sábado, 16 de agosto de 2014

«o Atlético Madrid desmente de forma rotunda as afirmações do presidente do Benfica»

Nem 48 horas passaram e já temos malandros espanhóis a querer engrossar a vasta lista de mentiras do nosso grande Presidente? Será que daqui a 4 meses vamos perceber que a entrevista de Quinta teve uma percentagem de 70 a 80 por cento de aldrabices? Não quero, não posso, não devo e não vou acreditar em quem só pretende desestabilizar um clube que caminha rumo ao sucesso liderado por um homem honesto, frontal, sério, competente e sobretudo empenhado em defender os interesses do clube sobre interesses pessoais.

E o presidente falou



A entrevista da passada Quinta, tão aguardada pelo universo benfiquista, pouco mais serviu do que para alimentar aquele pássaro tão conhecido nas hostes benfiquistas. E não, não me refiro aos famosos abutres mas sim aos barulhentos papagaios.
Um minuto depois do termo da mesma já era possível assistir aos comentários dados com ar de grande pensador mas vociferados pura e simplesmente com base na repetição.
Pelo menos este sucesso está sempre garantido.

Sobre a entrevista em si.

É verdade que o Hélder Conduto fez grande parte das perguntas que se impunham e até insistiu num assunto sensível e que à primeira vista até deixava o presidente algo desconfortável. Infelizmente uma entrevista não é um debate e o jornalista não pode ultrapassar certos limites. As perguntas foram feitas, os assuntos abordados e as respostas foram dadas. Quando o entrevistado responde a tudo (ou quase tudo), por mais que as respostas façam pouco ou nenhum sentido, o entrevistador pouco pode fazer, principalmente num canal onde a idoneidade do presidente não pode ser colocado em causa.



Quem não assistiu ao que se passou naquela hora na BTV, pouco perdeu. Como sempre, o actual presidente do Benfica utilizou do populismo, da superficialidade de argumentos e da ignorância (maioritariamente condicional) de muitos dos benfiquistas. A táctica é a de sempre: empurrar os problemas e assuntos para a frente.
Quem procurou aliviar as suas dores para os picanços com adeptos rivais, ficou satisfeito. Quem procurou perceber o momento do Benfica, ficou ainda mais assustado, não devido ao presente do clube mas sim devido à postura do presidente.



Antes de mais nada vou fazer um destaque de algumas informações (ou afirmações) que o LFV nos deixou.


O Benfica não tem qualquer problema de tesouraria.
A relação entre o presidente e o treinador está saudável e está na mesa a possibilidade de renovação com o JJ mas sempre nas mesmas condições contratuais que as presentes.

O Karnezis está perto de ser garantido.

As relações institucionais com o Real Madrid estão salvaguardadas.

Quando o Markovic foi contratado veio com 2 cláusulas, uma de preferência para o Chelsea e uma de rescisão de 25 milhões.
Antes do jogo em Turim com a Juventus, ficou apalavrado um potencial contrato para o Siqueira, contudo o seu empresário nos dias seguintes aumentou as exigências contratuais para números que o Benfica não está disposto a suportar.
Na venda, por 45M, do A.Gomes e Rodrigo, ficaram também definidas 3 cláusulas. Uma de 25% das mais valias de uma futura venda do André e outras duas de 5M por objectivos relacionados com o desempenho do Rodrigo, 10M que o Benfica conta receber já nos próximos dois anos.

O Enzo e o Nico só saiem pela cláusula.

Não há qualquer proposta da Juventus pelo Luisão e o jogador vai terminar a carreira na Luz.

O Benfica só tem urgência na contratação de um trinco. Definiu dois alvos sendo que um falhou e o outro está a ser negociado.

O Nélson e o Pizzi vão ficar no plantel.
O Sílvio é uma incógnita e o Atl.Madrid até já requisitou o seu certificado internacional.

O Bernardo, o Ivan e o Cancelo foram emprestados e não vendidos. Os 45M foram desmentidos.

O grande objectivo da época é o campeonato.

Foi feito um apelo aos adeptos para uma maior participação na vida no clube. Por outras palavras, a empresa precisa de mais clientes.

O presidente concordou com o seu vice quanto à questão da desigualdade de tratamento por parte do BES para com o Benfica e Sporting. Penso que esta situação é delicada demais para ser abordada nestes termos. É preciso contextualizar as situações.

E ainda houve tempo para um pequeno drama sobre um chover de praça.




Deixo agora aqui alguns excertos da entrevista:


HC – O Benfica está a fazer um desinvestimento no futebol, isto tem a ver com o BES?

LFV – Não. Primeiro deixe-me dizer que responderia por três fases. A primeira é que o Benfica por opção própria só desinvestiu em dois jogadores, concretamente no Garay e Cardozo. Foi uma opção própria do Benfica que tinha de o fazer e fez.
Em segundo lugar o Benfica não desinvestiu, dir-lhe-ia que o Benfica não investiu aquilo que investiu na época passada. Por diversas circunstâncias. Nós tínhamos a final da Liga dos Campeões na nossa casa, nós tínhamos feito uma época anterior fantástica mas infelizmente com resultados negativos porque não ganhámos nada. E então foi uma opção que nós tivemos foi nessa altura investir. Investimos e bem como bem se lembram, tivemos resultados e investimos também por uma situação que tinha muito a ver com a final da liga dos campeões no nosso estádio, tinha a ver com o sonho que todos tínhamos, tinha a ver um pouco com o Eusébio também. Penso eu que os resultados foram bastante positivos porque ganhámos tudo o que tínhamos para ganhar em Portugal e infelizmente na liga Europa não conseguimos fazer mais do que aquilo que fizemos.


HC – Mas neste momento qual é o grau de disposição do Benfica em relação aos riscos que o Benfica corre da crise do BES?

