quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Os onze da minha vida (peço, desde já, desculpa aos que ficaram no banco de luxo: Artur, Luisão, Aldair, Miguel, Schwarz, Thern, Kulkov, Ramires, Isaías, Paneira, Simão, Diamantino, Saviola, Magnusson, Cardozo)

Ninguém me convence de que o melhor sítio para pensar não é a casa-de-banho. É lá que, entre nevoeiros, cheiros fétidos, manchas de humidade, roupa suja e cemitérios de champôs, a magia acontece. Pode ser sentado - em prantos ou em desvarios - ou em pé, olhando os ladrilhos – mas o sonho, a ideia, o pensamento, esses alimentam-se do espaço contíguo e desfazem tectos e soalhos, ultrapassam os telhados e só acabam lá longe, onde o céu acaba, o mar recomeça e o silêncio sepulcra novos mundos. 

Quantas vezes não dei por mim, entre vociferantes ondas gástricas, a ser irradiado pela luz cerebral? Ou de olhos fechados, chuva caindo aos bochechos pelo corpo, pensando e dirimindo geniais tratados de coisa alguma? Que o sonho ou a ideia não se concretizem para lá das paredes do espaço contíguo não será culpa de quem os idealizou mas da passagem irreflectida para o hall da casa, onde, como todos sabemos, ninguém pode reflectir decentemente, visto que as zonas de passagem fazem transbordar os pensamentos pelas frestas da porta, prédio acima, até à cozinha da velha rabugenta que logo atrai o mau karma, despedaça no chão as palavras e as varre lentamente para um canto onde as apanha, em cacos, e as mete no lixo. 

A culpa máxima de tudo isto – está bem de ver – não é desse sagrado lugar de peregrinação, recolhimento e meditação que é o lavabo, mas o facto de existirem outras partes da casa. Não houvesse nada mais e o mundo seria um reluzente jardim de espelhos de onde saíam, em jorros, constantes e alucinantes sonhos, ideias, utopias que nenhum homem poderia não alcançar. 

Seria assim: uma porta e uma casa-de-banho. A pessoa entrava – já descalça para não pisar os poemas -, sentava-se, libertava o que tinha a libertar e, nos entretantos, resolvia a fome em África e o conflito israelo-palestiniano. Depois levantava-se, limpava meticulosamente as arestas do texto, deitava as palavras que não interessavam, puxava o autoclismo e a água filtrava-se por dentro das paredes até surgir, qual imaculada fonte de frescura, nas casas dos outros e assim sucessivamente e assim sucessivamente e assim sucessivamente. 

Não havia nada mais para além disto: cagar e pensar. E às vezes, mais raramente, pensar e cagar! Tudo o resto, sem relevo. Tudo o resto, couves. Das quais, umas, se faziam cérebros e, de outras, alimento para o intestino. Num mundo destes, haveria alguma vez lugar para Fátimas Felgueiras ou Isaltinos Morais?

De modo que, num destes procedimentos quotidianos – imaginemos que o seriam -, dei por mim a reflectir sobre um post para este blogue. Foi um dia em que havia esgotado todas as Magalis e os Cascões, não me apetecia Chicos Bentos e nunca tive pachorra para o Cebolinha, que me lembrei de fazer um texto sobre o melhor 11 do Benfica que eu vi jogar. Bem sei: o Visão de Mercado é que tem essas ideias. Mas, caramba, eu não pretendo clicks na puta da publicidade nem tenho quase 3 milhões de leitores. Acho que me posso dar ao luxo de, dignamente, cagar as minhas ideias. Ou não?

E ele é muito simples, não requer explicações nem meias medidas. É tão evidente que nem precisei de ganir sentado. Talvez nem tenha chegado a mijar decentemente e já os 11 do Benfica vinham-se-me ao espírito de forma inatacável. E reza assim:






                               




























quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O meu avô era sportinguista. Ensinou-nos, a mim e ao meu Pai, o valor do respeito entre os dois clubes rivais. Mostrou-me os feitos do seu clube, fez-me compreender a grandeza do Sporting Clube de Portugal. Aprendi, com ele, a noção de generosidade. Pelas palavras e pelos actos: fez do meu Pai um Benfiquista porque o levava ao Estádio da Luz para ver o Eusébio. O meu avô gostava de ver o Eusébio e levava o filho com ele. Fez do filho Benfiquista, sem o querer. Isto é muito importante e às vezes esquecemos estes pormaiores em função da boçalidade com que lidamos diariamente. Por isso, hoje trago outro exemplo de sportinguismo - não lagartismo - que acho fundamental que fique bem explícito. A inteligência, vinda de quem vier (e de que clube for), tem de permanecer sobre as outras coisas. Esta é a ideia do MM, do Sporting Autêntico, sobre toda a novela em torno do Pantera Negra:


Chamo a este post dois nomes, três instituições, e um tema triste. Os nomes, são: Eusébio da Silva Ferreira e José Eugénio Dias Ferreira.

O segundo chamo para citá-lo,
"É assim o "fair - play" dos Sportinguistas.
Parabéns. Saudações Leoninas"
23/01/2010, 01:15 da madrugada.

