quarta-feira, 21 de março de 2012

Golos e Assistências - 42 jogos oficiais (29v, 9e, 4d)



Golos
Cardozo
26
Rodrigo
14
Nolito
12
Bruno César
8
Saviola
5
Witsel
4
Gaitán
4
Aimar
3
N. Oliveira
3
M. Pereira
3
Garay
2
Luisão
2
Matic
1
Javi
1























Assistências
Gaitán
13
Aimar
10
Nolito
8
B. César
5
Cardozo
4
Witsel
4
Saviola
4
Rodrigo
3
M. Pereira
3
R. Amorim
2
N. Oliveira
            2
Luisão
1
Javi
1

terça-feira, 20 de março de 2012

Benfica!

Primeiro dizer que não considero o porto uma equipa muito forte. Não é de certeza o adversário mais forte que o Benfica já defrontou. No entanto, representa uma barreira psicológica enorme para a equipa e foi uma vitória importante, talvez com consequências para campeonato e mesmo para o jogo com o chelsea.
Depois de ver o jogo, emendo o meu post de hoje. Dou razão ao JC e digo que era um jogo para jogar forte. Era importante vencer o porto.
Só uma palavrinha de parabéns ao álvaro pereira, que consegue fazer o enésimo jogo contra o Benfica a merecer ser expulso, mas sem ter essa atenção do árbitro. De facto, sem uma ajuda forte do árbitro, o porto fica em dificuldades.
Do Jesus, o que já disse: boas opções e um onze muito melhor que o meu.
Dos jogadores,

Eduardo - Tem cumprido sempre.
Maxi - Bom jogo, importantíssimo numa altura em que quase toda a gente estava com medo do porto.
Luisão - Brutal. Excelente. Este gajo era cepo. Lembram-se disso? Eu lembro-me! Ele era cepo! Agora? Imperial em quase todo o jogo e ainda, e só(!), o gajo mais esclarecido frente à baliza do porto. Cabeça, finalizações de pé esquerdo à meia volta, ou drible à entrada da área com remate colocado de pé esquerdo! Que luxo!
Jardel - Está a aguentar-se muito bem. Muito Bem.
Capdevila - Sem entrar em elogios para não ser controverso - mas, é ou não é melhor que o Emerson?
Javi - Um bocado de medo do porto em algumas alturas, mas sempre importante.
Witsel - Adoro o gajo, é um jogador do caraças, mas também também teve um bocadinho de medo do porto. Precisa de descansar.
Nolito - Abaixo do que esperava. Lutou, e isso é importante, mas também falhou muito.
Bruno César - É um jogador muito importante por ser diferente de Gaitan e Nolito. Positivo.
Aimar - É Deus. Mas Deus também precisa de descansar. Hoje revelou algum cansaço, e fico contente por ter descansado...
Nelson Oliveira - Jogo de sacrifício. Não foi tão explosivo como noutros jogos, mas penso que fez melhor do o Cardozo faria naquele período do jogo.
Gaitan - Entrou bem.
Saviola - Entrou bem, mas mostra alguma falta de ritmo.
Cardozo - Alguns de vocês conhecerão alguns, pequenos, problemas que tenho com ele. Agora um gajo tem que fazer um vénia do tamanho do mundo a um goleador que isolado remata de fora da área, e...marca! A vénia tem que se estender a um ajoelhar "muçulmano a Alá" a um jogador que já marcou 7 golos a estas bestas.

P.S: Estou a ver as bestas a reclamar de bloqueios?? bloqueios meus grandes caras de cu?? Estes gajos estão tão habituados a que os árbitros os protejam em tudo o que é lance que caem na mais profunda ridicularia. E depois vão daí para dizer que deviam ter ganho ou ido a penalties; isto depois de 3 bolas no ferro e um golo de ressalto. Como se tudo isto fosse minimamente parecido com aquele duplo fora de jogo monumental para o golo da vitória do porto. Por favor, minhas grandes bestas!

Ao intervalo...

Contra o porto, o pior que pode acontecer ao Benfica é começar a ganhar ou estar a ganhar cedo. Até fazem o porto parecer uma boa equipa. Por outro lado, com um simetria perversa, estar a perder faz-lhes bem, soltam-se finalmente...Quando é que superamos este bloqueio? Hoje?

Ah, e por falar em tradições, e a típica cagada que o porto sempre tem contra nós? Dasse...aquela merda dos postes e trave e o cacete tirou-me 5 anos de vida; sebosos de merda dos azuis...

O meu onze para hoje


As verdades que incomodam o M., que o Ricardo refere ali em baixo, a mim estão a deixar-me completamente em pânico. Concordo plenamente com ele, mas não posso, não quero conceber que esta época possa ser ainda mais amarga que a anterior. Sem desenvolver mais, que tenho que ir trabalhar, deixo aqui o onze para hoje, subjacente ao tema "Dos 6 jogos que vamos disputar nos próximos 19 dias este é o único que não interessa um cu para o balanço final da época".

Eduardo
Capdevila
Miguel Vitor
Jardel
André Almeida
Matic
Ruben Amorim
Gaitan
Bruno César
Saviola
Nelson Oliveira/Rodrigo

Notas: Está o Ruben Amorin no onze, mas não é um lapso. Se fosse o meu onze também era o meu plantel, e logo, portanto, estão a ver; e ainda me lembrei do Enzo... Quanto ao Nelson/Rodrigo decidiria com base na vertente física. Se Rodrigo estivesse bem seria ele o escolhido, embora não necessariamente para os 90 minutos. 

E hoje, damos quantos?

Hoje acordei em modo Jorge Jesus. Para mim, é mais do que evidente que logo à noitinha não só ganharemos como daremos a maior goleada dos últimos 30 anos aos jogadores do demo. Uma humilhação tão ansiosamente esperada quando ardentemente desejada. Uma vingança, uma desforra, a vitória do Bem contra o Mal e todas essas verdades universais que sabemos constituírem a supremacia do lado bom do mundo sempre que o Benfica ganha ao Porto.

Logo num dia em que os medrosos ficarão em casa, logo quando muitos confundem ser do Benfica com ser das vitórias, logo na noite em que todos se sentarão no sofá, quase displicentes, à espera de mais uma derrota. Será hoje, nesse dia em que muitos desistiram e abandonaram o clube, que ele se reerguerá para uma noite triunfal. 

Depois não chorem não terem estado naquele que será o 5-1 mais falado nos próximos 10 anos.  




Verdades incómodas de M.

Não sei se já conhecem o "Lá em casa mando eu". É possível que não. É um blogue e só não é igual a tantos outros blogues porque lá nessa casa há excelentes textos - o que faz da mesma uma casa muito diferente da maioria das casas que por aí andam.

