- Contrata-se um jogador. Esse jogador faz a época inteira a titular, relegando para suplente um campeão do Mundo. Em Janeiro, de tão satisfeitos que estavam com o jogador, nem a Direcção nem a equipa técnica acharam necessária a compra de outro jogador para a função. Acaba a época, o titularíssimo Emerson é dispensado - nem direito tem a fazer parte do grupo que estagia no estrangeiro.
Alguém - só quero respostas dos verdadeiros benfiquistas, daqueles que apoiam muito na blogosfera e que sempre disseram que o Emerson era um bom jogador e que os críticos se calassem de uma vez por todas - me pode explicar a razão pela qual estamos a desperdiçar todo este talento?
E, já agora: antes ele era bom e agora já é mau? Ou ele sempre foi mau e ninguém no Benfica o viu? Ou ele sempre foi mau, todos viram mas acharam que era melhor arriscar uma época inteira para não se mostrarem fracos? Um verdadeiro benfiquista que apareça. Alguém que não um dos "Iluminados" que há um ano já dizia que Emerson era uma valente merda.
- Às críticas que fazíamos a Gaitán - não ao talento que tem, que é evidente, mas à fraca prestação defensiva que oferece à equipa quando encostado a uma ala -, os verdadeiros benfiquistas respondiam-nos de forma irónica: "pois, tu é que sabes, o Ferguson anda louco por ele, mas tu é que conheces o valor do Gaitán". Há nesta frase - que nos foi lançada vezes sem conta por essas caixas de comentários - vários pontos interessantes (Devante, um abraço):
- O facto de uma pessoa criticar a atitude de um jogador (geralmente, por ser displicente e com pouco espírito colectivo do jogo) não significa que esteja a dizer que o jogador é mau ou que não tem mercado. Eu sei que esta explicação pode parecer absurda, de tão óbvia, mas com os verdadeiros benfiquistas precisamos mesmo de dizer as coisas todas muito bem explicadinhas para ver se eles entendem.
- Um jogador pode não estar ao seu melhor nível num clube mas ser alvo de cobiça de outros clubes - basta que para isso se identifique talento. Ora, Gaitán tem talento, logo é natural que haja interessados em tê-lo nas suas equipas. O que não exclui a ideia - para nós, facto - de que Gaitán está a ser desaproveitado no Benfica. E afinal, o jogador que desde Janeiro estava prometido a Ferguson (que andava doidinho com ele), continua a jogar com a camisola do Benfica.
- Algum dos verdadeiros benfiquistas poderá dizer-nos quando será a hora de Gaitán sair e deixar nos cofres os tais 30 milhões de euros com que encheram a boca um ano inteiro, louvando a extraordinária capacidade de "rentabilizar jogadores" que o nosso grande líder possui? É que ando com medo que antes dele vá outro. E esse é que não pode mesmo ir.
(desta vez, caso esporádico, aceitamos insultos e tudo. Mas tragam com eles uns argumentos também. Pelo verdadeiro benfiquismo)
Recebemos um texto do Bcool. Bem sei que o finalista vencido em princípio não tinha direito a publicar no blogue mas, por uma questão de justiça - já que a final foi rasgadinha - e porque o assunto merece reflexão (mais ainda), decidimos conceder-lhe este bónus. Por isso já sabem: insultos é favor dirigirem-se ao rapaz e não a qualquer membro deste blogue. Obrigado.
«O jogador esforçado
A qualidade dos plantéis
do Benfica melhorou muito face a um passado não muito recente, pelo que o
grau de exigência aumentou significativamente, ou seja, é com
dificuldade que aceitamos gajos como o Luis Filipe, esforçado, bom
profissional, não cria problemas de balneário, mas manifestamente um pé
de chumbo, ou um gajo com tijolos nos pés, ele que na sua juventude era
um 10 prometedor.
Seja como fôr, Luis Filipe nunca recolheu as
preferências do Tribunal da Luz, porque independentemente dos seus
predicados, ao pé de jogadores como Aimar, di Maria, Gaitán, Saviola,
Coentrão, Javi, David Luiz, Ramires, Cardozo. Luisão, Salvio, Maxi
Pereira, enfim era sempre uma segunda escolha, assim como o foram
Airton, Kardec, Éder Luis, César Peixoto, Ruben Amorim,
independentemente de jogarem sempre que o Benfica necessitava da sua
participação.
Felizmente que este ano entraram jogadores como Artur,
Garay, Witsel, Rodrigo, Nolito, Nelson Oliveira, Bruno César e Matic,
sendo que apesar destes 3 últimos terem mais dificuldades em se
afirmarem, têm também qualidades óbvias que poderão ser aproveitadas e
potenciadas pelo treinador.
Há quem diga que também Emerson se deve incluir neste
rol por ser um jogador esforçado, humilde, bom profissional,
persistente, que não levanta problemas, com boa capacidade física (ao
invés do Capdevilla que apesar da qualidade óbvia continua a apresentar
limitações físicas) e um jogador certinho. Eu só não concordo com esta
apreciação de certinho, porque são muitas as falhas durante os jogos,
independentemente das consequências (com Garay atrás e Javi ao meio, e
mesmo com Nolito à frente, a equipa consegue anular normalmente os
desequilíbrios por ele criados).
Ora então analisemos isso do jogador esforçado, com boa capacidade física e que não levanta problemas.
Uma
das minhas primeiras recordações de jogadores esforçados é a de Álvaro
Magalhães, a quem eu e o meu pai tratávamos por calhau. O Álvaro era um
jogador esforçado, com boa capacidade física e nunca levantou problemas
no balneário. Ora se Álvaro servia para o Benfica, porque razão não
serve o Emerson.
Em primeiro lugar, o Álvaro tinha uma garra que o
Emerson não tem. Em segundo, tinha uma capacidade física muito grande,
fazendo piscinas atrás de piscinas. Em terceiro, jogava atrás dum
predestinado, o Pequeno Genial, sendo para ele o parceiro ideal, tanto
nas movimentações, como assegurando a disponibilidade física para que
chalana não tivesse que defender. Aliás, com a saída do Pequeno Genial
para França, o papel do Álvaro no Benfica perdeu importância tendo que
disputar a sua posição com o Veloso, o Fonseca, etc.
Será que Emerson pode ser comparado com o Álvaro, eu acho que não, o jogador que mais se assemelha com o Álvaro é o super-Maxi.
Também
há quem afirme que o Luisão quando chegou era um cepo sem condições
para jogar no Benfica. Eu lembro-me da estreia do Luisão contra o
Belenenses, no Estádio Nacional contra o Belenenses. Luisão marcou na
estreia, fez o 3-1, mas infelizmente foi um dos responsáveis pelo
inenarrável empate que concedemos nos descontos. Eu jogava na Liga
fantástica, celebrei pelo golo do Luisão, pois eram logo 4 pontos só
pelo golo e depois os 3 golos sofridos, bem como a não vitória acabaram
por me fazer uma mossa terrível numa equipa com uma defesa à Benfica.
Apesar das dificuldades de adaptação iniciais, Luisão pegaria de estaca
na parte final do campeonato e ajudou a levar o Benfica à vitória na
Taça sobre o Porto do Mourinho. No ano seguinte como titular
indiscutível ao lado do Ricardo Rocha seria campeão.
A questão é que o Luisão trouxe algo de único para o
Benfica, uma envergadura extraordinária que fez mossa nas defesas
contrárias e que ajudou a evitar muitos lances de perigo, em especial
nas bolas paradas. Luisão tem limitações, conhecendo-as, joga de forma
fácil, utilizando os seus pontos fortes e tem melhorado em termos
técnicos, nomeadamente ao nível do passe, embora continue limitado em
termos de velocidade. Será que se pode comparar o actual Emerson, com o
antigo Luisão?
Não me parece, pois o Luisão trouxe ao Benfica, algo
verdadeiramente diferenciador em termos de campeonato nacional. Mais
ainda, Luisão fez uma primeira metade de época com poucos jogos, na
verdade, dos 34 jogos, apenas jogou em 15, dos quais 7 nas últimas
jornadas. Até se adaptar ao futebol português, Luisão penou no banco e
na bancada, não foi titular de caras. Luisão veio directamente do Brasil
aos 22 anos, onde tinha feito a primeira metade da época, em nada se
pode comparar com alguém que veio do campeão francês aos 25 anos, onde
fez 5 épocas.
Emerson, tal como Roberto, tal como César Peixoto ou
Luis Filipe é um mal amado do tribunal da Luz, porque não tem qualidade,
porque com 25 anos, fará 26 na semana do Carnaval e depois de 5 épocas
na Europa, o seu potencial de desenvolvimento é reduzido.
Tacticamente melhorou, pois já não carrega para cima do ala quando
este deriva para dentro, abrindo o flanco ao contrário do que fazia no
início do ano.
Mas Emerson é incapaz de fazer uma finta. Os
seus centros são invariavelmente mal direcionados, registo que na Rússia
podia ter somado a segunda assistência da época, mas por cada centro
bem feito, soma 10 mal feitos (sendo benévolo).
