O resultadismo mais uma vez a fazer das suas. Como Griezmann marcou 6 golos, foi considerado o melhor jogador. Enquanto o futebol for visto desta forma vamos continuar a premiar a estatística em vez de valorizar o jogo e quem o interpreta de forma sublime. Não que o francês não tenha mérito - é bom jogador, indiscutível -, mas não tem a qualidade dos melhores. Facilmente encontramos 11 melhores exibições:
- Kroos
- Hummels
- Iniesta
- David Silva
- Payet
- Bonucci
- Modric
- Kalinic
- Pepe
- Ramsey
- Fernando Santos
terça-feira, 12 de julho de 2016
O melhor jogador do Euro
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Renato Sanches - 8 meses de futebol profissional, 1 Campeonato Nacional, 1 Taça da Liga, 1 Campeonato da Europa.
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Renato Sanches
domingo, 10 de julho de 2016
Já chega de andar a rondar a praia sem direito a mergulho. Hoje vamos ser Campeões Europeus.
1966 - Meias-finais
1984 - Meias-finais
1996 - Quartos-de-final
2000 - Meias-finais
2004 - Final
2006 - Meias-finais
2008 - Quartos-de-final
2012 - Meias-finais
2016 - ?
1984 - Meias-finais
1996 - Quartos-de-final
2000 - Meias-finais
2004 - Final
2006 - Meias-finais
2008 - Quartos-de-final
2012 - Meias-finais
2016 - ?
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sábado, 9 de julho de 2016
11 para Paris
1) Contra uma equipa como a França, que tem a sua maior virtude no aproveitamento dos espaços quando o adversário perde a bola e se desequilibra, é fundamental ter um meio-campo composto por jogadores que raramente falhem um passe e não deixem a equipa posicionalmente vulnerável;
2) É um jogo que precisa de um efeito-surpresa. Algo que os franceses não esperem. Um jogador desconhecido, que não tenha aparecido nos vídeos que os técnicos analisaram sobre a nossa equipa;
3) Fundamental ter soluções no banco que, entrando na segunda parte, possam ou abanar a estrutura francesa (em desvantagem) - Renato, Quaresma - ou ajudar a consolidar a vantagem - Moutinho, Gomes, Danilo;
4) Portugal tem de atacar as costas de Sagna, espaço geralmente aproveitável pelas constantes subidas do lateral francês e da má recuperação. Se há ouro, é ali que deve ser explorado.
5) Se não houver influência externa, temos tudo para ganhar a uma equipa que tem qualidade individual mas tem muitas dificuldades a construir de forma organizada e defende mal.
Patrício
Cedric, Pepe, Fonte, Guerreiro
William
João Mário, Adrien, Rafa
Nani, Ronaldo
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Rafa
Lúcio Caparinha, o Vermelhão
- É só mentiras!
gritou para o ar Lúcio Caparinha, lendo o A BOLA no café do Azevedo. Avançados espanhóis, laterais argentinos, médios belgas, centrais do Paraguai, todos anunciados, dia-a-dia, como reforços de peso do Benfica. Num ano que não este chegou a fazer uma lista com as invenções dos jornais: eram para cima de 100 os craques «praticamente garantidos», as bombas «prontas a anunciar», os atletas que haviam «aterrado na Portela para oficializar o contrato de 3 anos com o Sport Lisboa e Benfica». Tudo ilusões, sonhos prometidos, invenções de quem anda a brincar com o coração frágil do adepto em tempo de Sol e marasmo.
Lúcio já não tem pachorra para as pré-épocas, estações doentias de tédio. Cansa-se de passar os dias à espera de ver o Glorioso jogar. Só ele é que não vem no jornal como futura contratação sonante: «Lúcio Caparinha, homem extraordinário, apoiante de reconhecida arte, famigerado adepto conhecido em Vila Viçosa como o "Vermelhão", está a horas de ser oficializado no Benfica».
- Disso não se lembram eles, os mentirosos!
Isto disse em voz baixa, já não gritou. Ficou de imperial na mão a olhar com olhos baços a montra do Azevedo. Não tinha fome mas pediu à mesma dois ovos cozidos e um bocado de toucinho para acamar a bebida.
Sentia falta do Estádio da Luz. Do cheiro do Estádio, daquele nervoso miudinho, que às vezes é graudinho, que o inundava de emoção quando a equipa aterrava ligeira, gloriosa e delicada no relvado e o público aplaudia aquelas 11 papoilas saltitantes e desesperava pelo começo do jogo. Das manhãs a preparar o farnel, das idas à mercearia para apanhar pão, presunto, queijo e garrafões de vinho. Da comida mais substancial tratava Lurdes, a esposa, no tempo em que a Lurdes ainda podia preparar o farnel, antes da morte de Lurdes, antes de Lúcio Caparinha ser o viúvo da Lurdes. Naquele tempo era só, e bastava, o Lúcio Vermelhão, o marido da Lurdes.
Agora pensava nas aventuras de horas a fio dentro do carro de Vila Viçosa a Lisboa. Comprava umas empadas para levar, saía pela Florbela Espanca, deixava o Palácio à esquerda e seguia pelas pedreiras até Borba. Parava em Borba com os amigos por tradição: bebiam uma aguardente com brinde à vitória do Glorioso e só paravam no Estádio da Luz. Eram tempos diferentes destes: onde está o Colombo era um enorme terreno aos socalcos, baldio, solitário, aberto para a cidade de um lado e para a Catedral do outro. Tempos em que o carro ficava por ali, onde desse, onde pudesse ser, onde o espaço servisse os intentos dos comensais, onde se pudesse acender uma fogueira, comer, conversar, falar do 11 do Benfica, comer, conversar, falar da vida, conversar, falar da morte, comer, falar sem sentido, com sentido, falar, ser do Benfica. O fogo abria-se no final das tardes de Inverno, soltava o seu aconchego pelos benfiquistas em redor, as famílias acolhiam-no em imensa chama imensa. Efervesciam de uma paixão contagiante. Era o álcool e a espera da vitória a acelerar os batimentos cardíacos dos corações em forma de roda de bicicleta.
- Se pudessem anunciar a Lurdes no Benfica...
Isto pensou Lúcio Caparinha. Não gritou nem disse em voz baixa. Deixou-se só a pensar nisto. A Lurdes a entrar no Estádio da Luz em pleno Julho, as bancadas ao rubro, alguém a anunciar de microfone na mão: «Senhoras e senhores, sócios, adeptos e simpatizantes, Benfiquistas, vocês são os melhores adeptos do mundo. Um grande aplauso para Lurdes Caparinha, esposa de Lúcio Caparinha, mulher responsável por centenas de farnéis gloriosos que fizeram outras centenas de pessoas felizes; meus caros Benfiquistas, melhores adeptos do mundo, vamos homenagear Lurdes Caparinha, que do alto da sua ternura e arte confeccionou repastos que alegraram e favoreceram vitórias épicas do Sport Lisboa e Benfica».