E o M. - companheiro querido aqui do vosso escriba - vai escrevendo o que é evidente, embora estranhamente invulgar. No último texto, mais umas quantas verdades em formato benfiquista doente porém lúcido. Aqui. Ou então aqui:



 «Porque é que eu acho que vai correr tudo mal 

O Benfica, depois de se ter suicidado fazendo 1 ponto em 9 no ciclo mais importante da época, enfrenta agora o ciclo que decidirá se, entre Taça da Liga, Campeonato e Champions, alguma coisa vamos ganhar.
Vamos por partes:
1. Eu não sou o Professor Karamba, mas não é preciso ser muito inteligente para tentar adivinhar isto: o Benfica NÃO vai ser Campeão Europeu. Eu sei, eu sei, como é possível um Benfiquista não ter aquele sonho, aquele bichinho pela Champions? Epá, eu chorei sozinho no sofá, há 3 dias, a ver as imagens do Milan - Benfica. Claro que quero que o Benfica ganhe a Champions. Mas é matematicamente impossível o Benfica passar o Chelsea a duas mãos, seguidamente eliminar o Barcelona a duas mãos e depois ganhar uma final ao Real Madrid ou ao Bayern. É praticamente impossível. Tirem esse sonho da cabeça, que só vos faz mal.
2. O Benfica tem que lutar, com todas as forças, pelo Campeonato Nacional. Esse é, tem de ser, o grande objectivo. Ofereçam aos jogadores 8 vezes mais de prémio pelo Campeonato do que pela Champions, para ver se eles percebem a ideia. Mas, mesmo assim, acho que o Benfica não vai ser Campeão. Obviamente, que acredito que vai ser, que me apetece rebolar no chão com a vontade toda que tenho que o Benfica saque o caneco. Mas acho que não vai acontecer. E porquê? Porque o Vieira e o Jesus montaram um plantel desequilibrado. Quando escrevia no Verão que estava preocupado com a falta de um defesa esquerdo, não imaginava que o Benfica fosse buscar dois. Também não imaginava que desses dois, só um tinha competência para o lugar, mas que não era esse que o ia fazer. Também não imaginava que o tipo que era essencial para suplente a defesa direito ou médio centro nesta fase da época já cá não estivesse.
Mas o mais impressionante é que a direcção do Benfica, sabendo de antemão a saída deste jogador, não comprou outro para o lugar! E mandou o David Simão embora, ficando apenas Witsel, Javi e Matic para dois lugares no meio campo! E achou que o André Almeida era um bom suplente do Maxi! E o Jesus não tenta o Miguel Vítor a defesa direito! E comprámos o Djaló!
Não fosse tudo isto já suficientemente surreal, recordo que temos um treinador que, no jogo do título, a ganhar 2-1, com a lesão de Aimar, não meteu o Matic. E levou um golo num contra - ataque de 40 metros. Estávamos a ganhar! Com o Trapattoni, quando o Cardozo estivesse no ar a fazer 2-1, já o Matic tinha aquecido e estava no meio campo à espera de entrar.
E este plantel desequilibrado, focado na Champions - porque o Cruyff da Amadora está convencido que somos munta fortes - não vai, obviamente, aguentar jogar com o Chelsea, Braga, Chelsea, Sporting de seguida sem dar barraca com o Braga e no derby - que são os dois jogos que interessam ganhar (porquê? ver ponto 1. novamente).
A esperança vem do facto do Porto parecer jogar sobre drogas - não as usuais, que fizeram cair misteriosamente o cabelo a Jaime Magalhães, André e Semedo, mas as leves, as do Filipe Menezes, e a lesão de Leandro Salino (jogador que faz de lateral direito e médio centro. Mas nós comprámos o Djaló.) que deixará o Braga sem defesa direito depois das lesões de Baiano e Amorim (jogador que, não sei se já vos disse, faz falta ao plantel).
3. A Taça da Liga é para ganhar. É para meter os suplentes possíveis e que seja o que Eusébio quiser.
Estou sinceramente convencido que isto vai correr mal. E não foram artes mágicas. Foi a má gestão, foi a loucura de Jesus e uma abordagem surreal ao mercado de Dezembro.
Se me enganar, levo eu o vinho para o Marquês.»

segunda-feira, 19 de março de 2012

Apenas e só uma ideia

Uma ideia para amanhã, muito pessoal e mesmo nada transmissível e que nem sequer corresponde necessariamente àquilo que quero mas que, em termos de estratégia para o resto da época, podia nem ser mal pensado:

- Jogar com os suplentes. Poupar TODOS os titulares para o ciclo infernal que aí vem, apostar TUDO no campeonato e na Champions e esperar que os gajos amanhã também venham em modo poupança. Um Benfica B versus Porto B (não, não é o Sporting nem o Braga) e logo se via no que dava.

E, claro, lá estaremos. Apareçam.

sábado, 17 de março de 2012

Extraordinário pensamento

"Só perdemos um jogo em casa esta época. Não tenho, nem os jogadores, de perceber a razão de sofrer golos em casa. É importante não sofrer, mas mais importante é marcar mais e ganhar os jogos. Hoje, sofremos um, mas marcámos três e somámos mais 3 pontos"

sexta-feira, 16 de março de 2012

Vamos fazer de Drogba o nosso Dzeko?

Quando li as declarações de Dzeko, a primeira coisa que me ocorreu foi: "Olha-m' esta besta a dar uma enorme dose de motivação aos lagartos sem se aperceber".
Por mim, é pôr já este videozito a rodar repetidamente no balneário da Luz e esperar que surta o mesmo efeito. Contudo, é essencial que Jesus não seja mais Dzeko que Dzeko nem mais Drogba que Drogba.


Jesus regozija no seu T1 da Brandoa

Benfica-Chelsea
Milan-Barcelona

Apoel-Real Madrid
Marselha-Bayern Munique


Podia ter sido melhor. Não foi mau de todo. O que é certo é que não deixa margem para lamúrias, já que Jorge Jesus, esse catedrático da bola redonda, pediu encarecidamente, por duas vezes, que saísse ao Benfica o clube de Londres. Aí está ele, Jota Jota, com um lacinho e tudo para tu descobrires novos buracos tácticos num adversário que, apesar de novo-rico e de vir de alguma instabilidade, é poderoso e tem obviamente favoritismo. 

Já o emparelhamento é que não deixa lugar a grandes dúvidas: se passarmos às meias-finais, provavelmente acabaremos a bonita carreira nas meias. Isto se não nos der algum brio renascido directamente dos anos 60. Nunca se sabe. Mas, pela lógica, Milan ou Barcelona serão intransponíveis.

Agora a preocupação maior de tudo isto: jogamos fora no segundo jogo. Não me entendam mal: dá-me um jeitão preparar a viagem a Londres só para essa data - até porque sairá bem mais barato -, mas o facto de termos Braga antes e Alvalade depois não me deixa tranquilo. Esperemos que o Sporting vá jogar à Ucrânia.

Num ponto de vista puramente egoísta, fico algo desiludido com o destino. Londres conheço, é bonito, tem muita gente bonita, é cosmopolita, tem aquele ambiente nostálgico e rockeiro que sabe bem e nos alimenta a alma, mas apetecia-me outro tipo de viagem. Queria sul, mediterrâneo, praia e comidas exótico-familiares. Paciência. 

Vemo-nos em Londres, rapaziada. Mesmo com má banda sonora dos anos 80.

 

Sinais interessantes de Sá Pinto

Uma primeira parte muito interessante do Sporting, esta noite, que deixam no ar se não certezas absolutas sobre o novo treinador leonino pelo menos a necessidade de acompanhar com atenção e olho microscópico o resto da época do clube de Alvalade.

Há um pormenor que para mim diz muito de Sá Pinto: a aposta inequívoca, sem medos e totalmente consolidada em Pereirinha. Pode parecer quase uma questão de somenos mas, para mim, serve logo de bandeira que me chama a tomar muita atenção ao que fará o novo treinador leonino no futuro. Pereirinha é aquele tipo de jogador que é melhor do que a maioria dos jogadores que se passeiam pelos relvados nacionais. Mas precisa de uma aposta clara, absoluta, assertiva, que lhe entregue aquilo de que ele mais precisa (visto que o resto, e é muito, sabe tudo): confiança. 