LFV – Não. Dir-lhe-ia que o Benfica é uma grande empresa que factura 100M de euros, aproximadamente, fora a venda dos jogadores, e tem endividamento natural por isso mesmo. Digo-lhe que toda a divida do Benfica nunca serviu para pagar custos operacionais ou custos de divida ou a divida em si, foi sempre para projectos estruturados que o Benfica investiu. Agora para um clube que cumpriu sempre com essa instituição não vejo porque vem sempre a história do BES para cima da mesa. Por ter mudado uma administração? Para quem cumpriu sempre, é um bom cliente, eu não estou a ver que vá mudar qualquer tipo de politica.


HC – Está a desmentir a notícia que foi cancelada a conta caucionada?

LFV – Estou a desmentir mesmo a noticia. Nunca foi cancelada nenhuma conta caucionada. Um cliente como o Benfica que paga nos últimos 10 anos 200M de euros de juros, acha que é um mau cliente? O banco precisa de um cliente como este.


HC – O presidente do Benfica está a explicar que investiu para criar a obra que já foi destacada. Mas os seus críticos dizem que não é investimento, que é endividamento.

LFV – Se toda a gente dissesse bem de mim e concordasse comigo eu ia-me já embora. Já houve algumas críticas que me fizeram aprender alguma coisa mas há outras que não aceito.
Há uma coisa que lhe garanto. Quando cheguei ao Benfica não havia memória do Benfica, hoje posso-me ir embora que vai haver memória sempre.


HC – Deixe-me recuperar a notícia do expresso. Diz que o Benfica precisa de realizar em transferências de jogadores 200M euros para pagar obrigações até ao final do ano. Isto é verdade? O Benfica precisa de um encaixe desta natureza para cumprir os pagamentos dos empréstimos obrigacionistas e não só?

LFV – Não, repare, o Benfica já se venceu outros empréstimos obrigacionistas e conseguiu-os liquidar, é verdade renovando-os praticamente. Não há razão nenhuma para esta nova administração do banco novo estar preocupada com a situação do Benfica.

HC – Portanto não está a vender jogadores para pagar os tais cerca de 200M?

LFV – Eu não vendi jogadores, não está a compreender.

HC – Mas os jogadores saíram e o Benfica encaixou dinheiro.

LFV – Está bem encaixou, o dinheiro está cá.

HC – Esse dinheiro vai servir para pagar estes empréstimos?

LFV – Não sei se vai ser ou não mas o Benfica vai cumprir.

HC – O Benfica vai renegociar os empréstimos obrigacionistas ou vai reembolsar?

LFV – Vamos fazer o que fazemos sempre. Vamos liquidar. Vamos liquidar mas podemos contrair outros empréstimos.


LFV – Ainda hoje vinha uma notícia num jornal de que o Danilo está perto do Benfica. Como é que é possível um jogador que abandonou o Benfica, o Benfica querê-lo dentro da nossa casa. Comigo não é possível.




HC – Há muita gente que diz que o Benfica fez um mau planeamento da pré-época.



LFV – Não. A pré-época é a pré-época. Foi uma opção técnica do treinador. Se calhar até foi bom os resultados porque com a euforia que havia foi bom voltarmos à realidade, ter os pés bem assentes na terra, voltarmos a ser humildes e o nossos jogadores perceberem que não se ganha só pela euforia. Isso já foi muito mau para nós.





HC – Muitos críticos também disseram que o Benfica demorou muito tempo para encontrar substitutos para os jogadores importantes que saíram. Nomeadamente para o guarda-redes Oblak, para o meio-campo depois da lesão de Fejsa… Porque é que o Benfica tem demorado tanto tempo…



LFV – O Oblak nunca pensámos que fugisse novamente. Foi uma surpresa, não tenho de ficar desiludido mas curiosamente já nos foi oferecido novamente.





HC – Mas também pegando aquilo que tem sido dito sobre a preparação da época do Benfica, tem sido dito que o Benfica já contratou muita gente mas que não são reforços. O Benfica tem contratado mal?



LFV – Acho que não, o Benfica não contrata mal. Mas se nós fossemos bruxos todos de certeza que não havia falhas. O caso do Oblak, contratámos foi emprestado. O caso do Enzo, chegou em Julho e saiu logo em Dezembro. E outros mais.



HC – O Benfica contratou Luís Felipe, Djavan, Farina, Candeias… Porque é que o Benfica faz estes negócios se depois os jogadores não ficam no plantel principal?



LFV – Então repare se não fizesse o negócio do Enzo não valia a pena, se não fizesse o negócio do Oblak não valia a pena, mesmo o caso do Djuricic que foi agora emprestado tem mais qualidade… não está é devidamente integrado no Benfica.

No caso do Luís Felipe, voltou para o Brasil. Esteve cerca de 6 meses parado mas temos esperanças que dentro de um ano ele regresse. No caso do Djavan, o Benfica não saiu prejudicado financeiramente e ficou com direito de opção sobre o jogador.
Entendemos que havia um determinado jogador que era português, o Eliseu, o qual preferimos e tivemos de fazer uma operação para o jogador ir para o Braga.



HC – O Eliseu era um namoro antigo mas o Benfica não apanhou esse jogador disponível quando estava a custo zero porquê?



LFV – Olhe porque há coisas que nos escapam também mas o custo do jogador para o Benfica não é nada que possamos estar a dizer que o Benfica foi muito penalizado.





HC – Em relação ao mercado de transferências. Começando pelo Garay. Como é que o Benfica vende um jogador que é vice-campeão do mundo e teve o currículo que teve no Benfica, é verdade que estava no último ano de contrato, por 6M de euros?
 
