sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Quebrar a maldição


É porventura uma das épocas mais decisivas da história recente do Benfica. É uma época cheia de oportunidades e ameaças e portanto convém perceber o que está para vir.

O modelo de gestão do Benfica pressupõe a venda de activos importantes no final de cada época desportiva para equilibrar as contas. Basta ver o gráfico presente na Bola, o qual nem inclui a venda do David Luiz, o que aumentaria as vendas de 2011 para 64,9 milhões de euros para percebermos o quão importante é esta parcela nas receitas da Benfica SAD.




A verdade é que estes são os valores brutos, pois temos que contar com o valor de aquisição dos passes, os custos com o fundo de solidariedade da UEFA e outros encargos. No entanto este talvez venha a ser um modelo com o futuro em risco.

A aplicação do fair-play financeiro, segundo a UEFA, já teve consequências no mercado de Inverno deste ano, já o número de transferências baixou 20% face ao mesmo período dos quatro anos anteriores, ou seja, entre 2008 e 2011. Além disso a UEFA prometeu dar a conhecer em breve os nomes dos clubes cujas contas são duvidosas e por isso não lhes paga já os dinheiros das participações nas provas da UEFA. Os clubes têm até 30 de Setembro para esclarecer as dúvidas à contabilidade criativa que têm apresentado e que têm os encaixes financeiros congelados.

As mega-transferências que aconteceram este ano já foram substancialmente menores que nos anos anteriores e para os clubes beneficiarem das verbas distribuídas pela UEFA terão que cumprir com as regras do fair-play financeiro. Isto quer dizer, que os clubes terão que encontrar outras fontes de receitas para complementar a futura queda de receitas com origem na alienação dos passes.

A Benfica SAD tem apresentado um crescimento constante de proveitos operacionais excluindo as transacções com atletas. Em 2010/11 os proveitos operacionais, excluindo transacções de atletas, ultrapassaram os 82 Milhões de Euros. Com base nos resultados apresentados nos 3 primeiros trimestres podemos antecipar que os proveitos operacionais, excluindo transacções de atletas na época 2011/12, podem variar entre os 87 e os 90 Milhões de Euros.

Porém a época 2012/13 tem várias ameaças que poderão fazer baixar este valor:

- O Benfica não disputou nem a 3.ª Pré-eliminatória nem o Play-off de acesso à UEFA Champions League, pelo que tanto o prémio da UEFA como a receita de bilheteira serão inferiores, excepto se o Benfica ultrapassar os Quartos-de-final da UEFA Champions League.

- O Market-pool da UEFA Champions League será a dividir por 3 equipas (Benfica, Porto e Braga) e não por 2 (Benfica e Porto) como no ano passado.

- O aumento do preço dos Red Pass entre 15 e 20%, devido ao aumento da taxa do IVA sobre espectáculos desportivos, implicará uma natural redução do número de cativos vendidos, sem que isso seja contrabalançado para a Benfica SAD com o aumento dos preços unitários.

- O agravar das condições económicas do país com o aumento do desemprego e o continuar da aplicação das medidas de austeridade terá impacto nas receitas de bilheteira e de Corporate, visto que as empresas terão menos disponibilidade para investimentos em marketing, bem como nas receitas originadas pelo Merchandising.


Em termos de necessidades de tesouraria, a Benfica SAD terá que reembolsar 2 empréstimos obrigacionistas, em Dezembro 50 milhões de Euros da Benfica SAD 2012 e em Abril 40 milhões de Euros respeitantes à Benfica SAD 2013 sem contar os juros inerentes a estas operações. Não é previsível que a Benfica SAD tenha recursos para fazer esse reembolso, pelo que existirá uma operação de "revolving" dos financiamentos.

Obviamente que a Benfica SAD continuará a suportar os juros relativos ao total dos financiamentos obtidos, incluindo os empréstimos obrigacionistas, que durante a época de 2011/12 devem ter ascendido a cerca de 21 a 22 milhões de Euros, embora a este valor devam ser diminuídos os proveitos financeiros, cerca de 5 a 6 milhões de Euros.

A época de 2012/13 é a última época em que estará em vigor o contrato com a PPTV, Olivedesportos para os amigos, pelo qual o Benfica recebe 7,5 milhões de Euros por época.

Posto isto, penso que todos entenderão a presença na UEFA Champions League é fundamental para o equilíbrio económico-financeiro da Benfica SAD e consequentemente para que existam recursos disponíveis para investir na equipa de futebol. O Benfica recebeu 19,757 milhões de Euros em prémios da UEFA relativamente à presença nos quartos-de-final da Liga dos Campeões na época 2011/12 enquanto que o Sporting atingindo as meias-finais da Liga Europa apenas recebeu 4,319 milhões de Euros.

Partindo do pressuposto da qualificação do Benfica para a Liga dos Campeões 2013/14, existem todas as condições para que se invista na equipa com o objectivo de chegar à final e ganhar a Liga dos Campeões que será disputada no Estádio da Luz.

Em primeiro lugar, com as vendas de Javi Garcia e Alex Witsel a Benfica SAD terá alguma liquidez até o mercado voltar a abrir em Janeiro de 2013. Em minha opinião, essa liquidez deve ser utilizada para reduzir significativamente o(s) empréstimo(s) obrigacionista(s) anteriormente referido(s). A amortização de 25 a 30 milhões de euros permitiria que a uma taxa média de 6 a 8%, a Benfica SAD poupasse 1,5 a 2,4 milhões de Euros por ano. Além da diminuição sensível do passivo oneroso e do aumento dos capitais próprios, a Benfica SAD poderá renegociar os financiamentos e parar o crescente aumento dos spread que está a pagar pelos diferentes financiamentos devido à diminuição do risco o que se traduzirá pela diminuição dos encargos financeiros.

