sábado, 5 de agosto de 2017

Balanço para o Arranque da Época



Arranca hoje o campeonato e a pré-época mostrou-nos os três grandes de forma muito distinta.

O Benfica fica como o Vendedor – vendeu três jogadores chave e não contratou ninguém para os substituir.
O Sporting como o Comprador – várias aquisições, vários nomes sonantes e nenhuma venda realmente marcante.
O Porto é o Discreto – Virado para dentro com as portas praticamente trancadas.
Finda a pré-época considero que o Porto se sagra como o campeão desta, o Benfica mantém o estatuto de mais forte concorrente ao título e o Sporting foi uma enorme trapalhada.

Começando pelos de Alvalade.

A aposta de Bruno de Carvalho foi mais um “tudo ou nada”. Encher o plantel de caras novas e nomes sonantes.
No futebol do Sporting parece só haver duas vozes e a dupla instaurada, Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, está destinada à barracada.

A pré-temporada pareceu planeada à bruta. Consideraram ser esta a melhor preparação enquanto não cabeça de série da eliminatória da Champions.
Os jogos pareceram todos muito forçados e sem qualquer espaço para os novos jogadores se integrarem e afirmarem.

Nesta altura o Jorge Jesus pode montar um excelente 11 e é indubitável que tem mais banco que há 3 meses.
O grande problema é serem mais as incógnitas que as certezas.
A incerteza sobre a presença na fase de grupos da Champions é só mais um motivo desestabilizador da formação do plantel leonino.
Por exemplo, a época começa amanhã e o Jorge Jesus ainda não sabe se vai contar com o meio-campo da época passada ou se vai ter de instaurar mudanças radicais.

À data não vejo ainda processos de jogo definidos, rotinas criadas nem qualquer identidade. A pré-época foi desaproveitada e muito por culpa da aventura do Jesus no 3-4-3. Mais uma invenção do mestre. Deixar sair o Paulo Oliveira, ainda por cima com um sistema de 3 centrais a ser trabalhado, só pode ser incompetência.

O grande destaque é o Bruno Fernandes. Mas terá espaço caso não haja vendas?
O mais entusiasmante no Sporting será quando a bola a rolar entre o Gelson, o Podence e o Bruno Fernandes.

Dúvidas:
Condição física do Mathieu. A dupla com o Coates funciona?
Bryan Ruiz vai ser integrado? Desaproveitado?
Doumbia vai sentar o Podence ou ser desestabilizador no banco?
Os capitães de equipa ficam no plantel?
Que táctica?
O Coentrão aguenta a época?
O Piccini acrescenta alguma coisa? Vai ter cobertura?

Com mais organização e ponderação estou convicto que este Sporting poderia ter feito uma pré-temporada que lhe permitisse chegar agora muito forte.
Mas com o Jorge Jesus é tudo á velocidade da luz.


Quanto ao Porto considero que o Sérgio Conceição fez até agora um trabalho de enorme respeito.
Sabia ao que vinha e trabalhou com o que lhe deram.

Recuperou jogadores emprestados, olhou à equipa B, deu confiança aos jogadores do plantel e trabalhou para tirar o maior proveito dos recursos à disposição.
Não sou fã do futebol que está a ser implementado mas reconheço o mérito do trabalho que está a ser realizado.

O Porto foi o único a mudar de treinador e mesmo assim é para já a equipa tacticamente melhor preparada para o arranque do campeonato.

Muitos adivinhavam o descalabro pelas restrições orçamentais da Uefa mas eles souberam trabalhar sob estas circunstâncias.

Organização, calma e muito trabalho. Enquanto os rivais andavam com os holofotes o Porto trabalhou com toda a discrição. Tudo muito ponderado.

A distribuição dos amigáveis foi feita de modo a conferir ao treinador tudo o que precisava: Competitividade, motivação e minutos para integrar e trabalhar todos os jogadores.

Tacticamente este é um porto sem grandes segredos. Pressão alta, explorar o erro do adversário e atacar com lateralizações e cruzamentos para os dois tanques que estão apontados à baliza.

É um Porto muito para consumo interno.
Um adversário de qualidade que favoreça a progressão no terreno em posse irá causar sempre grandes problemas à defesa portista.