LFV – Deixe-me fazer outra pergunta. Eu explico o negócio todo do Garay.
Quando veio para o Benfica foi na altura que vendemos o Coentrão e ficámos 50% do Garay, que era para sair no ano seguinte de imediato pois tinha um salário muito elevado. Assim colocámos uma cláusula de rescisão muito baixa de 20M. Ao longe destes anos nunca tivemos nenhuma proposta e ele também não queria sair.
Apareceu uma oferta concreta de 15M em Janeiro e comunicámos ao Garay que não o podíamos deixar sair naquele momento mas que falávamos no final da época.
Sabendo o contrato que ele ia ter, nós não podíamos competir nem ele podia recusar uma oportunidade destas.
Não havia sequer hipótese de renovação pois isso só seria possível com redução salarial.
 
HC – Portanto não dá este como um mau negócio?
 
LFV – Eu acho que face às circunstâncias que tivemos e à motivação dele próprio não tínhamos outro caminho a seguir nem espaço para discutir porque o Garay em Janeiro estava livre. Não valia pena estar a contrariar o Garay, aí sim era uma situação delicada para nós, um jogador em final de contrato ficar mais uns meses para em Janeiro assinar…



HC – E não ponderou esperar até ao final do Mundial por outra proposta melhor?
 
LFV – Não porque havia um acordo entre nós. 48 Horas antes de começar o Mundial tinha de estar tudo resolvido.





HC – Quando o Markovic aterrou em Lisboa há um ano, já havia um compromisso para ele sair no final da temporada?



LFV – Não. Havia duas cláusulas no contrato, uma que dava direito de preferência ao Chelsea e outra de outro montante que era de 25M. As pessoas podem perguntar porque é que era 25M de euros? Isto dá para os dois lados quer dizer, se o Markovic chegasse e não jogasse era uma cláusula bastante elevada.





HC – E há cláusulas de opção de compra dos passes do Cavaleiro, Bernardo Silva e Cancelo para lá dos empréstimos.
 
LFV – As cláusulas estão lá nos jogadores. Imagine que aparece uma proposta de 15M de euros por um jogador que nunca jogou na equipa principal do Benfica, nós não podemos ignorar.
 
HC – Mas acha que são os clubes certos para (o Cavaleiro, Cancelo e Bernardo Silva) crescer?
  
LFV – Oiça, o Rui Costa quando apareceu foi crescer para o Fafe. O Ivan vi-o agora a jogar no Corunha e fiquei muito feliz por o ver a titular. O Bernardo foi para o Mónaco e o Cancelo para o Valência. Todos os anos vão sair jogadores do Benfica para ser emprestados. É natural que um ou outro caso possam ficar no Benfica e outros vão seguir a sua fase de crescimento com hipótese de regressar ao Benfica.




HC – O Sr. Luís Felipe Vieira já apresentou um projecto que é um Benfica made in Benfica. Isto não é uma inversão nessa estratégia?
 
LFV – E vamos lá chegar. Não é inversão nenhuma. Então nós íamos deixar os nossos jogadores dentro de casa. Repare, o A. Gomes e o Ivan já estiveram na nossa equipa principal. O Ivan não tinha espaço na equipa A do Benfica, nem o Cancelo ou B. Silva, não íamos pô-los na equipa B do Benfica. Foram crescer para grandes clubes. Como outros vão seguir o mesmo percurso.

Nós cada vez mais vamos apostar nos nossos jogadores.





HC – Ivan Cavaleiro disse que dificilmente volta ao Benfica se o JJ for o treinador. Não há aqui um contra-senso.
 
LFV – Não o Ivan… depende das circunstâncias onde foi. Foi no Corunha e estavam lá jornalista portugueses que o provocaram para essa situação.
 

HC – Mas está a ver o Benfica com JJ no comando e ter no plantel e a jogar B. Silva, J. Cancelo e Ivan Cavaleiro?
 
LFV – Não vai ter alternativa, não vai ter alternativa.
 

LFV – As pessoas têm memória curta. Há 9 anos não havia nada, não havia formação nenhuma, não existia e então andavam com a mala às costas.




HC – Há uma frase que é permanentemente ligada a LFV, foi quando disse que o Benfica tem como objectivo ganhar a LC. Será que é possível manter esse objectivo ou acha que face às circunstâncias é preciso dizer aos benfiquistas que futuramente isso não é possível?

                                

LFV – Nós provámos este ano que isso é possível. Fomos manifestamente infelizes da maneira como fomos afastados pelo Olympiakos.



HC – Prefere chegar aos quartos da LC ou ganhar a LE?



LFV – Ganhar um título europeu é muito mais importante do que chegar aos Quartos de finais.





HC – Muito se pergunta sobre as contas da BenficaTv. Que lucro é que dá? Quando é que gasta? Quanto é que recebe? É possível adiantar alguma coisa?



LFV – A única coisa que podemos dizer é que é um projecto inovador, somos pioneiros no Mundo, estamos felizes com o que podemos e temos alcançado.





LFV – Recebi uma carta de um sócio do Benfica a dizer que as minhas opções estavam a colocar em causa a mística do Benfica. Eu penso que pelo contrário nada existia, não existia mística alguma.




LFV – Eu vi nos últimos dois meses coisas que fiquei boquiaberto e preocupado. Eu vi jovens com faixas ofensivas, não digo só a mim… quando falo ofensivas a mim falo ofensivas ao Benfica. Até mesmo palavras impróprias aos profissionais do Benfica porque a pré-época não estava a ser boa. E são jovens que não têm memória curta, não se lembram minimamente o que se passou há 14 anos.



HC – Isso fá-lo repensar a sua ligação e tarefas que tem no Benfica?