Consoante o desempenho da equipa de futebol até Janeiro, logo se avaliarão as necessidades de investimento em jogadores para a equipa titular devendo a abordagem ao mercado ser criteriosa. Após as eleições de Outubro, a Direcção eleita terá 4 anos para desempenhar a sua função pelo que tem toda a capacidade para negociar em posição de força os direitos de transmissão, em especial porque a Benfica SAD terá liquidez e não necessitará antecipar receitas, bem como estará a negociar os direitos quer da equipa A como da equipa B, ou seja 15 ou 17 jogos da primeira liga e 21 jogos da segunda liga.

Por outro lado, é provável que a abertura de capital da Sport tv mude o panorama nacional no que respeita ao mercado das transmissões televisivas. Relativamente às transmissões temos que considerar que já não estamos apenas a falar de transmissões para televisão, mas antes é uma questão de transmissão multi-plataformas. Devemos ainda considerar que os direitos de transmissão podem dizer respeito não só a Portugal como aos mercados estrangeiros, nomeadamente e numa primeira fase onde se encontram as comunidades portuguesas - Europa, Brasil, Angola, EUA e Canadá, etc.

No entanto o objectivo deverá ser atingir novos mercados, nomeadamente China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Rússia, EUA fora do âmbito das comunidades portuguesas. A melhor forma de ganhar notoriedade junto desses novos mercados é através de uma vitória na Liga dos Campeões.

Conforme referi, penso que será possível abordar a época 2013/14 com liquidez suficiente para investir no reforço qualitativo da equipa de futebol, incluindo equipa técnica, não só pela liquidez originada pelos negócios de Javi Garcia e Alex Witsel descontando os valores utilizados para a amortização dos empréstimos obrigacionistas, como também pelo enorme crescimento do valor das transmissões televisivas. Bem sei que não é unânime que o Benfica deva vender as transmissões em vez de as explorar directamente, mas a assinatura de um contrato de curta duração, por exemplo 3 a 4 anos, permitiria no mínimo triplicar as receitas, ou seja garantir um influxo adicional de pelo menos 15 milhões de euros.

Adicionalmente o Benfica deveria procurar reduzir significativamente o número de atletas sob contrato, em especial os que não terão capacidade evolutiva expectável para virem a fazer parte do plantel principal por forma a libertar recursos para investir em melhores atletas. A generalidade dos atletas que estão emprestados na América do Sul não conta para Jorge Jesus. Porém, eu defendo que visto que o contrato de Jesus chega ao fim, o mesmo não deverá ser renovado, dando lugar a outro técnico que possa levar o Benfica a novos patamares, pelo que deverá também passar pelo novo técnico a avaliação de todos os jogadores sob contrato.

Na minha opinião, Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira, para além de tudo o resto, têm em comum o facto de mostrarem serem  incapazes de levar o Benfica a um novo nível, pois desde o campeonato ganho em 2009/10 que o Benfica não mostra evolução sensível no futebol apesar do aumento significativo dos custos com o pessoal, em 2008/09 a Benfica SAD gastou 37 milhões de Euros, valor semelhante a 2009/10, enquanto que em 2011/12 deverá gastar entre 48 a 50 milhões de Euros, ou seja subiu cerca de 30 a 35%.

No final da época 2008/09 o Benfica tinha 47 atletas sob contrato e no final da época de 2010/2011 esse número já ascendia a 71 sendo que a 31 de Dezembro de 2011 o número voltara a subir para 78. Se em 2012/13 o Benfica passou a ter 2 equipas,a  principal e a B, então não existe justificação para que o número ultrapasse os 60 a 65 atletas, ou seja, devemos visar a redução de pelo menos 20 a 25% do número de atletas sob contrato.

Claro que é mais fácil dizer do que fazer, até porque os passes de vários dos atletas sob contrato que não interessam ao treinador Benfica foram alienados em parte ao Benfica Stars Fund e a rescisão de contratos pura e simples não é solução. Obviamente que também não será solução as situações actuais de Schaffer, Sidnei e Urreta que nem sequer foram inscritos. Dada a idade dos atletas, penso que a solução passaria em Janeiro pela tentativa de aproveitamento desportivo dos mesmos, uma integração no plantel tipo Júlio César, com vista a uma futura alienação ou o empréstimo a uma equipa de um país europeu mesmo que isso implique o  suportar de parte dos custos dos salários dos atletas.

Acima de tudo, penso que não faz sentido continuar a contratar atletas como Nuno Coelho, Michel ou mesmo Luisinho, além dos anteriormente referidos, que nem contam para o treinador apesar de este ter aprovado as suas contratações. Será que faz sentido contratar um atleta como Oblak que custou mais de 3 milhões de euros para fazer várias épocas emprestado a equipas de segunda linha porque se lhe reconhece valor, mas está tapado no Benfica e posteriormente despender mais 1 milhão de Euros em Mika e outro qualquer valor em Copetti, sendo que a probabilidade de qualquer um destes 3 jogadores chegar à titularidade na baliza do Benfica nos próximos anos é muito reduzida ?

Conforme expliquei num post anterior, acho que existe uma grande oportunidade de quebrarmos a maldição do Guttman. É óbvio que há riscos, mas há que reconhecer que há essa oportunidade. Pessoalmente não acredito que a dupla JJ-LFV seja capaz de aproveitar essa oportunidade, pelos desempenhos passados. Não sei se será culpa de JJ, ou de LFV ou dos dois, mas há 2 oportunidades de mudança se os sócios e a administração da SAD assim o desejarem, isto partindo do pressuposto que surgirá uma candidatura credível alternativa a LFV, o que não é garantido.

Os sócios serão chamados a decidir o futuro do SLB no próximo dia 26 de Outubro. A administração da SAD tem a oportunidade de não renovar o contrato com Jorge Jesus que termina no final desta época e convencer efectivamente um treinador, ao contrário do que supostamente terá acontecido no Verão, a desenvolver um projecto com um orçamento muito interessante para aplicar cirurgicamente em reforços, dada a qualidade já existente no actual plantel.