Quando vai à frente, não tem capacidade de recuperação, aliás mesmo
estando ao lado do adversário, como foi o caso do Candeias, é batido em
velocidade, hipotecando o Garay ou o trinco, obrigando ao
desposicionamento da defesa.
Mas pior que isso, continua tacticamente limitado, pois chegou ao
cúmulo, como foi o caso do segundo golo dos russos, de ir atrás do
central em vez de ir compensar. Aliás, quando sobe e vê o adversário
pela frente, roda para o meio e faz péssimos passes para o trinco,
levando este normalmente a perder a bola devido à pressão dos
adversários.
Em resumo, é lento, não tem arranque, é tacticamente
limitado, é tecnicamente muito limitado. É esforçado, tem resistência
física, é bom profissional e não cria problemas no balneário, aguentando
bem as críticas de que é alvo. Mas será que isso chega ?
O Rojas era esforçado, o Minto era esforçado, o Pembridge era
esforçado, até o Bruno Basto era esforçado. Mas será que isso chega ?
É esse o vosso nível de exigência ?
Eu
tenho a certeza que todos nós seríamos esforçados, quer pelo facto de
sermos pagos a peso de ouro (quem enjeitaria o ordenado do Emerson), mas
acima de tudo por estarmos a defender o Benfica. Espero que vocês
tivessem a consciência, como eu tenho, que ao jogar prejudicaria o
Benfica e como tal pediria para não jogar a não ser nos últimos minutos
quando o jogo já estivesse resolvido.
Emerson, falo para ti que lês este blog. Pede ao Jesus
para não jogares. Senão o fizeres e continuares com essas pobres
exibições asseguro-te o seguinte, em campo, como qualquer jogador que
enverga a gloriosa camisola do Sport Lisboa e Benfica, serás apoiado,
mas na net, não deixarei de te criticar, de criticar o Jesus por te
utilizar e de exigir da direcção que arranjem um lateral esquerdo em
condições para a próxima época.»
Primeiro golo: Aimar perde uma bola na zona central. Em vez de iniciar a pressão, decide ficar parado a reclamar com o árbitro. Mudança de flanco, bola para Hulk. Emerson - o tal que serve para ser titular a época inteira - marca com olhos. Golo.
Segundo golo: Gaitán - o tal que tem de ser mimado, caso contrário o menino amua e não joga nada -, pela milionésima vez esta época, arrisca em zona crucial, perde a bola e lança contra-ataques adversários. Golo.
Quando há uns meses, enquanto vitórias iam acontecendo, falámos de Gaitán e Emerson como perigos para o que restava da época, o chorrilho de asneiras e insultos caiu sobre este tasco. Gente que vive os jogos pelo lado errado: vê resultados, não vê mais nada. Não sabe ter uma atitude crítica em relação a um jogo, mesmo que seja um jogo de 5-1.
Jesus também não vê problemas nenhuns com a forma de jogar destes dois jogadores, visto que são seus titulares indiscutíveis. Um pode muito, mas não quer, goza com adeptos, colegas e clube. Outro luta muito, mas não pode, é fraco, não serve para o Benfica. Dois cancros numa equipa são tudo o que é preciso para a desgraça quando os adversários - como se sabia que ia acontecer nesta fase da época - são de outra qualidade e sabem aproveitar os erros destes dois indivíduos.
Esteve lá sempre. Jogo após jogo. Jogada após jogada. Fraca qualidade do Emerson (em tudo!), displicência e perdas de bola infantis do Gaitán.Mas não. Importava apoiar. Como se eu andar a gritar para um cego "vai, caralho, eu acredito em ti, vê, vê" o cego, por obra e graça do espírito santo, vai miraculosamente começar a ver.
Não é aceitável perder 8 pontos em 9 em três jornadas cruciais para o campeonato quando tínhamos 5 de avanço antes delas. Não é possível aceitar isto, por mais voltas que sejam dadas. Falem das arbitragens, do tipo de relvado, do azar, da fealdade dos jogadores adversários, do clima, do Gomes, do Oliveirinha, da fruta e seus derivados. Mas falem também da incapacidade desta equipa para lidar com a pressão. Falem também de Jesus que, de tão mestre da táctica, ontem levou um banho de um treinador ridículo. Falem na Direcção e a sua total incompetência para conquistar sucesso desportivo. Falem em quem dirige o clube e a sua nula capacidade para gerar um espírito de guerra e superação contra os corruptos.
Sejam críticos. Pensem pela vossa cabeça. Olhem para lá dos momentos esporádicos de bom futebol. Vejam para lá do que vos dizem. Leiam mais. Dediquem menos tempo a dizer frases vazias de sentido. "Agora temos de apoiar" - que sentido tem isto? "Agora"? Sempre! Apoiamos sempre. Mas apoiar não é meter a cabeça na areia e não ver o que os sinais fazem adivinhar. Apoiar não é dizer bem de tudo o que se faz no Benfica para "não desmotivar". Parecem o Jesus com o Gaitán: "precisa de carinho". Não, do que o Gaitán precisa é de um treinador que o cuspa todo quando faz merda. Precisa de um líder que lhe explique que o que ele faz em campo é vergonhoso. Precisa de sentar o cu no banco até entender conceitos básicos de futebol. Ou então vendam-no. O Ferguson fará dele o jogador que o Jesus nunca conseguirá fazer.
Com menos um jogador, Jesus decide não reforçar a equipa, deixando Gaitán - esse portento defensivo! - como lateral-esquerdo. Jesus teima muito, Jesus vê o futebol de forma caótica. É ele próprio que nos avisa disso mesmo quando afirma coisas tão absurdas como "não dou especial atenção ao processo defensivo, quero saber mais do lado ofensivo". Isto é muito estúpido. Isto é mesmo muito imbecil. Em 2012, pensar desta forma dá nisto: goleadas em jogos fáceis, derrotas em jogos difíceis.
E, pelo trajecto de 3 anos de Jesus no Benfica, já se percebeu que o homem não evolui. É aquilo, não dá para mais. Mas, como gosta de atacar (e não liga muito ao processo defensivo), é um deus na terra. Mau era o outro que era um cobardolas. Embora tenha disputado um campeonato até ao fim com um plantel que nem metade da qualidade deste tinha. É o Benfica e a sua estranha complexidade. Perder este título para o incompetente do Pereira é um selo de incompetência clara de quem nos dirige e treina. E o pior é que ainda há muita gente que ainda não percebeu que com esta Direcção o Benfica nunca voltará a dominar o futebol português. Nas próximas eleições, dêem-lhes mais votos. 90 por cento é pouco.
Campeonato acabou. Taça de Portugal tinha acabado há muito tempo. Taça da Liga é prémio menor. Resta-nos a Champions. O mínimo dos mínimos neste momento, aquilo que se EXIGE ao Benfica e seu treinador, é a passagem aos quartos-de-final. Alguém que explique a quem gere os nossos destinos que, depois de mais uma facada profunda nos nosso corações, os adeptos merecem uma noite de alegria. Lá estaremos para apoiar. Porque é no estádio que se apoia, não atrás de um teclado.
Não gostei de ver a "lesão" do nosso Jonathan. Ou melhor: não gostei de que a sua ausência tivesse sido alvo de algum silêncio suspeito por parte de quem, como eu, tão prontamente sai solícito em acusações ao modo de operar dos representantes do demo. E também não gostei de que a suspeita pudesse ter aparecido. Estaria o rapaz, de facto, muito adoentado? É possível. Enzo Pérez, pelos vistos, também tinha a mãe numa situação periclitante, situação óbvia para um empréstimo de seis meses. Quem somos nós para duvidar de mazelas físicas do nosso pequeno Urretaviscaya? Meros observadores do fenómeno e nem isso, talvez. Mas não gostei do que senti. E espero que no Benfica não se comece a pensar em seguir as pisadas do demoníaco senhor do Mal. Bem sei que é coisa rara jogador do Benfica sofrer destas pequenas convenientes indisposições, especialmente se compararmos com as recorrentes do lado de lá da barricada, mas preciso, tenho, quero reforçar esta ideia: para a próxima, joga magoado, só com uma perna, com 50 de febre, de robe, agarrado a uma algália, de máscara de oxigénio. Mas joga. E, se me permitem um elogio aos pobres coitados do outro lado da rua: o Sporting neste particular é um exemplo.
E agora Parabéns aos nossos atletas Emerson e Gaitán. Ao primeiro, por ser um bravo guerreiro, desejo que tenha tido permissão do Jesus para se ausentar da convocatória; ao segundo, uma dose de humildade e duas de sacrifício. E que nos renda muitos milhões no Verão.
Primeiro golo - Lançamento lateral pelo lado direito da nossa defesa. Maxi pressiona o jogador que recebe a bola, Gaitán o que faz? Está parado. Em vez de estar atento ao movimento do russo que aparece nas suas costas - mais ainda porque Maxi foi pressionar no espaço interior -, Gaitán olha a jogada como se fosse adepto. Quando vê dois jogadores sozinhos em situação de cruzamento, imita uma corridinha. Demasiado tarde.