LFV – Não. Eu já disse que estou numa missão e não abandono as coisas a meio. Mas faltam poucas coisas para fazer. Tenho mais dois anos de mandato e sei o que tenho para fazer nesses anos. Também não é menos verdade que á não se pode exigir muito mais. As pessoas não podem andar exigir, exigir, exigir, exigir porque a obra está cá, está feita, foi feita com o objectivo de não voltarmos a cometer os erros que cometíamos.







Muitas das respostas e afirmações do presidente Luís Felipe Vieira falam por si (e se falam…). Quanto a essas nada mais é necessário acrescentar. Contudo outras não podem passar sem um comentário.
 
O presidente LFV nesta entrevista diz claramente que o clube nada tinha a dizer sobre a venda do Markovic e do Oblak pois os valores das cláusulas de rescisão foram pagos. Com tanta negociação que houve custa acreditar nessa realidade. È que é preciso lembrar que tal só acontece quando o valor é pago totalmente no imediato e dificilmente, por todo o processo que decorreu, foi isto que aconteceu.



O presidente vem também confirmar que afinal o clube sempre investiu a pensar na final da Liga dos Campeões. Nesta visão descabida, e só nesta visão descabida mesmo, os resultados da época passada ficaram aquém do exigível. Um pouco contraditório com o que é dito por LFV.
No meio desta conversa toda é metido o nome do Eusébio ao barulho, dizendo que o Rei foi um dos motivos para tamanho investimento. Não sei qual foi o objectivo deste argumento mas sei que ficou muito mal ao presidente esta referência.



De seguida quero referir a insistência do LFV em se referir ao clube Sport Lisboa e Benfica como uma empresa. Só quero mesmo fazer esta pequena referência.


O assunto “BES” foi sem dúvidas o momento mais negro de toda esta entrevista. As voltas que o presidente deu com a sua revolta sobre o assunto só não foram cómicas porque estamos a falar do Benfica.

Basicamente insistiu na ideia que a troca de administração de um banco não afecta a sua relação com uma empresa cumpridora, com um excelente cliente. Acho que todos sabemos que o que aconteceu no BES não foi uma troca de administração mas sim uma quase falência. Será possível qualquer cliente achar que a quase falência de um banco não vai ter qualquer implicação só porque o mesmo sempre cumpriu os seus compromissos com o banco? Ainda por cima falando de um cliente que não é cumpridor no pagamento da divida mas sim dos juros da mesma. Será que alguém pode, em consciência, afirmar que a quase falência de uma instituição bancária não vai alterar as suas politicas?
Relativamente ao assunto BES, estivemos presente uma prestação no mínimo vergonhosa por parte do presidente do Benfica. Nem se pode considerar um “atirar areia para os olhos” porque a mesma foi atirada em direcções sem qualquer sentido. Foi o simples empurrar o problema para a frente e fingir que está tudo bem e que a grave crise do BES em nada afecta o Benfica. Um triste momento.



200M de juros ao BES em 10 anos. Sim ouvimos bem.
 
Será que ser um bom cliente para os bancos é a nova bandeira desta direcção?


Ainda sobre a dívida ao BES, ficámos a saber que o plano passa por continuar a pagar divida com mais divida, por aumentar o endividamento. E este plano é mais uma vez traçado ignorando o momento do Bes/Novo Banco.



A conversa sobre o Danilo só não pega porque o presidente do Marítimo também falou. Isto mais parece um típico caso de empoleiramento após uma nega. Como quando um rapaz diz que nunca quis nada com uma rapariga depois de ter levado uma grande tampa.



A liderança do clube e da equipa ficou também exposta nesta entrevista. Esta é tão competente que são necessários maus resultados para os jogadores serem humildes e assentarem os pés na terra.



Quanto à novela Oblak só há a dizer que a mesma já cheira mal. Se é só para isto então mais vale nem se tocar mais no assunto. Infelizmente neste assunto o Hélder Conduto fez as perguntas que se impunham para desmontar todo este episódio.



Sobre o negócio Eliseu o presidente do Benfica, por outras palavras, lá admitiu que se tratou de pura incompetência dos responsáveis do nosso clube (sim eu disse clube).


Interessante também a comparação da situação do L.Felipe e Farina (e mais uma dezena de outros) com a do Oblak e a do Enzo. Faltou ao Hélder Conduto explicar ao presidente que o Enzo não foi emprestado por falta de qualidade ou más prestações mas sim devido a questões disciplinares e que o Oblak chegou ao Benfica com 17 anos, tendo desde sempre mostrado o potencial que acabou por comprovar.
 
Sobre o Garay há um amontoado de ideias que é preciso desmontar. A história foi longa mas em momento algum foi explicado como é que o mercado somente ofereceu 6M pelo jogador. Ficou esclarecido que o jogador queria sair e que o Benfica tinha intenção de o vender. Ficou esclarecido que o Zenit apresentou uma proposta de 6M pelo argentino e que o Benfica tinha de responder antes do início do Mundial. O que não ficou esclarecido foi o porquê de aceitar 6M por um jogador como o Garay, o qual estava prestes a começar um Mundial como titular pela Argentina. Também a justificação para a cláusula de rescisão não faz qualquer sentido, a menos que um jogador não possa ser vendido abaixo do valor da mesma. E já agora, alguém que explique ao presidente do Benfica que mesmo que um jogador em final de contrato assine por outro clube em Janeiro, continuará a ser jogador do clube até Julho.
 
Depois sobre o Markovic voltamos à história da cláusula de rescisão mas desta vez de uma forma ainda mais descabida. Portanto, o que nos foi dito foi que o sérvio só não tinha uma cláusula de rescisão superior porque depois as pessoas podiam comentar que a mesma era demasiado alta para o valor do jogador.
Infelizmente foi mesmo isto que o presidente do Benfica disse.



