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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

E assim está encontrado o novo presidente do Sport Lisboa e Benfica.

 Rui Costa – 84,48%

Francisco Benitez – 12,24%

Pelas minhas expectativas não foi um mau resultado. Benitez conseguiu um apoio significativo perante o contexto actual e Rui Costa não conseguiu os tão profetizados mais de 90%.
Um bom resultado seria Benitez conseguir os merecidos 20% e Rui Costa ficar com uns amargos 75%. Com 84% há uma vitória clara mas longe do conforto da unanimidade que Rui Costa estaria confiante em obter.

Ao longo destes últimos 15 anos muito temos nós aqui, e outros por outros espaços, alertado e apontado aos atentados da direcção presidida por Luís Filipe Vieira.

São mais de 15 anos a chamar a atenção para:

- O Demagogo populista

- O Mentiroso compulsivo

- As envolvências estranhas e suspeitas

- Os jogos de bastidores

- A movimentação de ódios

- O à deriva da política desportiva do clube

- Os negócios duvidosos

- As ligações dúbias a agentes

- O comportamento aparentemente mafioso.

Mais de 15 anos e nós aqui a ver e a apontar. A justiça acabou por nos vir dar razão. A justiça acabou por vir comprovar que tínhamos motivos para questionar e suspeitar. A justiça “ainda” não provou os delitos mas já demonstrou haver actividades que merecem a maior atenção.

Mas enquanto nós aqui de fora fomos capazes de ver, todos lá dentro não foram. Rui Costa não viu nada, não soube de nada, não percebeu nada.

Sabemos que a grande maioria dos adeptos não olha para o clube. Foram ensinados pelo vieirismo que ser benfiquista é odiar os rivais, é atacar os rivais, é viver para bater nos rivais. Foram ensinados que um benfiquista olhar para dentro, preocupar-se com o seu clube, ter sentido critico e estar atento, é simplesmente dar armas ao rivais. Dar armas ao rivais, que cena idiota. Gente que vive o futebol, o desporto, pelos comentários televisivos e de Facebook e não pelo desporto em si.

Vieira reuniu as armas – João Gabriel, Rui Gomes da Silva, Hugo Gil, Pedro Guerra, José Marinho, Calado, e outros pela BTV e redes sociais – e colocou-as a disparar ódios, a disparar mentiras, a disparar distracções, demagogias, insultos e a total depravação do que é e deve ser o Benfica. E assim um benfiquista que desmascare um José Marinho torna-se aos olhos dos outros benfiquistas um simples dragarto.

E qual a posição de Rui Costa perante tudo isto?

Vimos Vieira tornar o Benfica num entreposto de jogadores dominado pelos interesses de agentes. Dezenas de jogadores contratados para não jogarem. Dinheiro a sair por um lado, a entrar pelo outro e os agentes sempre a tirarem as suas comissões.
Vimos a Liga dos Campeões servir como montra para valorizar os miúdos do Seixal – tal e qual a estratégia de Vieira para os apartamentos em Alverca sobre os quais diz que basta colocar na montra que logo aparecem compradores.
Vimos Vieira passar de uma política de aposta na formação para não aposta na formação, de poupança para despesismo, e sempre sem uma justificação desportiva. Jorge Jesus sai porque não serve os interesses do Benfica mas depois volta porque o Benfica perdeu. Uma política desportiva à deriva, ao sabor de resultados, contestações e de luzes.

Onde andou a influência de Rui Costa nisto? O homem forte do futebol do Benfica como se posicionou perante esta realidade?

Vivemos um Benfica profundamente anti-democrático. Um Benfica com os seus canais de comunicação transformados em meios de propaganda e ataque a benfiquistas. Estatutos desrespeitados, sócios insultados e agredidos. Vimos Assembleias Gerais do clube a serem brindadas com o total desinteresse do presidente da direcção. Vimos um clube sem espaço para Democracia, um clube que passou a atacar (quase sempre com mentiras) qualquer adepto ou sócio que criticasse a actual direcção, qualquer sócio que sequer ousasse concorrer a eleições. Eleições sem debates, sem cobertura das campanhas eleitorais, um clube sem a preocupação em defender a integridade da votação dos seus associados.

Como se posicionou o Director Desportivo, o Administrador, o Vice-Presidente Rui Costa perante tudo isto?

“Ontem” em campanha eleitoral Rui Costa não se coibiu de afirmar que queria um Benfica mais democrático, mais transparente, mais organizado e responsável nas suas politicas desportivas e mais atento a quaisquer práticas menos recomendáveis.

Contudo onde esteve este Rui Costa nos últimos 15 anos? Não tinha ele responsabilidade e obrigação de estar no Benfica a lutar pelo Benfica? Não deveria Rui Costa ter lutado contra tudo o que discordava, ter feito valer o seu estatuto, as suas ideias, o seu Benfiquismo e honestidade?

Porque não o fez? Porque é que foi tudo feito ao contrário daquilo que ele agora defende? Porque é que ele não viu nada? Porque é que ele não percebeu nada?

Esteve Rui Costa estes 15 anos somente a auferir no Benfica de estatuto? Esteve somente a enfeitar totalmente desinteressado daquilo que se passava no clube? Se sim, como pode ser ele a pessoa para presidir o Benfica?

Ou será que Rui Costa viu, quis, falou mas ninguém lhe deu importância? Alguém incapaz de fazer valer as suas ideias e de lutar pelos seus ideais, de se fazer ouvir, é alguém com capacidade para presidir o Sport Lisboa e Benfica? E não sendo ouvido, não sendo valorizado e assistindo sem nada poder fazer a tanta coisa que discordava, ficou porquê?

Rui Costa nunca se irá livrar destes últimos 15 anos porque eles são a sua identidade enquanto dirigente do Sport Lisboa e Benfica. Nunca se livrará destas perguntas. Por mais que ele insista que só tem de ser avaliado pelos últimos 3 meses (a menos que estejamos a falar dos sucessos) ele será sempre julgado por todo o seu tempo no clube.

Até que ponto irá Rui Costa lutar pelos direitos dos sócios? Pela democracia do clube? Até que ponto irá Rui Costa impor uma política desportiva no clube? Até que ponto irá contribuir para o bem-estar no clube e no futebol nacional?
Arrisco-me a dizer que a sua luta já acabou, foi forçada em campanha eleitoral e foi terminada com o resultado final.

Rui Costa irá continuar a permitir que este seja o clube dos Guerras e Marinhos? Continuará a promover uma BTV em modo propaganda e fechada a toda e qualquer critica e discordância?

Uma coisa é certa, Rui Costa irá sim trazer uma maior competência ao clube em termos de pensar e viver o futebol do Sport Lisboa e Benfica. Rui Costa é um apaixonado pelo jogo e é um entendedor do mesmo. Rui Costa não viverá (porque não sabe como e talvez porque não queira) na mesma rede de agentes e interesses alheios ao Sport Lisboa e Benfica – pelo menos no que a contratações diz respeito. Rui Costa saberá perceber e planear o Futebol do clube com muito mais qualidade. Até porque Vieira além de nada disto perceber também não tinha assim tanto interesse.

Mas e quanto ao resto da vida do clube? O meu receio, a minha convicção, é que Rui Costa andará aos papéis, entregue às decisões e interesses dos dirigentes do costume. E tudo será feito com o seu aval mas desconhecimento, tudo será feito perante a sua passividade.

