sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ontem li-te na Futebolista

Há quem nasça com o cu virado para a lua e quem nasça sujeito aos delírios laboriosos de sol a sol. Na blogosfera, não é diferente. Enquanto uns trabalham de forma séria, responsável, com qualidade, outros passeiam-se pelos textos, quais vagabundos, como cães vadios em busca das traseiras de um restaurante italiano.
É por isso que, quando a fama chega, chega só para alguns. Destaque-se uma Tertúlia Benfiquista - cujos membros discutem e bem o benfiquismo em directo e a cores na Benfica TV -, um Mágico SLB - que, além de ter sido considerado o "blogue da semana" no Jornal do Benfica, não raras vezes vê o seu nome escarrapachado no Jornal de Notícias -, uma Ilíada Benfiquista, um Eterno Benfica, eu sei lá mais quantos, todos bons e todos verdadeiros corredores de fundo. Autênticas máquinas de gerar comentários.
No nosso caso, a fama terá de ser sempre relativizada. Um comentário aqui, outro ali, e vemo-nos logo lançados no limite máximo a que este blogue aspirou (se aspirou a alguma coisa). Repare-se na forma espartana como a casa está construída, fracos acabamentos, materiais duvidosos, peças soltas, fios em perigo de matar alguém, torneiras que não fecham e, pior do que isto tudo, uma voz que fala muito pausada e intermitentemente. Este blogue não luta pelo título, é bem verdade, nem sei se luta pela Europa, mas é honesto, ah isso é, e, caso lhe chamem nomes, é até bem capaz de dizer "apre" e ficar chateado durante uns 2 minutos. Depois passa-lhe, porque não está para chatices.
Isto tudo vem a propósito de quê? Vem na sequência de termos lido a entrevista dada à Futebolista pelo companheiro Ricardo Cunha, do Catenaccio (já agora, mais um daqueles que merece todos os elogios possíveis), que, entre explicações justas e inteligentes sobre o blogue e sobre futebol, decidiu enlouquecer metendo-nos na sua lista diária de escolhas bloguísticas. Ora, agradecendo a referência, aconselhamos o companheiro Ricardo a procurar um terapeuta porque algo pode estar a falhar nos critérios decisórios do companheiro. Não merecemos tão grandes elogios e honras. Mas, como cães danados por um ravioli, aceitamo-los com um sorriso nos lábios.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Não digam que eu não avisei...

Assunto importante:

http://www.futebolfinance.com/novas-regras-para-transferencias-e-salarios-de-jogadores

Para quem não conseguir abrir a notícia, ou não estiver com paciência, destaco uma parte:
"De acordo com um alto responsável da UEFA, a proposta dos maiores clubes Europeus sugere que apenas seja permitido aos clubes gastar 51% das suas receitas na aquisição de novos jogadores e nos seus salários."

Agora, o que eu escrevi aqui, no dia 13 de Janeiro:

"A Deloitte fez um brilhante relatório que apresentou a solução para o futebol português, mas poucos lhe ligaram, porque entre outras coisas obrigava a uma drástica diminuição dos custos com pessoal, o que obrigaria por sua vez a apostar no formação e em jovens baratos, em vez de se poder fazer aquelas magníficas comprinhas de 3 milhões de euros em que rodam comissões para todos. Há um rácio que atrofia(va) quase todos os clubes portugueses que é custos com pessoal/proveitos totais, um rácio que tinha de se encurtar drasticamente para desafogar as finanças dos nossos clubes. O que é que se fez em 2008/2009 quando sabíamos de antemão que ia haver uma diminuição nas receitas correntes (devido à ausência da Champions)? Aumentou-se os custos com pessoal."

Andam a brincar, em breve o Benfica vai pagar e bem...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Os animais que nós somos OU Fora o árbitro, caralho!

Devia ter uns 7 anos quando me apercebi pela primeira vez de que os homens de preto que entravam no relvado não eram homens, mas animais. Seres repugnantes que serviam, quais touros em arenas, para o grande momento da tarde no Estádio: o assobio uníssono de 120.000 gargantas. Neste particular, destaco a excelente capacidade de alguns colegas de bancada para o som estridente, conseguido através de uma estrutura perfeita de dedos na goela, procurando, tacteando, entre o céu da boca e a língua o ângulo perfeito para o grito ensurdecedor que inundava o animal de apito de vergonha e os meus tímpanos de zumbidos até ao intervalo. Com o Sol sobre a minha cabeça, espantava-me aquela demonstração de ferocidade e dramatismo, em oposição à festa e pornografia de cachecóis, bandeiras, luzes e rolos de papel higiénico sempre que onze deuses entravam de manto vermelho sagrado vestido. Era como se assistisse, primeiro, à entrada do Touro e, depois, ao despontar pela arena de 11 toureiros, sedentos de tornear, humilhar e, finalmente, deixar cair no chão, de rastos, o animal que vinha de preto para o Estádio. Com o apito ao pescoço, o touro fazia a sua presença tilintar por todo o relvado, como se fosse uma vaca pelos campos abertos da Andaluzia. E eu, olhando o meu pai gritar obscenidades que me proibia em casa, imitava-lhe as palavras, naquilo que me parecia ser a única forma de tratar um animal como aquele (afinal, se o touro vinha à Luz, era com toda a certeza para nos fazer mal e nos dar uma cornada nas partes baixas do benfiquismo heróico!).
Com o tempo, fui desenvolvendo no aficionado que sou a herética ideia de que o touro, apesar de mauzão, era bem capaz de não ser o máximo culpado pela má preparação e técnica dos toureiros encarnados e, assim, afastando-me inequivocamente da grande maralha que me rodeava, cheguei a chatear-me com um outro aficionado quando, tendo o touro assinalado uma perfeita e justa marca na areia com as patas (contra a vontade dos nossos toureiros!), o benfiquista desatou aos gritinhos histéricos, querendo a morte do animal, sem julgamento nem direito a advogado, acusando a mãe do miura de todas as patifarias, putarias e pornografias jamais vistas nas lezírias do sul da Ibéria. Não era justo!, gritei, deixem o animal em paz!, pedi, e, vendo que o animal que podia ficar morto na arena era eu, decidi-me por defender o touro em silêncio, não fosse o meu benfiquismo jorrar-se-me directamente do pescoço e acabar ali a minha performance de aficionado.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Estatísticas

Alguns dados que tenho vindo a apontar sobre alguns jogadores do meio-campo e ataque do Benfica:

GOLOS/ASSISTÊNCIAS - TOTAIS (MIN. JOGADOS)

Suazo
5/0 - 5 (1262)

Cardozo
5/2 - 7 (1024)

N. Gomes
6/4 - 10 (1051)

Aimar
0/5 - 5 (770)

Reyes
3/4 - 7 (1357)

C. Martins
1/7 - 8 (1020)


É curioso verificar que os menos utilizados (Cardozo, Nuno Gomes e Carlos Martins), para além de Aimar, têm números iguais ou superiores a Suazo e reyes. Nuno Gomes, então, é um caso de estudo. Com 6 golos marcados e 4 assistências - e tendo em conta que, além de menos minutos, tem sido quase sempre suplente utilizado (ou seja, mais difícil é de entrar no jogo) - é o mais produtivo jogador do meio-campo para a frente, se olharmos friamente para a totalidade dos números (10). Suazo, com muitos minutos, apenas 5 golos e nenhuma assistência, não deixa de constituir, ainda que muito útil à equipa, uma semi-desilusão.
Uma referência especial para o C. Martins que, tendo jogado menos que outros, já fez 7 assistências.