Com bola este Porto vai ser sempre um perigo enquanto durarem as pilhas. Sem bola só vai ter a primeira fase de pressão, a qual também está dependente das pilhas.

A grande debilidade é sem dúvidas a construção do plantel. Só 14 jogadores para o 11.
Falta profundidade.

A dupla de centrais é provavelmente a mais forte do campeonato. O Filipe é bom e é um central à Porto.
O Ricardo dá outra vida à lateral direita portista.
O Danilo é um monstro.
O Oliver é pura classe.
Corona e Brahimi são craques. A grande vitória do Conceição e o elemento mais perigoso deste Porto é ter o argelino a progredir com bola desde o centro do terreno.
O Aboubakar é um excelente avançado e já está oleado com o Soares.

Contudo, os centrais não têm cobertura (o que vale o Reyes?), o Danilo não tem substituto, a táctica só funciona com o Oliver a criar as linhas de passe e a única alternativa à dupla de avançados é o jovem Rui Pedro.
O sistema de jogo está demasiado dependente dos interpretes disponíveis.

Estou convicto que vão afundar o Estoril e que depois tudo dependerá do cansaço, suspensões e lesões.


O Benfica é o mais forte mas está indiscutivelmente mais fraco que no ano passado.

A maior fragilidade do Rui Vitória é o modo como trabalha o processo defensivo. Basicamente é inexistente.

Dos 6 titulares só ficaram os 3 com maiores limitações físicas – Luisão, Fejsa e Grimaldo.

Ofensivamente somos uma delicia, um poço de criatividade e inteligência. A qualidade dos jogadores nem pede um processo trabalhado.

O factor Jonizzi é fodido.

Algo que me tem desagradado é a quantidade de vozes que regem o nosso futebol.
Quem devia falar está calado. A discussão fica para um par de homens do futebol e a maralha das comissões e favorzinhos.
O pior ainda é ver o sentimento de sobranceria que se instaurou. Não importa quem se vende, quem se compra, quem joga e quem não joga.
Criou-se uma preocupante despreocupação com a qualidade do plantel.

Não consigo entender a despreocupação com que se encarou o reforço do plantel quando desde de Abril se sabia que o Ederson, Semedo e Lindelof iriam sair.

O futebol deste Benfica também não é nenhum mistério. Defendemos com os defesas em autocarro, temos o Fejsa a varrer, ofensivamente temos os rasgos dos velocistas e somos guiados pela imaginação e técnica do Jonas apoiado pela visão do Pizzi.

O Professor anunciou uma alteração táctica para esta época a qual não se concretizou. Já o tinha tentado quando chegou.
No Benfica o Rui Vitória está destinado a criar muito pouco.

Na vertente emocional damos 10-0 aos nossos rivais.
Vitórias alimentam vitórias e o Vitóra alimenta muito este balneário. A sua capacidade de gerir os jogadores e manter este sentimento de união que todos liga é um dos motivos pelo qual partimos à frente.

O espirito de grupo é fortíssimo. O espirito de campeão está vivíssimo. Devemos isto aos títulos, ao símbolo e ao Rui Vitória.

Quanto ao plantel:

Na baliza falta o reforço. As fichas foram todas para o André Moreira mas no momento da decisão o futebol prevaleceu sobre o agenciamento. Perdeu-se muito tempo e agora dependemos da débil condição física do Júlio César.

Na direita saiu o Semedo e a aposta foi no Pedro Pereira. Mais um falhanço. Seja pela qualidade do jogador ou pela preparação do mesmo, quem tem de o avaliar falhou. O Almeida segura as pontas mas o Buta não é deste campeonato. Perdeu-se tempo e agora andamos a tentar fechar negócios para os quais o timing já passou.

Na esquerda tem de haver Grimaldo. É craque. O Eliseu tem piada mas é horrível. O Hermes confirmou a sua mediania.

O nosso problema central está nos centrais. A dupla está rotinada mas peca pela qualidade individual. O Luisão é líder mas cada ano está mais frágil defensivamente. O Jardel é um poço de esforço mas muito mediano e o seu pico de forma já passou.
O Lisandro tem o espirito certo mas é defensivamente precipitado.
Precisamos urgentemente de dois reforços, sendo que um deles pode até ser o Kalaica (ainda não tenho opinião formada).
Infelizmente foram necessários os jogos na Emirates para preocupar despreocupado Vieira.

