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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018



1) Surpreendentes os dois acontecimentos: a boa primeira parte do Benfica e a má primeira parte do Sporting. De futebol curto, muito retraído e quase só à espera de espaços nas costas da nossa defesa, o Sporting foi uma sombra de si próprio - muito pouco para quem quer ser campeão 16 anos depois. De futebol largo, bem pensado por Pizzi, Jonas e Krovinovic e com um Fejsa a fazer de placa giratória e Grimaldo a criar os desequilíbrios por dentro enquanto Cervi abria na esquerda, o Benfica criou jogo e oportunidades suficientes para chegar ao intervalo a ganhar folgadamente. No entanto, no ecrã dizia 0-1. Só mais um exemplo de que o resultadismo é ciência que não encaixa no futebol.

2) Krovinovic, de longe o melhor em campo. Toda a melhoria que o futebol do Benfica vai apresentando de tempos a tempos deve-se à entrada deste miúdo no onze e a forma como Pizzi e Jonas ganharam uma nova vida para voltarem a fazer aquilo que sabem fazer bem: bom futebol. É sobre este trio de craques que a esperança no 37 assenta. Claro, com Grimaldo e Fejsa a acompanhar a orquestra.

3) Incompreensível a substituição de Rui Vitória aos 55 minutos. Retirar Pizzi quase sempre será um erro, já que é um dos melhores que temos para praticar futebol de qualidade, mas, mesmo aceitando a decisão, não se percebe a escolha por Raul. O Benfica vinha de uma primeira parte de domínio territorial, controlava perfeitamente o jogo na segunda, começava a voltar a criar situações de perigo e o que faz o treinador do Benfica? Parte a equipa, estica-a à espera de correrias e rasgões. Não é por termos 10 avançados que marcamos mais golos, professor. Já que Pizzi nao servia (não se sabe bem porquê, estava a fazer um bom jogo), João Carvalho,  por exemplo, poderia ter servido de moeda de troca mantendo a riqueza da posse de bola e do jogo inteligente do nosso lado.

4) A insegurança do Sporting. Nos últimos 36 anos, o Sporting venceu 2 campeonatos. Isso nota-se quase sempre nestes jogos entre rivais, tal é o medo que os sportinguistas têm de perder. Em vantagem no marcador, a equipa limitou-se a tentar defender bem e a abrir bolas nos extremos em contra-ataque. De equipa pequena. Já na segunda parte, após a má substituição de Vitória aos 55 minutos, um treinador com outra visão teria aproveitado o erro de xadrez do professor e atacado o miolo do Benfica, provavelmente marcando mais um e acabando com o jogo. Pela primeira vez, Jesus borrou-se na Luz como treinador do Sporting.

5) O público bipolar do Benfica. De repente, os adeptos do Benfica odeiam Rui Vitória. Bastou parar de ganhar para que o professor passasse a "pior treinador de sempre". Nas bancadas os insultos são muitos, os pedidos de demissão, as boçalidades. Quantos destes seres não andavam no Verão a dizer que "o Vitória arranja substitutos para as saídas, confiem na estrutura e no nosso grande treinador!"? O professor é fraco? É. Mas não começou a ser fraco há 4 meses. Sempre o foi.

6) O Penta. A derrota provavelmente teria destruído o nosso sonho - não só pela diferença pontual (a 6 pontos dos dois), mas pela carga emocional e pela contestação ao treinador. Com o golo de Jonas, ficando a 5 do Porto e a 3 do Sporting, marcando nos últimos minutos de um jogo em que fomos claramente superiores, acredito que temos uma Luz à nossa espera. Com a qualidade individual deste plantel poderemos ganhar todos os jogos até ao fim. Basta que os jogadores acreditem no Penta como nós acreditamos.

VIVÓ BENFICA!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cronologia do Maior Roubo da Mística



1) Jorge Jesus, que quer ser o responsável pela "potenciação" de jogadores escolhidos por ele nas madrugadas a olhar para o Brasileirão, despreza o talento de um génio formado no Benfica desde criança, um miúdo completamente apaixonado pelo clube que é avistado várias vezes nas rulotes, nas bancadas, na Luz ou em qualquer estádio por onde passe o Benfica.