PS - Quando escrevi o texto pensei que o Benfica teria recebido o valor da cláusula de rescisão do Witsel por inteiro, mas ao que parece foi faseada em duas prestações. Assim sendo, é possível que não exista liquidez suficiente para efectuar a amortização referida no texto, mas pelo menos dever-se-ia tentar amortizar qualquer coisa como 10 a 15 milhões de Euros nesta época desportiva e o remanescente na próxima época.

PS2 - A confirmação que a cláusula não foi accionada e o Benfica poderia ter recusado a venda, visto que o Zenit não pagou no imediato a totalidade do valor, e que o Benfica só aceitou a venda após a confirmação da aquisição do Hulk, leva a crer que terá sido uma decisão estratégica da SAD a venda do Witsel, provavelmente efectuada para dar cumprimento do decidido com a aprovação do Relatório e Contas relativo à época 2010/11 na Assembleia Geral da SAD, nomeadamente a recuperação dos capitais próprios.
Mais criticável que esta decisão, é o tentar passar a imagem que o Benfica nada podia fazer por ter sido accionada a cláusula. Assuma-se a responsabilidade dos actos de gestão pois é isso que esperamos de quem lidera. Afinal não foi incompetência a saída do Witsel, foi um acto de gestão.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Uma noite alemã na vida do Delegado Fagundes


O Delegado Fagundes não pregou olho a noite inteira, uma dor que lhe subia pelas costas em jeito de queda de água só que ao contrário, um veneno sangue acima até à ponta da nuca, e outra, em refluxos, que lhe aquecia os órgãos até ao gargantil. Podia ser que as duas picadas - uma, provavelmente consequência dos pesos brutos que ajudou a carregar até ao balneário do clube (equipamentos, chuteiras, toalhas, um conjunto de chávenas e bules, sacos de desporto, bandeirinhas e uns toros de madeira); outra, quase de certeza uma vingança do próprio corpo ao exagero alcoólico com que a si mesmo se brindou na noite passada. Parecia que as duas dores se tocavam no cocuruto do esférico craniano e ali se deixavam ficar, aos sapateados com o cérebro do pobre Fagundes.

Tudo isto aconteceu numa madrugada longa, noite que nunca acaba, enquanto a esposa ressonava o hino do Benfica, ou o que lhe pareceu o hino do Benfica, nervoso que estava a antecipar o jogo de mais logo. Não sabemos ao certo, e não queremos injustamente suspeitar das maleitas do sujeito, se aqueles lamentos com que no dia seguinte alimentou o pequeno-almoço de ovos e chouriço foram apenas fruto de uma hesitação-ansiedade ou se de facto ocorreram, graves, no corpo de Fagundes. Mas podemos, porque ao relato do próprio tivemos acesso nos dias posteriores, contar a confusão de sentidos que a demência nocturna espalhou pela mente do Delegado. 

Foram horas de suplício, atirado para uma contínua escolha de jogadores e tácticas, substituições a meio do encontro, dicas a dar aos jogadores, cálculos sobre a temperatura do relvado, o cheiro da grama, se estaria molhado ou seco, as dúvidas sobre o adversário, quem jogaria, quem não.
 
“É possível que entre com o Kulkov de início, ganho capacidade de ter a bola e agressividade no miolo, mas quero garantir que o jogo não cai num adormecimento de meio-campo, tenho de encontrar uma fonte de contra-ataque, vai o Paneira na ala e o João Pinto fica no apoio ao Yuran. Sim, mais coisa menos coisa é isto”
 
E - depois de decididas estas e outras, várias, questões técnico-tácticas de superior importância - punha-se a contar com os dedos os onze jogadores que faria alinhar no jogo.
 
“Então, temos: Neno, Abel Xavier, o Abel deixa-me na dúvida, aparece bem no apoio ao ataque mas tenho medo das investidas alemãs, pronto, então ponho-o mas se notar desequilíbrios tiro-o ao intervalo. Neno (e fechava o punho, só com o mindinho em riste), Abel Xavier, William, Helder, Schwarz…” 
 
A mulher por esta altura atingia em estranhos sons o que lhe parecia clara e inequivocamente ser o refrão: “Seeeeeeeeeer Beeeeeeeeeeenfiquiiiiiiista é ter na alma…” e estragava-lhe a composição do onze – impossível raciocinar de modo metódico quando Luís Piçarra aparecia a interromper a prelecção do raciocínio. Desistia e acompanhava a música, fazendo pequenos compassos com a defesa toda do Benfica a tocar piano na barriga. Primeiro Neno, Helder e Schwarz, ao mesmo tempo, num tocar de jazz, forte e sólido; depois, só William e Abel Xavier, enquanto o dedo do meio se esticava por um bemol mais acentuado.
 
O sono pesado da esposa encontrava um novo refúgio e os sons acalmavam. Voltavam as dores de Fagundes e as dúvidas existenciais – umas e outras no meio daquele pensamento alucinante e o onze do Benfica que nunca mais se decidia, já estavam os jogadores cansados, sentados num balneário conversando sobre o tempo quando Fagundes finalmente se decidiu, agora mais ríspido e pouco disponível para roncos conjugais e dores provavelmente fictícias. 
 
“Sem mais demoras: Neno, Abel Xavier, William, Helder, Schwarz, Paneira, Kulkov, tenho de ver se de manhã vou comprar o pão e o frango para o jogo dos putos. Três sacas de pão, espero que o Pereira tenha anotado o pedido, este gajo já no dia anterior a irmos jogar ao Tramagal deixou-me na mão, cabrão do bêbado, esquece-se de tudo. O puto Figueiredo tem uma lesão no joelho que não sei se vai dar para entrar de início, se calhar temos de meter o Chico, mas foda-se ficamos sem meio-campo, que o gajo só quer atacar e depois vêm os pais dos outros foder-me a cabeça com as cunhas e os interesses. Qualquer dia cago nisto.”
 