Sportinguistas reforço, e não adeptos do Sporting. Muitos, entre nós, somos uma e a mesma coisa - jamais me convencerei do contrário, outros, adeptos do clube, importantes e indispensáveis adeptos do clube.
Sportinguista, é um conceito que vai muito além da filiação ou preferência clubística.
É um conceito que tem origem na palavra escolhida por José Alvalade para baptizar o clube que fundou, Sporting, um (forasteiro, link) nome que tem significados. Muito me orgulha tê-lo José Alvalade escolhido. Se me perguntarem, não poderia ter escolhido um melhor, e vou a Oxford e aos seus dicionários ver o que estes me dizem sobre ele:

Sporting, [attributive]
1. connected with or interested in sport.
2. fair and generous in one's behaviour or treatment of others, especially in a contest.
Justo e generoso no comportamento próprio ou tratamento de outros, especialmente em disputa. Parece-me claro sobre aquilo que Sporting(uista) significa(m).

Adepto do Sporting, aquilo que os termos sugerem.
Coisas muito diferentes.

Cito Dias Ferreira por uma razão: não existe Sportinguismo sem fair-play, e não existe fair-play sem respeito. Não existe, então, Sportinguismo sem respeito, e é aqui que entra Eusébio da Silva Ferreira e duas das instituições para este post chamadas: o Sport Lisboa e (o) Benfica. O tema é sobejamente conhecido, infelizmente. O trato que lhe foi dado, reconhecidamente infeliz. Já lá vamos.

Quem é leitor deste espaço já se apercebeu certamente de cinco coisas:

. Não são toleradas faltas de respeito pelo Sporting CP
. Não falamos necessariamente daquilo que outros falam
. Não existem regras outras que não derivem do bom-senso
. Cada um fala por si, e ninguém compromete alguém
. Todos, comprometemos o Sporting Clube de Portugal

Nesta linha se insere o post, e mantenham atenção sobre as duas últimas das cinco supra-mencionadas: falo em meu nome; não falo em nome do Pedro e do Álamo, e vou dizer aquilo que em seguida direi porque sinto necessidade de bem desenhar um compromisso entre o Sporting CP e a infeliz questão da entrevista que Eusébio concedeu ao "Expresso", compromisso esse que não vi ser feito.

Não li ainda a entrevista. Nem irei lê-la: não tenho interesse.
Como tive oportunidade de dizer há dias, não sei porque teria interesse em ler uma entrevista do Eusébio, e quem diz Eusébio poderia dizer Humberto Coelho, Fernando Gomes, ou outros. É uma entrevista que embora mencione o Sporting CP, fomentará interesse (imagino) junto dos benfiquistas - adeptos do(s) clube(s) ao qual Eusébio se associa. Pessoalmente, não me desperta qualquer curiosidade. Despertá-la-ia caso tivesse sido oferecida por Mário Coluna, como exemplo.
São questões de gostos pessoais, evidentemente.
Falo em meu nome, repito, e nada de certo ou errado. É o que existe.

O compromisso serão, então: provar quão errado Eusébio está naquilo que as letras gordas e títulos da entrevista sugerem [que nao são, necessariamente, aquilo que (ele) disse], e provando-o da forma que me parece a mais correcta de todas:
Manifestar compreensão pelas suas palavras; ele não desgostará do Sporting mais do que aquilo que eu, como exemplo, desgosto do Benfica. Pelo contrário.
Presumir como verdadeiras as afirmações caucionadas ao Sporting de Lourenço Marques, e presumi-las desse modo porque nada têm que ver com o Sporting Clube de Portugal e não me parecem afirmações chocantes ou pouco plausíveis de conterem verdade.
Pequena nota: há dias assistia no "Yesterday" a (um género de "Canal História", mas pior) um programa muito bom que olhou para a problemática Nazi associada ao Desporto. Nele, imagens estranhas (a posteriori) da comitiva Britânica nos Jogos Olímpicos de Berlim, 1936, executando a saudação Nazi a Adolf Hitler e seus camaradas, aquando da cerimónia de abertura. Ilações? Muitas. Nenhuma, seguramente, que sugira descuido da Grã-Bretanha na forma rápida e clara como chamou e perdeu centenas de milhar dos seus (civis e militares), viu dizimadas históricas cidades Inglesas ou, viu Londres endurar o brutal Blitz, quando durante largo tempo manteve-se isolada na guerra que levou a Hitler e ao regime Nazi, por essa Europa fora, quando nem fazia parte dos planos de Hitler, ou do regime Nazi, invadir ou pretender subjugar territorialmente essa mesma Grã-Bretanha.
Pequena nota que serve para dizer algo muito óbvio: porque motivo se sentem os adeptos do Sporting chocados pela declaração de que o Sporting de Lourenço Marques era um clube "da polícia, da elite e dos racistas"?. Alguém prova o Eusébio errado? Gentes de Lourenço Marques e que viveram no tempo de Eusébio podem fazê-lo. Os outros todos, o máximo que podem é adivinhar ou inventar. O Eusébio até poderia ter dito que o Sol não é amarelo e o Céu vive abaixo da terra. E depois? São coisas que só comprometem o Eusébio e, em última análise, o Benfica.
E foi isso que ele fez, de resto. Nada mais.
Ao passo que muita gente olha para esta fotografia e nela vê não sei o quê, eu vejo algo bastante evidente e que cola (talvez) com aquilo que Eusébio afirmou: 3, ou 4, não consigo distinguir muito bem, jogadores de côr. Os restantes, brancos.