Se mentalmente bem, Pereirinha torna-se num jogador de eleição, porque é, do ponto de vista futebolístico (qualidade inata, talento, técnica, visão de jogo, inteligência, entendimento colectivo), muito melhor do que quase todos os outros. Se acompanhado, acarinhado, bem tratado e empurrado a um bom desempenho através da aposta constante nas suas qualidades, Pereirinha é muito bom. Ver isso, no entanto, não está ao alcance de todos. Que o diga Domingos. Esta aposta no jogador português por parte de Sá Pinto evidencia um perigo para as nossas cores: o Sporting muito provavelmente tem um bom treinador. 

E, de facto, o que se passou naquela primeira parte traz algumas certezas - ou, como diza atrás, ao menos a necessidade de uma assertiva atenção para o futuro. Não esmiuçarei o jogo, chega-me aquilo que vi e a ideia que mantenho - e que em posts anteriores, um deles este, defendi: Pereirinha e Matías Fernandez teriam sido - e ainda poderão vir a ser - apostas certeiras por parte do Benfica. Dois jogadores que, no plantel actual, levar-nos-iam para outro patamar de qualidade e soluções alternativas. É que Maxi e Aimar não durarão sempre. Nem Witsel por cá ficará mais do que uns meses. 

A segunda parte trouxe o Sporting normal, aquele cheio de medo da sombra e dos outros e do relvado e de tudo o que mexa. Claro, ganhar em Inglaterra não está ao alcance de todos e o Sporting na Europa tem um registo francamente pobre, principalmente na condição de visitante. É mais uma derrota para o currículo, o que é perfeitamente normal. E mais 5 minutos e a eliminatória teria virado - e não virou por um acaso, mesmo ao cair do pano. Mas é uma derrota que vale uma passagem. E, diga-se, totalmente justa. E uma lição para os sobranceiros que, apesar de levarem lições consecutivas (do Benfica, preferencialmente, já que Porto e Sporting não têm bons registos com os grandes de Inglaterra - o primeiro é normalmente goleado, o segundo porque raramente joga com eles, estando sempre num plano secundário), não largam a arrogância de acharem que em Portugal só há boas praias e marisco. 

Se me permitem a quase heresia: gostei que o Sporting tivesse passado. E o que há de bom para nós nisto: receber-nos-ão no dérbi com jogo europeu a meio da semana, tal como nós. E com menos tempo de descanso. E agora que venha um espanhol qualquer acabar-lhes com a tosse que isto de quartos-de-final é fruta a mais para clube com tanta falta de hábito nestas andanças.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O que importa é o Benfica (mas se puder ser uma ilha mediterrânica tanto melhor)

Uns fazem planos sobre a viagem, escolhendo o adversário pelo valor que custará chegar até à cidade onde ele joga. Londres, claro, é a preferência óbvia, embora Madrid e até mesmo Barcelona agitem o coração daqueles que já imaginam uma road trip por terras castelhanas, com muito fumo, bebida, cabelos ao vento, guitarras, suor, estações de serviço e, para os amantes, muito presunto.

Outros, sem capacidades económicas que lhes permitam sair da Falagueira, olham as equipas com os seus próprios naturais e legítimos preconceitos: "APOEL não quero, porque o Benfica dá-se bem é com grandes equipas, com equipas mais fracas normalmente arma-se em forte e dá merda". Preferem por isso largos voos e vinganças: "Está na altura de vingarmos o Milan e o Bayern, é este ano!" ou então escolhem clientes com os quais saímos sempre a ganhar: "vai calhar o Marselha, que é para os eliminarmos pela terceira vez consecutiva. Detesto franceses!". 

Cada um tem as suas teorias, os seus pontos de vista, os seus ãngulos de onde olha com um olhar admiravelmente irracional. Não se lhe pede outra coisa, de resto. O simples facto de passarmos duas semanas a imaginar um sorteio e suas idiossincrasias no qual não teremos o mínimo poder de acção é já e sê-lo-á sempre a suprema prova de que o adepto não bate bem da tola. Como se, pensando com muita força no adversário que queremos que saia ao Benfica, as bolas rodem e sejam escolhidas como nós queremos. 

"Se eu rezar aos santinhos todos"; "se eu não fizer a barba..."; "O que eu preciso é contar até 100 baixinho e depois dos 100 para o 0 em voz alta"; "Ainda ontem vi uma reportagem sobre Nicósia, vai sair-nos o APOEL"; "tenho amigos em Marselha, tenho a certeza de que o Benfica não lhe escapa"; "já disse no emprego e apostei 5 euros: vai sair o Milan. Eu nunca falho". Exceptuando quando falha. Mas quando falha, o adepto esquece, começa a pensar noutra coisa, lembra-se de ir arrumar a mesa da cozinha ou limpar as hastes dos óculos. Já quando acerta, escreve na memória a letras garrafais o momento, conta aos amigos, jura a história à mulher e passará a vida toda a contar que um dia acertou no nome do adversário que queria para o Benfica. E acrescentará, convicto: "eu nunca falho". E o mais bonito de tudo é que ele acredita mesmo que nunca falha.

Ora, por mim que nestas coisas sou bastante badalhoco - e que portanto irei a qualquer lado que calhar no sorteio -, tenho dois pensamentos principais: o Benfica e a viagem. A prioridade tem de ser sempre o clube e não a minha satisfação pessoal, embora possamos juntar as duas premissas. Nesse sentido, Nicósia será um lugar aprazível, simpático, agradável, bonito, tendencialmente mais fácil para o Benfica (apesar daquele ambiente monstruoso que eles lá têm, que é o triplo do ambiente que temos no nosso estádio embora eles tenham um terço das pessoas que nós temos na Luz). Mais caro, é certo, mas faço o favor de não protestar, tendo em conta que para o clube seria um bom sorteio e para mim uma viagem a um lugar que já há algum tempo ando a olhar de esguelha, pensativo. "Hmmm... e se?". Espero que o "se" seja "sim" daqui a umas horas. Dormirei em Famagusta.

No resto, desportivamente prefiro por esta ordem: Marselha, Chelsea, Milan, Bayern, Real, Barcelona. 

E, no que a bem-bom diz respeito, tenho estas prioridades geográficas: Nicósia, Munique, Londres, Marselha, Milão, Barcelona, Madrid. 


Mas, como eu nunca me engano nestas coisas, tenho a certeza de que sairá o Milan.

terça-feira, 13 de março de 2012

Maravilhoso Rogério "Pipi"

A morte. Explicam-nos em vida o que é a morte. Nunca entendemos. Fazemos pequenos resumos durante o sono ou no quase sonho. Falhamos sempre. Imaginamos uma viagem do ponto A ao ponto B com missangas e derivações de beijos. É mentira - a morte, nossa e dos outros, é uma coisa dorida, que dói dentro de nós e no espaço que nos arredonda. 

Às vezes levamos a morte dentro de nós para ver se alguém nos salva. Ninguém nos salva. Começamos um dia com vontade de libertação e libertamo-nos. Ninguém nos liberta. Nem mesmo aqueles que achávamos que podiam libertar-nos. Sem culpa, nossa ou deles. Só vida e medidas que são deles e nossas. Ninguém sabe como tratar da existência.

O meu Pai morreu há dois anos. Ligaram-me do hospital, estava eu a servir cervejas e tortas de laranja, alguém fez um pequeno compasso de espera, eu rebaixei os joelhos atrás do balcão e disse: "Sim?". Do outro lado, alguém disse: "O teu Pai faleceu" e eu não disse coisa nenhuma nem fiz esgar algum. Pedi licença, vesti-me, fui a casa, bebi uma garrafa de gin e fui para Abrantes. E isso valeu tanto quanto tudo o resto.