A Lurdes a entrar ao colo de uma águia, voando, planando pelo Estádio, rodopiando. Um eco de 130.000 benfiquistas aos gritos, aos aplausos, aos beijos, aos abraços. A Lurdes e a águia fazendo círculos cada vez mais fechados, acenando à multidão, gritando «Benfica, Benfica, Benfica», aterrando nos braços de Lúcio Caparinha, o Vermelhão.
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Aquilo que faz o óptimo Jesus nunca vir a ser óptimo.
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quinta-feira, 7 de julho de 2016
O cronómetro do golo
Kroos é um jogador incrível. Provavelmente, o mais subvalorizado da História. Sabe tudo, todas as movimentações dos adversários, quando rasgar, quando manter a posse, aonde vai chegar a bola, o que vai fazer o seu colega, em que direcção irá a jogada acabar. É como se em todas as vésperas dos jogos tivesse acesso ao que se passará em campo. Kroos passa a noite a visualizar o jogo que só decorrerá no dia seguinte. Depois chega ao relvado e, com a memória de todas as jogadas, executa. Pensa, lembra-se e executa. Deus do Timing, cronómetro do golo.
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Kroos
Estamos na Final!
Parece mentira mas é verdade. Mesmo não parecendo verdade, mentira é que não é.
Não sei o que este Europeu me está a fazer mas já não digo coisa com coisa. Parece que já não percebo nada disto, que já não sei nada ou que só sei que nada sei ou até que não sei o que sei.
Bem o que importa é que…
Estamos na Final porra!
A excitação de estar na Final do Euro só fica ligeiramente anestesiada pela falta de entusiasmo do caminho até aqui. Nem parece que isto está mesmo a acontecer.
Ontem foi o melhor jogo de Portugal. Sem brilhantismo e sem grande criatividade conseguimos ser muito competentes e ter sempre o jogo controlado.
Sem Ramsey o País de Gales não passa de uma equipa muito mediana. Incapaz de ter bola e totalmente dependente de rasgos de força e da meia-distância do Bale.
Soubemos controlar a profundidade, soubemos ter bola e soubemos ser pacientes. O Adrien foi o nosso melhor médio e o Cristiano fez o seu melhor jogo deste Euro.
Não podemos voltar a cair no erro de prender o Cristiano entre os centrais.
Tanto com a Polónia como ontem já vimos um Cristiano mais solto em campo. Ele tem de participar na construção do jogo e precisa de terreno para arrancar. Prendê-lo entre os centrais é desperdiçar um excelente jogador e facilitar a vida dos defesas.
Portugal joga poucochinho mas compensa em atitude e vontade. Isto tem chegado para ir passando sem vencer qualquer jogo e contra adversários acessíveis. Ontem foi a nossa primeira vitória e o nosso melhor jogo. Contudo este País de Gales, a par da Áustria, foi o adversário mais fraco que apanhámos.
Isto está a ser um pouco a imagem do Fernando Santos, focado na ideia que dificilmente alguém nos ganha e não na ideia que dificilmente não venceremos seja quem for. O Seleccionador Nacional tem mostrado excelência em todos os momentos e responsabilidade do cargo que ocupa menos em um: o futebol jogado. Tem 2 anos para melhorar nesse aspecto.
É como já disse. A excitação de estar na Final é imensa mas parece um pouco anestesiada pela falta de entusiasmo do todo o percurso, tanto pelos adversários como pelas exibições.
Só nos Oitavos apanhámos uma boa selecção e com grandes jogadores. Eliminar a Croácia é digno de registo mas nunca será digno de grande entusiasmo. É uma selecção ambiciosa, com potencial mas longe da primeira linha dos favoritos.
Eliminar uma Croácia com um golo em contra-ataque aos 117 minutos numa altura em que nos estavam a sufocar, uma Croácia que foi superior a nós durante os 120 minutos num jogo em que homenageámos a Carris, foi o melhor que conseguimos neste Europeu.
Sobre o jogo só mais uma coisa:
“Oh Fernando por favor, Bruno Alves em vez do Ricardo Carvalho? Nunca mais me faças uma coisa dessas”.
A Final será um jogo diferente e por isso faço já o ponto de situação e dou já os parabéns.
Parabéns a todos, principalmente ao Fernando Santos e ao Cristiano Ronaldo.
Parabéns pela união do grupo, parabéns pelo comportamento com os adeptos, parabéns pelo esforço, pelo trabalho e pelo desportivismo em campo.
Parabéns ao Cristiano pela humildade. No final da fase de grupos houve ali um momento no qual ele mudou de postura. Agora temos visto um Cristiano muito mais capitão do que em toda a sua carreira na Selecção. Colocou o vedetismo de lado e está a dar-se mais ao grupo, tanto a jogar como a liderar. Nunca deixará de ser arrogante mas tem humildade para reconhecer o erro e mudar a postura.
Parabéns ao Fernando Santos pela sua liderança, pelo seu discurso, pela sua crença, pela sua vontade, pela sua educação, pela sua comunicação e pelo respeito que tem sempre mostrado pelos rivais e principalmente pela nossa bandeira.
Ser seleccionador é muito diferente de ser treinador. O Fernando Santos tem tudo para ser o Del Bosque Português.
Sou um daqueles que no arranque do Euro estava confiante que este ano iríamos lutar olhos nos olhos com os maiores pela Final e pela vitória final.
Estamos na Final mas reconheço que a nossa Selecção me desiludiu muito. Esperava muito melhor. Não gosto nadinha do que temos feito em campo.
Mas há expectativas que não saíram defraudadas. Adoro o ambiente que agora se vive na Selecção e adoro estar na Final.
Agora é fazer de tudo para sermos campeões. Não somos favoritos e um futebol defensivo, à imagem do que temos praticado, fará agora algum sentido.
As criticas e tudo o que de menos bom há a dizer deve ser deixado para depois, para a preparação do próximo Mundial.
O nosso futebol é este, a nossa coesão é esta e a nossa vontade é esta. Agora é assim que temos de vencer o último jogo deste Euro.
Vamos Portugal!
MÁTRIA
1. Não sou um admirador de Adrien. Diria mesmo que o atleta do Sporting me causa alguma sonolência. É mesmo possível que uma ou outra vez me tenha referido a ele como o "jogador-soporífero". Mas ontem foi o melhor em campo. Provavelmente, o melhor jogo de Adrien desde que nasceu.