2) Vieira, perante a pouca utilização do génio por parte do Catedrático, empresta o jogador ao Mónaco. Na comunicação aos sócios e adeptos, o negócio é apresentado apenas como empréstimo porque Vieira, sempre o maior populista, sabe que os benfiquistas conhecem o talento do génio e não aceitam que o jogador seja despachado. A maioria benfiquista, sempre maravilhada com o negociador implacável, aplaude o empréstimo.

3) Vieira, numa entrevista posterior, introduz uma frase bem no seu registo, assim como quem não quer a coisa: "há para lá umas cláusulas". Ou seja, a maior parte dos benfiquistas, sempre maravilhada com o Grande Presidente, não ligou para aquela pequena frase, dizendo que estava tudo controlado - o jogador era nosso e continuaria a ser. Os que ligaram e escreveram sobre isso, alertando para o perigo que a frase anunciava, foram insultados de tudo. Uns abutres que só sabem é dizer mal e não apoiam, naturalmente.

4) Meses depois, o Benfica anuncia a venda de Bernardo Silva por 15 milhões de euros. Os abutres passam-se com O Maior Roubo da Mística, relembram o que já tinham dito aquando da famosa frase "há para lá umas cláusulas". A maioria benfiquista, sempre maravilhada com o Extraordinário Líder e tudo o que ele faz em todos os segundos, clama: "grande venda! Um miúdo da formação que nem jogou na equipa principal vendido por estes valores! Obrigado, Vieira!". Mas não só Vieira. A maioria benfiquista, sempre de acordo com todas as decisões de todos os funcionários do clube - desde as opções do roupeiro às opções do Presidente - concorda com o grande mister Jesus: "o miúdo ainda estava muito verdinho". Pedro Guerra, na Benfica TV, passa semanas a difundir esta mesma mensagem: a miudagem da formação não tinha qualidade suficiente para jogar na equipa principal. A malta, que adora cheirar as cuecas do Maior Representante do Bairro das Furnas, concordava, naturalmente.

5) O Benfica tenta despachar Jorge Jesus para as arábias. Jorge Jesus recusa e aceita conversar com o Sporting. Vieira arrepende-se e tenta recrutar Jesus de novo. Jesus não atende o telemóvel, é apresentado no Sporting. Ventoinha, o Maior Presidente do Benfica que o bairro já viu, envia a máquina propagandística atacar de todas as formas o Mestre da Cátedra. Entre as várias mensagens a difundir na Benfica TV para denegrir o ex-treinador, a cartilha diz: "Jorge Jesus só usava Bernardo Silva a lateral-esquerdo!". Os comentadores da BenficaTV, que nos 6 anos anteriores passaram os dias a venerar o Pastilhas da Reboleira, inclusivamente insultando os abutres que se aventuravam a criticar o Grande Treinador - quem não se lembra do escabroso episódio em Londres, com Jesus a empurrar o Senhor Shéu, os abutres a defender o Senhor Shéu e a maralha, sempre ávida de snifar as meias de todos os funcionários do clube, a vociferar contra os abutres? -, passam a atacar vergonhosamente o Catedrático em todos os programas. Dois anos depois, ali continuam eles a ler a cartilha no canal do clube e em programas em outras estações, com a lata própria de quem não tem vergonha na cara nem espinha onde assentar a dignidade.

6. Bernardo é vendido para o City por 60 e tal milhões de euros. O dinheiro que, bastando ter um Presidente benfiquista, o Benfica deveria estar hoje a receber. Mas não. A culpa é só do Jesus, que antes era muita bom e até podia empurrar o Senhor Shéu e agora é o Diabo na Terra.

7. O Maior Roubo da Mística passou com uma cagança tal que, para a maralha sempre prontinha a deitar-se no chão para deixar passar o Rei dos Pneus, em 26 de Maio de 2017 se resume a um boçal "grande venda por um lateral-esquerdo!!!! loooooooooooooooooooooooooool"

quinta-feira, 10 de março de 2016

O animal Benfica




Jesus continua a ter influência no sucesso do Benfica. A forma ordinária como falou de Vitória fez sobressair o melhor do benfiquismo: união, amizade, solidariedade, garra, luta, amor. O Benfica é um animal bondoso que, quando é desafiado, é capaz de devorar o mundo.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A SUPER-TEORIA DE VIEIRA

Vieira sem Jesus: 8 anos (6 como Presidente), 1 Campeonato, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça, 1 Taça da Liga.