Isto para dizer que conheci o Senhor Rogério Lantres de Carvalho, mais conhecido como "Rogério Pipi". Tem laivos de morte e vida. Olhei-o de frente e ainda não tinha o cheiro a caixão, embora tivesse aquele aroma a uma morte provável e quase certa. É possível que seja por isso que seja a pessoa mais encantadora que conheci, já que não deve nada a ninguém e então pode ser homem bom. Rogério Pipi é um homem bom. Manteve ao longo da vida esse resguardo animal de conseguir transportar dentro dele a bondade e todas as coisas que vêm amarradas com ela. Rogério, sem expectativas de futuro, disse-me isto: "ainda estamos à espera de sermos felizes". Isto vindo de um homem que, entre outras coisas, venceu uma Taça Latina e marcou tantos golos quantos os goles que eu darei em copos de gin-tónicos na minha existência.

Abraçou-me no fim da despedida e agradeceu-me. Soube dizer "Obrigado", ainda que os obrigados vivessem todos nos outros corações que, espantados, agradeciam aquilo que se estava a passar. Havia amor ali, e todos procuravam de onde vinha. E o amor nem sequer vinha do Benfica, mas da vontade de encontrar solução para a morte. Como se, por instinto, de repente todos se tivessem lembrado de que não morremos. Não morremos. E o Rogério fosse uma ideia em que todos queríamos acreditar.


segunda-feira, 12 de março de 2012

Chafurdice Nacional

O jogo de ontem do benfas foi uma chafurdice. Sendo muito sincero parece-me que o mais justo seria o empate. Por outro lado, ficou claro depois da reviravolta que só uma equipa estava disponível para procurar o golo e jogar futebol de homem, pelo que a vencer só seria justo que fossemos nós.
No entanto, não deixa de me embaraçar que o nosso melhor jogador tenha sido o Artur. Mais uma vez o JJ fez tudo para ajudar os rivais e, à semelhança do vit. de guimarães, académica, porto e 1ª parte do zenit (entre outros) decidiu cagar nesse promenorzinho que é o meio-campo. Coisa pouca. Valeu o Artur, o poste, a falta de pontaria dos avançados do paços, a vontade dos jogadores, o nelson oliveira e o bruno césar. O bruno césar que foi, ao mesmo tempo, o jogador mais esclarecido em campo e aquele que fez os centros e passes mais estapafúrdios – e foram muitos a fazê-los.
O árbitro também esteve a chafurdar em não sei o quê, e optou por um mui estúpido “não assinalo penalties mas avento dois gajos para a rua”. Pessoalmente, preferia que os árbitros assinalassem os penalties e que fossem menos lestos a expulsar pessoal (a segunda expulsão é difícil de julgar porque pode ter sido por palavras). Para mim, revendo o jogo e recordando a forma como o jogo foi disputado, parece-me uma aberração que uma das equipas tenha acabado o jogo com 9 jogadores.
Entretanto o braga ganhou, isto apesar do árbitro ter anulado um golo ao leiria. É a sorte e caridade do jogo, que uns têm mais do que outros. Mas nós não podemos reclamar, porque nós também somos dos caridosos e até emprestamos jogadores. Que queridos! É a mesma estupidez do sporting em relação ao porto – confundir um adversário com um aliado é, a par de cagar nas cuecas, das coisas mais humilhantes que conheço. E o LFV caga nas cuecas vezes sem conta.
Por fim o porto. Ora isto era campeonato nacional sem o porto beneficiar de penalties inexistentes nos momentos finais da partida? Claro que não era. É a tradição. Tal como é tradição no jogo com o benfas beneficiar de um golo irregular. Sim, porque se ao fiscal de linha tivesse apetecido ver dois(?) jogadores em fora de jogo na marcação de um livre(!), provavelmente o porto estaria em terceiro. E nós em primeiro…

sábado, 10 de março de 2012

Sondagem em tempo real

Sem o imprescindível Emerson em Paços, quem?

- Capdevila
- Luís Martins
- Gaitán (se dá para o Porto...)
- Nolito
- Matic (se David Luiz dá para Hulk...)
- Aimar (joga bem em qualquer lado)
- qualquer adepto fará melhor que Emerson

quinta-feira, 8 de março de 2012

O nosso caminho europeu

Se aos já apurados Milan, Barcelona e APOEL, juntarmos as equipas que provavelmente passarão para os quartos-de-final - Inter, Bayern, Nápoles e Real Madrid - temos um lote de adversários de grande qualidade e extremamente difíceis de bater.

Há, como é óbvio, aqueles que toda a gente quererá apanhar - os pobrezinhos dos cipriotas. Mas só quem não tem acompanhado a campanha fabulosa da equipa do Chipre pode achar que será um passeio pelo parque (a propósito, a adepta do City também achava o mesmo de ir jogar a Alvalade e terá saído de lá com uma ideia um pouco diferente, embora pela forma como os ingleses jogaram podermos afirmar tranquilamente que eles vieram a Lisboa passear um bocadinho antes de resolverem a coisa lá em terras britânicas). Não será. Muito menos lá, com um ambiente infernal, que eu um dia gostaria de ver reproduzido no Estádio da Luz - onde o que é normal é estar em modo velório. O APOEL tem um grupo de jogadores assim-assim que formam uma excelente equipa de futebol. Um pouco ao contrário do que se passa no Benfica, em que o talento desmesurado de vários dos seus jogadores não serve para constituir uma boa equipa de futebol - o que, no limite, diz muito da capacidade de ambos os treinadores das respectivas equipas. 

No entanto, apesar dos apesares, das dificuldades no Chipre e de algum cuidado que deve ser tido contra esta equipa (o Porto que o diga, que fez 1 em 6 pontos possíveis contra eles), é evidentemente o melhor adversário para a próxima fase. A calhar-nos, seremos abençoados. Desde que, claro, saibamos demonstrar a mesma mentalidade que apresentámos no último jogo.

Depois, o quê? Depois é só tubarões muito mais fortes do que nós. Porém, há três patamares: o primeiro, dos adversários que teriam 90 por cento de favoritismo contra o Benfica - Barcelona, Real Madrid; o segundo, o dos que nos deixariam sonhar com 30 por cento de possibilidades - Milan, Bayern; e um terceiro que poria a balança nuns 60-40 para o lado forasteiro - Nápoles e Inter.

Estamos, portanto, numa situação complexa. Em 7, só um nos interessa e só com esse teremos favoritismo. Por outro lado, só 2 significam provável morte instantânea. 

Talvez o melhor seja sonhar com uma passagem do Basileia, do CSKA e do Marselha. De um deles ou de todos. Ou então pôr todas as fichas no APOEL. Ou metê-las todas na crença de que não serão nem Barcelona nem Real os nossos adversários da próxima fase. E, já agora, nem Milan nem Bayern. Um Nápoles ou um Inter, na pior das hipóteses, será adversário mais passível de ser eliminado.

A certeza é esta: será necessária, entre outras coisas, alguma estrelinha para chegarmos às meias-finais.

Aproveitemos para rir enquanto ainda existem

Uma peça jornalística igual a tantas outras. A repórter encontra-se na baixa lisboeta, junto aos adeptos ingleses do City. Filmam-se os adeptos, cervejas à frente, bandeiras do clube, o estaminé montado. Depois a clássica entrevista a um dos adeptos, neste caso a uma adepta:

- Hello! So... what do you expect from this game?
- Eh, well, a walk in the park, we couldn´t ask for a better team.
- What do you know about Sporting?
- No, not a lot, really... i know they´re fourth in the league, Benfica are the best team, and i don´t know nothing about them...

A jornalista traduz a entrevista para os telespectadores e ficamos todos assim.

