Ponto prévio – O meu texto “Roberto,
o filme II”, foi escrito durante a madrugada do dia 30 de Julho de 2013, logo,
antes da emissão do comunicado do Benfica, sendo que agendei a sua publicação automática
para as 10H00 do mesmo dia, hora a que o Benfica já havia publicado esse mesmo
comunicado enviado à CMVM. Por isso, ainda que enquadre o sucedido, apresento
as minhas desculpas.
Hoje, 4 dias depois da 2ª
transferência de Roberto, o Benfica publica o comunicado enviado à CMVM, na
sequência do pedido de esclarecimentos feito por aquela entidade, relativamente
à transferência citada:
Antes de mais, é justo realçar
que a SAD do Benfica achou necessária a publicação do comunicado, para
esclarecimento dos sócios e adeptos, ainda que esta devesse ser a regra e não a
excepção, ainda que este esclarecimento devesse ser desnecessário porque as
acções deveriam ser claras desde a primeira hora.
Analisando o comunicado, a
Benfica - SAD começa por referir que, devido ao incumprimento do pagamento
acordado com a BE Plan, readquiriu a totalidade dos direitos desportivos e económicos
de Roberto, por via de uma das garantias inerentes ao acordo de compra/venda (o que só acho bem).
Resta perguntar, quando aconteceu essa reaquisição dos direitos económicos e
desportivos e porque não foi comunicada, tendo sido necessária a intervenção da
CMVM para que fosse divulgada e comunicada?
Pode ainda ficar a dúvida da
quantidade do valor em falta, uma vez que a nova cedência, desta vez ao Atlético
de Madrid, se cifrou nos 6 milhões de euros, quando a cedência dos direitos económicos
à BE Plan se havia cifrado por volta dos 8.6 milhões de euros. Ou seja, o valor
em falta é de 2.6 milhões de euros (resultado da diferença de valores)? É superior,
havendo por isso uma desvalorização do activo? Ou é inferior havendo assim uma valorização?
Isto é, quanto é que o Benfica, em concreto, recebeu da BE Plan?
Ao anunciar que readquiriu os
direitos económicos e desportivos de Roberto, onde é que o Benfica enquadra as
declarações do guardião Espanhol que afirma “Na realidade estive sempre
vinculado ao Benfica até agora, por isso até se falou da possibilidade de
regressar”?
A Sport Lisboa e Benfica – Futebol,
SAD, ao informar que a totalidade dos direitos económicos do atleta, foram
transferidos para o Club Atlético de Madrid SAD, esquece-se de referir onde e
como entra o negócio “Pizzi” nisto tudo. Por quanto foi adquirido? O Benfica
ficou com 50% do passe pelos 6 milhões de euros pelos quais transferiu,
novamente, Roberto, o que faz de Pizzi um jogador avaliado em 12 milhões? O que
faz do Benfica um clube que empresta jogadores de 12 milhões? Se os tais 50% do
passe do jogador não valeram os tais 6 milhões, quanto valeram? Quanto destes 6
milhões serão liquidados em numerário? Se os 50% do passe de Pizzi foram
avaliados por 6 milhões, quer dizer que o Benfica vende o mesmo jogador 2 vezes
e em nenhuma recebe dinheiro? Ou se recebe, quanto?
Para finalizar, deixo aqui a opinião de um tal Pedro Santos Guerreiro (homem pouco esclarecido e ainda menos conhecedor destas matérias) quem em 2011 opinou sobre o caso Roberto, coisa que lhe valeu um processo em tribunal movido pelo Benfica que, diga-se, viria a ser arquivado:
http://www.record.xl.pt/opiniao/interior.aspx?content_id=710637&author=PEDRO+S.+GUERREIRO
http://www.record.xl.pt/opiniao/interior.aspx?content_id=710637&author=PEDRO+S.+GUERREIRO
Ao contrário do que um ou outro (pouco)
anonimo possa pensar, esta sequência de post’s não redundou num
fiasco, bem pelo contrário. O meu objectivo foi sempre fazer pensar quem possa
e queira, não o de criticar “porque sim”. Como é absolutamente indesmentível e
está demonstrado nos 3 textos, todo este processo é obscuro e encerra
contradições que não podem ser encaradas como normais num clube que queremos
serio e digno. São demasiadas as dúvidas que se levantam ao longo de todo o
processo, são demasiadas as lacunas de informação. Se depois de tudo isto,
ainda houver quem ache que foi tudo absolutamente normal e não há forma possível
de ser levantada uma dúvida que seja, então perderá toda a legitimidade moral
para questionar os meios e actos de qualquer Vale e Azevedo ou Pinto da Costa
desta vida e demonstrará a sua índole e desconhecimento do que é o Sport
Lisboa e Benfica e os seus 109 anos de história.
Perifraseando uma frequentadora
da “casa” no espaço que temos no facebook (Raquel Segurado): “Tantas perguntas
e tão poucas respostas… Parecemos o cavalinho a andar atrás da cenoura, quando
achamos que temos a resposta lá, se adianta a cenoura mais um bocadinho…”