - Entretanto, em Alvalade - poiso do gajo que se diz benfiquista para foder o Benfica a torto e a direito mas que na verdade...

(foto retirada do "Em Defesa do Benfica")


a lebre continua a ser levada ao colo. Compreende-se: convém manter outro anti-Benfica na corrida, não vá o Hulk falhar mais penalties inventados. 



sábado, 5 de novembro de 2011

Nunca mais volto à Pedreira!

A importância do jogo de amanhã - pelo adversário, pelo historial recente na Pedreira, pela questão mental, pela contemporânea doença raivosa dos adeptos do Braga em relação ao Benfica, pela sequência de jogos fracos da equipa, pelo regresso de Jesus à linguagem da soberba e arrogância, pelas desculpas esfarrapadas que o técnico dá sobre a fraca qualidade exibicional e pela vantagem emocional que uma vitória terá e uma derrota aniquilará para o futuro da época - merecia um post longo, chato, entediante, feito de verdades óbvias.

Mas não me apetece. Toda a gente sabe que o jogo de amanhã será decisivo e moldará o ano competitivo. Também por isso acho que o Benfica - este Benfica que temos tido - não só não ganhará o jogo como sairá de Braga sem qualquer ponto.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O talento em retalhos


O problema maior de fazer análises resultadistas é que geralmente os que as fazem andam sempre equivocados – quando ganham, é tudo uma maravilha, não se pode criticar nada, quem critica é abutre – e, claro, surpreendidos – quando perdem, é tudo uma merda, a equipa é horrível e não há futuro. De uma vez por todas: a análise a priori é muito mais interessante e legítima que a que apenas documenta factos. Deixem-nos – escribas deste blogue - com as nossas previsões do apocalipse ou visões de miríficas paisagens futuras, se assim acharmos convenientes. E venham discutir futebol.

Neste sentido, o jogo de ontem era, mais do que uma mera hipótese, bastante previsível. O Benfica, se fosse um jogador no FM, seria daqueles que nos deixaria meia-hora a tentar perceber se o devíamos comprar ou não, tais as incongruências dos valores em que é muito bom e muito mau. O Benfica tem uma qualidade individual que pede, grita, exaspera por uma organização colectiva de excelência. E, no entanto, o que se vê é um grupo de jogadores que mistura grandes méritos com deficiências amadoras: 

- a pressão é deficiente e quase nunca orientada: sai um jogador (o mais avançado) ao central adversário, às vezes vai outro (se for Aimar, se for outro qualquer, não vai) procurar pressionar o lateral e depois há um vazio de 20 metros em que não há ninguém e a equipa afunda-se no terreno. Se a pressão não é colectiva e organizada, não vale a pena desperdiçar dois jogadores nesse momento e será preferível que também eles baixem e compactem mais atrás.

- nenhuma equipa consegue exercer pressão estruturada se 3 ou 4 dos 10 não levarem o movimento colectivo a sério. E isto acontece no Benfica demasiadas vezes. Há jogadores (Gaitán desde sempre, Bruno César, muito, Cardozo mais vezes do que devia) que pura e simplesmente andam a passo, à espera que a equipa recupere a bola para correrem – isto nem nos iniciados é permitido!

- a forma como um jogador encara o jogo, no sentido competitivo, é crucial. Observe-se Luisão, o seu esgar, a sua postura em campo, a constante preocupação em estar disponível para um desequilíbrio adversário. Pernas flectidas, mãos em equilíbrio, olhar atento – uma desatenção de um colega e lá está ele, pronto a socorrer e a recuperar a posse. Agora observe-se Gaitán, mesmo nas vezes em que vem apoiar o lateral – corpo mortiço, braços caídos, olhar difuso – qualquer movimento adversário mais rápido deixa-o pregado ao chão, sem tempo de reacção e feito o desequilíbrio. Esta diferença competitiva entre Luisão e Gaitán (e são apenas exemplos, embora os mais evidentes) não pode acontecer na mesma equipa. Porque, tacticamente, gera problemas óbvios, mas também porque vai criando frustração nos que trabalham exemplarmente e tudo dão desde que entram até que saem. Ontem, Luisão, mal acabou o jogo, dirigiu-se para os balneários, pior que uma barata. Como eu o compreendo. Mas aqui a culpa é de quem permite que jogadores passem meses a fio sem um pingo de dinâmica competitiva – a equipa técnica, naturalmente.