Nas restantes posições é tudo maravilhoso menos o excesso de jogadores e as aquisições dos comissionários.

O Fejsa é intocável. O Samaris, tal como o Lisandro, tem o espirito certo mas falta-lhe futebol. O Filipe Augusto só poder ser solução a 6 mas mesmo aí é fraco.
Um Fejsa sem lesões e um Samaris feliz fechariam a posição.

Nas 5 posições de ataque destaco o Horta, Chrien, Krovinovic, Pizzi, Cervi, Rafa, Zivkovic, Jonas, Seferovic e Mitroglou.
É entregar estas posições às soluções que estes 10 nos dão.

O Chrien e o Kovinovic têm a época para crescer a deslocação do Pizzi para a direita dar-lhes-ia essa oportunidade. Adoro o Horta e este tanto pode jogar a 8 como a substituto do Pizzi.

Defendo o Pizzi à direita porque nos daria um melhor jogo interior, mais força com a bola, mais consistência sem ela e porque assim o jogador estaria mais liberto das zonas de pressão e mais próximo das de decisão.

Vou sempre preferir o Mitro ao Raúl. Tendo um de ser vendido percebo que será o mercado a definir qual. Ficando o mexicano continuamos com um muito bom suplente.

O Seferovic é o nosso grande reforço da época. É muito mais que golos e tenho a certeza que estes vão aparecer jogo após jogo.

Tanto o Salvio como o Carrilo são excelentes jogadores. O argentino é titular do Vitória e vai ficar. O peruano não se conseguiu afirmar e agora já não tem espaço para tal.

O Willock parece-me ser um extremo entusiasmante. Tem potencial mas não tem espaço e este tipo de jogadores necessita jogar. 

É importante reduzirmos o número de jogadores ofensivos para não corrermos o risco de, como na época passada, andarmos a desperdiçar o talento destes.
Nenhum dos nossos extremos ainda se conseguiu afirmar e isso deve-se à obrigação do Vitória de gerir os minutos de todos eles. Os craques tiveram tempo para jogar mas não para darem continuidade aos seus desempenhos.
Rafa, o Cervi e o Zivkovic merecem continuidade, merecem uma oportunidade para se afirmarem definitivamente.

Não esquecer o Arango. Aliás, esquecer o Arango. Mais um sul-americano que veio por interesses alheios aos benfiquistas. Veio e já foi.
Um tachista que elogie comissionários até poderia dizer que este era uma espécie de Jonas…

Depois da febre da aposta na formação parece-me que este vai ser mais um ano em branco nesse capitulo. Neste plantel havia lugar para o Pedro Rodrigues. Não é do gosto do treinador.

Resumindo:
Urgente reforçar a defesa.
Importante investir nos melhores jogadores, não desperdiçar talento.
E, apesar de ser algo maravilhoso de se ver, temos de poder ter um processo ofensivo mesmo que o Jonas não esteja lá para o inventar.

Imaginar as maravilhas que se podem fazer naquelas cinco posições com o Horta, Pizzi, Zivko, Cervi, Rafa, Jonas e Seferovic, entusiasma-me mais do que as noites de Nutícias com a Paula Coelho.

Mas o penta não virá só por tesões. Muito menos um Benfica de Liga dos Campeões.

Quanto aos amigáveis, valem o que valem.
Não haver jogo de apresentação nem Eusébio Cup é uma vergonha da qual só não se fala porque as conquistas sujam até os mais íntegros.


Na SportingTV defende-se mais vezes e de forma mais acérrima o Porto do que no Porto Canal. O ódio, quando é militante, é muito mais forte do que o amor-próprio.


Até logo.

Logo à tarde, a bola vai voltar a rolar. Os nossos corações vão voltar a bater mais rápido. A nossa agenda vai voltar a ser organizada por jornadas. A época vai começar. Logo à tarde, o Benfica vai voltar a entrar em campo.

Não, este texto não é de reflexão, nem de crítica. Este texto é de motivação. Motivação para a complicada época que agora começa. Hoje não me interessa saber se joga o Rafa ou o Salvio. Não quero saber se joga o Júlio Cesar ou o Bruno Varela. Nem se o Rui Vitória joga num "4 4 2" ou num "4 3 3". Não. Hoje quero ganhar. Hoje quero levantar o primeiro troféu da época.