Os números não explicam tudo, como é evidente, mas podem ser sinais a estudar por Quique Flores.

Ontem os Deuses viram-se no Estádio da Luz

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Finanças

Qual é o assunto que mais me preocupa no Benfica actual, perguntam vocês (ou pergunto eu, para o caso não interessa)?
- Será o facto de devido ao último jogo e à nojenta campanha feita pela imprensa eu saber que o Benfica vai passar o resto do ano a ser roubado?
- Será o facto de eu ver que a equipa em vez de evoluir vai regredindo e que em Janeiro joga um futebol que nem como adepto da Académica me agradaria?
- Será o facto de actualmente ir à Luz ver bola dar-me o mesmo prazer que ir ao dentista?
- Será o facto de eu reconhecer que é pouco provável ganhar o euromilhões esta semana (desculpem, esta não tem nada a ver com o Benfica, mas pode servir de introdução ao tema do post)?

Não, nenhuma das anteriores. O que mais me preocupa no Benfica é a ruinosa operação financeira aprovada ontem na AG dos accionistas. Vamos voltar atrás até Agosto de 2008:
Era o final dum lindo Verão e a nação benfiquista estava a ter orgasmos múltiplos. O Deus Rui finalmente mandava no nosso futebol, tinha contratado o Mourinho espanhol e o melhor preparador físico de todos os tempos, e era ver as vedetas a chegar de jacto a privado, desde Aimar a Balboa (não resisti à piadola fácil de considerar o estafeta uma vedeta), passando por Yebda e Suazo, estava-se a construir uma máquina de futebol e tudo o resto que se lixasse. Eu, por defeito de profissão pensava para mim: “Ora a economia mundial está em recessão, o futebol também, não temos Chamipons, não vendemos ninguém de jeito, será que há dinheiro para isto?”. Timidamente escrevia isto em alguns blogs, quase me batiam, chamavam-me de estúpido, infiltrado ou Jaco, diziam que “o Rui é que sabe”, quem era eu para duvidar da gestão financeira imaculada do Benfica. Mantive a minha e disse que antes do fim da época ou teríamos vendas extraordinárias ou não teríamos dinheiro. Alguns continuaram a rir a tentar perceber quem era a próxima estrela que aterrava em Tires, eu tentei esquecer convicto que podia estar a ser pessimista e que o futebol de luxo ia compensar esta despesa parva.
Nada disto aconteceu. O futebol é o que se sabe (nem vou analisar agora essa parte), e sendo assim chegados a Dezembro o que aconteceu: marca-se uma AG e endivida-se o clube em 40 milhões, pagável em 5 anos (quem vier que feche a porta, sff). Ainda apareceram alguns acéfalos a argumentar “epá isso é para uma bomba tipo museu ou Messi, o clube continua bem, ou então é mais uma genial jogada financeira renegociando os prazos do nosso passivo conseguindo taxas mais baixas, ou vamos rasgar o contrato com a Olivedesportos”. Pois. Era bom, não era? Mas aí valhe-se a clareza da informação, foi dito logo que 12 milhões era para gestão corrente, basicamente é o mesmo que vocês terem um empréstimo de 100.000 para pagar uma casa ao banco e passados uns anos em vez de terem amortizado a coisa irem pedir um novo empréstimo de 150.000, sendo que 50.000 são para novas despesas que vocês criaram entretanto e não conseguiram pagar.

Não é preciso ser um génio para perceber o que está a acontecer. Esta Direcção pode sair em breve e quer sair em grande, um pouco como aqueles políticos que constroem tudo no último ano de mandato e depois deixam a Câmara endividada até aos colhões para o seu sucessor. A Deloitte fez um brilhante relatório que apresentou a solução para o futebol português, mas poucos lhe ligaram, porque entre outras coisas obrigava a uma drástica diminuição dos custos com pessoal, o que obrigaria por sua vez a apostar no formação e em jovens baratos, em vez de se poder fazer aquelas magníficas comprinhas de 3 milhões de euros em que rodam comissões para todos. Há um rácio que atrofia(va) quase todos os clubes portugueses que é custos com pessoal/proveitos totais, um rácio que tinha de se encurtar drasticamente para desafogar as finanças dos nossos clubes. O que é que se fez em 2008/2009 quando sabíamos de antemão que ia haver uma diminuição nas receitas correntes (devido à ausência da Champions)? Aumentou-se os custos com pessoal. Quais as soluções? Enganar alguém com o Di Maria (até essa sorte tivemos mas não aproveitámos), ou endividar mais, já que o nosso plantel tem poucos jogadores que rendam milhões, a maior parte dos reforços já desta época estão desvalorizados.
Na minha opinião ontem foi o primeiro prego no nosso caixão, até porque ninguém explicou (nem vão explicar) quais as garantias que o Benfica deu para esta operação. Desconfio que mais receitas futuras poderão estar hipotecadas (já não seriam as primeiras), o que juntando ao facto de não podermos negociar transmissões durante alguns anos leva a que eu até tenha medo de ver as nossas contas se e quando mudarmos de Direcção.

Tenho dito.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Mais que um Clube

Eu gosto tanto do Benfica que se fosse gostar de um outro clube estrangeiro qualquer acho que rebentava pelas costuras as costuras do coração. Transbordava-se-lhe sangue pelas vísceras. Não é imaginável que, algum dia, num demente dia, eu possa afirmar, como vejo por aí, que, em Portugal, sou do Benfica, em Espanha, do Barcelona, em Itália, do Milan, em Inglaterra, do Liverpool, no Brasil, do Flamengo e na Letónia, do Skonto Riga. Para ser desses, ia ser menos do Benfica, e isso, claro, não está nos planos de ninguém, muito menos nos meus, que acho sempre que gosto mais do Benfica do que todos os outros benfiquistas, ainda que saiba, ou imagine, que o amor pelo Benfica é transversal a uns 4000 milhões de outros bípedes.
Dito isto, dizer que gosto do Barcelona. Não é um amor, não é uma paixão, é um fraquinho. Não ando por aí a dizer que, em Espanha, o meu clube é o Barcelona, porque, em Espanha, em França ou na Nova Zelândia, o meu clube é o Benfica, vírgula e, agora, ponto final. Mas há algo no Barcelona que eu reconheço como Benfica ou qualquer coisa no Benfica que eu identifico no Barcelona, não sei reconhecer qual das duas a mais correcta, provavelmente nenhuma. Sempre que oiço o hino tocado e cantado no Nou Camp, parece que imagino o Estádio da Luz antigo nas décadas de 60 e 70, sinto que é a mesma coisa, sendo uma coisa diferente. No fundo, assistir aos jogos do Barcelona e ver o público catalão é como se fosse a minha única oportunidade de cheirar as bancadas da Luz, quando entravam Eusébio e a companhia vermelha toda por aquele relvado preto, branco e cinzento, que é como eu vejo as imagens desses tempos, ainda que saiba, ou imagine, que, na realidade, o relvado era verde e as pessoas não estavam todas como se fossem figurantes de um filme de Chaplin. Anacronica e esquizofrenicamente, amo o Benfica antigo no Barcelona contemporâneo, acho que é isto, e talvez pudesse seguir esta comparação, para alguns absurda, por mais umas linhas, mas acho que já está tudo dito, ou quase.
Veio-me esta ideia à cabeça enquanto via imagens de um Messi a destroçar um Atlético de Madrid no Calderón e, no fim, coisa tão linda, o público colchonero, de pé, a aplaudir o argentino. São coisas que comovem, não dá para explicar além disto. E a ideia que chegou logo a seguir, de mãos dadas com a comoção das imagens, de que, no Barcelona, há uma fonte inesgotável de talento para recuperar continuamente aquilo que o clube é e faz por ser: um clube de triunfos. Ao longo dos anos vimos assistindo a grandes equipas barcelonistas sucedidas por desaires que parecem levar o clube para o mais fundo dos buracos fundos mas, logo a seguir, há qualquer coisa, uma força, um momento, uma mística?, que os faz levantarem-se do chão, arranjar a camisola, sacudir os bocados de relva dos calções e continuar a correr. Sempre para as vitórias.
O que eu gostava, gostava mesmo, era de poder reconhecer o Benfica antigo quando estivesse num estádio cheio a ouvir o hino dessa equipa e reconhecesse nessa equipa a equipa e o clube que eu amo e que revejo no Camp Nou. Eu gostava que, um dia, essa equipa anacrónica deixasse de ser anacrónica. Eu gostava, gostava mesmo, de rever o Benfica no Benfica.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Miguel Góis