LOL de Portugal, aqui.


quarta-feira, 7 de março de 2012

Considerandos sobre a noite europeia

Há uma ideia - inventada não sei onde, não sei como, não sei por quem nem por que razão - de que uma equipa que precisa de marcar golos deve meter mais avançados. Jesus deve pensar o mesmo, pelo menos tem sido esse o seu histórico. No jogo de ontem, mais do mesmo erro: entra num jogo fundamental com um meio campo central com apenas duas unidades: Javi e Witsel, soltando um meio-Rodrigo (o homem não está em condições, nem físicas nem psicológicas) na frente em apoio a Cardozo.  

O que deu isto? Deu o filme habitual: incapacidade da equipa para construir de forma inteligente e, defensivamente, várias bolas verticais entre o meio-campo e a nossa defesa que não deram golo não pela nossa extraordinária organização mas pela rápida intervenção dos centrais e por alguma inépcia dos jogadores russos. 

A escolha de Jesus para o jogo de ontem foi a confirmação (se houvesse necessidade de tal coisa) de que cada vez mais se mostra incompetente para o cargo que ocupa - não por falta de talento, obviamente, mas porque tende para o abismo e para a impossibilidade de aprendizagem e evolução. Jesus não sabe aprender, não se questiona, não reflecte sobre as próprias ideias e sobre as ideias dos outros. Quer levar a sua até ao fim, mesmo que a realidade lhe vá demonstrando que tem de corrigir tiques nefastos para o próprio e para o clube que representa. E é pena, porque é dos treinadores mais talentosos do mundo. Quisesse Jesus saber aprender e tínhamos treinador para uma década. 

Não querendo, e nem sequer pondo agora em causa decisões de final de época, cada vez parece mais certo de que não será com Jesus que conquistaremos a hegemonia nacional. É risco a mais, cabeça a menos. Umas vezes, resulta e é uma festa; outras, são tiros na cabeça. Uma roleta russa que não pode servir de mote a um clube como o Benfica.

Por outro lado, e passados 3 anos, Jesus finalmente entendeu que a estratégia das substituições é algo que deve ser utilizado não para potenciar mais ataques em catadupa e jogo de malucos mas para, de facto, equilibrar a equipa e potenciá-la de acordo com o momento específico em que cada uma é executada. Sinceramente não me lembro de jogo nos últimos 3 anos em que as mudanças efectuadas tenham sido tão acertadas e - e isto é que é estranho - tão óbvias. Pelo menos para quem vê futebol sem óculos de cabedal. 

Retirar Rodrigo era um grito que se pedia já desde o final da primeira parte em que o coitado do rapaz, mal fisicamente e ainda a medo na disputa de lances, andava perdido, fazendo maus passes, tentando rasgos inconsequentes e deixando a equipa sem poder de rasgar a defesa do Zenit. Colocar Nolito pelo ex-Madrid, encostando Gaitán às costas de Cardozo, a dose certa para uma equipa que se queria apta a explorar o espaço deixado pelos russos. Parabéns, Jorge, demorou só 3 anos.

Faltava, no entanto, preencher o meio-campo, até porque Witsel (que jogo monstruoso), apesar de poder parecer um tentacular polvo com 50.000 pernas e de ter a capacidade para guardar a bola mesmo que ela fosse uma dose de heroína numa rua esconsa do Bronx, parecendo que não, também é humano e convinha soltá-lo para uma zona em que não só capitaneasse a pressão como fosse ele o primeiro na fila para decidir. Entrou Matic, saiu Gaitán. Bravo, Jesus! 

Eu, por esta altura, ganhei esperança. E passou-me pela cabeça: com o Porto, não houve disto porquê? Mas, mais uma vez, as minhas ideias sobre as opções do Jesus deixo-as no fundinho do meu coração. Acreditem que vocês não querem saber as minhas mais magoadas suspeitas. Azar, coincidência, arbitragens, ocultos poderes 1 em 9 pontos em 3 jornadas na fase crucial do campeonato de um gajo que tinha perdido 6 em 18 jogos? Eu também já fui de acreditar no Pai Natal.

Mas, como dizia, fiquei esperançado. Embora ao meu lado, muito se tivessem chateado por ter saído Gaitán e ter entrado Matic. Afinal, na ideia destes adeptos, "lá está o gajo a defender!", frase brilhante, especialmente porque todos acreditamos que estes mesmos rapazolas terão dito da substituição de Rodrigo por Aimar no jogo anterior: "lá está o gajo a atacar!". Isto cada um é para o que nasce. E o comum adepto do Benfica não nasce muito para apoiar. Se lhe falarem em chamar nomes ao Burro Alves ou assobiar os adeptos do Zenit, ah isso, meus amigos, levantam-se da cadeirinha e é vê-los indignados. Agora... apoiar a equipa, cantar o jogo todo, gritar bem alto "Benfiiiiiiiiiiiica" é só quando o rei faz anos e nós aqui só somos monárquicos quando a bola bate na rede. 

A minha esperança, no entanto, manteve-se sorridente. A equipa acalmou, obrigou a equipa russa à única táctica que conhecia e que táctica: Burro Alves vai até ao meio-campo e faz passes de 30 metros para o lateral-esquerdo. Maxi agradecia, metia em Javi que metia em Matic que metia em Witsel e era um carrossel até à baliza adversária. A equipa em 4231 (Matic não é trinco, Matic não é trinco, é preciso dizer mais quantas vezes?) controlava, geria a posse e - espantem-se os incrédulos! - chegava mais vezes à possibilidade de golo do que quando tinha 2 avançados. 

Deixem-me só voltar atrás nesta trama: Gaitán, como também vimos dizendo aqui há dois anos, é um excelente - EXCELENTE - homem de apoio ao avançado. Vão rever o jogo, vejam o que pode fazer este menino se solto das amarras das alas e mais perto das zonas de decisão. Depois conversamos. Jogo quase perfeito, mesmo quando cinicamente se pensava que Gaitán jogava nas laterais. 

Por esta altura, andava a pastar pelo campo um rapaz goleador mas que para o jogo que pretendíamos valia zero. Primeiro, porque se lhe enfiassem um morteiro na boca, ele explodia e depois porque servia de desculpa aos alivios supostamente responsáveis dos nossos jogadores: quando não tinham imaginação para mais, os colegas atiravam a bola em profundidade para o Cardozo naquela do "eu fiz o passe, o gajo é que é lento", o que, além de revelar mau feitio, explicava ao Jesus aquilo que ele demorou a entender mas que lá conseguiu ver passados uns minutos: estava a pedir avançado novinho em folha. Veio Oliveira. Podia ter vindo Saviola. Um dava uma coisa, outro dava outra. No fim, foi a escolha certa, dirão os especialistas, o rapaz marcou um golo. Por mim, tinha feito a escolha errada. 

É golo. A Luz explode de alegria e alívio. Mais uma noite épica do glorioso. E, para acabar em beleza, o melhor jogo - de longe - de Emerson ao serviço do Benfica. Há noites assim.



Lagartices antológicas - a inveja é uma coisa muito feia

Enquanto decorria o jogo do Benfica, no Sporting Autêntico uns quantos frustrados e pobres de espírito adeptos do clube em falência técnica, moral e desportiva soltavam toda o seu sentimento de inferioridade em relação ao Benfica discutindo, do alto dos seus mais nobres princípios, a forma como Bruno Alves estava a ser recebido na Luz. São pérolas atrás de pérolas. 

O assassino perfurador de tíbias, omoplatas, joelhos, coxas, baixos-ventres, cabeças, pescoços e tudo o que seja carne humana de repente, aos olhos destes brilhantes desportistas, tornou-se num pobre mártir nas mãos dos bárbaros benfiquistas. O jogador que, um dia depois de ter lesionado PROPOSITADAMENTE Rodrigo, se encontrava orgulhoso no Estádio do Dragão para receber os aplausos do público grato por tão dedicado serviço, era afinal um injustiçado, um rapaz humilde e bem educado, enfim, mais um santo.

