quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Um projecto acabado



Fechada a janela de transferências deste verão (resta apenas a Turquia e um outro país que agora não me lembro), os Benfiquistas podem finalmente dormir descansados, dos principais jogadores do plantel, não deverá sair ninguém. 


Pois bem, parto desta premissa para chegar ao titulo deste texto, ou seja, sem as grandes vendas habituais dos anos transactos, que valem sempre grandes encaixes financeiros, mas enormes perdas desportivas, o Benfica arranca para os restantes 27 jogos do campeonato, inicio de Liga dos Campeões e taças internas, com o mesmo plantel que tão perto esteve de ganhar, mas perdeu, e dirigido pelo mesmo homem. Por isso, neste momento, o Benfica, desportivamente falando, é um projecto acabado.


Se na 2ª época de Jorge Jesus houve Roberto e as saídas de jogadores influentes no título como Di Maria e Ramires no verão, a que se juntou David Luiz em Janeiro, se na 3ª época de Jorge Jesus houve Emerson tendo acontecido a saída de Fábio Coentrão, se na 4ª época existiram as saídas de Witsel e Javi já no “deadline” do mercado, chegamos a uma 5ª época em que não sai ninguém, se reforça o plantel com jogadores de qualidade e até, numericamente falando, de forma excessiva, bem como se compra, finalmente, um lateral esquerdo digno desse nome, logo, não há desculpas!


Digam o que disserem, conspirem o que conspirarem, para este ano ou se ganha ou se ganha, não pode haver outra alternativa. Concorremos com rivais que, no caso do FCP, venderam alguns jogadores importantíssimos do seu plantel, adquiram outros que ainda nada provaram ao nível mais elevado e até mudaram de treinador ou, no caso do SCP, venderam e/ou dispensaram a maior parte do ultimo plantel, reforçaram-se na sua academia, juntando alguns reforços cirúrgicos e baratos no mercado externo ao clube, tendo também alterado o comando técnico da sua equipa. Ou seja, em tese, e na prática deveria ser assim, partimos para esta época em vantagem sobre os nossos rivais ou, no mínimo, temos reunidas todas as condições para que assim seja, se assim não é, e na realidade acho que não é, a culpa é de alguém que já não se pode voltar a esconder. 


Gastou-se muito e bom dinheiro no reforço da confiança no treinador a que se juntou ainda mais dinheiro na compra de jogadores, logo, se havia lacunas no plantel anterior, não foi por falta de capital que não foram colmatadas. Se o plantel anterior deu para quase ganhar tudo, num exercício de aritmética simples, poderemos concluir que se adicionarmos talento e opções a esse plantel poderemos, no mínimo, exigir um título, ou será que nem assim? Ou será que mesmo com todas as condições “ideais” reunidas haverá ainda mais alguma desculpa num hipotético falhanço? Ou será que afinal o melhor que se pode fazer a um plantel é vender os seus melhores jogadores e comprar outros? Ou será que mudando de treinador teríamos uma maior e melhor continuidade do, suposto, bom trabalho desenvolvido? Não me parece, mas já acredito em (quase) tudo.


Já agora, ando intrigado com uma pequenina coisa, Jorge Jesus naquela afamada palestra que deu na Faculdade de Motricidade Humana, afirmou peremptoriamente que se víssemos uma equipa a defender mal, então poderíamos apontar o dedo ao treinador, porque era ele o grande culpado. Pois bem, é de mim ou o Benfica não anda a defender lá grande coisa? É de mim ou o Benfica deste ano é o que pior defende de todos os que Jorge Jesus já orientou? Ou será que sofrer golos em todos os jogos realizados, pré-temporada incluída, é indicador de bons processos defensivos? Se calhar é, e o lunático sou eu.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

As minhas namoradas não são doentes pelo Benfica

Nunca tive uma namorada doente pelo Benfica como eu. Tenho vários amigos doentes pelo Benfica como eu, o meu Pai era doente pelo Benfica como eu, o meu avô doente pelo Sporting como eu pelo Benfica, mas uma namorada doente pelo Benfica como eu, nunca tive. Dou-me por satisfeito quando elas dizem, entre o enfado e a vontade de me agradar: "sim, sou do Benfica". Assim, como quem diz: "gosto de iogurtes de manga" ou "não está mau tempo, não", enquanto pintam as unhas, fazem um charuto, comem cereais ou dão festas ao cão. 