Rui Costa não conseguirá montar uma teia mafiosa como Vieira montou e irá deixar-se ser engolido pela mesma.

Apesar de tudo isto Rui Costa é o actual presidente do Sport Lisboa e Benfica. Mas não nos distraíamos. Olhemos para o Rui mas sem nunca tirar um olho do Luís.

Vieira quer e tem de voltar ao Benfica. E Vieira no dia das eleições já começou a preparar o seu regresso. Já anunciou que começará a estar mais presente, que vai lavar roupa suja e que irá impor-se. Isto nada mais é que uma declaração de guerra, uma guerra para a qual irá apontar os sócios contra inimigos internos para os tirar do seu caminho e voltar à sua teia. Vieira planeia colocar todas as desconfianças que há sobre si em outros, voltará a usar o Benfica como escudo e irá procurar popularidade suficiente para voltar.

A questão que fica é se Rui Costa será um obstáculo ou um facilitador. Aposto na segunda.



terça-feira, 11 de maio de 2021

Desconforto de Vieira em Falhada Tentativa de BTVizar a CPI

Ontem ficou compreendido o porquê de Luís Filipe Vieira ter tido a necessidade de não marcar presença no Clássico da passada Quinta-Feira. Isto apesar de ser um Benfica-Porto na reta final da época e com as dezenas de milhões da Champions em jogo.

É que pelas últimas comissões parlamentares de inquérito e pelos vários clips que andaram por aí a circular, a estratégia do “esquecimento” já estava a ser usada em excesso. Mais uma vez o Vieira saiu prejudicado.

Então não podendo aparecer em São Bento largando o trunfo do esquecimento para tudo e mais alguma coisa, Vieira teve de rever os seus planos e estratégias.

Pelo que vimos ontem, foi definido um Plano B e várias outras pequenas estratégias para o complementarem caso os deputados não estivessem lá para prestar vassalagem ao Rei-Sol.

Não estavam.

Então e no que consistia este Plano B?

- Comissão Parlamentar de Inquérito equals Entrevista BTV.

Portanto, Vieira chegava e lia uma autobiografia elogiosa à sua pessoa, todos batiam palmas, Vieira demonstrava disponibilidade para responder a todas as perguntas por escrito à posteriori, todos concordavam e por fim passavam ali umas agradáveis horitas onde Vieira contava umas histórias engraçadas, fazia uns desabafos, ninguém contestava, Vieira repetia as lengalengas do costume, ninguém averiguava nada e no final era coroado rei daquela porra toda. Pelo meio largava a sua versão mais agressiva e não havendo sócios disponíveis então insistiria no enforcamento de um Centeno desta vida. Caso estivesse presente era o momento alto para André Ventura.

Contudo o Plano B também não foi um sucesso. Não houve aplausos, não houve coroação, não houve Rei-Sol.

As perguntas eram mesmo para ser respondidas ali, naquele momento e por ele.

Qual o problema? Não dava para começar de novo, o plano já estava em marcha.

Assim lá tivemos várias vezes de ouvir o presidente daquela comissão de inquérito a pedir a Luis Filipe Vieira que:

- Respondesse às perguntas.

- Não lançasse insinuações sobre quem lhe fazia perguntas desconfortáveis.

- Que concretizasse as insinuações que deixava no ar sobre seres abstractos.

- Não estivesse tão “à vontadinha”.

Aquilo não era mesmo a BTV e por isso foram dando jeito as outras pequenas estratégias também preparadas:

- Apostar no esquecimento mas dos deputados.

- Alcochetear assuntos incómodos. “Suores frios e tremores” em cada negócio sem explicação.

- Redireccionar as perguntas incómodas para o sócio.

- Puxar pelos Gato Fedorento. Optou pelo “Falam falam”. O do “15 a 0” fica para quando finalmente nos der a prometida explicação sobre as vendas a 15 milhões.

- Inverter a situação. Não era o BES/Novo Banco que lhe faziam favores, ele é que fazia favores a estas instituições.

- Distribuir Kits Novo Sócio pelos deputados. Pelo menos pareceu-me que era isso que ele estava a fazer naquele breve intervalo.

De referir que o senhor que não se esquece, não foge nem se esconde, andou a adiar a sua presença em inquirições noutro processo e também nesta CPI devido a surtos de amnésia e consultas médicas.

As histórias da carochinha que Vieira conta para enganar tolos benfiquistas, não eram do interesse de ninguém daquela sala.
Contudo Vieira sabia que nunca estaria ali somente como presidente da Promovalor porque Vieira é presidente do Sport Lisboa e Benfica. Ele sabe isso, ele não poderia nunca esquecer-se disso e foi ele que constantemente sentiu necessidade de puxar o Benfica à equação. Os acontecimentos naquela sala iriam sempre ter impacto fora dela, a sua imagem perante os benfiquistas também estava em xeque. Depois (suponho) da família e saúde, a popularidade é o seu maior Bem. Vieira estava bem ciente que naquela CPI também iria estar a lutar pela segurança da sua posição no Sport Lisboa e Benfica.
Daí as muitas demagogias e histórias da carochinha. Não eram para o Fernando Negrão, nem para o João Paulo Correia e muito menos para a Mariana Mortágua ou para a Cecília Meireles. Eram para a comunicação social e especialmente para os sócios do Sport Lisboa e Benfica.

Para a posteridade ficarão os conceitos de Luís Filipe Vieira. Ao longo de todos estes anos sempre o ouvimos gabar que, ao contrário de outros, sempre pagou as suas dívidas e que nunca nada lhe foi perdoado.

Ontem ficámos a saber que para Vieira pagar as dívidas é pagar os 3% de juros e adiar indefinidamente o real pagamento do valor devido.

Ontem ficámos a saber que para Vieira constantes reduções das taxas de juro, constantes extensões de prazos e reestruturações constantes no seu vencimento, não é uma forma de perdão.

Ontem ficámos a saber que para Vieira só está em incumprimento quem pode cumprir. Quando alguém não paga mas é sabido que não tem como pagar, esse alguém não está a incumprir, está só a ser coerente.

Uma pessoa que fez toda a sua vida empresarial com base em endividamento sem se ter de preocupar em o pagar de volta, é normal que não esteja bem ciente do real conceito de “pagar dívidas”.

Felizmente o Benfica, apesar do Vieira, foi e é demasiado grande para cair perante endividamentos astronómicos.

Já o Alverca não teve a mesma sorte, não tinha mesma grandeza.

Vieira é só mais um ser vergonhoso que pulula por este país e que os benfiquistas continuam a optar por o deixarem também envergonhar o mais maravilhoso clube de Portugal.

Apesar de tudo isto, e muito mais, houve quem rapidamente viesse elogiar a prestação de Luís Luís Filipe Vieira. Aquela parte em que meio estupefacto e meio indignado refere que tinha de pagar aos seus colaboradores, foi certamente o que conquistou o seu não-opositor Bruno Costa Carvalho.




terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Balanço (muito resumido) da Época

 A arrancar o mês de Fevereiro é esta a nossa situação:


Eliminados na 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões pelo PAOK.

Medíocre fase de grupos na Liga Europa num grupo bastante acessível onde não conseguimos melhor que um 2º lugar.
Para uma espécie de redenção europeia só nos resta eliminar o Arsenal nos 16 avos-de-final.

Na supertaça fomos eliminados pelo Porto. Eliminados e inferiorizados.