«SOB PRESSÃO

Ontem, sentei-me à frente da televisão, algo contrariado por estar prestes a assistir ao V. Guimarães-Benfica e não a um treino no Seixal, que é onde o Quique diz que a equipa joga bom futebol. À partida, o esquema defensivo dos vimaranenses era simples. Suazo era vigiado por Gregory, Di María marcado por Andrezinho, e Aimar manietado pela pubalgia. Escusado será dizer que o púbis do número 10 encarnado foi eleito, no final da partida, como o melhor defesa dos minhotos, ainda que a espaços tenha permitido ao argentino um ou outro pormenor genial.

A grande novidade no onze acabou por ser a inclusão de Balboa, um jogador – ninguém me tira esta da cabeça - cujo rendimento aumentaria exponencialmente se entrasse em campo vivo. Penso até que seria pertinente, já que o jogador tem apelido de boxeur, dar-lhe a cheirar antes de entrar em campo aquela substância que os treinadores de boxe aproximam das narinas dos lutadores quando os querem espicaçar. Mas, em vez de um frasquinho, teria que se recorrer a um jerrican, porque o estado de espírito de Balboa é aquele que um monge budista deseja alcançar quando entra para um convento.

Por fim, eis que chegou aquela que ao longo da época (excepção feita às partidas com o Sporting e o Nápoles na Luz) tem sido invariavelmente a melhor parte dos jogos do Benfica: a conferência de imprensa de Quique Flores. Há umas semanas, ouvi pela primeira vez na minha vida um jornalista da TSF a dizer que iam prolongar um pouco mais a transmissão respeitante ao Benfica-Nacional uma vez que a conferência de imprensa de Quique estava a ser “espectacular”. De uma maneira ou de outra, acaba por haver espectáculo na Luz, isso é que é importante.»

Record

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

É só um cheirinho

Esta coisa de passar duas semanas sem ver o Benfica a jogar não deve ser lá muito saudável para a saúde, sabendo, no entanto, que o contrário - o que quer dizer: ver o Benfica a jogar - também é altamente repudiado por qualquer médico de reputação minimamente razoável. Há um comprimido que ajuda a passar a dor: estamos em primeiro no campeonato. Outro (mais forte): não estávamos em primeiro há 15 anos. Tudo isto deveria fazer de mim um doente feliz, com direito a visitas dos palhaços e cantorias mais ou menos esquisitas cantadas por pessoas mais ou menos esquisitas com manias de voluntariados e sorrisos colgates a cada virar de esquina. Não é, porém, o que se passa neste quarto de hospital. Há algo em mim que não consegue ser feliz - o que até não seria novidade, se abordássemos o tema do ponto de vista filosófico e metafísico mas não é bem por aí que esta conversa quer ir; não consigo ser feliz porque tenho medo do vazio, esse buraco insondável onde cabem Janeiro, Fevereiro, Março, Abril e Maio e uma intuição qualquer de treinador de bancada de rua que pensa que vai continuar a ver no relvado um Binya ou um Balboa, um Quique a procurar, contra tudo, todos e a própria realidade, um entendimento possível por parte dos seus jogadores sobre aquela espécie de táctica em que insiste e insiste e insiste ininterrupta e estupidamente como se não houvessem no mundo outras formas de mandar os homens estarem em campo. O gajo, quando andava na escola de futebol, a tirar cursos nível 1, alínea 3, ponto 4, versículo 6º do 9º salmo do novo testamento, deve ter passado os dias a atirar papelinhos com cuspo para o tecto. A única vez em que se dignou a ouvir alguém naquela escola foi uma vez em que um tipo qualquer falava em duas linhas de 4, desconcertante conversa que o interessou, tendo em conta que se falava que o tipo que abordava o tema costumava ser um gajo sério e não ratava muito. Os ouvidos do Flores ouviram e o cérebro pensou: "duas linhas de 4? A este preço, não nego!". E foi assim que, querendo comprar droga, o espanhol acabou a ouvir a única dissertação táctica de todo o curso. Aquilo ficou-lhe na cabeça de tal forma que ainda hoje julga que o 442 é a única maneira de jogar futebol. O meu avô é que me costumava dizer: "larga a droga, filho". Como eu não era seu filho, decidia não acatar o conselho. Pelos vistos, o Quique também não.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

100%

Pois é, este blog foi criado em 2008, e pela primeira vez em 15 anos o Benfica vai passar o Natal à frente. Acreditam em coincidências? Eu não.

Feliz Natal a toda a família benfiquista (e que logo tenhamos a prenda que todos desejamos e merecemos) e como primo pelo fair play, os votos são extensíveis a todos os loosers que vêm atrás de nós, mesmo aqueles que mostraram o seu espírito natalício ao agredir o desgraçado do motorista que por azar conduzia o namorado da Inês Simões.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Opção (muito) discutível

Gostava de dizer, ANTES DO JOGO, que não concordo minimamente com esta opção de Quique em deixar os melhores jogadores de fora e dar tempo e oportunidades a outros. Por várias razões:

- o Benfica ainda tem uma hipótese de passar à fase seguinte. É certo que muito remota mas real. Isto, só por si, devia ser razão suficiente para que entrassem em campo os melhores. A ideia de que desistimos de um objectivo (mesmo que ele seja praticamente impossível) antes de esse mesmo objectivo ser impossível, causa-me apreensão. O Benfica não pensa em impossíveis. Muito menos quando eles não são, apesar de tudo, impossíveis.

- Depois da eliminação na Taça de Portugal, seria importante uma vitória. Se possível, da forma mais clara que conseguíssemos. Ora, não é a meter as reservas que temos mais probabilidades de conquistar essa vitória. É fundamental evitar empates ou mesmo derrotas. Neste sentido, acho que é arriscar demasiadamente num plano que, se não der certo, deixará todos (jogadores, adeptos, dirigentes) ansiosos e pouco libertos para o jogo que tem de ser para ganhar frente ao Nacional.