2. Os dois golos de cabeça de Ronaldo surgiram de cantos que não foram marcados à primeira. O canto curto, mesmo que, como neste caso, acabe em cruzamento, tem o mérito de desposicionar marcações e posicionamentos. A repetir contra a Alemanha.
3. O leitor leu o final do ponto 2 e pensou para os seus botões: "mas já se conhece o outro finalista?". Ainda não, mas é o mais provável - os alemães são muito superiores e têm oferecido o melhor futebol do torneio. É claro que para nós o ideal é encontrar a França na final: são mais acessíveis (defendem muito mal) e se lhes ganharmos em Paris os emigrantes ganharão um brilhozinho nos olhos para toda a vida.
4. Movimentação, elevação, disparo. É extraordinário o golo de Ronaldo. Pela beleza, pela dança atlética, pela raridade. Dir-se-ia que é um golo com impressão digital, como se no mundo só Ronaldo pudesse fazer aquilo.
5. Fernando Santos não será um génio como treinador mas tem as valências todas para ser um óptimo Seleccionador. A forma como tem gerido as mudanças no onze, quase sempre deixando dúvidas sobre a condição física dos jogadores substituídos, o discurso ambicioso sem ser cagão, a defesa intransigente dos seus jogadores, a inteligência como lida com o estatuto de Ronaldo. Tudo aspectos de uma liderança calma, porém assertiva e apaixonada. O futebol é muito mais do que apenas a estratégia para um jogo.
6. Desde o princípio do Euro até hoje a Selecção tem conquistado cada vez mais portugueses que, no início, talvez por medo de desilusão, zombavam dos 23 heróis. É bom sinal, quer dizer que temos ganhado e seguido atrás do sonho. Que no Domingo esteja iluminado de felicidade todo o rectângulo mágico chamado Portugal.
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MAU-OLHADO #1
"Todas as finais são para ganhar", diz Danilo, um mês e meio depois de ter perdido a final do Jamor.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
A Viagem do Emigrante
Gente que sofre um ano inteiro a limpar retretes, gente que acarta sacas de cimento a vida inteira, gente que sofre das 6 da manhã às 9 da noite a saudade de andar a seguir ordens de gente que não sabe, não reconhece, o sacrifício de uma vida feita de bondade para deixar aos filhos um lugar melhor no mundo.
São estes os heróis do Europeu, aqueles que passam os dias à espera de um autógrafo que possa ficar emoldurado para a eternidade em cima da lareira. Aqueles que merecem uma final em Paris, doidos de emoção. Os que sentem Portugal à distância de um golo, de uma vitória, de alguém que se lembre deles. Da vida madrasta tornada Mãe de todas as alegrias. Mais portugueses do que os portugueses, os emigrantes inundam-se de poesia e cantam o poema
POR-TU-GAL, POR-TU-GAL, POR-TU-GAL!
São estes os heróis do Europeu, aqueles que passam os dias à espera de um autógrafo que possa ficar emoldurado para a eternidade em cima da lareira. Aqueles que merecem uma final em Paris, doidos de emoção. Os que sentem Portugal à distância de um golo, de uma vitória, de alguém que se lembre deles. Da vida madrasta tornada Mãe de todas as alegrias. Mais portugueses do que os portugueses, os emigrantes inundam-se de poesia e cantam o poema
POR-TU-GAL, POR-TU-GAL, POR-TU-GAL!
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terça-feira, 5 de julho de 2016
Ganhar por Portugal contra a canalhice
Probabilidades? Mais do que percentagens definitivas, podemos falar no que é mais possível, no provável. Em 10 jogos contra este Gales, este Portugal ganhará 4 ou 5 vezes, empatará 3 ou 4 e perderá 1 ou 2. Numa meia-final, isso dilui-se e aproxima as equipas; não há um favoritismo declarado. E ainda bem, porque nós funcionamos melhor quando precisamos de provar a nossa qualidade.
Nesse sentido, devemos agradecer à imprensa francesa e aos dirigentes do Sporting por terem atacado de forma vergonhosa esta equipa e, especificamente, este nosso puto Sanches (era a idade, era o mamilo, era o bairro onde vive, era tudo o que servisse os intentos canalhas de uma série de gente parva). O Bulo amanhã vai encher o campo e mostrar a todos os imbecis e mal-formados que a indecência e o preconceito pagam-se caro. Vai jogar por Portugal e contra a imbecilidade.
Contra o racismo, contra a idiotia, contra o desrespeito, contra a falta de vergonha, contra a inveja, contra a maldade. O puto vai obrigar-vos a festejar golos e vitórias enquanto tentam esconder dos outros, sorvendo histericamente o gin de melão, a raiva que sentem por terem de engolir de quinas ao peito aquele preto de 18 anos da Musgueira que ajudou a dar o campeonato ao Benfica.
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Portugal - Gales,
Renato Sanches
32 possibilidades de futebol
1. Será o futebol… resultado?
2. Será o prazer da vitória superior ao amor pelo jogo? Terá a “técnica da força” superado a “força da técnica”? Merecerá o “antes” e “após” maior destaque que o “durante”? Quem são hoje verdadeiramente as “estrelas” da modalidade? Onde reside, actualmente, a alegria do povo?
3. Será o futebol… ciência?
4. Uma modalidade académica, analítica: de fórmulas, calculismo e certeza? Desenhada a régua e esquadro, visando anular ao máximo a perigosidade adversária? E qual a margem deixada à imprevisibilidade? À criatividade? Ao risco? À surpresa? À capacidade para deslumbrar?
5. O que resulta de um espectáculo no qual as partes procuram, acima de tudo, anular-se?
6. O que resulta de um espectáculo passível de ser reduzido à fórmula: futebol = resultado?
7. Não sei ao certo aquilo em que se transformou o futebol. O que quer que seja, sei que não gosto. Dispenso. E ao que parece, não sou o único. O adepto, hoje, suspira pela Islândia ou por Gales na exacta medida ao que, outrora, outros fizeram pelo Portugal de 66. A Holanda da década de 70. O Brasil de 82.
8. Azar. Quem manda, olha para as estatísticas. Para a história. Para o sucesso. E, sobretudo, para o saldo da conta bancária. Olha para quem está por cima em dado momento e, limitado como é, assume ser essa é a única fórmula, procurando repeti-la: pois, assim, estará mais próximo do seu ulterior objectivo - enriquecer.
9. Que muitas outras equipas tenham já jogado bonito e alcançado, entre troféus, a glória divina do direito à imortalidade: escapa-lhes. Que muitas outras equipas tenham chegado tão longe nas competições por precisamente terem ousado, ao invés de se terem remetido ao mero papel de coitadinhos, quais extensões do treino efectuado pelos poderosos ao longo da semana: mero pormenor.
