quarta-feira, 7 de abril de 2010

Messi

Adoro ver jogar o Messi. Aliás, gostava de saber jogar o que ele joga. Não para ter um grande salário, não para ser rico e famoso ou mesmo para coleccionar títulos. Nada disso. Queria saber só por saber, só para conhecer a sensação de jogar o jogo daquela maneira! É fantástico ver aquele futebol; deve ser do outro mundo vivê-lo na primeira pessoa...

Benfica

Formidável!
Espantoso!
Desde os tempos de Mourinho que me debato com a questão da sorte, da felicidade e outros pózinhos que certos treinadores parecem saber manejar com mestria, jogo após jogo.
É como quiserem ver a coisa: fezada do caraças ou equipa do caraças! Eu inclino-me para a segunda.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Tunelizar por aí...

Portanto, túnel para cá, túnel para lá e o culpado disto tudo - pelo menos a ajuizar por aquilo que sportinguistas, portistas e bracarenses dizem - é o... Benfica.
Hulk e Sapunaru agrediram stewards. Outros jogadores do Porto também, esses sem quaisquer sanções (foram só festinhas, estou em crer). Culpa disto? Do Benfica, porque pôs lá esses elementos maldosos para provocarem os jogadores do Porto que, coitadinhos, vindos de derrota, tinham de descarregar a sua fúria em alguém. Ainda por cima alguém que nem sequer é um "elemento desportivo". Compreende-se, claro.
Hulk e Sapunaru, não fosse esta medida injusta de, primeiro, os suspender e, depois, os castigar, tinham seguramente sido os melhores jogadores deste campeonato. Nem quero pensar na quantidade de golos e de passes geniais que Hulk teria feito - neste momento, o Porto lideraria isolado, com mais de 100 golos marcados no campeonato. Sapunaru, esse, seria o rei das assistências e um forte quase indestrutível naquela demoníaca ala direita do Porto.
Retiraram-nos dos relvados? Culpem o Benfica, que só assim é que consegue lutar pelo campeonato. De outra maneira, aquele futebolzinho encarnado andaria já a 11 pontos do grande Porto de Hulk e Sapunaru, levaria 3 na final da Taça da Liga do grande Porto de Hulk e Sapunaru e, na Europa, tudo o que fosse menos de 5 do Marselha seria pouco. Assim, sem os grandes Hulk e Sapunaru nos relvados portugueses, este benfiquinha tem feito umas coisas. Mas não esqueçamos o fundamental: os túneis, senhores, os túneis!
Mas... "túneis? então não era só um?"
Não, há ainda outro, o de Braga. Onde jogadores do Braga agrediram o Cardozo e foram castigados (onde é que já se viu um jogador agredir outro e ser castigado? Só mesmo nesta Liga!). Além da expulsão ao Cardozo. Mas porquê? Ora, porque foi agredido, está bem de ver! Agredido, logo... expulso e castigado.
Mas, afinal, de quem é a culpa? Imagino que por esta altura já saibam a resposta.
É preciso ser muito grande (e, já agora, jogar muito futebol) para aturar esta porcaria (eufemismo a merda, esterco, hipocrisia, nojice, etc). VIVA O BENFICA, o MAIOR DE PORTUGAL!

domingo, 7 de março de 2010

Gosto, gosto tanto!

Benfica!

A infindável horda de fãs que me aborda na rua quando me reconhece como colaborador do Ontem Vi-te repete quase sempre o mesmo reparo, ainda que adocicado pela natural e melosa veneração que a minha presença impõe:


“Só escrevias quando o Benfica andava mal, agora que ganha andas caladinho!”


Bom, esta afirmação não podia andar mais longe da verdade, mas nestas coisas não basta ser, há que parecer.


Este cangalho de introdução para quê? Para desbridar o post numa ode benfiquista, a chicotadas de mea culpa.

Eu ainda tenho para mim que o presidente perfeito é um tanto ou quanto mais elevado que o nosso LFV. Mais, a construção desta equipa mostra o quanto inapto foi o mesmo LFV quando assumiu esse papel.

No entanto, aprendi uma grande lição nestes últimos anos, e em particular nesta última campanha. Mais vale um clube endividado que um clube frígido. Sendo que, a par das lides futebolísticas, as direcções de LFV têm sempre laborado em tornar o Benfica numa exponencialmente mais eficaz máquina de fazer dinheiro, acho que compensou o risco que se correu nas duas últimas épocas, com brutais investimentos. Basta olhar para o Sporting para constatar que a ponderação e razão, no futebol, andam de mãos dadas com o divórcio dos adeptos e o consequente arrefecimento da força do clube. O mais interessante é que o objectivo é alcançado independentemente de vir a ser campeão; neste momento a aposta já foi ganha!