- Se é para aproveitar este jogo para testar soluções (tanto na observação de alguns jogadores como na mudança de modelo de jogo), não se pode mudar mais de meia equipa. Ninguém testa nada mudando 6 ou 7 jogadores, isso está mais que visto em futebol. No máximo 3, um em cada posição, para ver como reagem os jogadores à equipa e não o contrário. Num ambiente colectivo mais forte, é mais fácil um jogador conseguir singrar e mostrar valor. Num ambiente em que se mudam, como dizem os jornais, Binya por Maxi, M. Victor por Sidnei, Bastos por Katsouranis, Balboa por Amorim, Urreta por Reyes, Gomes por Aimar e Cardozo por Suazo, para além de não se conseguir perceber onde a equipa melhora (se melhorar) corre-se o risco de ver em campo uma equipa desligada e de queimar, aos olhos dos adeptos, jogadores que, num ambiente mais favorável (com menos mexidas na estrutura-base da equipa), poderiam ser reais mais-valias.

Por mim, era meter a carne toda no assador e ir em busca dos 8 golos. Nem mais nem menos. E, se fosse para poupar jogadores, poupava os 3 mais utilizados. Não é razão falar-se na poupança de mais de metade da equipa quando o nosso jogo é só na Segunda-Feira. O Porto não jogou ontem? Não joga no Domingo? Os jogadores não são profissionais de futebol? Não ganham o que nós nunca ganharemos e não sabem que têm de jogar, por vezes, 2 e 3 vezes por semana? Essa conversa da poupança já chateia. Acho que até tem um efeito mais negativo que positivo metermos os titulares a descansar. Para além de terem perdido a eliminatória para a Taça, perdem ritmo de jogo e fome de vitória para esquecer o último resultado. Hoje seria o cenário perfeito para acabar com essa fome e preparar, com dinâmica de vitória, o jogo contra o Nacional.

Por tudo isto, discordo totalmente da opção de Quique.

Se já era quase impossível darmos 8, com a equipa que está escalada para jogar hoje, pergunto-me se conseguiremos sequer ganhar. E isso é arriscar em demasia.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Não, afinal quero ser jogador de futebol...

Na senda do magnifico texto anterior, resolvi também recuperar um texto meu, mais ou menos da altura em que o Ricardo escreveu o dele. Aliás, chegamos a comentar a coincidência de termos escrito sobre quase a mesma matéria praticamente em simultâneo...
Ctrl V
Decididamente devia ter sido jogador da bola. Porque é que não fui bafejado por um talento fenomenal e descoberto por um olheiro de um clube grande quando esbanjava magia nos improvisados campos do Largo da Feira? Dias inteiros ao sol e à chuva, na lama ou no pó, por entre calhaus e estendedouros de roupa, com bolas mais ou menos boas, normalmente más. Com amigos com idades compreendidas entre os 5 e os 12 anos, gordos, magros, com fome, asseados e menos limpos, ciganos e de outras etnias, para quê???
Mais tarde no campo do Matuzarense, eu de barquinho ao peito, electricista de coração, chegava na Casal de 4 e treinava no pó ou na lama, com amigos da mesma idade e alguns com habilidade para a coisa… Jogos no fim de semana, flatulências nauseabundas nas carrinhas e passear gloriosamente pelo distrito. E nem aí fui descoberto! Porque é que não abri o livro, como se diz na gíria, num jogo em que havia alguém importante a ver? Chamavam-me e diziam: “Vens para tal sítio assim assim, pagamos-te um balúrdio e tu só tens que jogar à bola todos os dias…”
Jogar à bola todos os dias e ter uma conta bancária volumosa… Que mais se pode querer?
Quando era pequeno e assistia a jogos do Benfica e quando corriam mal, uma das formas que tinha de me confortar era pensar para mim: “Não há problema, quando eu for grande, vou jogar para lá e ganhamos sempre…” Era com a maior das naturalidades que acreditava nisto. Porém cedo o sonho se foi desvanecendo e a percepção das minhas qualidades futebolísticas limitadas ajudou. Ok, não há problema, sou bom na escola, hei-de arranjar aí um curso que me pareça bom e ter uma profissão... Bom, agora que tenho o curso e a profissão, jogo à bola de vez em quando e não tenho uma conta bancária volumosa. Pois é…
Um dia destes estava num bar aqui em Vilamoura e vejo chegar um carro fenomenal: um Maserati não sei quantos com matrícula italiana… Quem é que salta lá de dentro enfiado numas calças coiso e tal, numa camisa xpto e com um relógio reluzente, portanto caro? O bronzeado Rui Costa, esse mago da bola, esse poeta dos relvados, para não lhe chamar maestro que isso toda a gente chama.
Ora eu, que não tive a fortuna de ser jogador da bola ali estava, a beber o meu cafezito, depois de um dia de trabalho num contentor de uma obra, a olhar preocupado para o galgar dos minutos, subtraindo mentalmente cada um que passava ao número de horas que me restava de sono. E o Rui Costa feliz, de férias, sendo que as férias dele, basicamente, são não jogar à bola por um período.
Foi depois disto e de ter cumprimentado o simpático e acessível artista que pensei: “Não, afinal quero ser jogador da bola… Ah, não, já não dá… Ok, amanhã às nove na obra!”
(Quem quiser falar sobre a taça de Portugal esteja à vontade... Que não pareça isto uma fugida com o rabo à seringa , what ever that means..)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Fim de carreira

Provavelmente nunca contei isto a ninguém, mas eu já ganhei por 5 vezes a Champions League. Mentira: a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Perdi duas finais também, mas isso deveu-se ao acumular na barriga de pães com tulicreme e manteiga, levando-me a falhar os penalties decisivos por clara dor de estômago e desconcentração na hora de apontar por duas vezes (e em dias consecutivos!) os lances capitais do jogo. A bola não quis dar-me a alegria das 6ª e 7ª taças por capricho: na primeira, saiu alta demais, esvoaçando por cima do muro, indo rebolar pela barreira abaixo, apenas parando lá no fundinho, onde o Zé Careira vivia com os dez cães; na segunda vez, eu estava avisado, e decidi – no penalty que decidia tudo – bater a bola a meia altura, com efeito para o lado esquerdo, para que ela não subisse – saiu perfeita, longe do alcance do guarda-redes, mas, infelizmente, vi-a esbarrar-se no vaso com orquídeas. “ao poste!”, gritou o guardião, e eu fiquei na zona de penalty marcado com uma bola branca de cal no chão a olhar o prédio em frente: estava perdida a segunda final da minha vida.
Apesar da desilusão por ter perdido em dias seguidos duas finais dos Campeões Europeus, sabia que o meu trajecto como jogador estava, ainda assim, muito acima do que era esperado. Tinha vencido por 5 vezes o troféu mais ansiado por todos, tinha sido considerado o melhor jogador de todas as 7 finais que havia disputado. Estava na hora de arrumar as botas.
Nesse dia em que a sorte não quis nada comigo, enquanto das varandas dos prédios as pessoas me aplaudiam de pé, enquanto o cão vinha pedir uma festa e consolar-me, no meio do pátio, em cima da linha de meio-campo, eu agradecia aquele apoio incansável ao longo de duas longas semanas àquele público fantástico, agradecia especialmente à senhora que bebia suminhos de laranja na varanda do topo sul, agradecia o apoio incansável daquela empregada que esticava a roupa na varanda da Central e, emocionado, abandonava o campo com o sentido de dever cumprido.
Abandonava o futebol já veterano. Sentia que a minha altura tinha chegado. Os meus 12 anos não me permitiam manter o nível exibicional que até ali tinha deliciado a plateia. Saía triste por abandonar o futebol, mas feliz por tudo o que o futebol me tinha dado. Tive propostas para jogar em campeonatos menores, como o campeonato semanal em Vale de Rãs e o 24 horas no pavilhão do Pego, mas achei, na altura, que o pão com chouriço e o sumol de laranja com que me acenavam para prolongar a minha carreira eram insuficientes. Apesar de tentadores, não os achei suficientes para que a bola continuasse a rodar sob os meus pés. Além disso a família pedia-me encarecidamente que voltasse. Que voltasse a casa. E eu acedi. O jantar já estava frio.