Novamente, não li nem irei ler. Também, porque não preciso. Pego antes numa entrevista de 02/02/2002. Uma bem melhor do que aquela dada ao jornal Português, escusando-me assim de fazer mais publicidade a quem não merece. Entrevista onde Eusébio fala novamente (tempo passado, 09 anos), entre outras coisas, do Sporting de Lourenço Marques. Revista "Africa Today" (link), e uma maravilhosa entrevista onde pode ver-se Eusébio, entre outras coisas, afirmar (link):

O hino do meu clube [no telemóvel] (...) eu gosto deste hino, porque há vários. Gosto deste porque ao mesmo tempo faço uma homenagem a um grande homem do Benfica, que está aqui no coração [Luís Piçarra]. Era amigo dele, quando estamos aqui a almoçar, é sempre no balcão, peço para me ligarem de propósito para ouvir o hino, porque tenho aqui os meus amigos sportinguistas.

Jogar à bola não é para qualquer pessoa. Há uns que dão pontapés na bola, há outros que jogam à bola! Falo de mim e dos meus amigos de coração e colegas, Pelé, Bobby Charlton, Cruyff: esses são jogadores da bola! Hoje também há, mas não se pode fazer comparações. Tenho orgulho de estar neste grupo, porque é uma geração que não vai ser esquecida. É bonito recordar isto, porque quando vou com o meu primo e com outros amigos treinar com a minha equipa, os Brasileiros de Mafalala [bairro de Maputo, Moçambique], vamos treinar no Desportivo [Grupo Desportivo de Maputo], filial do Benfica. E não existia muito o Sporting [Sporting Clube de Lourenço Marques], que era de elite [filial do português Sporting Clube de Portugal]. O branco estava ali, o preto não era aceite. “Como eles não te querem ali eu agora vou assinar para tu jogares”, disse a minha mãe. “Mãe não faça isso, mano diga à mãe para não assinar”, respondi. Ela de futebol era zero.

"O branco estava ali, o preto não era aceite"

Não faço ideia de como as palavras de Eusébio foram expostas no jornal Português - o título, esse, é uma vergonha - mas reparem como lidas no contexto de quem ouve o Eusébio ... rigorosamente nada têm de chocante. Foi de resto esta, a primeira sensação que tive quando há dois dias - sem ler nada do que Eusébio havia dito - senti-me profundamente incomodado quando vi adeptos do Sporting em vários sítios diferentes tratar o Eusébio por "preto lampião" e "racista" ou "javardo". Tenho a certeza que mais Sportinguistas se sentiram incomodados. É esse o objectivo deste post, oficializar (passe a expressão) esse incómodo, e deixar claro o nojo que as palavras de alguns adeptos do meu clube escreveram.

O meu falecido pai, malangino [da província de Malange], não, jogou na selecção e foi transferido para os Caminhos-de-Ferro de Moçambique. Tinha sete, oito anos quando ele morreu, com tétano. Ele e o meu sogro eram amigos e jogaram na mesma equipa, o Ferroviário. Em África, onde há comboios há uma equipa do Ferroviário. Lá trabalhava-se e depois jogava-se, o meu pai era médio (...) Estamos a falar nisso e estou a puxar o princípio da conversa, o facto de o treinador não aceitar ficar com um jogador sem saber [Grupo Desportivo de Maputo, filial do Benfica]. Os colegas diziam que eu era o melhor do bairro… “Quero lá saber”, dizia ele. Arrependeu-se, porque marquei três golos ao meu clube, o Desportivo, e todos os meus colegas sabiam que era do Desportivo. Sempre disse que não sou do Sporting. Pagam [o Benfica] 250 contos, a minha mãe assina uma declaração a dizer que se o seu filho não se adaptasse o dinheiro estava depositado no Banco Nacional Ultramarino e tinha passagem ida e volta e tudo. Acabei por ganhar um prémio de 100 contos, muito dinheiro na altura. O outro treinador é que ficou mal visto, está vivo e somos amigos, vive em Carcavelos [arredores de Lisboa].

Primeira vez que leio tal coisa escrita e explicada. Já o sabia, de resto, a título privado: nunca o Eusébio se comprometeu ou apalavrou com o Sporting Clube de Portugal. Insinuar tal coisa é um disparate, inventar, para mais quando dito como forma de maltratar o carácter do Eusébio. A história como a conheço, e uma que é verdadeira, acrescenta a esta somente um pormenor: os dirigentes do Sporting CP tentaram junto da Mãe de Eusébio que ela assinasse um compromisso com o nosso clube. Porém, os do Benfica levaram na bagagem dinheiro. Os do Sporting, uma letra (título de crédito endossável). Seja como for, o dinheiro (mesmo que não tivesse cheiro ou côr) do Benfica, superava o montante da letra do Sporting. Mas mais, o Eusébio nunca quis jogar ou ser do Sporting. Tal é claro.

... e vou continuar a dizer, com muito respeito que tenho pelo Sporting enquanto clube e pelos grandes jogadores que por lá passaram. O Hilário, que é mais velho que eu três, quatro anos e somos do mesmo bairro, sabia disso (...) e como ele me conhece bem falou comigo para ver se ...
Mas eu disse que não, que não valia a pena. Assinei contrato com a autorização da minha mãe, aliás, ela é que assinou. (...) As equipas de África sempre jogaram como os brasileiros, é festa, o prazer no futebol (risos). Empatámos 2-2. Houve uma equipa que forçou a minha vinda para o Benfica, o Ferroviário de Araraquara. O senhor José Carlos Bauer, o treinador, foi jogador do Béla Guttmann no São Paulo, que na altura treinava o Benfica. Joguei contra eles e perdemos 3-1, mas marquei o golo. Ele é que foi falar com o Guttmann. “Mister está lá um menino espectacular, é contratar já”, disse. O processo acelerou assim. Foi quando o Benfica pagou logo 250 contos, e o Sporting, isso é que é triste, quis que viesse à experiência. Epá, não pode. A minha mãe e o meu irmão não eram malucos ...