Vieira com Jesus: 6 anos, 3 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça, 5 Taças da Liga, duas finais europeias.

Vieira este ano quis provar ao mundo que o recente sucesso do clube se devia à "super-estrutura" e não ao treinador. Desdobrou-se em entrevistas e séries de programas televisivos para que todos percebessem que o mérito era seu, de mais ninguém (curioso que, quando o Benfica perde, desaparece do mapa ou diz que não dá "pontapés na bola").

Este ano vai poder provar a sua teoria. Até agora, vê - se que vai no rumo certo...

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

6 conclusões sobre mais uma época muito mal planeada

Só amanhã poderei fazer a análise ao planeamento da época e comparação entre os plantéis do ano passado e o deste, mas não quero deixar passar a oportunidade de, antes de um jogo fundamental na Europa e quando vamos muito bem lançados a nível interno, poder apontar as principais conclusões sobre as escolhas que esta Direcção decidiu fazer para a presente época.

Faço-o agora apenas e só por falta de tempo, já que gostaria de ter apresentado o texto logo a seguir ao dia 1 de Setembro, mas assim, como vamos vencendo, sempre permite que não tenhamos de ouvir ou ler os especialistas do Totobola à Segunda-feira.

Na verdade, teremos sempre de ouvir ou ler alguém vociferar contra uma análise que critique o que foi e continua a ser feito de forma incompetente, visto que estes verdadeiros especialistas do resultadismo (o pensamento boçal que passa pela equação «ora, se estamos na liderança à 6ª jornada, então é porque planeámos muito bem a época!» está muito em voga e tem muitos fãs, porque pensar... não é para todos, já se sabe) acham que criticar algo no Benfica é querer mal ao clube ou, e esta é verdadeiramente dos verdadeiros especialistas, nem sequer merecer festejar os títulos do clube. Mas, enfim, em todos os clubes há atrasados mentais. No Benfica nota-se mais porque somos muitos.

Alguns pontos que tratarei de analisar amanhã:

1) O evidente decréscimo de qualidade no plantel - piores opções para a baliza, piores opções para a defesa, piores opções para o ataque;

2) O meio-campo que acabou por, nos últimos dias, ser bem reforçado e, por isso, dar garantias para as várias competições em que o Benfica estará inserido;

3) Consequência do primeiro ponto, perda da brutal vantagem desportiva com que tínhamos acabado a época anterior - tudo devido a um modelo financeiro que é destrutivo e leva à necessidade constante de vendas que destroem plantéis campeões;

4) Mais uma vez, Jesus a ser minado no seu trabalho pelas escolhas erradas e erráticas de uma Direcção que, em desespero por pagar as monstruosas dívidas que deixou no clube - e que, em termos desportivos, deram muito poucos títulos -, acaba a não dar as condições que devia dar para que o treinador do Benfica possa ter sucesso (o que, evidentemente, não significa que Jesus não poderá ser competente o suficiente para dar a volta à incompetência dos dirigentes)

5) Um plantel que é demasiado curto em qualidade para as ambições naturais de um clube como o nosso.

6) Uma expectável (já antes do jogo com os russos na Luz) repetição no falhanço da fase de grupos, tendo em conta o mau planeamento da época.

Amanhã darei corpo a estes pontos.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Leva só um, Lim.

Pérez dado como certo, Amorim e Urreta próximos da transferência, André Gomes e Rodrigo comprados em Janeiro, contactos por Jorge Jesus. O Lim do Valência não quererá levar o Vieira?

quinta-feira, 5 de junho de 2014

6 remates perigosos

1) SAÍDAS EXPECTÁVEIS: Garay, Siqueira, Markovic, Cardozo a juntar às duas vendas de Janeiro - André Gomes e Rodrigo. Confirmando-se estas 5 ou 6 saídas, é fundamental manter Gaitán e, sobretudo, Enzo Perez. Fejsa tem um problema crónico, situação aliás já conhecida e que talvez não tenha merecido a devida atenção por parte dos responsáveis do Benfica. Olhando para este cenário, é ainda mais crucial que Perez se mantenha no clube. Destruindo metade da defesa e metade do ataque, convém não destruir todo o meio-campo.