Na Taça da Liga fomos eliminados nas meias-finais. Na Luz tivemos de ir às grandes penalidades para eliminarmos o Vitória e depois perdemos com o Braga em terreno neutro.

Na Taça de Portugal estamos nas meias-finais. Todo o nosso percurso foi um reflexo de muito felizes sorteios. Agora só serve ao Benfica eliminar o Estoril e conquistar a competição. Não vencer a final é um falhanço mas se nem lá chegarmos aí já será humilhação.

Na Liga Portuguesa, com 16 jornadas disputadas, temos 3 derrotas e 3 empates. Nos jogos grandes perdemos na Luz com o Braga e em Alvalade com o Sporting. Derrota com o Braga na Luz e derrota em Alvalade. O ponto alto até agora foi a vitória na jornada inaugural em Famalicão e o desempenho no Dragão que (só) nos valeu o empate.
O Porto já está a 5 pontos e o Sporting a 9.
Começa a parecer que lá para Abril vamos andar somente numa luta aguerrida com o Braga e o Vitória pelo acesso à 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Os 8 jogos grandes até hoje resultaram em 3 empates e 5 derrotas.

PAOK (f) 2-1
Rangers (c) 3-3
Braga (c) 2-3
Rangers (f) 2-2
Porto (n) 2-0
Porto (f) 1-1
Braga (n) 2-1
Sporting (f) 1-0

Isto tem de fazer envergonhar qualquer que esteja no nosso clube. E hoje o Rui Costa terá de estar severamente envergonhado com este registo patético.

A toda esta questão mais resultadista junta-se um conjunto vasto de exibições colectivas muito pobres. A equipa joga muito pouco e os jogadores andam a exibir-se muito aquém do seu potencial.

Não me importa a fanfarronice de Jorge Jesus – neste momento isso é-me totalmente indiferente. Jogar o triplo? Arrasar? Abafo ao Porto? É-me indiferente.
Importa-me o rendimento da equipa. E eu, mesmo eu que sempre tive um pé atrás com JJ e que não desejava o seu regresso, esperava – acreditava – em desempenhos colectivos e individuais muito melhores.
Jorge Jesus é melhor que isto e sabe fazer muito melhor que isto. Até agora uma profunda desilusão.

Mas há algo que nunca poderemos esquecer: o regresso de Jorge Jesus foi somente o confirmar do término do “projecto” de Luís Filipe Vieira.

Quando Vieira decidiu voltar a contractar Jorge Jesus foi o seu reconhecer daquilo que já todos sabemos há muito: Vieira não faz ideia como gerir o Futebol do Sport Lisboa e Benfica. Este presidente já está fora-de-prazo e a continuidade da sua Direcção é um crescente bolor e podridão no nosso clube.

Faltam 3 dias para o próximo jogo – recepção ao Vitória. Terei tempo para ir aqui partilhando com mais detalhe a minha visão de  tudo o que tem sido esta época até ao momento.

(E se uma imagem vale mais que mil palavras então cá segue esta – Vieira apoiado a Jorge Jesus na esperança que este o salve e lá atrás o Benfica de luto)



sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Franco Cervi

Chegou ao Benfica no Verão de 2016 para substituir Nico Gaitán e trazia no seu pé esquerdo esperanças benfiquistas de muita fantasia.


Com a alcunha de Chucky e com a facilidade com que enfrentava os adversários Cervi apresentava-se como um extremo repentista capaz de barafustar a ala direita de qualquer defesa.

Este puro extremo infelizmente rapidamente perdeu a sua magia. Jogo após jogo, época após época, Cervi foi-se tornando cada vez menos fantasista. Por quebra de confiança, por perda de habilidade ou até por culpa dos seus treinadores, a verdade é que num instante se percebeu não ser o extremo que o Benfica precisava.

Mas houve algo que Franco nunca perdeu – a garra, a vontade, a determinação e a capacidade de trabalho. São aquelas características que conquistam os adeptos e que lhe abrem espaço no plantel.

Cervi não pode ser o extremo do Benfica porque simplesmente perdeu o seu ímpeto ofensivo. Incapaz de ir no um para um, Cervi banalizou o seu jogo.

Isto juntamente com a sua postura aguerrida fizeram dele uma opção mais defensiva para os treinadores – até como extremo é utilizado numa visão mais de retranca, de cobertura ao lateral.

Assim começamos a descobrir o Cervi lateral. Mas sejamos honestos, o argentino não é forte defensivamente. Ter garra, correr muito e lutar intensivamente, não é saber defender. Tem maus posicionamentos, más abordagens e a maioria das vezes simplesmente corre atrás dos atacantes.

Cervi não só não é o extremo que o Benfica precisa como também não é o lateral que o clube necessita.

E por isto sempre tenho defendido que não tem lugar no 11 do Benfica.
E por isto tanto tenho defendido a sua venda.

Mas há contextos e contextos. E hoje o Benfica precisa de Cervi.

No início da época deveria ter saído pois não contava – Havia Nuno Tavares para cobrir Grimaldo e principalmente a possibilidade do clube se reforçar. Mas agora, a fechar Janeiro, não faz qualquer sentido a saída do argentino.

- Grimaldo vive a inconstância das lesões.

- Nuno Tavares já demonstrou não ter qualidade para jogar no Benfica.

- Jorge Jesus parece começar a apostar na possibilidade de uma táctica com 3 centrais, criando-se assim a posição de Ala esquerdo no 11 titular.

Sem que o clube tenha recorrido ao Mercado de Inverno para reforçar a lateral esquerda, com as actuais necessidades do plantel, a possível alteração táctica e a entrega do jogador apesar de mal ser opção, deixar sair Cervi é só mais uma falha estratégica desta direcção.

Só um desespero financeiro é que o pode explicar. Isto e uma contínua cegueira de quem nos dirige.

Cervi que saia mas só no final da época.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Oposição Credível Tem de Ser para o Presente e o Futuro

O ano de 2020 trouxe-nos eleições no Sport Lisboa e Benfica. Umas eleições especiais visto que foram de longe as mais participadas na história do clube e também aquelas onde Luís Filipe Vieira conseguir menor percentagem de aprovação.

Estas eleições trouxeram-nos também João Noronha Lopes.

Durante anos e anos ouvimos os benfiquistas queixarem-se dos atropelos de Vieira enquanto acrescentavam sempre um “mas”  - mas não existe oposição credível.

Pois bem, Noronha Lopes trouxe ao universo benfiquista a dita oposição credível. E esta é uma oposição que não poderá desvanecer-se. O Benfica precisa dela presente, atenta e exigente.

A oposição liderada por João Noronha Lopes conseguiu na sua primeira aparição, em um par de meses, chamar a si quase 38% dos votantes. Esta oposição fez Vieira ter menos de 60% de votantes. Esta oposição aniquilou por completo a figura que é Rui Gomes da Silva. Esta oposição motivou os sócios a movimentarem-se para tornarem estas eleições as mais participadas de sempre.

Noronha Lopes conseguiu reunir à sua volta excelentes benfiquistas e excelentes profissionais. Soube dar voz ao benfiquismo de Paneira. Soube recusar os aliciamentos que a direçcão de Vieira lhe acenava. Soube distanciar-se de Rui Gomes da Silva e soube reconhecer o valor do Movimento Servir o Benfica e chamar para junto de si o Francisco Benitez. Soube chegar aos benfiquistas e até soube perder.