10. Na minha opinião: futebol = junk food.
11. Mais do que uma modalidade de raízes profundamente populares, o futebol é, hoje, um produto de mercado. Não muito diferente da junk food que por aí se vende: que de tão processada e transformada, já ninguém se lembra ao certo como era na sua origem.
12. Infelizmente, também aqui a tabela de valores inverteu-se. O futebol, tal como outrora o conhecemos, já lá vai. Não é um acaso o crescente interesse e popularidade pela história e heróis do futebol do passado. Mais do que em reverência pelo passado, surge principalmente da desilusão pela realidade do presente.
13. Como em muito do que de bom existiu neste mundo, o homem decidiu pegá-lo e transfigurá-lo a um ponto cada vez mais irreconhecível. E irá esticar, sugar e abusar até mais não poder. Colher os proveitos possíveis e julgados impossíveis.
14. Até, invariavelmente, aniquilá-lo. E então, abandoná-lo, quando mais nada houver a dele retirar.
15. Este ainda subsiste. Na América Central e do Sul. No futebol de Selecções (tidas como) menores. Em pequenos nichos. Longe e isolados. Que merecem ser preservados. Protegidos. Conforme é realizado com qualquer espécie em vias de extinção: ao caso, situação provocada sempre pela mesma fonte – o homem.
16. Hoje, um clube é pertença do presidente X. A equipa, joga à imagem do treinador Y. O atleta, pertence à lista de jogadores do empresário Z.
17. Os jogadores? Meros peões. Peças de xadrez perfeitamente sacrificáveis aos caprichos da mais recente divindade do futebol: o treinador.
18. Os adeptos? A sua existência somente encontra fundamento na forma como, de forma acrítica e (c)ordeira, se espera que aplaudam: e, sobretudo, paguem. Consumam.
19. Quem não o fizer, é do contra. Tem agenda própria. É, com um esgar de menosprezo e sobranceria, acusado de puritano. Lírico. Romântico. De gostar de bola (e não perceber “bola” da coisa), ao invés de ser verdadeiro entendedor e defensor do futebol “moderno”.
20. De forma particularmente desconcertante (de tão insana que é), a opinião que conta é a de quem necessita da legitimação daqueles que verdadeiramente importam e que pensam em contrário: os adeptos.
21. A legitimidade para tais apreciações? Ao que parece, advirá do facto de alguém os ter denominado de analistas. Académicos. Comentadores. Treinadores. Pensadores do futebol que, de tanto pensarem sobre o mesmo, esqueceram-se de jogá-lo e, assim, perceber o quanto estão a contribuir para aniquilá-lo.
22. Para Rosseau, o problema não residia no facto de o monarca soberano ter criado a propriedade privada e imposto aos seus súbditos o pagamento de X valor pelo seu usufruto: mas antes estes terem acreditado na sua legitimidade para tal e, assim, ido na cantiga.
23. Na cantiga do bandido. Do corrupto. Do contabilista. Do profissional de comunicação. Do técnico. Do “yes man”. Dos “copinhos de leite” a quem isto está entregue. Dos parasitas para quem o futebol é uma “indústria”, um “produto”. Um clube: uma “empresa”, uma “marca”. Um jogador: uma “peça do puzzle”, um “activo”. Tudo terminologias que, ao que parece, terão estado na origem daquilo que nos levou, desde tenra idade, a pegar numa bola.
24. Querem-nos fazer crer de que o futebol é isto. As transferências. A posse estéril de quem não sabe mais. O betão e o cimento. A idade do Renato e o trio do meio-campo do SCP (que, aos 90’ de jogo, já não estava em jogo, na medida em que, nem o meio-campo do SCP é a última santola no oceano, nem um trio tem, só por si, a dinâmica de jogo do clube, pois, além da realidade ser outra, continuariam sempre a faltar os restantes 7).
25. Lançam-se à mesa de uma conferência de imprensa “papagaios” disfarçados de jogadores para forçá-los a dizer que, entre jogar mal e avançar na competição ou jogar bem e sair, preferem a 1.ª opção. Como veículo de transmissão da mentalidade mesquinha e medrosa que afecta quem ali os colocou.
26. Como se, nessa mesma competição, não exista quem já tivesse ido para casa mais cedo por, precisamente, jogar mal. Ou tenha avançado na competição por, precisamente, saber jogar. Ou ainda, tenha avançado na competição apesar da equipa técnica que a constitui.
27. Nada sei sobre quem criou o jogo. Quiçá Deus. Acredito contudo que, à semelhança do propósito original aquando da criação da humanidade, não seria este futebol o seu último propósito.
28. A partir do momento em que uma dada transformação implica um declínio (ao caso, no grau de prazer e espectacularidade de uma modalidade), tal não é passível de ser encarado como uma evolução: mas antes uma lamentável regressão.
29. E não tenham dúvidas: o futebol assume hoje tal dimensão não graças ao que é, mas ao que foi. Enquanto espectáculo. Enquanto prazer. Retirem-lhe isso e será uma questão de tempo até definhar, por muito que tenha evoluído física ou tacticamente.
30. Pessoalmente, não acredito que só joga numa dimensão física e táctica quem sabe: mas antes, quem não sabe mais. Quem não tem os recursos técnicos para superar os do adversário – e, por isso, recorre à táctica e à força. Mas isto sou eu.
31. Se me pedissem uma prova simples e clara para defender o futebol nos termos acima propostos, diria não conhecer nenhum troféu ou táctica que tenham ficado imortalizados na história enquanto “a alegria do povo” (Garrincha).
32. Manuel Cajuda terá dito, um dia, que recebia-se pouco no futebol (português), mas, em contrapartida, divertia-se à brava. Como as coisas mudam.
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Uma noite alemã na vida do Delegado Fagundes
Na véspera do Leverkusen-Benfica o Delegado Fagundes não pregou olho a noite inteira - uma dor que lhe subia pelas costas em jeito de queda de água só que ao contrário, um veneno sangue acima até à ponta da nuca, e outra, em refluxos, que lhe aquecia os órgãos até ao gargantil. Podia ser que as duas picadas - uma, consequência dos pesos brutos que ajudara a carregar até ao balneário do clube (equipamentos, chuteiras, toalhas, um conjunto de chávenas e bules, sacos de desporto, bandeirinhas e uns toros de madeira); outra, quase de certeza uma vingança do próprio corpo ao exagero alcoólico com que a si mesmo se brindara na noite passada. Parecia que as duas dores se tocavam no cocuruto do esférico craniano e ali se deixavam ficar, aos sapateados com o cérebro do pobre Fagundes.
