Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Filipe Vieira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Filipe Vieira. Mostrar todas as mensagens

domingo, 4 de novembro de 2018

A dita Estrutura



Foi mais ou menos há 3 anos e meio que a palavra "Estrutura" entrou no léxico benfiquista.
Nunca entendi muito bem a sua essência.

Na altura pareceu ser o resultado de uma luta de egos entre treinador e Direcção. 
A um era atribuído todo o mérito de um bi-campeonato enquanto os outros também queriam propaganda.

"Não é o treinador que ganha títulos, é a estrutura."

O mundo do Futebol é um mundo de extremos - ou estamos no topo ou na miséria.

E o ciclo de Jorge Jesus no Benfica também viveu desses extremos. O Benfica de Jorge Jesus era isso mesmo, era dele. Tudo rodava consoante as suas vontades. O Benfica era o mundo louco do Jorge Jesus. Ganhava pela sua tenacidade e pela sua loucura. Perdia pela sua teimosia e pela sua loucura.

Os jogadores entravam e saíam consoante os seus humores.
Tudo era decidido pelo próprio. Foi-lhe dada carta branca e total liberdade.

Jorge Jesus tinha a sua própria comunicação. Jorge Jesus tinha os seus próprios comportamentos. Era tudo dele. Ou pelo menos era segundo esta premissa que ele agia.

Mas sabemos o quanto o actual presidente do Benfica precisa alimentar a sua epopeia enquanto salvador do Benfica.

E assim nasceu a disputa pelo protagonismo – Treinador vs Estrutura.

Sou totalmente a favor de uma metodologia à inglesa do treinador enquanto Manager.
O treinador cria, alimenta e alimenta-se da estrutura. Está envolvido como líder em cada processo do dia a dia do clube. E porquê? Porque este é cérebro futebolístico da estrutura, do clube.

Vejo Jorge Jesus com competências para ser um Manager? Claro que não. É um bicho do treino que não consegue ser limitado às ideias e decisões de outros mas não tem competências além treino.

No pós Jorge Jesus o Futebol passou a ser liderado e conduzido por uma Estrutura já implementada e na qual um treinador estaria limitado ao seu papel integrado nesta.

Passou assim a ser a estrutura, aquele Ser que está 10 anos à frente de qualquer rival, que iria gerir todo o futebol do clube.

O treinador não passaria de um mero funcionário, sem voz e com directrizes a seguir.
Passa a ser somente responsável por treinar e gerir os jogos. Tem de respeitar a rota traçada pela dita Estrutura. Há jogadores que tem de lançar. Há jogadores nos quais tem de insistir. Há jogadores que tem de encostar. Há uma Comunicação que tem e seguir. Há uma gestão de compras e vendas que tem de respeitar.

Tudo funciona sem o seu input. Porque há uma Estrutura que já definiu tudo e que toma todas as decisões.
Os sucessos são da dita Estrutura. Os insucessos... a Estrutura não está estruturada para responder por estes.

Que treinador aceita trabalhar nestas condições? Que treinador aceita ser só uma figura dentro de uma enorme Estrutura?
Aqueles que têm consciência que estão a competir em um nível muito superior à sua capacidade. Ou então aqueles que não têm estofo para se imporem.

Reflito sobre como esta Estrutura surgiu e como pretende funcionar mas continuo sem a entender num contexto futebolístico. Só vejo cimento, departamento de comunicação, scouting e dirigismo. E conhecimento do jogo jogado?

A dita Estrutura não deveria ser gerida por gente do Futebol? Não deveria haver um core futebolístico à volta do qual toda a Estrutura funcionasse?

É isso que não percebo na dita Estrutura.

Já que nos é vendida a sua existência como algo que guia o clube 10 anos à frente de qualquer outro, o que eu gostaria de lá ver era alguém capaz de olhar além do óbvio.
Qualquer adepto, qualquer Calado e qualquer Rui Santos, é capaz de dizer que um treinador é insuficiente quando a equipa se encontra a perder.

A equipa ganha então está tudo bem. A equipa perde então está tudo mal.