O Delegado Fagundes, por mais que se compenetrasse, não conseguia finalizar o onze. Eram sempre problemas e assuntos prementes, lógicas e pensamentos que lhe vinham de mansinho naquela noite de dores e insónia. Levantava-se, acendia cigarros, fingia que tinha sede para sair da cama e ia abrir o frigorífico mas não tirava nada, ficava só a olhar as coisas nas prateleiras frias: três pimentos, um pacote de leite, frango, uma garrafa de coca-cola, três minis Sagres, ketchup, mostarda e massa de pimentão. Queria ter fome para inventar ofícios, mas acabava por se abandonar, uma e outra vez, à cama onde ainda se ouviam gemidos e roncos de um sono que lhe pareciam, estaria louco?, a voz de ave canora do Hino do Benfica. 
 
Deitava-se e olhava o tecto branco. À noite as sombras pintavam-lhe pedacitos escuros que se assemelhavam a jogadores distribuídos por um campo de futebol e ele começava finalmente a regressar ao metódico reflectir de uma táctica ideal.
 
“Neno, Abel Xavier, William, Helder, Schwarz, Paneira, Kulkov, Rui Costa, Isaías, João Pinto e Yuran”
 
Ficou com as duas mãos completas e outra que lhe apareceu para confirmar o onze, só com o mindinho outra vez em riste para o tecto branco. Olhou o dedo, estranho e deformado, lembrou-se que era com aquelas mãos e dedos que teria de ir buscar a comida para os putos e guiar a carrinha do clube e lavar os equipamentos e preparar os grelhados para a festa da aldeia e depois, se ainda tivesse tempo, acariciar as mãos da esposa e pedir-lhe, com jeitinho, que cantasse o Hino do Benfica. Não a dormir, mas depois disto:


Que jogo é este?


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Jesus andou a ler a História do Benfica...






... só que enganou-se na cópia. Ó Jorge, o futebol era outro, pá. E o Coluna e o Cavém não foram comprados pelos russos.

Oposição credível, por onde andas?

É difícil encontrar situação mais triste do que assistir ao Benfica ser totalmente desgovernado por gente que se abotoa com as suas comissões e contratos para futuras construções enquanto vai transformando o clube numa empresa de "valorização de activos". Há muito que o Benfica deixou de ter no seu corpo dirigente homens com um pensamento focado no sucesso desportivo; o que interessa é vender jogadores por uns milhões, mesmo que normalmente por valores substancialmente abaixo dos das cláusulas de rescisão.

O Presidente cai no ridículo sistematicamente e leva atrás os seus fiéis seguidores que, apesar de assistirem às suas mentiras há anos a fio, ainda conseguem acreditar na história da carochinha vezes sem conta. De facto, mesmo reconhecendo a alguns uma incapacidade mental para mais, espanta ainda assim ler certas coisas de gente que podia e devia pensar o Benfica de uma forma que atrasados mentais como os Lemos, Manueis, Guerras, Pintos e outra escumalha lambe-cus nunca conseguirá fazer. Há benfiquistas que vêem o clube afundar-se mas persistem na defesa de uma ideia na qual eles próprios já não acreditam - demoraram muito tempo a perceber, mas já começam a lá chegar. Uns por evidente comprometimento - há quem tenha família, amigos, primos a trabalhar no clube -, outros porque recebem algo em troca - os camarotes dão muito jeito - e outros ainda por não quererem aceitar e admitir que têm apoiado uma equipa de gente que prejudica gravemente o Benfica. E é o Benfica que sai lesado de tudo isto.

Por outro lado, observamos os que se aproximam, quase em silêncio, de um estado de alternativa à Direcção e espantamo-nos com tão parca capacidade para serem uma real oposição. Fazem-se grupos na internet, escrevem-se umas coisas nos blogues, atiram-se umas larachas popularuchas e resume-se o sentido crítico não na procura de soluções mas no constante apontar de falhas da actual Direcção - e mal. Mal porque nem sequer sabem aproveitar as constantes incongruências, no discurso e nas acções, que esta gente tem cometido nos últimos 10 anos. E seria tão fácil expor de forma clara e definitiva as centenas de mentiras, demagogias, enganos e omissões que os dirigentes do Benfica têm apresentado aos sócios e adeptos do clube.

Não espanta, por isso, que, numa altura em que alguns adeptos abrem os olhos para o que a corja dirigente que desgoverna o Benfica anda a fazer há anos a fio, nem assim apareça uma equipa e um candidato credíveis. Uns porque se aproximam perigosamente de gente da mesma laia do Presidente actual; outros porque são incapazes de se organizarem decentemente com uma estrutura coerente e sólida; e outros porque, enfim, são liderados por Bruno Carvalho.

Onde andam os benfiquistas?, é a pergunta que apetece fazer, neste lamaçal de interesses e incompetências. Se é verdade que os absurdos estatutos promovidos por uma direcção tirânica não facilitam o aparecimento de mais gente, não deixa de ser incomodativo que as pessoas - e há várias - que correspondem ao perfil proposto e que preenchem os requisitos básicos para uma candidatura se deixem cair num autismo pouco edificante, quando não num velado silêncio ou assentimento, não vão ter muito trabalho e sacrifícios escusados. E o Benfica, clube que historicamente sempre soube renovar-se por dentro, caminha a passos largos para um estado de latência sem paralelo.

Há uns meses abordei a questão da altura ideal para o aparecimento de uma candidatura vencedora - disse que não me espantaria que ela só aparecesse em Agosto no sentido de não ser apelidada meses antes com os epítetos naturais que os dirigentes bem sentadinhos nas cadeiras do poder da Luz gostam de lançar a quem os critique. Hoje, dia 4 de Setembro, o que me espanta é que nem num momento estratégico ideal alguém apareça a apresentar um projecto que nos livre de mais 4 anos de incompetências, mentiras, insucesso desportivo e muito gozação aos clientes que pagam e estão sujeitos a todo o tipo de humilhação por uns sujeitos que nem do Benfica são adeptos.