Esta oposição credível conseguiu tudo isto mesmo sem debates, mesmo sem a cobertura da BTV, mesmo sem os votos das casas e afiliações e mesmo sem os votos dos vários colaboradores e funcionários do Sport Lisboa e Benfica.

E portanto com ou sem Noronha Lopes, com ou sem a liderança de Noronha Lopes, esta oposição não se pode retirar do dia a dia do clube. Nós sócios temos de a manter viva e activa.

O futebol cria uma sombra enorme e essa sombra é amplificada quando figuras mediáticas são as caras do que se passa neste desporto.
Para o arranque deste novo mandato Vieira contratou Jorge Jesus, deu maior palco a Rui Costa e até colocou Luisão mais próximo da equipa. São três figuras fortes e mediáticas e a centrarem as atenções de todos – benfiquistas e não só. Além disso, Rui Costa tornou-se pela primeira vez vice-presidente e assim sucessor natural do actual presidente. Se juntarmos a tudo isto os vários problemas que Vieira tem tido com a justiça e também as várias saídas do clube de figuras do seu círculo próximo, não me admiraria nada que de repente, pela sombra, Vieira se retirasse por “motivos de doença”.
E é a tudo isto que se tem passado nos bastidores, a tudo isto que está a acontecer na enorme sombra do mediatismo de Jorge Jesus, Luisão e do novo Rui Costa, que a oposição – aquela oposição credível – deve também estar atenta. Esta sombra deve ser iluminada pela Luz do benfiquismo.

Liderada ou não por Noronha Lopes, com ou sem Noronha Lopes, este novo movimento que se criou no Benfica na época eleitoral não se pode perder, não pode ser desperdiçado.

Passaram mais de 2 meses desde as eleições. Já deu para lamber as feridas. Agora é para construir sobre tudo o que foi conquistado.



quarta-feira, 29 de julho de 2020

Benfiquistas com Voz – Bernardo Deu o Mote


Vamos aqui todos ser directos e honestos com tudo isto.

É ou não é verdade que nos últimos 15 anos criou-se uma mentalidade acrítica no Sport Lisboa e Benfica? Parece-me um facto incontestável.

Sim há pequenos focos críticos. Há alguns espaços que promovem o pensamento critico. Mas na generalidade criou-se no Benfica a mentalidade do “apoia”.

Uma grande maioria, incluindo os dirigentes e os meios de comunicação do clube (à cabeça a BTV), fomenta uma ideia de guerra, de nós contra os outros. E assim cria-se uma realidade onde os benfiquistas devem elogiar o que é seu e denegrir o que é dos rivais. O sentido critico dos benfiquistas passa a ser exclusivo dos clubes adversários.

Perdeu-se até a noção do que significa apoiar. Apoiar o clube é ignorar e/ou defender o que de errado é feito por quem nos dirige? Ou é também apontar esses erros e exigir melhorias e mudança?

Estamos a falar de um clube do qual os adeptos sempre, mas sempre mesmo, se gabaram de ser democrático ainda quando o país vivia uma ditadura. Um clube onde os adeptos sempre gabaram a pluralidade de ideias. Um clube onde os adeptos sempre apontaram o dedo aos métodos do Pinto da Costa, incluindo os seus métodos pouco democráticos de gestão.

Mas nos últimos 15 anos tudo mudou. Parece que passámos a viver mais os programas televisivos do que o próprio clube. Importante não era o representante benfiquista analisar com qualidade a actualidade do seu clube. Não. Importante era que batesse muito no adversário, fosse com verdades ou com mentiras descaradas. Quantas vezes não nos foi dito “não deviam discutir essas coisas publicamente, é dar armas aos rivais”? Quantas vezes?

No final da época não é altura de se discutir o clube. Porquê? Porque se ganhou então devemos reconhecer o mérito. Ou então porque se perdeu e não é o momento de bater mas sim de apoiar.
O arranque da época não é o momento de debater o clube. Porquê? Porque não podemos desestabilizar. Temos de apoiar para começarmos bem.
A meio da época não é o momento de debater o clube. Porquê? Pelos mesmos motivos do ponto anterior. É momento de apoiar e deixar as criticas para o final da época. Mas como já se sabe... também o final da época não é o momento para debater o clube.

Sim, esta foi a mentalidade que Luís Filipe Vieira instaurou no benfiquismo.

Os adeptos não devem ser ouvidos. Os adeptos não devem ter massa critica. Os adeptos simplesmente servem para encher o estádio e dar receitas de merchadising. O papel dos adeptos é ser fonte de receita e fonte de motivação para os atletas.

Aqueles adeptos que se atreverem a pensar o clube, a se preocuparem e a discutirem o seu clube, esses adeptos não são verdadeiros adeptos.

- Anti-benfiquistas
- Dragartos
- Vale e Azevedistas
- Velhos do Restelo
- Abutres
- Garotões
- Tachistas

Etc, etc e etc.

São demasiados os episódios em que vemos quem está no clube atacar os adeptos. Os ataques na BTV, os ataques do Pedro Guerra, os ataques no Jornal O Benfica, os ataques do José Nuno Martins, os insultos do presidente do clube, as tentativas de agressão do presidente do clube, a(s) agressão(ões) do presidente do clube e os ataques de outros membros da direcção.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” foram feitas alterações estatutárias que retiraram voz e poder aos sócios. Alguém se lembra de Manuel Damásio? Alguém se lembra de como ele saiu da presidência do Sport Lisboa e Benfica?

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” foi criado um canal de propaganda onde sócios críticos são rebaixados e até insultados.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” o vice-presidente Nuno Gaioso sentiu-se confortável o suficiente para dizer o seguinte aos sócios em plena Assembleia-Geral do clube:

- Os vossos votos não nos interessam porque vocês não percebem nada do assunto.
- O maior activo do Benfica é o presidente Luís Filipe Vieira.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” a actual direcção do Benfica conseguiu colocar os benfiquistas a ter de pagar mais 1/3 que os rivais para assistirem aos jogos da sua equipa.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” esta direcção dirigida por Luís Filipe Vieira tentou utilizar o dinheiro do clube para garantir as suas reformas e encher os bolsos dos seus amigos e companheiros de negócios, numa OPA totalmente escandalosa – desde os motivos apresentados, aos beneficiários e ao método de financiamento.

Esta direcção comporta-se há mais de 15 anos como se o Benfica fosse deles, deles dirigentes. E não dos sócios. E os sócios permitem isso. Permitem isso porque permitem não ter voz. Permitem isso porque agem como agentes de censura desta direcção. Permitem isso porque permitem que não se discuta o clube.

Vamos ter eleições em Outubro. Ainda não começou a campanha eleitoral. E o que já vemos por esta internet fora? Propagação de mentiras, de fake news, sobre os vários candidatos. A máquina de propaganda de Vieira – Hugo Gil e companhias – já anda a montar o seu pequeno espectáculo.

Nos últimos 5 dias são as mais variadas informações com que me deparo sobre os candidatos. E quando questiono as pessoas que vejo partilhar essas informações sobre as mesmas elas nunca têm a fonte da sua informação, nunca têm o sustento. Leram por aí. Afirmam que num canal a figura X disse Y. Afirmam com convicção. Mas quando questionadas se viram tal afirmação... não viram.