É claro que amanhã cá estaremos para discutir se o "4 4 2" foi bem sucedido. Se o Júlio Cesar aguentará uma época inteira. Se o Jiménez devia ter sido o titular. Se temos de ir ao mercado. Se… Mas hoje... Hoje quero ganhar.

Por isso, meu Benfica, hoje terás um estádio cheio a gritar por ti. Terás, espalhados pelo país e pelo mundo, milhões de fervorosos adeptos a sofrer por ti. Nestes 90 minutos, ninguém se lembrará de como foi a pre-época. Ninguém se preocupará com os nomes escolhidos que vão entrar em campo. Ninguém quererá saber do que aconteceu. Só pensaremos em tudo que está para a acontecer. Hoje começa mais um campeonato. Hoje damos juntos o primeiro passo rumo ao penta.

Que saudades.




sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Os nossos rivais



Comecemos pelo rival que, para mim, mais mudou: FC Porto.

Pode parecer um contra-senso que se diga que a equipa que mais mudou seja a única que não fez qualquer contratação e que, de caras novas, existem apenas alguns jogadores que regressaram de empréstimo.

No entanto, para mim e pelo que vi até agora, a equipa Portista foi mesmo quem mais alterou durante o defeso, já que a “simples” alteração no comando técnico da equipa, trouxe aos azuis e brancos uma alteração radical de ideias de jogo. De uma ideia demasiado conservadora e fazendo partir do seu equilíbrio todo o seu jogar, com Sérgio Conceição a equipa apresenta uma ideia assente no risco, no desequilíbrio do adversário através do seu próprio desequilíbrio. Será, não tenho dúvidas, uma ideia muito mais atraente, eficaz e, por isso, capaz de poder levar o clube aos títulos que lhe escapam há 4 anos.

A forma como o Porto envolve os seus laterais, como faz os seus extremos procurarem posicionamentos interiores e a sua dupla de avançados o posicionamento agressivo na profundidade, o que leva a um natural baixar de linhas adversárias, faz antever uma equipa com elevada capacidade para fazer golos. A pressão constante e a todo campo a que submete os seus adversários também promete fazer danos, sobretudo numa liga onde os defesas da esmagadora maioria das equipas são limitados tecnicamente e onde essas mesmas equipas são pouco elaboradas ofensivamente, a pressão asfixiante dos Portistas promete causar bastantes perdas de bola em zonas proibitivas e/ou a procura de bater na frente, onde Marcano, Felipe e Danilo podem impor as suas capacidades físicas e assim voltar a dar posse à equipa.

No entanto, e porque nunca há modelos perfeitos, encontro três problemas neste jogar portista: 

         1 – Parece-me uma equipa pouco paciente na busca da melhor linha de passe para chegar à área adversária. Esta constante pressa em chegar, pode provocar várias perdas de bola que, numa equipa que ataca com tantos, poderá ser um problema, ainda mais porque não vejo em Danilo a capacidade tática capaz de suprimir de forma constante essas perdas, sendo que o único jogador que parece capaz de contrastar com este tipo de ideias será Oliver;
         2 – Quanto a mim, falta ao plantel e ao 11 portista um avançado que seja capaz de jogar em apoio, que seja capaz de fazer a diferença com bola, que seja completamente diferente do perfil dos dois que têm sido utilizados nesta pré-época. Em jogos frente a equipas que se fechem num bloco muito baixo e com linhas bastante cerradas, será importante ter quem possa fazer a diferença no interior das linhas adversárias pelo corredor central e, quanto a mim, esse jogador não existe no actual plantel Portista;
         3 – O ritmo frenético imposto pela equipa. Durante esta pré-temporada, o que mais me tem impressionado desde o primeiro minuto, tem sido o elevado ritmo que os jogadores, desde cedo, conseguiram imprimir em cada partida. Seja a atacar, seja a defender, o Porto apresentou-se com uma capacidade física muito acima da média. Não tenho dúvidas que será das equipas que melhor iniciará o campeonato, no entanto, ficam dúvidas se será possível manter esta capacidade durante toda a época, sobretudo com um plantel que me parece o mais curto dos três grandes, no que diz respeito a opções completamente válidas. 