O que queria ver no Benfica era alguém capaz de ver as insuficiências de um treinador em pleno treino. Alguém capaz de ver a qualidade do treinador numa maré de derrotas. Alguém capaz de perceber a incompetência de um treinador mesmo numa sequência de vitórias.

Tem de existir na Estrutura tenha Visão para o jogo. Quem reaja, com 6 meses de antecedência, como os adeptos reagiram após o jogo com o Moreirense.

Um treinador não passa de óptimo a péssimo de um jogo para outro. Há um caminho que é percorrido jornada após jornada, treino após treino.E este caminho, este trabalho, não parece ser criticamente acompanhado e avaliado pela dita Estrutura.

Olhamos para o nosso Benfica. Todos conhecemos o nosso clube e como este é gerido. Há anos que o observamos. Há anos que o vivemos.

Se o Rui Vitória tem um papel menor na Estrutura, se o Nuno Gomes foi corrido, se o Rui Costa é pouco mais que uma mascote do presidente paga a peso de ouro, quem é que ali analisa o trabalho diário da equipa principal? Quem é que ali analisa o que de 3 em 3 dias se desenvolve nos relvados nacionais e internacionais?

É o Vieira? Um presidente que nunca percebeu nada de bola?
É o Domingos Soares de Oliveira?
É o José Eduardo Moniz?
É o Nuno Gaioso?
É o Silvio Cervan?
É o Paulo Gonçalves?
O Jorge Mendes?
O Luís Bernardo?
O Tiago Tacho Pinto?
Os cartilheiros Guerras, Boaventuras, Marinhos e afins?

Alguém que por favor me explique esta Estrutura. Por mais voltas que dê não vejo nela mais que uma ideologia forçada em resposta à omnipotência do anterior treinador.

Nela não vejo mais que uma forma enviesada dos méritos serem conduzidos à imagem do presidente.

Porque de futebol ali dentro? Estamos demasiado carentes. 


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Os Nossos Ferem-nos e os Outros Aproveitam-se


O que se está a passar no nosso Benfica é vergonhoso. Aliás, há anos que o é.

Esta pessoas que andam no futebol acham que nada lhes toca. Que o Futebol é um mundo à parte.

E até parece ser. Porque o cidadão João não é a mesma pessoa que o adepto João. A cidadã Maria não é a mesma pessoa que a adepta Maria.

No Futebol onde deveriam imperar os mais altos valores de desportivismo, respeito, solidariedade e camaradagem, neste mundo olhado e seguido por milhões e que devia ser um exemplo de comportamento para todas as crianças, é onde todos largam toda a educação e valores segundo os quais cresceram.

O que importa são as cores. As cores definem quem é o bom e quem é o mau. Não são os seus comportamentos. Não é a pessoa em si.
Se é da nossa cor é dos nossos. Se é dos nossos é dos bons. Se não é dos nossos é dos maus.


O futebol português é uma guerra de clubites onde os cidadãos se estragam, os clubes se arruínam, as pessoas se magoam e os dirigentes aparecem para recolher os espólios.

O sentimento de impunidade que existe nos clubes é alimentado pela existência de milhares de adeptos que vivem mais a guerra de clubes do que o desporto em si.

Os adeptos largam dos seus valores, da sua cidadania, dos valores que fundaram o clube, para darem a cara por um dirigente sobre quem nada sabem, para se sacrificarem por alguém que os usa como escudo em proveito próprio e que não se coíbe de lhes mentir, manipular e enganar.

O que se passa dentro do Benfica é vergonhoso, foi permitido e motivado pelos seus adeptos e assim o continuará a ser.

Porque ao adepto benfiquista importa mais o Porto e o Sporting do que o próprio Benfica. Tal como acontece em todos os outros clubes.


Somos gente que não percebe que quem faz mal ao nosso clube é quem lá anda dentro. Os nossos dirigentes ferem-nos e os nossos rivais desfrutam dessas feridas.