[Este texto já tinha sido postado no meu outro blogue, Um Homem Não Chora, mas achei que fazia sentido recuperá-lo para um lugar mais futebolístico. Qualquer queixa que queiram fazer, façam o favor de se dirigirem ao Paquete de Oliveira deste blogue, que não existe mas que, ainda assim, receberá com agrado e dedicação as vossas palavras.]

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Talvez porque foi fácil...

Ganhamos este fim-de-semana! É curioso, estive sem acesso à net durante o fim-de-semana e pensei: “A malta lá do blogue de certeza que vai escrever sobre esta retumbante vitória, devem estar excitados com isto…” Chego aqui… E nada!
(Mais tarde veio o post do Americano, mas que não se refere à vitória de Domingo…)
É estranho como reagimos com tanta naturalidade a uma vitória por seis a zero. Eu falo por mim… Pelo contrário, cada vez que os gregos marcavam mais um no outro dia, era uma faca que me espetavam no peito. A dor crescia a cada golo e quando o jogo acabou fiquei numa tristeza profunda, pelo menos durante umas horas. Mas agora, cada vez que dávamos mais uma ao Marítimo, não regozijava proporcionalmente à tristeza que acumulava, quando encaixava mais uma dos gregos… Visto do lado do goleador, pareceu-me tudo muito normal. E pensava calmamente: “o futebol é assim e tal, os gajos também tiveram azar e a gente sorte, na volta ainda levam outro…”
Será que reajo assim por ser benfiquista? E porque, mesmo que nos últimos anos não tenha tido muitos motivos para celebrar, exista uma qualquer áurea de vitória, associada a este estádio evolutivo, que me leve a interpretar com naturalidade uma vitória por 6-0? Não, deve ser porque gosto de coisas difíceis…

Líder

Não podia deixar o nosso blog passar em claro a primeira liderança desde que existimos. Aliás acredito que a partir de hoje, e em homenagem ao "Ontem vi-te no Estádio da Luz", o Benfica não mais sairá desta posição, se for o caso encontramo-nos todos no Marquês, ou na Catedral, ou em ambos...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A frio...

Com tudo o que se tem passado nos últimos dias, com tudo o que se tem dito, queria deixar bem claro que, na minha opinião, o Benfica só tem um caminho a seguir: Continuar! E nisso em tudo subscrevo e faço coro com o que disseram os meus caros colegas de blogue. São, de facto, gajos formidavelmente inteligentes e perspicazes!

Mas existe um mas. Existe quase sempre, não é?

E o meu mas é o seguinte: É que um gajo tem olhos na cara. Um gajo já assistiu a três ou quatro épocas de futebol cá do burgo. Sem que isto retire um grama ao apoio que me merecem dirigentes e equipa técnica, há este mas: Era possível fazer melhor...
Qualquer um de vocês já viu fazer melhor. Sim, com estes jogadores e esta conjuntura, vocês todos têm que concordar que era possível fazer melhor, e não é preciso invocar nomes de gente especial. Isto também não quer dizer que o Quique seja incompetente, ou que não tenha qualidade para o nosso Benfas – não, não é isso, é futebol, é simplesmente futebol. Mas, era possível fazer melhor. E isso dói. Dói que se farta, por exemplo a mim, que escondia no discurso prudente a angústia inocente de um coração que acreditava nas vitórias do clube que carrega dentro dele. E como eu não falo em nenhum programa de televisão, e como não escrevo em nenhum jornal e como as minhas palavras só têm eco entre nós, vou ter que gritar sempre que as facas se espetarem na carne, é visceral, é humano.
Agora não me venham dizer que não era possível fazer melhor. Era! É! Aliás, é essa a minha esperança. Esta equipa não precisava de ter passado (e nós por arrasto) pelo que passou. E a culpa não morre solteira. Muita dela tem o nome do espanhol patilhudo. Muita mesmo. Naturalmente, tal não me vai impedir de continuar a aplaudi-lo. E à minha equipa. 

Agora uma coisa é certa: o Benfica de Trapattoni dava na boca a este (só por 1-0, com golo de Mantorras)... e isso não deixa de ser, como dizer, desagradável.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Qualquer coisa...

O leitor mais atento já se deve ter interrogado:”Então mas supostamente há mais um gajo que escreve e nunca vi nada dele?!” Tem razão, ou tinha até há instantes. Esse outro gajo é este que vos vem maçar pela primeira nesta bela taberna.
Esperava poder estrear-me em melhor hora e aguardava por isso mesmo, que esses bons tempos regressassem para poder explanar aqui o meu futebol de letras (e aqui letras são mesmo letras e não aquela espécie de arte que o Aimar executa).
Já deve haver quem pense: “Pois, este é daqueles que só quando as coisas vão bem é que apoia e se manifesta, quando corre mal não sai da toca (ou ninho para nós aves de rapina).” Não é isso, é que ao contrário de certos poetas que procuram a melancolia e sentimentos soturnos para se inspirarem, a minha inspiração é mesmo a glória do Glorioso. E não havendo essa fonte, seco também…
Depois desta introdução descontraída, talvez para amenizar o clima tenso que se vive por aqui, gostaria então de concordar com o Ricardo e com o seu post anterior. De facto, a equipa e o treinador precisam de tempo… Sim, é verdade que se podem enumerar algumas situações pontuais em que claramente se verificaram erros de Quique na análise ao jogo e de determinadas escolhas goradas. Mas na minha opinião, resultaram exactamente do facto deste ainda se encontrar num estágio de aprendizagem e/ou habituação da peculiar realidade que é o futebol português.
Depois de esfriados os ânimos (ou desânimos) que estes últimos desaires nos provocaram, acho que podemos e devemos continuar a depositar esperanças neste grupo. Sim Sérgio, quando dizes que já não acreditas e falta qualquer coisa, compreendo perfeitamente (talvez no momento em que li, a identificação com tal posição fosse total), mas pergunto: que qualquer coisa é essa que leva o Quim a abrir a capoeira ou o árbitro a não apitar e apitar e a bola na baliza e o golo sem valer, ou os Gregos irem lá ao 4º minuto e molharem a sopa e em 4 remates, 4 golos, etc.. Essa qualquer coisa é o que torna isto do futebol engraçado, que não tem graça nenhuma quando nos toca no osso…
Vou então continuar esperançado num bom desfecho, pelo menos até que não me dê um vipe autofagico inerente à minha condição de benfiquista quase acéfalo…
Ultras!