Segundo golo - Bola nas costas de Emerson - Spalletti, afinal, sabia -, Garay compensa. O que faz Emerson? Em vez de acompanhar o movimento dos jogadores que aparecem nas costas, compensando o espaço do central que ficou vazio, Emerson continua a correr em direcção a Garay e ao jogador que Garay está a marcar. Demasiado mau.
Terceiro golo - Bola nas costas de Emerson - Spalletti, afinal, estava a par -, jogador com tempo e espaço para o cruzamento. Depois um erro inacreditável de Maxi Pereira. Demasiada ignorância e pouca clarividência.
A ver se nos entendemos: o meu Benfica, aquele em que eu acredito e o qual vive dentro de mim, não é o Benfica que se acomoda a vencer, em 10 anos, dois campeonatos. Não é o Benfica que, por ter bons jogadores, me deixa descansado por fazer boas exibições nem é o Benfica que aceita ter um jogador displicente e outro medíocre no onze titular. Não é, de certeza, o Benfica que tem uma treinador que, por teimosia, quer demonstrar ao mundo que pode ser campeão e ir longe na Europa com jogadores desta estirpe. O primeiro, Gaitán, não tem respeito nenhum, nem pelo jogo em si nem pelos adeptos que sofrem por aquele símbolo que ele leva envergado; o segundo é um bravo guerreiro, um trabalhador, mas um jogador limitadíssimo, que não pode, REPITO: NÃO PODE, fazer parte do plantel, quanto mais ser um titular indiscutível.
O meu Benfica é humilde e assume os erros. É um Benfica que, em Janeiro, depois de ver a borrada que fez com o lateral-esquerdo, tem já preparado um plano que resgate um jogador de qualidade inegável para a posição, porque sabe que terá, até ao final da época, jogos em que precisará não de 9 ou 10 bons mas de um onze em que não haja elos mais fracos. Para o Nacional e para o Paços de Ferreira, podemos entrar com 9 ou 10 em campo, que ganhamos, porque somos muitos melhores. Para o Porto e para a Champions League, onde além de grandes equipas há grandes treinadores (que vêem o que os outros não vêem), estamos sujeitos a isto. Não foi por falta de aviso.
O meu Benfica é um Benfica de adeptos exigentes. Não de adeptos que confundem "apoio" com cegueira. Não é o Benfica dos Robertos nem dos Emersons. Não é o Benfica que muitos daqueles que pedem "apoio" ao Emerson, como pediam "apoio" ao Roberto", e pedem "compreensão" para com Gaitán, acreditam. Porque esse Benfica estará sempre mais próximo de não ganhar absolutamente nada. De que vale ter um bom plantel se há falhas evidentes que não são supridas? Não ter contratado ninguém para a lateral-esquerda em Janeiro foi um erro. Um pouco como se tivéssemos mantido Roberto esta época e não tivéssemos ido buscar Artur. Por "apoio", por "compreensão" - no fundo, por parvoíce.
Mas estes adeptos, além de não verem o óbvio, têm outra característica ainda mais interessante: não querem que os outros vejam e digam o que acham. Nem pensar, todos temos de calar perante a sabedoria dos que nos dirigem e treinam. Por muito que vos custe, esse não é o meu Benfica.
Capdevila acaba de anunciar ao mundo que faz anos. Como prenda, Emerson lesionou-se. E assim tudo se conjuga para, pela primeira vez esta época em jogos importantes, o Benfica entrar em campo com 11 jogadores. Parabéns, gordo.
Nota fundamental: no post anterior, continuam a votos os dois textos até à 00:40. Votem em inconsciência, por favor.
1. Caríssimos POC e Bcool, como é evidente a qualquer ser pensante (e vocês se calhar não sabem disto, mas fazem parte desse grupo), ao Benfica falta mais do que lateral-esquerdo. Falta um lateral-direito que seja não só uma alternativa a Maxi mas um sério candidato ao lugar - o uruguaio divide jogos de grande qualidade com jogos aberrantes, à imagem da primeira época - e falta um central que dê garantias de qualidade - nem o puto que já não é assim tão puto Vítornem o velho que ainda não é assim tão velho Jardel as dão.
Ainda falta também um rompedor, um gajo que sirva menos as vontades de joguinhos pelo meio e procure outro tipo de movimentação, mais em rasgo, mais pela ala, mais nos desequilíbrios, mais a mais, mais. Conto, no entanto, que Pérez tenha retirado o antigo cérebro e no seu lugar tenha hoje um frondoso e pujante cerebelo iluminado, com vista para a lucidez e com regime de humildade completa. Mas não tenho a certeza.Fico-me só nos "ses" a ver se talvez sim.
Mas sejamos sinceros: a um dia de acabar a janela de oportunidades, a nossa preocupação máxima tem de estar guardada (até porque pedir, peça-se sempre pouco, para não cansar o dador) para a vontade em começar a jogar com 11. É que... entrar sempre com menos um cansa muito, desgasta, deixa os nossos rapazes menos capazes de ir e emendar a merda que o Nelo paulistano vai meticulosa e proficuamente fazendo pelos relvados nacionais. É este rapaz jogador para a primeira liga?, pergunto-me. É capaz. Para um Setúbal, talvez, mesmo um Nacional, a suplente. Que ele seja do Benfica e titular é, enfim, todo um mundo de novas oportunidades aí à sua frente. Teve sorte. Teve estrelinha. Não é estrela nenhuma. Não vale grande merda. Não é grande espingarda. É um cepo.
De modo que, sim, compreendo os vossos esquentamentos de adeptos fervorosos e nervosos e compenetrados e preocupados e atentos mas, permitam-me o pragmatismo que me invade pelo pânico de ver as horas indo ao encontro da fronteira mensal, já esqueci esses problemas de somenos. Estou nem aí, como diz o outro. O que eu quero é um jogador de futebol. Pode ser aquele gajo do Gil Vicente, o tal de Caiçara. 22 aninhos, talento à solta, umas 100 vezes melhor do que o rapaz dos olhos tristes. Podem começar já por aqui.
Em respeito às vossas ansiedades, já disse que tinha Salino como o verdadeiro acerto de Janeiro. Médio, lateral-direito, jogador de conjunto com qualidade. Ao meio, Dedé. Mas também esse esquecido João Real. Certo: tem 28 anos. Precisamente o que precisamos: experiência, consistência, tranquilidade.
E agora o terror: Djaló não era mal pensado.
2. Minha cara Ulricha, você decida-se. Se me permite, gostava de lhe dar um conselho: escolha 3 candidatos a ingressar à experiência. Os 3 vão fazer 3 posts (um cada) que serão colocados à votação dos nosso leitores. O que ganhar, fica com o mês a mandar nisto (quando eu digo "mandar" é poder escrever aqui; obviamente será corrido a vergastadas e insultos constantes à mesma).
Escolha de entre os nossos leitores os 3 que lhe agradam mais. Mas não valem gajos consagrados e com blogues. Esses ficam lá no lugar deles e vêm aqui dizer parvoíces. Era só o que faltava que se viessem imiscuir na pornográfica página do blogger deste tasco! Logo, as suas recomendações (Constantino e Diego) estão postas de parte.
E, já sabe: pode sempre reconsiderar, dar uma de corajosa e aceitar o prémio que ganhou. Fica ao seu critério, mas despache-se que quanto mais cedo eles chegarem mais cedo vão embora. O que é um descanso para o meu coração. Não vale recrutar o Emerson.
Pssssssst: à vossa direita, nova sondagem extremamente importante e com muita pertinência: Vieira abrirá o bigode quando? Votem em inconsciência.
... e nós continuamos a gostar de entrar em campo com 10. A diferença entre ser campeão e fazer uma boa prestação europeia ou acabar em segundo e ser eliminado já nos oitavos da Championspode estar na lateral-esquerda. Mas ninguém no Benfica parece muito preocupado com isso. Até um dia.
A 4 jogos (3 deles fora - todos, por razões diferentes, de dificuldade média-alta) de receber o Porto na Luz e de reiniciar a campanha na Champions, o Benfica debate-se com alguns dilemas do ponto de vista estratégico. Deixo de lado, porque essa é outra discussão, o assunto Emerson e a imperiosa necessidade de ir ao mercado de Janeiro como forma de evitar surpresas desagradáveis - ficará para outras núpcias. Importa-me aqui reflectir sobre a abordagemem termos tácticos que Jesus usará para chegar - como queremos e devemos - ao clássico em vantagem pontual. O mesmo é dizer: como abordar estes 4 jogos para que deles saiamos com 12 pontos?