Vamos continuar todos a ser intoxicados pela comunicação oficial e oficiosa da Direcção do nosso clube? Vamos continuar a assobiar para o lado? A permitir que lesem o clube que amamos? A permitir que nos enganem?

O futebol irá melhorar quando os adeptos deixarem de estar de costas para o seu clube. Passamos tanto tempo a apontar o dedo e a olhar para os outros que não nos apercebemos que entretanto virámos as costas ao nosso amor.

Os benfiquistas têm de resolver o problema que têm em casa. Todos estes processos e suspeições têm de ser analisados, visados e valorizados pelos benfiquistas. Estamos a falar da nossa casa.

Os sportinguistas têm de lidar e enfrentar o que o antigo presidente deles lhes fez e o que o processo Cashball indicia.

Os portistas já há muito deveriam ter reconhecido o que se passou na altura do Apito Dourado e retirado consequências disso.

Mas todos, todos sem excepção, só se preocupam com a casa dos outros, bem manipulados pela comunicação criminosa dos seus dirigentes.

Hoje a Comunicação de um clube serve apenas um propósito: Alimentar os seus adeptos com mentiras para que estes travem as guerras dos dirigentes e ocultem o que de grave vai na sua casa.

Em todos os clubes os adeptos invocam ser Diferentes. Constantes frases do género “Se acontecesse no meu clube agiríamos de forma totalmente diferente”. Mas depois todos agem de forma igual. Todos.

O Ministério Público avançou com uma acusação gravíssima contra o nosso clube - o E-Toupeira.
Qual a reacção de muitos e muitos adeptos benfiquistas?

Uns falaram sobre o sorteio da Liga sem realmente estarem interessados em saber a verdade sobre o assunto.

Outros desataram a reproduzir algo que um candidato à presidência do Sporting disse. Reproduzir e deturpar.

Outros irão falar do penalty mal assinalado por falta do Yebda sobre o Lisandro.

Incomoda demasiado. Dói demasiado. Envergonha demasiado lidarmos com os nossos problemas. E tudo continuará esta merda. E o Benfica continuará sem ser defendido. E todos continuarão a ser iguais.

E não, não é verdade que tomos somos inocentes até prova em contrário.

Somos de um clube num país onde mais de metade da população veste a nossa camisola.
Temos uma Direcção que ao longo destes anos tem promovido as boas e próximas relações com várias pessoas e cargos de poder.
Temos um presidente que é o maior apoiante do presidente da Federação, tal como andou a segurar o guarda-chuva ao Oliveira.


E o que dizemos? Contra tudo e contra todos.

Os rivais estão contra nós.
Os restantes adversários estão contra nós.
A Liga está contra nós.
A Federação está contra nós.
A PJ está contra nós.
O Ministério Público está contra nós.
O Governo está contra nós.
Os Tribunais estão contra nós.
A Constituição está contra nós.
A Uefa está contra nós.
A FIFA está contra nós.
A UNICEF está contra nós.
Os Direitos Humanos estão contra nós.
O Vaticano está contra nós.

Está tudo contra nós.


“Contra tudo e todos” – Diz o adepto benfiquista e também o sportinguista e também o portista. Dizem todos.
Não somos diferentes. Pelo menos não o demonstramos.

Preocupemo-nos em cuidar da nossa casa, em curar as nossas ferias e em respeitar o nosso clube. Quando o fizermos os nossos rivais não terão sangue nosso para chafurdar.

Aí sim seremos superiores. Seremos melhores. Seremos novamente Gloriosos.

Esta acusação do MP envergonha qualquer ponta de benfiquismo.

No Benfica que eu sonhava enquanto criança não havia lugar a situações destas e muitos menos a tamanho desinteresse dos seus adeptos.


Eu enquanto aluno que fui, trabalhador que sou, cidadão deste país e do mundo, adepto e sócio deste clube que amo e pai que pretendo vir a ser, não posso nunca ser cúmplice deste tipo de trampa só porque é cometida por gente que se esconde por detrás das cores que eu envergo.

Não há cimento, não há vitórias e não há chavões que se sobreponham ao Sport Lisboa e Benfica.