A demência desta gente lagarta já chegou a tais níveis que a submissão é-lhes já parte do sangue. Já nem disfarçam, já nem sabem disfarçar, já não conseguem. Roeu-lhes tanto ver o Benfica na maior prova europeia, enquanto eles aguardam por mais um desbaste à la Bayern (foram só 12-1, tenhamos calma!) daqui a uns dias. A pobreza de espírito é tal que atingem laivos de loucura estupidificante a um nível impossível de superar. Aconselho vivamente a que vão ler tudo. Aqui. Mas deixo uma de muitas acefalias, para os que não quiserem conspurcar os olhos na lama de gente estúpida. Diz-nos, a certa altura, MM, esse oráculo da bestialidade:

"a forma como festejam a passagem mostra bem a falta de hábito e espuma na boca que um cheirinho de sucesso lhes provoca. É sucesso, claro que sim, mas enfim é o Zenit, e são os quartos-de-final."

Faz-nos falta Hermano Saraiva nestes momentos. Poderia chegar agora o nosso excelso comunicador para nos apresentar dados. Não vindo a tempo, deixo eu o campeonato entre Benfica e Sporting no que a "enfim, são quartos-de-final [da maior prova europeia de clubes do mundo]" se refere:

Benfica - 17
Sporting - 1

Decididamente, falta de hábito. Somos forçados a concordar.

 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Oh não, mais um texto sobre Emerson

Recebemos um texto do Bcool. Bem sei que o finalista vencido em princípio não tinha direito a publicar no blogue mas, por uma questão de justiça - já que a final foi rasgadinha - e porque o assunto merece reflexão (mais ainda), decidimos conceder-lhe este bónus. Por isso já sabem: insultos é favor dirigirem-se ao rapaz e não a qualquer membro deste blogue. Obrigado.


«O jogador esforçado
 
A qualidade dos plantéis do Benfica melhorou muito face a um passado não muito recente, pelo que o grau de exigência aumentou significativamente, ou seja, é com dificuldade que aceitamos gajos como o Luis Filipe, esforçado, bom profissional, não cria problemas de balneário, mas manifestamente um pé de chumbo, ou um gajo com tijolos nos pés, ele que na sua juventude era um 10 prometedor.
 
Seja como fôr, Luis Filipe nunca recolheu as preferências do Tribunal da Luz, porque independentemente dos seus predicados, ao pé de jogadores como Aimar, di Maria, Gaitán, Saviola, Coentrão, Javi, David Luiz, Ramires, Cardozo. Luisão, Salvio, Maxi Pereira, enfim era sempre uma segunda escolha, assim como o foram Airton, Kardec, Éder Luis, César Peixoto, Ruben Amorim, independentemente de jogarem sempre que o Benfica necessitava da sua participação.
 
Felizmente que este ano entraram jogadores como Artur, Garay, Witsel, Rodrigo, Nolito, Nelson Oliveira, Bruno César e Matic, sendo que apesar destes 3 últimos terem mais dificuldades em se afirmarem, têm também qualidades óbvias que poderão ser aproveitadas e potenciadas pelo treinador.
 
Há quem diga que também Emerson se deve incluir neste rol por ser um jogador esforçado, humilde, bom profissional, persistente, que não levanta problemas, com boa capacidade física (ao invés do Capdevilla que apesar da qualidade óbvia continua a apresentar limitações físicas) e um jogador certinho. Eu só não concordo com esta apreciação de certinho, porque são muitas as falhas durante os jogos, independentemente das consequências (com Garay atrás e Javi ao meio, e mesmo com Nolito à frente, a equipa consegue anular normalmente os desequilíbrios por ele criados).
 
Ora então analisemos isso do jogador esforçado, com boa capacidade física e que não levanta problemas.
 
Uma das minhas primeiras recordações de jogadores esforçados é a de Álvaro Magalhães, a quem eu e o meu pai tratávamos por calhau. O Álvaro era um jogador esforçado, com boa capacidade física e nunca levantou problemas no balneário. Ora se Álvaro servia para o Benfica, porque razão não serve o Emerson.
 
Em primeiro lugar, o Álvaro tinha uma garra que o Emerson não tem. Em segundo, tinha uma capacidade física muito grande, fazendo piscinas atrás de piscinas. Em terceiro, jogava atrás dum predestinado, o Pequeno Genial, sendo para ele o parceiro ideal, tanto nas movimentações, como assegurando a disponibilidade física para que chalana não tivesse que defender. Aliás, com a saída do Pequeno Genial para França, o papel do Álvaro no Benfica perdeu importância tendo que disputar a sua posição com o Veloso, o Fonseca, etc.
 
Será que Emerson pode ser comparado com o Álvaro, eu acho que não, o jogador que mais se assemelha com o Álvaro é o super-Maxi.
 
Também há quem afirme que o Luisão quando chegou era um cepo sem condições para jogar no Benfica. Eu lembro-me da estreia do Luisão contra o Belenenses, no Estádio Nacional contra o Belenenses. Luisão marcou na estreia, fez o 3-1, mas infelizmente foi um dos responsáveis pelo inenarrável empate que concedemos nos descontos. Eu jogava na Liga fantástica, celebrei pelo golo do Luisão, pois eram logo 4 pontos só pelo golo e depois os 3 golos sofridos, bem como a não vitória acabaram por me fazer uma mossa terrível numa equipa com uma defesa à Benfica. Apesar das dificuldades de adaptação iniciais, Luisão pegaria de estaca na parte final do campeonato e ajudou a levar o Benfica à vitória na Taça sobre o Porto do Mourinho. No ano seguinte como titular indiscutível ao lado do Ricardo Rocha seria campeão.
 
A questão é que o Luisão trouxe algo de único para o Benfica, uma envergadura extraordinária que fez mossa nas defesas contrárias e que ajudou a evitar muitos lances de perigo, em especial nas bolas paradas. Luisão tem limitações, conhecendo-as, joga de forma fácil, utilizando os seus pontos fortes e tem melhorado em termos técnicos, nomeadamente ao nível do passe, embora continue limitado em termos de velocidade. Será que se pode comparar o actual Emerson, com o antigo Luisão?
 
Não me parece, pois o Luisão trouxe ao Benfica, algo verdadeiramente diferenciador em termos de campeonato nacional. Mais ainda, Luisão fez uma primeira metade de época com poucos jogos, na verdade, dos 34 jogos, apenas jogou em 15, dos quais 7 nas últimas jornadas. Até se adaptar ao futebol português, Luisão penou no banco e na bancada, não foi titular de caras. Luisão veio directamente do Brasil aos 22 anos, onde tinha feito a primeira metade da época, em nada se pode comparar com alguém que veio do campeão francês aos 25 anos, onde fez 5 épocas.
 
Emerson, tal como Roberto, tal como César Peixoto ou Luis Filipe é um mal amado do tribunal da Luz, porque não tem qualidade, porque com 25 anos, fará 26 na semana do Carnaval e depois de 5 épocas na Europa, o seu potencial de desenvolvimento é reduzido.
Tacticamente melhorou, pois já não carrega para cima do ala quando este deriva para dentro, abrindo o flanco ao contrário do que fazia no início do ano.
Mas Emerson é incapaz de fazer uma finta. Os seus centros são invariavelmente mal direcionados, registo que na Rússia podia ter somado a segunda assistência da época, mas por cada centro bem feito, soma 10 mal feitos (sendo benévolo).
Quando vai à frente, não tem capacidade de recuperação, aliás mesmo estando ao lado do adversário, como foi o caso do Candeias, é batido em velocidade, hipotecando o Garay ou o trinco, obrigando ao desposicionamento da defesa.
Mas pior que isso, continua tacticamente limitado, pois chegou ao cúmulo, como foi o caso do segundo golo dos russos, de ir atrás do central em vez de ir compensar. Aliás, quando sobe e vê o adversário pela frente, roda para o meio e faz péssimos passes para o trinco, levando este normalmente a perder a bola devido à pressão dos adversários.
 