2) Como colmatar as saídas? Tendo em conta a dramática situação financeira do clube - só alguém muito optimista, muito bem pago pelo Benfica ou simplesmente tonto pode vender a ideia de uma saúde financeira quando mesmo um leigo percebe os constantes empréstimos (cada vez menos espaçados no tempo) e as recorrentes mentiras do Presidente do Benfica sobre a necessidade ou não de vender "para equilibrar as contas" -, julgo que devemos incidir em três estratégias:

- aposta clara em 3 miúdos da formação - por mim, Bernardo Silva, Ruben Pinto e Fábio Cardoso.

- Fazer regressar os melhores jogadores de entre as dezenas que temos emprestados - por mim, Lisandro, Pizzi e Ola John.

- Contratar apenas jogadores de qualidade indesmentível e ao melhor preço possível. A prospecção de qualidade é mesmo isso: descobrir talento onde ele não é visível a todos. Para gastar milhões em gajos conhecidos por todo o mundo futebolístico não vale a pena ter equipas de prospecção.

3) A Benfica TV tem sido um projecto de grande sucesso que deverá, como disse, bem, o Presidente Vieira, continuar a evoluir. Neste sentido, há que evitar qualquer apoio aos candidatos que defendem medidas nefastas ao crescimento da BTV - desde logo, o camaleão Seara - e despedir quanto antes o execrável comentador Fernando Santos, também conhecido como Pedro Guerra, também conhecido como Fernando Santos. Cada vez que o homem abre a boca na sua propaganda patética, rebolam na campa todos os gloriosos benfiquistas que fizeram deste clube um clube imortal, democrático, universal, sério, honesto e solidário.

4) Há um certo cheiro a 2010 no ar. A fanfarronice de Presidente e Treinador nas entrevistas que deram não é bom sinal para o futuro. Proposta: calarem-se até Setembro e focarem-se na preparação da próxima época. Pior do que perder (o que tem sido recorrente nestas últimas duas décadas) é não saber ganhar.

5) Djavan no Benfica. Do que lhe vi na Académica, pareceu-me um jogador interessante. Não me parece, no entanto, que sirva como titular. Deveremos ir ao mercado contratar um lateral-esquerdo de topo.

6) Passar tanto tempo sem ir ao Estádio ver o Benfica é deprimente. Nem um Mundial nos salva deste vazio existencial.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

TriPLENO


Fantástica época que ficará nos anais e orais da gloriosa História do nosso mais-que-querido Sport Lisboa e Benfica. Parabéns a Jesus, aos jogadores e a nós, extraordinários adeptos de um clube que é grandioso por aquilo que conquista e não por "quases". VIVÓ BENFICA!

sábado, 15 de março de 2014

Amar e defender o Benfica é isto

Felizmente ainda há na televisão portuguesa benfiquistas que sabem o que é o Benfica. Obrigado ao ontiano Pedro Ribeiro por defender o nosso glorioso clube. Amar o Benfica é isto, não é ser igual aos portistas e aceitar tudo o que nos metem no prato.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A arte do penálti

O penálti falhado por Cardozo em Barcelos lançou os benfiquistas para a discussão em torno da escolha do melhor marcador deste tipo de marcação. Lima ou Cardozo? Nenhum? Outro? Qual? Enfim, o natural nestas coisas é funcionar por impulso, reagindo com a ciência do resultadismo para retirar conclusões. Tivesse o paraguaio enfiado a bola na baliza e a grande maioria dos que hoje dizem "eu tinha avisado" estaria em silêncio e feliz pela vitória.

A questão, no entanto, é interessante e deve ser alvo de uma análise cuidada por quem é responsável por um plantel, sobretudo se falamos, como neste caso, de um grupo de jogadores que compete ao mais alto nível. A pergunta que deve ser colocada é simples e é esta: o que é um penálti bem marcado?