É claro que se trata apenas de uma batalha vencida. Nem vou começar por enunciar as inúmeras batalhas que se travarão para perpetrar o salto de gigante de transformar um ano fugaz num verdadeiro ciclo de domínio, tal como aqueles que o Benfica já gozou no passado, ou que eu, percorrendo as minhas recordações, só assisti vindos do Norte.


Mas agora pouco me importa o futuro. Quero desfrutar deste presente tão inusitadamente saboroso, um deleite raro na vinha vida de adepto e que espero venha para ficar. E isto tudo devo a uma surpreendentemente sábia aposta de LFV no que me chegou a parecer (não foi?) uma simples fuga para a frente. E claro, não esquecer, o papel diferenciador de Rui Costa, a sua primazia na qualidade, fazendo aquilo que tantos impostores me prometeram mas que apenas por outra vez vi acontecer no Benfica: construir uma equipa!


Epá, vamos lá malta,

Força Benfica! Força, força, força Beeeenfiiiiiiiiiiiiiiiica!!!!!!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tiger Woods ainda virá proclamar ser contra o adultério ou Cicciolina vociferará contra essa coisa chamada... sexo

O Tonel foi chamado à Selecção. Só este facto bastaria para chamar a este ano o ano dos episódios lunáticos. Mas há mais. Muito, muito mais. Ora vejamos: o Benfica joga não bem mas de forma soberba, o que constitui logo algo de surpreendente, diria mesmo: de miraculoso. E não só joga que se desunha como ainda goleia jogo sim jogo não, como se fosse fácil. E é. Mas há mais: o Sporting luta pelo quarto lugar. O Porto não está em primeiro. O Braga luta pelo título. O Benfica tem o melhor marcador do campeonato. O Benfica tem a melhor média de golos sofridos da Europa. O Benfica tem a segunda melhor média de golos marcados da Europa. O Benfica está em primeiro em Março (!). O Jorge Jesus não dá pontapés na gramática a cada palavra que lhe sai da boca. O Dí Maria está transformado num super jogador. O Fábio Coentrão é um lateral esquerdo de luxo. O Benfica vai ser campeão.


É um ano de episódios lunáticos. Mas no top dos acontecimentos surreais desta época, no top dos tops do campeonato nacional, da Europa, do Mundo!, está este acontecimento sublime:









Se pensam em superar isto, aconselho-vos o Miguel Bombarda. Não há forma de ganhar aos Super Dragões. Parabéns para eles. São os campeões do insólito.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A nossa corrupção chama-se... futebol.

O país estava tão habituado a ver um Benfica moribundo que não sabe, não quer, não pode aceitar um Benfica maravilhoso. Até os próprios benfiquistas se questionam sobre a realidade: "Será possível estarmos a meio de Fevereiro a liderar o campeonato, numa final e ainda em prova nas competições europeias, com óbvias possibilidades de os vencermos?". Confesso que é surpreendente, mágico, quase alucinogénico e que, lá no fundinho, reside um medo do síndrome Peseiro: a um passo de tudo, com nada nas mãos.
Os últimos jogos têm revelado uma equipa com alguns jogadores a perderem gás, os adversários a conseguirem mais facilmente neutralizar aquele arrastão futebolístico que no início da época devorava e assaltava qualquer defesa e, este para mim o maior perigo, já está em marcha, numa coligação Braga-Porto, a tentativa de passar a ideia que o Benfica tem sido "levado ao colo", numa sequela ainda mais ridícula que a de 2004-2005. É um facto: a possibilidade de o Benfica ganhar o campeonato não deixa ninguém indiferente; uns, nós, por antevermos já a loucura épica, o desvario, o caos e a desordem morrisoniana de um país em loucura geral se chegarmos À 30ª jornada em primeiro; outros, eles, por lhes doer tanto na alma essa possibilidade que nada mais lhes resta do que apontar supostos favorecimentos, na ineficaz tentativa de esconderem os seus próprios erros e as suas (ainda) visões do passado (Bruno Alves queixa-se, e com razão: "a arbitragem não nos tem favorecido". Estou com Bruno Alves: realmente é estranho a arbitragem não favorecer o Porto. Eu, quando vejo futebol português, não espero outra coisa).
É por isso fundamental não nos desviarmos do caminho. Irmos deixando pedacinhos de pão pelo chão para não nos perdermos. E seguirmos. Seguirmos em frente. Porque o Aimar merece, porque o país merece, porque nós merecemos. Porque temos sido melhores, mais espectaculares e porque será a melhor prova de que um Benfica forte não tem de estar preocupado com a nomeação do árbitro para o próximo jogo.
Sermos campeões e dizermos "a arbitragem não nos tem favorecido" porque isso para nós é normal. O que nos tem favorecido tem sido o excelente futebol que temos praticado.
Corrompermos o sistema com espectáculo. A nossa corrupção chama-se futebol.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

BENFICA 2009/2010 (em todas as competições)

JOGADOR - GOLOS / ASSISTÊNCIAS (TOTAIS)