Tudo isto aconteceu numa madrugada longa, noite que nunca acaba, enquanto a esposa ressonava o hino do Benfica, ou o que lhe pareceu o hino do Benfica, nervoso que estava a antecipar o jogo de mais logo. Não sabemos ao certo, e não queremos injustamente suspeitar das maleitas do sujeito, se aqueles lamentos que no dia seguinte acompanharam o pequeno-almoço de ovos e chouriço foram apenas fruto de uma hesitação-ansiedade ou se de facto ocorreram, graves, no corpo de Fagundes. Mas, porque ao relato do próprio tivemos acesso nos dias posteriores, podemos contar a confusão de sentidos que a demência nocturna espalhou pela mente do Delegado.
Foram horas de suplício, atirado para uma contínua escolha de jogadores e tácticas; substituições a meio do encontro; dicas a dar aos atletas; cálculos sobre a temperatura do relvado; o cheiro da grama; se estaria molhada ou seca; as dúvidas sobre o adversário; quem jogaria, quem não; se o bigode do Toni teria o aprumo suficiente para aquela noite de gala.
“É possível que entre com o Kulkov de início, ganho capacidade de ter a bola e agressividade no miolo, mas quero garantir que o jogo não cai num adormecimento de meio-campo, tenho de encontrar uma fonte de contra-ataque, vai o Paneira na ala e o João Pinto fica no apoio ao Yuran. Sim, mais coisa menos coisa é isto”
E - depois de decididas estas e outras, várias, questões técnico-tácticas de superior importância - punha-se a contar com os dedos os onze jogadores que faria alinhar no jogo.
“Então, temos: Neno, Abel Xavier, o Abel deixa-me na dúvida, aparece bem no apoio ao ataque mas tenho medo das investidas alemãs, pronto, então ponho-o mas se notar desequilíbrios tiro-o ao intervalo. Neno (e fechava o punho, só com o mindinho em riste), Abel Xavier, William, Helder, Schwarz…”
A mulher por esta altura atingia em estranhos sons o que lhe parecia clara e inequivocamente ser o refrão: “Seeeeeeeeeer Beeeeeeeeeeenfiquiiiiiiista é ter na alma…” e estragava-lhe a composição do onze – impossível raciocinar de modo metódico quando Luís Piçarra aparecia a interromper a prelecção do raciocínio. Desistia e acompanhava a música, fazendo pequenos compassos com a defesa toda do Benfica a tocar piano na barriga. Primeiro Neno, Helder e Schwarz, ao mesmo tempo, num tocar de jazz, forte e sólido; depois, só William e Abel Xavier, enquanto o dedo do meio se esticava por um bemol mais acentuado.
O sono pesado da esposa encontrava um novo refúgio e os sons acalmavam. Voltavam as dores de Fagundes e as dúvidas existenciais – umas e outras no meio daquele pensamento alucinante e o onze do Benfica que nunca mais se decidia, já estavam os jogadores cansados, sentados num balneário conversando sobre o tempo quando Fagundes finalmente se decidiu, agora mais ríspido e pouco disponível para roncos conjugais e dores provavelmente fictícias.
“Sem mais demoras: Neno, Abel Xavier, William, Helder, Schwarz, Paneira, Kulkov, tenho de ver se de manhã vou comprar o pão e o frango para o jogo dos putos. Três sacas de pão, espero que o Pereira tenha anotado o pedido, este gajo já no dia anterior a irmos jogar ao Tramagal deixou-me na mão, cabrão do bêbado, esquece-se de tudo. O puto Figueiredo tem uma lesão no joelho que não sei se vai dar para entrar de início, se calhar temos de meter o Chico, mas foda-se ficamos sem meio-campo, que o gajo só quer atacar e depois vêm os pais dos outros com as cunhas e os interesses e as ofertas de garrafinhas de medronheira. Qualquer dia cago nisto.”
O Delegado Fagundes, por mais que se compenetrasse, não conseguia finalizar o onze. Eram sempre problemas e assuntos prementes, lógicas e pensamentos que lhe vinham de mansinho naquela noite de dores e insónia. Levantava-se, acendia cigarros, fingia que tinha sede para sair da cama e ia abrir o frigorífico mas não escolhia nada, ficava só a olhar as coisas nas prateleiras frias: três pimentos, um pacote de leite, frango, uma garrafa de coca-cola, três minis Sagres, ketchup, mostarda e massa de pimentão. Queria ter fome para inventar ofícios, mas acabava por se abandonar, uma e outra vez, à cama onde ainda se ouviam gemidos e roncos de um sono que lhe pareciam, estaria louco?, a voz de ave canora do Hino do Benfica.
Deitava-se e olhava o tecto branco. À noite as sombras pintavam-lhe manchas redondas, escuras, que se assemelhavam a jogadores distribuídos por um campo de futebol e ele começava finalmente a regressar ao metódico reflectir de uma táctica ideal.
“Neno, Abel Xavier, William, Helder, Schwarz, Paneira, Kulkov, Rui Costa, Isaías, João Pinto e Yuran”
Ficou com as duas mãos completas e outra que lhe apareceu para confirmar o onze, só com o mindinho outra vez em riste para o tecto branco. Olhou o dedo, estranho e deformado, lembrou-se que era com aquelas mãos e dedos que teria de ir buscar a comida para os putos e guiar a carrinha do clube e lavar os equipamentos e preparar os grelhados para a festa da aldeia e depois, se ainda tivesse tempo, acariciar as mãos da esposa e pedir-lhe, com jeitinho, que cantasse o Hino do Benfica. Não a dormir, mas depois disto:
11 para a nova época
Ederson
Almeida, Lindelof, Garay, Grimaldo
Fejsa
Pizzi, Xavi, Cervi
Jonas, Zivkovic
SUPLENTES
Júlio César
Semedo, Luisão, Jardel, Eliseu
Samaris
Carrillo, Celis, Guedes
Jiménez, Mitroglou
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época 2016/2017
segunda-feira, 4 de julho de 2016
O Rei do jogo interior (ou não fosse transmontano)
Venha quem vier, craques consagrados e menos consagrados, gente com muito potencial, grandes toscos, génios imberbes, atletas experientes, jogadores já prontos e outros queimando etapas, por mim, este joga sempre. O que melhor entende o Jonas e o jogo, o que melhor o jogo e o Jonas entendem. O próprio Vitória, que lê compulsivamente o Ontem vi-te no Estádio da Luz, já o entendeu. Em conversas secretas de balneários muito obscuros, foi apanhado a confessar a um adjunto que com Pizzi no Benfica o Tetra será nosso, dê lá por onde der.
O Rei do jogo interior, o ilusionista das entre-linhas, o cracalhão da verticalidade, o que tem mais coração, o mais criativo, o mais misterioso e indecifrável para os adversários. O que mais quer ganhar, o que tem a Mística transmontana. O melhor jogador do Benfica depois do mágico de Bebedouro.