Em resposta, teremos várias visões. Logo na primeira fila, aparecerão os pragmáticos: «é o penálti que dá golo». De seguida, os prestidigitadores: «é o que engana o guarda-redes». Os estetas: «bola para um lado, guardião para o outro». Os cruéis: «o que humilha o adversário». Os estrategas: «o que transmite a ideia de ir para um canto e vai para o lado contrário». Os cavaleiros: «o que tem uma paradinha a meio da corrida». Os bélicos: «o que faz explodir as redes!». Os emotivos: «o que faz levantar o estádio».

Na verdade, como em quase todos os momentos do jogo, o futebol é para cada adepto um mundo muito diferente do dos restantes e as teorias sobre ele tendem para mais infinito. Há em cada um de nós um especialista catedrático nesta arte; temos todos o conhecimento científico - porque empírico - sobre quais as melhores acções ao longo de uma partida de futebol. Tivesse o treinador a nossa clarividência e a nossa equipa ganharia sempre por 20-0 com mais 20 golos falhados porque os jogadores, já se sabe, não possuem as nossas qualidades inatas para a prática da modalidade.

Humildemente, deixarei o meu contributo: um penálti bem marcado é aquele que, por maior qualidade que o guarda-redes tenha, por mais alto, elástico, atlético, instintivo que o guardião seja, fará com que a bola entre sempre na baliza. Dito de outra forma: o penálti bem marcado é o penálti que encontra a sua janela para a baliza num lugar em que é impossível ao adversário chegar. 

Pode ser, na perfeição, uma bola batida a um dos cantos superiores da baliza - esse é o penálti-fenómeno, o penálti-pérola, o Rei dos penalties. É o penálti que traça uma linha horizontal e vertical tão perfeita que cria a diagonal eterna. Lá «onde a coruja dorme» é o sítio do milagre e da explosão do adepto. Esteticamente, é admirável; tecnicamente, soberbo; psicologicamente, devastador para o guarda-redes. Mas há outras caminhos por onde marcar golo mantendo o essencial do princípio «penálti bem marcado»: bola batida, rasteira, em força, a um dos cantos da baliza; bola batida para as malhas laterais de um dos lados, a meia-altura; bola, rasteira, meia-altura ou alta, que ou apanhe a lateral interna ou o poste pelo lado de dentro, inevitavelmente entrando. Toda a bola que for batida com estes princípios dará golo. É impossível a um guarda-redes defender um esférico que vá puxado, em força, a um dos lados da baliza. E isso, por ser inevitavelmente golo, é um penálti bem marcado.

O que são penalties mal marcados? São todos os outros. Um penálti «à Panenka» é um penálti mal marcado, por mais arte que o jogador tenha em fazer crer ao guarda-redes que vai atirar para um canto e não para o centro, em delicadeza - é bonito, não nego, mas não cumpre o requisito de tornar impossível ao guardião a sua defesa. Basta que fique ao centro para defender a bola; basta que, indo para um dos lados, consiga com os pés tocar no esférico. Ou seja, este é um penálti que não depende apenas e só da qualidade do remate, mas de vários outros elementos: posicionamento do guarda-redes; capacidade do guardião em antecipar a ideia do marcador; sorte do guarda-redes que, mesmo atirando-se para um canto, pode tocar com as pernas ou pés na bola. Pelos mesmos motivos (não dependerem apenas da qualidade do executante mas de vários outros factores), todos os penalties que fizerem a bola entrar num lugar da baliza a que o guarda-redes pode chegar são maus penalties, são penalties com gripe, são anti-penalties.

E isto é independente de ser golo ou não. A grande maioria dos penalties marcados em futebol é executada de forma deficiente. Pode a bola entrar ou não, é irrelevante para a análise. Pergunta-se é: «podia o guardião chegar àquela bola?». Quase sempre, sim. Logo, o executante não fez aquilo que devia. 