Será ainda interessante perceber a reação da equipa quando entrar nos jogos oficiais e onde o factor estratégico dos seus adversários entrará num nível muito mais elevado do que, naturalmente, acontece numa pré-época.
Em suma há uma dado que me parece claro: O FC Porto está mais forte. Não tenho dúvidas que, pelo menos no plano interno, teremos um Porto mais competitivo e mais capaz de ser uma ameaça séria.

Agora o rival que, apesar das várias mudanças nos protagonistas maiores – jogadores, é o que, quanto a mim, apresenta uma ideia de jogo mais sólida e completa em todos os momentos do jogo: O Sporting.

De facto Jorge Jesus tem, de alguns anos a esta parte e desde a saída de Vítor Pereira do FCP, a ideia mais sólida que um colectivo pode ter em Portugal. No entanto, este ano, como nos anteriores, o seu grande calcanhar de Aquiles permanece o mesmo: a escolha dos jogadores.

A preferência por jogadores eminentemente físicos retira ao jogar de Jorge Jesus muitas das vantagens que as suas ideias trazem ao seu jogo. Esta época não me parece ser exepção, facto facilmente comprovável pelos reforços que mais possibilidades terão de serem opções regulares no 11 titular: Mathieu, Battaglia e Acuña.

Pelo que vi até agora, parece-me que as possibilidades da equipa leonina fazer uma época condigna com o investimento feito passará pela manutenção no plantel de 4 jogadores e no que eles conseguirão fazer: Rui Patricio, William Carvalho, Gelson Martins e Podence.

Das caras novas há a destacar Podence e Bruno Fernandes. O jovem criativo proveniente de Alcochete, mostrou ser uma enorme mais-valia no que pode vir a ser a época Sportinguista. O seu caminhar lesto aliado à sua enorme criatividade e qualidade na decisão, prometem vários momentos de deleite para quem gosta de bom futebol. Já o médio contratado à Sampdoria apresentou-se em grande plano nesta pré-época e, não tenho muitas dúvidas, estará pronto a suceder a Adrien, caso este abandone Alvalade, e com ganhos no plano ofensivo.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

11 para sacar o primeiro caneco da época



(Pede-se a quem quiser falar de futebol que, se discordar do 11 proposto, venha sugerir outro e dê as suas razões ou, se quiser perceber as minhas apostas, me pergunte com honestidade e beleza. Tudo o que for "looooool", "percebes mesmo disto!", "Rafa??????????????" e outras imbecilidades do mesmo género -  que mais não são do que a prova de boçalidade, arrogância e incapacidade para aceitar opiniões diferentes - vai para o lixo. Obrigado e tragam boa conversa sobre o nosso jogo)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Potencial para voar tão mais alto

Venho de uma geração que viu o Benfica ganhar muito pouco. Pelo menos até aos últimos anos.

Agora já me alimentei de títulos. Já me empanturrei de vitórias. E isto parece uma droga. Quanto mais consumo mais quero.

Somos Tetra. Quero o Penta. A nossa história pede o Penta. É o único caminho para o Hexa que a nossa grandeza merece.

Na minha ignorância sobre o mundo das drogas sei que as há mais leves e pesadas. No meu vicio de títulos, no meu desejo de um Benfica mais poderoso, também existe esta distinção.

Taças da Liga já não me animam. Supertaças são só um começo. Taças de Portugal uma pequena euforia. Campeão Nacional já não bate como batia.

Quero. Preciso. Desespero. Imploro.

Sonho com o título da Europa. Anseio um Benfica Colosso Europeu.

Chega da pronta condenação à derrota frente a clubes da primeira linha da Europa. Chega de somente nos batermos com os Zenits, Monacos e Besiktas deste Futebol.

Numa altura em que somos favoritos ao título que nos torna Penta, também temos de assumir uma real ambição europeia.

Quem dirige o Benfica não pode abdicar desta maravilhosa alegria em prol das comissões e favorzinhos que (n)os beneficiam no meio de tanta compra e venda.

Com o caparro do Tetra estou convicto que estamos prontos para arrancar nesta aventura.


No fim do campeonato olhei para a nossa equipa e vi:

Um excelente plantel com juventude para evoluir, experiência para estabilizar e talento para dar e vender. Um conjunto enorme de jogadores habituados a ganhar e a sentir o peso de uma camisola campeã.