Oposição credível, por onde andas? É o Benfica que tem de ser salvo. Urgentemente.

E depois de Witsel e Javi ?



Com Javi Garcia o lucro líquido foi de quase 13 milhões de euros. Já Witsel num ano originou uma mais-valia de 31,5 milhões de euros. Em ambos os casos será um pouco menos porque é necessário descontar o efeito do mecanismo de solidariedade da UEFA.

Seja como fôr, se com Javi Garcia já as contas estavam equilibradas no aspecto económico-financeiro, o influxo originado pela alienação do passe desportivo do Witsel permitirá à sociedade 2 aspectos essenciais, por um lado abater significativamente ou na totalidade um dos empréstimos obrigacionistas e consequentemente baixar o passivo oneroso, por outro aumentar significativamente os capitais próprios da sociedade mostrando por parte da administração da sociedade que se cumprem os esforços tendentes a recuperar parte significativa dos capitais próprios da sociedade.

Eu sei que isto diz pouco à generalidade dos sócios e adeptos, mais ainda quando a nível desportivo a equipa parece ferida de morte nas suas ambições. No entanto devemos olhar para lá do curto prazo. Confesso que quando ouvi a declaração do Jesus não a compreendi no Sábado. Pensei que ele estava a brincar quando falava em André Almeida e André Gomes, pois este de trinco nada tem. No entanto, olhando as declarações de então enquadradas por aquilo que aconteceu hoje já faz sentido falar desses 2 jogadores.

A verdade é que este influxo de dinheiro irá permitir que a Benfica SAD esteja no próximo ano mais capacitada para atacar o mercado e reforçar-nos convenientemente para atingirmos o objectivo mais importante, tentar conquistar a Liga dos Campeões. Mais ainda, quando pensarmos que na próxima época já teremos um novo acordo para as transmissões televisivas e portanto uma capacidade financeira muito superior à que apresentámos este ano.

Deixo um apelo a quem não está contente com a gestão de LFV. O Benfica é dos sócios. Se não gostam, têm a possibilidade de em Outubro mostrar nas eleições. O que não é aceitável é que deixem de ser sócios. O cosme não deixou o Benfica morrer só porque os lagartos levaram 8 titulares. é nos momentos maus e menos bons que temos de mostrar o nosso Benfiquismo.

Quando o Benfica levou 7 em Alvalade e se assistiu ao degradante espectáculo de sócios a queimar cartões, eu no dia seguinte ao jogo faltei à escola para ir pagar um ano de quotas. é nos momentos menos bons que se vê o verdadeiro carácter das pessoas e agora é o momento decisivo. O Benfica tem de estar acima de tudo e todos. Com Vieira, sem Vieira, o que interessa é o Benfica e se não gostam dele, paguem as quotas e vão votar em Outubro.


Penumbra

O mais impressionante deste triste pedaço da história do Benfica é que, se há uma semana (UMA SEMANA) alguém descrevesse este desfecho de defeso ninguém - nem o mais crítico dos adeptos - acreditaria!
Em vésperas de eleições.
Formidável.
E eles a continuar com a farsa, compenetrados e seguros, defendendo-se da realidade com alarvidades; as mesmas alarvidades de sempre.

O rei vai nu! BENFIQUISTAS: o rei vai nu!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Desce-me essa escada e vem deitar-te na grama

É-me incompreensível a reacção dos benfiquistas a mais uma fantástica valorização de activos por parte da actual Direcção. Razão tinha o Camus em falar na estupidez humana: há de facto muita gente que tem dificuldade em entender o plano geral das coisas. Vêem curto, voam baixinho, seguem o caminho mais fácil e naturalmente enganam-se.

A venda de Witsel é, de qualquer ângulo que possamos ver, uma extraordinária acção, mais uma, do Presidente Vieira, embora muitos - e cada vez mais, o que é preocupante para a essencial estabilização de apoio ao clube - tendem a ver nela um delapidar de património. Por partes: este negócio não só permite a primeira venda pela cláusula de rescisão - as outras, apesar de terem sido anunciadas de igual forma, acabaram por ser abaixo mas só porque conseguimos, espertos!, convencer os clubes compradores a terem de desembolsar vários prémios ulteriores e a abdicarem de jogadores fundamentais dos seus plantéis - como é, do ponto de vista da relação Direcção-equipa técnica, um extraordinário exemplo de como deve funcionar um clube: sabendo do desprezo que Jesus tem por médios, o Presidente, alicerçado por uma prospecção que de forma genial não aconselhou ninguém como alternativa, decidiu potenciar o sistema que o técnico usa. 

Assim, o 442 é elevado a 2-2-6 sem que se notem diferenças substanciais na forma como a equipa jogará a partir daqui. Os laterais sobem desalmadamente pelas linhas (aqui está o "2" do meio-campo), fazendo uma espécie de contenção ao adversário que pretende ter a ousadia de contra-atacar, ao mesmo tempo que extremos, médios ofensivos e atacantes se juntam de mãos dadas na linha da área adversária. Agora repare-se no rolo compressor de tudo isto: se há uma linha de 6 logo à saída de bola do adversário, o que fará a equipa oponente para conseguir chegar com perigo aos nossos laterais subidos, primeiro, e depois aos dois centrais que se encontram um encavalitado no outro em cima da bola pintada a cal do meio-campo?