Invariavelmente pego naquela frase ("sim, sou do Benfica") e lanço-a na estratosfera do pensamento, onde ela rodopia, consome os trilhos todos terrestres das entretelas do cérebro, é filtrada à velocidade da Luz e, antes que venha outra frase atrelada, já todo eu estou inundado por uma certeza fingida de que finalmente, anos e anos depois da procura, encontrei uma mulher que é tão doente pelo Benfica como eu. É uma mentira. E é fingida. Mas faz-me bem, não vá eu assinar logo ali os papéis do divórcio enquanto vocifero de forma grotesca: «O Benfica não é um iogurte, foda-se!».

A M. não gostava de futebol; era artista, aos 13 anos já pintava oceanos nas aulas de matemática. Ficávamos sempre juntos, na fila do meio, lá atrás. Escrevíamos bilhetes um ao outro, com as nossas pernas juntas formando as pernas de outro ser entre nós, que era a minha perna direita e a esquerda dela - o amor adolescente ali todo vingado, não chegando o toque, precisando de palavras escondidas em papéis dobrados que dávamos um ao outro por baixo da mesa, só para fingir que ainda havia coisas a dizer. Nos intervalos, entre beijos, apalpações, cigarros, risos, ela perguntava-me: «gostas do Benfica porquê?», e eu nunca sabia explicar-lhe o que estava tão dentro de mim e tão fora dela. Foi só quando - após o Benfica-Vitória de Guimarães de 1994, jogo de festa do título, jogo em que pude pela primeira vez pisar o relvado da Luz e o meu Pai me içou para cima da trave da baliza do Neno - no dia seguinte apareci com os bolsos cheios de relva e a espalhei por cima da mesa numa aula de Religião e Moral, que ela percebeu. O amor veio todo numa pergunta que transportava todas as certezas do mundo: «tu és doente pelo Benfica, não és?»

Conheci a S. porque não podia passar a minha vida sem conhecer a S., apesar da timidez e medo que ela distribuía por todo o eu dentro de mim. Mulher gloriosa, de beleza lunar, cabelos como chicotes nos reflexos do Sol, menina doce, trópicos todos aos desvarios, mundo ao contrário. Era benfiquista de iogurte, dava-me esperança e acalmava-me as dores enquanto se passeavam pelo campo estrelas como Pembridge, Leónidas ou Jorge Soares. Eu dizia-lhe: «isto não é o Benfica», e ela, sem entender bem o que seria o Benfica, amaciava-me as dores com o carinho milenar aprendido não pela forma ou pelos hábitos mas, antes disso, pelos séculos de amor massacrado que as mulheres têm dentro e carregam com desprezo e orgulho, no fim com ternura. Vivemos o Benfica juntos pela rádio e pelo «A BOLA», ouvindo relatos nas nossas viagens ou quando lhe pedia para ir lendo o jornal enquanto eu conduzia. «Vai directa às páginas do Benfica», e ela lia-me integralmente aqueles textos enfadonhos do Serpa, do Santos Neves ou do Delgado. O que não faz uma mulher por um homem; o que não faz um homem pelo Benfica. 

A T. era sportinguista. Tinha vezes em que ia ao estádio com o Pai. Fui com ela ver um Sporting-Boavista, um jogo em que pela primeira e única vez apoiei a equipa de arbitragem. Por mim, era expulsar aquela gente toda - tudo para a rua, se possível após lesões gravíssimas de anos a fio ou mesmo crudelíssimos finais de carreira. Levava o seu cachecol verde e branco aos ombros e eu, confesso, apesar da evidente má escolha de cores, olhava para ela com um encanto tal que até consegui perdoar-lhe o facto de ter sido campeã nacional aos gritos para cima de mim, numa histeria de sede e fome que só 18 anos podem dar aos adeptos. Depois beijava-me, tinha pena de mim e do Benfica que era eu. Com pouco orgulho, revelo: tive amor por aquela alegria e por aquela pena. Já que o Benfica não podia ganhar, que fosse a T. a campeã. E, no final da noite, acabámos os dois com o título nacional.