O que tem isto de extraordinário? E o que terão as palavras de Eusébio ao "Expresso" de extraordinário? Alguém duvida que o Eusébio respeita o Sporting Clube de Portugal, ou alguém duvida que o Eusébio tem alguns dos seus melhores amigos no Sporting Clube de Portugal? Alguém julga que o Eusébio vê o Sporting Clube de Portugal como um clube da elite ou de racistas? Cuidado, por favor, porque o desrespeito é uma coisa muito feia. Toda a gente sabe, como exemplo, que odeio o Benfica. Odeio-o, ponto final. E sem hipocrisias de nenhuma espécie (ao contrário de outros) assumo o meu natural anti-benfiquismo, um de que me orgulho. Repito, orgulho, porque não reconheço ao Benfica e nos benfiquistas valores que são parte da génese de um clube como o Sporting. Isto, é uma coisa. Enfiará a carapuça quem quiser. Outra ... algo que jamais faria, desrespeitar um símbolo do SLB. Não é o dizermos "o Benfica é isto ou aquilo ou os benfiquistas são isto e acoloutro", antes, insultarmos em concreto o carácter de um pessoa que é um símbolo vivo daquele clube, sem que tenha ela feito qualquer coisa que o mereça. E fazê-lo com socorro a tons racistas, ou tons degradantes que pegam nas capacidades oratórias do Eusébio ou que falam sobre a sua inteligência ... tons que nada têm que ver com o Sporting Clube de Portugal e com aquilo que ele é há 106 anos.

É só isto aquilo que me importa afirmar.

Regresso a José Eugénio Dias Ferreira, e às palavras que numa madrugada escreveu a propósito de uma visita muito especial ... a visita de Eusébio da Silva Ferreira a um núcleo. Núcleo do Sporting Clube de Portugal na terra onde está sediada a filial Sporting de Lourenço Marques, Maputo.
Caros amigos, é assim o fair-play dos Sportinguistas e é assim o Sporting.
Disso não tenham grandes dúvidas, independentemente da força que uma mensagem entre muitas possa conter. No mais pequeno dos cenários, é a minha mensagem, e uma que me vincula a mim.»
  


terça-feira, 15 de novembro de 2011

O astronauta Vieira

É importante dar as boas-vindas a Luís Filipe Vieira, neste seu regresso ao planeta Terra após dez longos e extenuantes anos pelo espaço sideral. Desejar-lhe um bom resto de mandato e, se possível, que seja campeão já em andamento para a reforma do Benfica, porque certamente tem mulher, filhos, cães, papagaios, abutres e dinossauros à espera no alpendre de sua casa. 

Como é sabido, entre asteróides, planetas anões, estrelas, cometas e buracos negros, o cérebro tem tendência a mirrar de espanto perante tamanha grandiosidade universal; não raras vezes - pelos relatos a que temos tido acesso -, acaba mesmo por explodir, devido à compressão do ar, o que o faz, primeiro, expandir-se dentro do crânio, depois soltar-se aos jorros de sangue e, por fim, já em plena comunhão com o espaço, gravitar em milhares de pedacinhos para todo o sempre. 

Ao de Vieira, valha-nos nossa senhora!, esta tragédia não ocorreu mas, pelas declarações feitas ao sair da nave, penso ser da mais elementar evidência afirmarmos que se encontra num estado quase fetal - um cérebro ao nível de um rebento em gestação com duas semanas de vida umbilical.

Por outro lado, tenhamos a decência de dar um contributo positivo a tudo isto: haja compreensão. O que se terá passado - relatará a agência "LUSA" nos próximos dias - terá sido aquilo a que os especialistas consideram como um "salto no tempo", dimensão já por todos sabida ser de grande volatilidade aquando de uma massa cinzenta sem chão gravitacional. Vieira e o seu cérebro mirrado encontram-se hoje, em 2011, num loop que advém de terem parado há 10 anos atrás na vida terrestre, altura em que, vestido a preceito, subiu as escadas da nave enfiado numa máscara de carnaval muito parecida ao boneco Michelin com um penico na cabeça e esvaiu-se verticalmente num peido astrológico, furando, criando mazelas e destruindo a fina camada que protege o planeta do obscuro mundo infinito que o rodeia. 

Importa, portanto, nesta altura do campeonato, relativizar. O que pensa e, sobretudo, o que diz. Importa, numa primeira instância, ensinar-lhe a doença que tem - que é uma junção de amnésia com nescidade - e depois, já ciente da labareda que o afronta, pedir-lhe que feche os lábios muito devagarinho e que assim os mantenha até ao fim dos seus dias. 

Conceitos como "credibilidade", "competitividade", "estabilidade", são ideias muito interessantes para o ano 2000. Fazem sentido, imperam num Benfica destroçado por uma conjugação de factores, tractores e detractores e são obrigatórios para que o futuro comece a ser construído. O problema - para Vieira e, em consequência, para nós - é que o ano não é o de 2000, mas o de 2011, com novos desafios, novas metas e, acima de tudo, novas e astronómicas (não astrológicas) dívidas. Enquanto Vieira, da distância sideral, falava aos terráqueos benfiquistas durante estes 11 anos, o clube - pasmemo-nos todos! - existiu e foi transportado para ínvios caminhos alicerçado nos discursos e acções do nosso astronauta moribundo.  