E por aqui me fico.



sexta-feira, 22 de junho de 2018

Parabéns, Excelentíssimo Senhor Presidente!



Hoje não é um dia qualquer para o Universo Benfiquista; hoje é o dia mais importante do ano - sim, ainda mais do que o 28 de Fevereiro porque se este 22 de Junho não tivesse existido o Benfica também já não existiria.

Este é o dia que marca assim o nascimento do Salvador Glorioso, o Excelentíssimo Senhor Presidente Luís Filipe Vieira. O homem que sozinho elevou o clube a um patamar de excelência empresarial só ao nível das grandes multinacionais do planeta. Hoje a Marca Benfica bate-se taco-a-taco com as Coca-Cola, os McDonald's, as Primark, as Lojas do Gato Preto, as Papelarias Fernandes, os Calçados Guimarães, as sanitas Roca.

De visão futurista, inovadora e original, Luís Filipe Vieira completa hoje 69 gloriosas primaveras. O mínimo que podemos sugerir como prenda de aniversário é a mudança de nome da Catedral para Estádio Luís Filipe Vieira, a mudança do  lema do símbolo - de "E Pluribus Unum" para "Se não tivermos 300.000 sócios em 2004, demito-me!" - e a mudança do nome do clube: Sport Vieira e Benfica. No Museu já não será necessário fazer alterações porque o gigante V que o adorna já sugere decentemente a homenagem devida.

Parabéns, Grande Presidente! E obrigado pela dedicação e paciência com que todos os dias passa pelo menos 6 horas a enviar sms pessoais aos aniversariantes benfiquistas. Hoje terá de enviar uma a si próprio, assim como ler a sua autocitação que colocou no nosso lindíssimo Caixa Futebol Campus 💕

terça-feira, 6 de março de 2018

Seriedade

Desde há muitos anos a esta parte, com maior ou menor disponibilidade laboral e pessoal para expressar as minhas ideias, que uma das batalhas que venho travando é a luta pela existência de um conjunto de figuras idóneas, sérias e honestas a dirigir os destinos do Sport Lisboa e Benfica. E se em várias ocasiões não me coibi de apontar o dedo a Luís Filipe Vieira e à trupe da qual se rodeou, foi precisamente por não confundir quem está a servir (ou a servir-se) (d)o Benfica daquilo que é a matriz e os valores do maior clube português.

E se a presunção de inocência é um direito importante que assiste a todos os indivíduos, não é por existir que nos devemos esconder atrás dela para não analisar criticamente os indícios preocupantes de actividades ilícitas praticadas por este conjunto de pessoas pouco recomendáveis que dirigem o Sport Lisboa e Benfica. Infelizmente, é mesmo assim: o Benfica é dirigido por um grupo de pessoas pouco recomendáveis, em nada melhores ou moralmente superiores aos dirigentes de Sporting ou FC Porto.

O Benfica, o meu Benfica, não é e não pode ser o refúgio ou protecção para a prática de actos ilegais. Que sejam investigados até ao tutano. E que se forem culpados, que seja a Justiça a fazer aquilo que os adeptos do Benfica já deviam ter feito há muito tempo: correr com esta gente que arrasta o nome do Benfica para a lama.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Voz ao Sabor do Vento

Já passou um ano desde a grande entrevista que o actual presidente do Benfica deu na TVI.

Não sei se está para vir aí outra ou se, como a época começou como começou, a coisa ficou adiada para uma altura mais calma.

Já sei que, segundo o próprio, Luís Filipe Vieira não se esconde! Não se esconde nem recolhe os louros.

A entrevista do “Não dou pontapés na bola” e do “Não posso ser responsabilizado pelos resultados desportivos” após a época do Jorge Jesus em que perdemos tudo no final, não aconteceu.

A entrevista/culto ao presidente ainda nos festejos do tricampeonato também não aconteceu.

A entrevista/homenagem no inicio da época do tetra também não aconteceu.