Em resumo, é lento, não tem arranque, é tacticamente limitado, é tecnicamente muito limitado. É esforçado, tem resistência física, é bom profissional e não cria problemas no balneário, aguentando bem as críticas de que é alvo. Mas será que isso chega ?
O Rojas era esforçado, o Minto era esforçado, o Pembridge era esforçado, até o Bruno Basto era esforçado. Mas será que isso chega ?
É esse o vosso nível de exigência ?
 
Eu tenho a certeza que todos nós seríamos esforçados, quer pelo facto de sermos pagos a peso de ouro (quem enjeitaria o ordenado do Emerson), mas acima de tudo por estarmos a defender o Benfica. Espero que vocês tivessem a consciência, como eu tenho, que ao jogar prejudicaria o Benfica e como tal pediria para não jogar a não ser nos últimos minutos quando o jogo já estivesse resolvido.
 
Emerson, falo para ti que lês este blog. Pede ao Jesus para não jogares. Senão o fizeres e continuares com essas pobres exibições asseguro-te o seguinte, em campo, como qualquer jogador que enverga a gloriosa camisola do Sport Lisboa e Benfica, serás apoiado, mas na net, não deixarei de te criticar, de criticar o Jesus por te utilizar e de exigir da direcção que arranjem um lateral esquerdo em condições para a próxima época.»

domingo, 4 de março de 2012

"Sócio já na lista", mas sem poder comprar bilhetes.

Ando há meses nisto: 

- slbenfica.pt
- "Entrar". Entro.
- "Login", com "Username" e "Password". Logino, ponho username e passwordo um bocadinho.
- BILHETES. Aparecem os meus dados já registados e uma caixa a vermelho "Adicionar sócio". Adiciono sócio, que sou eu.
- Nova página, com a mesma informação. Com uma diferença: está lá o meu nome numa caixa. E um botão em baixo de "Continuar".
- Carrego em "Continuar" e logo uma pequena mensagem a avisar-me: "Clique em adicionar sócio". Mas não tinha já adicionado sócio, que era eu? Pelos vistos, não. Tenhamos calma.
- Carrego em "Adicionar sócio" (pela segunda vez) e a mensagem óbvia: "Sócio já na lista" e uma setinha para trás. Portanto, não posso ir para a frente, só posso recuar. Recuo. Carrego em "Voltar" e volto.
- Estou de volta à página com a minha informação e o meu nome numa caixa. Será que é desta? Carrego em "Continuar". Aparece-me "adicionar sócio". E o resto podem ler lá atrás. Entra-se neste loop entre "adicionar sócio", "sócio já na lista", "voltar", "continuar", "adicionar sócio", "sócio já na lista", "voltar" e não se sai disto.

Com isto perdem-se vendas de bilhetes, criam-se cabelos brancos nos sócios e passa-se uma mensagem de profunda incompetência. Também de desrespeito porque já há mais de um mês que disto dei conta por email ao devido departamento do Benfica e, como resposta, recebi... zerinho.

Através da página, já estive para comprar bilhetes para mim, para amigos, para desconhecidos até. Nunca os comprei. Porque não posso. A página não me deixa comprar bilhetes. 

Quão ridículo é isto?

sábado, 3 de março de 2012

O que era demasiado óbvio (menos para quem dirige e treina o Benfica)

Primeiro golo: Aimar perde uma bola na zona central. Em vez de iniciar a pressão, decide ficar parado a reclamar com o árbitro. Mudança de flanco, bola para Hulk. Emerson - o tal que serve para ser titular a época inteira - marca com olhos. Golo.

Segundo golo: Gaitán - o tal que tem de ser mimado, caso contrário o menino amua e não joga nada -, pela milionésima vez esta época, arrisca em zona crucial, perde a bola e lança contra-ataques adversários. Golo.

Quando há uns meses, enquanto vitórias iam acontecendo, falámos de Gaitán e Emerson como perigos para o que restava da época, o chorrilho de asneiras e insultos caiu sobre este tasco. Gente que vive os jogos pelo lado errado: vê resultados, não vê mais nada. Não sabe ter uma atitude crítica em relação a um jogo, mesmo que seja um jogo de 5-1. 

Jesus também não vê problemas nenhuns com a forma de jogar destes dois jogadores, visto que são seus titulares indiscutíveis. Um pode muito, mas não quer, goza com adeptos, colegas e clube. Outro luta muito, mas não pode, é fraco, não serve para o Benfica. Dois cancros numa equipa são tudo o que é preciso para a desgraça quando os adversários - como se sabia que ia acontecer nesta fase da época - são de outra qualidade e sabem aproveitar os erros destes dois indivíduos. 

Esteve lá sempre. Jogo após jogo. Jogada após jogada. Fraca qualidade do Emerson (em tudo!), displicência e perdas de bola infantis do Gaitán. Mas não. Importava apoiar. Como se eu andar a gritar para um cego "vai, caralho, eu acredito em ti, vê, vê" o cego, por obra e graça do espírito santo, vai miraculosamente começar a ver.


Não é aceitável perder 8 pontos em 9 em três jornadas cruciais para o campeonato quando tínhamos 5 de avanço antes delas. Não é possível aceitar isto, por mais voltas que sejam dadas. Falem das arbitragens, do tipo de relvado, do azar, da fealdade dos jogadores adversários, do clima, do Gomes, do Oliveirinha, da fruta e seus derivados. Mas falem também da incapacidade desta equipa para lidar com a pressão. Falem também de Jesus que, de tão mestre da táctica, ontem levou um banho de um treinador ridículo. Falem na Direcção e a sua total incompetência para conquistar sucesso desportivo. Falem em quem dirige o clube e a sua nula capacidade para gerar um espírito de guerra e superação contra os corruptos. 

Sejam críticos. Pensem pela vossa cabeça. Olhem para lá dos momentos esporádicos de bom futebol. Vejam para lá do que vos dizem. Leiam mais. Dediquem menos tempo a dizer frases vazias de sentido. "Agora temos de apoiar" - que sentido tem isto? "Agora"? Sempre! Apoiamos sempre. Mas apoiar não é meter a cabeça na areia e não ver o que os sinais fazem adivinhar. Apoiar não é dizer bem de tudo o que se faz no Benfica para "não desmotivar". Parecem o Jesus com o Gaitán: "precisa de carinho". Não, do que o Gaitán precisa é de um treinador que o cuspa todo quando faz merda. Precisa de um líder que lhe explique que o que ele faz em campo é vergonhoso. Precisa de sentar o cu no banco até entender conceitos básicos de futebol. Ou então vendam-no. O Ferguson fará dele o jogador que o Jesus nunca conseguirá fazer. 

Com menos um jogador, Jesus decide não reforçar a equipa, deixando Gaitán - esse portento defensivo! - como lateral-esquerdo. Jesus teima muito, Jesus vê o futebol de forma caótica. É ele próprio que nos avisa disso mesmo quando afirma coisas tão absurdas como "não dou especial atenção ao processo defensivo, quero saber mais do lado ofensivo". Isto é muito estúpido. Isto é mesmo muito imbecil. Em 2012, pensar desta forma dá nisto: goleadas em jogos fáceis, derrotas em jogos difíceis. 