Assim é que não: o gajo tem patilhas que parecem suíças!

E, com dois resultados negativos, instalou-se a descrença; os adeptos começam a pedir cabeças, ninguém naquele clube vale um chavo, outras soluções técnicas (nunca se fala em nomes ou, quando se fala, são nomes absurdos como Manuel José ou Carvalhal) estão já em plena destilação cerebral nos crânios polidos e brilhantes de grande parte dos adeptos. Meus amigos, este Benfica, estes jogadores, este espanhol é que não!!! Arranjem alguém competente, se fazem favor.

Já vi este filme em tantas ocasiões que acho que desta vez prefiro ficar no café do cinema a beber gin-tónico e a fumar cigarros. E, se ligarem a televisão, a meio de um gole, começarei a ver golos dos outros, ininterruptamente, enquanto uns palhaços na bancada assobiam e dizem "eu não disse? eu avisei que este Benfica assim começava a perder" nunca entendendo que foram eles uma das principais razões para que uma ideia colectiva, um projecto, não tivessem podido subsistir e sobreviver à crítica acéfala de grande parte dos que amam (amam?) este clube. E esses palhacinhos estariam na linha da frente, se necessário fosse, já daqui a uns meses, quando o Manuel José ou o Luís Campas começassem a "inventar" onzes e a empatar jogos em casa. E nessa altura eles teriam, claro, toda a legitimidade e toda a força para a crítica (os palhacinhos acham sempre que têm legitimidade para a crítica, mesmo que ela seja inspirada pela ingestão de uma dose grande de mata-cérebros logo pela manhã).

Então eu abstenho-me de falar em equipa nova, técnico novo, direcção desportiva nova, de um facto que não interessa para nada que é a realidade de virmos de um 4º lugar, de uma época horrível, de precisarmos de tempo (sim, de tempo, senhores, as equipas novas, com treinadores novos, com dirigentes novos, depois de horríveis épocas, precisam de tempo, essa palavra que vos causa urticária mas que define tudo quando se pensa e analisa a nossa situação) e de, e é aqui que eu desisto porque simplesmente na lógica bipolar autofágica de muitos benfiquistas esta palavra não tem sentido, apoio. Apoio nas horas más (ou, no caso, nas horas assim-assim, que, acho eu, ainda estamos a um ponto do primeiro e à frente dos rivais directos, acho), meus caros, apoio nas horas más, já tinham ouvido falar neste conceito? Ah foram formatados para dizer que o Benfica é o maior e que vamos ser campeões, como acontecia há uma semana (não foi há 1 mês sequer, foi há uma semana), e agora estão formatados para dizer mal de tudo e que assim acabamos a época em posições de descida, como agora acontece? Então força nisso! Aquele Suazo já te parece andar a falhar golos a mais, não parece? Na próxima ida ao Estádio, a ver se lhe mandas umas caralhadas e uns apupos jeitosos, pá! Não sentes falta de poder soltar a tua estupidez latente? O cabrão do espanhol, com tanto apoio que tinha concentrado nele e na sua equipa, não te estava a deixar libertar e aliviar as frustrações, que é, afinal, para isso que vais ver o Benfica.

O Gin-Tónico estava razoável. Na televisão, entrevistavam um adepto do Benfica. Parece que com o Campas o Benfica não vai a lado nenhum. Era bom era que o Quique voltasse.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A quente...

É mesmo a quente... mas tem que sair!

Esqueçam os árbitros, arrumem as violas, fechem os blogues e queimem os rabiscos tácticos...O Benfica não vai ganhar nada este ano. Estes gajos não têm o que é preciso!

P.S. (Na sequência de comentários do post anterior):

Americano - Tens toda a razão, em Dezembro já tem que haver mais crescimento para "apalpar".

Algarviu - Tens toda a razão, eu e as minhas teorias de panisga com o crescer e o pró ano e o raio que o parte! Seria legítimo pedir o campeonato este ano. Sinceramente, já não acredito! - ... pelo menos até à próxima vitória retumbante...

Alergia ao 1º lugar???

Quando o Benfica voltar, alguém me avise, se faz favor.
Inadmissível que uma equipa que joga bem como jogou dos 45 aos 60 minutos passe o resto do jogo a ver o adversário a trocar a bola.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

2ª feira...

Paguem com juros a vergonha que nos fizeram passar hoje!!!

2 notas apenas:

- David Luíz vem duma lesão, não tem nenhuma experiência com Sidnei, porque o Miguel Vitor não teve uma oportunidade, ele que com Sidnei já tinha secado os calimeros?

- Jogámos num inferno grego, que poucos já conheciam. Não teria dado jeito o único jogador que conhece aquele ambiente???

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Cuspidelas

Fico sempre maravilhado quando um qualquer dos nossos jornais desportivos, perfeitamente em transe com uma qualquer (magra) vitória (quase sempre do glorioso), e na vertiginosa possibilidade de não ter muito mais a dizer para além de: “o clube X facturou uma batatinha e ganhou” - empreende uma demente fuga para o desconhecido e decide fazer capa com aquilo a que eu chamo de facto do siso. E facto do siso porque, geralmente há uma loucura latente e, principalmente, porque estamos perante uma facto (não poucas vezes uma estatística) arrancado(a) a ferros, mas FERROS mesmo! Já viram onde tento chegar?

Pois:

SIDNEI ENTRA NA HISTÓRIA COM 3 GOLOS NAS PRIMEIRAS 7 PARTIDAS (Exclusivo Record)

NÃO VOU FICAR POR AQUI

Primeiro que tudo, há aqui uma pérola, logo dada de barato quando se chama a isto um exclusivo…

É uma grande capa e o desenvolvimento no interior não lhe fica atrás! Algures encontramos um quadro com os defesas goleadores da história do Benfica, encabeçado pelo grande Humberto Coelho com 56 golos. Grande não sei…é que quando vou a ver, o pé frio do Humberto Coelho, à 8ª jornada da primeira época no clube não tinha um único golo…nada…nada de nada. Que vergonha. Não há dúvida, o Sidnei vai ser o defesa mais goleador da história do Benfica, é só dar-lhe tempo!

Estas estatísticas são mesmo fantásticas e ajudam-nos a entender melhor o jogo. É por isso que acho que ainda há trabalho a fazer neste capítulo. Penso, aliás, que o que se tem feito até aqui é de um amadorismo arrepiante. Temos que levar a estatística do jogo mais além, aprofundar a análise e chegar aos dados que realmente interessam.

Tenho uma proposta: Monitorize-se, mas com meios, as cuspidelas que um jogador dá durante o jogo, de jogo para jogo, de competição para competição. Compile-se os dados e chamem-se os estudiosos para interpretar. Dúvidas? Eu dou um lamiré:

A cuspidela é uma realidade essencial para entender o estado físico e anímico do jogador. Provavelmente todos vocês já jogaram à bola, sabem como surge essa saliva “seca” enquanto se joga, sabem como está relacionada com o cansaço, os nervos, etc. Gostaria de ver um jornal de grande tiragem a estudar a fundo o número de vezes que o Nuno Gomes cospe nos primeiros 3 jogos de cada temporada, e assim melhor podermos avaliar o preparador físico.