Mais à frente, no meio de um gaguejo, pareceu que o presidente do Benfica lá disse que os três jovens do Benfica foram emprestados com cláusula de aquisição. Também não se alongou muito neste assunto. Contudo, conseguiu ainda foi comparar o Fafe com o Deportivo, Mónaco e Valência.



A conversa sobre o Benfica made in Seixal já só ilude quem quer ser iludido. Será assim muito difícil perceber que os jogadores da formação só vão ter espaço no plantel quando quem manda contar com eles na elaboração do mesmo? Ou se deixa espaço os miúdos integrarem o lote de 25 jogadores ou então o Benfica made in Benfica nunca vai passar de um slogan bonito mas populista e oco. Como é que se pode insistir nesta ideia quando todos os verões contratamos mais de uma dezena de jogadores?
Isto que se está a fazer ou é mentir ou é não se perceber minimamente daquilo que o processo exige.



Quanto às declarações do Ivan sobre o Jorge Jesus, as quais são idênticas às de vários outros jogadores, ficámos a saber que tudo não passou de uma provocação dos jornalistas portugueses. Ok, é isso.



Aquela conversa sobre vencer a Liga dos Campeões e sobre a preferência entre chegar aos Quartos desta ou vencer a Liga Europa, merece algum tipo de comentário? Até o Hélder Conduto se engasgou com a resposta do presidente.



E sobre os lucros da BenficaTv…





“Nas horas da derrota é que temos de ser muito fortes, não é na derrota que temos de criticar, é quando estamos a ganhar que nos têm de criticar.”


“Se toda a gente dissesse bem de mim e concordasse comigo eu ia-me já embora.”





A primeira afirmação vem para confundir os fanáticos do “apoia”. A segunda vem para confundir aqueles que não concordam com a política da actual direcção do Benfica. Será que…
 
Felizmente esta entrevista coincidiu com a estreia dos Expendables e assim deu para aliviar momentaneamente muita da tensão acumulada durante aquela hora.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Entrevista do Presidente



Ponto prévio: Gostaria de elogiar e cumprimentar a postura de Hélder Conduto na condução da entrevista. Revelou um elevado grau de independência, maior que muitos dos seus colegas de profissão de outros órgãos de comunicação social, tendo feito as perguntas que se impunham e de forma clara, levando até a uma irritação e desconforto de Luís Filipe Vieira bem evidentes. Parabéns.

A primeira parte da entrevista foi dedicada em exclusivo à situação financeira do clube e às possíveis consequências da falência do BES na vida do Benfica. Vieira apresentou-se algo esquivo e generalista, acusando de falsas as notícias que têm vindo a lume, mas nunca explicando com factos o porquê dessa falsidade. Em momento algum Vieira respondeu de forma diferente do “até agora fomos uma entidade cumpridora, não será agora que o deixaremos de ser”. É uma parte do que devia dizer, mas deveria ter sido mais concludente e concretizador na forma como o Benfica continuará a ser cumpridor. O único aspecto em que foi inequívoco prende-se com o noticiado fecho da conta caucionada existente no BES, negando taxativamente que tal fosse verdade. Quanto ao eventual pagamento dos empréstimos obrigacionistas que vencem até final do ano, deixou no ar a ideia que o fará por via da sua renovação.

No aspecto desportivo/económico, ficamos a saber que os únicos casos em que o Benfica desinvestiu foram em Garay e Cardozo. No primeiro por incapacidade de manter compromissos salariais tão elevados e no segundo por se tratar de um jogador que deixou de ser 1ª opção para o treinador, sendo que o jogador tem estatuto e vencimento de titular, verificando-se ainda uma vontade expressa do atleta em, perante o estatuto de suplente, abandonar o clube. Em ambos os casos estamos de acordo. Era por demais conhecido que o central Argentino possuía um dos salários mais elevados de todo o campeonato e que Cardozo deixou de fazer sentido numa ideia de jogo assente no ataque rápido e mobilidade alargada dos seus avançados, tudo características antagónicas do Paraguaio. Não quer isto dizer que um jogador com aquelas características não possa vir a ser muito útil em determinados jogos e/ou circunstancias de alguns jogos, mas não com o estatuto que Cardozo havia alcançado no plantel, por mérito próprio. Cardozo, na ideia do treinador, não servia para titular e, numa lógica económica, era demasiado caro para suplente. Nada a opor.

No entanto, Vieira afirma e reafirma que o clube não desinvestiu no plantel em mais nenhum caso. Perante isto, podemos esperar um forte investimento do clube nos dias que restam de mercado. Imaginando um clube organizado, e tendo por boas as afirmações de que Markovic e Oblak não seriam transaccionados se o não fossem pelas respectivas clausulas, é de supor que o clube tinha um plano financeiro e desportivo que comportasse a permanência de ambos nesta época que agora inicia. Ou seja, os valores angariados na venda de ambos os passes estarão livres para um reinvestimento, para lá do que já seria espectável numa nova temporada. É assim de esperar um forte ataque ao mercado daqui até 31 de Agosto em busca de colmatar as carências claras do plantel. Se assim não for, tenho pena, mas Vieira mentiu e, de facto, o Benfica desinvestiu no futebol.

No plano estritamente desportivo há dois aspectos a considerar: O actual plantel e a formação.

No que diz respeito ao actual plantel, ficamos a saber, pela voz do Presidente, que o departamento de scouting do clube é profundamente desorganizado e incompetente, porque não é possível que um departamento de scouting de um clube da grandeza do Benfica deixe passar o final do contrato de um jogador (Eliseu) que já é seguido pelo clube há tantos anos (basta relembrar que na 3ª época de JJ no clube, o treinador tornou publico o interesse do clube no jogador). Não é ainda de aceitar que o departamento de scouting do clube aponte 4 jogadores (Djavan, Candeias, Vítor Andrade e Luís Filipe) a serem contratados e que não chegam a iniciar a época por dispensa do treinador. Ambas as situações são inadmissíveis e custam ao clube a afectação de verbas que podiam e deviam ser canalizadas para jogadores que realmente importam ao plantel. Têm de ser retiradas ilações e respectivas consequências destes acontecimentos, até porque a questão da aquisição de jogadores que não chegam a permanecer no plantel definitivo da época está longe de ser virgem.

