Mostrar mensagens com a etiqueta Cortesias aos Árbitros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cortesias aos Árbitros. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pressão alta


Nos diferentes sectores de actividade em Portugal, é comum oferecer-se uma prenda ou uma lembrança como forma de agradecimento, cortejo ou meramente simpatia por um serviço efectuado. Se numas vezes tal é feito com intenção de suborno, noutras assume um carácter de mero galanteio, da forma mais simples de agradecimento que pode haver. Numa altura em que se discute o valor, a intenção e o propósito das ofertas com que o Benfica agracia árbitros e observadores, acho importante tentar dissecar este assunto.

Quando um engenheiro camarário recebe umas luvas para facilitar a construção de um imóvel em terrenos não destinados à construção civil, não temos dúvidas da intenção de quem oferece a prenda nem de quem a aceita. Quando um médico recebe um queijo e uma garrafa de vinho também acho que ninguém duvida que o doente não está à espera de ser melhor atendido por parte do clínico nem que este o fará de tal forma. Posto isto, em que parte deste espectro ficam as prendas que o Benfica dá aos árbitros?

Em primeiro lugar, confesso que acho anormal a quantidade: uma camisola de Eusébio e um jantar parecem-me um exagero face à ocasião. Se é bem verdade que ter a honra só de si de poder arbitrar um jogo no Estádio da Luz já seria motivo de orgulho e satisfação para qualquer árbitro, a oferta da camisola coaduna-se à ocasião, porém, não entendo a que propósito vem um jantar. Ainda se fosse no contexto das provas europeias, de forma a dar conhecimento do país, da gastronomia, da sua História, do bem receber dos portugueses, penso que se aceitaria, mas não vejo sentido nenhum em oferecer jantares a árbitros e observadores portugueses.

O problema da questão nem se encontra naquilo que o presidente do Sporting pretende fazer passar: a ilegalidade. Não é. A FIFA refere nos seus regulamentos que os árbitros podem receber prémios que não excedam os 200 francos suíços, qualquer coisa como 184 euros, algo que penso que não excede o valor das ofertas que o Benfica faz. O problema (e não a ilegalidade, que são coisas diferentes, repare-se) poderia colocar-se no facto de os árbitros se sentirem pressionados a favorecerem o Benfica. Recebendo um árbitro 1342 euros por cada jogo na Liga (sem esquecer o salário base que auferem e ainda as presenças que fazem, alguns deles, nas provas europeias), que árbitro é que se vende ou se sente pressionado sequer a apitar em favor de um clube que lhe oferece um jantar?

Existe um limiar financeiro estabelecido pela FIFA para as ofertas e, concorde-se ou não, esse limite deve ser acatado. Se o presidente do Sporting não gosta, tem de se habituar à ideia de que não é ele quem faz os regulamentos. O que o Benfica faz está aparentemente dentro da lei. Tal como o que o Sporting fazia nos tempos de Godinho Lopes, quando oferecia uma camisola do clube aos árbitros que se deslocavam a Alvalade para arbitrarem jogos dos leões. Será que Bruno de Carvalho se esqueceu disso? Ou será que acha mais formal e correcto o depósito de dinheiro na conta de um fiscal-de-linha antes de um jogo na Madeira?

Das várias formas de pressão que existem, a oferta de uma camisola e de um jantar, por mais despropositado que seja, não me parecem ter influência sob quem ganha mais de 3500 euros por mês. Já a pressão psicológica com apelos a um clima de guerrilha constante, com declarações depreciativas e agressivas que visam directamente os árbitros que são escalados para os jogos do clube de Alvalade parecem-me, isso sim, abusivas e condenáveis, bem mais capazes de condicionar o comportamento de um árbitro e de falsear a verdade desportiva, como se viu aliás este fim-de-semana. Este clima de talibanismo criado pela estrutura do Sporting, isso sim, deveria preocupar não só quem nomeia os árbitros bem como a Associação que os defende. Parecendo que não, em 9 jornadas, já foram assinalados cinco penalties a favor e 3 expulsões contra. Por este andar ainda batem o record de 2001/2002, que também lhes pertence.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Possível Amadorismo de Cortesia



Este assunto da Caixa já cansa.

Vou dar a minha opinião sobre a tal Cortesia e considero o assunto encerrado até novos desenvolvimentos.

Os cubes devem saber receber e quanto maior um clube maior essa responsabilidade.

Cada clube fá-lo do modo que considera fazer mais sentido – tendo em conta a identidade e possibilidades do mesmo.


O Sport Lisboa e Benfica pelos vistos oferece aos árbitros um caixa à qual chamarei “Kit Benfica”.

Faz sentido. É uma cortesia pensada para clube e não para os interesses dos árbitros. Faz sentido.

Nesta cortesia do Kit Benfica coloca-se dois problemas:

1. Está regulamentado um valor máximo para tais cortesias.
2. Está regulamentado o contexto de cortesias permitido.

Tudo indica que o Kit Benfica não respeita totalmente os regulamentos. O valor do Kit pode estar acima do regulamentado e os vouchers de refeição podem ir contra o que é permitido como oferta às equipas de arbitragem.

Irá agora ser averiguada a legalidade desta cortesia e logo se saberá as consequências.

Uma coisa é certa. Não há aqui qualquer corrupção nem tentativa de tal. O que poderá haver é um incumprimento, quase irrelevante, de um regulamento.
Havendo tal incumprimento não me espantará que o Benfica seja castigado financeiramente (nunca desportivamente), além de ter de alterar a sua politica de cortesias.

É uma questão irrelevante e sem qualquer valor desportivo mas que pode ferir os limites delineados nos regulamentos. Não significa nada mas pode estar além do permitido.

O que quis Bruno de Carvalho com esta denúncia pública? Nada mais do que fazer barulho e exprimir o seu anti-benfiquismo primário.
Sabemos que o Sporting anda a ser atacado em várias frentes (por culpa própria?). Nada melhor para desviar as atenções do que levantar suspeitas na direcção do principal clube do país. Também terá servido como arma de arremesso para o Pedro Guerra devido a todo o barulho anti-sporting que este tem feito semana após semana no Prolongamento.
Não houve de Bruno de Carvalho qualquer interesse em defender o Futebol ou a Verdade Desportiva, foi somente mesquinhice e muito barulho.

Mas a responsabilidade da suposta ilegalidade desta cortesia Kit Benfica não é do Bruno de Carvalho. Esse só é responsável pela denúncia e pelo circo montado à volta disto.

A responsabilidade é de quem escolheu e aprovou este Kit Benfica como cortesia aos árbitros & companhia. Os responsáveis no Benfica por tal decisão demonstraram, caso se confirme a ilegalidade, demasiado amadorismo.
 

Não há tentativa de corrupção nem de influência. Não há nada mais do que um possível amadorismo.

Duvido que não fosse já do conhecimento dos órgãos que tutelam o nosso Futebol. Não houve preocupação por se entender que não tinha qualquer importância. Perante uma denúncia, ainda por cima pública, por parte de outro clube, ficaram obrigados a actuar em conformidade.

Caso se confirme a ilegalidade da cortesia ficará exposto o amadorismo dos responsáveis por esta.


PS: Por favor não me venham com tretas do género “aproveitas tudo para atacar a direcção do Benfica”.
Discordem ou concordem mas sem baboseiras.