Na Luz, está mais do que visto: aproximação ao 442 do ano passado, com um médio defensivo, outro de construção, dois jogadores nas alas e dois avançados. A diferença mais óbvia entre a equipa deste ano para a caótica equipa do ano passado passa pelo movimento dos alas: não tão amarrados à ideia de ganhar profundidade, antes em movimentações para o interior, participando mais na construção. Em teoria, resulta. Principalmente, com equipas mais frágeis e de organização débil: Rio Ave e Setúbal foram bons exemplos de adversários que, na Luz, podem ser encarados desta forma.
Já quando nos aparece uma equipa a controlar com qualidade tanto a nossa saída de bola como os homens responsáveis pelo "esticar" do jogo a meio-campo (o Gil foi um bom exemplo), parece-me uma estratégia que sofre de alguns dos males da época passada: uma saída sem soluções, lenta a mastigar o jogo entre os centrais e os laterais, pouco clarividente na forma como deve sair da pressão adversária e ficando com os alas demasiado distantes para oferecem soluções ao portador. Isto porque Javi vive essencialmente naquele espaço em frente aos defesas (baixando aquando da saída de bola), deixando Witsel numa ilha em que, não raras vezes, sobrevive sozinho num diâmetro de 20 metros, ficando logo à partida condicionado e forçado a uma circulação que não promove a progressão em combinações com os avançados e, especialmente, com os alas. A equipa asfixia e tem de recuar.
A isto junte-se-lhe a enorme incapacidade de Emerson em largar o seu cubículo no relvado (porque não sabe mais) e um Maxi que, logo na saída de bola, procura muitas vezes o desequilíbrio em profundidade, e temos um jogo mastigado, lento e previsível que pode prolongar-se minutos a mais para aquela que deve ser a atitude do Benfica: entrar para marcar o mais cedo possível e depois, então, controlar o ritmo e a intensidade dos encontros.
O dilema, portanto, existe e é compreensível que Jesus hesite entre querer dois avançados na frente e a busca por um meio-campo que privilegie a circulação e progressão mais eficaz. Por mim, se não houvesse Rodrigo, optaria por um 433, só com Cardozo na frente, entregando as alas a Nolito e César e o miolo a Javi, Witsel e Aimar. A equipa não só se torna muito mais equilibrada como, podendo parecer paradoxal, atinge uma imprevisibilidade para os adversários que, com dois homens mais adiantados, não consegue. A razão disto é óbvia: em 433 promove melhor a qualidade e inteligência dos jogadores que tem, favorece as combinações rápidas e as desmarcações, no espaço lateral ou em movimentos interiores, surgem naturalmente. Porque há mais cérebro. Há Witsel que, ao contrário de quando jogamos em 442, tem ali por perto Aimar e não a 30 metros de distância. Tem os alas mais aptos e disponíveis a diagonais e a uma maior circulação entre eles, porque há mais gente e mais competente a compensar as movimentações uns dos outros. A equipa, no fundo, joga toda mais compacta num primeiro momento para depois soltar-se e desenvolver o jogo sem ficar presa a um único plano de saída.
Mas há Rodrigo e um Rodrigo num crescendo de forma que tem de ser aproveitado. Pelo talento que tem, pelo jogador que hoje é e não era há meses atrás, pelo entendimento do jogo que começa a ter. E, claro, pelo rasgo. O potencial de desequilíbrio que Rodrigo traz ao jogo "obriga" Jesus a uma possível nova abordagem ao sistema de jogo, embora mantendo no essencial as características que a equipa desenvolve quando em 433. Chamemos-lhe um híbrido: jogar com Rodrigo numa ala, após a perda e, em posse, soltá-lo para mais perto de Cardozo. Um contínuo balancear entre alargar em 442 ofensivo - com Witsel a procurar espaços mais próximos de Maxi - ou condensar defensivamente em 433, juntando-se o belga a Javi e baixando Rodrigo para perto do uruguaio.
Feirense, Vitória e Académica, fora; Nacional, em casa. Tudo jogos em que este híbrido poderia fazer sentido, numa busca pela segurança e simultaneamente maior capacidade de gerar situações de golo. Os adversários são perfeitos: são organizados mas não têm, do ponto de vista da reacção e intensidade no momento da recuperação, tanta qualidade que nos fizesse temer jogar com Rodrigo numa ala em momento defensivo.
Faça Jesus o que fizer, o que devemos ou queremos pedir é simples: não voltar a jogar com a equipa tão distante e pouco apta a gerir a construção de jogo, como neste último jogo se viu. Se, na cabeça do treinador do Benfica, só vivem duas formas de encarar os desafios, então pedimos aqui encarecidamente que opte pelo 433. É que, se é para jogar com Gaitán e Emerson (valha-nos deus!), há que ter gente inteligente no miolo a compensar as desmioladas e consecutivas acções do nosso Maradona dos Moinhos da Funcheira. Há que ter Pablito com a bola no pé.
Informação fundamental ao leitor abnegado que aqui vem: decidi ver o jogo do Benfica em vez do clássico espanhol. Parece lógico e é, embora desconfie de que muito benfiquista hoje decidiu deixar a Taça da Liga para segundo plano. À minha maneira, fi-lo também: não fui ao estádio. Mas, no conforto do lar, não pude abandonar o coração. Nada me move contra os que preferiram ver o jogo de Madrid. Só vos peço um favor: consegui até agora, num esforço tremendo, não saber quanto ficou o Real-Barça. Não me estraguem a coisa, que daqui a meia-hora vai repetir.
Sobre o jogo, uma grande caca. Mau, mauzinho, frouxo, pouco, muito pouco, quase nada. O Gaitán continua a sua saga de desrespeito não só pelo próprio talento que tem mas principalmente pelos adeptos - aquilo que ele faz em campo, aquela constante displicência, dormência, falta de vontade devia dar jogos a fio sentado no banco de suplentes. Aliás, após mais uma magistral lição do Professor Nolito (que joga e ensina a jogar), será interessante verificar se os favoritismos de Jesus vão continuar ou se teremos definitivamente os melhores em campo. Por falar nisso, Capdevila lá jogou. Mesmo sem ritmo nenhum de jogo, desprezado a um nível absurdo, mostrou por que razão vale bem mais do que quem joga no seu lugar. A mim mostrou, pelo menos. Admito que haja quem continue a saga da defesa de Emerson até ao fim. Tão absurdo, tudo isto.
O jovem Almeida parece ter algum potencial mas ainda está muito aquém do exigido. Se perdemos Amorim por este ficámos claramente a perder. Uma ida ao mercado contratar Salino seria uma jogada de mestre. Um jogador perfeito para o que o plantel precisa: polivalência, constância e qualidade inegável. Depois só faltaria o lateral-esquerdo. Sim, ainda acredito.
Os avançados estiveram bem. Tanto Saviola quanto Oliveira em bom plano. O primeiro excelente a procurar espaços (menos bem na disputa física, onde nunca foi forte mas que actualmente assusta de tão frágil), o segundo na recepção pelo ar, fazer jogar, aparecer. Primeiro golo do Nélson pelo Benfica. Parabéns, puto.
Agora venha a Liga e o estádio cheio, que este jogo deprimiu-me um bocadinho. O Gaitán devia ir a casa do Nolito ouvi-lo contar-lhe histórias sobre quando andou nas obras e a sua vida até chegar ao Barcelona. Podia ser que ganhasse um coração e mais dignidade.
"Neste momento não estamos a pensar em entradas", diz Jesus hoje aos jornalistas mas especialmente aos adeptos do clube.
Pelo bem superior que são os interesses do Sport Lisboa e Benficaespero que o nosso técnico esteja a fintar a concorrência com estas declarações e que haja gente dentro do clube 24 horas por dia em busca de uma solução para a lateral-esquerda. É certo que o facto de já terem passado 17 dias desde que o mercado reabriu e o problema Emerson estar identificado há 5 meses não adivinha um futuro brilhante mas eu, que tenho esta tendência para o sonho, até dia 31 de Janeiro vou esperar ansiosamente por novidades que favoreçam o sonho maior que é o de ser campeão nacional e chegar o mais longe possível na Champions League. Com Emerson, sejamos muito sinceros, só por incompetência dos adversários atingiremos esses patamares.
Quem lê este blogue, sabe da minha incredulidade em relação a muita coisa que se faz actualmente no clube. Desde incompreensíveis apoios a agentes nefastos a uma competição saudável, passando por uma comunicação distorcida e adulterada aos adeptos, há várias acções desta Direcção que me desagradam. Mas convém ser justo: desde que Rui Costa abandonou os relvados e, em sintonia com outros (menos competentes), tomou conta do futebol do Benfica, houve uma melhoria clara nas tomadas de decisão, no planeamento da época, na qualidade das contratações e na identificação das lacunas do plantel. Houve erros, claro, alguns básicos e óbvios - desde logo os autocarros de jogadores que nem sequer chegam a vestir a camisola em jogos oficiais ou, se o fazem, nem tempo têm de mostrar serviço (Mora será só mais um que, emprestado ao lugar de origem, nunca mais calça chuteiras benfiquistas) ou como os do ano passado, especialmente na aposta em manter Roberto como guarda-redes do Benfica e a venda de David Luiz - duas acções incompetentes que favoreceram a época deprimente que acabou por ser a de 2010/2011.