CARDOZO - 22/7 (29)
SAVIOLA - 18/7 (25)
NUNO GOMES - 4/3 (7)
WELDON - 2/0 (2)
AIMAR - 2/7 (9)
C. MARTINS - 6/4 (10)
DI MARÍA - 4/10 (14)
COENTRÃO - 3/8 (11)
RAMIRES - 5/0 (5)
RUBEN AMORIM - 1/0 (1)
JAVI GARCÍA - 3/1 (4)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Quando um homem tem tantos golos como toda a equipa do 6º classificado

Ele não ri muito e quando ri parece em esforço, não corre muito e quando corre parece em sacrifício, não fala muito ("pienso qué...") e quando fala parece que tem medo que as palavras o traiam.

Mas ele marca golos. De todas as formas. De qualquer lado. A qualquer momento. Marca isolado frente a uma baliza deserta como marca depois de uma triangulação, vindo de um cruzamento, de uma corrida a meio gás, de um pontapé de instinto, de um ressalto, de uma assistência sublime de Saviola, de uma bola aos tropeções. Ele está lá.

Paraguaiolo.

sábado, 28 de novembro de 2009

A oportunidade da década

Não quero com isto dizer que vamos ganhar, embora seja o meu desejo.
Mas é bom que se diga que esta é a oportunidade da década de golear os lagartos.
Grande oportunidade! No trabalho apostei um almoço em como ganhávamos 1-6. Mais do que fé, é um desejo...
Sabia tão bem!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

sometimes you´ll walk alone

Da euforia à depressão, uma viagem tantas e tantas vezes feita pelos benfiquistas, bipolares crónicos. Se a equipa vence, sobem montanhas atrás dela; se vence, goleia e joga um futebol de sonho, ganham asas e voam com ela; se perde, atiram-lhe pedras e abandonam-na numa esquina qualquer.
A derrota em Braga veio avisar os benfiquistas (desavisados) de que não há, nem nunca houve, uma equipa invencível capaz de golear consecutivamente durante todo o campeonato. A derrota em Braga veio lembrar os desavisados de que, mesmo jogando bem (e o Benfica fê-lo), nem sempre será possível, por esta ou aquela razão, vencer. Esta é uma lição que se espera bem aprendida por todos, começando nos jogadores - aliás, espera-se não só o seu entendimento como a capacidade de encaixe, porque uma equipa não pode ir abaixo mentalmente por perder um jogo; ou, pelo menos, uma grande equipa, como é hoje a equipa do Benfica.
A maioria dos adeptos dará nova hipótese de voo aos jogadores mas haverá quem já tenha o assobio guardado para qualquer eventualidade. Mais um ou dois jogos sem pontuar e Jesus perderá o estado de graça em que se viu inundado.

E é por isso que amanhã, em Liverpool, eu só espero uma vitória categórica. Pelo Benfica europeu mas, sobretudo, pelo Benfica campeão nacional 2009/2010.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Orgásmico!

“Com o Everton é que vai ser mais a sério…” “Não, agora com o Nacional é que vamos ter um teste real…” Acreditem, não é o momento, não é sorte, não é conjugação de factores cósmicos. O Benfica joga mesmo muito, a sério! Eu próprio estava descrente, não queria acreditar, era bom demais para ser verdade, mas estou rendido. Ninguém pára o Benfica! As goleadas podem até deixar de ser tão frequentes, é certo. Podemos perder uns pontinhos por aí, o que já duvido um pouco. Mas o inegável é que esta equipa tem um querer, um alento, uma áurea especial… E depois, claro, tem 50 mil nas bancadas a delirar, a não acreditarem no que os seus olhos vêem, a ficarem emocionados, a exteriorizarem um benfiquismo tantas vezes adormecido, mas que agora saí à rua sorridente, confiante, sem fantasmas.
Obrigado por me terem devolvido o Benfica!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Festival!

O ano passado via os jogos do Barcelona e com uma pontinha de inveja pensava "Será que algum dia terei o prazer de ir à Luz e deleitar-me com futebol deste nível"?
Não sei quanto tempo mais vai durar, mas neste momento não sinto inveja de nenhum outro adepto do mundo...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Podem vir algumas derrotas, certamente que se irão cometer erros, mas para já só posso agradecer a todos, desde LFV, passando por Rui Costa, Jesus, os jogadores, e todos os elementos ligados ao futebol, terem voltado a devolver a honra e a glória ao MANTO SAGRADO!!!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O clube dos jornalistas