O que se passa na mente de vários benfiquistas - e, caramba, decidiram todos acordar agora do apoio inequívoco - é uma coisa muito triste porque revela simultaneamente a ausência de fidelidade à causa e a parca cultura futebolística que temos o prazer de ver experimentada no Benfica. Jesus inova, cria, encontra novos caminhos para o fenómeno futebolístico e o que se lê é uma constante e galopante e irritante indignação pelo abdicar de jogadores nucleares da equipa. Meus caros, nucleares só Vieira, Jesus e Rui Gomes da Silva (que brilhantemente finge em horário nobre que é atrasado mental para depois, em silêncio e nos corredores do poder, dar a facada fatal, exclamando um "apre, o senhor não devia ter dito isso!"); todos os outros são peças que podem pontualmente servir o clube e depois serem vendidos ou dados porque afinal somos o maior clube do Mundo - também em termos de solidariedade devemos ser um exemplo.

O que causa perplexidade é o desespero galopante que tomou conta dos adeptos do Benfica. E aqui deixem-me confessar a minha honesta e humilde desilusão por parte de benfiquistas que, anos a fio, souberam reconhecer a excelência das acções dos nossos dirigentes, e que hoje - após a venda de jogadores fundamentais mas também activos espectacularmente valorizados - criticam uma Direcção que tudo tem feito para corresponder às expectativas dos clientes, perdão, adeptos. É gente que não merece o trabalho meritório - e muitas vezes a que custo, em sacrifício e abdicando da família e das feijoadas dos Domingos em família - que toda este grupo de dirigentes tem feito pelo Benfica. A vida de um clube é, como disse magistralmente o nosso Presidente, "fazer e valorizar jogadores". E é isso que tem sido feito - exceptuando casos como Balboa, Sidnei, Alípio e muitos outros que esconderam do departamento médico do Benfica problemas cervicais e psicológicos que, se tivessem sido confessados a tempo, teriam sido debelados e até superados pela fabulosa equipa de psicólogos - considerada a melhor do Mundo na especialidade - que actualmente faz o seu ofício nos escritórios do Estádio da Luz.

Não esperamos, claro, a compreensão de todos os benfiquistas mas sabemos o caminho que tomamos, sabemos que rumamos em direcção ao horizonte, mais ano menos ano seremos maiores que o Real Madrid, estamos ainda em processo de aprendizagem, vamos conhecendo e aprendendo com os erros, quase-quase donos da hegemonia do futebol nacional. Pedimos apenas que apoiem, já temos pedras no chão com os vossos nomes (têm apenas de pagar o salário mínimo por elas, nada custa pelo Benfica), um Estádio e um Centro de Estágio, pavilhões e até um viaduto que vai das bilheteiras até ao Pingo Doce - só custa ver aquelas imagens de uns velho qualquer que parece que fundou este clube - o Benfica faz-se de futuro, não de passado e além disso é ilegal pintar coisas estranhas nas paredes da nossa empresa, perdão, do nosso clube.

Desce-me essa escada e vem deitar-te na grama.



Ideia para uma gestão de plantel

Vender o Vieira, os portistas e sportinguistas da direcção e o Jesus aos russos. E nós somos mais modestos do que o grande líder: não precisam de sair pela cláusula de rescisão. Damos em troca de uma promessa de que eles nunca mais pisarão o solo sagrado da Luz.

domingo, 2 de setembro de 2012

Depois de Javi



Com a saída de um dos mais preponderantes elementos do plantel do Benfica na passada 6ª feira, alguma ansiedade dominava os corações Benfiquistas para este jogo: como seria montada a Equipa, como reagiria a mesma, habituada não só à influência táctica mas também à influência psicológica de Javi Garcia em campo. Mais de 35.000 estiveram a bater na Luz.
JJ coloca Witsel na posição 6 e Martins mais avançado no apoio aos avançados, foi assim que tacticamente a Equipa entrou para este jogo.

45m lentos, muito lentos, contra um Nacional que a meio da 1ª parte já registava maior número de ataques e maior número de remates, sem no entanto criar grandes problemas à defesa e ao Rei Artur. Uma bola ao poste de Toto Salvio foi o único lance de registo por parte do Benfica na 1ª parte em que, antes do seu final, vê Carlos Martins a ser substituído por Matic, por problemas físicos. Witsel regressa à Sua posição de raiz e Matic a para a posição 6.

Não gosto de vêr o belga onde o vi até esta substituição, não pelos melhores motivos. E acho que o jogo do Benfica a muito se deveu a esta deslocação imprópria. Wistel é um criativo, coloca-lo mais junto da defesa, afastando-o dos avançados é um “crime”!! Quer para o Seu talento quer para o rendimento da Equipa!
Esta semana referia isso mesmo: há adaptações que podem lesar o rendimento de um jogador mas, numa escala mais abrangente, todo o rendimento da Equipa, como foi o caso na 1ª parte de hoje.
Bem notória a diferença nos segundos 45m. Witsel, mais “alegre”, mudou o rumo do jogo que se tornou mais solto, com mais e melhores saídas para o ataque.
Matic trouxe mais solidez, inegável, mas não deixei de vêr as clareiras entre as linhas. Talvez seja dos meus olhos..

Toto… elejo-o novamente como melhor jogador do Benfica hoje. “Só” esteve em praticamente todos os lances de perigo do Benfica hoje.

O 2º golo, marcado por Rodrigo, é o espelho da maravilha que é Salvio: numa jogada junto à linha em que aguenta a bola com 3 defesas do Nacional, com um toque magistral liberta-se e cruza de forma perfeita para a cabeça de Rodrigo que só teve que subir ao 1º andar e metê-la lá dentro!
Sendo esta jogada a minha eleita, não me fico por aqui.. Aliás, Salvio não se fica por aqui. Tem energia para dar e vender, tem uma visão, um drible e uma força que se tornam autênticos pesadelos para a defesa e um verdadeiro regalo para quem gosta de futebol corrido e rápido, como eu.
O lance do 1º golo nasce nele também, numa abertura para Maxi que vai servir Takuara para o golo.