Ainda na AG o Vieira atirou aos sócios que nem sequer deu entrevista nenhuma após sermos tetracampeões. É verdade sim senhor. Esqueceu-se foi de dizer que a entrevista foi marcada e consecutivamente adiada porque surgiu o “escândalo dos mails”.

Inocente estava eu à espera de uma entrevista em Setembro. Não vencemos jogos suficientes para isso.

Seja como for, e voltando ao que me trouxe aqui, vim só deixar um lembrete a todos os meus companheiros de Benfica, a todos os sócios e adeptos do clube.

Se Vieira falar não liguem muito. Não se iludam. Não percam tempo a acreditar e a discutir o assunto.

No Benfica temos um presidente demagogo que diz aquilo que acha que o povo quer ouvir.

Em Setembro de 2016 dissertou sobre como o Seixal era o presente da equipa principal.
Vieira falou que o Benfica tinha no Seixal os reforços para todas as posições – só mesmo na posição de ponta de lança é que havia algumas lacunas.

Vieira afirmou que o Benfica só iria ao mercado em raras excepções.

Um ano depois temos:

Pedro Pereira

Hermes
Filipe Augusto
Simón Ramírez
Daniel dos Anjos
Keaton Parks
Alan Jr.
Lytvyn
Matheus Leal
Thabo Cele
Fali Candé
Alex Pinto
Igor Rodrigues
Willock
Arango
Salvador Agra
Douglas
Patrick
Seferovic
Matos Milos
Chrien
Svilar
Gabriel Barbosa
Krovinovic

Contando com a recompra do passe do Varela e do Rebocho, estamos a falar de 25 jogadores.

Um plantel inteiro no espaço de um ano.

Atenção. Com isto não estou a discutir a qualidade dos reforços nem a necessidade deles. Com isto não estou a discutir a qualidade dos negócios nem a necessidade de contratações.

Com isto só estou a relembrar que temos um presidente que constantemente nos tenta fazer de idiotas, de fantoches que só servem para votar e pagar.

Só estou a relembrar que quando ele falar não vale a pena dar importância e muito menos acreditar.

Quando quisermos brincar com areia… Há castelos à espera de serem construídos por essas praias fora.




sábado, 30 de setembro de 2017

Dez ideias sobre a Assembleia Geral de 29 de Setembro de 2017

Assembleia Geral do Benfica no final dos anos 90

1. Cerca de 2000 adeptos disseram "presente" naquela foi a mais concorrida Assembleia Geral (AG) do clube nos últimos largos anos. Ainda que parte da "movida" se deva aos recentes maus resultados da equipa de futebol, não deixa de ser um sinal de importante vitalidade de um clube que é tetracampeão  e no qual os adeptos não parecem acomodados. Surpreendente sinal de militância.

2. Sobre o Relatório e Contas em si não serei seguramente o mais indicado para o apreciar. São páginas e páginas de números, siglas e gráficos que não domino e cujo entendimento penso só estar ao alcance de quem estuda ou estudou nas áreas de Economia, Gestão ou Finanças. Ainda assim, partilho da preocupação de um consócio que sublinhou o facto de o passivo ter descida apenas 11 milhões de euros em 4 anos, precisamente os anos de maior sucesso desportivo e de maiores vendas. Quando o sucesso desportivo terminar e as vendas escassearem, que rumo tomaremos?

3. O voto electrónico acelera significativamente um processo que já estava para lá de obsoleto com os velhinhos membros da Mesa da Assembleia Geral a contarem os votos por papelinhos no ar a 50 metros de distância. Porém, numa AG onde o som e o sentimento de descontentamento eram tão grandes, ficou no ar a sensação de que o Relatório e Contas foi aprovado com estranha facilidade. Mais: foram publicamente divulgadas as percentagens de voto (Sim - 61.38%, Não - 29,25%, abstenção - 9,37%) e na própria AG o número de votos em cada uma das opções, mas não foi divulgado o número de sócios que votaram em cada uma delas. Talvez houvesse aqui uma surpresa desagradável e que deveria fazer repensar o sistema que chega a atribuir 50 votos a um sócio.