Como falar da D.? Uma mulher esquisita - não no termo português, mas no dos outros países. Uma mulher fenomenal. Curiosíssima, peculiar, melancólica, destrutiva, sonhadora. O pai um senhor benfiquista dos sete costados - tardes e manhãs e noites a fio a debatermos Benfica -, a mãe recatada, quase ausente. D. tinha o orgulho de filha que ama o pai de todas as formas lindas que podem servir de amor ao pai e, por isso, não porque o futebol lhe dissesse ao ouvido e ao coração coisas irredutíveis de adepta, era do Benfica. Chateava-se, D., no entanto, com as minhas recorrentes incursões aos fins-de-semana atrás da equipa. «Não podes passar um caralho de um Sábado sem ires para Guimarães?»; «Tens mesmo de ir esta Sexta para Coimbra?». Eu fazia um olhar de cão abandonado, ela dava-me festas no lombo e no dia a seguir lá estava eu a enviar-lhe mensagens: «Estamos a perder», e punha um tristonho :( para ela não se zangar muito comigo. Uma vez levei-a a Alvalade, para ela viver o Benfica no estádio do rival. Ao intervalo, estávamos a ganhar 2-0 e ela estava orgulhosa de mim: afinal fazia sentido tudo aquilo. Depois acabámos por levar 5-3, num jogo memorável. Continuou com orgulho de mim e do Benfica. Uma mulher de facto «exquisite».

A E. era actriz. Detestava tanto o futebol que nem se importava de, amando-me, me ferir de todas as formas possíveis sempre que o Benfica empatava ou perdia. Nunca conheci mulher mais terna na vida terrestre - afinal, a vida sem bola - e mais cruel quando havia futebol pelo meio. A E. tinha, digo eu, ciúmes do Benfica. Em 2011, na meia-final da Liga Europa, saí da Pedreira à procura de uma arma que acabasse logo ali com o sofrimento. Queria alguma absolvição. Liguei-lhe e ela riu-se. Vingou-se do Benfica em mim, rindo-se e rindo-se e rindo-se e rindo-se. Quando acabou de rir, riu-se mais um bocado. A E. achava que o futebol era uma menoridade existencial - debate que tivemos, vezes sem conta, entre muito elemento que diverge da sobriedade e que, ainda assim, nunca resolvemos. Apeteceu-me gritar Benfica numa peça em que ela fazia de escrava e a luz favorecia o grito anónimo. Não o fiz. Anos depois, cheguei de Amesterdão com uma cara de três mil mortes. Não me disse nada; abraçou-me. À sua maneira, há-de ser do Benfica até ao fim.

Tu és a C.. Tens dentro de ti o que diferencia os seres: tens amor. Vamos trilhando sem medos o que ainda está para vir. Melhor maneira de dizer não tenho: quero ao Benfica o que quero para nós: eternidade. 



Lesão de Salvio - uma oportunidade de fazer diferente

Sem Salvio até Março, urge mudar de sistema de jogo. Não faz qualquer sentido continuar a apostar em dois extremos, dois avançados e dois médios quando o mais eficaz dos extremos e o que mais equilibra um sistema já de si bastante fragilizado não pode jogar até quase ao final da época. Além disso, não há solução para a direita; Ola John e Gaitán têm dificuldades desse lado, Sulejmani é inconstante.

Com a qualidade que há no miolo - este ano, se não houver saídas, teremos finalmente um lote de médios (não «10»; médios) capaz de assegurar qualidade até ao final da época: Matic, Fejsa, Enzo, Amorim, Almeida, Gomes -, o que é lógico é optar por uma de duas soluções:

4x3x3 - Matic como homem mais recuado, Enzo a 8, Djuricic a 10; nas alas, Ola John na esquerda; Markovic na direita, os dois em constantes movimentos interiores (que é o que procuram recorrentemente), deixando a profundidade para os laterais - Siqueira e Maxi têm qualidade na forma como aparecem em movimento ofensivo a dar soluções ao portador. Na frente, Lima. Soluções alternativas para este sistema: por Matic, Fejsa ou Almeida; por Enzo, Amorim ou Gomes; por Djuricic, Gaitán; por Ola John, Gaitán; por Markovic, Sulejmani (mais vertical); por Lima, Cardozo, Rodrigo ou Funes Mori.