Em relação à formação voltamos à demagogia habitual. Como podemos acreditar que haverá uma aposta séria e credível nos melhores jogadores da formação quando João Teixeira faz a pré-época que faz e… é restituído à equipa B? Como podemos acreditar que haverá jogadores formados no clube a fazerem parte do plantel principal, quando se acha que Bernardo Silva não está preparado para o Benfica, mas está no ponto para um clube com o poder financeiro do Mónaco? Como podemos achar que João Cancelo foi emprestado ao Valência para adquirir experiencia e “rodagem”, quando o emblema espanhol tem a posição de lateral direito preenchida por Barragan e João Pereira (ainda que seja fraco, tem muito mais experiencia e conhecimento que o jovem do Benfica)? Sim, se calhar os campos que anda a fazer no seixal sejam para alguém pastar… ainda que não seja gado bovino nem se alimente de erva!

Como não poderia deixar de ser numa entrevista de Luís Filipe Vieira, voltamos ao discurso do “não podemos deixar que estes miúdos (novo termo para designar abutres e garotões) tenham memória curta”, “há 14 anos não tínhamos nada”, “há 14 anos nem mística existia”, “o Benfica é uma empresa”, etc. Sr. Presidente, faça um favor a si próprio: Não incite a visita ao museu. Porque quem lá for e perceber o que significa o seu conteúdo, vai manda-lo embora.

Quem acertar no minuto do penálti a favor do Porto no jogo de hoje ganha um bilhete para o Benfica-Paços de Ferreira.

Entrevista ao Presidente do Benfica


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Os nossos rivais II

Jorge Mendes, é este o nome chave da nova época do Futebol Clube do Porto. Após alguns anos de maior afastamento e de maior poder de Antero Henrique na estrutura do clube, tendo-se verificado uma clara perda de qualidade dos últimos planteis portistas, culminando num annus horribilis, o Porto decidiu por uma inversão de caminho desportivo tendo em Jorge Mendes o seu maior parceiro e aliado.

Ao agente FIFA Português foi dada (quase) total liberdade na escolha de treinador e plantel para a época que agora inicia, obviamente seguindo as linhas mestras ditadas pelo clube, para que se contrarie de forma inequívoca o tão falado, quanto precipitado, anuncio de fim de ciclo azul e branco.

Quer queiramos, quer não, a resposta do FCP ao sucesso interno esmagador do Benfica, em termos de mercado de transferências, tem sido fortíssima, com aquisições de qualidade individual inegável e em quantidade abundante.

Tão forte aposta envolve os seus riscos. Risco na gestão de tantos egos num quadro competitivo médio (competições internas pouco competitivas e sem um grande numero de jogos), mas também do ponto e vista económico. Se é verdade que as vendas de jogadores podem compensar ou, pelo menos, atenuar o forte investimento na aquisição de novos atletas, não será menos verdade que a folha salarial deste plantel deverá ser elevadíssima, isto quando o clube não tem garantido o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões.

Isto vale por dizer que Lopetegui tem já um teste de fogo marcado para o final do corrente mês e frente a um adversário minimamente competente. Para uma eliminação nesta fase, bastará um jogo menos conseguido dos dragões, ficando por aqui bem evidente o risco a que se expôs o clube.

Passando para as quatro linhas, tenho uma má noticia para os detratores de Vítor Pereira e do seu futebol: As bases lançadas por Lopetegui para o novo Porto são em tudo semelhantes às ideias preconizadas pelo técnico Português. Ou seja, uma ideia de controlo do jogo, dos seus ritmos e adversário, através de uma posse de bola segura e pouco dada a exposições de risco defensivo no momento da sua perda. Entre aquilo que se perspetiva ser o jogo de Lopetegui e o que foi de Vítor Pereira só vislumbro uma grande diferença: Os interpretes. Enquanto o técnico Espanhol conta com praticamente 2 jogadores por posição,Vítor Pereira viu-se apenas com 12/13 jogadores. Há também a notar uma ideia diferente daquilo que se quer para o 6 do 11 do Espanhol. Procura-se um jogador que seja mais capaz de chegar a zonas de remate e com melhor capacidade de passe em profundidade e em largura, com mutações rápidas de flanco.

O futebol apresentado nesta pré-época tem sido consistente, mas ainda me parece demasiado lento em zonas adiantadas do terreno, aspeto que facilita a tarefa de quem defende. Há ainda a verificar uma fraca capacidade de finalizar as jogadas quando a equipa se apresenta sem Jackson. Sem o Colombiano o futebol portista tem-se revelado demasiado redondo e pouco objetivo e daqui nasce a imperiosa necessidade de manter Jackson no plantel.

O grande problema deste plantel é que não tem qualquer alternativa o ponta-de-lança sul-americano, e quando falo em alternativa não falo de alguém de valia semelhante, porque isso é coisa difícil de se conseguir, falo apenas e tão só de um jogador com características similares, alguém que ocupe as mesmas zonas do terreno e o faça sensivelmente da mesma forma, expondo assim a equipa a uma dependência exagerada de um único jogador que, embora seja pouco habitual em Jackson, estará sempre exposto a uma lesão, um castigo ou tão só ao desgaste inerente de ser solução única para uma época inteira.

