segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sporting ainda está em toda a frente

Não entendo esta revolta em torno de Domingos Paciência. O único verdadeiramente fundamental objectivo da época - e da História do Sporting - ainda pode ser alcançado: empatar (com) o Benfica.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O que se viu do Piso 3

- Alguma coisa está muito mal feita quando, na ausência de Maxi, temos de adaptar um dos nossos melhores jogadores e um médio de excelência à lateral-direita. A ver se percebo: não se contratou ninguém supostamente por não precisarmos, embora apenas tivéssemos Miguel Vítor como solução adaptada de recurso e um puto que fomos buscar ao Leiria que ainda não tem a qualidade necessária. Será que Salino, como foi falado aqui há um mês, era assim tão difícil? Além de excelente lateral-direito (uma adaptação que fez sentido e revelou um belíssimo jogador), podia servir de opção a Witsel - que também não tem substituto à altura no meio-campo do Benfica. Assim, estamos nisto. Um erro de estratégia do qual nos fartámos de falar. Vamos rezar para que Maxi não se lesione até final de época. Mas não deixa de ser desavisado e quase amador não ter precavido esta situação. 

- Luisão e Garay. Monstros. O Luisão está na melhor forma da carreira e Garay, embora tenha ainda para evoluir, é já um central de excelência. Neste campeonato, então, em que se depara com avançados menos criativos, é tudo dele. Temos uma dupla de centrais de eleição. Não temos é, mais uma vez, substituto à altura. Vamos rezar para que nenhum deles se lesione. 
 
- Emerson. Deverei continuar a falar em Emerson? Haverá algum adepto do Benfica que não veja o que ali está? "Temos de apoiar"? Claro, no estádio apoio. Num blogue, o meu apoio ou a minha crítica é igual ao litro para o rendimento da equipa. Emerson é mau, estava visto desde os primeiros jogos de pré-época. Não o substituímos, nem no Verão nem agora em Janeiro. Um erro que nos custará caro no futuro. É que este vai ser titular até ao fim. Não há palavras para o desespero que causa ver um jogador tão medíocre numa equipa com tão bons jogadores. Esperemos que se lesione.

- Matic fez o melhor jogo desde que está no Benfica. Sou da opinião que o Matic servirá mais a equipa como médio de transição - suplente do Witsel, por exemplo, embora não seja o mesmo tipo de jogador. A pivot defensivo, desposiciona-se muito, não é fiel ao que o modelo do Jesus exige para a posição. Ontem, tirando um outro erro, o certo é que fez um jogo ao nível do Javi. Que seja para continuar. É que não temos outra solução ao espanhol. Pode estar em Matic, se continuar a evoluir.

- Gaitán é aquilo: uma jogada de outro mundo, uma assistência e no resto um péssimo jogo. Perde bolas atrás de bolas, não dá apoios, deixa o lateral entregue a dois e três adversários (o golo do Nacional começa pela displicência do argentino, que deixa Witsel sozinho contra o mundo). Não serve. Para jogos europeus, pode ser catastrófico. Vendam-no no final de época. Enganemos os ingleses o mais cedo possível, por favor. Precisamos do dinheiro e não precisamos de um jogador que, embora desequilibre num ou dois lances, desequilibra a própria equipa vezes de mais.  

- Uma das razões por que escolho ver o jogo do Piso 3 chama-se Pablo Aimar. Só ali se nota o entendimento perfeito que o homem tem do jogo. Ele às vezes vê coisas rente à relva que nós, do alto da nossa visão, não vemos. Mais um jogo a roçar o perfeito. Vejam a jogada da bola à trave. Aquilo é um bom jogador. Quando recebe, Aimar já tem dois jogadores a pedirem a bola e 3 adversários pela frente. Mas Aimar não passa, corre em direccção aos jogadores do Nacional para criar um funil de pressão para depois largar no momento certo, quando Cardozo já está isolado. Chega o lance para definir Aimar, mas todo o jogo foi um recital de bem jogar.

- Não é compreensível que Nolito seja preterido em relação a Gaitán. Nunca. Nolito é um jogador de equipa aliado a um desequilibrador nato. Ontem até perdeu uma ou outra bola mas a qualidade do seu jogo, a capacidade de pressão sobre os adversários, a solidariedade colectiva, a visão de jogo, o rasgo, os constantes passes de ruptura que faz chegam para ter de ser um dos indiscutíveis. Tivesse Gaitán metade da entrega de Nolito e teríamos jogador para ser vendido a 100 milhões de euros. Espero que Nolito fique no Benfica por muitos anos.

- Rodrigo começa a evoluir para patamares impossíveis de controlar quando chegar o Verão. Espero que não seja vendido mas, se for, que seja por muitos milhões. Renovem o contrato do homem e subam o valor da cláusula. Que gazela.

- Cardozo lá apontou mais um. Mas ontem esteve mal. Não deu soluções à equipa, falhou muitos passes e, para culminar, falhou um penálti. Não é de hoje: devemos arranjar outro marcador de penáltis. Mesmo quando marcou no passado, fê-lo de forma deficiente. Há muito tempo que Cardozo não marca penáltis como devem ser marcados. Arranje-se outro no plantel que saiba concluir estes lances.

- O Benfica tem uma qualidade ofensiva impossível de contrariar neste campeonato. Ontem foram 4, poderiam ter sido, sem exagero, 10. Rodrigo, quando melhorar a finalização, vai ser (ainda mais) letal. Cardozo esteve perdulário, Nolito, Gaitán, Aimar todos podiam ter feito melhor. É lógico que estamos satisfeitos - 4-1 é um bom resultado - mas convém ter a pontaria afinada. Nem sempre teremos este caudal louco. Dêem-nos mais espectáculos como o de ontem, por favor. E Obrigado.

- Contando que hoje o Porto ganha (vamos esperar que haja surpresa, mas é pouco provável), o Benfica tem pela frente dois jogos fundamentais. Se os ganhar, chegará ao clássico numa situação vantajosa, podendo até empatar. Se, depois do jogo contra o Porto, o Benfica levar pelo menos 5 pontos de vantagem, o título torna-se quase uma realidade. O calendário das duas equipas, a partir desse jogo, é-nos favorável. Portanto, é simples: queremos vitórias em Guimarães e Coimbra. Vamos apoiar. Por dentro e por fora. Estamos cada vez mais perto do número mágico: o 33 de sonho.


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Giada e Del Piero - um golo numa baliza às escuras

O som frio do Hospital à noite. Ouvem-se passos de pantufas do lado de fora do quarto, conversas em surdina de enfermeiras, vêem-se estrelas e luzes da cidade, ouvem-se carros, poucos. Há uma máquina que faz bip bip e o ressonar para dentro de uma menina deitada na cama. A mãe dorme numa cadeira ao lado. As flores respiram devagarinho, em respeito. Uma colcha e restos de bolos dentro de uma caixa. Tudo é quase morte. 

Antes de Giada chegar a esta noite, outras noites e dias passaram-se. Mas no que importa a esta história, teremos de recuar duas semanas. 

Apesar de viver em San Giovanni di Fiore, no Sul de Itália, e Del Piero jogar nesse dia em Turim, a muitos, demasiados, quilómetros um do outro, Giada deixara fecharem-se-lhe os olhos e a alma num sonho quase real, enquanto esperava, em frente à televisão, pelo jogo da sua Vecchia Signora: percorrera a pé, depois em cima de um piano e, no fim, conduzindo uma árvore a distância que a separava da porta do prédio à entrada do estádio da Juventus. Fizera o trajecto com amigos, memórias de jogos e jogadores, cachecóis e a euforia própria de quem vai ter com a sua tribo. A meio do caminho, sentiu-se mal, uma pontada no coração que calou para dentro - havia jogo, nenhuma morte nem doença eram admissíveis. Del Piero esperava-a no relvado.

Perto do estádio, Giada lembrou-se da dor que sentira, balbuciou a um amigo uma relativa indisposição e esqueceu-se de tudo quando começou a ouvir as batucadas que vinham de dentro do recinto. Cânticos ecoavam para fora e chegavam à cidade, pelas bordas do estádio, como lava que subia, torneava uma a uma as bancadas, curvava no topo do estádio e depois descia lentamente até aos ouvidos de Giada. Não mais se lembrou da dor, tinha o corpo invadido pela emoção quente da infância.

O Pai acordou-a: "vai começar". Ela foi ao quarto, beijou o poster de Alessandro que tinha perto da cama, fez duas rezas em honra de não se sabe bem quem, tocou três vezes com a mão direita no símbolo da Juventus, depois três com a esquerda, depois uma com a direita, outra com a esquerda e quando já não sabia quantas vezes tinha tocado inventou para si própria de que estava tudo equilibrado. Voltou a tocar no símbolo, agora com as duas mãos ao mesmo tempo, e pensou para si: "vamos ganhar". 

Na sala, o jogo já começara. O Pai recebeu-a com um sorriso, abriu-lhe lugar no sofá, beijou-a e passou-lhe um cachecol por cima dos ombros. Numa mesa em frente, bruschettas e schiacciatas, foccaccetas, pão cortado aos pedaços, provolone, parmeggiano, uma garrafa de vinho e sumos. Giada, porém, não tinha fome, a Juventus servia bem como alimento. 