Nem tudo foi perfeito, longe disso, mas há que assumir uma maior competência no futebol do clube e nos resultados conseguidos. O que, neste momento, falta para que a hegemonia nacional e a competitividade constante nas competições europeias sejam uma realidade é aquele golpe de asa de saber emendar erros, ao invés de manter teimosamente apostas que se sabem erradas e prejudiciais à equipa e aos objectivos futuros. Nesse sentido, é imperioso que, no Benfica, haja a consciência de que, numa equipa de grandes jogadores e num plantel rico de várias e diferentes soluções, não pode coabitar um elemento como Emerson. Não pode. Não só por aquilo que (não) faz individualmente mas também pela mensagem que emite para todos os que com ele partilham o campo e o jogo. Um jogador medíocre no seio de uma grande equipa é um cancro que tende a alastrar-se e a torná-la paulatinamente mais fraca. Pela tomada de decisão, pela indecisão, pelo momento do passe, pela dúvida, pelo desequilíbrio que gera.
É, por isso, fundamental extirpá-lo antes que nos vejamos de calças na mão, com eliminatórias perdidas e pontos desbaratados na Liga nacional. Já é muito tarde. Tardíssimo. Mas ainda vamos a tempo.
Pois jogou. Ele e toda a equipa. Um jogo fraquinho que não era difícil de prever olhando para o 11 que entrou em Guimarães. Parece cada vez mais óbvio que Jesus tem tanto de bom técnico aperfeiçoador de detalhes no treino quanto de treinador sem ideia do que quer fazer nos jogos. Vindo de um 442 losango contra o Rio Ave em casa (5-1), Jesus achou que devia manter a bitola. Só que Nelson Oliveira não é Saviola e o jogo não era na Luz e isso faz toda a diferença. Até porque muitas vezes, demasiadas vezes, Nelson caía no lado direito, Witsel chegava-se mais ao miolo e ficava Saviola perdido entre os centrais adversários. Junte-se-lhe um Emerson à Emerson e um Aimar à Chano e temos aqui a poção para um jogo de merda. Valeu Nolito, como vale quase sempre, valeu uma equipa do Vitória que na segunda parte estava tão bem fisicamente quanto os pacientes do IPO e um Cardozo que, enfim, chateia muito porque marca golos. Bom, bom, mas bom mesmo era o Hassan.
Isto tudo para vos chatear a mona? Também mas não só. É mais para avisar o Jesus (que ele todos os dias vem ler este blogue, como já me confirmou sua esposa, num encontro em Alcântara que teve tanto de sórdido quanto de constrangedor) para não ir a Leiria armado aos cágados que o raposão Cajuda sabe muito da poda e, ao contrário da brigada de treinadores portistas que por aí pululam que deixam as armas em casa quando confrontam o clube do coração, tem como princípio demonstrar o seu benfiquismo de uma e uma só forma: ser profissional quando joga contra o Benfica. Não raras vezes Cajuda irritou-nos, tirando-nos pontos ou eliminando-nos. É bom sinal: não queremos subserviências de nenhum teor. Gostamos de ganhar pelo mérito - sei que parece estranho, isto, para os adoradores do cacique beato (vou levar esta expressão até ao fim dos meus dias).
É favor não inventar, senhor Jorge, que hoje é dia dos adversários perderem pontos e nós chegarmos a Segunda-Feira na liderança. Pode ser? E agora venham de lá esses leitores que querem ir beber um copo comigo a Leiria amanhã. São meninos para isso?
Continuo intrigado. Tivesse Emerson sido contratado para alternativa ao titular desta época e ainda assim far-me-ia consecutivas questões sobre que espécie de prospecção tem o nosso clube para descobrir, num universo tão grande, tão fraco jogador de futebol para o seu plantel. Imaginam, portanto, a minha incredulidade quando aconteceu ver este rapaz jogar os primeiros jogos pelo Benfica. E, nesse sentido, serão certamente capazes de supor as caralhadasque fui atirando para o ar quando percebi que Emerson não só era mesmo para ficar (ainda houve inicialmente uma ténue esperança de que fosse algum engano no aeroporto ou que o rapaz viesse para a equipa de Andebol) como constituía a primeira e única solução para a lateral-esquerda. Estou muito intrigado com tudo isto.
E não bastaram nem 5 nem 10 nem 20 jogos para que Jorge Jesus se decidisse a recambiar o brasileiro para a bancada, mesmo com as anedóticas aparições com que Emerson, desde que pôs o pezinho em território nacional, tem brindado os benfiquistas. Ele próprio estará intrigado com isto tudo. Terá inclusivamente tido uma conversa por telefone com o Pai - inadvertida e escandalosamente apanhada pela rede de investigação nacional - em que se mostra aparvalhado com a condição de indiscutível que possui neste Benfica. O Pai ter-lhe-á demonstrado muita força e pedido coragem. Que continuasse a ser o filho exemplar que sempre foi, que fosse humilde e trabalhador, que o mundo um dia perdoaria Jesus por tal atentado. Nos entretantos, Emerson persiste - como não? Que culpa tem o rapaz de tão abominável patetice? Se o atiram para o relvado, ele faz o que pode, que é muito pouco, mas disso não tem ele culpa.
Nesta novela de escabrosos episódios, o último que veio apimentar a discussão trouxe-nos o nosso grande e extraordinário Presidente, que vem afirmar que a alternativa a Emerson - o tal campeão do Mundo que não serve nem para a Taça da Liga e que nos custou 3 milhões para ir a Nyon assistir a sorteios da UEFA e para efectuar peladinhas na luta contra a pobreza - é, e cito, "um "profissional exemplar". Ora, se o espanhol não faz birras nos treinos (teoria durante muito tempo aventada pelos eternos defensores do indefensável), se o espanhol tem muito mais experiência internacional, vindo de um campeonato a léguas competitivas do nosso, enfim, se Capdevila é muito mas mesmo muito melhor jogador do que Emerson, por que carga de filha da puta de água teremos de continuar a arriscar pontos, eliminatórias e competições sem que ninguém promova as mudanças que se exigem desde Agosto? Continuo muito intrigado.
Vamos todos aceitar, mesmo que assim a modos que algo contrafeitos, que Capdevila não serve para ser jogador do Benfica. Pode ser? Façam lá o esforço por uns minutinhos. Capdevila não serve. Ou porque tem o nariz grande, ou porque é feio, ou porque tem brinco, ou porque tem a crescer-lhe no peito uma verruga de muito mau gosto e cheiro, ou porque é desdentado, ou porque sofre de urticária, ou porque o Jesus não gosta dele, ou porque o Jesus é parvo, ou porque o Jesus mete à frente dos interesses colectivos os objectivos individuais, ou porque o Vieira não tem mão no Jesus, ou porque o Carraça é uma carraça muito mole, ou porque o Rui Costa não aparece vai para mais de três quinze dias, por qualquer coisa que possamos dizer ou inventar ou fantasiar, o que importa é isto: vamos todos imaginar que Capdevila é pior que Emerson e por isso não joga, jogando o rapaz de olhos caninos no lugar dele. Estamos todos entendidos? Ainda bem. Agora respondam-me só a isto: não preparámos a compra de um lateral-esquerdo bom (ou, vá, razoável, já estou por tudo) e esse lateral-esquerdo não está já a treinar com o plantel porquê, caralho?
O Benfica está em fase descendente, a caminho do precipício que deverá ocorrer já este fim-de-semana no regresso à Madeira. A partir daí, seguir-se-ão pontos perdidos que farão com que, por Fevereiro, a hipótese de revalidar o título seja meramente matemática. Restará a Champions que - se o sorteio não for à moda lusitana, em que o Benfica tem quase sempre os mais difíceis desafios - poderá servir de última paragem para as alegrias dos benfiquistas. Claro que será sol de pouca dura. Aos quartos-de-final é possível chegar; mais que isso, não. Talvez chegue então - embora o grupo seja, surpresa!, o mais difícil - mais uma Taça da Liga - a quarta consecutiva. Talvez. E, nesse caso, a Direcção tomará as medidas certas para alegrar o povo: camisola pensada propositadamente para o feito extraordinário e a frase panfletária: "Já são 4!".
Quem é Emerson e o que faz no Benfica? Como é que um mero curioso como eu percebe em Agosto que faltam laterais e central ao Benfica e a estrutura dirigente não? Em que parte do guião está escrito que é possível vencer o que quer que seja com um cepo como titular indiscutível? Sonho, ilusão, esperança? É mais demência, alucinação, estupidez.
Mas Jesus está bem e recomenda-se. Próximo objectivo: ir à final da Champions com o Barcelona.E, quase de certeza, golear.