4. Luís Nazaré e Virgílio Duque Vieira, respectivamente presidente e vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG) do Sport Lisboa e Benfica, têm de se demitir. O primeiro por, em exercício de funções, faltar à Assembleia Geral do clube para estar no jantar de encerramento da campanha autárquica do Partido Socialista em Lisboa, onde acumula o cargo de presidente da MAG da Junta de Freguesia de Alvalade. Se estar no jantar de campanha é mais importante que estar no exercício das funções para as quais foi eleito, não deve continuar a acumular um cargo que não está disposto a desempenhar. O segundo por, numa altura em que o ambiente já se encontrava mais "quente" fruto de intervenções críticas mas construtivas para com a Direcção, ter a brilhante ideia de ter acendido o rastilho de pólvora numa atitude de prepotência que em nada dignifica os valores do Sport Lisboa e Benfica.

5. A qualidade das intervenções. Surpreendeu-me. Muitos e bons sócios intervieram com discursos críticos mas estruturados e construtivos sobre o momento desportivo em campo, sobre a estratégia comunicacional do Benfica e sobre o reconhecimento que tanto jogadores como Direcção têm para com os adeptos, sobretudo os que percorrem quilómetros atrás de quilómetros para ver a equipa seja no Bessa ou em Basileia.

6. As presenças, mas também as ausências, são sempre notadas. De realçar que depois de todo o alarido gerado, Rui Gomes da Silva faltou a um momento importante da vida do clube. Também Rui Rangel, antigo candidato a presidente do Benfica. Gostava de ter visto Gaspar Ramos. E Nuno Gomes. E que Rui Costa saísse da zona de conforto que é a sombra da parede do pavilhão. Mas também gostava de ter visto outras caras. Como Pedro Guerra, que preferiu esconder-se em vez de ser submetido ao escrutínio dos sócios. Ou Manuel Damásio, que anda de braço dado com o actual presidente. Há companhias com as quais nos damos mas que por vezes é melhor nem apresentar à família, não é?

7. A postura de Luís Filipe Vieira numa AG não é condigna com a de um presidente do Benfica. Não pode estar sistematicamente agarrado ao telemóvel a enviar mensagens nem pode estar reclinado na cadeira numa pose digna de um aluno desafiante numa sala de aula ou de um indivíduo num jantar com amigos num tasco. Mais ainda, a conversa do "pé descalço" e do "sacrifício pessoal e familiar" é para inglês ver. Quem era Vieira antes de chegar ao Benfica? Algum dia atingiria a projecção mediática e o estatuto social e financeiro sem ser através do cargo que ocupa no Benfica? Algum dia, sem ser através do Benfica, conseguiria chegar à lista dos 100 portugueses mais ricos? Não admito esta estratégia de vitimização pessoal da parte de alguém que já retirou, para a sua vida pessoal, muitos e bons dividendos à custa do cargo que ocupa.

8. As respostas dadas pelo presidente surpreenderam-me em parte. Não esperava tamanha abertura e sinceridade, dentro daquilo que consegue, na abordagem a alguns dos temas (que foram leakados para a comunicação social e que são agora do domínio público). No entanto, continuam a faltar respostas a muitas questões pertinentemente levantadas nesta e noutras AGs: que trapalhada é esta na história dos emails, existem ou não, constituem forma de coacção e são enviados por iniciativa ou a mando de quem; a que propósito o novo director da comunicação do clube, Luís Bernardo, foi contratado, tendo sido ele responsável pela sabuja campanha de perseguição a Renato Sanches quando liderava a comunicação do Sporting; como é possível Domingos Soares Oliveira ter direito a 50 votos, correspondentes a mais de 25 anos de filiação, sendo sportinguista assumido e estar há pouco mais de 10 anos no clube; Pedro Guerra continua ou não director de conteúdos da BTV; que sociedades são a Identiperímetro e a Red Up Sports.

