quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sobre a ideia extravagante e certeira de apoiar o Benfica de qualquer forma possível

O problema ocidental está no politicamente correcto. Tudo é político e tudo é quase sempre correcto. Só há dois extremos: ou o bípede exalta-se a tal ponto que acaba em cuecas na jaula (não é essa) de Alcântara, entre putas, bêbados e brasileiros que ainda não descobriram se são homens ou meninas bonitas nas noites de Belém ou então serve-se da gravata que usa no escritório que o faz assemelhar-se quase a um humano e torna-se político. Prefiro o primeiro exemplo, mas também acho muita graça ao segundo. 

Isto porque a casota do Manelito não tem tabaco. Nem o Manelito nem as outras todas. Que raio de casotas são estas que nem tabaco têm? Podem vir os americanos comprar o país, é isso? Não se entende. Um gajo sai do jogo, vai beber um copo e acaba perdido sem cigarros que fumem as vitórias do Benfica. Felizmente, no meu caso, houve Diego, um ser extremamente dado, que passou a noite a distribuir cancro pela humanidade que se concentrava toda em redor do Estádio da Luz. Há mais disto: Diego tem a bonomia dos que pressentem a vontade dos outros e dá sem ser pedido. Isto vale muito nos dias que correm. Ao 5º cigarro que Diego ofereceu, apeteceu-me comprar-lhe uma pedra do Benfica. Daquelas com direito a eternidade em frente ao Estádio e tudo. Mas depois lembrei-me de que a pedra custa quase tanto como o iate do Vale e Azevedo e deixei-me de coisas. Na próxima, ofereço-lhe um maço e ficamos assim, porque a simpatia deve sempre ser reposta com juros. 

E depois há os que vêem o Benfica e a vida como algum concurso-maratona-conta bancária que acham que toda a gente tem o prazer de viver o Benfica da mesma forma. Não tem. Se chega pão e ervilhas a algumas casas, é bom e deve ser preservado. Assim como o benfiquismo. Pode parecer estranho a alguns cérebros demasiado ovais mas o Benfica nasceu sem viscondes nem caga-tacos que ostentassem os galões de marquise na lapela. O Benfica nasceu de gente simples e assim continuou. Construiu-se por dentro, às vezes comendo a paixão em detrimento da carne que sempre esteve muito cara. É por isso fundamental que nunca cheguemos ao lugar da soberba e desprezo pelas necessidades dos outros. Antes, e assim é que é bonito, devemos ir ao encontro dos que querem, dos que precisam, dos que comem Benfica ao pequeno-almoço e o bebem à noite como instinto de sobrevivência. 

O que se pretende, portanto, e sem mais delongas nem milongas, é que toda a gente do Benfica tenha direito a ver o autocarro cheio de estrelas e lhe possa prestar vassalagem. Com dois euros no bolso, se for preciso. Porque para cantar pelo Benfica ainda ninguém se lembrou de pedir taxa. Que assim continue.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

MOVIMENTO "APOIAMOS (POR) FORA" CONTRA A CHULICE DOS BILHETES

Antes de copiar para aqui o texto que passei no SerBenfiquista, quero pedir a todos os adeptos e sócios do Benfica que se juntem a esta ideia. Passem nos vossos blogues este texto, tentem ir connosco já no próximo fim-de-semana e falem disto ao maior número de pessoas. O que se está a passar no futebol português é uma vergonha para as pessoas que querem apenas ver futebol e estão a ser exploradas por serem de um determinado clube, ainda por cima o mais popular de todos - com a agravante da falta de verdade desportiva que decorre de uma escolha incompreensível por parte de um Presidente de um clube. Desde já agradeço e espero que se juntem à romaria já daqui a uns dias:

«Benfiquistas, parece-me consensual entre nós a ideia de que a pouca vergonha dos bilhetes a preço de ricos tem de acabar. Mais ainda quando a diferença para os jogos entre os clubes e o Benfica e os mesmos clubes e todos os outros é tão abissal. Muito se fala, muito se discute, muito se vocifera. O problema estava em juntar o útil ao ideal: não deixar a equipa sem apoio ao mesmo tempo que não patrocinávamos os chulos dos Presidentes dos clubes pequenos, muitas vezes apoiados por corruptos - veja-se o exemplo do próximo jogo frente ao Feirense, em que o Presidente desse clube decidiu, por livre e espontânea vontade, abdicar de um estádio de Aveiro com capacidade para 30.000 pessoas em detrimento do campo de batatas que tem em Santa Maria da Feira. Isto enquanto Porto e Sporting jogaram num estádio e num relvado com medidas semelhantes aos maiores do país - em Aveiro.

Ora, hoje o Éter, do Céu Encarnado (www.ceuencarnado.blogspot.com), escreveu um texto que, embora o tivesse escrito em tons de paródia, serviu para que a ideia germinasse. Deixo aqui para que fiquem a par do que se fala:

"As gentes começam a juntar-se nas imediações do estádio por volta das 15h. Abrem-se as malas dos carros: há leitão, há cabrito, há tachos de arroz, há batatas fritas de pacote, há sacos enormes de pão, há azeitonas, há queijo, há grades de cerveja a perder de vista, há garrafões de vinho. Há cachecóis e bandeiras do Benfica. As gentes comem e convivem. Já são quase 18h. Assam-se umas chouriças ao ar livre. Mais pão. Mais azeitonas. Alguém pergunta pelo leitão. Já foi todo. E o cabrito também. Mais cerveja. Mais vinho. Mais convívio e mais Benfica. Já são quase 20h. As gentes guardam os despojos do banquete novamente nas malas dos carros e encaminham-se para o Marcolino de Castro. É um mar de gente. Aquele estádio minúsculo nunca na vida poderá albergar tamanha multidão. Mas as gentes não entram. Centenas e centenas de aparelhos de rádio são ligados. As gentes cantam pelo Benfica e aplaudem. O barulho é ensurdecedor. Lá dentro, os vinte e sete sócios do Feirense também aplaudem a sua equipa. Os jogadores do Benfica não vêem ninguém de encarnado nas bancadas mas sentem-se como se estivessem perante 65 mil almas na Luz. Sim, o barulho é realmente ensurdecedor. Cá fora canta-se o hino do Benfica a plenos pulmões e vozes entarameladas pela cerveja e pelo vinho. Os jogadores arrepiam-se. Um funcionário do Clube Desportivo Feirense dirige-se à turba e, hesitante, a medo, pergunta: "Mas... Não vão entrar?" A família benfiquista ignora o homenzinho, prossegue com os cânticos de apoio e, algures, um cartaz é erguido: "Vão roubar para a puta que vos pariu".

Meus caros, isto é possível. Para Santa Maria da Feira haverá uma primeira romaria como forma de divulgação, embora os bilhetes estejam já esgotados. Sim, estão a ler bem: vamos a Santa Maria da Feira apoiar o Benfica fora do estádio, aproveitando o momento para lançar o que se seguirá em todas as próximas deslocações que o Benfica fará até final da época. A ideia é simples: temos 3 semanas para divulgar no maior número de sites, blogues, fóruns, o que seja, a iniciativa e fazê-la crescer ao ponto de, na deslocação a Coimbra, já termos alguns objectivos cumpridos:

- pressão sobre os responsáveis dos clubes que nos receberão até final;
- um número massivo de gente disposta a dirigir-se às respectivas cidades para autênticas romarias populares e de benfiquismo;
- a atenção dos media;
- a atenção de todos os benfiquistas que, não andando pela internet, não estão a par do movimento.

Com isto, queremos o quê? Para já, pressionar, obviamente. Para além disso, uma energia benfiquista que se espalhará por todo o país a apoiar o Benfica fora do estádio. Milhares de pessoas a cantar o jogo inteiro, confraternização - no fundo, os adeptos a escreverem Benfica da forma mais justa e honrada que conhecemos.

É lógico que haverá sempre quem prefira ir ver o jogo dentro do Estádio - nada contra, menos ainda se o preço dos bilhetes descer consideravelmente. Mas, para quem acha um abuso e não pode pagar o que estes caciques de clubes-satélite do Papa vergonhosa e despudoradamente exigem, terá o seu espaço de escolha e afirmação de benfiquismo, junto aos recintos onde o Benfica jogará.

Façamos disto um movimento popular mítico. Um acontecimento que serve como recusa do futebol corrompido e podre que temos ao mesmo tempo que afirmamos o benfiquismo por todo este país.

Divulguem por todo o lado esta mensagem. Espalhemos a palavra. Se formos muitos, mesmo fora dos recintos (e especialmente destas caixas de fósforo, estilo Marcolino em Santa Maria da Feira) não haverá jogo em que os nossos não nos ouvirão os 90 minutos.

Vamos honrar a nossa História. VIVA O BENFICA!»


E, a partir de hoje, quem quiser ir apoiar por fora o Benfica, é juntar os esforços todos no mesmo sítio. Aqui:

www.apoiamosporfora.blogspot.com

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

E se Rodrigo fossem dois?