1) Dois laterais de qualidade superior(e um central) -Penso que é hoje óbvio para todos que Emerson não serve como primeira opção - nem sequer, opinião pessoal, como alternativa. Uma falha grave no planeamento da época que pode ter repercussões dramáticas, se não se encontrarem formas de admitir o erro e o colmatar com um jogador de qualidade acima de qualquer suspeita. A meu ver, é muito simples: se Emerson for o titular até final de época, todos os objectivos da equipa estão seriamente em risco. Esperemos que, por parte de quem pensa o futebol no Benfica - dirigentes e equipa técnica -, haja a humildade suficiente para deixar cair a primeira aposta do Verão e a sabedoria necessária para encontrar uma solução indiscutível.
Do lado direito, o cenário é menos grave, embora exista também um problema: falta um jogador que não só seja alternativa a Maxi como lute com o uruguaio pela titularidade. O lateral-direito tem qualidades que todos apreciamos - intensidade, agressividade, dinâmica ofensiva, garra, querer "à Benfica" - mas está longe de constituir a melhor solução, ainda para mais numa fase em que parece estar a voltar aos primeiros tempos no clube. Os erros sucedem-se, como na época em que chegou: perdas de bola inadmissíveis, desposicionamento constante da linha defensiva (são vários os lances em que deixa o adversário em jogo), incapacidade para acompanhar o atacante do seu lado, quando a bola é cruzada da ala oposta, distracções, forma física deficiente. Maxi Pereira, por tudo o que tem feito nos últimos anos, merece ser uma aposta firme nesta equipa mas só teria a ganhar (e, por consequência, a equipa, que é o que mais importa) se tivesse competição séria dentro do plantel.
Menos premente do que nas laterais - mas que obriga a uma reflexão -, surge a questão do central que seja alternativa à dupla titular. Jardel não é suficientemente bom para o Benfica e Miguel Vítor poderá ser pouco, no caso de uma lesão prolongada de Luisão ou Garay. De contactos anteriores com o Vasco (clube no qual temos dois jogadores emprestados, o que serve como arma favorável à negociação) e pela qualidade indiscutível que tem, Dedé seria uma tremenda mais-valia em Janeiro.
Todas estas questões foram aqui identificadas em Agosto. E, se não têm sido motivo de preocupação maior, à regularidade dos titulares e à capacidade colectiva da equipa muito devemos. Mas isso não invalida que tenha havido uma deficiente abordagem à planificação do plantel. Que os erros sejam admitidos e superados, é o que se espera de uma Direcção que diz querer uma época desportiva de glória. Caso contrário, a frustração - à imagem da época passada - será um cenário facilmente adivinhável.
2) Preparação mental/orientação disciplinar - Aexpulsão de Cardozo no último fim-de-semana deverá servir como estudo sobre a falta de uma orientação clara por parte de quem gere o futebol no clube. É evidente a injustiça da decisão do árbitro, tal como evidentes têm sido várias injustiças arbitrais ao longo da época. Sobre esta premissa - que se alastrará e provavelmente se intensificará nos próximos meses -, deverá assentar a pedagogia feita aos jogadores. Se temos a noção de que, a qualquer acto mais "espontâneo" dos nossos atletas, surgirão medidas drásticas por parte de quem arbitra os nossos jogos, a única resposta - porque é a que podemos controlar - passa por condicionar os nossos a um comportamento exemplar dentro do relvado, fazendo-os compreender que da capacidade de disciplina e auto-controle dependerá o sucesso do colectivo.
A expulsão do Cardozo não só prejudicou a estratégia num jogo importantíssimo - que felizmente superámos, mas que poderia ter criado consequências nefastas - como nos retirou uma solução, a mais efectiva, para o jogo na Madeira. Como este caso, outros houve em que os nossos jogadores foram admoestados, justa ou injustamente, sem razão para tal; apenas e só porque não souberam reagir mentalmente a uma decisão arbitral - Aimar, especialmente, torna-se repetitivo na recolha de amarelos idiotas.
Compete a quem lida com os jogadores que estas situações aconteçam muito raramente e em momentos impossíveis de contrariar o sentimento de injustiça. Tudo o resto, deverá desaparecer. Também passa por aqui a diferença entre uma equipa adulta e um equipa incapaz de gerir emocionalmente os vários momentos de um jogo.
3) Qualidade nas bolas paradasofensivas- Há um paradoxo na forma como a equipa aproveita as suas qualidades: se, por um lado, pelo tipo de jogo que apresenta, as situações de bola parada são em grande número e, pelas características dos próprios jogadores, há uma vantagem clara em relação a quase todas as outras formações ao nível da estatura física e dos movimentos, bem treinados, que o colectivo desenvolve neste tipo de situação específica de jogo, por outro, e isto é que causa perplexidade, são em dose industrial as vezes em que a bola é mal pontapeada.
Seja em cantos, livres laterais, livres à entrada do meio-campo, a percentagem de lances em que a equipa deixa de aproveitar as qualidades que tem por deficiente arremesso é sinal de preocupação e deverá ser seriamente estudado e melhorado. Não se admite que jogadores da qualidade de Aimar, Gaitán, Bruno César, Amorim marquem cantos e livres quase como infantis, batendo ou muito por cima ou tão fraco que a bola cai imediatamente nos pés do primeiro defesa adversário.
A juntar a isto, que é consequência do mau arremesso, surge o mau posicionamento dos que ficam mais atrás em campo e da lenta reacção à perda de bola, gerando vários contra-ataques perigosos que, em vários jogos, poderiam ter definido as partidas de modo comprometedor. Vemos Jesus gesticular bravamente do banco, nessas situações. Mas o problema, como é óbvio, é dele e é a ele que devem ser pedidas responsabilidades: tudo advém do treino.
E, se o treinador do Benfica é capaz de treinar eficaz e por vezes brilhantemente a movimentação dos seus jogadores dentro da área adversária, terá de saber igualmente como colocar a equipa de modo a que, primeiro, as bolas cheguem ao destino e, segundo, caso não cheguem, como deverá reagir o colectivo aquando da perda. Erros destes - que temos visto ao longo dos jogos desta época -, contra equipas de maior qualidade, serão letais. Para o jogo e, a médio prazo, para os objectivos até final do ano. Mais uma vez, a mesma linha quase invisível entre frustração e glória. Os detalhes que decidem épocas.
4) Saída de bola - No final do último encontro com o Sporting, Jesus, na sua bazófia habitual, defendia que a equipa está preparada para lidar com uma pressão agressiva e alta por parte dos adversários. Não está. Ou melhor: está, só que não da forma que possibilite a melhor estratégia para o jogo que queremos implementar.
A resposta que está programada a um pressing agressivo (como o que o Sporting usou em grande parte do jogo do passado fim-de-semana), passa por criar, em jogo directo, duas zonas preferenciais de destinatários: o avançado, geralmente Cardozo, e a direitado meio-campo, geralmente Witsel ou Gaitán. É uma solução que permite menos risco mas que "entope" o jogar do Benfica, porque na altura da recepção o jogador está rodeado de adversários e porque muitas vezes não tem apoios para manter a posse.
Esta solução serviria os interesses de muitas equipas mas defendo que ao Benfica, pela qualidade que tem, este é um tipo de solução que não interessa e, pior, prejudica gravemente a ideia de jogo que Jesus quer para os seus jogadores. Mais interessante, embora mais arriscado e que requer outro tipo de treino e aperfeiçoamento, seria solucionar o problema passando a jogar, mesmo contra equipas muito pressionantes, em posse de bola corrida e sempre rente ao relvado, usando preferencialmente o passe vertical em detrimento do jogo directo ou do passe em largura (neste particular, tendo uma peça como Emerson, é suicídio procurar a lateral como fuga).
Como fazer isto, sem arriscar em demasia? Não baixar tanto Javi - mantendo-o no seu espaço da linha do meio-campo, criando um apoio alternativo e fixando um jogador adversário - mas baixar, em simultâneo, Aimar e Witsel, cada um do seu lado. Assim, o central que tivesse a bola tinha quatro apoios directos (o guarda-redes, o lateral, o outro central e o médio do seu lado) e um apoio indirecto (o pivot defensivo, que serviria não só de apoio ao apoio, caso a equipa criasse progressão, como de "tampão" às investidas do adversário, se este quisesse subir mais no terreno). Nesta configuração, que obviamente requer uma dinâmica mais trabalhada e uma maior certeza de passe, o posicionamento dos extremos seria fundamental: não abertos nas linhas, mas interiores, à frente de Javi.
Num desenho, teríamos um dado com o número 5: Aimar e Witsel em baixo, Javi ao centro e César (Nolito) e Gaitán em cima. Espaços curtos, vários apoios, prioridade para as as combinações e a equipa mais junta, sem pontapés para a frente pelo ar e com várias alternativas para progredir, com bola, até ao meio-campo adversário.
Claro que para os jogos com o Feirense até o jogo directo serve. Mas o Benfica entrará nos próximos meses numa espiral de jogos fundamentais contra equipas de grande qualidade e organização, em que o pressing à nossa saída de bola será uma constante (mesmo as equipas pequenas já perceberam que devem forçar, mesmo que com menos jogadores, a nossa posse logo no início, como forma de condicionar a dinâmica do nosso jogo). Encontrar uma solução que aniquile essa pressão alta adversária, sem que por isso percamos a nossa identidade, é, pois, fundamental para o sucesso a médio e longo prazo. Para a glória e não para a frustração.
