O uso da ironia está na moda - felizmente que aqui não gostamos disso, achamos demasiado básico, facilmente identificável, rasteiro, infrutífero, sobretudo muito mal-educado. E depois aquela simples e fácil colagem ao argumentário visceral do senhor dos peidos desgosta e magoa bastante.
É por isso que defendemos o uso de frases simples, descomplicadas. Pão pão, queijo queijo, o que é real é para ser dito, sem subterfúgios nem vagas literárias de pendor suspeito. Não pactuamos com alguns blogues que por aí andam a espalhar a loucura desenfreada, fingindo-se uma coisa sendo outra, defendendo uns enquanto os atacam quase (dizemos quase porque somos contidos) deliciosamente.
Lembram-se deste post de ontem (nós não, que acabámos no gin)? Uma maravilha de discurso sério e coerente, pois sim. Mas quase ninguém compreendeu o tom genial da não-ironia. Acharam-se todos muito inteligentes, armados às piadinhas e aos sarcasmos, pensando que entenderam uma coisa que afinal lá não estava. Mas houve uma gloriosa e meritória excepção: o Grupo da Luz.
O Grupo da Luz que de facto me deve dinheiro - a mim e a outros da mesma igualha. Não, não era ironia, era mesmo verdade e só um mentecapto (não o nosso leitor, por quem temos o maior apreço e até orgulho em o termos lançado na maior ribalta da blogosfera benfiquista) poderia ver naquilo um texto de teor gozão, a modos que intelectualmente pueril mas dado ao assertivo.
Há esperança, é evidente. E o Grupo da Luz - que me deve dinheiro -, apesar de me dever dinheiro (já mencionei que o Grupo da Luz me deve dinheiro?), foi o farol nesta terra de cegos pernetas: achou a seriedade do texto que mais ninguém se dignou a ver. E aqui partilho esse comentário que a todos espanta pela clarividência intelectual:
«Caro senhor,
Fique desde já sabendo que o Grupo da Luz, nunca pagou nem paga ninguém, como de resto está escrito nos nossos Estatutos.
Fique sabendo que as referidas pessoas nem fazem parte do Grupo.
Por fim, a difamação não o leva a lado nenhum e que um
verdadeiro Benfiquista pensa pela própria cabeça, concordando ou não com
a actual politica do clube e é livre de a exprimir sem dever ser
apelidado de "abutre" por isso. A liberdade e a democracia foram duas
condições essenciais para que um clube com mais de 100 anos se tenha
tornado na maior instituição do país. Sugiro-lhe que reveja a História
do Sport Lisboa e Benfica!
Saudações Benfiquistas,
GdL»
Bom, desde logo o «senhor» que usam para reconhecer a este blogue um estatuto que quase mais ninguém reconhece. Obrigado, Grupo da Luz, sabemos que trabalhamos bem e em função dos objectivos definidos. Só ficámos sem entender o porquê de virem confirmar aquilo que é evidente e que sentimos nos bolsos: não, não nos pagaram, é exactamente esse o problema!
Se está escrito nos estatutos que não pagam, pois devo dizer que acho muitíssimo mal e por mim queimaria os estatutos imediatamente. Ou então mudá-los-ia: só podem receber aqueles que tiverem 25 anos de associados do Grupo da Luz. Não é difamação, coisa nenhuma, é a preservação do que deve ser defendido e até incentivado entre os verdadeiros democratas.
Mas há excepções, caramba! Não se prometem mundos e fundos a pequenos latifundiários como nós e depois deixam-se cair as promessas porque tiveram de ir comprar uns novos popós ou uma nova mantinha para o enxoval da filha do candidato.
Exigimos respeito. Exigimos pluralidade de honorários. Exigimos até que no Grupo da Luz se comprem umas cassetes velhas do Cantiflas ou do Raul Solnado e que se deixem ali a tocar - é preciso antes dar à caneta, não esquecer - umas horinhas, em modo loop, enquanto preparam cuidadosamente o último assalto aos assaltantes.
Connosco, já sabem, só voltam a contar quando nos pagarem decentemente. Pode ser em «little grey cells» que a gente já está por tudo.