A 4 jogos (3 deles fora - todos, por razões diferentes, de dificuldade média-alta) de receber o Porto na Luz e de reiniciar a campanha na Champions, o Benfica debate-se com alguns dilemas do ponto de vista estratégico. Deixo de lado, porque essa é outra discussão, o assunto Emerson e a imperiosa necessidade de ir ao mercado de Janeiro como forma de evitar surpresas desagradáveis - ficará para outras núpcias. Importa-me aqui reflectir sobre a abordagem em termos tácticos que Jesus usará para chegar - como queremos e devemos - ao clássico em vantagem pontual. O mesmo é dizer: como abordar estes 4 jogos para que deles saiamos com 12 pontos?

Na Luz, está mais do que visto: aproximação ao 442 do ano passado, com um médio defensivo, outro de construção, dois jogadores nas alas e dois avançados. A diferença mais óbvia entre a equipa deste ano para a caótica equipa do ano passado passa pelo movimento dos alas: não tão amarrados à ideia de ganhar profundidade, antes em movimentações para o interior, participando mais na construção. Em teoria, resulta. Principalmente, com equipas mais frágeis e de organização débil: Rio Ave e Setúbal foram bons exemplos de adversários que, na Luz, podem ser encarados desta forma. 

Já quando nos aparece uma equipa a controlar com qualidade tanto a nossa saída de bola como os homens responsáveis pelo "esticar" do jogo a meio-campo (o Gil foi um bom exemplo), parece-me uma estratégia que sofre de alguns dos males da época passada: uma saída sem soluções, lenta a mastigar o jogo entre os centrais e os laterais, pouco clarividente na forma como deve sair da pressão adversária e ficando com os alas demasiado distantes para oferecem soluções ao portador. Isto porque Javi vive essencialmente naquele espaço em frente aos defesas (baixando aquando da saída de bola), deixando Witsel numa ilha em que, não raras vezes, sobrevive sozinho num diâmetro de 20 metros, ficando logo à partida condicionado e forçado a uma circulação que não promove a progressão em combinações com os avançados e, especialmente, com os alas. A equipa asfixia e tem de recuar. 

A isto junte-se-lhe a enorme incapacidade de Emerson em largar o seu cubículo no relvado (porque não sabe mais) e um Maxi que, logo na saída de bola, procura muitas vezes o desequilíbrio em profundidade, e temos um jogo mastigado, lento e previsível que pode prolongar-se minutos a mais para aquela que deve ser a atitude do Benfica: entrar para marcar o mais cedo possível e depois, então, controlar o ritmo e a intensidade dos encontros.

O dilema, portanto, existe e é compreensível que Jesus hesite entre querer dois avançados na frente e a busca por um meio-campo que privilegie a circulação e progressão mais eficaz. Por mim, se não houvesse Rodrigo, optaria por um 433, só com Cardozo na frente, entregando as alas a Nolito e César e o miolo a Javi, Witsel e Aimar. A equipa não só se torna muito mais equilibrada como, podendo parecer paradoxal, atinge uma imprevisibilidade para os adversários que, com dois homens mais adiantados, não consegue. A razão disto é óbvia: em 433 promove melhor a qualidade e inteligência dos jogadores que tem, favorece as combinações rápidas e as desmarcações, no espaço lateral ou em movimentos interiores, surgem naturalmente. Porque há mais cérebro. Há Witsel que, ao contrário de quando jogamos em 442, tem ali por perto Aimar e não a 30 metros de distância. Tem os alas mais aptos e disponíveis a diagonais e a uma maior circulação entre eles, porque há mais gente e mais competente a compensar as movimentações uns dos outros. A equipa, no fundo, joga toda mais compacta num primeiro momento para depois soltar-se e desenvolver o jogo sem ficar presa a um único plano de saída. 

Mas há Rodrigo e um Rodrigo num crescendo de forma que tem de ser aproveitado. Pelo talento que tem, pelo jogador que hoje é e não era há meses atrás, pelo entendimento do jogo que começa a ter. E, claro, pelo rasgo. O potencial de desequilíbrio que Rodrigo traz ao jogo "obriga" Jesus a uma possível nova abordagem ao sistema de jogo, embora mantendo no essencial as características que a equipa desenvolve quando em 433. Chamemos-lhe um híbrido: jogar com Rodrigo numa ala, após a perda e, em posse, soltá-lo para mais perto de Cardozo. Um contínuo balancear entre alargar em 442 ofensivo - com Witsel a procurar espaços mais próximos de Maxi - ou condensar defensivamente em 433, juntando-se o belga a Javi e baixando Rodrigo para perto do uruguaio. 

Feirense, Vitória e Académica, fora; Nacional, em casa. Tudo jogos em que este híbrido poderia fazer sentido, numa busca pela segurança e simultaneamente maior capacidade de gerar situações de golo. Os adversários são perfeitos: são organizados mas não têm, do ponto de vista da reacção e intensidade no momento da recuperação, tanta qualidade que nos fizesse temer jogar com Rodrigo numa ala em momento defensivo. 
 
Faça Jesus o que fizer, o que devemos ou queremos pedir é simples: não voltar a jogar com a equipa tão distante e pouco apta a gerir a construção de jogo, como neste último jogo se viu. Se, na cabeça do treinador do Benfica, só vivem duas formas de encarar os desafios, então pedimos aqui encarecidamente que opte pelo 433. É que, se é para jogar com Gaitán e Emerson (valha-nos deus!), há que ter gente inteligente no miolo a compensar as desmioladas e consecutivas acções do nosso Maradona dos Moinhos da Funcheira. Há que ter Pablito com a bola no pé.



Domingos Paciência, o Artur Jorge dos lagartos

Não podia deixar de dar os Parabéns ao Sporting por mais esta brilhante prestação. Um ponto conquistado com muito suor e muita sorte que, neste momento, garantem ao clube uma almofada confortável em relação ao Vitória na luta pelo 5º lugar e consequente apuramento para a Liga Europa do próximo ano. 

Excelente Domingos em ano de estreia. E até se agiganta, na ambição desmedida, quando aborda os dois principais clubes do futebol nacional: "o objectivo, como foi expresso no início do ano, era competir com os DOIS GRANDES". A continuar assim, metódico, organizado, competente, corajoso, ambicioso, valente, não duvidamos de uma possível chegada ao 4º lugar na próxima época. 

Já para Sérgio Conceição, treinador da Olhanense - equipa que está a menos pontos (11) do Sporting que o Sporting da liderança (13), logo adversário a ter em conta pelos leões -, a equipa algarvia, tendo em conta o desenrolar da partida, "acabou por perder dois pontos". Uma análise lúcida que tem alicerce no facto de ter sido Rui Patrício, o guardião do Sporting, de longe o melhor em campo, roubando 3 ou 4 golos feitos. Promete a luta nos lugares do meio da tabela.

Só apontamos um defeito a Paciência: a falta dela para com os árbitros. Ele que conhece os homens do apito e os padrecas todos desde que andava em sprints atrás deles pelos relvados deste país. Chora agora, Mingos, Chora.


  

Enfim, já não há como negá-lo: o Sporting está definitivamente de volta. 


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

É sempre a prejudicar o Sporting Glee de Portugal!

Têm razão os adeptos do Sporting Glee de Portugal: não fossem as arbitragens profundamente prejudiciais e nesta altura já estariam aí no terceiro lugar. Uma vergonha. Veja-se este lance como óbvio exemplo, logo aos 35 minutos da primeira jornada, frente ao Olhanense:



O público, extremamente conhecedor das leis do jogo e de todas as personagens do "Glee", vociferou, naturalmente. Amarelo? Num lance tão insípido, tão pueril? Não se faz, de facto. Como são diferentes, não chamaram nomes ao árbitro, mas soltaram aquele sinal de discórdia: "apre, que já tenho a melena desarranjada!". E depois foram todos para casa ver o My Fair Lady.

Foi o que se pode chamar um belíssimo jogo de merda

Tem razão Jesus em promover a competitividade no campeonato: como o Benfica andava a fazer bons jogos só com 10, ontem decidiu jogar só com 9 para ver no que dava. Mas depois assustou-se com jogo tão horrível e lá voltou a equilibrar: tirou Gaitán, meteu Aimar. Voltámos a jogar só com menos um jogador. Há que dar mérito a quem o tem: o próprio Gaitán. Normalmente faz muita merda mas ontem conseguiu esmerar-se a um ponto que até o seu fã número 1 foi obrigado a tirá-lo de campo. Há quem diga que, no final, houve miminhos mas não gosto de falar na vida sexual dos outros.

Não tenho nada a dizer sobre o jogo. Foi uma bela merda e é só. A jogarmos assim em Coimbra e Guimarães (e são seguidas), largamos o poiso da liderança. Convém jogar com 10. Pelo menos com 10. Mas se viesse um lateral-esquerdo, então, seria tudo bem mais bonito. Mas, vá, comecemos por aqui: jogar com 10. Ok, Jesus?
 