A meio do jogo, Giada disse qualquer coisa indecifrável, voltou-se para o lado e caiu. O Pai tentou acordá-la mas depressa entendeu que aquele não era um sono qualquer, Giada tinha entrado em coma. 

Foi levada de urgência até ao Hospital mais próximo, o seu pequeno corpo alvo de exames, furos, teorias. Ninguém sabia a que propósito ou de onde tinha vindo aquele desligar súbito de olhos e cérebro. Giada ficou em observação. Até hoje. Neste quarto onde uma máquina faz bip bip e o som que se ouve é um som de quase morte. A mãe dorme numa cadeira ao lado e as flores respiram devagarinho, em respeito. 

A meio da noite, por entre os sons de pantufas e cigarros queimados em frente às estrelas e às luzes da cidade, o Pai de Giada irrompeu pelo quatro adentro, abriu as luzes, chamou a Mãe de Giada e disse para os enfermeiros: "vamos, vamos, por aqui". Os enfermeiros traziam uma mesa que pousaram ao lado da cama, com um computador em cima. O Pai abriu-o, carregou no play e a cara de Alessandro Del Piero apareceu de repente a falar a Giada: dizia-lhe que esperava por ela no relvado, queria que ela lhe fosse dar um beijo e ver os seus golos. O Pai passou cento e quarenta e duas vezes a mensagem até o dia começar a sair da própria morte em que estava dormido. A mãe tinha a sua mão na mão da filha. "Põe mais uma vez o vídeo", pediu ao Pai. E ele carregava no play, olhava a filha enquanto Del Piero falava e depois, quando chegava ao fim, voltava a carregar no play. Fez isto mais duzentas e três vezes, embora não notasse - a ele, pareceram-lhe 10 ou 11, de tal modo estava concentrado nas feições de Giada.

Foi quando a Mãe já dormia sobre o braço da filha, que sentiu um leve movimento na mão, primeiro quase imperceptível, depois, aos poucos, cada vez mais vigoroso e claro: Giada movia-se. Os dedos, a mão, depois o braço, os pés por debaixo dos cobertores, tudo isto Pai, Mãe e dois enfermeiros viam naquele clarear de dia em Crotone, enquanto outros acordavam, torravam pão ou saíam para o emprego. Se víssemos o Hospital de fora, não podíamos adivinhar que, de entre todas aquelas janelas, uma abria o céu para beijos e abraços, gritos, canções, conversas. O quarto tinha deixado a quase morte e era agora uma janela para a quase vida. Giada, pouco a pouco, movimento a movimento, antecipava o momento de abrir os olhos e a alma ao mundo.

Ainda de olhos fechados, falou. Disse: "Mãe". E a mãe abraçou-a, disse: "estou aqui, filha" e a filha, cansada de ver golos de Alessandro na escuridão dos sentidos, abriu os olhos. Horas mais tarde, contam os relatos mais fidedignos, pediu gelado de baunilha e stracciatella. Foi golo de Del Piero.








sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Concurso "Cadeira de Sonho" - 3ª meia-final


Conhecidos que estão dois dos três finalistas - Bcool e PJ já preparam as chuteiras para o próximo embate - falta-nos apurar o terceiro atleta para esse jogo dos jogos na blogosfera, a final do Concurso "Cadeira de Sonho". Nesta meia-final defrontam-se Francisco Correia e JC, cada um com uma forma muito própria de viver e escrever Benfica. Já sabem: votação de 1 a 10 para cada um deles e justificações se acharem necessário. Que comece a contenda:



Francisco Correia


«Vou riscar o dia 31 de Janeiro do meu calendário!

Numa das minhas sessões de zapping nocturno, após duas horas de “Gato Fedorento”, perdão, de “Dia Seguinte”, dei de caras com a confirmação de duas notícias que vinham sendo teimosamente veiculas pela imprensa de ontem, às quais ia reagindo com um tremendo bocejo, ou como sendo brincadeiras de mau gosto: Yannick Djaló assina por quatro anos e meio com o Benfica e Rubén Amorim era emprestado ao Braga por ano e meio!

O quê?? Naaaaaaa..não é possível..mesmo?!?! Parece que sim meus caros..! O pai da Lyonce já treina hoje na fábrica de talentos sediada no Seixal e o “Benfiquista desde pequeno” já faz exames médicos no green de Braga, ao que parece à luz das velas e com água aquecida numa chaleira!

Confesso que fico extremamente baralhado e confuso com estes “negócios” de última hora. Sou totalmente contra contratações no mercado de inverno, por variadíssimas razões e porque raramente acertamos numa!
O que pretende a direcção com isto? Aumentar exponencialmente as filas nas urgências, fruto dos milhares ataques cardíacos que certamente se verificaram?? Caro presidente, o nosso SNS é como o Vitor Pereira..não dá conta do recado (ou dá..pela perspectiva de um Benfiquista).
Um pouco mais a sério.. Percebo a contratação do Yannick, mas não percebo a cedência de Rúben.

Vejamos, Jorge Jesus acredita que conseguirá transformar o internacional português numa alternativa válida e interessante para as alas (basicamente terá que o ensinar a jogar, pois para além de ter estado vários meses parado, veio do Sporting) e para além disso, dá (mais) uma alfinetada aos Viscondes.
Já imaginaram se sai daqui mais um “Simão”?? (sonhar não custa). Vamos a factos: Djaló é jovem, vem a custo zero, é internacional e, sejamos francos, tem algum potencial e margem de progressão.
JJ fez um excelente trabalho com Di Maria, Fábio Coentrão, David Luiz, Javi, Rodrigo…porque não conseguir potenciar este jogador?

Veredicto: contratação aprovada!

O segundo caso é completamente diferente e cheira-me muito a estrume! É um caso de clara indisciplina do jogador e de falta de capacidade de gerir egos por parte da equipe técnica.
Se conseguiram resolver o caso de Enzo Perez porque não fizeram exactamente o mesmo com Rúben Amorim? Era claramente mais simples. O médio/lateral direito assumia as suas responsabilidades, era multado e imediatamente integrado no plantel.
Mas não, resolveram brindar-nos com um empréstimo a um rival, que luta pelos lugares cimeiros e que nos últimos anos nos tem recebido de forma extremamente calorosa e eufórica, nomeadamente com oferta de isqueiros, bolas de golfe, chapadas, pontapés, simulações e apagões.

O nosso presidente deve alguma coisa a António Salvador? Se sim, que responsabilidades tem o clube?? Se não..anda claramente a brincar aos clubes de futebol!

Esclareça-nos Sr. Luis Filipe Vieira!

Veredicto: uma borrada..!»




JC


«Da Táctica do Bigode

Percebo pouco de futebol no que diz respeito à sua vertente táctica. Provavelmente esta inconfidência compromete desde já a minha participação neste concurso, mas a verdade é que tenho sérias dificuldades em distinguir um 4-4-2 de um 4-2-3-1 no decorrer de um jogo. Posso, no entanto, afiançar-vos que sou de uma competência inigualável na tarefa de identificar o número de defesas, médios e avançados que constituem a equipa inicial do Benfica num jogo de futebol. A partir do momento em que o árbitro apita para o início da partida é que as coisas se complicam: os gajos insistem em mexer-se, misturam-se, encavalitam-se uns nos outros, fazem trinta-por-uma-linha, o que me faz perder o fio à meada. Ainda assim, palpita-me que aquilo não deve andar muito longe de ser onze marmanjos para cada lado. Mais coisa menos coisa. Mais Emerson menos Emerson. Tudo o resto são conjecturas de comentadores obtusos numa tentativa de diminuir o ego do atento e inteligente espectador de futebol, levando-o a crer que não percebe nada de nada, e que aquilo que lhe parece simples -  e, efectivamente, é simples – é, afinal de contas, uma coisa muito complexa. 

“Ora repare-se como o Benfica joga agora num 4-4-2 bem definido”, diz o sábio relatador ao mesmo tempo que nas imagens vemos o Cardozo a enfiar uma cotovelada na boca do adversário. Como se não bastasse, ouvi há dias um destes eruditos falar num “4-3-3 que, na prática, se traduz num 4-5-1”. Não coloco de parte a hipótese do comentador estar certo na sua análise, da mesma forma que não coloco de parte a hipótese de que esteja a fumar umas merdas estranhas enquanto relata o jogo. O que dizer então quando Maxi vai à linha de fundo cruzar uma bola? Que estamos a jogar em 4-2-3-1, mas que na prática é um 4-4-2, sendo que pelo entusiasmo dos jogadores do meio-campo se tornou num 4-2-4 que o sacana do uruguaio, com a sua intromissão no ataque, resolveu transformar num 3-2-5? É isto? 