Já se sabe que em matéria de futebol toda a gente tem uma opinião. Pode ser mal fundamentada, mentirosa, credível, inteligente ou apenas um "isto assim não vai lá", mas toda a gente, sem excepção, diz o que quer, quando quer, como quer e ainda bem que assim é - não faria sentido a exigência de um mestrado sempre que alguém se decidisse a opinar sobre uma bola.
Mas, se a esta liberdade tecemos loas, a verdade é que não podemos deixar passar em claro a eterna fuga de opinião (ou semi-opinião) que os jornalistas desportivos a toda a hora cumprem. Escudando-se sob a camuflagem do direito da escolha pessoal, estes, questionados sobre a sua preferência clubística, preferem responder que são do Amiais de Baixo ou do Merelinese, dizendo em tom jocoso ser o "clube lá da terra". Ora, se a preferência por emblemas que militam pelos distritais do nosso futebol não deixa de ser louvável, visto que revela neles uma aguçada e extremamente criteriosa sensibilidade pelos mais precários clubes, causa alguma estranheza que, num universo de, digamos, 50 jornalistas que têm funções de destaque, nenhum sofra por um dos três grandes do futebol nacional. Há-de ser, quero acreditar, uma coincidência cósmica, uma improbabilidade estatística no país onde a estatística nem sempre bate certo. E, sendo assim, causa ainda mais incredulidade que o Merelinense, tendo em conta o seu grupo de apoio, não ganhe consecutivamente 10 campeonatos nacionais da primeira Liga.
Esta atitude, normalmente associada a um "jornalismo independente e imparcial", mais não é do que a repercussão equívoca de um país cujas fronteiras da independência moral e individual ainda não foram totalmente transpostas. É que pode parecer um assunto insignificante mas, a nosso ver, é um dos obstáculos à transparência exigível nos meandros da bola para a frente. Custaria assim tanto a um jornalista assumir-se benfiquista, sportinguista ou portista? E, se o fizesse, teria forçosamente a sua carreira em risco? Não me parece.
Casos há em que o clubismo é conhecido e nem por isso a objectividade e o profissionalismo são postos em causa por quem os lê, vê ou ouve. Dou como exemplo Fernando Correia, um jornalista inequestionavelmente talentoso, sério e, dentro das suas funções, imparcial. É sportinguista, assume-o e eu gosto disso. Com essa sua escolha, evitou que todas as semanas a sua clubite, aos olhos do público, mudasse, consoante uns e outros olhos o vissem. Mostra-se tal como é, diz ao que vem e, dito isso, deixa espaço para o mais importante: a sua função de jornalista. Não diz que é do Alandroal ou do Nelas, não se esconde sob a capa do "homem que dedicou a sua carreira ao futebol mas, estranhamente, não tem clube". Será assim tão impossível que outros lhe sigam as pisadas?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

I miss you already, i miss you all day

O futebol português está virado de pernas para o ar: umbrasileiro do Sporting marcou pela Selecção no Estádio da Luz e foi aplaudido; o seleccionador português entra em campo e é assobiado; o Ronaldo, depois de uma monumental caralhada há uns anos (e consequente monumental assobiadela recebida), sai sob um caloroso aplauso; o Liedson beijou as quinas na camisola; o Simão não festejou um golo marcado no Estádio da Luz; o Ronaldo saiu de campo aos 20 minutos de jogo e não reclamou.
A lista é interminável. Mas o mais estranho disto tudo é não vermos uma goleada do Benfica há um porradão de tempo. Há exactamente 9 dias. Calculo que, não jogando, seja de todo impossível golear mas, ainda assim, essa merda deixa-me deveras chateado.

sábado, 19 de setembro de 2009

Venho aqui dizer que não tenho nada a dizer.

Com o início de época, os benfiquistas partiram-se em vários grupos opinantes (os que-já-sabiam-que-o-Jesus-era-o-maior-e-esperam-goleadas-todas-as-semanas, os muito-surpresos-mas-optimistas, os prudentó-optimistas, os assim-assim, os que-estam-à-espero-do-regresso-à-normalidade, os que-esperam-o-cataclismo-final, etc...). Não sei onde me inserir. Nem sequer sei bem o que sentir.
A minha vida de adepto benfiquista está, infelizmente, manchada por constantes e tortuosos falhanços do clube nos momentos cruciais, às vezes antes. Por isso, precisarei de vários anos a ganhar regularmente para acreditar sem desconfiar.
Estou naquela fase em que, se por estapafúrdio lógico o plantel e equipa técnica fossem trocados com os do Barcelona, eu ainda estaria aqui com receio do futuro e com dúvidas em torno da capacidade de Messi manter um rendimento constante, ou de Iniesta desequilibrar num jogo contra o Porto. Eu sei que não tem sentido, mas são muitos traumas no lombo, é mesmo assim.
Mas também não quero estar aqui a ignorar todos os sinais positivos. Um gajo não se deixar contagiar por aquela vibração feita de esperança, que anima um adepto ainda longe do campeonato estar garantido, é como comer um robalo de mar no Furnas do Guincho com uma mola no nariz e só a tirar para a última garfada. É uma boçalidade do tamanho do défice do Sporting e tira a graça (quase) toda à coisa.
...e eu não quero ser boçal. Não quero correr o risco de sermos campeões e eu ter passado o campeonato todo de máscara cirúrgica anti-euforia nas fuças e a lavar as mãos com desinfectante depois de cada goleada.
Os sinais de melhoria estão aí. Vocês já os conhecem e caso contrário, há aí gente melhor habilitada para vos elucidar! A extensão dessas melhorias, duvido que alguém saiba, pois até Deus, se existisse, andaria aparvalhado com a deslobotomia que fizeram ao Di Maria, ou mesmo ao Coentrão, tentado pela diabólica fantasia de Aimar, incrédulo com a força de veludo do Queniano, ou mesmo invejoso da omnipresença de Javi Garcia…
Pronto! Calma...Calma que um campeão não se faz assim. Não é num ano, é preciso estabilidade, estrutura...ainda há-de chegar uma batalha ingrata onde havemos de perder estes sebastiões todos…
O que é que eu estou para aqui a dizer? Nada! Eu nada! Não tenho nada a dizer; vão jogando, vão jogando...que estarei a torcer - e já agora, porque não - a acreditar!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sublime 2