PS - Hoje saí de casa e pisei inadvertidamente a peruca do António Maia. Uma chatice porque os sapatos eram novos. O cheiro ficou entranhado e tive de ir a casa mudá-los. Aproveitei que estava perto da minha sanita e caguei dois Antónios Maias, daqueles verde-escuro típicos de um dia depois de uma noite a mamar copos. Adoro cagar Antónios Maias.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Vizinhos e quejandos

Não sei o que é mas não estou a gostar deste dia. Começou ao contrário, às avessas. Os gajos de cima andam aos saltos a ouvir Shakira há quase duas horas, gritos histéricos, saltos, risinhos de felicidade. É possível ser feliz com Shakira? Piqué tem a palavra. As vozes são de Sims, quando os bonecos dançam e cantam. E eu desconfio sempre de quem parece um Sim. Não tarda nada começam a chorar porque não tomam banho há 3 dias e o lixo amontoa-se na cozinha.

O meu problema com isto é que preciso de paz. Preciso de pensar o Benfica. Nada de muito filosófico, só aquele refazer o 11 na cabeça, preparar os filhos que não tenho para irem ao estádio, sonhar com uma bifana no Manelito. Coisas simples e práticas que a ouvir o histérico do Robbie Williams não dá. 
 
Estou com medo deste jogo. 



sábado, 21 de janeiro de 2012

Qualidades, medos e uma grande esperança



Qualidades. A fome de vitórias que a equipa demonstra. O faro goleador de vários jogadores. O público cada vez mais numa onda vermelha. Discurso mais coerente de Jesus. O silêncio de Vieira. Witsel numa forma tremenda. Aimar. Cardozo e a irritante mania de abanar as redes. Nolito e a imprevisibilidade. Javi cada vez mais patrão. Luisão. Garay. Rei Artur. O crescimento notável de Rodrigo. Saviola. O génio de Gaitán. A torrente de locomotiva de Maxi. O que pode trazer Enzo Pérez. Um balneário sem imagens extremistas. O amor dos benfiquistas.






Medos. Calendário mais favorável ao Porto até ao jogo do título. Os árbitros, sempre os árbitros, e a sua tendência para as vénias ao Papa. Um Presidente da Liga que pode decidir não baixar nenhuma equipa e a adulteração da verdade desportiva que esse facto trará. Lesões em catadupa. Emerson. A inconstância/falta de profissionalismo de Gaitán. Os erros de Maxi. O que pode trazer Enzo Pérez. Não reforçar as laterais em Janeiro. Jesus voltar ao discurso imbecil. Vieira voltar a abrir a boca. O ódio dos anti-benfiquistas.




Esperança. Djaniny. Temos craque. 


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O meu Dakar futebolístico - I - Peru

O Peru é uma manta de retalhos a lã de alpaca. Puno, Cuzco, Apurimac, Ayacucho, Arequipa, Moquegua, Tacna - tudo nomes que remetem os sentidos para a ancestralidade indígena e sabedoria sem sábios científicos. Muito antes de existirem laboratórios ocidentalizados à descoberta de técnicas, saberes, tecnologias ou desmames oraculares já os incas debitavam em Quechua ou Aimará revelações transcendentes sobre o mundo moderno - sim, este onde hoje temos o prazer de sentar a nossa existência. 

Alguém, um dia, avisou o mundo da descoberta de Machu Picchu e fez uma festa muito colorida, com champanhe francês e tudo, sobre a prodigiosa aventura do encontro. O que não ficou escrito em acta planetária - e devia - foi que Machu Picchu, assim como todas as terras e baldios peruanos, estava já descoberto há muito tempo. Problemas de comunicação, talvez, visto que os Incas, mais preocupados em criar monumentais fontes e túneis de regadio e socalcos de plantação de onde pudessem tirar a barriguinha de misérias, se esqueceram inexplicavelmente de criar a internet sem fios. 

Um ponto a menos para os Incas, embora não estejamos ainda certos de que essa fosse a prioritária e evidente necessidade por aquelas alturas. Entre lamas e ar rarefeito, repenicando anãs de cabelos brilhantes e a adoração aos deuses, subjaz ainda assim, como templo antigo debaixo das pedras de catedrais espanholas, o império cerebral de um povo que, à falta de twitter e facebook, fez pela vida e inventou, sem termómetro nem microscópio, a temperatura e a lupa da ciência moderna. Incas - 1, Balão de Erlenmeyer - 0.

A primeira vez que vi o Peru, estava no meio de uma ilha do Lago Titikaka. Pareceu-me aceitável, embora esperasse mais. Tinha terra, árvores, pássaros e pessoas - nada que não tivesse visto já na televisão, sinceramente. Achei até um pouco mundano, quase pedestre. Mas deixei-me ficar a beber o vinho chileno enquanto sol e lua, em gestos opostos, apareciam aos meus olhos. Não sei se foi da graduação do líquido, se dos lábios ressequidos pela fermentação de humidade, mas a certa altura achei o Peru bonito, embora estivesse na Bolívia. Sempre tive este problema de achar que o peru da vizinha era mais bonito que o meu - uma insatisfação galopante que clinicamente fui tratando com formas de adulterar a sobriedade. E hoje sou um homem quase feliz - sim, tenho noção do pecado.

Podia perder-me aqui em episódios sobre o meu Dakar (essa cidade profundamente sul-americana!) por terras peruanas, todos entre o desvario indígena e o conhecimento do sublime, mas opto meticulosamente apenas por um para não maçar muito a audiência - é suficiente um Paulo Coelho neste mundo, não há necessidade de aniquilarmos já a existência: o dia em que o futebol me salvou de um tiro nas costeletas.

E foi mais ou menos assim: estávamos, eu e a minha companhia, em Tacna, cidade peruana fronteiriça com o Chile. Noite bem regada a vodka, vinho e papoilas, chovia do céu aquele longo véu das noites tranquilas e a brasileira que me acompanhava saiu de um bar a querer beijar as poças de água que se formavam no chão. Estava decididamente na altura de ir tentar encontrar a pensão -3 estrelas onde tínhamos uma cama, meio-lavatório e um peruano mal parido na recepção à nossa espera. O problema colocava-se da seguinte maneira: onde é que estávamos?, assim, de forma simples e delicada. Não sabíamos bem. Mas sabíamos que estávamos em Tacna, isso sabíamos - menos mal, portanto. 

Como homem (e deixemos de lado a questão de a minha companhia por esta altura estar a imitar o Rossi com os joelhos), competia-me a função de mapear a cidade, encontrar-lhe referências, reconhecer-lhe direcções. A custo, muito a custo, tacteei o solo, ouvi-lhe as entranhas de Quechua e segui orgulhoso por uma fronteira de ruelas em direcção ao sol poente - que nunca morre. Como é evidente nestas coisas da divindade, os seres supremos enganaram-me e acabei perdido num esconso beco com vista para as estrelas. Voltei atrás, enquanto carregava um peso morto pelos braços, mas era demasiado tarde: o Agustín tinha encontrado os seus turistas da noite. 

Vejamos: numa sociedade pobre, o parvo turista serve perfeitamente os intentos da economia nacional, não comecemos agora um longo trajecto em dissertações pueris acerca da criminalidade e do diz-que-disse e do "ali tenho medo" que isso é coisa para ficar contabilizada nas prateleiras dos imbecilóides. Agustín encontrou-nos e é só - foi mais esperto, o que, não menosprezando a sageza real do peruano, não era de modo nenhum tão difícil assim, visto que, segundos antes de Agustín ter encontrado a sua presa, a brasileira que me acompanhava (e eu também, mas isso não interessa para a novela) cantava a 10 gargantas músicas esquecidas de Vinicius de Moraes. Ora, se há coisa que o Agustín nunca gostou foi dos anos em que Vinicius fez parceria com Toquinho. Tivéssemos cantado Vinicius pré-Toquinho e muito provavelmente Agustín ter-nos-ia dado rédea solta para nos perdermos por mais umas horas na bela cidade triste de Tacna. Não foi o caso: o peruano num gesto rápido e solto amarrou uma arma à costela deste que vos fala e disse: "y ahora, cabrón?", bonitas palavras que mereceram resposta à altura da brasileira: "cabrón é o caralho!". Isto comigo e uma pistola no meio, ressalve-se. 

As mulheres não são a coisinha mais bonita que há neste mundo? Então não são? Um gajo com um peruano alucinado ao lado, uma arma a querer pulular e a nossa companheira bêbada aos insultos ao agressor. Isto de ser homem às vezes é um bocadinho chato. À esquerda, uma bezana cantava e insultava o peruano, enquanto batia com os dentes na lama, à direita um Agustín bebâdo com uma arma na minha barriga. É nestes momentos que nos perguntamos: "não há foto? Quero meter no facebook". Não havia. E foi aí que começou a minha longa dissertação de sobrevivência: falei de bola. Que mais havia de falar em situação tão delicada? Falei tudo o que me vinha à cabeça, numa demência tal que cheguei a sentir os meus três companheiros - conte-se a arma nisto, que é de notável importância - pasmados a ouvir-me, quase sóbrios. 