Agora é, talvez, tarde para tão meritório discurso. Os avisos de alguns, ao longo desta longa caminhada no deserto - pontuada com breves momentos de chuva, que logo terminavam em seca profunda -, nunca chegaram devidamente catapultados pela força da tecnologia aos ouvidos - largos - do viajante do espaço e, gradualmente, enquanto a doença crepitava silenciosa por entre os pneus intergalácticos, adormeceram e extinguiram-se. 

Alguns dos que aqui permaneceram, poucos, foram avisando para o perigo de serem comandados do espaço por um líder eufórico - não de alegria, mas pelos ares opiáceos da grande mancha infinita. Levantaram-se problemáticas, indicaram-se novos caminhos, houve medo, preocupação, angústia. A tudo, o astronauta respondeu com a sabedoria dos pouco sábios: não ouviu. Imerso na alucinante janela da velocidade astral, o astronauta afundou o clube e afundou os que patrocinaram a sua epopeia além-planeta. Hoje, como ontem, o que permanece, o que verdadeiramente sobrevive aos actos grotescos de quem nunca amou o Benfica - porque nunca o chorou - é a capacidade regenerativa que nos faz, terrestres sem bilhetes de ida, preservar o nosso mundo. 
 
Ao astronauta enfermo, resta-nos reservar-lhe a nossa profunda e sentida mágoa, quase piedade. E enchermos o peito de ar, semearmos na terra um novo horizonte e esperar. Devagar, sem pressas, esperar. Pode ser que um dia acabemos por gostar de nós.



domingo, 13 de novembro de 2011

O sangue verde caqui-cacique

Este Sábado de manhã tinha tudo para ter sido um dia igual aos outros, não fosse ter aparecido nas mesas do café "O cacifo do Paulinho", ali como quem vira à esquina depois do "Sangue Leonino", uma bomba: Eusébio na capa a chamar racista ao clube de Telheiras!

O povo pôs-se em sentido, caíram cinzas de charuto no maple acolchoado do Senhor Telles Menezes que se levantou de súbito da mesa e gritou: ó Memé, dá cá o jornal que eu quero ler o que esse nhurra anda a dizer do meu querido Sporting!

Lidas as parangonas, Menezes não se conteve e dissertou assim, para toda a plateia ouvir (ver não podiam porque tinham o cabelo à frente):

"Como é que esta merda de Preto pode ser embaixador do futebol português, andar a mamar à custa da Seleção quando esta joga fora, se não tem respeito pela Instituição SPORTING? Devia calar a boca e mesmo que o sentisse, não o dizia! Só espero que quando a Selecção jogar em Alvalade, o atinjam com impropérios que o ofendam a sério. Preto do caralho!",

ao que se seguiu uma enorme e sentida salva de palmas, particularmente de Zacarias Ramalhosa y Mello (de nascença apenas Zacarias Ramiro mas que, entre viagens a Badajoz e uma conquista, mais tarde casamento, com Madalena Lopez Mello, acabou não só com distintos apelidos como com aquele "y" no meio, que tantas portas lhe abririam, mormente na famosa casa de concubinato "Veludo e Primavera", onde passava os serões a injectar heroína e a receber carícias de donzelas altamente qualificadas): "Brilhante, Chico Diogo, brilhante! É pô-lo no espeto, como fazíamos no Ultramar, caralho!". Aqui subiu ao ambiente um ligeiro mal-estar, especialmente na mesa dos Tomaz Britto, que prontamente se apressaram a responder ao bigode extremamente bem cuidado do antigo Zacarias Ramiro, hoje Ramalhosa y Mello: "Ó Ramalhosa, não diga essas coisas. Sabe perfeitamente que nós não dizemos "caralho". No máximo, um "apre" ou um "fosga-se"! Agora um "caralho", Ramalhosa y Mello? Francamente, nem parece seu!"

"Tem toda a razão, Manuel, mas o que é que quer? Quando me falam do meu querido Sporting, sobe-me a gravata ao pescoço!", respondeu Ramalhosa y Mello (antigo Zacarias Ramiro), com a cara intumescida, quase vermelha - o que o irritava duplamente porque, dizia ele, pior do que o objecto da fúria, só a imagem da mesma - tão visceralmente encarnada, cor dos pobres e dos trabalhadores.

Por esta altura, já uma vozearia ecoava por todo o café, sem que se percebesse, no meio dos escombros, palavras definidas ou sons perceptíveis - uma imensa mancha de ruídos alarvemente infectando o brandy do Senhor Leão de Campo de Ourique, que, num salto atlético, caiu em cima do balcão de mogno polido e botou discurso:

"Não diria melhor, Ramiro y Ramalhosa!" (era usual o Senhor Leão de Campo de Ourique, especialmente nos dias em que acordava a torradas e conhaque francês, deixar cair "acidentalmente" o berço de cheiro a sopa dos pobres de Zacarias Ramiro, numa luta intensa pela pureza da raça que já lhe havia custado dois dentes, um prato do Alandroal que muito estimava e uma pequena cadelita rafeira que, na emoção da contenda, acabou debaixo de um cd da Mafalda Veiga). "Embaixador do nosso futebol? Ouve lá ó cabrão: A primeira vez que ouviste um hino português nos jogos olímpicos, não foi ninguém do teu clube galináceo, besta quadrada. Porco preto!"

"Porco preto não, ó Campo de Ourique! Não se ofendem assim os porcos pretos! Tenha lá isso em consideração e continue, se fizer o obséquio...", exclamou Tobias Barbosa Vaz, enquanto dilacerava dois pedaços de gordura de presunto pata negra e fazia por esquecer a afronta a tão distinto animal que ele, com tanto cuidado, criava e assassinava à queima-roupa num terreno baldio numa terra esconsa da Andaluzia.