4x4x2 losango - Não é propriamente um losango simétrico; comparando, poderá ser uma espécie de regresso de Jesus ao sistema que o fez pela única vez, em 4 anos, campeão nacional. Usar na ala esquerda, um extremo puro e na direita um interior que garanta todas as valências de um médio e acrescente a capacidade para, não sendo extremo, dar largura e profundidade à ala direita, em troca com o lateral desse lado. Assim:

Matic mais recuado; Enzo a interior direito (posição que conhece bem, visto que na Argentina, além de jogar a extremo, quando entrava para o meio-campo normalmente partia de uma posição de interior direito e não de um «8», como no Benfica), Ola John a extremo esquerdo, Djuricic (Gaitán) a «10». Na frente, Markovic no apoio ao ponta-de-lança, que neste sistema já poderá mais facilmente ser Cardozo (se não for vendido). Lima, Rodrigo e Funes Mori servirão como alternativa.

Na baliza, Artur até ver. Oblak tem capacidades para discutir o lugar e agarrar a titularidade se Artur voltar a cometer alguns dos erros do ano passado. À esquerda, obviamente Siqueira; à direita, dependerá dos jogos. Não tendo o Benfica um único lateral-direito de qualidade inegável, terá de revezar Maxi com Almeida (ou até Amorim). Seria bom começar a apostar na evolução de um talento puro como o de João Cancelo, mas não tenho grandes esperanças que isso aconteça com Jorge Jesus ao leme. No centro, Garay e Luisão. As alternativas são fracas e darão problemas, enquanto o segundo melhor central do plantel (melhor do que Luisão, inclusivamente) foi emprestado. 

É apenas e só um exercício. Sabemos que Jesus continuará, mesmo sem Salvio, a apostar no seu 4132. Pagará ou receberá louros por isso. Até agora, e apesar do bom trabalho da época passada, o saldo é francamente negativo, além de que perdeu o balneário (razão mais do que suficiente para não ter visto o seu contrato renovado, muito menos por dois anos). Mas o problema do Benfica está muito longe de ser técnico. Está lá em cima, na bancada presidencial. E enquanto lá estiver em cima, estes exercícios far-se-ão por gosto por futebol; títulos, sucesso desportivo, respeito pelo Benfica - apenas sonhos e delírios de uns quantos anti-benfiquistas primários como nós.

A conspiração perfeita.



Venho por este meio demonstrar por A+B que, mesmo tendo um dos melhores presidentes da história do clube (que mais parece um presidente de camara, já que não ganha, endivida-se, mas tem obra), apesar de ter o génio da táctica ao comando da equipa, apesar de ter comprado quase um novo plantel, apesar de, até agora, não ter vendido ninguém de relevo (ainda há mercados em aberto), e de, finalmente, se perspectivar que se tenha um lateral esquerdo de nível no plantel, jamais seremos campeões este ano, se não vejamos as condicionantes dos nossos adversários quando defrontam o Benfica e o Porto:

  - Sporting: O anti-benfiquismo dos nossos rivais lisboetas é tal que, jamais, facilitarão a vida ao Benfica nos jogos entre ambos, sendo que estarão, com certeza, dispostos a dar uma mãozinha ao FCP se necessário for, nos jogos entre si.

 - Estoril: O clube canarinho terá sempre de “agradecer” convenientemente ao FCP pela compra, e respectivo encaixe financeiro para o clube da linha, de Licá e Carlos Eduardo, dificultando ao máximo a vida ao Benfica e facilitando ao máximo nos jogos com os azuis e brancos (até numa perspectiva de negócios futuros, veja-se Sebá).