Pois aí está.. Takuara! Com os 2 golos de hoje chega ao topo onde nos habituou a estar! Mas não foram apenas os golos que marcou. Veio buscar jogo a terrenos que não são do seu domínio, fez tabelas com o Aimar, que entra na 2ª parte para nos brindar com a sua genialidade habitual praticamente sempre que pega na bola, e ainda fez alguns passes enquanto arrastou a defesa consigo. 


O puto Melgarejo, claro, não podia deixar de falar nele. Gosto deste miúdo. É atrevido e tem aquela raça que aprecio tanto nos jogadores. Não se deixam de notar as dificuldades defensivas, não, é verdade, mas hoje também vi uma ou duas falhas no Maxi, que é quem já sabemos, não precisa de apresentações nem definições, Super Maxi basta.

Fiquei com os cabelos em pé quando o “Melga”, dentro da área corta uma bola pela linha de fundo, com o calcanhar.. Correu bem e esbocei um sorriso com tamanho atrevimento! Não sendo aconselhável, é verdade, denota confiança e ausência de medo. Neste caso em particular, não podia deixar de sorrir, agradeço é que não abuse!!
A facilidade com que sai para o ataque e a diferença com que o faz no que respeita ao movimento inverso é paradigmático da natureza de Melgarejo. Nada que já não seja do conhecimento comum, visível a "olho nú".

Melhor ataque, com 10 golos marcados, à 3ª Jornada desta Liga.
3 golos e 3 pontos que são sempre motivo de alegria mas, no presente, pelo que vejo e realisticamente falando, não são o suficiente para me tranquilizarem para as batalhas que temos pela frente. Tão longe disso..

Sempre Contigo Benfica.


Novo ensaio sobre a cegueira

Os resultadistas continuarão na ilusão de termos um rolo compressor. Os realistas viram um jogo fraco, com os mesmos erros de sempre e um treinador a gozar com isto tudo. O futuro não cheira nada bem.

Seja qual for o resultado desta noite...

... o que se passa no Benfica é uma vergonha indescritível. Este rapazola ou está a gozar com o Benfica ou está-se a cagar para o Benfica. Qualquer delas não serve.

Mais dois canecos para o museu.

Hoje foi dia de papar Supertaças. Parabéns ao Andebol e ao Futsal pelo excelente início de época. Que as modalidades continuem cheias de fome de títulos. E os adeptos com a mesma fidelidade.



11 marmanjos para hoje


Não chor´isso.



Tu e outros como tu, António. Fazem falta ao Benfica.

sábado, 1 de setembro de 2012

Vamos honrar Cosme Damião?

Concordando ou discordando das acções estratégicas, financeiras, políticas e desportivas de quem nos dirige - por esta ordem de interesses, para ser fiel ao modelo actual -, todos os benfiquistas passam por um período difícil de assimilar. Os defensores do actual grupo dirigente por desesperadamente procurarem desculpas à realidade que de repente os sovou; os críticos por desesperadamente procurarem entender toda esta demência que se passa no clube.

Todos nós estamos doentes. De paixão e amor pelo Benfica e de vermos o nosso clube tão pornograficamente maltratado. Há uns que gritam, em sôfrega sede ilusória: "somos os maiores do Mundo!", quando já caminhamos a passos largos para, desportivamente, nem de Portugal sermos os mais vencedores; outros clamam e relembram a sua extraordinária capacidade antecipatória: "eu não disse, eu não disse?" e todos, TODOS, à sua maneira de serem benfiquistas, dormem mal de noite.

Sobre os primeiros já versei o suficiente ao longo dos últimos largos anos: não os compreendo. A uns, menos dotados do ponto de vista intelectual, apenas posso deixar que um dia se arrependam das barbaridades que defenderam; a outros, benfiquistas inteligentes e de bom-senso, a minha incredulidade e, nalguns casos suspeita, pela forma como, vendo o que se passa no Benfica, defendem acerrimamente um colectivo de incompetentes que há muito tempo, mas mesmo muito tempo, anda a fazer mal ao nosso clube. Mas um dia arrepender-se-ão. Um dia que para muitos começou ontem. A esses, peço apenas que reflictam sobre tudo isto. E não tenham medo de mudar de direcção. É o Benfica que está em causa.

É, no entanto, sobre os críticos que quero falar. Aqueles benfiquistas que não conseguem desde há muito compreender o que se passa no Benfica. Estou convosco, naturalmente, partilhamos as mesmas dúvidas e também as mesmas certezas. Mas será talvez necessário reflectirmos todos sobre o que queremos para o Benfica e como poderemos atingir essas metas sem, e isto é fundamental, o ferir de morte.

Tenho lido por aí coisas absurdas: gente que quer ir amanhã para o estádio assobiar os nossos jogadores, equipa técnica e dirigentes. Por tudo o que nos deu Cosme Damião, peço-vos que saibam distinguir o clube de quem o dirige, treina e representa. O Benfica não é só uma equipa de futebol, muito menos é o Vieira, o Jesus ou os lagartos e portistas que pelas corredores pululam. O Benfica é um sentimento nosso que vive para além de todo esse lamaçal de equívocos. Saibamos, por isso, criticar quem faz mal ao clube mas nos termos e lugares próprios - e o Estádio, em dia de jogo, não o é. Menos ainda quando o jogo está a decorrer.

Essa ideia nefasta ao Benfica de ir apupar quem nos representa num jogo fundamental para a caminhada que todos esperamos (mesmo que não acreditemos devido às malfeitorias que os nossos dirigentes e técnicos nos fizeram) vir a ser de sucesso, não é, para pormos as coisas de forma clara, uma ideia «à Benfica».