9. "Deixem-me dizer uma coisa para um sócio que disse para eu pedir a demissão. Eu vou estar cá muitos e muitos anos.". E este é outro problema. Luís Filipe Vieira não "é" presidente do Benfica. Luís Filipe Vieira "está" presidente do Benfica. E a menos que promova um golpe estatutário no qual inviabilize a realização de eleições, terá de se submeter sempre ao escrutínio dos sócios para continuar a "estar" presidente do Benfica. Mas o actual presidente não deve nada à matreirice e como sabemos já se blindou com novos estatutos que inviabilizam muitos putativos candidatos. Este é só mais um dos motivos essenciais a uma revisão estatutária que, mais que partir da vontade e iniciativa dos sócios, deveria partir da Direcção a bem da transparência e da democracia participada no Benfica.

10. As Assembleias Gerais são para os sócios e o conteúdo das mesmas, não devendo ser alvo de secretismo, qual reunião maçónica, deve dentro de certos limites permanecer dentro daquelas quatro paredes onde foi discutido. Por outro lado, espero que, nos próximos dias, aquilo que virem escrito ou as imagens capturadas sirvam de estímulo para continuarem ou iniciarem as vossas participações vida activa do clube. Haja mais Assembleias Gerais assim. Devem continuar a ser vividas, como a de ontem, com adesão em massa.

sábado, 23 de setembro de 2017

Sem crise, momentos.

Benfica 3 – 1 Vitória de Guimarães
Benfica 3 – 1 Braga
Chaves 0 – 1 Benfica
Benfica 5 – 0 Belenenses

Não há dúvidas que a pré-época foi um susto.

Um susto para todos aqueles que entoavam virtudes da estrutura e da equipa técnica.

Um susto para todos aqueles que já temiam que os defeitos disfarçados de quem lidera o nosso futebol ficassem descaradamente visíveis ao olho desarmado.

Um susto que levou a um sentimento de alivio e empolgação no arranque oficial desta época.

4 vitórias mudam muita coisa. 4 boas prestações ainda mais.

Até em Chaves, onde o golo surge já em tempo de compensação, vimos um Benfica a fazer o seu caminho.

Contudo o entusiasmo do arranque esbarrou na dura realidade da continuidade.  

Rio Ave 1 – 1 Benfica
Benfica 2 – 1 Portimonense
Benfica 1 – 2 CSKA
Boavista 2 – 1 Benfica
Benfica 1 – 1 Braga

5 jogos. 4 maus resultados. Uma vitória paupérrima. 5 maus jogos.

Parece que passada a excitação inicial dos nossos e os temores tácticos e mentais dos outros, tudo começou a mudar.

Parece que com o passar dos treinos e dos jogos, o real valor das equipas começa a emergir. Umas melhoram. Outras pioram.

O que andamos agora a ver neste Benfica é uma consequência lógia de erros, incompetência e bazófia.

Sabemos mais do que andar a achar que a estrutura do Benfica está 10 anos à frente da dos rivais.

Sabemos mais do que considerar que o Rui Vitória é um excelente treinador.

Também sabemos mais do que começar já a falar em crise.

Mau momento? Sim.
Expectável? Sim.
Lógico? Sim.

Crise? Não.

Somos Benfica e a nossa força vem de muitas e diversas fontes.


Benfica – Paços de Ferreira

Hoje é o dia de dar o pontapé no mau momento. No mau trabalho. No mau futebol.
Não há cá temores. É jogar futebol.

Hoje é para ganhar. Ganhar convictamente. Ser superior e encostar o adversário. Impormos o nosso jogo. Libertarmos a nossa criatividade. Dar asas aos génios. E fazer um jogo totalmente incontestável.

Hoje é dia de manifestar força.

Isto de marcarmos e pararmos de jogar até o adversário empatar não tem defesa possível.

 “Quem marcar ganha” aplica-se noutros campos, noutros contextos, noutras festas.

A época vai ser dura e o calendário vai já já voltar a apertar.

É hoje lançamos os próximos jogos.

Basileia – Benfica
Marítimo – Benfica

(Interrupção)

Benfica – Man Utd
Aves – Benfica


Quero, queremos, um Benfica à Benfica.


É que não há nada mais lindo que o vermelho e branco. ~