O problema foi - e isto confidenciou-me o cérebro depois - que, de futebol peruano, eu conhecia pouca coisa, quase nada. Mas ninguém diria, se ouvisse o meu discurso eloquente naqueles minutos em que passeávamos por Tacna, alegre e extremamente mijadinhos da silva. Acho que houve Cubillas (claro), Alianza Lima e não sei, não tenho a certeza, mas acho que cheguei a vociferar qualquer coisa como: "Y Vargas Llosa?, que delantero!". O certo - e não me perguntem como nem porquê - é que de repente estávamos, eu, a brasileira, o peruano e a arma, em farta cavaqueira com o Agustín a levar-nos muito simpaticamente até ao nosso ninho de ratos. 

E explicar isto, nesta noite em que as estrelas são as mesmas (exceptuando uma que decidiu ir morar noutra galáxia, por causa da crise) que nos viram em Tacna, há quatro anos atrás? Digam lá que o futebol não é bonito.


Golos e Assistências - 30 jogos oficiais (21v, 8e, 1d)


  Golos      

Cardozo - 17      
Nolito - 11      
Rodrigo - 9      
Bruno César - 7      
Saviola - 5      
Witsel - 4      
Gaitán - 2      
Luisão - 2      
Aimar - 2      
Javi Garcia - 1      
Garay - 1      
Matic - 1      
N. Oliveira - 1     



Assistências
 
Gaitán - 10
Aimar - 7
Nolito - 4
B. César - 3
M. Pereira - 3
Witsel - 3
Rodrigo - 3
Saviola - 3
Cardozo - 2
R. Amorim - 2
Luisão - 1


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mas que grande cagada (mais valia ter visto o titi-kaka)

Informação fundamental ao leitor abnegado que aqui vem: decidi ver o jogo do Benfica em vez do clássico espanhol. Parece lógico e é, embora desconfie de que muito benfiquista hoje decidiu deixar a Taça da Liga para segundo plano. À minha maneira, fi-lo também: não fui ao estádio. Mas, no conforto do lar, não pude abandonar o coração. Nada me move contra os que preferiram ver o jogo de Madrid. Só vos peço um favor: consegui até agora, num esforço tremendo, não saber quanto ficou o Real-Barça. Não me estraguem a coisa, que daqui a meia-hora vai repetir.

Sobre o jogo, uma grande caca. Mau, mauzinho, frouxo, pouco, muito pouco, quase nada. O Gaitán continua a sua saga de desrespeito não só pelo próprio talento que tem mas principalmente pelos adeptos - aquilo que ele faz em campo, aquela constante displicência, dormência, falta de vontade devia dar jogos a fio sentado no banco de suplentes. Aliás, após mais uma magistral lição do Professor Nolito (que joga e ensina a jogar), será interessante verificar se os favoritismos de Jesus vão continuar ou se teremos definitivamente os melhores em campo. Por falar nisso, Capdevila lá jogou. Mesmo sem ritmo nenhum de jogo, desprezado a um nível absurdo, mostrou por que razão vale bem mais do que quem joga no seu lugar. A mim mostrou, pelo menos. Admito que haja quem continue a saga da defesa de Emerson até ao fim. Tão absurdo, tudo isto.

O jovem Almeida parece ter algum potencial mas ainda está muito aquém do exigido. Se perdemos Amorim por este ficámos claramente a perder. Uma ida ao mercado contratar Salino seria uma jogada de mestre. Um jogador perfeito para o que o plantel precisa: polivalência, constância e qualidade inegável. Depois só faltaria o lateral-esquerdo. Sim, ainda acredito.

Os avançados estiveram bem. Tanto Saviola quanto Oliveira em bom plano. O primeiro excelente a procurar espaços (menos bem na disputa física, onde nunca foi forte mas que actualmente assusta de tão frágil), o segundo na recepção pelo ar, fazer jogar, aparecer. Primeiro golo do Nélson pelo Benfica. Parabéns, puto.

Agora venha a Liga e o estádio cheio, que este jogo deprimiu-me um bocadinho. O Gaitán devia ir a casa do Nolito ouvi-lo contar-lhe histórias sobre quando andou nas obras e a sua vida até chegar ao Barcelona. Podia ser que ganhasse um coração e mais dignidade.

Tiki-taka quando se tem chuta-chuta?

4 portugueses no onze (Eduardo, M. Vítor, A. Almeida e Oliveira), Capdevila a titular, Matic numa posição mais condizente com as suas características e Saviola junto ao nosso avançado de formação na frente de ataque - e vocês querem substituir isto pelo Real - Barcelona? 

Bem o Jesus na escolha do onze. Mal o Santa Clara a mudar o símbolo que tinha roubado.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Bluff ou suicídio?

"Neste momento não estamos a pensar em entradas", diz Jesus hoje aos jornalistas mas especialmente aos adeptos do clube. 

Pelo bem superior que são os interesses do Sport Lisboa e Benfica espero que o nosso técnico esteja a fintar a concorrência com estas declarações e que haja gente dentro do clube 24 horas por dia em busca de uma solução para a lateral-esquerda. É certo que o facto de já terem passado 17 dias desde que o mercado reabriu e o problema Emerson estar identificado há 5 meses não adivinha um futuro brilhante mas eu, que tenho esta tendência para o sonho, até dia 31 de Janeiro vou esperar ansiosamente por novidades que favoreçam o sonho maior que é o de ser campeão nacional e chegar o mais longe possível na Champions League. Com Emerson, sejamos muito sinceros, só por incompetência dos adversários atingiremos esses patamares.

Quem lê este blogue, sabe da minha incredulidade em relação a muita coisa que se faz actualmente no clube. Desde incompreensíveis apoios a agentes nefastos a uma competição saudável, passando por uma comunicação distorcida e adulterada aos adeptos, há várias acções desta Direcção que me desagradam. Mas convém ser justo: desde que Rui Costa abandonou os relvados e, em sintonia com outros (menos competentes), tomou conta do futebol do Benfica, houve uma melhoria clara nas tomadas de decisão, no planeamento da época, na qualidade das contratações e na identificação das lacunas do plantel. Houve erros, claro, alguns básicos e óbvios - desde logo os autocarros de jogadores que nem sequer chegam a vestir a camisola em jogos oficiais ou, se o fazem, nem tempo têm de mostrar serviço (Mora será só mais um que, emprestado ao lugar de origem, nunca mais calça chuteiras benfiquistas) ou como os do ano passado, especialmente na aposta em manter Roberto como guarda-redes do Benfica e a venda de David Luiz - duas acções incompetentes que favoreceram a época deprimente que acabou por ser a de 2010/2011. 

Nem tudo foi perfeito, longe disso, mas há que assumir uma maior competência no futebol do clube e nos resultados conseguidos. O que, neste momento, falta para que a hegemonia nacional e a competitividade constante nas competições europeias sejam uma realidade é aquele golpe de asa de saber emendar erros, ao invés de manter teimosamente apostas que se sabem erradas e prejudiciais à equipa e aos objectivos futuros. Nesse sentido, é imperioso que, no Benfica, haja a consciência de que, numa equipa de grandes jogadores e num plantel rico de várias e diferentes soluções, não pode coabitar um elemento como Emerson. Não pode. Não só por aquilo que (não) faz individualmente mas também pela mensagem que emite para todos os que com ele partilham o campo e o jogo. Um jogador medíocre no seio de uma grande equipa é um cancro que tende a alastrar-se e a torná-la paulatinamente mais fraca. Pela tomada de decisão, pela indecisão, pelo momento do passe, pela dúvida, pelo desequilíbrio que gera. 

É, por isso, fundamental extirpá-lo antes que nos vejamos de calças na mão, com eliminatórias perdidas e pontos desbaratados na Liga nacional. Já é muito tarde. Tardíssimo. Mas ainda vamos a tempo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Rui Gomes da Silva sabe quem é Cosme Damião?

Já não me mantinha a ver o "Jogo Seguinte" mais do que cinco minutos há anos a fio. Neste momento estou há 20 e tal minutos a assistir a esta espécie de programa e fico estupefacto como é que algum adepto do Benfica, com mais do que um neurónio, pode observar isto e não perceber a corja que nos dirige. 

Em termos simples: há um comentador que é Vice-Presidente do Benfica. Vou repetir: há um comentador que é Vice-Presidente do Benfica, além de, e foi ele que o repetiu orgulhosamente ainda agora, accionista do Estádio, da Benfica Sad, da roulotte Manelito, da estátua do Eusébio e até do barrete de campino do famoso adepto que num topo enverga um pano de bandeira de um Benfica de outros tempos gloriosos. 

Este Vice-Presidente - que é comentador num programa de merda como este, não percamos o foco - vai para a televisão abrir a boca sobre questões internas do clube como se estivesse numa mesa de reuniões no Estádio da Luz. Este bronco - que tem um nome: Rui Gomes da Silva -, de tão inchado que anda por ter saído da penumbra do anonimato das berças onde nasceu para chegar ao orgulho máximo de andar a levar na tromba de Super Dragões, ainda a semana passada confirmou em directo a contratação do Djaniny, assim, de forma simples, tu cá tu lá - só estavam a ver uns milhões de bípedes, nada de especial, portanto. 