Obrigado a todos os intervenientes que me proporcionaram um final de tarde de pleno deleite em Belém...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Dou-te oito doces em troca de um melão salgado

Do jogo, já quase tudo foi dito. Uma viagem grátis e fabulosa ao Benfica, com direito a hotel de 8 estrelas e visita guiada a um futebol desarmante, explosivo e louco. Obrigado.

Quero destacar 4 momentos da noite:

- Aimar, com o Setúbal em posse de bola à saída da sua área, antecipa um erro de um jogador setubalense e, sempre em velocidade e voltado para a baliza, ganha a bola, fá-la voar sobre o último adversário, recebe-a na coxa, depois ampara-a no pé como veludo e, à saída do guarda-redes, um toque ligeiro devolvendo a bola à sua pátria, a baliza. Aimaravilhoso.

- No mesmo lance, Saviola, que assistia a tudo não como jogador mas como adepto - como se apenas ali estivesse porque pagou bilhete mais caro, para a zona do relvado -, vendo o seu espaço, que era de fora-de-jogo, invadido pelo tsunami aimaresco, recusou o brinde e abriu alas ao protagonista. Saviolúcido.

- Saviola, em momento de delírio, finta 3 jogadores como fintava há uns anos as crianças do bairro argentino onde vivia e, de frente para o guarda-redes, decide rematar em vez de passar a bola a dois jogadores isolados. Má opção, porque o golo estaria sempre mais perto através do passe e não do remate. Mas quantos de nós, em peladinhas, depois de deixarmos 3 gajos para trás, passamos a bola? Há na vertigem da jogada perfeita o dilúvio do egoísmo. E, estando já 6 bolas no saco, aceitamos a teimosia, Javier. Da próxima, passa a bola.

- Jorge Jesus, a ganhar por 6-0, via-se no banco como que enfurecido, exigente, louco, sedento de golos, mais golos, de jogadas de ataque, de futebol. Começa no treinador a impressão digital da equipa. Quando, dentro de campo, a ganharem por 6 ou 7, os jogadores vêem o seu técnico na linha lateral a barafustar e a exigir mais, fica mais fácil a uma equipa tornar-se melhor. E este Benfica é-o, de facto. Muito pela qualidade dos jogadores que tem, evidentemente, mas inequivocamente pela qualidade do treinador que tem. E isso, para alguns que faziam a análise não ao seu trabalho mas à sua gramática, espero que esteja a ser um bom sapo de engolir. Ou oito sapos, se quiserem.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sublime!

Obrigado a todos os intervenientes que me proporcionaram uma noite de pleno deleite na Catedral...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Da parvoíce sem fim

Entre ódios ao cabelo do novo técnico - escondendo uma aversão de grau maior e que se caracteriza facilmente por uma aversão a treinadores feios e portugueses no comando do clube - e a usual desculpabilização com as arbitragens, uma parte dos benfiquistas já decidiu, após o empate à primeira (!) jornada, que este campeonato já era. Não temos hipóteses nenhumas, o Benfica assim fica em 10º lugar. Resta-nos suspirar por algo de inequivocamente divino, capaz de levar a equipa a um delírio futebolístico, um milagre, que permita uma época acima das nossas possibilidades e, assim, quem sabe, talvez consigamos uma qualificação para uma taça europeia no próximo ano.

Face a isto, a esta análise extremamente rigorosa, competente, séria e de uma inteligência sem par, nós, os crentes na qualidade do plantel e da equipa técnica, devemos falar baixo e evitar as frases reveladoras de burrice e optimismo exacerbado tais como: "apesar do empate, esta equipa mostrou em campo que tem qualidade mais do que suficiente para lutar pelo campeonato até ao fim" ou "o Benfica mereceu ganhar o jogo; não o ganhou, é certo, mas, do ponto de vista da evolução do jogo encarnado, estamos certos de que vimos trilhando o carreiro do sucesso e do bom futebol" ou ainda "talvez seja cedo para, na primeira jornada, e tendo nós tido uma avalanche de oportunidades de golo, deitarmos a inteligência ao chão".