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Pizzi
domingo, 3 de julho de 2016
Obrigado à Islândia por ter sido a única Selecção que nos devolveu a infância.
Não quero acreditar que, para ganhar o Euro, vamos mesmo ter de ultrapassar um dos eternos candidatos. A máfia uefeira continua a prejudicar-nos.
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França - Islândia
Encher a Luz em TODOS os jogos!
Somos 250.000 sócios, imaginemos que 150.000 pagantes com as quotas em dia. Só na Grande Lisboa, apostaria que temos pelo menos 50.000 sócios desses 150.000. Se metade destes fosse, jogo-sim jogo-não, ao Estádio (ou seja, uma vez por mês, o que significaria 15 euros por mês, nenhuma fortuna), teríamos, com os restantes sócios e adeptos do resto do país, a Luz sempre cheia. Mas imaginemos que só 20.000 sócios da Grande Lisboa vão aos jogos. Seriam os suficientes para encher o estádio, acrescentando a estes os adeptos da Grande Lisboa e os sócios e adeptos do resto do país.
Sabendo da grande adesão dos sócios e adeptos de todo o país (esses, sim, fazem esforços bem mais significativos em termos financeiros), deparamo-nos com um problema real de "sofazismo" entre os que estão mais perto do estádio. E isto, para mim, é inaceitável. Quantos adeptos do Benfica terá a Grande Lisboa (e aqui englobo Lisboa, Sintra, Amadora, Odivelas, Loures, Cascais, Mafra, Oeiras, Vila Franca de Xira e ainda concelhos da Margem Sul mais próximos da cidade)? Vamos dar um número por baixo: 700.000 benfiquistas, entre adeptos e sócios. Bastava que 6 por cento destes fosse ao estádio (ou seja, 42.000 pessoas), para que a Luz estivesse sempre cheia ou quase, já que os outros benfiquistas do resto do país completam os restantes 10000/15000/20000, consoante o adversário e nível de interesse do jogo.
Não quero com isto culpar ninguém nem medir benfiquismos, muito menos ser insensível à situação financeira de muitos benfiquistas, mas pelos dados apresentados apercebemo-nos de que facilmente encheríamos o estádio se todos os que podem quisessem apoiar a equipa. Bastaria que esses 6 por cento (42000) se fossem revezando ao longo do ano. Repare-se: se um benfiquista da Grande Lisboa decidir ir ver o Benfica ao vivo uma vez em 4 meses, teremos o estádio sempre cheio sem grandes gastos pessoais. Um sócio, se for uma vez em 4 meses, gastará 15 euros (3,75/mês); um adepto, se for uma vez em 4 meses, gastará 25 euros (6,25/mês). Excluamos os que não têm dinheiro para dar comida aos filhos e os que, não estando em situação tão delicada, não podem acrescentar mais despesa às contas mensais. Ainda assim, sobra um número suficiente de benfiquistas que podem ir e não vão porque não querem. Esse número chegaria para ter a Luz sempre cheia.
A questão do "sofazismo" tem de ser confrontada com inteligência. Sabendo que com os actuais preços o Estádio deveria estar sempre cheio (pelas razões e números que apresento atrás), parece-me da mais elementar necessidade que os dirigentes do Benfica contrariem estas fracas assistências com medidas que "forcem" os "sofazistas" a ir ver a equipa ao vivo. A redução de preços de bilhetes é uma medida acertada, tal como a redução do preço das quotas (estamos há 4 anos à espera que a promessa eleitoral se cumpra), mas devem ser-lhes acrescentadas outras medidas que favoreçam a paixão clubística e fidelidade. Não importa só levar o adepto "sofazista" uma vez; interessa que, a partir dessa primeira vez, ele queira voltar e sinta que o lugar dele é no Estádio e não no sofá.
Daqui a uns tempos darei algumas medidas simples que podem favorecer esta maior adesão, mas deixo uma primeira ideia: e se um não-sócio pudesse comprar um pack de 5 jogos com 3 deles a preços de sócio e 2 com preços de não-sócio? Não se conquistaria só um adepto para um jogo, dar-se-ia o incentivo suficiente para que esse não-sócio fosse a 5 jogos (ajudando a encher o estádio) ao mesmo tempo que se promovia a fidelidade desse adepto e possível vontade de ser sócio. É uma, há várias ideias. É necessário é que haja inteligência, vontade, respeito pelos adeptos e visão.
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sexta-feira, 1 de julho de 2016
Futebol ofensivo é isto
A importância da troca de bola. Hazard vai à esquerda receber um cruzamento demasiado largo. Cruza por cruzar? Não, volta antes atrás, mete em Nainggolan que se aproxima e lhe devolve a bola, com um passe curto. Hazard vê Witsel na zona central, passa-lhe a bola. Witsel, marcado, vê que não pode progredir, mete em Nainggolan, a dar um apoio a 2 metros dele. Nainggolan volta a passar a Hazard, que se mantém na esquerda, mas mais junto ao bico da área. Vira-se para a baliza galesa, Witsel faz um movimento no meio, a entrar na área, e pede a bola. Hazard neste momento ou mete em Witsel por entre 4 galeses ou usa de outra forma a acção do Witsel que arrastou a equipa galesa toda para dentro da sua área. Usa de outra forma: caminha para o bico da área, fixando o seu marcador e mete em Nainggolan que está agora à frente da área com todo o espaço para rematar. Remata e faz um golão.
Estes "passes curtos para trás e para o lado", que muita gente diz darem sono, quando são feitos com o intuito de criar espaços na procura de ganhar uma situação favorável para atacar a baliza adversária, são os movimentos mais bonitos e mais ofensivos que uma equipa de futebol pode ter. Porque ser ofensivo não é rematar e cruzar de qualquer forma e sem grande possibilidade de ter sucesso. Isto, este golo, estes passes curtos "para trás e para o lado", tinham desde o princípio da jogada um intuito absolutamente ofensivo. Este é o futebol que apaixona.
Estes "passes curtos para trás e para o lado", que muita gente diz darem sono, quando são feitos com o intuito de criar espaços na procura de ganhar uma situação favorável para atacar a baliza adversária, são os movimentos mais bonitos e mais ofensivos que uma equipa de futebol pode ter. Porque ser ofensivo não é rematar e cruzar de qualquer forma e sem grande possibilidade de ter sucesso. Isto, este golo, estes passes curtos "para trás e para o lado", tinham desde o princípio da jogada um intuito absolutamente ofensivo. Este é o futebol que apaixona.