Não quero saber. Deixo essa reflexão para quem gosta de ouvir as xaropadas do enfadonho e monocórdico do Luís Freitas Lobo. O meu futebol não é assim. O meu futebol é simples. O meu futebol, já o disse, joga-se com onze de cada lado. Tão somente isto. Não é o futebol dos meninos bonitos, depilados e de sobrancelha arranjada. É o futebol-macaco, de homens a sério, feios como os trovões, peludos, esguedelhados, cabelo aciganado ou simplesmente carecas mas sempre, sempre com uma bigodaça respeitável. É o  futebol dos Velosos e dos Carlos Manuéis, dos Diamantinos e dos Chalanas. O futebol dos homens de barba rija, dentro e fora do relvado. É o futebol dos jogadores que se emborracham e batem nas mulheres. Não é o futebol em que todos os craques têm mulheres boas que se despem para as revistas. É o futebol dos artistas que, em tendo uma mulher boa, esgaçam-lhe o esfincter dando-lhe uma razão válida para ser capa de jornal. 

Tudo isto para vos dizer o seguinte: não tenham a mínima dúvida de que Djaló é rapazinho para entrar em qualquer táctica que Jesus queira utilizar, assim ele arranje uma trunfa em condições, um bigode farfalhudo e dê ao traseiro da Luciana o tratamento que Portugal inteiro gostaria de dar.»



Fim da votação e vitória do JC por 129-106. Renhidinho, duro, repartido. No fim, venceu o machista. A Ulricha não gostou muito mas diz que não se importa. O resto tem queixas sobre a votação, sobre a democracia, sobre o sabor do gelado que se serve à entrada do estádio. São uns insatisfeitos, vocês. Façam concursos nos vossos blogues e deixem este concurso sossegado. Cambada de piegas.

Levei em conta o que disseram sobre a qualidade destes dois textos e fiz o que tinha a ser feito: mantive tudo como estava. Obrigado, no entanto, por darem a vossa opinião. Não serve de grande coisa, mas ajuda à democracia (que é uma coisinha muito boa). O ditador aqui decide. Não sou o grande líder mas para lá caminho - e, por favor, nunca metam imagens relacionadas com o Holocausto. É de uma insensibilidade histórica sem paralelo.


JC, envia novo texto. Tenta abarcar o universo feminino do blogue, que se resume a uma pessoa. E o outro rapaz, o PJ, que envie também. Lá porque anda a investigar o Carlos Cruz não quer dizer que não possa, num intervalinho para o donuts, escrever um texto para o concurso.


Obrigado pela participação. Segunda-Feira há final gloriosa.

Mais um ano a sonhar

Irmãs e irmãos:

Elevemos a nossa oração a Deus Pablo todo-poderoso,
que ressuscitou a Jesus, seu Filho,
e imploremos a paz e a salvação dos vivos e dos mortos,
cantando:

Ouvi, Senhor, as nossas alegrias.

Nós Vos pedimos, Senhor,
que a nossa oração seja proveitosa
às almas dos vossos servos e servas;
purificai-as de todos os seus pecados
e fazei-as participar na plenitude da redenção.
Por Pablo, nosso Senhor.

Irmãos e irmãs:

Unidos na mesma fé,
oremos ao Senhor pelos nossos irmãos defuntos,
pela Catedral, pelo bom futebol e pela nossa salvação,
cantando, com toda a confiança:

Ouvi-nos, Senhor.

Deus eterno e omnipotente,
Senhor dos vivos e dos mortos,
ricos de misericórdia para com todos os que Vos amam,
pela vossa clemência e por intercessão de todos os Génios,
concedei àqueles por quem oramos,
vivos e defuntos, o perdão dos seus pecados.

Por Jesus, pelo Maestro, pelo Benfica.

Oremos a Pablo-Senhor.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Concurso "Cadeira de Sonho" - 2ª meia-final

Anda tudo muito crispado por aqui, há que acalmar as passarocas. Enquanto Gomes da Silva vai enviar email a convidar-me para ir almoçar com ele à Trindade amanhã, voltemos ao nosso concurso. E hoje promete bastante. Não há cá Joões Silvas. Hoje é a sério, hoje vai ser ali até ao fim. Ou então não, vocês é que sabem. Sem mais apresentações, está dado o pontapé de saída:






Rui Custódio


«Obviamente que qualquer semelhança do que escrevo de seguida com a ficção é pura realidade.
O Glorioso tem eleições em Outubro e o Clube Corrupto Mafioso tem interesse em que ganhe o LFV pois este senhor, apesar de bastantes virtudes tem também um grande handicap que é estar satisfeito ao ganhar campeonatos de 3 em 3 ou de 4 em 4 anos. Para além disso, o sistema tem interesse em que o Benfica renove com a Olivedesportos e ao mais baixo preço possível.
Neste contexto, o Clube Corrupto Mafioso está a mover as suas influências no sentido de o Benfica ganhar este campeontato, de forma a que as eleições sejam um passeio para LFV e de forma a que o contrato mal negociado e mal remunerado com a Sport TV seja formalizado sem grande contestação.
Obviamente, vão utilizar a estratégia populista (que permite manter e aumentar os níveis de união e de ódio dos jogadores e dos adeptos contra o inimigo) de denegrir a justiça da nossa vitória, tal como fizeram há 2 anos, com a treta do "campeão dos túneis". Deve estar a sair o soundbyte para este campeonato, o qual, como sabemos, será naturalmente amplificado pela comunicação social, pelos Submissos Coniventes e Palhaços (SCP) e por todos os outros presidentes dos clubes da 1.ª liga, os quais, como também sabemos, estão devidamente controlados através da colocação de jogadores e treinadores.
Entretanto, vão deixando o Vitó ir-se queimando em lume brando, pois foi essa missão que lhe foi proposta para esta época, em troca de um lugar de treinador principal num dos clubes satélite nas próximas temporadas, algo que o senhor nem sequer imaginaria que poderia conseguir tão cedo.
Portanto, não se iludam com o facto de o Bruno Paixão ser um corajoso herói e coisas do género. O homem ganhou, na mesma, a sua viagem ao Brasil ou o seu rodízio de putedo. Desta vez, a missão era prejudicar o clube mafioso, amanhã será para beneficiar o Glorioso, mas nas próximas épocas não tenham dúvidas: ele vai ter que equilibrar os erros e vai voltar a errar no sentido habitual. E assim, os Corruptos até podem dizer: "sim, senhor, desta vez enganou-se para este lado, mas isso não é nada quando comparado com o campeonato que ofereceu ao Benfica em 2012 no célebre jogo de Barcelos e no jogo que inventou 2 penalties a favor do Benfica (num dos próximos jogos)".
NÃO SE ILUDAM!!
ESTES MENINOS NÃO BRINCAM EM SERVIÇO E SABEM-NA TODA!!
O DINHEIRO PARA A FRUTA NÃO ACABOU, como já vi escrito algures.
O DINHEIRO PARA A FRUTA anda nas offshores (ou pensam que as comissões para os empresários são na íntegra para eles?) e continua a ser distribuído pela malta amiga.
Simplesmente, a estratégia é a longo-prazo e é composta por várias tácticas de curto e médio prazo. E, nos próximos meses, o objectivo é assegurar LFV e a Olivedesportos, é descredibilizar mais um campeonato do SLB e "limpar" a imagem dos árbitros amigos.»



PJ


«Estreia hoje o muito aguardado filme dos Marretas.

Incensado por muitos trintões nostálgicos da onda “revival 80´s” agora em voga, ou
demonizado com uma bola preta, por críticos de cinema sexualmente frustrados
(eufemismo para evitar processos jurídicos de Eduardo Cintra Torres), é um filme
sobre o qual não irei tecer considerações, pois não sou comentador cinéfilo. Então,
perguntar-me-ão: o que raio foi isto para aqui chamado?

Vamos por um momento acreditar que eu de facto conseguiria ouvir aquilo que me
perguntam, pelo que respondo: pelo paralelismo com o mundo do futebol
benfiquista, que, se virmos bem, é mais profundo do que que dizer que quer o
Cocas quer o relvado da Catedral são ambos verdes.

Se bem se lembra quem viu os episódios televisivos nos anos 80, aquilo era uma
companhia de teatro, com elenco fixo, que todas as semanas apresentava o seu
espectáculo, para deleite de uma plateia sempre bem composta, sendo que, de vez
em quando, apareciam umas estrelas convidadas. Qualquer semelhança com um
clube de futebol não é despicienda, pois também semanalmente, um elenco de
artistas apresenta o seu espectáculo perante plateias geralmente bem compostas
(ok, aqui forcei a comparação, pois só me estou a referir ao estádio da Luz), sendo
que, de quando em vez, aparecem contratações de última hora, como a do Djaló.

E quem eram os principais personagens desta companhia?
Para mim, à cabeça, os dois velhotes que, do camarote, estavam sistematicamente
a largar bitaites sobre tudo o que se passava, geralmente com piada, mas sempre
rindo nem que fosse de si próprios. Só não vê a semelhança quem nunca sentou o
nalguedo na bancada MEO, tendo atrás de si uma plateia de reformados
benfiquistas que passam o jogo a denegrir os jogadores (os da casa e os alheios),
os treinadores, os árbitros, os outros espectadores e até a águia Vitória se ela não
acertar à primeira com o poleiro. Geralmente os comentários destes velhotes até
têm piada, a diferença é que muitas das vezes estamos a levar no pescoço com os
perdigotos que eles soltam na fila acima da nossa, coisa que não acontecia (acho)
na plateia dos marretas.