- as bolas paradas: há coisas que não lembram a uma equipa de Distrital, menos, claro, a uma equipa de topo como o Benfica. Já viram a forma como defendemos os cantos? Fica um gajo em cima da linha da área e a equipa reza para que a bola seja bombeada. Quando não é e o canto acaba por ser marcado curto, o adversário faz invariavelmente um 2 para 1 porque não há nenhum jogador do Benfica preparado para ir cobrir o segundo jogador. Este posicionamento é patético e gera situações perigosas vezes sem conta. Isto não é de hoje, é de há muito tempo a esta parte. Nos cantos ofensivos, não criamos perigo, sendo que uma boa percentagem é desperdiçada por pontapés sem energia para o primeiro poste, onde estão dois ou três adversários.

- A questão da mentalidade e da maturidade psicológica: ontem não tivemos no banco o nosso treinador porque ele andou em histerismos no último jogo sem necessidade. Com isso, ficámos com um zombie no banco e perdemos aquela energia que, quando as coisas estão mal, ao menos agita e deixa os jogadores em alerta. Culpa do treinador, claro, mas da falta de uma atitude mais reflectida, ponderada e inteligente sobre os acontecimentos. Veja-se Aimar e a forma como fala com os árbitros, depois de as faltas serem marcadas. Ontem levou amarelo, continuou, arriscou levar o vermelho e continuava em discussões estéreis. Nisto, Aimar falha e desde sempre. Depois vem Garay, já o jogo estava no intervalo, e continua e leva amarelo. Falta quem explique e aconselhe jogadores e treinador. Falta que a estrutura seja potenciada ao máximo e não que nos autoflagelemos por entretenimento e diversão. 

Em termos de abordagem ao jogo, nem sei que diga. Uma equipa que consegue sufocar o adversário por 30 minutos e depois abandona completamente o jogo e passa a navegar com o vento de trás e um gin-tónico na mão, não merce ganhar. Parece que agora o que está na moda é dizer "estavam a pensa rno próximo jogo", o que não deixa de ser um conceito curioso - assim, o Benfica está constantemente a jogar sem estar a jogar: contra o Olhanense, estava a pensar no Basileia, contra o Basileia estava a pensar no Braga. E que tal pensarem em marcar dois ou três golos e depois pensarem em marcar o quarto?

- As mudanças na equipa: vou pronunciar-me pouco sobre questões tácticas, porque já toda a gente sabe as minhas ideias. Mas não posso deixar de dizer que a substituição do Miguel Vítor pelo Luís Martins foi ridícula – e consequência de ter deixado um campeão do Mundo a ver o jogo sentado no sofá de casa. Como mau foi ter partido, mais ainda, a equipa, com a saída do Aimar e a entrada de Cardozo. Era altura para retirar Rodrigo, meter Cardozo, retirar Aimar, meter Amorim (subia Witsel, reforçando o miolo, que era onde estávamos a perder fulgor) e meter o Nolito pelo Gaitán, que estava cansado há duas horas. Não é que isto assim resultasse de certeza absoluta mas seria mais fácil dar certo do que aquelas ideias estapafúrdias de Raúl José (de Jesus?). 

- As individualidades: Artur, Luisão e Garay (um erro parvo, no entanto) são excelentes. E é por isso talvez que as pessoas achem que defendemos bem. O que é esquecido é que uma equipa não é necessariamente boa a defender por ter bons centrais e guarda-redes. O Benfica tem problemas nas alas – na esquerda, tem um jogador medíocre; na direita, tem um jogador que parece estar a querer voltar aos tempos de mediocridade (renovem com ele, caralho, não queremos de volta o Mini Pereira) -, tem um 6 que o não é e tem dois alas que não querem saber do apoio aos laterais. Defender bem? Claro que não. 

O golo do Basileia resulta de dois erros individuais claros (Maxi e Matic) mas também da deficiente forma como a equipa estava posicionada em campo. Martins esteve bem, dentro do possível (por mim, entre ele e Emerson, prefiro o puto), Maxi muito dado aos movimentos ofensivos mas, defensivamente, foi uma nulidade completa. Matic não é 6 – enquanto jogar nessa posição, esperem perdas de bola em zonas perigosas, lentidão de processos, afunilamento na zona central. Metam-no a 8 e irão descobrir um excelente jogador. Gaitán tentou (aleluia!), mas, como disse atrás, de forma deficiente – não basta estar lá a defender, é preciso estar em atitude competitiva e isso ele não tem (nem terá?). Bruno César fez o pior jogo de que há memória, mas ele não tem culpa que o metam nas alas. Witsel certinho, mas apagado, Aimar quase sempre bem, embora tenha de rever a forma como arrisca em demasia quando a equipa está balanceada no ataque – algumas perdas de bola são inadmissíveis. Rodrigo fez um golão, tentou muito mas nem sempre bem – é importante que o espanhol continue a ser visto como uma alternativa em vários jogos e não uma certeza absoluta. Tem qualidade, claro, mas também tem deficiências óbvias. 