E, pelo trajecto de 3 anos de Jesus no Benfica, já se percebeu que o homem não evolui. É aquilo, não dá para mais. Mas, como gosta de atacar (e não liga muito ao processo defensivo), é um deus na terra. Mau era o outro que era um cobardolas. Embora tenha disputado um campeonato até ao fim com um plantel que nem metade da qualidade deste tinha. É o Benfica e a sua estranha complexidade. Perder este título para o incompetente do Pereira é um selo de incompetência clara de quem nos dirige e treina. E o pior é que ainda há muita gente que ainda não percebeu que com esta Direcção o Benfica nunca voltará a dominar o futebol português. Nas próximas eleições, dêem-lhes mais votos. 90 por cento é pouco.

Campeonato acabou. Taça de Portugal tinha acabado há muito tempo. Taça da Liga é prémio menor. Resta-nos a Champions. O mínimo dos mínimos neste momento, aquilo que se EXIGE ao Benfica e seu treinador, é a passagem aos quartos-de-final. Alguém que explique a quem gere os nossos destinos que, depois de mais uma facada profunda nos nosso corações, os adeptos merecem uma noite de alegria. Lá estaremos para apoiar. Porque é no estádio que se apoia, não atrás de um teclado.

Eu quero que o público benfiquista se foda e assim sucessivamente...

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”



sexta-feira, 2 de março de 2012

Dúvida que me assalta

Chamar o Pedro Proença de filho de puta é eufemismo ou pleonasmo?

Prognósticos para logo ou post de desbloqueio porque os escribas já foram todos emborrachar-se para o estádio


Como vos disse anteriormente, a minha filha tem seis meses e é sócia do Glorioso. Já a minha consorte, essa, não liga grande coisa a futebol, o que é facilmente explicado pelo facto de ser sportinguista. De maneira que o ritual nos últimos tempos tem sido este: peço educadamente à minha esposa que vá ver televisão para o quarto - não porque eu seja supersticioso, mas porque ela é uma ave agoirenta com provas dadas e nestas coisas um gajo não pode facilitar (levei-a três ou quatro vezes à Catedral e não ganhámos um jogo que fosse). Abro duas cervejas - uma para mim e outra para a petiz (que, como é óbvio, acaba por ser para mim) e um saco de aperitivos, ajeito as almofadas do sofá e sento-me confortavelmente com a pequena ao meu colo. Ponho o cachecol do Benfica ao pescoço e deixo as pontas caídas sobre os ombros dela. Normalmente fica com um ar imperturbável, muito atenta ao que se passa no ecrã. Claro que ainda não percebe o que por ali acontece, mas sou capaz de jurar que os olhos dela brilham quando descortinam aqueles rapazes de vermelho a entrar em campo. Sei que esboça um sorriso delicioso quando a faço pular no meu colo ao mesmo tempo que a ensino a puxar pelos nossos bravos: “Ben-fi-ca!!! Ben-fi-ca!!! Ben-fi-ca!!!”.

Hoje, não será diferente. O ritual repetir-se-á, na certeza, porém, de que no final dos noventa minutos da contenda, aconteça o que acontecer, o meu pequeno projecto-de-benfiquismo terá cumprido mais uma etapa do seu longo caminho de aprendizagem e eu já não terei minis no frigorífico. A lição de hoje é duplamente importante na medida em que para além de uma lição de benfiquismo, será a primeira subordinada à temática da eterna disputa entre o Bem e o Mal. Não espero nada menos do que um Benfica altamente pedagógico, que me apoie na importantíssima tarefa de ensinar à cria que o Bem, o Benfica, acaba sempre por levar a melhor.

Em jeito de prognóstico, estou muito, muitíssimo confiante na vitória e sinto que a generalidade dos adeptos do Benfica também o está. Não vou entrar em considerações tácticas nem alinhamentos iniciais desejáveis. A receita para o jogo de logo é simples: que os nossos heróis acreditem nas suas capacidades - que as têm - como nós acreditamos, derrubem eventuais barreiras psicológicas que se atrevam a surgir-lhes até ao apito inicial e entrem em campo sem qualquer tipo de temor, jogue quem jogar de início. Lutem enérgica e honradamente pela camisola que envergam e por tudo aquilo que os seus 108 anos de história significam.

O resto acontecerá com naturalidade: a avalanche de fé que hoje inunda os corações benfiquistas espalhados por esse mundo fora, personificada no incansável e ensurdecedor apoio vindo das bancadas do estádio, irá atingi-los de tal forma que nos conduzirá a todos à inevitabilidade da glória.

Em boa verdade vos digo: hoje vão ser 3-0.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Oráculo cósmico

O futebol é um bicho difícil de entender. Entre crenças mais ou menos sobrenaturais, rituais satânicos, mezinhas, obsessões, poções mágicas e superstições, de repente vemo-nos num emaranhado de explicações metafísicas para aquilo que é, apesar de não parecer, uma coisa bastante simples. Um intelectualóide extremamente notável não diria melhor: são 11 contra 11 atrás de uma bola. 

Isto se a bola fosse redonda ou não houvesse Gabriel Alves para nos confundir as voltas. Há um lado do futebol que só é entendível no plano do mirífico, algo a que, dependendo do grau de fanatismo, podemos ou não chegar. Por vezes, olhamos o relvado e é aquilo, sem mais nada: uma bola, jogadores e duas balizas. Outras, por não nos rendermos ao simples, vemos nele um lugar de peregrinação e transcendência. Para as nossas vidas, para as vidas alheias, para o mundo. Para uma infância que sobrevive de coração apertado em 90 minutos entre a vida burocrática. Um espaço de infantilidade e sonho.

Tinha acordado sobressaltado, cheio de dúvidas. Proença invadiu-me os sonhos e metamorfoseou-os em horripilantes pesadelos; "A BOLA" anunciou-me de manhã: Garay sofre de joelho macerado, após jogar 90 minutos; a equipa vem de dois jogos consecutivos sem marcar golos; 5 pontos perdidos nos últimos 6 possíveis; Jesus disparata e diz que o jogo não é decisivo; o Benfica sofre de uma trauma qualquer, só explicável num sofá vermelho de psiquiatra, sempre que entra em campo contra o demo; os adeptos temem mais uma desilusão; as equipas de Jesus tendem a cair no abismo no mês de Março; não há alternativas aos centrais e ao lateral-direito; não há lateral-esquerdo; ninguém pode substituir Javi Garcia; Gaitán estará em dia sim ou dia normal?; Emerson fará o jogo da sua vida?; os adeptos irão de vermelho? e cantarão ou sentar-se-ão em modo velório?

Dúvidas e inquietações de uma semana de luto entremeada, chouriçada, afiambrada com uma esperança que não sei de onde vem, talvez da memória presente de um Cosme que nos alimenta a alma e nos leva a acreditar na superação para além dos limites do possível.

Tudo isto existe em mim como coisa tangível e simultaneamente abstracta. Vive aqui, comigo, sem razões que a possam explicar. Mas, por algo igualmente do foro do etéreo, estou certo de que amanhã será um dia histórico. Há um fogo que se propaga até ao fim dos tempos. 11 contra 11, uma bola, duas balizas. E uma vitória do Benfica.




Nota da gerência para o pessoal que pergunta onde esta malta se encontra em dias de jogo: para nos encontrarem e beberem connosco ao Jaime Graça e ao Benfica, basta procurarem a rulote Manelito, no Alto dos Moinhos. É lá que se estagia. Venham todos e bebamos, companheiros, bebamos.