Numa das desbocadas aparições passadas - eu não vejo muito isto e sempre que vejo o homem desboca-se, imagino as que eu desconheço -, Rui Gomes da Silva (administrador da Benfica SAD e Vice-Presidente do Benfica, reforço a ideia) afirmou que discordava a toda a linha de uma negociação com a Olivedesportos. Hoje, nestes 20 minutos que vi, questionado sobre qual a posição que defende, gaguejou, olhou para baixo, iniciou aquele discurso típico de gajos da Assembleia da República e de engravatados que vão semanalmente comer à Trindade (fui lá empregado, conheço a peça): "vamos ver uma coisa..." e acabou a advogar a ideia de que "o Presidente é que está a tomar conta dessa pasta". Não sei se estão a ver bem a coisa.

Outro momento dos vinte minutos que perdi a ver este escroto de programa, mas que tem um jornalista que é do melhorzinho que há em todo o jornalismo desportivo: à pergunta "Se o Benfica defendeu sempre a ideia que António Oliveira corroborou há uma semana atrás, qual a razão para o silêncio após as declarações do ex-seleccionador por parte dos dirigentes benfiquistas?" Rui Gomes da Silva bolsou, cagou a fralda e fez um sorriso de político que é, no fundo, o sorriso dos extraordinários mentirosos e hipócritas de que este país está repleto. 

Ter gente desta no Benfica causa-me asco.  

Na crista da onda até quando quisermos

Enquanto o nosso grande humor continua a sua epopeia circense pelos campos de futebol - e se temos tido iguarias mil a alegrarem os nossos serões invernais: relva pintada para esconder a péssima condição do relvado, uma vitória nos últimos 7 jogos, 11 pontos de diferença, mentiras atrás de mentiras sobre os murais vergonhosos que pintam as paredes do corredor de acesso aos balneários, enfim, todo um Sporting na sua idiossincrasia de clube-palhaço -, o Benfica vai aliando aos resultados volumosos uma crescente qualidade no seu futebol. 
 
Enquanto uns se justificam com lesões e papas estragadas, o nosso clube devora adversários à razão de 4 a 5 golos por jogo - consoante a muita ou muitíssima inspiração -, mesmo quando não utiliza alguns dos seus melhores jogadores: Capdevila, Garay, Javi Garcia, Aimar e mesmo os dois amuados de serviço, Amorim e Enzo Pérez. São só 6, é coisa pouca. Talvez se tivéssemos no nosso plantel um Jeffrén ou um Polga pudéssemos fazer melhor. Infelizmente é o que temos e assim teremos de seguir na nossa caminhada triunfal. O que eu daria por um relvado pintado a vermelho!

A melhoria do jogo do Benfica, embora estejamos longe ainda de atingir todo o potencial que este plantel pode dar, deve-se principalmente a dois factores: um Emerson bem mais escondido do jogo, em que as suas deficiências são menos notórias porque está mais protegido por quem com ele partilha a ala esquerda (Nolito, como fomos dizendo ao longo da época, traz ao jogo colectivo, ofensivo e defensivo, uma dimensão que é impossível de ignorar e que não tem paralelo em todos os outros "alas" do Benfica), e, ironia que não chega a sê-lo, a menor utilização de um dos mais talentosos jogadores do clube: Gaitán, que alia à evidente qualidade a escassa, por vezes nenhuma, noção colectiva do jogo. 

Sem o argentino, todo o processo de construção fica dependente de homens que na decisão são fortíssimos (Bruno César, Witsel, Aimar e Nolito, mesmo Saviola numa fase mais adiantada do terreno), o que cria duas diferenças abismais para o futebol deprimente de há um mês e tal atrás: controlo de riscos - é raro a equipa perder uma bola em zonas potencialmente perigosas - e qualidade maior de passe, que facilita a incursão tanto pelas alas como pelo centro em jogadas rápidas que desmobilizam as defesas adversárias e criam as condições necessárias às oportunidades de golo. 

O futebol é, já se sabe, um desporto colectivo. Por isso mesmo, há que fazer opções que favoreçam a equipa mesmo que se desperdice talento. Gaitán tem muito para dar ao Benfica - ainda ontem mostrou a fenomenal qualidade daquele pé esquerdo - mas terá de ser enquadrado decentemente na dinâmica da equipa e não o contrário. Alguns jogos vindo do banco poderão servir na perfeição para um crescimento e maior concentração na hora de entrar em campo. Pior do que um cepo trabalhador, estilo Emerson, só um enorme jogador pouco humilde. Melhore Gaitán a atitude que tem em jogo e rapidamente voltará a ser um dos onze escolhidos. Ou pelo menos seria esta a melhor forma de conduzir o jogador a outros patamares. Não estamos certos de que Jesus pense da mesma forma.

Há, no entanto, muito ainda para melhorar. Alguns dos problemas antigos e identificados desde o Verão mantêm-se. A saber:

- deficiente abordagem nas bolas paradas, ofensivas e defensivas - defensivamente, a equipa opta por uma marcação zonal, com os bracinhos uns aos outros ligados, numa espécie de visita de estudo de uma classe do jardim infantil. É giro e cria um ambiente solidário e primaveril na nossa área. Em termos práticos, não traz grandes resultados (veja-se, por exemplo, o golo sofrido em Guimarães). A abordagem zonal fará sentido, sim, mas se mesclada com a homem-a-homem. Criar uma zona central bem povoada de jogadores a atacarem o espaço mas também cuidados defensivos individuais aos mais perigosos jogadores adversários. Em termos ofensivos, já é muito bom quando o jogador consegue marcar um livre, lateral ou central, ou um canto e acertar na área. Por alguma razão que não se compreende em jogadores da qualidade de Aimar, Bruno César ou Gaitán, as bolas acabam vezes demais nos pés dos jogadores das outras equipas, sem que se crie perigo e muitas vezes com a nossa equipa apanhada em desequilíbrio. Há trabalho a fazer nesta matéria. Ignorá-lo será abdicar de um dos mais importantes momentos que o futebol actual produz para chegar ao golo.

- gestão no mínimo duvidosa das expectativas de alguns jogadores - Capdevila foi contratado por 3 milhões de euros para se rum suplente de luxo de um jogador medíocre. Quem contratou o espanhol e por que razão há no Benfica quem compre jogadores que não são, desde o princípio, apostas do treinador? É estranho que haja uma bicefalia no futebol do clube, porque gera gastos desnecessários e uma crescente insatisfação de atletas que é nefasta a um balneário que se quer unido e focado no essencial; Amorim treina sozinho em Almada - não sei o que se passou, admito que o jogador terá tido um confronto perigoso com o treinador, mas é fundamental resolver estas quezílias de uma forma digna: ou sai, porque com Jesus não terá possibilidade de jogar, ou fica e é integrado na equipa, se bem orientado a cumprir com as suas obrigações e a abandonar os amuos; Pérez foi contratado por 5,5 milhões de euros para andar a passar férias na Argentina e a dizer disparates. Neste caso o Benfica tem de ter uma acção criteriosa e pedagógica, para que outros casos semelhantes não aconteçam: como o seu passe desvalorizou nestes últimos meses, a opção de vender não é inteligente; emprestá-lo, muito menos. Portanto, das duas uma: ou Pérez é integrado com direito a uma multa exemplar (e seria importante que o fosse, porque faltam opções de qualidade para a posição e o ano ainda trará muita sangria entre lesões, castigos e maus momentos de forma) ou é obrigado a pagar os milhões que resultam do acto de indisciplina que cometeu. São casos a mais num plantel que, se não tivesse estes exemplos de desaproveitamento, tinha tudo para uma época de grande sucesso. Ainda tem, mas importa reflectir e resolver rapidamente os problemas nesta fase positiva. Para depois não apanharmos mais uma depressão crónica, como a do ano passado. 

- demasiado tempo sem dotar o plantel de opções na defesa - Vamos já a meio do mês de Janeiro e o problema identificado em Agosto continua sem estar resolvido. Emerson não serve para titular do Benfica. Mantê-lo em jogo é correr riscos que poderão vir a ser letais aos objectivos para a época. Não se percebe a razão pela qual não chegou já um lateral-esquerdo com a qualidade necessária para jogar nesta equipa. Quanto mais tempo for desperdiçado, mais tempo demorará o jogador contratado a entrar na dinâmica que Jesus quer para o jogo do Benfica. Urge lateral-esquerdo. E urgem, já agora, um central e um lateral-direito. Para ontem.