Depois, tínhamos o cozinheiro sueco, um esgroviado chef que fazia receitas
impensáveis com ingredientes que não combinavam, e que estava sempre a falar
sem que se percebesse o que ele dizia. Se alguém aí ao fundo já levantou o dedo
para dizer que eu me estou a referir ao Jesus, acertou.

Havia também o urso Fozzy, o comediante da companhia, que contava anedotas
sem piada e que muitas vezes levava com ovos e tomates, mas que, no fundo,
todos gostavam dele porque fazia parte da família. Ou seja, é como o Enzo Pérez,
que pensava que tinha piada com a novela que arranjou, mas que depois de umas
tomatadas (em linguagem técnica, também conhecidas como processo disciplinar),
resolveu mostrar arrependimento e foi de novo integrado na família benfiquista.
Até ver.

O Rowlf, o cão que tocava piano, era o clássico da companhia. Tipo calmo e
sossegado, com grande senso de humor, verdadeiro mestre de obras primas
musicais, tinha a capacidade de recriar clássicos de Beethoven ou Mozart na mais
pequena abébia que lhe dessem. Tal qual Pablito Aimar, que é capaz de dançar
tango numa caixa de fósforos ou fazer uma sinfonia de passes para as costas dos
defesas contrários, provocando grande sentido de humor nas bancadas.

Animal, o baterista maluco da banda «Dr. Teeth and The Electric Mayhem», estava
constantemente aos gritos e levava tudo na base da pancada, marcando o ritmo da
banda. Petit, Bynia ou Javi Garcia, pertencem a uma longa linhagem de dignos
representantes de “pancadeiros”, que fazem o trabalho sujo e vão marcando o
ritmo para que outros possam brilhar. Mas tudo na base da amizade, bem visto.

Havia também o Gonzo, um tipo bizarro, leal mas mal amado, feio, desengonçado,
com um nariz em forma de gancho, excêntrico e maluco. Qualquer semelhança com
Óscar Cardozo não será coincidência e se este tivesse pêlos azuis sobre o corpo,
seriam a cópia perfeita um do outro. Se bem que se Cardozo tivesse pêlos azuis no
corpo, seria também demasiado semelhante com membros da claque dos
Superdragões, semelhança que lhe poderia ser fatal em termos de, digamos, saúde.

No final, o que há a reter, nos Marretas como no futebol do benfica, é que por
muito inaptos ou problemáticos que fossem os artistas da companhia, quando
actuavam juntos e em equipa, o que acontecia era magia, e o resultado final era
geralmente favorável ao conjunto.

Outros personagens haveria para referir, como por exemplo as galinhas que volta e
meia apareciam nos bastidores mas que nunca se percebia muito bem o que
andavam por ali a fazer (Balboa, diz-vos alguma coisa?), mas não quero ser
entediante. Para isso já bem basta ver o Emerson a jogar.

Falta a Miss Piggy, é um facto. Desde a Margarida Prieto que não temos uma
verdadeira miss no estádio da Luz e não vou sequer contar com as meninas que ao
intervalo aparecem no relvado, porque por muito que lhes queiramos apertar os
pompons, elas estão demasiadamente longe para tal ser possível. No entanto,
também é verdade que a vaga latino americana do benfica (Saviola, Aimar, Javi
Garcia, Garay, etc) têm trazido consigo verdadeiras misses como cara-metade que,
bem vistas as coisas, talvez se dispusessem a fazer algumas coisas
verdadeiramente piggy, mas...não vamos por aí.»
 
 
 
E PJ arrebatou o prémio: vai à final. Chefe, manda novo texto o quanto antes. A final será na Segunda-Feira. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ó Gomes da Silva, gostas de molho de sapateira, é?

Antes de discorrer sobre a pesporrência recorrente de Gomes da Silva, deixem-me falar à alimária em discurso directo:

Ó meu cara de Fialho, andas a perguntar por mim na Trindade, é? Ó meu molusco de trombas cefalópodes, não te chegou levar no trombil para ganhares vergonha na cara? És Pai de filhos, representas o Benfica e vais para o televisor nacional armado aos bugios? 
 
Pergunta este cagão na Trindade, num dos seus semanais almoços, a um dos empregados de mesa: "anda aí o Ricardo?". O que hei-de fazer com esta puta de Vaudeville, entregue aos mais nojentos tratados de humanidade que o próprio Constantino (não o d´"A mão de Vata", mas o Flavius Valerius) ia achar de muito pouca respeitosa dignidade?

Até nos blogues andam. E ainda me querem convencer de que estes merdas não são totalitários. Um caralho do PSD que anda a mamar a torto e a direito do Benfica e do partido anda à caça das bruxas num blogue ridículo como este. Ó Manuel, vem agora, que precisamos de ti. 
 
O mail está ali, ó da Silva. Vai lá Sexta para levares com a merda da Sapateira nos cornos.


PS- Master, estou a aprender. Devagarinho. Deixa-me só tratar destes filhos de puta primeiro. 

Em vez da estátua do Eusébio, que tal a inscrição "Arbeit macht frei"?





Tenho lido por aí que a entrevista de Vieira foi vazia de conteúdo, que o Presidente do Benfica se defendeu, chutou para canto e não disse nada. Permitam-me que discorde. Vieira disse muita coisa, directa e indirectamente. Aceito a opinião que defende que Vieira está mais polido - é verdade, já não diz o que lhe vem à cabeça, agora leva tudo estudado. O que pode ser problemático porque, se antes dávamos o benefício da dúvida às coisas absurdas que dizia, hoje sabemos que tudo o que diz tem um pensamento e uma ideologia como base. E, tendo em conta o que disse, é coisa para não me deixar nada tranquilo. Vejamos então o que disse o grande líder:

- Rui Costa - não manda nada mas está ao seu lado. Mas tem alguma influência no Benfica? Não, quem manda é ele. Então o que está Rui Costa a fazer no Benfica? Vieira não consegue explicar, não sabe explicar e não quer explicar. É compreensível: Vieira não vai dizer aos benfiquista que Rui Costa está, neste momento, amarrado a um posto que não lhe dá liberdade para agir directamente pelo clube nem sequer o potencia como possível futuro candidato à Presidência. Isto porque Vieira alterou os estatutos há uns anos, quando nem sequer quis ir a votos com outros candidatos. Mas Rui Costa tem culpa nisto. Se está amarrado, desamarre-se. Se lá se mantém e não bota faladura, lá saberá as linhas com que se cose. Sabendo que, quanto mais se mantiver atrelado a Vieira, menos hipóteses terá de vir a ser uma figura de destaque no futuro. É que, um dia, as pessoas vão ver o que Vieira vai deixar de pé no clube. E vão ficar chateadas, muito chateadas. Por ora, desfrutemos da paz dos anjos. 

- Enzo Pérez - Interessante o momento da doença da mãe do rapaz. Não ponho em causa, acho curiosa a coincidência. Mas pode, de facto, ser apenas isso, uma coincidência. Só que mães adoentadas de jogadores há algumas e os jogadores mantêm-se ao serviço do clube. Este, por aquilo que nos fez, não devia beneficiar de qualquer privilégio. Ver a mãe, sem dúvida, ficar uns dias, sem dúvida; não arranjem é forma de atirar o homem para a Argentina por 6 meses. Nesse caso, estaremos certos do que sempre esteve em causa. E serão mais 5,5 milhões de euros a juntar aos 30 e tal milhões que estão enterrados em jogadores emprestados. É a crise, dizem. Mas no Benfica não parece haver falta de dinheiro. A não ser quando há que justificar medidas que vão no sentido oposto ao que foi sendo dito anos a fio. Alguém consegue ainda perceber isto? Concordar com isto? Não criticar isto? Digam-me como se faz, se puderem, que eu preciso de dormir mais descansado.

- O Mandato desportivo - A 26 de Junho de 2009, Vieira falava aos crentes assim:  

“Falta-nos conquistar títulos. Posso garantir que este mandato será para fazer obra nisso. Temos serenidade para investir no nosso ‘core business’ e ganhar não um, mas dois ou três campeonatos seguidos” 

E, de facto, o primeiro ano correu como prometido. Um campeonato, futebol de excelência, público empolgado, o Benfica estava de volta. Mas... estava? Não, bastou vencer um troféu 5 anos depois para recomeçar o disparate e a bazófia. Verteram-se entrevistas megalómanas, Jesus e Vieira, os dois de mãos dadas na imbecilidade, prometeram mundos e fundos, informaram o país de que o Benfica estava para ficar. Resultado: uma Taça da Liga, humilhações contra o Porto em todas as competições, incluindo nesse manjar um campeonato perdido em casa e uma meia-final da Taça depois de termos ido vencer por 2-0 ao Dragão. Afinal, o mandato desportivo não era para "dois ou três campeonatos seguidos", era para um e a masturbação consequente. 