 - Rio Ave: O treinador do clube de Vila do Conde, como é sabido, foi jogador do FCP (quem não se lembra daquele frango na final da taça da liga frente ao Benfica?), logo, estará sempre disposto a abrir caminho ao FCP e dificultar ao máximo nos jogos com o Benfica.

 - Gil Vicente: Os de Barcelos têm no seu plantel dois jogadores que foram “dispensados” do Benfica no reinado de Jorge Jesus (César Peixoto e Luís Martins), logo, quanto mais não seja, por vingança e pirraça, adorariam ver o técnico do Benfica envolto no maior insucesso possível, nem que para isso facilitem contra o FCP.


 - Braga: Como é por demais sabido, António Salvador é amigo pessoal de Pinto da Costa, sendo que até se fala de um possível interesse do primeiro em suceder ao segundo, logo, jamais dificultará a vida ao FCP. A somar a isto há ainda Jesualdo Ferreira que, mesmo sendo Benfiquista, estará disposto a “agradecer” a Pinto da Costa a possibilidade que lhe deu de ser tricampeão e “castigar” Vieira por tê-lo despedido do Benfica.

 - Nacional: Mais um caso de amizade presidencial, como é mais do que sabido e se traduzem, por exemplo, nos negócios de Ruben Micael e Maicon.

 - Vit. Guimarães: O clube minhoto terá sempre sobre si o peso do “agradecimento” pela compra de Ricardo e Tiago Rodrigues no final da época passada, mais o empréstimo do segundo e de Abdoulaye já nas últimas horas do mercado de transferências.


  - Olhanense: O clube algarvio apresenta um forte investimento oriundo de Itália, ora, como bom(s) Italiano(s), o investimento no Olhanense servirá para lavagem de dinheiro oriundos de negócios “mafiosos” e, como bom(s) mafioso(s), jamais deixarão de dar a mão ao “padrinho” Português.


  - Vit. Setubal: De facto, o clube do Sado, enfrentou em força o FCP na época passada, naquela questão da regularidade ou não dos jogadores utilizados pelo clube do norte no jogo entre ambos a contar para a taça da liga, e tem um treinador que não parece gostar muito do clube de azul, no entanto, o seu guarda-redes titular (Kieszek) já foi jogador do FCP e, como qualquer outro, ainda deve ter o seu número de telemóvel e demais dados pessoais na lista do “macaco” (veja-se a forma como se fez expulsar no mais recente jogo entre Vit. Setubal e FCP).

  - Arouca: O seu treinador (Pedro Emanuel) é um ex-jogador do FCP (campeão europeu) e adepto confesso do clube, ora, não é preciso dizer mais nada, pois não?

  - Académica: Aplica-se a mesma regra aplicada ao treinador do Arouca.


  - Paços de Ferreira: Há que “agradecer” as compras de Josué e de Paulo Fonseca, mais o empréstimo do estádio para a Liga dos Campeões. A isto soma-se o facto de Costinha já ter sido um dos símbolos maiores do plantel do FCP, sendo ainda assumido Sportinguista, logo, anti-benfiquista por natureza.

  - Belenenses: Bom, os de Belém jogam de… Azul, ora todos nós sabemos, apesar dos gajos de Barcelona e Paris acharem que não, que Azul e Vermelho não se misturam.

Por aqui se vê que, apesar de toda a competência que reina no Benfica, jamais conseguiremos ser campeões, porque o mundo futebolístico conspira contra nós.


P.S. Nem um “vieirista” conseguiria ser tão concludente.

Também tu és o nosso Pal. Até sempre.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Haverá lateral-esquerdo: Siqueira no Benfica.

O mercado agita-se

Está um rapaz no Belenenses bastante interessante. Já vem fazendo excelentes épocas há uns anos, desde que saiu das camadas jovens. Sempre a um nível altíssimo. Esta época tem dado sequência ao que dele se esperava e continua a marcar golos e a dar qualidade ao jogo da sua equipa. Incompreensivelmente, nunca foi aproveitado pelo clube formador - nem a um único jogo oficial teve direito, não se sabe bem porquê. Acho que o Benfica devia aproveitar estas últimas horas e atacar o mercado, contratando esta pérola. 