Meus caros, não sejam burros. Com este pindérico ao leme, nem à Europa vamos. Despeça-se quanto antes o pária.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Déja Vú...

Ontem lá fui com a minha Maria à bola e saí de lá fodido com o empate. Passei o dia a pensar nisso, a lamentar os erros, em grandes disucssões com muitos benfiquistas, até que finalmente um me fez rir com um comentário em tom jocoso, mas muito certeiro, sobre o nosso Benfica. Uma vénia ao Elvecchio do SerBenfiquista:

"1 - Ainda durante o reinado de Quique Flores tentámos a contratação do GR titular da selecção argentina. Depois veio Jorge Jesus e abandonámos a ideia. Não entendo.
2 - Na pré época o "mestre da táctica" quis ver em acção os guarda redes do Benfica. Se conhece assim tão bem o futebol português não devia ser preciso. Mais estranho ainda é ter concedido a titularidade ao GR que mais golos sofreu na pré-época. Não entendo.
3 - Não vi erros defensivos suficientes do Shaffer que justificassem o seu afastamento do onze inicial. Curiosamente JJ colocou reservas aos dois jogadores contratados antes da sua chegada. Não entendo.
4 - Patric não serve. Certo! E Luis Filipe serve? Não entendo.
5 - Dispensa-se Sepsi e Ruben Lima sem assegurarmos primeiro um jogador para essa posição. O escolhido é Cesar Peixoto. Não entendo.
6 - Gasta-se 7 milhões num trinco. E depois não ha mais dinheiro para outras posições carenciadas. Não entendo.
7 - JJ concorda com 2 anos de renovação do capitão. Depois chegam Saviola, Keirrison e Weldon para juntar a Cardozo e Mantorras num total de 6 avançados. Não entendo.
8 - Escolhe-se o losango como modelo de jogo que implica laterais ofensivos para destruir os autocarros colocados á frente das balizas. Depois deixa-se Shaffer no banco para jogar David Luiz. Não entendo.
9 - Cardozo é o homem ideal para rebentar com as defesas compactas. Passa o jogo todo sentado numa cadeira e é Weldon quem abana com a defesa contrária e nos permite chegar ao golo. Não devia ser ao contrário? Não entendo.
10 - Fabio Coentrão jogou sempre bem em todos os jogos da pré-época. A titularidade no entanto é concedida a Di Maria que ainda ha bocado passou aqui em frente a minha secretária a fintar com os cornos enfiados no chão ... Não entendo.
11 - A equipa terá de jogar o dobro e depois de ter assumido que estava surpreendido pelos indices de qualidade apresentados nesta altura da época, a equipa entra a passo e com a mesma atitude dos anos anteriores. Não entendo.

Resumindo: Quem não consegue entender 11 coisas no futebol (Tantas quantos os jogadores da equipa) o melhor que tem a fazer é pedir pra cagar e sair que é que vou fazer!

domingo, 2 de agosto de 2009

Love is in the air 2

Confirma-se, a jogar assim Jesus no final da época será promovido a Deus.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Love is in the air?

Quem me conhece da blogosfera, ou até dos poucos posts publicados aqui sabe que sou daqueles benfiquistas fanáticos, mas ao mesmo tempo extremamente críticos, algo que já me valeu insultos de muitos artistas por aí. E apesar de continuar a achar que LFV já devia ter ido à vida dele, de ter sérias dúvidas sobre a capacidade de Rui Costa como Director Desportivo, de achar que Jesus poderá vacilar perante a exigência do cargo, e de muitas outras dúvidas que tantos anos de desgraça me fazem ter todos os anos, há algo de diferente no ar nesta pré-época, tenho visto neste Benfica uma atitude que não via anteriormente. Não sei se é o voltar da mística, se é estofo de campeão, ou se é apenas resultado das tremendas pissadas que Jesus lhes deve andar a dar, mas parece-me que podemos ter uma época de 2009-2010 cheia de alegrias. Espero sinceramente que o mês de mercado que falta não vá levar nenhum destes jogadores, porque a equipa parece-me ter tudo o que é necessário para vencer. E eu apesar de ter chegado mais uma vez ao fim da época completamente desapontado, não resisti a renovar os meus 2 cativos, razão pela qual lá estarei a levar os meninos ao colo até ao título.