O jogo de Braga vai ser muito difícil. Mas isso já todos sabíamos. Ou não. Os que não sabiam ficaram, desde ontem, a saber. 


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A culpa é do treinador (Jesus? Raúl?)

Não andava tão eufórico como muitos benfiquistas, mas tenho que admitir que já andava convencido de que éramos melhores do que, verdade verdadinha, temos mostrado ser.


Os últimos jogos já tinham dado pistas dos mesmos males de sempre: equívocos tácticos e um misto de falhas de concentração com perda de intensidade.


Hoje o Basileia foi mais equipa.


Porquê? Isso deixo para o Luis Freitas Lobo, mas tenho uns bitaites a “amandar”:


  • Esta merda do 4-4-2 sem 10 é uma diarreia táctica que tem definitivamente de acabar. No jogo de hoje, quando queríamos responder ao golo sofrido, tirar o Aimar é dar um peido quando se está de diarreia: sujámos a cueca.
  • Está provado que o affair “Capdevilla” foi um grande erro. Não pela exibição do puto, que até foi mais ou menos; mas porque ficou provado que o treinador não tinha uma alternativa credível, acabando por “queimar” uma substituição numa troca patética (mais uma vez sem culpar a exibição de quem saiu ou entrou).
  • O Gaitan, quando defende como os colegas só aguenta 50min.
  • O Bruno César precisava de um espelho retrovisor para ver o Maxi a entrar nas costas.
  • O Matic tem melhorado mas ainda continua lento a executar/pensar (tirando alguns passes de primeira). Apesar de ter algumas mais-valias face ao Javi a equipa fica claramente a perder.
  • O Cardozo justificou plenamente porque está no banco.
  • O Nolito não justificou nada.


E é isto. O mês de Novembro vai ser mais lixado do que pensava.

Temos tudo em aberto. Somos uma boa equipa, mas não somos claramente mais fortes que os rivais internos. Quanto à europa, somos bonzinhos, talvez ligeiramente melhores que o Basileia...



P.S.: Todos os árbitros foram mauzinhos, sublinhando os infindáveis equívocos dos bandeirinhas. Mas as lombrigas que ficam junto à pequena área são qualquer coisa! Aquele lance em que a bola quase que pisa os calos do gajo e ele mesmo assim não assinala canto é a coisa mais ridícula que vi no futebol desde o cabelo do Hulk.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eu sou do Benfica

Não me lembro da primeira vez em que me senti do Benfica - faço parte do núcleo duro daqueles cuja memória não aprofunda os interstícios do pueril. Deve ter sido com o eco do túnel à saída de um qualquer jogo, entre cimento, vozearia, calor e bandeiras de paus lascados por naifas desafinadas.

Percorria o caminho, desde o levantar o cu do betão frio e estridente até ao carro, com as pernas alavancadas nos ombros do meu Pai, como um pequeno Rei acenando à plebe em euforia.

O que sei é que, entre amores, saudades, memórias, encantos, desencantos, desesperos e inutilidades, me sinto do Benfica como não me sinto de outra tara qualquer. Amo, claro, as pessoas e as coisas; tenho, até - se é possível -, ternura por seres e momentos indizíveis, mas sinto, sobretudo, o meu sangue entregue a uma entidade sem corpo físico - é o Benfica e não se soletra.

Se vasculhar entre sonhos, actividades paranormais e sombras chinesas é possível que descubra indícios da nascente mas nada explica - e ainda bem - que eu seja, sem vírgulas, acentos, preposições, pura e simplesmente do Benfica.

Há o meu Pai - há sempre o meu Pai -, há a Catedral - a antiga,a fonte -, há gente em ternuras, cozinhados e bebedeiras; há o golo e o Veloso com uma camisola que levava os corações antigos e cheios de todos os que sangraram Cosme Damião.

Há estar aqui hoje, a destilar cinzas e gin num cinzeiro com o símbolo do Benfica.

Eu sou do Benfica e vocês? 

A entrevista de Rui Costa

Imperdível.