A função de um treinador tem de passar por escolher o jogador que marca mais vezes o penálti bem marcado, o tal impossível de ser defendido, e não aquele que nos treinos mete mais vezes a bola na baliza porque esse, em competição, falhará inevitavelmente mais do que aquele que nos treinos mete, em 10, 7 bolas impossíveis de defender, 2 à trave e 1 para fora. O que marca, por exemplo, 8 em 10, mas fá-lo de forma deficiente, estará sujeito, em jogo, a vários outros imponderáveis elementos que o forçarão a uma estatística mais baixa se analisarmos a sua produção no tempo - digamos, por estudo, 5 anos.

No Benfica, o marcador oficial é Cardozo. O paraguaio já foi um marcador exímio. Nos dois primeiros anos no clube, batia a bola em força para um dos lados da baliza, muitas vezes entrando a mesma pelas malhas laterais interiores. Ou seja, marcava invariavelmente penalties bem marcados. Por alguma razão (talvez de ordem estética ou por algum mau conselho de alguém), começou a marcar muitas vezes em jeito, mais para o centro da baliza, com menos força, menos colocação, menos assertividade. Com isso baixou os níveis de eficácia, o que é evidente e expectável, já que deixou de colocar a ênfase do penálti apenas e só na qualidade do remate mas a abriu a outros factores: qualidade do guarda-redes, azar, instinto do guardião. Cardozo passou a bater bolas que, dando golo ou não, podiam ser defendidas pelo adversário. E com isso deixou de ser exímio marcador para passar a ser um marcador com boa média, mas longe da eficácia dos primeiros tempos.

Compete a Jesus ou encontrar no plantel quem saiba marcar penalties bem marcados ou optar por aquele que, quase sempre marcando penalties mal marcados, tem a melhor estatística. Ou seja, passamos do lado científico para o místico-divino. Logo, sujeitos à sorte, ao destino e à religião. Em Barcelos, Deus tirou-nos dois pontos.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O Pecado da Gula

É mais forte que Jorge Jesus: quando se sente por cima, num jogo ou num campeonato, não resiste a forçar em exagero a nota ofensiva. Será um caso reiterado de arrogância táctica. Há dois anos estava a ganhar ao FC Porto em casa quando Aimar se lesionou. Poderia ter dado consistência ao meio campo mas lançou Rodrigo e passou a ter dois avançados puros no eixo. Perdeu por 3-2. Já este ano, estava a ganhar por 3-1 ao Sporting para a Taça e até a ameaçar goleada. Jogava com três médios puros quando um se lesionou (Amorim). Não resistiu a lançar Cavaleiro e a voltar ao sistema de risco, de quatro atacantes, agravado com o facto de ter trocado o melhor gestor de posse de que dispõe por um jogador propenso à perda de bola. Sofreu dois golos e a eliminatória só foi salva no prolongamento. Em Barcelos, a situação repetiu-se.

Ponto prévio: foi pouco valorizada a exibição do Benfica ante o Gil Vicente. A equipa encarnada está num óptimo momento, os jogadores apresentam uma condição física invejável (ganharam quase todos os duelos num terreno impróprio) e, mesmo com todas as vicissitudes, o resultado normal teria sido uma vitória da equipa da Luz. Ou seja, mesmo tendo o melhor plantel, de longe, a verdade é que Jesus voltou a pôr o Benfica a jogar bem e transformou-o de novo no candidato principal ao título. Só não resistiu, mais uma vez, ao pecado da gula.

Líder da prova e com o FC Porto derrotado na mesma tarde, o Benfica estava por cima no jogo quando fez o primeiro golo, mesmo com menos um homem em campo. Uma leitura realista - que Jesus já teve noutros jogos - recomendava que entrasse Amorim (ou André Gomes, se contasse), reequilibrando a equipa. Não entrou, e foi uma questão de poucos minutos até Cardozo ser chamado. O mal não foi lançar Cardozo com o jogo empatado - opção natural e totalmente justificável -, o problema é que Cardozo ia entrar mesmo em vantagem no marcador (e um homem a menos). Numa equipa que devia baixar linhas, gerir posse e aproveitar espaço, seria o jogador errado na hora errada. A rábula do penálti prova que o paraguaio usufrui de um estatuto que mais ninguém tem no plantel e Jesus deveria ter assumido logo que há uma hierarquia, sem responsabilizar os jogadores por uma decisão que só a ele compete. Que Cardozo tenha atirado e falhado é normal, é futebol.