E foi nisto que Vieira transformou a democracia do Benfica. Qualquer opositor irá ser enxovalhado na praça pública e quase sempre com mentiras. Irá ser insultado. Irá ser conotado ao Porto ou ao Vale e Azevedo. Serão sempre aventureiros que nunca fizeram nada pelo Benfica e agora querem vir retirar dividendos do trabalho da actual direcção.

Muitos adeptos com este discurso nem sequer se apercebem que andam tão perdidos nessa narrativa que acabam por apelar ao fim das eleições no clube, ao fim da Democracia do Benfica.

Se ninguém se deveria poder candidatar. Se ninguém poderia sequer poder criticar. Então isto é o quê?

E como sempre temos a BTV a tomar a opção de não realizar debates, de não participar no processo eleitoral.

Como é que os benfiquistas aceitam isto? Como é que se aceita que a televisão de um clube paga pelos adeptos do clube, simplesmente ignore o acto eleitoral? As eleições de um clube não são um momento crucial da sua existência? Então como pode o canal do clube se fechar às mesmas?

Chega a altura das eleições e a BTV fecha a discussão do clube. Corta um espaço de divulgação do clube. O canal do clube promove a não pluralidade de ideias, o pensamento anti-democrático, a não discussão do clube, o não viver o clube. O canal do clube fecha as portas e as janelas aos seus adeptos. Afasta os benfiquistas das decisões da vida do clube. Mais uma vez, tira voz aos benfiquistas.

Já sabemos que Vieira não debate. À imagem de Pinto da Costa. Estratégia que aprendeu com o seu mentor. Vieira só dá entrevistas, entrevistas controladas. Entrevistas bajuladoras. Entrevistas onde possa exercer o seu monólogo sem contradição. Porque Vieira não aceita o sentido critico no Benfica, não aceita ser contrariado. Vieira não aceita debater o Benfica e o seu trabalho. Mais uma vez, corta a voz, corta a discussão, corta o pensamento e a análise critica aos benfiquistas. Vieira esconde-se para não se expor. Vieira esconde-se para não colocar o seu poder em cheque.

E os benfiquistas vão continuar a aceitar isto?





domingo, 26 de julho de 2020

Candidatura de João Noronha Lopes

Foi a última candidatura a ser apresentada para as próximas eleições. E parece ser a candidatura que mais está a mexer com o apoio dos benfiquistas. 

João Noronha Lopes apresenta-se a eleições com mais vantagens que qualquer outro dos opositores à actual Direcção. 

Ainda é cedo para fazer uma apreciação mais definitiva mas por agora ressalvo as características desta candidatura que a favorecem no contexto actual: 

- Vice-presidente da Direcção de Manuel Vilarinho 

- Vários apoios mediáticos 

- Sem ligações ao actual dirigismo 

- Abordagem benfiquista e apelo ao benfiquismo 

- Experiência profissional 

- Inteligência do discurso 

- Controlo emocional 

- Insistência na vertente desportiva do clube 

- Destaque à necessidade de Credibilidade e Transparência 

- Ambição europeia 

- Abordagem à questão estatutária 

- (Re)Conhecimento de várias preocupações existentes no seio do benfiquismo 


A Candidatura de Noronha Lopes tem como primeiro grande mérito o vir afastar o fantasma Vale e Azevedo da narrativa da actual Direcção. O fantasma Vale e Azevedo, as pedras da calçada, o papel da impressora, o papel higiénico, etc, etc e etc. 

Noronha Lopes foi vice-presidente de Manuel Vilarinho. Foi Manuel Vilarinho que derrotou o Vale e Azevedo, foi a Direcção de Vilarinho que pegou no clube super-endividado, sem posse sequer sobre as pedras da calçada. Portanto Noronha Lopes é um nome mais presente e relevante nesse primeiro momento pós-Vale e Azevedo que o próprio Luís Filipe Vieira. 

Outro dos principais méritos desta candidatura é o de conseguir cativar o apoio de várias figuras públicas reconhecidamente benfiquistas. Apesar de tudo o que o que LFV fez ao longo destes anos para criar uma unanimidade pública à sua volta, a verdade é que Noronha Lopes tem conseguido apoios importantes, apoios de benfiquistas que têm voz nos meios de comunicação, que têm fãs e seguidores, apoio de personalidades que têm a sua opinião respeitada e admirada por milhares e milhares de benfiquistas. Vasco Mendonça com o Azar do Kralj e o programa Dia Seguinte, o Ricardo Araújo Pereira com os seus artigos na Visão, o programa Isto é Gozar com Quem Trabalha e o Governo Sombra e o Pedro Adão e Silva que é cronista do Expresso e comentador na SportTv. Além destes surge também por exemplo Pedro Ribeiro com a sua voz nas manhãs da Rádio Comercial e até muito recentemente no programa Mais Futebol. Entre outros que já se juntaram ou ainda se juntarão a esta candidatura. 

O mito dos paraquedistas também cai por terra com esta candidatura. Noronha Lopes tem um currículo rico, uma experiência profissional vasta e com reconhecidos méritos. As suas competências de gestão e liderança estão à vista. Não será certamente visto como um abutre ou um aventureiro. 

Por fim, na sua primeira aparição e no seu manifesto mostra um discurso cuidado, estudado e inteligente. Não ataca a Direcção de LFV à descarada, o que lhe causaria vários atritos entre muitos benfiquistas. Não. O que ele faz é tocar em muitos dos pontos negativos da actual Direcção. Fala neles e reconhecendo a sua existência, joga-os na praça pública onde os próprios benfiquistas os irão considerar e criticar. Oposição inteligente.  

Puxa pela emoção na hora de falar do sentimento benfiquista, dos feitos do passado e das ambições para o futuro, mas puxa pela racionalidade, pela ponderação, no momento de falar sobre os pecados de Luís Filipe Vieira. Com esta inteligência emocional, se a conseguir manter até ao dia das eleições, será também no debate a principal e mais séria oposição a Vieira.  

Há vários outros tópicos do seu discurso que merecem ressalva: 

- A sua posição sobre Jorge Jesus foi dos pontos mais altos. Noronha Lopes traz o seu benfiquismo à cadeira da presidência e aceita Jorge Jesus exigindo-lhe explicações. Vamos ser sinceros, com todo o lixo mediático no pós-saída do JJ do Benfica, uma palavrinha do treinador aos sócios sobre aquele momento seria muito bem vinda e possivelmente acabaria com grande parte do atrito que para já vai encontrar entre os adeptos do Sport Lisboa e Benfica.  

- Destaca a vertente desportiva como o principal foco do clube. Isto é algo que tem sido ignorado pela actual Direcção e que muito tem incomodado os benfiquistas. E na verdade é um ataque ao Benfica Negócio, ao Benfica Empresarial. O Benfica que Vieira tem criado e que tanto por aqui tem sido criticado. O foco do Benfica deverá ser conquistas desportivas e não dar lucros. O Benfica não deverá distribuir dividendos financeiros mas sim investi-los na sua actividade. O Benfica existe para competir e ganhar e não para criar fontes de receitas e alimentar todos e os mais variados negócios. 

- A abordagem ao Benfica Europeu é também mais um mix de ataque à actual Direcção e de partilha da preocupação de todos os benfiquistas. 

Algo muito positivo é não apontar a títulos europeus, até porque hoje em dia não é isso que está em causa. O Benfica Europeu não é o Benfica campeão europeu. O Benfica Europeu é o Benfica presente e com relevância na Europa do futebol. Vieira aponta à conquista da Champions mas nem consegue criar condições para um Benfica de Top-8 nesta competição.  