- a perigosa alienação pelo bom momento desportivo - O que não pode acontecer aos adeptos é o deixarem de analisar as acções dos seus dirigentes, levados na onda de benfiquismo pelo sucesso desportivo. São coisas distintas e importa que nunca se misturem. Por mais jogos que o Benfica ganhe, por mais goleadas ou boas exibições, o adepto tem de se perguntar por que razão Vieira apoiou um candidato à Presidência da Liga que acabou por perder a corrida - sendo que o que a ganhou traz ideias para o futebol que nos são altamente prejudiciais (desde logo, o conceito da divisão colectiva dos ganhos pelas transmissões televisivas) ou a recente mensagem de Domingos Soares Oliveira em que, em meias palavras, admite que muito provavelmente o Benfica assinará novo contrato com a corrupta Olivedesportos dos corruptos irmãos Oliveira. O Benfica sozinho rende mais do que todos os outros 15 juntos e deve saber usar essa força a seu favor. Hipotecar mais 4 ou 5 ou 10 anos de transmissões, ficando preso e amarrado (usando a expressão de António Oliveira) às suas exigências e ao seu facciosismo e aproveitamento vergonhoso, será uma decisão que terá repercussões altamente negativas, não só do ponto de vista financeiro mas também, porque estão ligados, na vertente desportiva. Um Benfica independente da escumalha que manda no futebol português será sempre um Benfica com mais possibilidades de vencer mais vezes e reconquistar a hegemonia que lhe foge há muitos anos. Mesmo que se perca algum dinheiro numa fase inicial, se a opção é entre a Olivedesportos ou a Benfica Tv, parece-me que não há dúvida sobre em qual deve recair a escolha: no nosso canal, os nossos jogos, os nossos adeptos. Não tenho dúvidas de que os benfiquistas saberão agradecer a decisão com uma massiva adesão aos jogos no nosso canal. Com a superior vantagem: não estando ligado por anos a fio a uma outra empresa - e ainda por cima corrupta como esta -, mesmo não tendo no imediato parceiro à altura, no futuro poderá sempre aparecer outra plataforma que connosco negoceie e garanta as transmissões televisivas. Enforcarmo-nos é que não, por favor.

Compreendam o momento da crítica: numa fase em que o Benfica parece querer assumir-se como principal favorito ao título e a uma campanha digna na Europa, importa que não cometamos erros desnecessários e infantis. A exigência tem de estar presente. Nos bons momentos, também ou até principalmente. Para que o sucesso desportivo seja sustentado e não apenas um soluço que logo desaparece - como há dois anos atrás. O Benfica é muito grande. Falta-lhe ser dirigido por gente do mesmo calibre.

É que é tão bom viver o Estádio e o benfiquismo como ontem vivemos. Nunca mais nos tirem isso.


sábado, 14 de janeiro de 2012

Posta pequena

Vou tentar regressar aos relvados com um post ligeiro, sem forçar muito, não vá rasgar algum músculo:

Pensando no jogo de hoje e nos anteriores, o Gaitan deveria ser titular?
Ninguém discute as suas capacidades individuais, mas...

Sê o JJ por 30 segundos e diz-me: hoje, contigo a treinador, o Gaitan era titular ou sentava no banco?

(comigo ia para o banco. Tendo a noção que teria de tirar alguém - no meu caso o Rodrigo - para entrar o Aimar, o Gaitan só passaria a titular quando alguém caísse de rendimento.)

Quanto a hoje, conto com os 3 pontos e, vá lá, exibição à Benfica, sem sofrer golos, sff...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Semana de luto do blogue em honra dos benfiquistas da pantufinha

Esta semana este blogue vai estar de luto. Calma, não é pelo facto de o Benfica estar na frente - como portista mal disfarçado, é lógico que me custa mas tento esquecer fazendo intermináveis viagens ao IPO - é assim que aprendo a volatilidade da vida: gozando com quem está pior do que eu. 

O luto prolongado manter-se-á até Domingo, dia posterior ao jogo do Benfica contra o Vitória de Setúbal e será uma semana de silêncio pela morte do benfiquismo regular no Estádio da Luz. É que o benfiquista de sofá gosta muito de ter os pés quentes e as mantinhas no colo. Já rapar frio e embezanar-se antes do jogo, está quieto que isso é para malucos! Mas dêem-lhe mais dois meses de liderança e lá estará ele prontinho a fazer parte da festa. Até é gajo para ficar no Marquês quase até às onze da noite! Depois tem de ir para casa ver o Preço Certo que deixou a gravar.  

Um clube como o Benfica, com a enormíssima massa adepta que este clube tem, não pode ter uma média de 30 a 40.000 adeptos nos jogos em casa. Um clube como o Benfica tem de ter, seja líder ou não seja, sempre, mas sempre, sempre, o estádio cheio. Não é admissível ter estas assistências vergonhosas e elas só existem não porque não haja dinheiro ou seja muito longe de casa mas porque há muito comodismo por parte de gente que é capaz de andar a discutir o Benfica anos a fio em frente ao computador mas que na hora de dizer presente, apoiando a equipa e criando condições para uma maior conforto económico do clube, prefere ficar de pantufas. 

Aos que lerem este texto e se revejam nele, posso garantir-vos que não estou chateado convosco, estou apenas fodido da silva por serem uns paneleiros. Mas podem sempre dar a volta a isto, basta calçarem uns sapatos e, no Sábado, aparecerem ali por aquele local em frente ao Colombo - vocês sabem qual é, já o viram em fotografias em blogues e quando vão à terra de familiares e olham para a direita na segunda circular. É bonito, não é? Apareçam. Aquilo é giro e podem ver o Aimar ao vivo que, prometo, é um espectáculo dentro do espectáculo.
 
Até Sábado, portanto, este blogue hiberna. É o preço que têm de pagar até eu ver se perceberam a mensagem. Se o Estádio estiver cheio no próximo jogo, dedico-vos um post de agradecimento. Se não estiver, espero que em Maio continuem a preferir a comodidade da pantufinha e do robe à anarquia de uma cidade em desvario. Aquilo é muito barulho e fumo e pouca etiqueta para vossas excelências.



domingo, 8 de janeiro de 2012

Madrugada de Alfama

Parecia a madrugada de Alfama - começa por dentro, obscura e difícil. Depois vai florescendo, enquanto vemos os cacilheiros como gigantes numa banheira de sais do Tejo. 

O Benfica começa os jogos a ver navios. Depende do que vier do outro lado. O avançado adversário acerta no golo - depressão!, o avançado adversário acerta quase no golo mas Maxi Pereira salva na linha de golo - emoção!, e assim tocam guitarra portuguesa e viola. Fado meu e teu e nosso.

Mas se alguém acorda o gigante é uma tragédia para o inimigo. O Benfica parece uma flor da noite a madrugar: vai amanhecendo devagarinho até um passe do Bruno César para o qual precisava de ter cinco corações para descrever. Tento, no entanto: cósmico orgasmo. 

Venham, foliões do mundo, tentar contrariar o talento destes jogadores. Venham todos em fúria, quais javalis ou touros ensandecidos numa última noite em Málaga. Venham e dêem respiração ao animal, que ele com os cornos pontiagudos ferir-vos-á como lanças magistrais na coragem das perninhas bamboleantes do matador. 

Que Benfica é este? Que planeta de talento aos tropeções. Às vezes, parecem onze dementes em círculos tontos; outras, bailarinos nas cordas de uma guitarra. É uma equipa que precisa de estar bêbada de jogo para cantar. E depois... que maravilha! Deixem passar o maior de Portugal, então. Canta para nós, Amália:

 

Um conselho à brigada dos hipócritas portistas e vieiristas

Vão ouvir, ver, ler a entrevista que António Oliveira acabou de dar à RTP, no "Zona Mista", se fazem o favor. 

Aos primeiros, aconselho a que definitivamente ganhem vergonha na cara. Cambada de hipócritas, que passam o ano nas suas vidinhas burocráticas, cheios de valores universais, em críticas aos políticos e aos ricos e aos empresários e a toda essa gentalha sem escrúpulos enquanto vão festejando títulos que sabem ter o selo da mentira e da vergonha. Mentem-se a si próprios com desculpas esfarrapadas a ver se não pensam seriamente no assunto, não vá dar-lhes um peso na consciência no resquício dela que ainda existe entre a próstata e o cérebro. Andam há 30 anos a festejar títulos comprados, corruptos e adulterados. Sabem disso e vendem a alma a troco de uma falsa ideia de merecerem o que têm. Povinho de merda, este. Haja quem, entre os adeptos desse clube, leia as palavras do homem e ganhe juízo e vergonha de ter o clube dirigido por canalhas corruptos. Se um ou dois ganharem lucidez, será um ganho. Vão lá ouvir o que o vosso antigo jogador e técnico (e accionista da SAD) diz do sistema do futebol português, cambada de mentecaptos. E mais não disse porque o portista Hugo Gilberto - que devia ser jornalista mas é outra coisa qualquer -, num momento raro em que um dos agentes do futebol decide dizer a verdade, preferiu perguntinhas de merda e desviar o assunto da direcção que ele estava a tomar. Ainda assim, ficou bem claro para todos esses merdas de adeptos perceberem o que andam a apoiar. Gente pequenina, rasteira, miserável. 