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Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto
1. O resultadismo é uma doença nacional. Uma praga que se alastra por todo o treinador de bancada, jornalista, profissional mister, dirigente, etc e coiso. A análise geral que tem sido feita às prestações de Ronaldo podia servir de resumo perfeito desta doença: quando marcou dois golos contra a Hungria, foi considerado extraordinário e foi logo proclamado que "está de volta o grande Cristiano"; nos restantes 4 jogos, como não marcou golos e falhou alguns, passou a ser "uma vergonha um jogador desta qualidade não ajudar a Seleccao". Ora, eu digo que ontem o nosso herói fez o seu melhor jogo. Estou, aliás, positivamente surpreendido por ver este novo Ronaldo: muito mais dentro do jogo colectivo, a permitir-se ser mais solidário, a potenciar melhor as qualidades dos colegas. Já não procura ser sempre, em cada lance, o protagonista final: percebeu que pode ganhar mais se abrir no colega; pode primeiro fixar 2 adversários para criar o espaço onde outro possa entrar; porque é ele o chamariz, pode servir de engodo; pode vir combinar atrás, dar respiração à equipa. Está numa fase da carreira em que, perdendo o rasgo das alas e diagonais, pode tornar-se num segundo avançado de excelência. Se continuar assim, proporei a Vieira que o contrate para fazer dupla com Jonas.
2. Porque é um portento físico, Renato leva tudo à frente: adversários, bola, árbitro, relvado, oxigénio, até a inteligência. Decide mal, pessimamente. De vez em quando, surpreende e faz algo que nos deixa com esperança de que os seus 18 anos lhe permitam vir a entender o jogo e a elevar o seu futebol a um patamar que não seja apenas o físico, mas logo na jogada a seguir nos mostra que está programado para aquilo e não mais do que aquilo. Eu confesso: estou longe de achar Renato um óptimo jogador. É evidente que tem qualidades e características que agradam e vão permitir-lhe andar algum tempo na ribalta, mas não mais do que isso. Carrega, transporta, varre, marra, invade, força, combate, mas não pensa, logo não joga. Se eu disser que o Ronaldo ontem fez um jogo muito melhor do que o jogo do Renato provavelmente chamam-me louco.
3. Sonhamos e ainda bem. Queremos é ir passando e depois logo se vê. Pragmaticamente, não jogamos nada. Pragmaticamente, temos tido sorte (ela também existe, mais ainda num jogo com todas estas variáveis). Pragmaticamente, quando apanharmos uma equipa com qualidade individual e colectiva acima da média (a Croácia chegava perto disso e por isso foi-nos claramente superior), voltamos para a nossa Baixa da Banheira. Mas isso é o que é provável. No entanto, o Engenheiro que tem fé também tem grande fezada. Um país que consegue produzir um delírio como Fátima claro que pode ganhar um Euro sem ganhar um jogo.
4. 3 minutos. É este o tempo de jogo que tem o mais criativo dos 23 jogadores que foram a França. Numa equipa que joga com anemia, aos soluços, emperrada, a pedir licença ao pé direito para levantar o pé esquerdo, que não encontra soluções para entrar no espaço do adversário, que roda a bola em carrossel pelas linhas e pelos centrais, abdicar de Rafa é uma heresia só entendível pela religiosidade sacrificial de Fernando Santos que, para cumprir o seu grande objectivo - ganhar o Euro sem ganhar um jogo -, não pode meter em campo um tipo que mais cedo ou mais tarde criaria uma situação de golo e de consequente vitória, destruindo assim todo um trabalho de meses.
5. Em não sei quantos livres marcados por Cristiano Ronaldo neste Europeu, o único que causou perigo foi marcado por Raphael Guerreiro para a cabeça de Pepe.
6. Na semana passada, 9 em 10 jornalistas diziam Renato SanCHEZ. Hoje já só 7,5 jornalistas em 10 dizem Renato SanCHEZ. Sigamos o cherne, meus amores. No final do Euro, só pode ficar o Nuno Luz a dizer Renato SanCHEZ.
7. O título desta crónica anti-patriótica é do Mário de Carvalho.
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Parabéns, Sporting!
O Sporting Clube de Portugal faz hoje 110 anos. Um grande clube, com uma História imensa e um contributo essencial para o Desporto em Portugal. É e será sempre o rival do Benfica, mesmo em períodos de poucos sucessos desportivos. Tem a ver com uma rivalidade construída no sangue da sociedade, no seu ADN. Crescemos juntos na mesma cidade, formámo-nos rivais sendo vizinhos e logo levámos ao mundo a eternidade na saudável disputa. O Sporting é um clube que respeito, que merece respeito, que se dá ao respeito (falo do clube e da sua identidade, não de incendiários dirigentes). E eu não quero que mudem a tinta dos matraquilhos. O jogo dos jogos em Portugal é o Benfica-Sporting porque é o jogo entre os dois maiores clubes nacionais. Parabéns, Sporting!
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quinta-feira, 30 de junho de 2016
O crónico cronismo
Compreendo as críticas a capas como a que o A BOLA hoje apresenta, mas não acho que seja essa a razão do declínio. A capa é a capa, é a maquilhagem do jornal, a roupa; o que verdadeiramente interessa é o que é escrito pelos profissionais do ofício e pelos convidados. É precisamente aqui que a pobreza se torna franciscana.
Exceptuando ilustres excepções, os jornais desportivos estão pejados de crónicas pavorosas - textos horríveis, mal escritos, mal pensados, cheios de ódio e clubismo doentio. Onde estão as crónicas que nos iluminam o dia? Por que razão se convidam pessoas apenas por serem "famosas"? Qual é o interesse em acompanhar os delírios de Eduardo Barroso, Sílvio Cervan ou Miguel Sousa Tavares senão pelo facto de estarmos a ler o que escrevem e o que pensam (mal) um cirurgião, um político e um comentador televisivo? Que sentido faz ler uma pessoa apenas porque é famosa? O mediatismo ensina a gostar de futebol, a saber escrever, a apaixonar o leitor?
Tudo aquilo é angustiante porque não tem qualquer valor. Uma sucessão de frases-feitas com críticas idiotas aos árbitros e piadas broncas aos adversários, nada mais. O "meu Sporting", o "Carrega, Benfica", o "Somos Porto" de dezenas de adeptos VIP que espalham a mediocridade pelos jornais, que incitam a maus pensamentos e péssimas acções, que são o espelho mais fiel de uma sociedade corrompida pelos interesses pessoais.
Onde estão as crónicas dos ilustres, daqueles que nos faziam e fazem aprender mais sobre o jogo, gostar mais do jogo, viver mais o jogo? Onde está o brio de um Director que convida a mediocridade para tentar vender mais jornais através do mediatismo do medíocre cronista? Onde estão o Carlos Pinhão, o Assis Pacheco, o Artur Semedo, o Artur Agostinho, o Rui Tovar, o O'Neill, o Cesariny, o Ruy Belo, o Galeano? Isto podia ser tudo um bocadinho mais bonito.