FORÇA RAPAZES, DEVOLVAM A GLÓRIA AO MAIOR CLUBE DO MUNDO!!!

domingo, 19 de julho de 2009

Previsões (venham de lá esses euros, se os tiverem no sítio)

Vivemos tempos estranhos. Parece que agora um jogador de 27 anos é um velho em final de carreira, acabado para o futebol. Mesmo quando passou 7 ou 8 dos 9 anos da sua (longa?) carreira a marcar golos de todas as maneiras e a dar outros de maneiras várias. Mesmo quando esse jogador, o tal velho perigosamente a caminho dos 28, se mostrou ser um privilegiado para a arte de afagar a redondinha. Mesmo quando, de velho, só tem em si a cultura ancestral dos que nascem com jeito para o futebol. Porque é disso, ou desse, que se trata: capacidade intrínseca - muito além do treino e da procura por rotinar movimentos ao longo da sua carreira - para pensar o jogo e executar mais rápido que os outros, os normais ou medíocres.
Este ano poderemos ver pelos campos portugueses um jogador que, há um ano atrás, seria uma miragem para qualquer um dos clubes que disputam o principal campeonato do nosso país. Um ano depois, é, para alguns mentecaptos, um velho em final de carreira. Este ano poderemos ver, isso sim, um jogador experiente, a meio da sua viagem pelos campos de futebol, mostrar aos que nunca o entenderam (a ele e ao próprio desporto) que velhos são os que procuram, a cada momento e conforme as situações e desesperos, a crítica acéfala e pouco fundamentada.
Previsão para a época de Javier Saviola em 2009/2010: no mínimo, fará 10 golos e 10 assistências. No mínimo.
Aos que vêem nesta previsão uma demência própria de benfiquista boçal estupidamente esperançado com mais uma promessa de pré-época, proponho que se cheguem à frente. E com dinheiro envolvido. Que é para que a opinião, à míngua de fundamento, tenha, pelo menos, a possibilidade de ser totalmente desfeita. E com um preço.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pandemia

Existe uma pandemia sazonal, para além da gripe A, que anda a contagiar o pessoal. Não há razões para alarme. Acontece todos os anos e não causa vítimas mortais. É a gripe Benfica H09N10, numa nova estirpe que surge neste defeso e que está associada a falta de memória desportiva e tem a sua origem, essencialmente, em tridentes atacantes fantasistas oriundos da América Latina. É uma doença divertida; deixe-se contagiar – se quiser eu espirro-lhe para cima – eu já apanhei o bichito!

O principal veículo de contágio são os jornais e as suas capas infecciosas. Lançam frases acutilantes como quem cospe perdigotos, com consequências letais. Dou exemplos:

Capa da bola de ontem:

“JESUS NÃO LHES DÁ DESCANSO”

“Treinador vive e pensa o futebol 24 horas por dia”

“Palestras convocadas à última hora e em momentos inesperados”

“Exercícios repetidos até à exaustão”

Estas frases são um atentado sanitário, e têm uma consequência devastadora no adepto Benfiquista. Em linguagem benfiquista, esta é praticamente a descrição de uma orgia. Aliás, a conotação sexual é evidente: “não lhes dá descanso”, “24 horas por dia”, “à última hora e em momentos inesperados”, “repetidos até à exaustão”!

E pronto, lá fica o Benfiquista todo excitado, com uma grande fezada em gloriosas e fartas pinadelas (leia-se vitórias) com muitos golos.

Vamos embora! Viva o Benfica!! Aaattchimmm....

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Não, não somos uma família...

Este texto começou por ser um comentário ao pertinentíssimo texto do Ricardo, com o qual concordo plenamente, mas achei que a coisa ganhava mais amplitude se saltasse para fora da caixa de comentários. Foi interessante a intensa troca de ideias que o Sr. Joseph Lemos desencadeou na dita caixa.

De facto, penso que todos os que aqui escrevem, bem como os que vociferam apaixonadamente por cafés e tascos deste país, gostariam de pertencer a esta maravilhosa irmandade: “Uma verdadeira família é una e indivisível e a manutenção desta harmonia só se consegue com a discussão e resolução dos seus problemas no interior do seu próprio seio”. Seria um privilégio. Eu próprio gostaria de ter participado naquele jantar onde LFV convenceu os órgão sociais a demitirem-se em bloco, provocando eleições antecipadas. Gostaria de ter debatido com ele a minha concepção de comportamento e ética a que o presidente do Benfica está vinculado. Talvez um de nós tivesse mudado de ideias!

Mas tal não é possível. E, por favor, deixem-se de sentimentalismos hiperbólicos quando as coisas são sérias. É óbvio que o Benfica não é uma família. Quando o Sr. Joseph Lemos o diz está, ingénua ou maliciosamente, a corroborar um disparate. Mesmo eu já devo ter proferido esse sentimentalismo, mas nunca quando o assunto é sério e racional. Repito, é óbvio que não somos uma família. Por mais que nos una um amor comum, família poderíamos ser se fossemos uns 20 ou 30 sócios e adeptos, se fôssemos um clube da terra. Como qualquer um entenderá, é impossível almejar um comportamento familiar quando nos aproximamos de duas centenas de milhar de sócios, milhões em simpatizantes. Nesta realidade não há debate em família, nem em privado. Tudo será, forçosamente, público. Por ser inconcebível LFV explicar-se em privado a cada um de nós, deve ter um comportamento irrepreensível, que não suscite as dúvidas que não poderá esclarecer. É como a mulher de César: não lhe basta ser séria, tem que parecer.