Vieira, então, veio a terreiro: "tenho a culpa, cometi erros", frase pela primeira vez ouvida ao sujeito embora o sujeito tenha andado a cometer erros desde que pôs os pés no Benfica. Mas os benfiquistas são corações amolecidos (pelo tempo e pelas tristezas) e acreditaram no líder. E ele vem hoje, mais uma vez de peito aberto, assumir o que esteve mal: "fui eu! tive a culpa", embora tenha deixado no ar a ideia de que o que mudou da época passada para esta foi Rui Costa e o que fazia/faz no Benfica. Foi assim um daqueles "mea culpa" que soa a coisa falsa: "sim, falhei, mas" que é aquele "mas" que, em filosofia, se estuda como o elemento apenas apaziguador na discussão para depois ferir de morte o oponente. 

Recapitulemos: este é o mandato desportivo de Vieira, disse-nos ele há 3 anos, apesar de no ano passado termos tido das épocas mais humilhantes de que há memória, mesmo que a equipa, sejamos justos, nem sempre tenha estado mal - teve até momentos de brilhantismo. Mas lá está: ao brilhantismo desportivo, correspondia sempre a cagança no discurso e nas acções. Lá se foram os "dois ou três campeonatos seguidos" para a sarjeta. 
 
E este ano? Faremos melhor? Começaremos um ciclo (o 132º de Vieira)? Sim, mas com precaução. E Vieira explicou muito bem explicado o que pensa nesta entrevista:

«Não nos podem estar a julgar pelos resultados. Vejo o nosso trabalho por um todo. Os títulos são muito importantes para o clube, mas primeiro houve que construir uma base sólida, que tem vindo a ser construída ao longo destes anos"

Mas... não podemos julgar Vieira e a sua equipa de sportinguistas e portistas pelos resultados? Mas então... o mandato desportivo não tinha começado há 3 anos? Primeiro uma base sólida e depois então resultados? Há quantos anos ouvimos Vieira dizer estas mesmas palavrinhas, iguaizinhas, pequeninas? Anos a mais. Mas não para todos. Para 90 por cento de nós, Vieira está correcto na avaliação que faz e nas promessas que vende. São só 10 anos disto, caramba, não sejamos injustos, estamos ainda "em construção de uma base sólida". Até porque, diz o nosso líder hoje, «só agora começo a ter tempo para pensar exclusivamente no futebol». 

 Na Alemanha também foi assim. O Reichstag já foi queimado. A perseguição dos malvados comunistas já começou. Falta agora acabar com a concorrência interna. Ah não, isso já aconteceu com a mudança dos estatutos. A História, apesar de estar aberta, é de muito difícil interpretação.

 
- Olivedesportos - Não se coíbe Vieira de dizer que é amigo, muito amigo, de Joaquim Oliveira. Não sei a que propósito vem tal afirmação, mas deve ter razões profundas e compreensíveis. A mim, que não gosto da personagem (embora, pelos vistos, o homem seja afinal apenas e só um empresário, parem com essas insinuações sobre corrupção, se fazem o favor, que o Fialho não gosta nada disso), interessa-me mais saber o que vai o Benfica fazer em relação aos direitos televisivos. Vieira não confirmou nem desmentiu, disse "nim", embora tenha ficado no ar aquela politiqueira forma de dizer "sim", parecendo "não". Mas Vieira disse algo que estará neste momento a preocupar Luís Fialho: disse, e cito, "Com a Marca Benfica não há riscos", respondendo à hipótese de o clube não renegociar os direitos televisivos com a Olivedesportos. Afinal, como é que ficamos, ó Fialho? Então parece que a Olivedesportos não é a solução "inevitável", parece que há "marca sem riscos" para além disso. Estamos todos muito confusos. Ou então não. É que Vieira e a sua equipa de sportinguistas e portistas já nos habituaram ao longo dos anos a frases que se desmentem umas atrás das outras. Recuperemos o que dizia Soares Oliveira a 21 de Abril de 2010 sobre a necessidade de venda de jogadores:

«Do ponto de vista prático, com este último instrumento que fizemos aqui estamos tranquilos do ponto de vista de necessidades de tesouraria para os próximos anos.»

Hoje Vieira afirma, com todas as letrinhas, que a gestão do Benfica está pensada a contar com a venda de jogadores todas as épocas. Em matérias de maleabilidade da espinha, Luís Fialho tem ainda muito a aprender com estes homens. Mas acreditamos que, pelo caminho que leva, terá mais que tempo, espaço e lugar para atingir igual nível de filhadaputice.
 

E o mexilhão Benfica é que se fode.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Como era de esperar, o líder vai falar

Ali ao lado há uma sondagem. Melhor: houve uma sondagem, assim é que é - não quero de maneira nenhuma obrigar Rui Oliveira e Costa a mais um trago de uísque de Sacavém. Hoje, ali ao lado, há resultados. Simpáticos, diria. A maioria dos nossos empenhados leitores votou na solução mais inteligente - "Vieira aprendeu com os erros - só [falará] no final da época". 

O problema que se coloca diverge apenas na fonte da inteligência: dos leitores ou do Presidente? Somos forçados a optar pela primeira e a juntar-lhe uns pozinhos de esperança. Porque, na verdade, os que votaram nessa opção, mais do que uma crença, tinham fé. E a fé, como a História do Homem nos vem tragicamente revelando, normalmente acaba mal, em desespero. 

Quando hoje nos sentarmos em frente ao televisor, atentíssimos às incursões discursivas do líder, iremos balancear entre os elementos: crença, fé e, esperemos que não, desespero. Embora Vieira tenha um histórico estatístico negativo no que a entrevistas concerne, não se coibiu de achar o momento actual de uma oportunidade extraordinária para botar faladura. Afinal tudo se enquadra no instante perfeito e decisivo: 10 vitórias consecutivas da equipa de futebol, empolgamento generalizado, uma bondade crescente no coração dos adeptos e, acima de tudo, por estarem focados na possibilidade de uma época de grande nível, um conveniente desinteresse por parte dos benfiquistas em relação a outros assuntos, como dizer?, mais incómodos. 

Por tradição, sabemos que, sempre que Vieira decide falar ao povo, o Benfica mirra. Há-de ser um fenómeno ainda por estudar no futuro, quando nenhum de nós estiver sentado aqui neste globo e alguém, um lunático adorador de estatística (não és tu, Oliveira e Costa, tu és só parvo), se decida a elaborar um tratado histórico sobre a relação entre um Benfica perdedor e a bazófia do seu Presidente. Foi assim no passado, sê-lo-á hoje? Temos fé que não; acreditamos que sim.

As dúvidas sobre os assuntos tratados devem esvair-se rapidamente, logo que discorra a entrevista para o plano mais evidente. Vejamos, então, que espécie de coisas serão faladas (e as nossas pequenas dores à portuguesa): bom momento desportivo (queremos que fales apenas do óbvio, sem entrar nas vaidades típicas dos últimos anos); contrato com a Olivedesportos (vamos todos rezar para ouvir da tua boca que nada vai ser assinado e, se for, que haja a decência de escutar e informar os sócios); relação de forças com o poder vigente (por favor, não entres na hipocrisia do discurso contra a "verdade desportiva"; tu contribuis para que ela não exista).

Serão estas 3 e outras quais? Têm a palavra os leitores. Vale tudo menos tirar olhos - mas vale cortar orelhas.  


PS - O mal disto é que eu sou muito chato. Podia fazer como os gajos realmente inteligentes: liam estas merdas e cagavam, deixavam estes abutres entregues aos seus jogos de bastidores. Há muitos que admiro por esses blogues que é o que fazem: deixam-se estar no plano do texto benfiquista e não se metem em política. Compreendo-os mas há dentro de mim algo que não me deixa esquecer, não consigo, não posso. E é por isso que me lembrei de outra do Fialho, esta de 6 de Outubro de 2011 (Ó Fialho, esta não foi há 4 anos, Fialho, foi há 4 meses), em que ele escreve um post com o título: "O Benfica apoia, eu não!". Podem ir espreitar.

Ó Fialho, sabes quem patrocinou a ida do Nandinho para a Federação? Sabes a quem é que o Nandinho responde no final do dia? Sabes quem manda no Nandinho, sabes? Apetece-me dizer: Ó Fialho, vai pró... mas depois há crianças a ver isto. É melhor não.

Ainda a propósito da frase de Fialho ("E penso que é um serviço que estou a prestar ao clube (ainda para mais gratuitamente, e sem ninguém me ter pedido), procurar explicar isto a quem me lê"), lembrei-me de um pequeno poema de Mário-Henrique Leiria. E versa assim:

«Telefonaram-lhe para casa e perguntaram-lhe se estava em casa.
Foi então que deu pelo facto. Realmente tinha morrido havia já dezassete dias.
Por vezes as perguntas estúpidas são de extrema utilidade.»