"Pronto, está bem, retiro o porco preto. É apenas e só um macaco gorila, um preto calcinha. As saudades que eu tenho de degolar-lhes os ventres, as tripas dos animais a saírem-lhes pela boca, aquelas bestas aos gritos a sangrar pelo cu!"

"É isso mesmo", gritava Biba Parvalheira, "ainda me lembro do meu Pai a trazer para a nossa casa de Sá da Bandeira os crânios dos nhurras atados uns aos outros que a gente desfazia o nó e usava como bola de futebol! Ah, bons tempos... as saudades que eu tenho de África...",

Ficaram nisto uma boa meia-hora, entre gritos histéricos, rememorações de genocídios belíssimos e sovas monumentais, quando entrou pelo café um senhor de tez escura.

"É aqui que se discute o sportinguismo?", perguntou, bebendo um carioca de gole.

"É, sim", disse Francisco Fernandes Fernandez , "e diz-se mal de pessoas como o macaia Eusébio, macaco apreciador do marisco tremoço, pessoa substancialmente diferente do que é o verdadeiro negro, como vosselência, que tem orgulho na sua raça!"

O senhor de tez escura olhou-o espantado, quase a rir, mas conteve-se. Virou-se para o resto das pessoas e disse ao que vinha:

"É só para avisar que, daqui em diante, os senhores vão passar a andar enjaulados".

sábado, 12 de novembro de 2011

Golos e assistências - 19 jogos oficiais


Golos
Cardozo
9
Nolito
8
Bruno César
6
Rodrigo
5
Saviola
3
Witsel
2
Gaitán
2
Luisão
2
Aimar
1


Assistências
Gaitán
7
Aimar
4
Saviola
3
Cardozo
2
Witsel
2
M. Pereira
2
Nolito
1
Bruno César
1
Rodrigo
1
R. Amorim
1
Luisão
1

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Não tem de quê, Senhor Elias.

Apesar de toda a discriminação e silêncio a que sou votado por parte do Senhor Elias - nem uma estatisticazinha depois dos jogos, um bilhete de borla, uns croquetes, nada -, não quero deixar de dizer, muito humildemente, que o Senhor Elias não tem de agradecer o extraordinário contributo que este blogue deu à iniciativa que visa chegar ao milhão de fãs no facebook.

Se bem se lembram, a 27 de Outubro recordei os adeptos benfiquistas com um post cirúrgico ao qual juntei uma foto e uma frase a roçar o genial logo à entrada do tasco. Com isso, não só garanti a profusão de "Likes" pela página do Sport Lisboa e Benfica como, numa primeira instância, pensava ter ganho a corrida ao convite para ser integrado numa comitiva até Manchester ou, quem sabe?, à final da Liga dos Campeões. Fraca tentativa, no entanto, que, do Departamento de Multimedia, ainda nada chegou e eu já estou cheio de fome.
Fica para a posteridade, então, o meu contributo a todos os títulos revelador de ser este um blogue que mexe com o povo (pense nisso, Senhor Elias) e que, por tal facto, fez arrancar a iniciativa para uma velocidade tal que, mais dia menos dia, terão de inventar outra que esta estará concluída.

Para terem uma ideia da dimensão do contributo: a 27 de Outubro, aquando do fantástico post que aqui se escreveu, o Benfica tinha 826.059 fãs. Hoje, após publicidade ao mais alto nível neste espaço (pense nisso, Senhor Elias), tem:

949.037! Em duas semanas, cerca de 123.000 "Likes", Senhor Elias! Envia os bilhetes para Old Trafford por correio ou tenho de ir ao estádio?
E, Senhor Elias, veja o crescimento dos nossos rivais, de 27 de Outubro para hoje:

Sporting - De 222.368 para 226.640 -» Nem 4.500, Senhor Elias, nem 4.500!
Porto - De 420.202 para 421.978 -» Nem 2.000, ó Elias Multimedia!

Não tem de quê, Senhor Elias. A morada para o cheque chorudo envio-lha por email, se não se importar.

E, como não sou de ressentimentos, deixo-lhe uma música do Maxi Pereira:










Bom fim-de-semana, lampiões.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O ruído dá garantias

Provado que está o silêncio (ensurdecedor) dos apoiantes de Vieira, voltemo-nos para o ruído da semana: as declarações do atrasado mental do Alan.

Sobre o assunto propriamente dito, tenho pouco a dizer do ponto de vista da discussão objectiva. O palhaço do Alan foi mandatado a dizer alarvidades pela marionete do seu Presidente que, por sua vez, tinha no cu um dedo enfiado do pintinho. É tão evidente que não merece que passemos mais tempo a discutir se o Alan é um filho da puta, se o Salvador é um cobarde ou se o pintinho é um corrupto. São factos provados e comprovados, deixemos a nojeira emporcalhar-se a si própria - se até o nosso líder parece satisfeito com tais actos, quem somos nós, meros "abutres", para botar faladura?

No entanto, as baboseiras do macaco Alan (que não é bem preto, é mesclado de preto com imbecil, que, esta sim, é a grande característica que o molda como ser humano) trouxeram - aos interessados, leia-se: portistas, braguistas, sportinguistas, enfim, todos os anti-benfiquistas, no fundo - o ruído necessário que era o intento primordial de toda esta palhaçada. 