O nome? Michael Rose.

Os números.



No passado sábado encontraram-se em alvalade, o 2º e 7º classificados da última edição da liga Zon-Sagres.

O 7º classificado apresentou-se com um novo técnico à frente da equipa, enquanto o treinador do 2º vai na sua 5ª época.

O 7º classificado do último campeonato entrou em campo com 5 jogadores que não faziam parte do plantel da época passada, sendo que, dos 3 suplentes utilizados, 1 também é cara nova no plantel, enquanto o 2º classificado, apresentou apenas 1 jogador novo no seu 11 inicial, sendo que, dos suplentes utilizados, 2 não faziam parte do último plantel.

O 7º classificado apresentou, no total, 6 jogadores dessa nacionalidade prodiga em treinadores, mas medíocre em jogadores que é a Portuguesa, enquanto o 2º classificado apresentou 1 jogador português.

O 7º classificado apresentou ainda, 7 jogadores oriundos da sua formação, enquanto o 2º classificado apresentou 14 jogadores formados noutros clubes.

O 7º classificado, gastou pouco mais de 2 milhões de euros em reforços para esta nova época, sendo que o 2º, já soma quase 30 milhões de euros.

O 7º classificado, pasme-se, vendeu Ilori (jogador que fez apenas uma época no clube) para o Liverpool por 7,5 milhões de euros e prepara-se para confirmar a venda de Bruma (jogador que realizou apenas meia época na equipa principal) por valores a rondarem os 12 milhões de euros. O 2º classificado não consegue mais que vender o seu lateral esquerdo a uns russos, por valores ainda desconhecidos.

Tendo em conta tudo isto, qual foi o resultado? Obviamente que o 2º classificado foi a alvalade impor um esmagador… EMPATE! Pior que o resultado, foi a exibição, tendo sido necessário o génio de um jovem de valor e futuro fantásticos a dar ao Benfica o seu único golo na partida, porque a equipa não o soube fazer colectivamente, porque a equipa, apesar de todo o investimento feito, tem défice de qualidade, porque a equipa, apesar de ser o seu 5º ano no clube e fazendo o contrario do que prometera, tem um treinador que não consegue resolver os problemas do passado e não apresenta sequer qualidade de jogo satisfatória. 

Como também se pode ver por estes números, nem só o Benfica e o Vieira sabem vender em Portugal e nem só Jorge Jesus sabe valorizar jogadores, veja-se que até um clube que acabou o último campeonato em 7º lugar tendo, durante o mesmo, 3 (!) treinadores, consegue um encaixe superior a 20 milhões de euros, com dois jogadores se estrearam na primeira equipa nesse mesmo último ano, que, ao que se sabe, entraram em conflito com a direcção e são… Portugueses.

Sim, um jogo entre Benfica e Sporting é um dérbi e um clássico e por isso mesmo é sempre um jogo de resultado imprevisível, sim tivemos muito azar com as lesões de Salvio, Enzo e Gaitan no decorrer do encontro, sim o golo dos lagartos é obtido após benefício de posição de fora-de-jogo, no entanto, ainda que tudo isto seja verdade, a qualidade de jogo de uma equipa que compra tanto, vende tão pouco e mantém o seu treinador, teria que ser muito melhor.

Mais perto da hegemonia (ou ex-monia?)

Se há coisa que Jesus nos ensinou (além de dar a outra face e aquelas coisas que aprendemos na catequese) foi que desvantagens de 5 pontos são perfeitamente possíveis de anular. Há dois anos, com um plantel de sonho, o Jorge mostrou-nos como mandar um campeonato para o galheiro em três jornadas, passando de uma vantagem de cinco para uma desvantagem de três pontos. No ano passado, a três jornadas do fim, desperdiçámos uma vantagem de quatro pontos e vimos os do costume fazerem a festa do costume.

Com três jornadas decorridas na presente temporada, já nos encontramos a cinco pontos do Porto. Nada de anormal. O que vamos fazer com esta desvantagem de cinco pontos? O mesmo que temos feito sempre que nos encontramos atrás do Porto nos últimos anos: recuperá-la e ganhar-lhes o campeonato mesmo no fim.