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Memória e nostalgia
É preciso invadir a Polónia com pastéis de nata e cozido à portuguesa. Cheira a uma goleada por 1-0.
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quarta-feira, 29 de junho de 2016
9 letras para Iniesta
Tantas voltas dadas, tanto texto a tentar fixar o que é Iniesta num poema. Será porventura a única forma de agradecimento, esta vontade de devolver através de palavras o tudo que tem sido recebido na última década. É tão impossível a vida, a frase não sai, parece sempre que é pouco mesmo quando conseguimos retratar o herói de alguma forma que não o desconsidera, que o eleva acima da mera linha da vida. E, no entanto, parco. Limitado. Curto. Frágil. Incompleto. Até ler, numa entrevista de 2013 feita a Perarnau, uma daqueles mágicas descobertas. O escritor usa apenas uma palavra, não mais do que isso: 9 letras a pintar o quadro que Andrés Iniesta é quando joga.
Ingrávido.
Leu bem. Ingrávido. Apenas isto: ingrávido. Vamos ajudar o leitor menos atento, vamos abrir o dicionário
"adj. Liviano, ligero. Que no se halla sometido a un campo de gravedad:
en el espacio los astronautas se vuelven ingrávidos."
Andrés Ingrávido Iniesta. Andrés Ingriesta. Andrés Inigrávido. Ingrávido. Assim, simples. Como um astronauta sem campo de gravidade.
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Para que serve a estatística num jogo tão complexo?
Qual será a causa desta histeria pelas estatísticas? Os jornais e os programas de televisão optam tantas vezes por debitar dados estatísticos porque as pessoas acreditam mesmo que isso tem algum interesse ou é porque não sabem abordar o jogo de outra forma? O que é que interessa se a Itália nunca perdeu com a Alemanha? Serão as equipas italianas que nunca perderam com as equipas alemãs as que vão entrar em campo daqui a 3 dias? São os mesmos jogadores? Será o mesmo contexto? Os mesmos momentos de forma? Os mesmos treinadores? Os mesmos modelos?
"Em 1967, um esquilo alemão defecou em cima de um esquilo italiano. Mais tarde, em 1982, um cão de origem italiana mordeu um guaxinim de Dresden. É muito provável que o Alemanha - Itália acabe empatado.". Portugal não perdeu com a França em 2000 porque tinha perdido com a França em 1984 nem perdeu com a França em 2006 porque tinha perdido com a França em 1984 e em 2000. Portugal perdeu com a França em 1984, em 2000 e em 2006 porque os franceses eram melhores. Mas até podiam ser piores e ganhar. E isso nada teria de fatal destino estatístico. Isto é bola, pá, não é uma repartição de finanças.
"Em 1967, um esquilo alemão defecou em cima de um esquilo italiano. Mais tarde, em 1982, um cão de origem italiana mordeu um guaxinim de Dresden. É muito provável que o Alemanha - Itália acabe empatado.". Portugal não perdeu com a França em 2000 porque tinha perdido com a França em 1984 nem perdeu com a França em 2006 porque tinha perdido com a França em 1984 e em 2000. Portugal perdeu com a França em 1984, em 2000 e em 2006 porque os franceses eram melhores. Mas até podiam ser piores e ganhar. E isso nada teria de fatal destino estatístico. Isto é bola, pá, não é uma repartição de finanças.
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terça-feira, 28 de junho de 2016
O Hino do Benfica
Há cerca de 2 anos, com o intuito de que os mais novos conhecessem a História do clube, dei a ideia de recuperar o Hino do Benfica - "Avante, avante p'lo Benfica" - com um arranjo mais moderno do Maestro Victorino d'Almeida que pudesse passar no Estádio da Luz para todas as gerações cantarem. A AABE naquela altura tinha vários projectos em marcha e o assunto ficou adiado.
Hoje vejo na TVI o Presidente Vieira a falar no Hino e o querido Maestro a dissertar sobre ele. Aproveitem e sigam a ideia inicial. Queremos a Luz a cantar Avante, Avante p'lo Benfica!
"Todos por um!" eis a divisa,
Do velho Clube Campeão,
Que um nobre esforço imortaliza,
Em gloriosa tradição.
Olhando altivo o seu passado,
Pode ter fé no seu futuro.
Pois conservou imaculado
Um ideal sincero e puro.
Avante, avante p'lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!
Olhemos fitos essa Águia altiva,
Essa Águia heráldica e suprema,
Padrão da raça ardente e viva,
Erguendo ao alto o nosso emblema!
Com sacrifício e devoção
Com decisão serena e calma,
Dêmos-lhe o nosso coração!
Dêmos-lhe a fé, a alma!
Hoje vejo na TVI o Presidente Vieira a falar no Hino e o querido Maestro a dissertar sobre ele. Aproveitem e sigam a ideia inicial. Queremos a Luz a cantar Avante, Avante p'lo Benfica!
"Todos por um!" eis a divisa,
Do velho Clube Campeão,
Que um nobre esforço imortaliza,
Em gloriosa tradição.
Olhando altivo o seu passado,
Pode ter fé no seu futuro.
Pois conservou imaculado
Um ideal sincero e puro.
Avante, avante p'lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!
Olhemos fitos essa Águia altiva,
Essa Águia heráldica e suprema,
Padrão da raça ardente e viva,
Erguendo ao alto o nosso emblema!
Com sacrifício e devoção
Com decisão serena e calma,
Dêmos-lhe o nosso coração!
Dêmos-lhe a fé, a alma!
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AABE,
Avante p´lo Benfica,
Maestro Vitorino d´Almeida
Eu tenho um sonho e não desisto dele
Renato SanCHES. Não é Sanchez, é SanCHES. Vá lá, não custa nada, tenham respeito pelo nome do rapaz, não desconsiderem a nossa língua. Qualquer sinal de trânsito consegue dizer SanCHES. Repitam ao espelho: San-CHES. SancheS.
SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES. SanCHES.
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Renato Sanches
Desta imagem de heróis, dois já foram vendidos; convinha manter todos os outros. O Tricampeão voltou.
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Pré-época 2016/2017
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Continuamos a saga de meter dentro do nosso clube gente ligada aos rivais ou a políticos pouco sérios.
"Luís Bernardo, ex-consultor do Sporting, sucede a João Gabriel. Luís Bernardo é o novo diretor de comunicação do Benfica, sucedendo no cargo a João Gabriel. Bernardo foi jornalista e antigo assessor de António Guterres e José Sócrates quando este era primeiro-ministro. Luís Bernardo é dono da empresa de comunicação WL Partners, empresa especializada em relações com a comunicação social e gestão de crises, e que ajudou na reestruturação da comunicação do Sporting, tendo sido consultor de Bruno de Carvalho."
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