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Direito de resposta - Luís Fialho explica-se


«Caríssimos,

Em primeiro lugar acho que não mereço a importância que me estão a dar.
Em segundo garanto-vos que escrevo, a cada momento, aquilo que me vai na alma (que, como o mundo não é imutável, também poderá por vezes diferir, sobretudo tratando-se de vários anos depois), e nunca fiz, nem faço, fretes a ninguém, até porque não ganho um cêntimo do Benfica, nem de ninguém ligado directa ou indirectamente ao futebol, ou à televisão.
Em terceiro, não conheço pessoalmente, nem o Joaquim Oliveira, nem ninguém de relevo na Sport Tv (ah, apertei a mão uma vez ao Bessa Tavares).
Em quarto, garanto-vos que a Sport Tv tem muitos, mas mesmo muitos, jornalistas e funcionários tão benfiquistas como nós.
Em quinto, relembro que o post de 2008 foi de...2008, e de então para cá, muito sinceramente, nunca me foi possível comprovar devidamente a influência que eu então suspeitava que a Olivedesportos pudesse ter no Sistema, nomeadamente na questão das arbitragens. António Oliveira já lá não está, e, como digo no artigo do jornal, fui ganhando a convicção que Joaquim Oliveira anda no futebol para ganhar "o seu" (que não é pouco), e não o vejo muito interessado em mais nada do que dinheiro. Posso estar enganado, mas é esta a ideia que tenho neste momento (se alguém me provar o contrário...)
Lembro também as circunstâncias em que o contrato actual foi assinado, às quais a Olivedesportos era alheia. Apenas aproveitou, como qualquer outro no seu lugar o faria.
Por último, quero também recordar que a Olivedesportos é a única operadora no mercado em condições de pagar um valor elevado pelas transmissões do Benfica. A Benfica Tv é um argumento negocial, mas as receitas por uma e outra via não se comparam.
Se para proteger o futuro do Benfica for necessário esquecer alguma coisa do passado, creio que devemos estar dispostos a fazer esse exercício. Até porque, como diz o povo, amigos amigos, negócios à parte. E aqui, é de um negócio que se trata. De um negócio de importância vital.

Cumprimentos

Luís Fialho»



Recebi há umas horas este comentário do Luís Fialho, que está publicado no post "O alucinado caso de Luís Fialho". No entanto, pela gravidade da situação, e pela crítica dura que lhe fiz, parece-me justo que o seu comentário tenha uma visibilidade maior - de uma caixa de comentários saltará o dito texto para um post, para que todos os que quiserem comentar as justificações de Luís Fialho o façam na maior das democracias - peço que tenham alguma classe e moderação, não gostamos de insultos nem de asneiras.

Quanto a mim, é simples, Luís Fialho: aborda muita coisa menos a que para mim foi, é e será sempre a mais relevante: a questão da venda ideológica. E o Luís Fialho vendeu-se. Não é possível que em 2008 tenha tido a certeza de que Oliveira era peça importante no sistema (e é-o, não vale a pena estarmos a escamotear essa realidade óbvia) e hoje ache que é só um homem de negócios. Ou melhor: possível, é. Mas a um custo que ultrapassa os limites do razoável. Só o Luís Fialho saberá as razões que o fizeram escrever aquela merda de texto (desculpe o vernáculo, mas não há outra forma de nomear aquela nojeira). Ficarão consigo, para o bem e para o mal. Mais para o mal. 

Fala em benfiquistas na Sportv (não vejo a que propósito), fala do dinheiro que não ganha do Benfica (não vejo a que propósito), fala que não conhece Oliveira pessoalmente (não vejo a que propósito) e depois justifica-se dizendo que o texto é de 2008. Portanto, em 2008 tinha a certeza de que Oliveira era peça fundamental no sistema. Hoje não, hoje acha que não tem qualquer ligação nem é uma das caras mais nítidas e fundamentais do sistema corrupto instalado no país. E o Luís Fialho acha que isto faz sentido, é?
 
Não, Luís Fialho, o meu caro está mesmo a fazer um frete a alguém. Se impelido ou voluntariamente, desconheço qual o motivo. O certo é que acabou de lançar as bases, no jornal do clube (não foi na Nova Gente ou na Maria, foi no jornal do Benfica), para a previsível, desde sempre, renegociação com a Olivedesportos. O que, pelos vistos, para si não é de modo algum um problema, é mesmo uma solução. Eu diria que o próximo passo é escrever uma crónica a pedir a demissão de Luís Filipe Vieira. É que ele andou 12 anos a justificar-se com a corda que tínhamos amarrada ao pescoço por parte desses tais Oliveiras corruptos. Escreva-a que a gente retira as queixas contra si.




Ontem quase foste ao Estádio da Luz (mas depois deu a novela)

Ia passar agora aqui a capa d´"A BOLA" mas acho que é melhor não, têm outros blogues onde podem estar a par das coisas que podem ver nos jornais mas que, por vocês serem muito tontos e muito parvos, vão ver a um blogue. Isto no fundo faz sentido. Eu, por exemplo, quando quero saber dos convocados do Benfica vou logo a um blogue ver um recorte de jornal. Sou assim, o que é que vocês querem? Sou parvo, pronto. E nem sequer tenho Redpass.

Isto para dizer: faz-me falta mais gente no estádio. Não levem a mal, eu sei que vocês têm os vossos afazeres, as vossas pequenas dores que têm de tratar, a vossa depressão quotidiana que resolvem com comprimidos e cães na marquise. Mas vocês fazem-me falta. Olho as bancadas vazias e imagino milhares de vós, que se lambuzam em frente ao computador a falar do Benfica, e sinto pena. As bancadas do estádio do Benfica, não sei se estão a par, não existem para decoração. Vejamos a coisa: há um relvado. Há cadeiras. Há, inclusivamente, jogadores! Sim, eu sei que é estranho, há jogadores! E um jogo. E cadeiras. E um relvado. E depois existes tu e o twitter e o facebook. Não tenhas mais dúvidas: tu és um grande benfiquista.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Brilhantismo versus mediocridade


Depois de saber disto e de ter escrito isto em relação àquilo, apetece-me largar a tragédia à portuguesa e abraçar a epopeia que alguns de nós ainda vão conseguindo alcançar. Parabéns, Telma.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O alucinado caso de Luís Fialho





Esta pequena novela à portuguesa começa em 2008, mais precisamente no dia 8 de Abril de 2008. A blogosfera benfiquista enlutava com mais um título ganho pelo Porto como quase sempre são os títulos ganhos pelo Porto: competência aliada ao favoritismo sistémico. Levantavam-se uns, outros choravam o azar, criticavam-se os árbitros, anunciavam-se novas medidas, despediam-se treinadores, escolhiam-se jogadores, enfim, o panorama normal e caótico do mundo dos blogues. Houve, no entanto, quem decidisse organizar detalhada e muito acertadamente toda uma resenha de acontecimentos sobre o futebol português para assim ficarmos todos a par das movimentações mais clandestinas que, por debaixo da realidade visível, iam acontecendo. E é aqui que chegamos ao nosso protagonista, de seu nome Luís Fialho.

Luís Fialho fez um trabalho notável - escreveu um tratado sobre as razões que levaram o Porto, de 88 a 2008, a um sucesso desportivo assinalável, não se coibindo, porém, de, entre elogios, expor de forma magistral toda a teia de ilegalidades, corrupções, obtusos compadrios, negócios obscuros, estranhas alianças, enfim, fez um raio-x perfeito do que foi (e é) o modus operandi do clube vergado a uma seita comandada pelo cacique e fanático Pinto da Costa.

Chamou-lhe, muito poeticamente, "Vinte anos de mentira de A a Z". E o povo agradeceu. Afinal, estavam ali enumerados todos os pecadilhos, pecados e pecadões que toda a gente via, de que toda a gente falava, de que toda a gente se queixava mas que ninguém tinha organizado de forma decente e burocrática. Fialho fê-lo, com a conduta e espírito de missão que compete aos resistentes, aos que querem que o Bem vença o Mal, que o derrote pela dignidade e pela honra, pelos princípios verdadeiramente morais. O povo, naturalmente, reagiu a preceito: elogiou o protagonista, falou sobre o caso, promoveu o assunto, que "sim, senhor, está muito bem dito!", que "já faltava uma enciclopédia da corrupção como esta", que "finalmente temos um escriba que, além de tácticas e notícias de jornais, faz serviço público", que "este sim, é o tal, o prometido, o Haile Selassie dos blogues do Benfica!". 

Foram, até à data, 288 comentários numa compreensível torrente de indignação e reserva dos valores mais altos, de uma exposição dos males e dos podres que levaram Luís Fialho ao justo patamar dos eternos. Dia após dia, semana após semana, ano após ano continuou Fialho a brindar-nos com escritos decentes, dignos e lúcidos, por vezes aproximando-se da actual direcção, outras, por convicções profundas, afastando-se em nome daquilo que sempre defendeu: a análise justa, imparcial, inteligente, independente, autónoma. Fialho concordou, Fialho discordou, Fialho abanou a cabeça, levantou o queixo, pôs-se a pensar mas nunca cometeu o erro do facilitismo. E é isso que faz de Fialho um herói para todos nós.