No Benfica, não assobiamos os nossos, quando eles necessitam do nosso apoio - falo do apoio nos estádios deste país e no estrangeiro; não no apoio acéfalo no computador por parte de uns nerds que nem saem de casa para ver o Benfica. Neste clube, mesmo que estejamos desgostosos com a forma como ele está a ser dirigido (e estamos, estamos muito) não se vai para o estádio prejudicar os nossos objectivos em defesa de uma qualquer revolução histérica. Se querem demonstrar a vossa indignação pelo actual estado, façam-no nas Assembleias, façam-no nas eleições, façam-no até no estádio, mas no fim de jogo, momento em que não prejudicam o Benfica e que é, esse sim, um dos momentos propícios à crítica e indignação. Com lenços brancos, com tarjas, com coro de assobios. Mas no fim do jogo, quando, esperamos, já o Benfica venceu o jogo e conquistou mais três pontos.

Nestes últimos meses, tenho sido abordado por parte de vários grupos opositores às ideias de Vieira no sentido de me juntar a essas várias causas - todas recusei porque a todas não reconheci a credibilidade necessária a um verdadeiro rumo diferente deste que temos. Fazer oposição não é querer enfiar no Benfica gente igual à que lá está - se é esse o vosso caminho, lamento mas não vou por aí.

O meu único caminho só pode ser, primeiro, o de repudiar as acções imbecis de quem desgoverna o Benfica há mais de uma década e, depois, procurar reflectir o clube e dar-lhe outras soluções que passem para um regresso à origem fundamental e ideológica do clube. Tudo o que cheire a "vamos tirar de lá este gajo para metermos lá outro mentecapto" ou "temos aqui este mentecapto que pode ajudar-nos a mandar no futebol português" pode ir cheirar para outro lado que aqui vai ter o mesmo tratamento com que os mentecaptos que hoje dirigem o Benfica têm sido brindados.

Hoje acabo a minha libertação de insultos a estes fabulosos incompetentes. E hoje, que vejo mais gente a abrir os olhos, acabo também a minha participação na denúncia dos males que Vieira e seus lagartos e portistas têm feito ao Benfica. Os erros estão identificados (e são tantos), já falámos neles vezes em demasia, já todos (todos?) conhecem esta gente e o mal a que constantemente atiram o nosso clube - quem quiser acreditar em fadas e anões em cima de cogumelos, faça favor; só peço que não venham depois dizer que nunca apoiaram esta corja. Estando assim tudo visto e revisto, chegou a hora de passar definitiva e somente às acções. Todas as ideias que fomos dando, todas as soluções e caminhos para os quais fomos apontando em todos estes anos serão renovados e repensados.

Chegou a hora de dar apenas soluções. Convidamo-vos a virem connosco. Se Vieira ganhar - e é esse o nosso destino mais provável - iremos precisar de todos vós. Que comecem os 4 anos mais longos das nossas vidas. Mas também os que mais exigirão ao nosso benfiquismo. Sem insultos (que eles merecem), sem denúncias (que eles merecem), apenas e só com caminhos novos que refundem o Benfica e o façam regressar aos primórdios da génese benfiquista - que todos merecemos.

Estão prontos?

As verdades de Vieira

«Vendemos jogadores porque temos compromissos para cumprir».
 
E, no entanto, o lagarto que gere as nossas contas anda há 5 anos a dizer que o Benfica não precisa de vender jogadores para "equilibrar as contas". Está visto que não. Não só precisa como os vende a preço de saldos. Dêem-lhes mais quatro anos. Afinal mentirem-nos, enganarem-nos, omitirem-nos informação, recorrerem nos mesmos erros e não aprenderem com eles, ano após ano, são "coisas perfeitamente normais". Artur Jorge e Damásio não fariam melhor.
  
«A vida de um clube é fazer e valorizar jogadores».

 Agora dêem-lhe mais 4 anos para ele fazer e valorizar mais jogadores. Afinal é essa a vida de um clube.

Quem põe a trela neste cretino ???


Retirado do Planeta Benfica:

Jesus disse a Vieira que não queria ninguém para o lugar de Javi Garcia



«Apesa da saída do Javi, o Benfica está a trabalhar no presente e no futuro. Temos soluções na equipa B, jovens como o André Almeida e o André Gomes. Precisamos de espaço e tempo para os lançar porque são o futuro do Benfica», afirmou.


E quanto à necessidade da contratação de mais um jogador para a posição do espanhol, Jesus diz que nunca equacionou essa solução e elogiou quem está no grupo.

«Falei com o presidente e disse que não queria outro jogador estrangeiro para aquela posição. Disse-lhe que tínhamos jogadores portugueses com qualidade que nos dão garantias. E ainda há o Matic, jogador que já demonstrou todo o potencial e valor», afirmou, garantindo que, apesar da saída de Javi, «nada vai mudar». «O que muda é o nome do jogador. Trabalhamos com uma ideia e não com nomes. Os processos estão definidos há quatro anos. Qualquer jogador que ocupe a posição do Javi sabe o que é preciso.»


-Jorge Jesus, na conferência de imprensa de antevisão do Benfica-Nacional

Ninguém vai parar estes mentecaptos?


Meus caros benfiquistas que talvez - talvez - existam e estejam há uns tempos preparando uma oposição credível à escumalha que gere os destinos do nosso clube: agora é a altura de aparecerem. Se não aproveitarem o momento em que finalmente muitos adeptos abrem os olhos para a verdadeira nojice que está a ser feita ao clube, nunca mais o aproveitarão. 
 Competentes, benfiquistas, capazes de liderarem o Benfica ao seu patamar de glória, apareçam hoje ou amanhã e tragam-nos uma esperança. Não queremos mais 4 anos a definhar rumo a um sítio que tenho medo de imaginar qual será. Por nós, por vós, pelo Benfica. Apanhem a onda que ela está, como nunca, propícia a isso.

O 10º ano 0

Olha, acabou. Não há lateral-esquerdo, não há lateral-direito suplente, não há central (alternativa aos titulares, sendo que um deles pode acabar suspenso), não há trinco, não há substituto do Witsel. Mas eu confio nesta Direcção. Temos um Centro de Estágio e um Estádio Novo. Digamos que é o ano 0.