Dos reforços há a destacar positivamente Oliver que ainda é um menino, mas tem muito futebol nos pés. Tem muito para aprender, mas também já sabe o suficiente para ser o primeiro maestro da equipa e Rúben Neves, saiba o clube e treinador fazer com o ele o que nós não temos sabido fazer com os nossos e temos craque.

Negativamente destaco Adrián. Como ponta-de-lança fica perdido no meio dos centrais adversários, não dando apoios frontais, não sendo sequer bom a segurar a bola esperando pela subida da equipa, e tem enormes dificuldades para romper com bola em zonas interiores por não ser (nunca foi) um elemento com a capacidade técnica necessária para tal. Para as alas, havendo Tello e Quaresma, não vejo que Adrián seja melhor que algum destes. Ou seja, dar os anunciados 11M€ por 60% do passe de um jogador que não seja um titular absoluto, parece-me um erro absurdo. E será outro que não deverá ter um salário modesto.


No plano interno, o FCP é claramente o clube com melhor plantel dos três candidatos ao titulo. Naturalmente, e face ao investimento não poderia ser de outra forma, o FCP parte para esta época com o objetivo de conquistar todas as provas internas, mas também de reconquistar algum prestigio internacional, onde as campanhas desde a vitória de Vilas Boas têm sido desoladoras.

Entrevista a Carlos Daniel - Primeira Parte

Sendo jornalista e amante do futebol, poderá estar atento, de uma forma geral, à blogosfera desportiva. Acompanha blogues de futebol ou é um universo que desconhece? Se sim, quais?
Não acompanho nenhum em concreto, por regra, mas estou atento a uns quantos, sobretudo de futebol, política e música. Nos de futebol, afasto-me sempre que percebo que o tom geral é de crítica oca ou clubismo doentio. É para o que já não tenho paciência. Nem idade.

A blogosfera é um espaço que permite um certo tipo de liberdade de que nem sempre o jornalista desportivo goza quando escreve em jornais nacionais. Há muitos jornalistas “camuflados” na blogosfera?
Admito que sim mas confesso que não sei, de facto. Às vezes deve saber bem poder dizer tudo o que se pensa.

Numa entrevista ao semanário “Sol” disse que os seus dois temas preferidos são a política e o futebol. São duas áreas com muitos pontos de contacto? Quem sai a ganhar com a mistura dos dois?
Ganha sempre o futebol, que é paixão genuína, que nasce connosco antes de darmos por isso. A política deve ser desapaixonada, racional. A clubite faz sentido (até a um certo limite), a partidarite (clubite na política) não faz sentido nenhum.

Vê alguma possibilidade real de a curto prazo se alterar o balanço de poder entre os media desportivos e os clubes de futebol? Doutra maneira, será possível que continuemos a viver esta realidade em que os jogadores vivem numa bolha e pior, os presidentes tampouco são questionados?
Não me parece fácil. Os dirigentes só falam nos momentos das vitórias ou então procuram cada vez mais os órgãos de comunicação dos próprios clubes. E todos os grande têm hoje jornais, revistas, canais de tv. O jornalismo tem de reagir a essa “informação amansada” e precisa de definir como, e depressa.

Uma ideia muito defendida por alguns jornalistas é a de que em jornalismo não deve haver emoção – que o profissional deve apenas relatar factos, ser “isento”, “imparcial”, frio. Isto faz algum sentido?
Faz, na análise e no comentário. Na narração, num relato (de rádio em particular, mas também de televisão), em directo, a emoção tem de fazer parte. Mas é possível ser emotivo e isento, equidistante, ao mesmo tempo. Disso não tenho dúvida, até porque conheço vários jornalistas que são.

Falemos do Benfica, que é essa a paixão deste blogue. A diferença na qualidade de jogo do primeiro ano de Jesus para os três seguintes passou muito pela ausência de Ramires – que defensivamente e na reacção à perda de bola era muito forte – ou há uma mudança clara de Jesus na forma como compôs a equipa, depois de ser campeão nacional?
Tem muito a ver com a capacidade dos alas e dos avançados nos momentos defensivos (de organização mas sobretudo transição). Os melhores conjuntos de Jesus foram o primeiro (com a capacidade de recuperação de Ramires e até de Di María) e o último (com a participação no processo defensivo de Lima e Rodrigo). Por definição, o modelo de Jesus (que ele constrói sobre o sistema 4x4x2 ou 4x1x3x2) é desequilibrado mas sempre ambicioso.

Qual foi o melhor ano, em termos de qualidade e competência no trabalho, de Jesus desde que está no Benfica?
O primeiro, quando fez depressa uma grande equipa. Tinha grandes jogadores mas apresentou trabalho e mudou o rumo do clube. No último ano aproximou-se, com a equipa mais equilibrada de quantas fez na Luz, mas frente a uma concorrência (Porto e Sporting) que não tinha metade dos argumentos do Benfica.

Jorge Jesus é o treinador certo no clube certo?
Neste momento é, que só pode ser positivo haver alguma continuidade no meio de tanta mudança. É um treinador competente, sem dúvida, teimoso até ao limite também, e que não muda nem nunca vai mudar no essencial. Já pôde sair por baixo (há um ano) e em alta (há uns meses) mas que optou por ficar, talvez sem prever o que aconteceria na pré-época. Esta época é um risco enorme, sobretudo para Jesus.

Concorda com a ideia de que Jorge Jesus é  simultaneamente um treinador de enorme competência, a nível técnico e táctico, e alguém cuja teimosia é capaz de pôr em risco todo o seu excelente trabalho? 
Concordo. Tem competências top, sobretudo no plano técnico-táctico, mas muda mais vezes por necessidade (Oblak por Artur, Rodrigo por Cardozo, p.e.) que por convicção. Costumo dizer que após tantos anos num clube grande mantém intactas as qualidades, que são muitas, mas também os defeitos.