- Transparência e Credibilidade são dois chavões que qualquer candidato, qualquer presidente, de qualquer clube, partido político ou associação de estudantes, fala. Aqui a questão é o timing. A sua importância é intemporal mas neste momento torna-se crucial. O contexto é tudo e o contexto judicial que a Direcção de Vieira está envolvida e tem envolvido o clube é um verdadeiro escândalo à história e valores do nosso clube.  

- A questão estatutária é outro ponto muito interessante. Pode parecer uma questão menor para quem vê de fora mas para quem vive o dia a dia do clube por dentro sabe a sua relevância. As alterações estatutárias que Vieira protagonizou de forma a se eternizar no cargo são um atropelo à democracia do clube. A revisão estatutária é urgente. E Noronha Lopes, nome por quase todos desconhecido, aparece claramente conhecedor das inquietações mais profundas do benfiquismo. Portanto uma candidatura que se relaciona com as preocupações mais privadas dos benfiquistas. 

Destaco também a inteligência desta candidatura com a insistência no Agora. Isto é um claro apelo a todos os benfiquistas que se sentem obrigados a votar em Vieira por gratidão. É uma forma de criar um fim de ciclo a essa gratidão, a esse reconhecimento generalizado do trabalho da Direcção de Luís Filipe Vieira. É um dizer "Ok eles fizeram a parte deles mas agora é altura de dar um passo em frente, de começar um novo capítulo". 

Até à data tínhamos uma candidatura de alguém parte da estrutura de Luís Filipe Vieira que recentemente decidiu abrir guerra ao seu "antigo" ídolo. Tínhamos uma candidatura de Facebook, de piadas, de ideias copiadas e focada nos amigos e bajuladores da caixa de comentários, um candidato ao sabor do vento das redes sociais. E tínhamos uma candidatura por agora ainda sem qualquer relevo, de adeptos que ainda não se chegaram realmente à frente (aguardam o término da época). 

Se até ao momento via a actual Direcção a ter o seu primeiro incómodo em todo o seu reinado perante a agressividade da candidatura de Rui Gomes da Silva, com a candidatura de Noronha Lopes já acredito na possibilidade de termos umas eleições bem mais competitivas e capazes de colocar em risco o conforto da cadeira do actual presidente. 

A candidatura de Noronha Lopes faz um apelo ao romantismo das antigas glórias do Benfica, do Benfica do Ontem, um Benfica do antes de Vale e Azevedo e Luís Filipe Vieira, com projecção para o Agora. O recomeçar, o retomar Agora a paixão do benfiquismo de Ontem. 

                            Imagem relacionada

Contudo, ainda é cedo. Muito cedo. Por isso digo-vos que hoje sei em quem não vou votar. Hoje tenho o voto branco como garantido. Hoje ainda aguardo por mais desenvolvimentos para poder dar cor ao meu voto. Mas hoje estou mais feliz, mais realizado, com as novas possibilidades que vão surgindo.


sexta-feira, 6 de março de 2020

Bruno Lage - Culpado ou Vitima

Foi notório o crescimento da crítica a Bruno Lage neste espaço. Bruno Lage é culpado dos seus erros. E não temos qualquer pudor em os apontar até porque poucos estarão mais desiludidos do que nós.

Outros pintam Bruno Lage como vítima - vítima de outros que estão hierarquicamente acima.

É verdade que o grande culpado será Luís Filipe Vieira e que Bruno Lage é também vítima da gestão do presidente dos bigodes.
Mas haverá só um culpado? Não podem haver vários e com diferentes níveis de culpa? Não podemos aceitar que alguém que faz algo positivo também pode fazer algo negativo? Uma vítima terá de ser somente vítima?

O que diferencia este espaço é o facto de não nos guiarmos por resultados - ou melhor, não mudamos de opinião consoante vento. Muitos que agora se chegam à frente para criticar Vieira esquecem-se daqueles que sempre o fizeram, sempre viram o presidente dos bigodes por aquilo que ele é. Aqui criticou-se Vieira no ano do Tri, no ano do Tetra e não só no ano do falhado Penta. A crítica à gestão do actual presidente do Sport Lisboa e Benfica nesta época foi feita em ainda em 2019 quando as árvores ainda não se despiam.

Portanto respondendo a muitos. Não, não achamos que Lage é o único e nem sequer o principal culpado em nada do que de pior se passa no nosso clube. Tem as suas culpas mas o principal responsável é o presidente bota bigodes. Agora isso nunca nos impedirá de olhar para o jogo com olhar crítico, nunca nos impedirá de avaliar o trabalho feito pela equipa técnica do Sport Lisboa e Benfica. Nunca nos impedirá de tecer opiniões sobre aquilo que mais nos apaixona a todos - o futebol jogado.

Mas numa fase em que tão justamente temos batido no Bruno Lage, é normal que menos tenhamos batido em outros mais responsáveis que ele. Cada a coisa a seu tempo - como se costuma dizer. 
Assim, antes de arrancarmos para uma sequência de doze vitórias consecutivas quero recuperar a crítica à preparação de toda esta época.

O clube factura como nunca, o clube está numa Liga dos Campeões milionária, o clube apresenta-se como campeão nacional numa Liga onde os seus rivais vivem crises institucionais e financeiras, o clube tem todas as condições para se lançar numa hegemonia nacional e numa afirmação europeia. E como é construído o plantel para estes objectivos?

Falou-se da necessidade de contratar um guarda-redes. Fosse como titular fosse como alternativa. Avançou-se para a contratação de um guardião italiano lesionado. Lá abortaram o negócio. E nada mais fizeram para suprir esta necessidade.

Há anos que o clube necessita de um lateral-direito. É óbvio e sabido. Mais uma vez nada se fez. 
Apesar do bom momento de Ferro e de Dias, sobrava ao plantel Jardel e Conti. Era crucial a contratação de um bom central. Nada. 
E por aí adiante. Na lateral esquerda Grimaldo continuou sem cobertura. No meio-campo não se foi contratar um médio com maior capacidade de desequilibrar com bola - ficando o Taarabt sozinho nesta posição. Para o ataque quase que se ignorou a saída e importância de João Félix. Aquela posição de segundo avançado, de jogador criativo, com golo e capacidade de dar criatividade a todos os espaços do ataque, foi totalmente ignorada. Em vez disso investiu-se em extremos e pontas de lança desnecessários ao plantel.

Portanto não só o real reforço do plantel foi desvalorizado como ainda se permitiu que a época arrancasse com um plantel de 30 jogadores.
E sim, tivemos Bruno Lage publicamente a comentar a necessidade de reforços que nunca chegaram e também a necessidade de trabalhar com um plantel curto - não um plantel médio de 25 jogadores e muito menos um plantel imenso de 30 jogadores.

A gestão desportiva desta época foi mais uma vez desastrosa. O foco desta gente é ter bonitos relatórios e contas, passear pela China, lançar aplicações para os sócios meterem ainda mais dinheiro no clube e preparar OPAs para amigos. O Benfica de bigode é um Benfica de negociatas e não um Benfica de sucesso desportivo. Mas um clube de futebol vive de resultados desportivos. A custo esta gente percebeu isso. Não adianta tornarem o clube numa empresa se depois não ganharem no relvado pois os verdadeiros rendimentos aparecem com o sucesso desportivo e não nos balancetes e diagramas muito bem construídos. Mas percebem tão pouco da exigência do jogo, gostam tão pouco do jogo, que aquilo que acham suficiente para se vencer claramente não o é. Uma política de serviços desportivos mínimos. É este o Bigode que paira por todos no clube.