5) Ter um Gaitán ao nível do seu talento - Das coisas que me custa mais ver neste Benfica é o desperdício criminoso das características únicas do argentino. Há ano e meio que falo em colocá-lo numa posição de menor dimensão física e de maior aproveitamento das suas qualidades - a segundo avançado. Gostava que um dia o Jesus o fizesse mas deixei de ter esperanças: Jesus quer interpretá-lo como um jogador de ala, com movimentos interiores, buscando a sua capacidade de desequilíbrio e de passes de ruptura.
Assim seja: Gaitán numa das alas. Mas então há que moldá-lo à posição onde joga. Se Gaitán neste Benfica será sempre um ala, convém que tenha adquiridos os fundamentos básicos para que o colectivo não sofra com as displicências frequentes do argentino. Chamo-lhe displicência, porque não é uma questão de não entender o jogo. Gaitán simplesmente não quer fazer mais. Isso fica evidente nos jogos da Champions ou contra os rivais nacionais, em que se vê um jogador completamente diferente: apoia o lateral, dando apoios (não só ajuda fisicamente, como sabe ocupar os espaços), recua em sintonia com o adversário, fecha ao meio, dobrando colegas que se desposicionaram momentaneamente.
Se um jogador faz isto em certos jogos, e fá-lo bem, é porque entende o que deve fazer a cada momento de um jogo. Se o não faz sempre (ou quase sempre), a culpa é do treinador, que permite que, em determinados jogos (a grande maioria), Gaitán se arraste pelo relvado, apenas esperando que a equipa conquiste a bola para finalmente acordar e começar a jogar futebol. Começa aqui a conquista de um Gaitán diferente: obrigá-lo a uma consciência defensiva colectiva para lá dos jogos de maior visibilidade. Se isto for conseguido, não só o argentino aumenta os níveis de concentração e intensidade - melhorando o seu jogo - como, por arrasto, toda a equipa se desenvolve em campo de forma mais eficaz - porque aproveita a qualidade inegável do jogador e deixa de estar condicionada à ideia de que deve compensar os adormecimentos de Gaitán, emperrando a própria dinâmica.
Lembrem-se das vossas peladinhas de Quinta à noite. Recordem-se de quando sabem que têm lá um gajo que só fica à mama. O que é que acontece? Para lá de o chamarem de tudo e de acabarem à porrada com ele, em campo há sempre aquela ideia que vos martirza o espírito, sempre que vêem o adversário a cavalgar contra vocês: foda-se, recuo mais ou vou mais à direita para compensar a ausência daquele filho da puta que está a fumar encostado ao outro poste?
No meio desta dúvida, nem vão à direita, nem recuam, nem pressionam, o cérebro pára ali por um segundo e quando vocês voltam à realidade já andam a correr feitos tontos sem saberem para que lado devem ir. Numa equipa profissional, em dimensões diferentes, isto também funciona assim: a confiança/desconfiança que temos em relação aos colegas de equipa faz toda a diferença não só no sucesso/insucesso mas individualmente na forma como tomamos decisões. Limpar o espaço de dúvida, garantir que cada um dos onze que estão em campo se concentrem nas suas aptidões e responsabilidades (não propriamente funções, porque o futebol deve caminhar para um jogo em que não haja propriamente funções em campo, mas uma osmose entre dinâmicas individuais), promover a solidariedade entre cada dois, entre cada três, no limite, entre cada 11, será sempre a melhor resposta à necessidade colectiva e a ao bem-jogar.
Ter um Gaitán ao nível do seu talento não só traz à equipa a extraordinária capacidade criativa e original do argentino - que gera incerteza no adversário e dúvida sobre as soluções que lhe aparecerão pela frente - como solta todos os outros jogadores para, também eles, potenciarem ao máximo as suas virtudes. E quem ganha é o Benfica.
Não me levem a mal. Gostei, gostei muito do jogo de ontem. Teremos tempo para discutir o que está bem no Benfica. Mas hoje apetece-me incidir sobre o que ainda não está oleado:
1) Emerson - o grande problema. Escrevi ontem por aí que Emerson é o pedaço de fígado perdido entre bifes de alcatra. Não sei dizer de outra forma. Mas vamos ter de comê-lo até ao fim. O problema dá-se quando forem os outros a devorá-lo. Como ontem, com o Shaqiri. E como no futuro, sempre que o adversário não for um Paços de Ferreira.
2) Zona central à frente da defesa - são várias as situações em que aparecem dois, três jogadores adversários à entrada da área, com possibilidade de rematar ou fazer passes de ruptura. O problema não está nos médios Javi Garcia ou Witsel mas na fraca solidariedade dos alas Bruno César e Gaitán com os laterais do seu lado, que obriga a que os médios se desloquem e abram espaços no meio. Quando a defesa, especialmente Luisão, não tem tempo de reacção, o perigo agudiza-se proporcionalmente à qualidade da equipa opositora. Artur - que é bom, não tão bom quanto Roberto, claro, que esse sim era garante de pontos - nem sempre será a salvação. A melhorar.
3) Finalização de Gaitán - o jogo do Benfica permite várias trocas posicionais nos movimentos ofensivos. Em muitos deles, o desequilibrador Gaitán acaba isolado ou em excelente posição para o remate. Melhorar a capacidade finalizadora do argentino é, por isso, fundamental para que, em muitos jogos, o Benfica dê a estocada final e evite sustos desnecessários. Recomenda-se meia-hora depois dos treinos com o Cardozo, o Nolito e o Bruno César a servirem de professores.
4) A necessidade de protagonismo de Jesus - o nosso mister adora dar espectáculo, sobretudo quando está a ganhar e especialmente na Europa, em que tem muitos olhos a vê-lo. A cena escabrosa de ontem, pela qual foi expulso, não é um "acto latino", é uma imbecilidade. Menos circo e mais neurónio, Jesus.
5) As explicações de Jesus - dizer que não se arrepende de não ter inscrito Capdevilla porque teve de escolher entre este e Rodrigo deve servir para uns quantos plagiarem em forma de bajulação mas não serve como argumento. Dando de barato que Jesus tenha tido de integrar Rodrigo no lote para a Champions - embora tivesse, para a posição, Cardozo, Saviola e Nelson Oliveira, para além de Nolito, Bruno César e Gaitán, que podem fazer de segundo avançado -, levanta-se a questão: por que razão não deixar Jardel de fora, fazendo entrar para o seu lugar o espanhol, visto que, como alternativas aos centrais titulares, existem Miguel Vítor e o próprio Javi e para a lateral-esquerda não existe nenhuma. Preferia que Jesus não tentasse fazer dos outros parvos. Mas é um dos seus pecadilhos - julgar ser mais esperto que os outros.
Não vejam neste exercício uma necessidade de criticar por criticar; vejam antes a necessidade - que me parece legítima e saudável - de procurar discutir os pontos mais fracos de uma equipa com muita qualidade. Aliás, é por tê-la e por eu acreditar que, limadas todas as arestas, este grupo poderá vir a dar-nos grandes alegrias no futuro, procuro limpar as impurezas.
É que esta equipa, meus caros, e este treinador podem fazer História nesta e nas próximas épocas. Basta que se não cometam erros básicos, tanto na forma como se trabalha como nas atitudes que perpassam para fora. E seria uma tormenta assistirmos a tanto talento desperdiçado por não terem sido acautelados pormenores essenciais.
De entre 132 pessoas que votaram na sondagem, 58 (43%) escolheram a opção:
"Um bom jogador. Cumpre bem, não deslumbrando. Serve para as competições internas e para os jogos europeus com equipas do nosso nível"
o que traduz, de forma bastante razoável, a confiança que boa parte dos benfiquistas têm no seu lateral-esquerdo.
Houve também quem preferisse a opção
"É uma fantasia sexual do Jesus."
não se compreendendo muito bem se, optando por esta solução, discordam de que o brasileiro tenha qualidade ou se apenas preferem fazer pequenos anotamentos sobre o imaginário erótico de Jorge Jesus.
No outro lado do espelho, tivemos 8 marmelos que acham que o Emerson de tão péssimo jogador que é nem para as distritais serve, o que - convenhamos - é capaz de ser um bocadinho para o exagerado mas, enfim, é a democracia a tomar o seu lugar na tribuna.
Já eu encontro-me a meio destas deambulações. Escolheria a opção
"É razoável. Dá para o campeonato português, sem contar com os grandes."
o que faz de mim, é verdade, um adepto pouco satisfeito com a opção titular para a lateral-esquerda. Especialmente porque o Benfica tem no seu plantel um jogador com mais qualidade, com uma experiência internacional fabulosa e que tem sido ostracizado de maneira vergonhosa sem que alguém explique aos adeptos a razão de tal afastamento.