Enquanto a comunicação social, e seus derivados, passou a semana a alimentar a novela do mentecapto Alan, aumentando o volume do ruído, o essencial - o fundamental - passou mais uma vez para secundário, nalguns casos, e, noutros, para a gaveta do esquecimento conveniente. A saber:

-  Em 8 anos de Estádio AXA, os apagões aconteceram "coincidentemente" num jogo contra o Benfica; isto após os anos anteriores em que, desde manobras dentro de túneis, arremesso de bolas de golfe, ambiente extremamente violento contra a equipa e adeptos benfiquistas e arbitragens nojentas patrocinadas por actos anti-desportivos, como a simulação do néscio Alan. Acaso, acidente, coincidência? Não cremos, mas aceitamos abrir a porta ao paranormal. Desde que a Liga e seu líder Gomes - amigo, já se sabe, do nosso Presidente - abram um inquérito profissional e responsável sobre as incidências do jogo do passado fim-de-semana. Até agora, falaram-nos em falha nas caldeiras. O ruído dá garantias.

- O Benfica saiu de Braga altamente prejudicado pela arbitragem. A comunicação social, sempre solícita a escancarar as vias da amnésia conivente, não abordou o assunto. A nossa Direcção não abordou o assunto. E assim ficaram dois pontos no Estádio AXA, sem que ninguém queira abordar o assunto. O ruído dá garantias.

- O "nosso" Presidente foi visto, enquanto o interruptor do Estádio fazia curtos-circuitos "acidentais", em alegre cavaqueira com personagens ilustres do nosso futebol: Mesquita Machado, Joaquim Oliveira, Fernando Gomes e António Salvador. Os jogadores não tomaram banho quente depois do jogo, porque as caldeiras estavam com problemas? Assunto menor, quando comparado com a necessidade diplomática de conviver com outras instituições de nobreza assinalável. O ruído dá garantias.

- Antes do jogo, Vieira abriu a boca. Como é hábito, entrou mosca e saiu merda. Veio avisar-nos - atenção que este era o mandato desportivo! -, assim de mansinho, que o que interessa é a credibilidade. A competitividade, logo se vê; se der, tudo bem; se não der, paciência, que isto com o Vale e Azevedo era mau e nós não temos a culpa. Ninguém leu bem a coisa, tão distraídos andavam todos com os banquetes de chouriças minhotas e couves tronchudas. O ruído dá garantias.

- João Pereira - esse ser que um dia foi odiado por todos os sportinguistas, vivos e falecidos, mas que hoje é capitão dos lagartos, numa comédia já habitual para aquelas bandas - pisou ostensivamente um jogador leiriense. Não viu amarelo, logo... está (estaria?) sob alçada da Liga e deve (devia?) levar sumaríssimo, o que o impossibilitará de jogar contra o Benfica, no próximo jogo. A comunicação social susurrou o assunto, muito baixinho para ninguém saber, a Direcção do Benfica, politicamente sempre tão abençoada pelo gesto carinhoso, nada disse nem mandou dizer e o Cajuda foi o único que abordou o assunto: o Sporting foi, tal como na jornada anterior contra o Feirense, claramente beneficiado. Desta vez, não ouvimos os histéricos comentadores sportinguistas falarem em pontos ganhos ilegalmente. Ninguém sabe de nada, não se passou. O ruído dá garantias.
 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Uma pergunta sincera aos apoiantes de Vieira (que, muito honestamente, gostava de ver respondida)

Qual é a diferença - ao nível da cegueira conveniente - entre os adeptos portistas que, a troco de títulos, aceitam apoiar um clube corrupto e os adeptos benfiquistas apoiantes de Vieira que, a troco de não sei o quê, aceitam ver o Presidente do seu clube, a troco de interesses pessoais (e contra os interesses do Benfica), sentar-se, em grandes amizades, ao lado de um dos responsáveis (mandatado pelo corrupto-mor) por esta nojeira nacional, corrupção ao mais alto nível e ódio ao Benfica, branqueando assim os vários escabrosos episódios que vão acontecendo em Braga?

A sério, gostava de saber. A pergunta é extensa, agradecia que as respostas também o fossem. Com argumentos, com inteligência, com provas de que faz sentido tudo isto. A sério, muito a sério, convençam-me de que Luís Filipe Vieira está a exercer as funções para que foi eleito - defender unicamente os interesses do Sport Lisboa e Benfica. 

Haiku lusitano

Se a árvore que dá pêras seca e mirra
não te afrontes no teu caminhar,
Salvador com outra fruta virá.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ó Estúpido, o Benfica é vermelho e branco!

Para quem lê este blogue há mais de dois meses, o conhecimento da minha crença não é novo; para quem não lê, ficará a conhecê-la mais em detalhe: acredito profundamente que os equipamentos alternativos devem ser a cópia fiel do principal, com as cores inversas. Se o equipamento é todo vermelho, o alternativo deverá ser todo branco. Se o equipamento é vermelho e branco, o alternativo deverá ser branco e vermelho. Tudo o que fuja disto, está errado. Aceito todo vermelho e derivados dentro das cores vermelho e branco e nada, mesmo nada, mais do que isto. 
 
E isto porquê? Por amor à História do clube, por respeito a quem decidiu as cores que nos representam e - aqui é que entra o sobrenatural, para alguns - porque é minha crença profunda de que o Benfica sai prejudicado em termos competitivos quando usa equipamentos que fogem às cores do clube e que, por isso mesmo, não fazem sentir aos jogadores que estão a representar o Sport Lisboa e Benfica. 