Aos segundos, aconselho a que definitivamente ganhem vergonha na cara. Cambada de totós que apoiam um Presidente do Benfica que é um paninhos quentes, um homem que senta na bancada do nosso Estádio um dos principais corruptos, que controla o futebol português, um portista que manda e desmanda em Seleccionadores, árbitros, Presidentes da Federação, da Liga. Este mesmo senhor é convidado de honra nas Galas do Benfica e anda amantizado com Vieira desde sempre. Este mesmo senhor que se prepara para ganhar por mais uns anos os direitos televisivos do nosso clube, dado por Vieira de bandeja, prejudicando o Benfica em milhões e milhões de euros. Este Vieira que manda treinar a equipa profissional no campo do Braga - que nos tem tratado muito bem, verdade? -, porque prefere dar mais importância à amizade que tem com um dos colaboradores das suas negociatas do que defender a honra e o respeito dos benfiquistas que são maltratados sempre que se deslocam, como eu me desloquei há meses, à cidade minhota, gastando rios de dinheiro para ir apoiar o Benfica. Aos que apoiam este indivíduo, vão ouvir a entrevista, caralho. Ganhem juízo na tola, cambada de carneiros. Vocês sabem lá o que é o Benfica, entretidos com estes patamares de mediocridade, ficam felizes por ganharem de 5 em 5 anos um campeonato, vendendo a alma e fazendo por esquecer que temos um Presidente que senta corruptos no nosso Estádio. Vocês não são muito diferentes dos portistas. Mintam-se mais, mintam-se tudo. O Benfica tem tempo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Alerta máximo: o Aimar jogou mal!

Pois jogou. Ele e toda a equipa. Um jogo fraquinho que não era difícil de prever olhando para o 11 que entrou em Guimarães. Parece cada vez mais óbvio que Jesus tem tanto de bom técnico aperfeiçoador de detalhes no treino quanto de treinador sem ideia do que quer fazer nos jogos. Vindo de um 442 losango contra o Rio Ave em casa (5-1), Jesus achou que devia manter a bitola. Só que Nelson Oliveira não é Saviola e o jogo não era na Luz e isso faz toda a diferença. Até porque muitas vezes, demasiadas vezes, Nelson caía no lado direito, Witsel chegava-se mais ao miolo e ficava Saviola perdido entre os centrais adversários. Junte-se-lhe um Emerson à Emerson e um Aimar à Chano e temos aqui a poção para um jogo de merda. Valeu Nolito, como vale quase sempre, valeu uma equipa do Vitória que na segunda parte estava tão bem fisicamente quanto os pacientes do IPO e um Cardozo que, enfim, chateia muito porque marca golos. Bom, bom, mas bom mesmo era o Hassan. 

Isto tudo para vos chatear a mona? Também mas não só. É mais para avisar o Jesus (que ele todos os dias vem ler este blogue, como já me confirmou sua esposa, num encontro em Alcântara que teve tanto de sórdido quanto de constrangedor) para não ir a Leiria armado aos cágados que o raposão Cajuda sabe muito da poda e, ao contrário da brigada de treinadores portistas que por aí pululam que deixam as armas em casa quando confrontam o clube do coração, tem como princípio demonstrar o seu benfiquismo de uma e uma só forma: ser profissional quando joga contra o Benfica. Não raras vezes Cajuda irritou-nos, tirando-nos pontos ou eliminando-nos. É bom sinal: não queremos subserviências de nenhum teor. Gostamos de ganhar pelo mérito - sei que parece estranho, isto, para os adoradores do cacique beato (vou levar esta expressão até ao fim dos meus dias)

É favor não inventar, senhor Jorge, que hoje é dia dos adversários perderem pontos e nós chegarmos a Segunda-Feira na liderança. Pode ser? E agora venham de lá esses leitores que querem ir beber um copo comigo a Leiria amanhã. São meninos para isso?



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Doa-se lateral-esquerdo ao Banco Alimentar contra a Estupidez

Continuo intrigado. Tivesse Emerson sido contratado para alternativa ao titular desta época e ainda assim far-me-ia consecutivas questões sobre que espécie de prospecção tem o nosso clube para descobrir, num universo tão grande, tão fraco jogador de futebol para o seu plantel. Imaginam, portanto, a minha incredulidade quando aconteceu ver este rapaz jogar os primeiros jogos pelo Benfica. E, nesse sentido, serão certamente capazes de supor as caralhadas que fui atirando para o ar quando percebi que Emerson não só era mesmo para ficar (ainda houve inicialmente uma ténue esperança de que fosse algum engano no aeroporto ou que o rapaz viesse para a equipa de Andebol) como constituía a primeira e única solução para a lateral-esquerda. Estou muito intrigado com tudo isto. 

E não bastaram nem 5 nem 10 nem 20 jogos para que Jorge Jesus se decidisse a recambiar o brasileiro para a bancada, mesmo com as anedóticas aparições com que Emerson, desde que pôs o pezinho em território nacional, tem brindado os benfiquistas. Ele próprio estará intrigado com isto tudo. Terá inclusivamente tido uma conversa por telefone com o Pai - inadvertida e escandalosamente apanhada pela rede de investigação nacional - em que se mostra aparvalhado com a condição de indiscutível que possui neste Benfica. O Pai ter-lhe-á demonstrado muita força e pedido coragem. Que continuasse a ser o filho exemplar que sempre foi, que fosse humilde e trabalhador, que o mundo um dia perdoaria Jesus por tal atentado. Nos entretantos, Emerson persiste - como não? Que culpa tem o rapaz de tão abominável patetice? Se o atiram para o relvado, ele faz o que pode, que é muito pouco, mas disso não tem ele culpa.

Nesta novela de escabrosos episódios, o último que veio apimentar a discussão trouxe-nos o nosso grande e extraordinário Presidente, que vem afirmar que a alternativa a Emerson - o tal campeão do Mundo que não serve nem para a Taça da Liga e que nos custou 3 milhões para ir a Nyon assistir a sorteios da UEFA e para efectuar peladinhas na luta contra a pobreza - é, e cito, "um "profissional exemplar". Ora, se o espanhol não faz birras nos treinos (teoria durante muito tempo aventada pelos eternos defensores do indefensável), se o espanhol tem muito mais experiência internacional, vindo de um campeonato a léguas competitivas do nosso, enfim, se Capdevila é muito mas mesmo muito melhor jogador do que Emerson, por que carga de filha da puta de água teremos de continuar a arriscar pontos, eliminatórias e competições sem que ninguém promova as mudanças que se exigem desde Agosto? Continuo muito intrigado.

Vamos todos aceitar, mesmo que assim a modos que algo contrafeitos, que Capdevila não serve para ser jogador do Benfica. Pode ser? Façam lá o esforço por uns minutinhos. Capdevila não serve. Ou porque tem o nariz grande, ou porque é feio, ou porque tem brinco, ou porque tem a crescer-lhe no peito uma verruga de muito mau gosto e cheiro, ou porque é desdentado, ou porque sofre de urticária, ou porque o Jesus não gosta dele, ou porque o Jesus é parvo, ou porque o Jesus mete à frente dos interesses colectivos os objectivos individuais, ou porque o Vieira não tem mão no Jesus, ou porque o Carraça é uma carraça muito mole, ou porque o Rui Costa não aparece vai para mais de três quinze dias, por qualquer coisa que possamos dizer ou inventar ou fantasiar, o que importa é isto: vamos todos imaginar que Capdevila é pior que Emerson e por isso não joga, jogando o rapaz de olhos caninos no lugar dele. Estamos todos entendidos? Ainda bem. Agora respondam-me só a isto: não preparámos a compra de um lateral-esquerdo bom (ou, vá, razoável, já estou por tudo) e esse lateral-esquerdo não está já a treinar com o plantel porquê, caralho?




 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A cartilha dos adoradores do cacique beato

O futebol português mete-me nojo. De entre a escumalha dirigente, passando por treinadores e atletas e acabando na profusa fábrica de jornalistas imbecis e comentadores vendidos a um sistema porcalhão, poucos são os que se aproveitam - e mesmo esses, quando são descobertos, das duas uma: ou desaparecem do mapa do futebol lusitano ou entregam-se aos mesmos exercícios masturbatórios que antes criticavam. É a sobrevivência primária no húmus putrefacto que é este deprimente futebolzinho.

Para aferir da qualidade de um povo, nada como identificar o modelo pelo qual ele se rege e para o qual contribui com vénias, altos louvores e humilhantes mamadas por debaixo das mesas da burocracia. Ora, no caso desta gentalha que polui os ares do futebol português, o exemplo não podia ser mais claro da portuguezinha e decadente condição: um beato corrupto, com um ódio de estimação que vem de um trauma profundo de ter vergonha das próprias origens. O português tem historial no gosto por beatos malvados, mas desta vez excedeu-se, metamorfoseando a ideia política na ideia desportiva para criar esta espécie ainda a necessitar de um estudo mais complexo e detalhado mas que, em linhas gerais, se resume a isto: Pinto da Costa é uma mistura de tudo o que é mau no povo lusitano - corrupto, padreco, mentiroso, burlão, caloteiro, labrego e profundamente inspirado por um sentimento de menoridade em relação aos outros (no caso, o Benfica). É este verdadeiro exemplo de tudo o que há de mau no homem lusitano que serve como farol a 90 por cento dos agentes do futebol em Portugal. Espanta que o mesmo futebol esteja pelas ruas da decadência e da sujeira, quando se idolatram heróis desta imunda estirpe?
 