Acredita que Jorge Jesus tem um conhecimento mais aprofundado do aspecto táctico do futebol do que, por exemplo, Mourinho, perdendo em termos de comunicação e valências motivacionais?
Não. Mourinho sabe tudo de táctica e treino, que é o essencial no futebol. Jesus é um apaixonado do jogo e do treino, um grande conhecedor, mas tinha de evoluir para chegar mais alto, concretamente ao nível da liderança e das relações humanas. 

Ao dizer que  "só trabalho não chega, é preciso qualidade"  o treinador do Benfica dá a entender que não passou por ele a contratação dos que chegaram nesta época. Não considera peculiar que não seja o treinador a escolher os jogadores que melhor se adaptem ao modelo de jogo que implementou no Campeão nacional e vencedor de ambas as taças?
Tenho curiosidade em sabe quem foram afinal – entre tantos – os jogadores que Jesus quis, que pediu ou avalizou, e os que não quis e lhe impuseram (se é que impuseram). Interrogo-me se um treinador campeão, que recusou propostas importantes, não faz valer minimamente a sua vontade, quem fará? E claro que Jesus está longe de ser o maior responsável pela estranha pré-época do Benfica.

Como compreender a contratação de um jogador como Luís Felipe (e, no passado, de jogadores como Emerson ou Cortez) por parte de um clube como o Benfica? 
Uma coisa é falhar na escolha de um jogador, que todos falham. Outra é escolher um jogador errado para uma posição na qual havia quatro opções melhores (Maxi, Sílvio a prazo, André Almeida e Cancelo). Isso não se entende.

É sabido que Eliseu é um “amor antigo” de Jorge Jesus (há algumas épocas chegou mesmo a afirmar em público que ou era Eliseu o eleito para a lateral esquerda ou não valia a pena contratar ninguém). Considera o lateral português a alternativa certa para assumir com qualidade inegável o lugar no 11?
Não duvido que vai ser titular, e que Jesus vai dar-lhe todas as oportunidades. Quanto ao que vai provar só o futuro o dirá, que já não é jovem e nem sempre foi defesa esquerdo. Mas neste caso acredito que Jesus, pelo que conhece do jogador, não se enganará. Nem faz sentido que se engane.

Imagine que era o treinador do Benfica - que sistema táctico base utilizaria (4-4-2, 4-3-3, outro) e sobre que modelo de jogo assentaria (linha recuada alta, pressão horizontal, vertical, posse de bola, transição rápida)? 
Boa pergunta. Não há sistemas melhores que outros, há jogadores que mexem com o sistema, pelos posicionamentos que os favorecem ou não. Gosto de ver dois avançados numa grande equipa mas isso não pode ser um dogma, depende da matéria disponível. O meu modelo preferido é de posse com profundidade, largura e objectividade, com iniciativa, num bloco compacto que é eficaz na reacção à perda de bola. Mas isso é o que querem quase todos. Decisivo é saber o que se consegue fazer em cada momento, o que serve melhor o interesse da nossa equipa, ser capaz de definir ritmos, de esconder fragilidades e exponenciar o melhor que se tem. 

Tendo em conta que o treinador do Benfica já disse que quer um guarda redes, um médio defensivo e um avançado, que jogadores pensa poderem ser bons reforços para o Benfica, capazes de entrar directo no onze inicial?
Há vários mas dependeria sempre da capacidade financeira. Parece-me um erro não se pensar num central de nível top, com Luisão a envelhecer e sem mais nenhum indiscutível (Jardel nunca será de eleição). O avançado tem de ser compatível com Lima ou Derlei e terá sempre o problema de manter Gaitan amarrado a uma faixa, o que me parece ser um erro persistente, ainda que Jesus dê finalmente sinais de que lhe vai permitir maior liberdade esta época.

Uma alteração táctica para um esquema com um meio campo mais preenchido poderia ser uma boa solução de contornar as saídas de jogadores importantes (especialmente no caso de Enzo sair) e rentabilizar os recursos disponíveis?
Sim, penso que poderia ser ensaiada essa alternativa. Duvido, no entanto, que Jesus o faça, que o jogar do Benfica é muito definido por posicionamentos que resultam do sistema, da estrutura definida e sempre mantida.

O que acha de um 433 com um médio defensivo (Amorim, Almeida, Fejsa ou um jogador a contratar) no vértice recuado e Enzo (se ficar) e Gaitán à sua frente?
Podia ser uma espécie também de 1x4x2x3x1, mas dependerá de haver Enzo e Gaitán. Fejsa é o mais dotado para a função de médio defensivo, que Amorim é hoje mais um médio organizador (ou de transição) e André Almeida será apenas uma alternativa (um suplente de qualidade, em linguagem directa).

Gaitán, desde que chegou ao Benfica, jogou a extremo e, no ano passado, apesar de partir da linha, experimentou zonas mais interiores. No entanto, nunca jogou como jogava no Boca, a segundo avançado, livre, tanto jogando no espaço em desmarcação como vindo buscar jogo atrás, criando desequilíbrios. Não terá Gaitán a ganhar se jogar como apoio a Lima (ou outro avançado) e não, como muitas vezes é pedido, a 10 (que nem sequer é posição no sistema de Jesus)?
A questão radica sempre no sistema em vigor, que Gaitán altera, uma vez que seria sempre mais um 10 lançador e de último passe que um segundo avançado na linha do que foram Saviola ou Rodrigo. Não duvido que Gaitan renderia mais (também em assistências e golos) mas só se Jesus quiser mexer nas dinâmicas. E se com Rodrigo, com mobilidade e pé esquerdo (penso em trocas posicionais), Gaitán permaneceu sobre a faixa, creio que acabará por se manter por lá.