Já estou a imaginar a malta no café, comentando:

- Viste? O Aimar ontem só cuspiu 13 vezes durante os 90 minutos face às 17 do jogo de domingo passado...Está mesmo em crescendo de forma!

- Vi, vi! E o Miguel Victor, 31 cuspidelas...o puto estava nervoso, mas para o fim a cadência já só estava em 1 cuspidela por cada 7,5 minutos, já estava a ficar mais entrosado.

Isto sim, seria jornalismo e claro, o adepto agradeceria – provavelmente até treinadores! Por enquanto, teremos que nos contentar com o que temos e esperar que os nossos 3 grandes jornais vão crescendo e aprofundando esse inolvidável talento e queda para a estatística.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A possibilidade de o Benfica voltar a ser Benfica

Na última sondagem deste blogue a resposta com mais votos ("Quique Flores? Passa por ele a possibilidade de o Benfica voltar a ser Benfica" - 70 %) foi tão avassaladoramente maioritária em relação às demais que eu confesso a minha preocupação. Não que eu não goste ou não acredite no trabalho do espanhol, mas a crença evidenciada por grande parte dos que aqui votaram faz-me pensar nas consequências de uma desilusão, mesmo que parcial, lá mais para a frente deste campeonato. Sabemo-lo bem: a massa benfiquista tem tanto de crente - quando as coisas tendem a correr bem - como de acérrima e destruidora crítica - quando aparecem os primeiros infortúnios. Louva-se a entrega a este projecto, claro, admira-se nos benfiquistas a capacidade inequívoca e indesmentível de ir crescendo exponencialmente no apoio quando, em campo, a equipa ganha jogos mas teme-se a queda, ou o trambolhão pequenino, quando por qualquer motivo a bola bater no poste mais vezes do que as desejadas. O meu medo é que esta onda vermelha suba, suba, suba ao sabor dos golos e fantasias dos artistas que finalmente vemos de camisola vermelha para cair a pique caso os artistas decidam ter um dia de má figadeira. Medo, mas medo real, porque, se houve conclusão a tirar destes últimos miseráveis 15 anos, a mais importante, e auto-destrutiva, foi a de que no Benfica a autofagia é uma realidade incontornável; os adeptos têm muita pressa e algumas vezes, muitas vezes, poucos neurónios para entenderem que os projectos têm e devem ter uma continuidade, que as equipas não se constroem num mês e que as equipas vencedoras são o resultado de um ambiente tranquilo que preserva e favorece a qualidade do trabalho de técnicos, dirigentes e, claro, jogadores. Enquanto esta ideia de tranquilidade, respeito e ponderação não fizer parte do dia-a-dia de todos os que sofrem pelo clube, o Benfica nunca voltará a ser Benfica. Importa, portanto, acreditar. Sempre. Mas convém, quando a crença abalar e um ou mais resultados não aparecem aos nossos olhos como verdades vencedoras, mais do que tudo sobreviver à desilusão. E apoiar, se virmos no projecto uma ideia de futuro que não se resume a um jogo, dois ou dez, mas a uma ideia maior de um trabalho sustentado na qualidade e no profissionalismo (que hoje, me parece, temos), na compreensão do que este clube representa e na forma como, dentro dele e por ele, chegar ao sucesso que é, afinal, a sua genética. Por isso, amigos, fico muito feliz que 70 por cento dos votantes acreditem com todas as forças em Quique Flores e na sua ideia para o Benfica. E espero ver semelhante votação quando, por qualquer motivo, o guarda-redes adversário fizer o jogo da sua vida.

sábado, 15 de novembro de 2008

Da Amadora, com fome.

Amanhã, no Estádio da Luz, iremos assistir ao embate entre dois grupos distintos de jogadores: de um lado, os da casa, com dinheiro suficiente no banco para contratarem todas as mulheres que forem ver o jogo e lhes lamberem os cheques sem cobertura (os delas); do outro, gajos que não vêem um euro na continha suburbana há mais de três meses. Fico a ruminar sobre o que pensará um jogador do Estrela quando entra naquele Estádio, ao lado dos ricos, com a mulher e o filho em casa a comerem comida do gato e a tentarem forjar um rádio a pilhas para ouvirem o marido e pai a jogar. É possível que apeteça ganhar. Só pelo gozo. Só porque sim. Só para, no fim do jogo, pedirem orgulhosamente as camisolas do Reyes, do Suazo, do Aimar e do Cardozo e as venderem na feira da ladra da semana seguinte. Há qualquer coisa de obsceno nisto e eu não sei bem o que é nem me apetece pensar muito no caso, porque amanhã, quando estiver sentado na cadeirinha vermelha, não me vai apetecer ter a consciência de que aqueles gajos de encarnado, com contas milionárias no banco, mal entrem no relvado já têm uma vantagem pornográfica sobre os outros, os pobrezinhos da Reboleira. Portanto, se empatarem ou perderem, ao menos façam o favor de ir ao Lidl comprar 300 latas de comidinha de gato para oferecer aos heróis. É o mínimo.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Dá-me lume

Encontro-me ligado à máquina. Os fios que me envolvem e me ligam - dizem eles, os entendidos! - à vida encontram-se quase desligados. Disseram no outro dia (eu sei porque os ouvi, falando em cima da minha cama, apesar de eu estar em coma) que o Benfica ia ser campeão. Eu acreditei, acredito sempre. Faz parte de mim acreditar que os outros têm razão. É verdade: souberam da última? O Maxi Pereira fez um bom jogo - uma fatalidade! A sério!!! O Maxi Pereira, aquele cepo que é pior do que eu, o outro e todos os outros amigos que eu conheço e - atenção! - eu já estou a contar com aquele outro bípede que raramente vai jogar connosco e que fica no banco a fingir que está a atar as chuteiras até ao final do jogo. Eu se não estivesse em coma acreditava nestas merdas todas; estando, acredito ainda mais. O uruguaio fez um bom jogo. Pá, juro, não precisam de insultar um gajo, caralho! O man fez bons passes, bons cruzamentos, decidiu bem, cortou bolas, ajudou os centrais e ainda teve coragem de ir lá à frente marcar um golo. Ãn? Não digas isso, foda-se! "O Maxi Pereira é incapaz de jogar bem"? Eh pá tu não percebes nada de bola, é o que eu te digo! O Maxi fez alto jogo. Jogou bem contra o Aves! Sim, em casa, contra o Aves, e depois? Não me digas que é um jogo menor, ó filho de uma porca com o cio? É um grande jogo, pá! O gajo esteve apertado pelo Zé Diogo, pelo Manel e pelo Quim das Aves! Sim, mesmo estando frente a frente com o Jaquim da Trigueira ele conseguiu marcar golo! Não é espectacular? Eu acho. Agora vou morrer, se fazem favor. Quando acordar juro que o Maxi Pereira vai ser o cepo que ele é. Eh pá mas eu juro! A sério, sem brincadeiras. E vão todos ali ver se eu já pago impostos, que eu não tenho tabaco e puta que pariu fazia-me falta um cigarro.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Aii..Aii..Aii..Aii..Aii Aimar...Cucurrucucu Suazo...

Tão lindo...
Daqueles lances que hei-de repetir mentalmente milhares de vezes...( o golo 5000!)