Lembrem-se apenas de uma coisa: estamos cada vez mais perto da hegemonia. Mesmo que quem o diga não saiba soletrar o que acabou de dizer.

domingo, 1 de setembro de 2013

45 milhões de euros em 12 jogadores emprestados

Alípio Brandão - 5 milhões de euros
Lisandro López - 5 milhões de euros
Sidnei - 7 milhões de euros
Airton - 5 milhões de euros
Pizzi - 6 milhões de euros
Fariña - 3,5 milhões de euros
Franco Jara - 5,5 milhões de euros
Derlis González - 1 milhão de euros
Léo Kanu - 1 milhão de euros
Kardec - 2,5 milhões de euros
Michel - 0,5 milhões de euros
Carlos Martins (equipa B) - 3 milhões de euros


Escolhi estes 12 jogadores como exemplos do que é a política desportiva no Benfica. A ideia estapafúrdia de que devemos comprar tudo o que mexe na esperança de encontrar um que sirva uma venda que compense todo o restante investimento nas outras dezenas de jogadores só pode sair da cabeça de algum oligofrénico. Atenção que estes são os mais conhecidos - a lista de contratações e dispensas, de jogadores que nunca chegaram a vestir a camisola, de apostas dúbias, de empréstimos absurdos é extensa e demoraria uma eternidade a analisar.

A ideia é estapafúrdia porquê? Porque desvaloriza o que deve ser a competência na prospecção - o que define uma boa equipa de prospectores é exactamente acertar cirurgicamente nos jogadores que aponta como boas alternativas às necessidades do Benfica. Se é para comprar atletas aos camiões, não precisamos de prospectores profissionais - qualquer blogger, padeiro, motorista ou limpa-chaminés fará o serviço. O que caracteriza uma boa prospecção é exactamente a qualidade no acerto. Em 10, tem de acertar 8 e não 2 em 10 - isso é absolutamente ridículo, dispendioso para o clube e, pior do que tudo, retira espaço aos miúdos da formação, que assim estão tapados por jogadores sem qualquer qualidade.

Estes 12 jogadores custaram ao Benfica nada mais nada menos do que 45 milhões de euros. Dos 12, 7 nunca jogaram oficialmente pela equipa principal. Há aqui qualquer coisa que está profundamente errado, como é evidente. E não se trata só de incompetência - há uma estratégia absurda que passa por receber comissões pelas compras, empréstimos idiotas no sentido de favorecer futuras negociatas e nenhuma visão sobre o que deve ser a política desportiva no Benfica.

Poderemos refutar estes 45 milhões com as percentagens de alguns passes vendidas a fundos. O problema é que, para essas receitas, teremos de juntar os gastos: os ordenados pagos a estes jogadores durante anos a fio (total ou parcialmente, dependendo dos contratos de empréstimos) e o facto de aqui estarem apenas 12 e não toda a quantidade de jogadores que temos sob contrato, que todos juntos, bem somados, darão pelo menos mais uma dezena de milhões de euros. 

São 45 milhões de euros enterrados em jogadores que não estão a servir o clube. Entretanto, e apesar de o Benfica parecer ser rico ao ponto de ter 45 milhões de euros desperdiçados em jogadores que o não representam, o plantel principal parte para a nova época sem um único lateral que garanta a qualidade necessária a uma equipa que quer ganhar títulos. É o caos em que vive o Benfica.

Roma e Pavia far-se-ão um dia

Acreditar que o Benfica com este Presidente algum dia ganhará de forma sustentada é, acima de tudo, parvo. Caramba, até a cegueira tem limites. 

 Há episódios na História do clube que revelam que o benfiquista é de facto um crente - mesmo contra todas as probabilidades (quando digo probabilidades falo em 0 por cento). Um deles passou-se a 5 de Dezembro de 1995, numa noite europeia frente ao Bayern de Munique. 