Não espanta. Como não espanta observar a cartilha pela qual se regem os treinadores, jogadores e dirigentes das equipas adversárias do Benfica. 

Primeiro mandamento: entrar em campo como se fosse o último jogo das suas vidas - espumar da boca, ir a todas as bolas como se dela dependesse a vida dos filhos, pressionar o árbitro, simular lesões, fingir agressões adversárias, morrer em campo, se for preciso. Alguém consegue, em consciência, dizer que os adversários do Benfica entram da mesma forma nos jogos com que entram contra Sporting e, especialmente, Porto? Só se for muito cego. Ou então amante de algum cacique beato que por aí ande a pagar jantares a putas brasileiras, enquanto estas lhe vão aparando os peidinhos com o esguio fumo de cigarros finos e delicados. O Vitória ontem só não acabou o jogo com 8 ou 9 bolas no saco porque teve sorte, tal foi o desgaste até ao intervalo. A expulsão (justíssima, mas só para alguns, pelos vistos) veio acentuar as línguas de fora mas era demasiado evidente que a equipa, após aquela primeira parte de cães raivosos, estava de rastos. 

Segundo mandamento: independentemente da actuação do árbitro, no jogo frente ao Benfica dizer sempre que houve prejuízo claro. A cartilha aqui sofreu nos últimos anos uma mudança nas alíneas: antes, as equipas só reclamavam quando tinha havido uma arbitragem sem casos. Agora passaram a reclamar também nos jogos em que saem beneficiadas. Não interessa a verdade, interessa fazer barulho e contribuir para futuros erros (mais ainda) contra o Benfica, para no fim o dono dar uma bolachinha, que é como quem diz: oferecer um Olhanense, uma Académica, um Braga, um Leiria para ir treinando e brincando aos treinadores de futebol ou aos jogadores emprestados. Nesta cartilha, está também o exemplo contrário, como é óbvio: nos jogos frente ao Porto, por mais que a arbitragem seja vergonhosa e prejudicial às equipas B, no fim está tudo muito bem, o treinador vem dizer que o Porto é uma excelente equipa e que nada podia ter feito contra a supremacia adversária - eles, que normalmente experimentam novos conceitos tácticos nestes jogos ou retiram 6 ou 7 titulares para experimentações de âmbito - como dizer? - exploratório, por coincidência sempre contra a mesma equipa. Por coincidência, naturalmente.

Terceiro mandamento: o verdadeiro comentador de futebol deve ser aquele que constantemente vê nos jogos do Benfica uma arbitragem favorável aos de vermelho. Mesmo que o que se passe em campo seja o contrário - o que é bem mais habitual. Ontem tivemos mais um excelente exemplo de como se comenta em Portugal: uma suposta falta de Maxi Pereira fora da área foi discutida durante uma hora como um penálti que terá ficado por marcar. Já Javi Garcia, que faz um gesto obtuso mas sem qualquer tipo de violência ou agressividade dignas de uma expulsão, parece que conseguiu o feito extraordinário de cotovelar ao mesmo tempo que dava cabeçadas. Isto a julgar pelas palavras do parvalhão de serviço, enquanto se falava também num possível penálti, se o árbitro tivesse querido - que a bola estava parada é apenas um pormenor sem importância nenhuma. Mas há mais: os bons jornalistas/comentadores ou, vá, os assim-assim, também começam a cair no caldeirão da poção mágica da Madalena, na esperança de não serem definitivamente postos na prateleira e enterrados vivos. É assim que funciona: exacerbar os feitos do Porto dá lugares na rádio, televisão e jornais. Se a isso vier agregado um anti-benfiquismo primário, é caso para termos uma reaparição de gente repescada do fundilho das memórias. Ontem foi Ribeiro Cristóvão, sportinguista pelo qual sempre tive o maior dos apreços mas que parece estar a passar por uma crise profunda - seja económica, seja ideológica. Claro que há também o facto de o Sporting este ano estar um bocadinho mais forte, o que gera logo no sportinguista (mesmo no mais lúcido) aquele gritinho histérico a querer sair, aquele anti-benfiquismo rasteirinho pronto a dançar pela língua e Cristóvão não se conteve: não só não era penálti sobre o Nolito como ainda o rapaz devia ter sido expulso! Ah Ribeiro, Ribeiro, a fominha é muita. 


É neste lodo que o Benfica tenta dançar sem escorregar muito. Não lhe basta ser melhor, tem de ser MUITO melhor para poder ganhar em Portugal. E, mesmo quando é claramente superior aos adversários, como há dois anos, tem de penar até ao fim para garantir o título. Outros beneficiam de jornadas iniciais em que os adversários são afastados por arbitragens vergonhosas para chegarem a Janeiro tranquilos - é a chamada organização competente. Mas este ano vão ter de levar connosco. E só serão campeões se mais uma vez puxarem dos galões e mostrarem ao mundo os corruptos que são. Vai ter de ser aos olhos de todos e de forma escandalosa. Caso contrário, vão ouvir dizer lá para Abril: ontem vi-te no Marquês de Pombal.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O melhor blogue do ano (chupa, Tomás Pizarro!)

É este, evidentemente. 

Pelo menos é assim que o JNF, do Eterno Benfica, pensa. Quem somos nós para duvidar? Somos os melhores do ano, claro. Parece-me até injusto que haja segundo e terceiro lugares - no caso, o Céu Encarnado e o A Mão de Vata. Sim, são jeitosos, às vezes até roçam um certo anti-benfiquismo primário que se elogia e a que aqui se dará sempre guarida, mas sejamos claros: haverá melhor blogue a desfazer o benfiquismo que este?

O prémio é justíssimo e só peca por não trazer dinheiro envolvido que, como está explicado uns posts atrás, teria dado muito jeito nesta quadra festiva. Enfim, o mundo não é perfeito, Cláudio Ramos respira, Rui Oliveira e Costa mantém-se em zurros, ainda se sente no ar o cheiro de Estarreja dos fartos peidos de Pinto da Costa - saibamos nós o poder da resignação. 


JNF, no entanto, não se ficou pelo prémio de melhor blogue - o que faz todo o sentido, visto que se isto é um blogue (e há quem muito injustamente duvide) há-de ter posts e coisas escritas e até gente que os escreve. E, como tal, logicamente o escritor (já não escriba, mas criador de escrita) Ricardo recebeu, outra vez de forma lógica e evidente, o prémio de melhor blogger de toda a blogosfera benfiquista - mais um sinal da lucidez desarmante do sempre iluminado JNF. Não nos opomos. Concordamos, até. E, apesar da modéstia que sempre nos orienta, aconselhamos muito humildemente uma acção que julgamos de todas as formas justíssima: a foto do escritor Ricardo como wallpaper de todos os que nos lêem. Num sinal de afecto e regozijo pela possibilidade única de virem a este espaço ler coisas que, enfim, ponhamos isto no sítio correcto: não há em mais lado nenhum, exceptuando aqueles trechos de poesia extraordinária dos competidores a uma viagem ao Martim Moniz (com estadia paga) que a Dica da Semana, sempre vanguardista, oferece aos seus leitores.

Claro, a vossa esposa poderia por vezes questionar a razão pela qual apareceria um barbudo de óculos apaneleirados e um chapéu no mínimo questionável sempre que ligava o computador para ir ver o horóscopo. Mas nenhum homem é livre, lembrem-se disso. E honrem quem tem pelo menos a decência de não dar ao blogue o nome de "bimbolagartada" ou coisas asquerosas do género. Posso mandar-vos fotos minhas em outras poses - tenho uma plêiade delas na minha secreta pasta (com password, obviamente). Há uma em que visto de azul e branco e levo tatuado na testa a frase: "Reinaldo Teles só há um: o que congela bactérias e mais nenhum". Por exemplo. Mas podemos negociar.

O que acho mal nisto tudo é ter perdido para o Trainmaniac (outro dos maus benfiquistas - valha-nos isso!) o melhor post do ano, ficando num humilhante segundo lugar. E logo num post em que eu dizia que o Porto era uma boa equipa e o Falcao um extraordinário jogador! Doeu-me, claro, calou fundo no peito, confesso, mas atribuo a essa evidente falta de gosto do JNF a necessidade de espalhar o mal pelas aldeias. Magoado, aceito. E só espero que em 2013, quando todos estivermos no autoclismo cósmico, a justiça seja reposta.

No que concerne aos outros prémios, posso concordar aqui e ali. O Constantino, o Diego Armés, o Éter e o Pedro serão merecedores de alguma coisinha pequena. Não odeiam tanto o Benfica mas também têm as suas loucuras. Continuem a postar parvoíces que um dia chegam lá.

Pelo preço certo, dou workshops.



domingo, 1 de janeiro de 2012

E o click em 2012?

É só para lembrar aos mais distraídos que faltam 1000 marmelos para atingirmos o milhão de fãs no facebook. Não custa nada: Sport Lisboa e Benfica e um like. Fácil e gratuito. 

Ah e um 2012 razoavelzinho para todos vós.