Recuperemos, a propósito de um tema recorrente e muito actual - a Olivedesportos e os direitos televisivos -, o que escreveu Luís Fialho sobre os irmãos Oliveira nesse notável texto de que falámos atrás. Sobre a letra "O", que, na sua extraordinária prosa, vem a seguir ao "N" de "Norte" e antes do "Q" de "Quinhentinhos", Fialho discorre assim:

«O de OLIVEIRAS – Juntamente com o irmão António, Joaquim Oliveira foi elemento determinante na consolidação do poder portista. Ainda hoje o clube da Luz tem as suas transmissões televisivas extremamente sub-avaliadas, face à popularidade e audiências de que desfruta. Faz-me alguma confusão Joaquim Oliveira ser accionista de referência da SAD benfiquista, e ninguém se preocupar muito com isso.
Já o irmão António (o do caso Paula, dos carimbos falsificados no caso N’Dinga, e das polémicas do Coreia-Japão), ex jogador e treinador do clube portista, protagonizou em 1992 um episódio curioso e revelador. Treinava o Gil Vicente e na primeira volta, nas Antas, fez entrar um tal de Remko Boere a um minuto do fim com o resultado em branco. Esse jogador, que quase nunca havia jogado na equipa, nesse minuto apenas fez um penálti caricato e recebeu ordem de expulsão. O F.C.Porto venceu 1-0. Na segunda volta, em Barcelos, com o F.C.Porto já campeão, o Gil venceu por 2-1 e salvou-se da descida à segunda divisão. Tudo em família portanto…»

Penso que estamos todos de acordo. Não há nada no excerto com o qual discordemos, está tudo ali, certíssimo, clarividente, nítido. Por mais que pensemos em encontrar alguma ponta solta no discurso de Luís Fialho deparamo-nos outra e outra vez com o muro da impossibilidade argumentativa. Fialho escreve, bem, sobre os Oliveira e detectou-lhes as estranhas movimentações que exercem no futebol lusitano. Mais uma vez, temos de assumir: Luís Fialho consegue atingir notas altíssimas, impossíveis aos comuns mortais de algum dia sequer sonhar em chegar perto. Ajoelhemos os corpos sob a notável inspiração literária e analítica de Fialho e, como não?, aceitemos o nosso destino de meros observadores do divino.

Mas esta história não acaba aqui. É que, numa estranha e curiosa mudança de direcção, o nosso herói fez-se vilão. Não sabemos, não temos dados, desconhecemos, a razão pela qual Fialho terá ingerido cogumelos estragados. Há indícios de uma perturbante alucinação, os médicos estudam ainda o caso, os especialistas confrontam ideias - ocupam-se disso ainda hoje, e já estão nisto há demasiados dias -, mas ninguém sabe ao certo o que terá ocorrido na zona específica do cérebro. Houve, inclusivamente, uma velhota que informou o Governo de que tem ideia - não sabe ao certo, mas acha que - de ter visto Fialho apaixonar-se por um lindíssimo cogumelo vermelho às pintinhas brancas e de, num acto de luxúria porém de clara irreflexão, o ter abocanhado com a fome e gula de 3 milénios de humanidade. Como estará hoje Luís Fialho é uma incógnita que só daqui a estafados exames e anos e anos de pesquisa científica poderemos saber. No entanto, deixamos já aqui a nossa indignação sobre a forma como o assunto tem sido tratado pelos bloggers benfiquistas. Acusarem Fialho, o nosso prometido, o nosso líder espiritual, moral e até mesmo higiénico, de ter escrito esta nojeira:

«O que está em causa na animosidade dos benfiquistas para com a Olivedesportos não é pois uma questão económica (aí, trata-se, sem dúvida, de um parceiro negocial poderoso), mas antes a colagem (não sei se inteiramente justa) que fazem daquela empresa ao Sistema que vigorou no Futebol português durante décadas, e que tanto nos penalizou.
Não conheço os bastidores do Futebol ao ponto de ter uma opinião inteiramente fundamentada sobre o assunto. Mas do que me é dado a ver, não me parece que tenha sido a Olivedesportos, nem Joaquim Oliveira, a ordenar ou a instigar Olegário Benquerença (...) sempre me pareceu que o objectivo de Joaquim Oliveira no Futebol era tao somente o comum a qualquer homem de negócios: ganhar dinheiro. Como tal, vejo-o, até prova em contrário, da mesma forma que a qualquer outro interlocutor. Apresentando a melhor proposta, e ninguém me comprovando devidamente a sua ligação ao "Sistema", nada teria - enquanto sócio do Benfica - a opor ao negócio...»

a mim causa-me asco. 


A Olivedesportos é nossa amiga!

/(retirado do blogue NovoGeração Benfica)





Não tenho grandes palavras a tecer em relação a este texto de Luís Fialho, pessoa que, desde que o leio, mantém uma postura próxima das ideologias de Vieira mas que sempre soube deixar espaço para a crítica inteligente e reflexão sem bandas gástrico-encefálicas. Nesse sentido, este texto é a maior vergonha que lhe podia ler. O tom, o discurso, a falsa ingenuidade (parece que Oliveira não é do "sistema", é apenas um investidor, um empresário, nada mais do que isso), a pedagogia de pacotilha, a hipocrisia, o exagero (Vieira, diz, é um negociador de excelência), a bajulação, o lambe-botismo a certa altura atingem um nível tal que parece que estamos a ver o próprio Presidente segurar os fios da marioneta Fialho enquanto este, sem vida, vai escrevendo ao ritmo dos movimentos que o outro vai comandando. Confesso o meu desalento: não estou habituado a ver alentejanos com espinha tão maleável. Sinais dos tempos de crise, certamente.

Está lançado o isco para os adeptos. É só uma questão de tempo e de ir convencendo os mais cépticos. Nem que para isso tenhamos de ver em Joaquim do roupão um verdadeiro amigo. É tão bom uma amizade assim. Ai, faz tão bem saber com quem contar. Eu quero ir ver quem me quer assim. É bom para mim e é bom para quem tão bem me quer.





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O presente de Emerson ao Benfica

Capdevila acaba de anunciar ao mundo que faz anos. Como prenda, Emerson lesionou-se. E assim tudo se conjuga para, pela primeira vez esta época em jogos importantes, o Benfica entrar em campo com 11 jogadores. Parabéns, gordo.

Nota fundamental: no post anterior, continuam a votos os dois textos até à 00:40. Votem em inconsciência, por favor.

Concurso "Cadeira de Sonho" - Regras e 1ª meia-final

Pois bem, meus caros, o prazo para o envio de textos acabou ontem às 23:59. Quem queria fazer parte desta equipa por um mês (com possibilidade de renovação de contrato) e não foi a tempo, paciência - e aviso já que esta será a única vez em que deixaremos amadores como vós penetrarem no âmago da escrita decisiva e certeira. 

Recebemos bastantes prosas - umas 15 -, o que, devo dizer, nos surpreendeu bastante, sempre achámos que ninguém estaria interessado em fazer parte disto, acima de tudo porque ninguém sabe escrever decentemente, à imagem dos que aqui debitam imbecilidades com um ar sério para parecer que sabemos do que falamos. Não sabemos mas isso agora também não vem ao caso. 

Dessas 15, muitas continham uma escrita tão pouco apelativa que fomos obrigados a censurá-las. Pedimos desculpa, mas eram de facto muito fracas - desconfiamos de que tenha sido o Manuel a escrevê-las todas com nomes diferentes. Ou então o Tomás Pizarro. Ou aqueloutro, o Lemos ou lá o que é - estão a ver o estilo, não estão? Enfim, entre insultos e má escrita, sobraram-nos 6 textos (um deles com um insulto pequenino, que deixamos passar) que achamos poderem vir a dar qualquer coisa de interessante, especialmente quando forem filtrados. E a coisa passar-se-á desta forma:

- 3 meias-finais a que se seguirá uma final a 3
- cada meia-final tem a duração de 12 horas; a final, 24.
- esses 3 vencedores terão de escrever novos textos para a ansiada finalíssima.  
- o vencedor terá direito a escrever no blogue por um mês - não há compromisso em relação ao número de textos que tem de escrever; como membro da equipa, fará como bem entender: ou escreve muitos (como eu), de vez em quando (como o Sérgio) ou muito raramente (como o RogerAjacto). Ficará ao critério do infeliz contemplado, embora tenha de alertar para o facto de que, se quiser permanecer para além do prazo de experiência, se calhar é melhor mostrar os seus dotes mais do que uma ou duas vezes. Não sei, isto sou eu a falar, que não mando nada nesta merda. O divino é que sabe.
- o quadro das meias-finais é este: João Silva-Bcool; Rui Custódio-Lord of the Rings; Francisco Correia-JC.
- Pedimos aos nossos leitores que deixem a votação (de 1 a 10) que acham que cada texto merece, especificando cada escriba - por exemplo: João Silva - 2; Bcool - 2 (ou mais, se calhar mais, 2 é pouco, mas percebem a ideia). E, já agora, que votem muitas pessoas para o concurso ter a credibilidade possível, no meio da quase nula credibilidade que tem logo à partida. Ajudem os vossos companheiros a chegar à Cadeira de Sonho. Peçam dinheiro, minis, iphones4, corrompam-se todos, mas votem. Sejam democratas, sejam ditadores. Mas votem.