Pode parecer uma conversa de uma estupidez superlativa - esta de achar que um jogador do Benfica não sentirá o peso da instituição que representa se não usar as suas cores - mas não é. É algo até bastante natural e humano, bem distante de alguma espécie de prodigiosa evocação aos deuses ou do domínio do sobrenatural - o jogador não sente o peso, a história, a tradição e o nome do clube porque, quando olha em frente, sente no sul dos olhos cores repugnantes.

Aliás, pior do que sentir uma deformação de cores, o jogador não sente o encarnado viçoso sobre o corpo e isso, naturalmente, fá-lo-á correr menos, ter menos dose de superação, gastar menos gotas de suor naqueles minutos finais, falhar mais passes, ser menos solidário com os colegas, enfim, o jogador, quando envergando um cinza misturado com cor de merda, quase só quer fechar os olhos, aninhar-se junto a uma linha lateral sem tráfego humano e esperar pelo fim do jogo. E é humano, indescritivelmente humano, que um jogador queira desaparecer dos olhares dos outros quando vestido com tão desesperante e horripilante traje - que nem parece coisa de futebol, mas de algum torneio 12 horas de ping-pong, ali entre a Pontinha e Mem-Martins.

É importante que o Benfica saiba que, enquanto anda a desrespeitar a sua própria História, além de castigar os jogadores ao nível psicológico, está também a contribuir para um menor sucesso desportivo. Isto tem de ficar bem claro, de uma vez por todas. Aquilo que era, há um ano, uma ideia um pouco abstracta para mim, hoje é mais científica do que a certeza que todos temos sobre a verdadeira cor cerebral do Alan: é estúpido. 

Senhor António Elias, contacte os senhores do marketing e diga-lhes isto, está bem? Pode ser que um dia eles percebam que esta merda não é o Alverca.

Benfica - Trabzonspor (principal) - vitória
Trabzonspor - Benfica (alternativo) - empate
Twente - Benfica (alternativo) - empate
Benfica - Twente (principal) - vitória
Gil Vicente - Benfica (alternativo) - empate
Benfica - Feirense (principal) - vitória
Nacional - Benfica (principal) - vitória
Benfica - Guimarães (principal) - vitória
Benfica - Man Utd (principal) - empate
Benfica - Académica (principal) - vitória
Porto - Benfica (principal) - empate
Otelul - Benfica (alternativo) - vitória
Benfica - Paços Ferreira (principal) - vitória
Portimonense - Benfica (principal) - vitória
Basileia - Benfica (alternativo) -vitória
Beira-Mar - Benfica (principal) - vitória
Benfica - Olhanense (principal) - vitória
Benfica - Basileia (principal) - empate
Braga - Benfica (alternativo) - empate



Principal: 13 jogos, 10 vitórias, 3 empates



 Alternativo: 6 jogos, 2 vitórias, 4 empates

domingo, 6 de novembro de 2011

Ontem vi-te no Estádio sem luz

É oficial: este Benfica não tem categoria para se afirmar ao mais alto nível. Num jogo de dificuldade média, exceptuando lances esporádicos de alguma qualidade, banalizou-se perante uma equipa cansada e pouco capaz de criar verdadeiros problemas defensivos ao Benfica. Dois pontos perdidos, incapacidade para aproveitar o deslize do Porto e, acima de tudo, muito trabalho mal feito. Colectivamente, somos fracos. Individualmente, há ali muita gente que merecia receber uma mensagem do Saw.

Mas o resumo do jogo é simples:
 
Primeira parte: Luisão é puxado dentro da área - penálti obviamente NÃO assinalado.
Primeira parte: Mão involuntária de Emerson - penálti obviamente assinalado.
Segunda parte: Mão involuntária de Lima - penálti obviamente NÃO assinalado.

Quanto ao circo do acende-apaga-acende-apaga, o mínimo - o mínimo! - devia ser estádio interditado até final da época e derrota da equipa da casa. Estamos definitivamente no terceiro mundo.
 
Com esta incapacidade para extrair qualidade colectiva de tanto talento, com estes critérios arbitrais (chamemos-lhe assim, eufemisticamente) e com estes "truques", o Benfica só será campeão se mudar muita coisa naquilo que pode controlar. Ou seja, Jesus tem muito trabalho para apagar o mau trabalho que tem feito.

PS - Entretanto, em Alvalade - poiso do gajo que se diz benfiquista para foder o Benfica a torto e a direito mas que na verdade...

(foto retirada do "Em Defesa do Benfica")


a lebre continua a ser levada ao colo. Compreende-se: convém manter outro anti-Benfica na corrida, não vá o Hulk falhar mais penalties inventados. 



sábado, 5 de novembro de 2011

Nunca mais volto à Pedreira!

A importância do jogo de amanhã - pelo adversário, pelo historial recente na Pedreira, pela questão mental, pela contemporânea doença raivosa dos adeptos do Braga em relação ao Benfica, pela sequência de jogos fracos da equipa, pelo regresso de Jesus à linguagem da soberba e arrogância, pelas desculpas esfarrapadas que o técnico dá sobre a fraca qualidade exibicional e pela vantagem emocional que uma vitória terá e uma derrota aniquilará para o futuro da época - merecia um post longo, chato, entediante, feito de verdades óbvias.

Mas não me apetece. Toda a gente sabe que o jogo de amanhã será decisivo e moldará o ano competitivo. Também por isso acho que o Benfica - este Benfica que temos tido - não só não ganhará o jogo como sairá de Braga sem qualquer ponto.