Fica a ideia que Bruno Lage queria seguir uma determinada construção do plantel mas estrutura aka Vieira e seu bigodes seguiram por outro caminho.

Depois temos a Europa. O discurso de ambição europeia é benéfico ao ego de Vieira. É ali que vende o clube a negócios e patrocínios pelo mundo fora. É ali que ganha o calor dos adeptos. Mas que faz esta pessoa para esse sucesso? Paga a um bruxo na guiné para mexer umas folhas a ver se a coisa com alguma sorte corre bem para o nosso lado? Só se for isso mesmo.

Não existe retenção de talento. Não existe investimento forte na equipa. Existem palavras.

E depois vamos ver a abordagem a estes jogos e a equipa andou a usar... os suplentes vindos da formação. Vamos acreditar que foi Lage que decidiu que a Liga dos Campeões era a nova Taça da Liga? Algum treinador não quer mostrar o seu trabalho na Liga dos Campeões? Algum treinador quer desestabilizar um balneário ao impedir os melhores jogadores de participarem nos maiores jogos? Foi opção de Lage ou foi sugestão em forma de bigode? Os jogos da Liga dos Campões são para ganhar ou para encarar como montra para o Seixal?

E nem se aproveitou o mercado de inverno para se corrigir tudo. Valeu a contratação de Weigl que por melhor que seja duvido muito que tenha sido pedido ou sequer entendido pelo treinador.

O Sport Lisboa e Benfica não tem um verdadeiro projecto desportivo. O próprio Seixal é encarado como um mercado de negócios. É o Benfica empresarial. O Benfica das negociatas. O Benfica das construções. O Benfica de Bigode

Bruno Lage tem as suas responsabilidades na forma como treina, na forma como monta a equipa, na forma como faz substituições e na forma como pede aos seus jogadores para actuarem. Isto é somente responsabilidade de Bruno Lage.
Bruno Lage é também responsável por um dia ao acordar ter olhado ao espelho, ter olhado para a lâmina e de novo para o espelho, e ter decidido que gostava daquele bigode e que o iria deixar farfalhar toda o seu ser.

Bruno Lage falou do que queria para o plantel. Mas exigiu? Lutou por isso? Ou aceitou ser somente mais um de voz praticamente irrelevante? Lutou pelos reforços que queria ou aceitou não ter poder nenhuma na decisão?

Para mim um treinador, principalmente um treinador de um clube grande, deverá ser sempre o principal responsável pelo futebol do clube. Poderá estar envolto numa estrutura, terá de respeitar a política desportiva do clube, mas será sempre ele a utilizar a estrutura e não o contrário. Um treinador de clube grande tem de liderar e tem de se fazer ouvir. Um treinador de clube grande não pode nunca aceitar que lhe sugiram que jogadores usar ou não. Bruno Lage tem responsabilidade de comer e calar e ainda o fazer com um sorriso na cara.

E é aqui que tenho de falar de um antigo treinador do Benfica. Numa altura em que muitos dos meus colegas de escrita clamam pelo regresso de Jorge Jesus - algo que eu sou contra - a verdade é que Jorge Jesus era o líder do futebol no Benfica. Quando a estrutura lhe fragilizava o plantel ele exigia reforços que o satisfizessem. Em anos de títulos foi Jorge Jesus que assegurou que a direcção não lhe sabotava a época desportiva. Nunca comeu e calou, nunca aceitou Bigode. E isto é um treinador. Independentemente das suas competências, de todas as outras suas qualidades e defeitos, nesta vertente o Benfica teve treinador.

Mas lá está, vivemos um Benfica de bigode que só aceita quem adopta esse visual. Rui Vitória aceitou o bigode com todo o gosto. Bruno Lage achou que tinha de o adoptar.

O Bigode de Vieira cresce pela testa, infiltra-se nos poros da pele e envolve toda a massa cinzenta de quem o usa, acabando por finalmente se instalar aconchegadamente na sua espinha dorsal.

É um mal que há muitos anos vai minando o Benfica e o benfiquismo.
Hoje mina Bruna Lage que acedeu a usá-lo.


domingo, 26 de maio de 2019

2018-19 - O Milagre do 37

Não foi tudo péssimo até Janeiro - foi quase tudo - nem foi tudo perfeito em 2019 - mas foi miraculoso.

Não há dúvidas que a mudança de treinador é o momento da época. Não é o simples trocar por um treinador melhor pois só isso não faria diferença nem seria recomendável. Foi o retirar de alguém inapropriado para o cargo abrindo assim espaço para que um treinador de grande competência o agarrasse.

Portanto o momento da época foi sem dúvidas a chicotada psicológica, a saída de Rui Vitória e a afirmação de Bruno Lage.

E a figura da época?

Temos entre os jogadores vários potenciais "vencedores". Do divino Jonas ao puto João Maravilha Félix. Da revelação Ferro ao desequilibrador Rafa. Do capitão Samaris ao bota de prata Seferovic. Do cerebral Pizzi ao criativo Grimaldo.

Mas a figura da época terá de ser Bruno Lage. Mudou tudo. Mudou os sentimentos nas bancadas, mudou a mente dos jogadores, mudou a qualidade dos treinos, mudou o modo de estar em campo e de tratar a bola, mudou a táctica, mudou as opções. Mudou toda a gestão do plantel e a filosofia de jogo. Mudou o discurso. Com Lage o Benfica renasceu da apatia em que se encontrava. O Benfica jogadores, o Benfica adeptos, o Benfica sensações.

Foi tudo perfeito com Bruno Lage? Não. Houve jogos - Sporting e Frankfurt por exemplo - onde estivemos abaixo de medíocres. O final de época foi menos afirmativo, em vários jogos a equipa penou até a bola começar a entrar. Há muito trabalho pela frente mas agora também há toda uma pré-temporada para aproveitar.

Já o destaque negativo desta época só poderá ser de um homem: Luís Filipe Vieira.

O actual presidente do Sport Lisboa e Benfica depois de ter desistido do Penta optou por também abdicar da Reconquista. Manteve o treinador que já tinha provado não ser minimamente adequado ao cargo, reforçou o plantel com jogadores de menor qualidade e sem ter em conta as lacunas da equipa técnica, continuou a alimentar certos pardais tachistas que por aí vão voando e cagando o símbolo do Sport Lisboa e Benfica e nem sequer soube reconhecer os seus erros.

Foi forçado pelos resultados e pelos adeptos a despedir o Rui Vitória, contra tudo e contra todos resolveu voltar atrás nessa decisão afirmando que este ficaria até pelo menos o final da época e depois ao primeiro mau resultado lá o voltou a despedir.

E enquanto os benfiquistas desesperavam com o decorrer da época e com a escolha de um novo treinador, o presidente do clube foi jogar cartas para o programa da Cristina Ferreira. E aí, perante as câmaras e olhares de todos nós, deixou claro que Lage era só um interino, que o seu grande desejo era José Mourinho e que todos iriamos ter saudades de Rui Vitória.