Hoje dar-se-á, então, a primeira das três meias-finais, aquela que põe em disputa João Silva e Bcool. Passarei aqui o texto de ambos. E sejam todos muito felizes:


João Silva

"Atiram-se Pedras para o ar como se não se tivesse medo de telhados de vidro...

Aí está a frase que melhor simboliza o Fruta Corrupção e Putedo que a haver justiça em Portugal, militaria nas distritais da Associação de Futebol do Porto.

Será que não existe vergonha para aqueles lados? 

Tudo serve para tentar denegrir a fantástica campanha do nosso Glorioso, que mesmo apresentando Emerson no onze titular semana atrás de semana consegue ir na frente isolado o que só de si é um milagre, penso que Jesus pediu a Santinha Emprestada ao Scolari antes deste sair de Portugal, mas pela primeira vez esta época tiveram a minima razão de quixa de um arbitro.

O mote está dado, é um toca a reunir para os lados da cedofeita que após os campeonatos do "EstorilGate" e do "Túnel" tenta arranjar desculpa para a M%&#@ de futebol que apresenta após ter gasto mais de 40 milhões em contratações esta época.


Eles estão com medo meus amigos e por mais que o dono deste blog ( estou-me pura e simplesmente a cagar para ele) não reconheça merito a LFV pelo trabalho desenvolvido até agora no Glorioso, só um cego não vê que este conseguiu aos poucos despertar um gigante adormecido, e também por isso esta época é de vital Importância.

Com o nosso Glorioso a apresentar um futebol não só vistoso mas tambem, quando tem de ser, pragmático este será porventura a melhor oportunidade de dar um safanão na omogenia instalada no futebol Portugues nos ultimos 30 anos com o segundo campeonato em 3 anos.

Há quanto tempo Ricardinho não tinhas oportunidade disso?? Quem foi o ultimo presidente que o conseguiu??

Por isso meus amigos está na hora de nos unirmos em torno deste Benfica e Não deixar que vozes de Burro cheguem ao Céu blindando o clube que nos envaidece dos merdia, da corrupção e putedo e dos Quequinhos do Lumiar.

Vamos criar um colinho sim , mas em torno desta onda vermelha que crexe de dia para dia e que empurra o nosso Glorioso!

Uni-vos"




Bcool




"Argumentava o Diego no outro dia que normalmente se nasce Benfiquista
e por qualquer defeito da natureza pode-se nascer não-benfiquista.
Eu tendo a discordar dele, pois acho que no fundo somos e nascemos
todos Benfiquistas, até os anti, mas estes por qualquer motivo
(distúrbio, frustração, más companhias) ficam todados no bom senso.
Vou contar a minha história. O meu pai, enquanto Pilão (miúdo dos
Pupilos, antes que tomem outro sentido) cresceu no Estádio da Luz na
década de 60. Como poderia ser de outro clube que não do Glorioso. A
minha mãe, enquanto filha de um lagartão anti-benfiquista, obviamente
que tomou os ínvios caminhos da lagartice.
Eu cresci a ouvir as maravilhas da década de 60 e de todas as coleções
de cromos da bola que fazia, lembro-me especialmente daquela que além
do Bento, Pietra, Veloso, Carlos Manuel, Humberto, Diamantino, Nené,
irmãos Bastos Lopes, Chalana, Laranjeira, etc. tinha também os ídolos
do passado Costa Pereira, Mário João, Germano, Cavém, Coluna, José
Augusto, José Águas, Simões, José Torres e obviamente o grande
Eusébio.
Enquanto na minha rua todos discutiam quem queriam ser do Benfica ou
do Sporting, eu dizia que queria ser m dos ídolos do passado, daqueles
que iam à linha e cruzavam mortiferamente, ou dos que marcavam golos e
davam a marcar, ou mesmo quiçá o grande Eusébio, o que fazia confusão
aos putos da rua, pois eu falava no Benfica do passado e eles diziam
este é dos bifes mal passados. Ficava tão enfurecido com os
energúmenos que quando jogava me preocupava mais em arrear umas massas
do que verdadeiramente jogar à bola, estilo Bynia, ou como diria o meu
pai, estilo Styles, que tinha dado tantas no King que por várias vezes
teve que receber assistência, mas mesmo assim ainda conseguiu marcar
um e nos últimos minutos fazer tremer a barra do Manchester (na altura
o city não contava), antes da debacle física do prolongamento.
Apesar de adepto convicto, o meu pai não era sócio. Não entendia o
porquê, nem porque não me levava à bola ver o glorioso, mas hoje com
distância percebo-o, não eram tempos fáceis, mas uma criança nem
sempre se apercebe, em especial quando nada nos falta. Por isso foi o
meu vizinho Paulo, quem me fez sócio. O meu vizinho do 3.º era um
benfiquista dos 7 costados, que todos os dias ia à sede no Regedor. O
Regedor, onde se aprendia a jogar bilhar com os mestres. Além disso,
ao lado tinha uma hamburgaria com os mais espectaculares hamburgueres
que eu alguma vez comera, com a cebola frita.
Mas adiante, todos os dias quando o meu vizinho Paulo chegava a casa,
eu ia ter com ele para saber as novidades, as últimas, pois ele ou
tinha ido aos treinos ou passara pela sede. Além do mais, a Bola só
saía 3 vezes por semana, à 2.ª, 5.ª e Sábado e portanto ele estava
sempre mais actualizado sobre as novidades que a Bíblia. O que é certo
é que eu estava cada vez mais benfiquista e nem as tentativas fúteis
de conversão por parte do meu avô lagartão nos jogos de pré-época no
São Luís, várias vezes acabavam em discussões, tinham qualquer efeito.
Todos os domingos ligava o rádio na Antena 1 ou na Comercial, nunca
gostei da Renascença, e naquela altura só havia estas 3 rádios e em
Onda Média (era capaz de já haver a antena 2, mas obviamente que essa
não dava futebol), e ouvia os relatos da bola, procurando sempre qual
era a rádio que transmitia o Benfica, pois odiava quando eles
alternavam os relatos e tínhamos que gramar com os lagartos ou os
tripeiros.
Ora a minha mãe, como mulher inteligente, apesar de lagarta, mas
também não ligava muito ao futebol, percebeu cedo a minha condição
(não digo doença, porque o Benfiquismo é uma honra, não uma maleita) e
percebeu ainda como era importante na minha vida o Benfica, porque
ficava chateado se perdia, porque orientava as minhas tarefas de fim
de semana para ter a tarde de domingo livre para ouvir o relato do
Benfica, porque falava do Benfica e dava muito valor às prendas que me
ofereciam do Benfica (andava com uma camisola vermelha com o 3 cosido
nas costas e com o emblema preso por botões), falou com o meu vizinho
Paulo sem eu saber e pediu-lhe que trouxesse os formulários de sócio e
se ele fazia o favor de me recomendar, pois na altura para ser sócio,
só sendo proposto por outro sócio. Dito e feito, o meu vizinho trouxe
a proposta, a minha mãe preencheu-a e na véspera de ser entregue,
mostrou-me-a deu-me a mim para a assinar. Fiquei nas nuvens.
Passado 1 mês já era o sócio 96.000 e qualquer coisa e comecei a ir
com o meu vizinho Paulo ao Domingo ver a bola, mas mais que tudo, ver
o Glorioso. Lá íamos nós, um velhote de 60 e tal anos e um miúdo de 12
anos. De autocarro para Cacilhas, de barco para Lisboa a pé até ao
Rossio, de metro até Sete Rios (última paragem do metro) e depois a pé
até aos campos secundários onde víamos em pé o(s) jogo(s) dos juniores
ou juvenis de manhã, comíamos as nossas sandes trazidas de casa, com
uma água e depois tomávamos o nosso lugar no 3.º Anel (sim o antigo, o
tribunal da Luz) e esperávamos pelo jogo entoando as músicas de apoio.
Nas poucas vezes que chegava triste a casa, a minha mãe entristecia-se
por mim, pois ela gostava que o Benfica ganhasse para me ver feliz. A
minha mãe era uma benfiquista, que por influências familiares foi
enganada a crer que era do Sporting, e sempre o disse, mas que no
fundo descobriu com o filho bom era o Benfica ganhar e ser campeão,
pois daí vinha a felicidade dela.
No fundo somos todos benfiquistas mesmo que alguns não o queiram
admitir, e só por erros do homem (ou da mulher) alguns vivem enganados
julgando que são algo diferente do que realmente são."


E agora... VOTEM! 


A votação não deixou dúvidas a ninguém: Bcool venceu por 10.459 votos contra -5 do João Silva. Se me permitem uma opinião pessoal: estiveram bem, leitores. O João, além de escrever um texto sem interesse, vive num ódio que não cai bem neste blogue. Vitória merecida do Bcool, embora deva aprender a formatar o texto - aquela mancha disforme atirada para a folha em branco não favorece a leitura. Para a final, apresenta-nos um texto em formato mais bonito, se fazes favor.

Ainda hoje ou amanhã, acontecerá a segunda meia-final. Obrigado a todos os que participaram e mesmo aos que não participaram. E até mesmo aos que nem sabem deste blogue nem deste concurso. Obrigado por existirem e serem infelizes.