P.S.1: O Cardozo é mesmo mole.
P.S.2: O Mini tentou, em tudo, corroborar as palavras do Ricardo.
P.S.3: O Xistra é parvo...para não dizer violador de ovelhas...ou bacilo de batráquio..ou...

Acho que sonhei com um passe de primeira - de letra - em que a bola saía aí uns 30 e tal metros por cima de um defesa e apanhava o avançado em corrida

Só uma coisa: o que vimos ontem no primeiro golo foi a assistência mais fabulosa que já vi fazer em campos de futebol. A sério, sem benfiquismos estúpidos. A melhor de todas. Primeiro, porque é genial, depois porque é uma assistência. É que, além de o Aimar saber o quão bom o Suazo é, há também o facto de o Suazo saber o quão bom o Aimar é. E ainda temos o facto - nada despiciendo! - de que a partir do momento em que um gajo faz aquela coisa absurda de passe, o gajo que apanha a redondinha só pode fazer uma coisa: metê-la no buraco. É que só assim é que este lance vai ser eternizado. Pena o João Pinto não ter tido o mesmo respeito pelo João Pinto, naquela vez em que o João Pinto quando estava em frente ao GR alemão não se lembrou que o João Pinto só tinha mamado o Reuter, o Sammer, o Eilts e o Kohler. O João Pinto nunca gostou muito do João Pinto!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A puta da simetria OU serei obsessivo-compulsivo?

Serei, mas não estamos aqui para falar de mim. Falo de uma lista infindável de seres que de alguma forma têm as suas existências ligadas ao futebol. Do mais simples e dedicado jogador de CM ao mais reconhecido treinador de topo num campeonato de ultra-qualidade europeia há uma característica que parece ser transversal e comum: a puta da simetria na hora de pensar no posicionamento dos jogadores em campo - há excepções, como o Cajuda, o Luís Campos ou o treinador do Monte Abraão mas esses não entram nestas contas porque eu não quero. Se eu ando por ali a contratar e a dispensar jogadores, a ver de bípedes que me proporcionem fantásticas épocas na segunda divisão regional no Abrantes, isso é irrelevante; a verdade e a relevância vão todas para aquele momento em que me deparo com o rectângulo verde e começo a escolher jogadores. Depois de escolhidos, a regra impõe-se-me como se não pudesse viver sem aquelas setas ridículas (eu acredito mesmo que se puser o lateral a subir até à zona dos stewards, o gajo vai fazer cruzamentos e remates do melhorzinho que o CM alguma vez já viu) e aquela filha da puta da simetria começa aos gritinhos, histérica, como que insinuando que sem ela eu vou perder os jogos todos. No futebol profissional acontece o mesmo. O treinador quando está no balneário em prelecções interessantíssimas sobre as basculações, os triângulos invertidos e as pressões altas, não perde a oportunidade de realizar a sua mais veemente fantasia: colocar num quadro as posições dos jogadores que ele quer ver preenchidas, enquanto eles coçam os tomates ou lêem o Financial Times e discorrem sobre a problemática financeira actual e como isso influi nas suas contas pornográficas no final do mês - alguns, por exemplo, não poderão comprar o novo Bugatti nos próximos minutos, o que é, está bem de ver, uma chatice das grandes. Há em cada técnico a cuequinha molhada da simetria em campo. Se na direita o mister tem um gajo que pode fazer a ala com mais interioridade e menos profundidade, avança logo o treinador para outra solução porque, sejamos sérios, uma equipa sem simetria não funciona e lá entra o gajo que é mau mas que fornece ao quadro a giz aquela perfeição de olhar, aquele quadro organizado e feliz que se define por ver dois extremos tão bonitos encostados na ala, dois médios no miolo, juntinhos, à mesma distância do "10" e lá na frente, claro e simétrico, curtando ângulos iguais para os extremos, para o médio ofensivo e para a baliza adversária, o ponta-de-lança.
Tudo isto a propósito, já compreenderam, do Benfica. Andava a ruminar sobre o nosso 11 e deparei-me com problema antigo: aquele caralho daquele jogador que nos falta e que tem de jogar na direita do meio-campo. Está mais que visto, revisto, estudado, pensado e leccionado em Harvard que o Benfica não pode jogar com um Reyes 2 na ala direita. Concluída esta aprendizagem (que Quique demorou a apreender), uma nova disciplina intromete-se: que tipo de jogador pode completar na perfeição, simultaneamente equilibrando a equipa nos processos defensivos e dando profundidade ofensiva, a táctica de pirilau do espanhol? Eu respondo: um tipo de jogador que seja a antítese de Reyes, embora possa ser Reyes naquilo que em Reyes há de muito bom. Eu diria, assim de repente e completamente em delírios masturbatórios: um Simão!, um gajo que ajudasse esta besta mitológica que é o Maxi Pereira, que fizesse diagonais a cada 2,34 segundos de cada partida, que rematasse como vem nos livros, que fizesse cruzamentos como quem lê um poema e que, em transições defensivas, soubesse "fechar" muitas vezes ao meio, em ajuda aos dois médios do miolo. Se isto fosse o CM, lá entrávamos nós na aventura de ir à procura de um gajo desses; na vida real, sempre menos efusiva e espectacular, temos o Balboa, essa espécie de jogador que nem é jogador nem é de espécie alguma. Mas há algo nele que entusiasma: dá simetria ao esquema! com Reyes na esquerda, Katsouranis e Yebda no meio, Martins a médio ofensivo, um Balboa traz toda uma panóplia orgástica ao conceito de simetria - basta colocá-lo na direita, com uma setinha para cima e temos o esquema mais bonito da Liga Sagres! O problema, e há sempre problemas nestas coisas, é que o Balboa é uma nulidade como extremo-direito. Dirão: mas o que é que isso interessa, Ricardo, se podemos construir a mais bela arquitectura posicional que a história do Benfica já conseguiu? Direi: vão para a puta que vos pariu, o Balboa ali nem que a vaca tussa! A simetria perde, é bem verdade, mas sempre dá para ganharmos jogos, o que até vai sendo engraçado.
No entanto, não pensem que sou o típico benfiquista que votou o flop do ano ao insucesso, apenas dizendo mal e "queimando" o jogador. Nada disso. Tenho a solução que ninguém ainda sequer pensou e que parece ser de uma genialidade assinalável, até para mim que, como se sabe, sou um gajo capaz de fazer do Vila Franca um clube semi-finalista da Champions League. Pensem só nisto e atentem na capacidade Chalanística que eu demonstro: Balboa a lateral-direito! Por um lado, tínhamos um preto na direita da defesa, o que seria a sequência lógica de um historial recente com laterais de tez mais escura: de um tímido Armando, passando por um eléctrico Miguel a um bipolar Nélson, chegaríamos à síntese de todos, sem perder a cor nem a vivacidade requeridas para um lugar desta importância; depois, já se percebeu que o ex-Madrid é melhor a defender do que a atacar e que, se há esperança para a vertente ofensiva do homem, ela estará na disponibilidade de aparecer de trás e não tão junto à zona ofensiva. A velocidade, a propensão para o drible q.b. e o cabelo fariam o resto. E matem-me se isto for mentira: qualquer gajo do plantel faz melhor do que o Maxi Pereira naquele lugar. Mas eu sou obsessivo-compulsivo e não estamos aqui para falar de mim.