Da minha parte há, portanto, uma descrença óbvia nas qualidades de Emerson. E o medo - quase pressentimento, quase certeza - de que, mais cedo ou mais tarde, porá em causa objectivos primordiais da equipa, falhando em jogos nos quais os seus erros, mais do que falhas que o adversário não aproveita (como já ocorreu esta época), prejudicarão gravemente a equipa.
Como sempre, espero estar errado. Que Emerson seja homenzinho para me calar e fazer com que tenha de vir aqui daqui a um mês escrever um texto choroso a pedir lamentáveis desculpas pelo erro cometido. Nada me daria mais gozo.
Entretanto, ao discriminado campeão do Mundo, deixo uma música de conforto:
1) Após um fim-de-semana em que os 3 principais clubes ganharam os seus jogos e mantiveram o campeonato ao rubro, a conclusão óbvia - para quem quiser ver para além dos óculos de cabedal - é a de que o Benfica só não será campeão nacional se for muito incompetente.
Mesmo jogando de uma forma que não potencia ao máximo a qualidade dos jogadores que tem, o Benfica passeou-se pelo relvado, criando situações de perigo em catadupa e apenas impedido de ter ganho por números históricos porque o excelente centro de formação de árbitros deu mais um rebento ao futebol nacional. Mas a fluidez, a subtileza, a forma simples como a equipa arranja caminhos para a baliza, mesmo "desfalcada" de Javi, Witsel e Nolito, é o garante de que, se houver competência, em Maio o país estará outra vez inundado de vermelho e branco.
Claro que para isto contribuem também as fracas prestações que vamos vendo dos rivais mais directos. Em Coimbra, mais uma prova cabal da incapacidade colectiva do Porto. Sim, ganharam por 3-0, mas isso deveu-se basicamente ao facto de o jogo ter sido contra os casados do Monte Formoso, ainda por cima treinados por um rapaz que anda a ver se agrada ao dono de tal forma que acaba em experiências futebolísticas contra o campeão nacional. Não resultou para Pedro Emanuel. Uma pena. Mas ele tem uma explicação:
«A imagem da primeira parte não é a da Académica que queremos, assumo a responsabilidade, os jogadores fizeram exactamente o que lhes pedi, não fizeram o que é normal fazermos, assumi uma estratégia que não foi a ideal»
Está certo, Pedro. Podes contar com um tacho daqui a uns meses pelos bons serviços demonstrados.
Por outro lado, anda para aí uma loucura com o anão que, de repente, se pôs aos saltos a querer entrar no jogo dos adultos. Até o Presidente, sem que nada tivesse a ver com a conversa, veio dizer que o dele é que é o grande clube. O que ele ainda não percebeu é que ninguém quer saber do que ele diz.
E assim é também com o futebol: os lagartos andam doidos, todos molhadinhos por terem defendido estilo autocarro durante 70 minutos um resultado contra uma equipa que está morta mas ninguém ainda a avisou. Ter passado o tempo todo atrás, cheio de medo de um Vitória que não assusta nem o Luís Campos, é o que para os sportinguistas quer dizer que vão ser campeões.
Eu digo-vos uma coisa: eu andava com pena deles, porque neste último ano tenho visto a montanha russa entre o desespero que sentem quando se dão conta do clube de que são adeptos e a euforia que advém de terem consecutivamente algo a que não estão habituados: vitórias. Mas a pena passou-me depois de ter assistido à arrogância com que esta gente se pavoneia só porque estão - veja-se bem! - a 3 pontos das melhores equipas. Como eles agora dizem: é isto o Sporting. De facto, é isto: um clube de frustrados, que de tão pouco habituado ao sucesso, inventa números imaginários sobre os títulos conquistados (já passou um mês e ninguém sabe explicar; embora todos saibam escrever "16.000 títulos" e acreditarem nisso) e acha que vai ser campeão porque ganhou em inferioridade numérica a uma equipa em estado de putrefacção.
A realidade futebolística, a péssima forma de defender que a equipa tem, o anormal do Rinaudo - a quem, após ter visto o seu primeiro jogo de pré-época, augurei muitos vermelhos e amarelos e não me tem desiludido, tal é a estupidez e a violência gratuita do argentino -, o facto de o Sporting, quando apanhar uma equipa decente pela frente, vir a levar uma goleada das antigas, não contam para estes adeptos em estado de demência. Mas, dizia, não tenho pena deles. Merecem. Merecem tudo, tal é a petulância com que se enchem de ares. Em Janeiro, vai dar-me gozo ver o cabeção desta gente, quando estiverem a 10 pontos da liderança - a juntar aos 64 das últimas duas épocas. Depois lá terão de ir ver mais jogos de futsal.
2) Vieira dá recados a Jesus em praça pública? Este, quando não há problemas, quer inventá-los. E, por favor, ó Filipe, deixa as ironias parolas para o rei delas. Fecha a matraca e deixa-te estar quieto no teu lugar.
3) Muito por culpa do Diego Armés - pessoa a quem dou algum crédito na arte de avaliar jogadores - dei tempo ao Emerson para que fizesse da minha opinião negativa uma mais optimista. Tenho pena, mas ela manteve-se bastante negativa. Não dá um décimo do que o Capdevila daria a esta equipa.
4) Vitórias em Basquetebol, Futsal e Andebol (coça monumental ao ABC). Bom fim-de-semana e um golo de Joel Queirós que é de tosco.
5) Anaís Moniz sagrou-se campeã nacional de Triatlo. Mais um a juntar aos 500.000 títulos do Benfica. E em Abrantes, ainda por cima!
- Se Roberto vale 8,5 milhões, quantos vale Artur? De facto, os abutres que andaram um ano inteiro a dizer que o Benfica não podia jogar com o espanhol só queriam mal ao clube. Bons, bons, são aqueles que, independentemente do valor dos jogadores, os defendem à exaustão só porque não querem criticar nada no Benfica, na sua Direcção ou especificamente no Presidente que apoiam. Esses é que são bons.
- Confirmam-se as ideias primeiras: Emerson dá para o campeonato nacional (exceptuando os jogos com os outros 3 de qualidade superior), nada mais do que isso. Fico é a pensar por que razão está um gajo muito melhor sentado no banco...
- Não há qualquer tipo de estratégia colectiva na forma como a equipa pressiona. Não raras vezes vemos, bem, os dois da frente em pressão sobre os centrais, direccionando a bola para as laterais, só que o resto da equipa, especialmente os extremos - e especialmente Gaitán -, não segue a pressão exercida pelos da frente. Resultado: os médios têm de subir mais do que deviam, abrem espaços entre eles e a defesa e os defesas, vendo jogadores soltos de marcação a bombear bolas para esse espaço, dividem-se entre subir o bloco ou recuar. Neste instante de dúvida, surgem golos. Já ocorreram dois e mais se adivinham.
- Jorge Jesus, por alguma razão que nos escapa, parece ter aversão em ter em campo simultaneamente Aimar e Witsel. Coisa estranha, já que, além de os dois serem jogadores que individualmente são dos melhores do Benfica, juntos criam uma dinâmica e consistência impossíveis de superar quando não jogam juntos e são ou substituídos por outros ou jogam em posições que não as deles - Witsel não é nem será nunca um 10.
- Gaitán terá de sair da equipa por uns tempos. É demasiadamente clara a falta de solidariedade colectiva. Nem que seja como forma de o ensinar esse valor tão nobre da humildade. O Jorge D., do Centro de Jogo, já o disse há uns tempos. Concordo totalmente.
- Cardozo pode perfeitamente funcionar num 433 como este. Disse-o antes e repito-o hoje. Quem viu a jogada do segundo golo e o excelente primeiro golo faça o favor de rever as notas que tinha sobre o paraguaio. Não tem técnica? Alguém me explique como é possível marcar aquele golo sem técnica. Não sabe jogar com os 3 jogadores de trás? Alguém me explique como é possível não saber jogar rápido em transição e fazer o que ele fez no segundo golo.
- Witsel no golo de Nolito. Um compêndio que devia ser lido aos muitos idiotas que proferem a frase mais estúpida dos manuais das imbecilidades futebolísticas: não se pode criticar o jogador por rematar à beira da baliza. Claro que pode. E deve, se o jogador tem uma solução mas fácil de fazer chegar a bola às redes. E ela ali estava: passe para Nolito, deixando o defesa e o guarda-redes fora do lance e o seu companheiro com a baliza aberta. A este gesto é que não se pode encontrar qualquer erro. Perfeito. De um jogador acima da média.
- O maior perigo para o Benfica nos dias que correm? Jorge Jesus. Ou antes: a incapacidade de Jesus para admitir os próprios erros e aprender com as boas soluções que se lhe apresentam. Por vezes, acidentalmente. E um treinador que põe o seu ego à frente dos interesses da equipa será sempre, por mais qualidade que tenha (e ele tem, muita), um treinador limitado.
- A eliminatória está muito longe de estar resolvida.