Carlos Daniel


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Da nossa parte, estamos nos oitavos.

«A eliminatória cá (com os gregos) só teve uma parte. A outra não contou»

Jesus, o homem que escolhe as partes que contam e as que não contam. Pena que os corruptos da UEFA não aceitem a ciência do catedrático. Seria assim tão difícil contabilizar só as partes que contaram para o nosso treinador? Está tudo contra o Benfica, é uma vergonha.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Os 3 problemas do Benfica (e duas soluções)

O problema do Benfica são três: ter Vieira como Presidente; ter Vieira como Presidente; ter Jesus como treinador.

O que originam estes três problemas? Uma liderança acéfala, incompetente, ruinosa em termos financeiros; destruição dos princípios fundamentais do benfiquismo, espoletando uma segunda cria de ideologia benfiquista, esta passando por uma sã convivência com o "quase"; total insucesso desportivo; pelas acções sobranceiras, arrogante e despropositadas, cada vez mais ódio por parte dos outros clubes e adeptos em relação ao Benfica.

A maior parte desta lista que vai matando o Benfica é responsabilidade exclusiva de Vieira e dos seus dirigentes comprados a peso de ouro para acreditarem no que há pouco tempo já não acreditavam - e são exemplos deste tachismo vira-casacas Vice-Presidentes como Gomes da Silva, Moniz ou Varandas. Como pode o Benfica ser bem representado e defendido se tem na Direcção um bolo que mistura vendidos, oportunistas, interesseiros, incompetentes e adeptos de outros clubes? Alguém que acredite que tal misturada pode fazer algo pelo Benfica já não está apenas cego; está morto. De actividade cerebral.

Por fim, Jesus. Os erros cometidos não são, na sua generalidade, novos. Desde que chegou que os comete. Porém, neste último jogo, com a alucinante escolha de partir o futebol que, ainda assim, naquele momento tinha alguma coerência, e decidir meter 8 jogadores à frente da bola, num caos completo em que em vez de decidir potenciar o futebol inteligente procurou o regresso ao chuveirinho praticado nas ilhas britânicas em 1914, Jesus demonstrou que ou já não quer saber ou está de má-fé. Qualquer uma não serve, tem de sair. 

Como Vieira é idolatrado por uma massa em coma e Jesus, por lhe ter sido renovado estupidamente o contrato (só mais uma de Vieira), está atrelado ao Grande Líder, resta procurar o melhor dentro da lama. Há que tentar o que ainda é possível. E o que é possível mudar passa pelo factor mentalidade. Este grupo vem destruído desde a época passada, só um tonto não o percebe. Há que injectar sangue novo que não só melhorará as possibilidades de um futebol melhor e mais seguro como dará sinais para dentro de que todos têm de estar a 100 por cento com os objectivos do clube; caso contrário, serão afastados.

Por ora, duas grandes mudanças se impõem: a substituição de Artur por Oblak - o brasileiro não tem estado bem, é evidente, mas passa esta passagem de testemunho mais pelo efeito-choque e pela necessidade de apostar na qualidade do último do que qualquer outra razão; integrar imediatamente, já no próximo jogo, Bernardo Silva na equipa, fazendo dele o terceiro médio, com Enzo e Matic nas suas costas. Com isto, o Benfica muda radicalmente a sua disposição no miolo, procura um novo e melhor equilíbrio, e aposta num jogador que, pelas capacidades e talento que tem, pode elevar o futebol da equipa a um patamar que este ano ainda nunca atingiu. 

Enquanto tivermos Vieira a liderar o clube, perderemos 4 em 5 campeonatos, é certo. Mas ao menos façamos por ver bom futebol. Os títulos ficarão para quando a maioria em coma decidir abrir os olhos e iluminar o coração.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Outro troféu para o Museu

Mais um recorde batido pela dupla Jesus/Vieira: nunca na História do Benfica tínhamos conseguido pontuar na Luz com o Arouca.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Este gin-tónico leva duas rodelas de Lima

1) Regresso de Lima aos golos - dois e excelentes.

2) Enzo Pérez é o maior.