E isto é que deveria ser A QUESTÃO. Eu já nem quero saber se LFV é sério ou não. Já tenho como garantido que não o parece! Enveredar, junto com os órgãos sociais, por um caminho judicialmente dúbio ao mesmo tempo que opta por privar os sócios de outros candidatos à presidência é demasiado para a minha boa vontade, é mau demais!

Como o Ricardo, não compreendo este ataque endémico de miopia, que beneficiando, ou não, da falta de opositores credíveis ou da aversão dos sócios pelo voto em branco, permitiu resultados que sugerem uma acefalia generalizada. Mas sei que o discurso truculento e pouco escrupuloso de um presidente particularmente indecoroso neste capítulo, permitiu que a multidão perdesse noção do que se discutia verdadeiramente. Afinal, expressões que invocam o ataque à família, a tentativa de roubo do Benfica aos sócios e outras demonizações infantis da oposição servem apenas como cortina de fumo e vil engodo na tentativa de camuflar um último mandato muitíssimo aquém do prometido e exigível, bem como uma série de tomadas de posição e atitudes pouco dignificantes do nosso clube e sua história.

sábado, 4 de julho de 2009

O Templo do Povo

Um dos grandes mistérios da humanidade reside no entendimento da noção de idolatria por parte das massas em redor de um indivíduo. São vários os exemplos do passado a iluminar esta realidade e, embora os mais atentos estejam cientes dos constantes sinais de despotismo que os tiranos, desde muito cedo, alimentam, nem por isso a história se reescreve com novos capítulos nem com diferentes percepções dos indícios que perigosamente adivinham o futuro. É-me difícil assistir à cegueira generalizada das massas em função do seu líder tirano sem que, de dentro de mim, avancem aos tropeções cães raivosos em busca de um motivo, um só motivo que me faça explicar e entender a razão pela qual as pessoas, com ou sem olhos, sofrem de miopia no cérebro.
Assistindo ao discurso formatado de Vieira, na tomada de posse de mais um mandato no trono benfiquista, lembrei-me de um tal de Jim Jones, o homem que levou ao suicídio colectivo, em delírio e de livre vontade, um milhar de pessoas. Pessoas como nós, crentes e descrentes no mundo, pais, filhos, primos como nós, uns aos outros atirados, gente. O cerebelo engaiolado de milhares de pessoas na ideia de um homem e das suas loucuras.
Jim Jones convenceu o povo de que o caminho era ele que o conhecia e, com isso, permitiu-se todos os delírios que o mundo ainda estava para adivinhar: violência mental, violação física, humilhação, aniquilamento, desprezo e homicídio - tudo de forma perfeitamente natural e quase sem contestação (alguns, no fim da crença, desconfiaram do homem mas já seria demasiado tarde). Gente como nós. Pessoas como nós, que religiosamente seguiram aquele homem até à própria morte, desterrados na Guiana, entregues ao cultivo dos alimentos e ao desaparecimento da consciência e do pensamento próprio. No fim, devotados à causa, devotaram-se à morte e entregaram-se-lhe livres, inteiros e preenchidos por, com aquele gesto, seguirem viagem para o lado de lá com o seu líder. Entender isto? Não sei. Explicá-lo? Menos ainda. Só a certeza da incompreensão por tamanho delírio colectivo.
Ao ver o pavilhão da Luz repleto de benfiquistas em louca e desenfreada euforia, gritando "O Benfica é nosso até morrer", idolatrando em êxtase o tirano, não pude, não consegui, deixar de ver naqueles que gritavam a mesma alma de pedra daqueles que um dia foram ao encontro da sua própria demência, cruzando o canal do Panamá.
Ontem, 91,7 por cento dos benfiquistas votantes entregaram o Benfica a quem o desprezou, o humilhou e o desrespeitou. Ofereceram ao líder, de livre e espontânea vontade, a crença na obra feita - a obra dos terceiros e quartos lugares no campeonato (haverá tetra para a medalha de bronze?), a obra da mentira, do enxovalho, da contradição, da falsidade, da injustiça, da desvalorização do que é, ou do que foi?, este clube.
E o líder subiu ao palanque. Não riu porque os líderes não riem, não precisam. Leu o texto que o súbdito lhe escreveu e, ditas as banalidades que o povo queria ouvir, abandonou o local em ombros (mas cuidado com as intimidades), seguro de si e do seu próprio ego. Estava concluída a sessão.