Uma “cantera” recheada de talentos. O Seixal tem perfume de Futebol.

A possibilidade de fazer dezenas de milhões de euros sem que isso criasse danos irreparáveis na preparação de uma nova época gloriosa.

Uma equipa de prospecção conhecedora dos vários talentos e oportunidades de negócio que andam por esse mundo fora.

E uma massa adepta gloriosa – exigente, numerosa e mergulhada numa paixão imensa. Um povo benfiquista a elevar aos céus os que em campo usam a sua camisola. Tsunami vermelho.

De todas, esta pareceu-me ser a época de preparação mais simples. Bastaria não inventar.

Uma pré-época organizada, um departamento médico renovado e um ou outro reforço para fortalecer o grupo. Manter a alma da equipa intacta, fortalecer ainda mais a identidade do grupo e não tocar em nenhum dos hemisférios do cérebro.

Vender sabemos que é obrigatório.
Jogadores como o Semedo, o Ederson e o Lindelof teriam de ser vendidos. Dois deles ou até mesmo os três.
Milhões mais que suficientes para o sustento do clube e para o reforço do plantel.

Tanto na baliza como na lateral direita a segurança já estava à partida salvaguardada.

O Júlio César é um excelente guarda-redes. É o guardião ideal para ir segurando as pontas enquanto um discípulo se fosse preparando para ultrapassar o mestre.

O Almeida é o nosso bombeiro. Dá toda a confiança para uma época regular à direita.
Com um toque táctico - deslocação do Pizzi para a direita e a inclusão de um verdadeiro 8 no onze – talvez nem fosse essencial um reforço para a posição.
Além disso temos o Pedro Pereira. Um jovem, um grande investimento, um jogador que está há seis meses a treinar com o plantel principal. Portanto, obrigatoriamente pronto para a luta pelo lugar.

A maior urgência seria o reforço da zona central da defesa. O Lisandro não tem qualidade para ser mais do que o suplente do Luisão. E o Jardel será sempre um central mediano – esforçado, forte e benfiquista mas mediano. Além disso o seu pico de forma foi há dois anos e com esta época de lesões e sem minutos esse balão já esvaziou.
O Luisão continua a ser o Luisão mas cada vez mais próximo do adeus. A cada ano que passa fica defensivamente mais frágil.

A dupla Luisão-Jardel oferece-nos a segurança das rotinas afinadas mas peca pela qualidade individual de ambos.

Este é um problema que nem teria de o ser. Há um orçamento para contratações, um orçamento reforçado pelos milhões das vendas.
É urgente o reforço com dois centrais: um para chegar, convencer e vencer, outro para afirmar o seu potencial no decorrer da época.

Sendo o primeiro obrigatório, o segundo até poderia ser o Kalaica.

Neste nosso contexto, e acrescentando a prendinha antecipada que foi o Seferovic, o sonho teria de finalmente se tornar uma realidade.

Infelizmente, quando tudo o que se pedia era organização e planificação – atributos que a auto-intitulada super-estrutura tanto se gaba de dominar – falharam. E agora corre-se atrás do prejuízo.

Forçou-se a venda dos 3 referidos. Vendas quase certas desde Abril e nenhum reforço antecipadamente assegurado.

O Pedro Pereira não foi devidamente preparado.

O reforço central só se tornou uma preocupação depois do último amigável da pré-temporada.

Para a baliza perdeu-se tempo com brincadeiras do Mendes. Por agora, a três dias do arranque da época, o substituto do Ederson é o Varela.

Para a direita o despertar também foi lento. Parece estar quase resolvido mas a pré-época já voou.

Quando a soberba é muita…

Nem um joguinho de apresentação aos sócios e nem uma homenagem ao King dá para organizar.

Ainda somos favoritos ao título. Ainda trilhamos no caminho do Penta.
Mas enquanto continuarmos com estas brincadeiras nunca subiremos ao escalão de Benfica Europeu.

Campeão de pré-época não é aquele que vence mais ou todos os jogos. É aquele que se prepara melhor nos meses que antecedem o arranque do campeonato.
E aqui dou razão ao presidente do Benfica - não fomos nós. 

Por agora o Penta só treme por esta defesa estar nas mãos do Vitória.

Portanto, venham de lá os reforços se fizerem favor.