Tínhamos vindo da Alemanha com um 1-4 no bucho e o Estádio engalanou-se para a reviravolta. Sim, aquela gente - eu incluído - acreditava mesmo que podíamos dar 3-0 aos gajos ou 5-1 ou 9-0. O Valdo aos 13 minutos faz o primeiro golo e foi a loucura, andámos ali 20 minutos com o sonho na mão - só faltavam mais dois golos e estava feito, coisa pouca. Mas... que equipa tinha o Benfica?, pergunta o leitor menos atento. Eu digo, caro leitor. Uma equipa de sonho: 

Preud´homme 
Marinho, Ricardo Gomes, Helder, Pedro Henriques 
Paulo Bento, Calado 
Edgar, Valdo, Marcelo 
Hassan 

 Digamos que no centro jogavam os bons; nas alas os cepos, como se fossem cuspidos do coração do relvado. Aos 31 minutos, Klinsmann empata - agora já tínhamos de marcar 3 para empatar a eliminatória. Depois Klinsmann (quem mais?) faz o 1-2 aos 67 minutos - 23 minutos para marcar 5 golos ao Bayern de Munique? era possível; talvez difícil, mas possível. Herzog aos 82 marca o 1-3 - o que são 6 golos em 8 minutos, caramba? 

Acreditar no Vieira é a mesma coisa.


O Xô Vieira hoje não fala?

Obrigado, João Markovic Pinto

Passei 17 anos a alimentar esta jogada com golo. 17 anos deslocando o Köpke mais para a direita para ele não estragar a melhor jogada do mundo. 17 anos sonhando que, depois do circo que o menino d´oiro fez aos cérebros de 5 alemães, o melhor golo de todos os tempos que nunca chegou a entrar na baliza entrava mesmo e hoje o guarda-redes alemão seria só uma recordação longínqua e não um criminoso que devia estar preso numa fortificação de guarda-redes presos por crimes contra a Humanidade. 

 17 anos depois, João Markovic Pinto atenuou a dor. 



À Eusébio


Os cornos mansos

Claro, a culpa foi do árbitro - nem podia ter sido de outra forma. Um golo em fora-de-jogo que, se fosse ao contrário, teria sido, na visão dos benfiquistas, "uma coisinha milimétrica". O penálti sobre Cardozo, se tivesse sido na nossa área, um "lance perfeitamente normal". E o Maxi, se estivesse vestido de verde e branco, tinha de ter sido expulso. Como é do Benfica, mereceu os 90 minutos em campo.

Estou cansado de tanta anormalidade - de benfiquistas, de sportinguistas, de portistas, da generalidade dos adeptos. Metem o cérebro no bolso e escolhem o que lhes interessa, consoante o que lhes convém. Vão todos para o caralho, não respeito quem, na vez de amar o futebol, passa o tempo a falar nos árbitros. Mas falemos de árbitros e lembremos isto:

- O Presidente do Benfica apoiou por duas vezes a corrupção - a segunda com um "apoio inequívoco" um corrupto do Apito Dourado; primeiro para a Liga, depois para a Federação.

- O maior alvo dos adeptos benfiquistas, críticos da arbitragem, chama-se Pedro Proença. O mesmo que há duas semanas foi dar aulas de leis de arbitragem ao nosso Centro de Estágios, lições que o Presidente do Benfica achou fantásticas - gostou muito de ver, disse Vieira.

- "Não falo de arbitragens", diz Vieira. 

Há espaço para um benfiquista sério reclamar dos árbitros, depois do que o Presidente do nosso clube faz e diz? Não há.

E olhar para o que define o que se passa no clube? Ver um Presidente incompetente, um treinador perdido, sem mão no balneário? Jogadores que não estão com o seu treinador? Uma equipa destroçada? Um clube gerido pelas mãos de um aldrabão que o aproveita para os seus negócios pessoais?

Não é importante. A culpa é dos árbitros - aqueles de quem Vieira não fala e aqueles escolhidos pela equipa "inequivocamente apoiada" por Vieira. Quando é que vocês acordam, caralho?


João Markovic Pinto. Demasiado bom. Infelizmente já está comprado pelo Chelsea. Vocês ainda não sabem, mas depois vão descobrir. Só mais uma mentira que vos deram. Mas já tudo é tão normal - já nada dói.