Com negas vindas das arábias, da ucrânia, do principado e até de Setúbal, e perante os bons resultados que Lage estava a conseguir, mais uma vez teve de se contorcer todo e o interino passou a treinador principal.

E Bruno Lage resultou. E o Benfica é campeão. O que resta a este presidente? Arranjar todos os esquemas possíveis para limpar a cara e puxar a si os méritos de uma reconquista que ele próprio sabotou. Politiquices com as emoções dos adeptos.

Já tem peões a divulgar a mirabolante história que Lage era a sua primeira escolha e que o adiamento do despedimento de Rui Vitória se deveu ao facto de Bruno Lage estar naquele momento incapaz de treinar uma equipa da primeira liga. E incapaz porquê? Porque estava de muletas.

Mas ainda pior foi o que se viu na noite da festa do título. Mais uma vez foi contratado o Nuno Luz para promover a figura deste presidente no momento dos festejos, da consagração benfiquista. Desta vez a necessidade de enganar os benfiquistas foi bem mais urgente que em anos transactos.

E assim o presidente do Benfica "viveu" o festejo do milagre de Lage: Com uma câmara na cara a registar cada representação teatral que preparou e com dois jornalistas atrás de si a ajudarem na promoção da sua imagem.

Sim são precisos uns grandes tomates para realizar aquele triste episódio no balneário da equipa. Uns grandes tomates de plasticina. "Oh Nuno estás a filmar? Olha eu aqui a brilhar com o duplicar dos prêmios e os jogadores todos a cantar por mim".

Milagroso Treinador Bruno Lage. Maravilhosos Craques do Relvado. Vergonhoso presidente.


domingo, 4 de novembro de 2018

A dita Estrutura



Foi mais ou menos há 3 anos e meio que a palavra "Estrutura" entrou no léxico benfiquista.
Nunca entendi muito bem a sua essência.

Na altura pareceu ser o resultado de uma luta de egos entre treinador e Direcção. 
A um era atribuído todo o mérito de um bi-campeonato enquanto os outros também queriam propaganda.

"Não é o treinador que ganha títulos, é a estrutura."

O mundo do Futebol é um mundo de extremos - ou estamos no topo ou na miséria.

E o ciclo de Jorge Jesus no Benfica também viveu desses extremos. O Benfica de Jorge Jesus era isso mesmo, era dele. Tudo rodava consoante as suas vontades. O Benfica era o mundo louco do Jorge Jesus. Ganhava pela sua tenacidade e pela sua loucura. Perdia pela sua teimosia e pela sua loucura.

Os jogadores entravam e saíam consoante os seus humores.
Tudo era decidido pelo próprio. Foi-lhe dada carta branca e total liberdade.

Jorge Jesus tinha a sua própria comunicação. Jorge Jesus tinha os seus próprios comportamentos. Era tudo dele. Ou pelo menos era segundo esta premissa que ele agia.

Mas sabemos o quanto o actual presidente do Benfica precisa alimentar a sua epopeia enquanto salvador do Benfica.

E assim nasceu a disputa pelo protagonismo – Treinador vs Estrutura.

Sou totalmente a favor de uma metodologia à inglesa do treinador enquanto Manager.
O treinador cria, alimenta e alimenta-se da estrutura. Está envolvido como líder em cada processo do dia a dia do clube. E porquê? Porque este é cérebro futebolístico da estrutura, do clube.

Vejo Jorge Jesus com competências para ser um Manager? Claro que não. É um bicho do treino que não consegue ser limitado às ideias e decisões de outros mas não tem competências além treino.

No pós Jorge Jesus o Futebol passou a ser liderado e conduzido por uma Estrutura já implementada e na qual um treinador estaria limitado ao seu papel integrado nesta.

Passou assim a ser a estrutura, aquele Ser que está 10 anos à frente de qualquer rival, que iria gerir todo o futebol do clube.

O treinador não passaria de um mero funcionário, sem voz e com directrizes a seguir.
Passa a ser somente responsável por treinar e gerir os jogos. Tem de respeitar a rota traçada pela dita Estrutura. Há jogadores que tem de lançar. Há jogadores nos quais tem de insistir. Há jogadores que tem de encostar. Há uma Comunicação que tem e seguir. Há uma gestão de compras e vendas que tem de respeitar.

Tudo funciona sem o seu input. Porque há uma Estrutura que já definiu tudo e que toma todas as decisões.
Os sucessos são da dita Estrutura. Os insucessos... a Estrutura não está estruturada para responder por estes.

Que treinador aceita trabalhar nestas condições? Que treinador aceita ser só uma figura dentro de uma enorme Estrutura?
Aqueles que têm consciência que estão a competir em um nível muito superior à sua capacidade. Ou então aqueles que não têm estofo para se imporem.

Reflito sobre como esta Estrutura surgiu e como pretende funcionar mas continuo sem a entender num contexto futebolístico. Só vejo cimento, departamento de comunicação, scouting e dirigismo. E conhecimento do jogo jogado?

A dita Estrutura não deveria ser gerida por gente do Futebol? Não deveria haver um core futebolístico à volta do qual toda a Estrutura funcionasse?

É isso que não percebo na dita Estrutura.

Já que nos é vendida a sua existência como algo que guia o clube 10 anos à frente de qualquer outro, o que eu gostaria de lá ver era alguém capaz de olhar além do óbvio.
Qualquer adepto, qualquer Calado e qualquer Rui Santos, é capaz de dizer que um treinador é insuficiente quando a equipa se encontra a perder.

A equipa ganha então está tudo bem. A equipa perde então está tudo mal.

O que queria ver no Benfica era alguém capaz de ver as insuficiências de um treinador em pleno treino. Alguém capaz de ver a qualidade do treinador numa maré de derrotas. Alguém capaz de perceber a incompetência de um treinador mesmo numa sequência de vitórias.

Tem de existir na Estrutura tenha Visão para o jogo. Quem reaja, com 6 meses de antecedência, como os adeptos reagiram após o jogo com o Moreirense.

Um treinador não passa de óptimo a péssimo de um jogo para outro. Há um caminho que é percorrido jornada após jornada, treino após treino.E este caminho, este trabalho, não parece ser criticamente acompanhado e avaliado pela dita Estrutura.

Olhamos para o nosso Benfica. Todos conhecemos o nosso clube e como este é gerido. Há anos que o observamos. Há anos que o vivemos.

Se o Rui Vitória tem um papel menor na Estrutura, se o Nuno Gomes foi corrido, se o Rui Costa é pouco mais que uma mascote do presidente paga a peso de ouro, quem é que ali analisa o trabalho diário da equipa principal? Quem é que ali analisa o que de 3 em 3 dias se desenvolve nos relvados nacionais e internacionais?

É o Vieira? Um presidente que nunca percebeu nada de bola?
É o Domingos Soares de Oliveira?
É o José Eduardo Moniz?
É o Nuno Gaioso?
É o Silvio Cervan?
É o Paulo Gonçalves?
O Jorge Mendes?
O Luís Bernardo?
O Tiago Tacho Pinto?
Os cartilheiros Guerras, Boaventuras, Marinhos e afins?

Alguém que por favor me explique esta Estrutura. Por mais voltas que dê não vejo nela mais que uma ideologia forçada em resposta à omnipotência do anterior treinador.

Nela não vejo mais que uma forma enviesada dos méritos serem conduzidos à imagem do presidente.

Porque de futebol ali dentro? Estamos demasiado carentes.