3) 4 anos depois, Jesus ainda não percebeu que consegue melhores oportunidades de golo e melhor futebol se jogar apenas com um avançado do que com dois. Hoje foi a lição nº 3241. De nada servirá. No próximo jogo, lá teremos a fórmula antiga.

4) O Benfica ganhou 3 jogos sem Cardozo. O importante aqui é perceber que teorias facciosas anti ou pró Cardozo são tontas porque extremistas. Nem Cardozo é insubstituível nem é totalmente dispensável. Há mais do que preto e branco no futebol.

5) Rodrigo marcou (numa oferta adversária), mas continua a fazer exibições fracas.

6) Enzo Pérez é o maior.

7) Fejsa é um óptimo jogador.

8) Raul José tem um telemóvel de 96.

9) Enzo Pérez é o maior.

10) Liderança pela primeira vez no Campeonato. Agora deixem-se estar aí, que a gente gosta.

11) Há quantos anos não estavam Benfica e Sporting à frente do Porto?



sábado, 23 de novembro de 2013

Um bom resultado num jogo com péssimos sinais

Mau jogo. Uma análise que não seja inundada pelo resultado - que é o que convém a qualquer análise, ao contrário do que é normalmente feito pelos adeptos - dirá que os sinais são de preocupação. Porquê?

- Porque Jesus demonstra que não viu as melhorias de ter 3 jogadores no miolo. Basta uma lesão para voltar a colocar dois jogadores mais avançados - Djuricic, que é um óptimo 10, passa o tempo nas mãos de Jesus a fazer de segundo avançado. Já o excelente segundo avançado Markovic vai perdendo talento e confiança encostado à linha.

- Porque continuam as lesões. Tendo em conta que a equipa técnica é a mesma, só pode ser consequência de mudança de tipo de treino. Seja o que for, revela incompetência. São lesões a mais para apenas 3 meses de época.

- Espera-se que aqueles que adoraram ver o treinador do Benfica a manchar a História do clube com um comportamento indecente estejam felizes: agora não temos treinador durante um mês, com o óbvio prejuízo para a vertente desportiva - mais um sinal do caos e anarquia que reina na estrutura. Para a próxima vez que defenderem a violência por parte de gente que representa o nosso clube, já que perderam os princípios todos, ao menos sejam calculistas e pensem naquela que pode sair prejudicada pelos imbecis comportamentos de Jesus: a equipa. Sim, aquela que gostamos de apoiar.

- O jogo resolveu-se num momento de inspiração do melhor em campo: Matic. Colectivamente, estivemos próximos do zero.

(editado) O Nacional foi ao Dragão abrir as pernas, empatar e dar-nos a possibilidade de ficarmos a apenas um ponto. Mais uma teoria conspirativa que vai para o cano. Também houve um penálti a favor do Porto que não foi marcado. Imagino que este não entre na contabilidade dos maluquinhos das conspirações. Trabalhem. Sejam competentes. Sejam Benfica. E não alimentem os adeptos das alucinações.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Cruza para o Roberto, pá.

O melhor jogo da época. Depois de um bom jogo com a Académica, o Benfica continua a dar bons sinais - pena o empate em casa que nos atirou para a Liga Europa. Na verdade, esta equipa não é de Champions; na segunda competição europeia até podemos fazer umas gracinhas e ganhar pontos para depois falarmos no ranking. Só um lunático pode falar em final da Champions e só gente sem qualquer noção de futebol pode acreditar nisso.

Fiquei só com uma questão. Toda a gente sabe o que é o Roberto: excelente de frente para a bola, horrível quando tem de sair da baliza. Ou seja, medíocre. Será que não chegou um ano a ver o homem todos os dias para perceber que, jogando contra uma equipa em que o Roberto seja o guarda-redes, é fundamental potenciar-lhe o erro, procurando cruzamentos para a zona intermédia da área? Pelos vistos, não.

domingo, 6 de outubro de 2013

O dedo e a Lua

Há um provérbio chinês que diz «Quando um dedo aponta para a Lua, o estúpido olha para o dedo». É o que se passa com quem culpa Jesus pela situação miserável em que o Benfica se encontra.

O problema é a Lua. E tem bigode.