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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Escolher treinadores pelos números

"Saído Jorge Jesus, quem para o seu lugar? À hora que escrevo, parece-me claro que o sucessor será Rui Vitória. Não é nome que me agrade, pelo contrário. Não tenho visto nas suas equipas uma ideia de jogo capaz de singrar num clube grande. Tenho visto sempre equipas que defendem num bloco recuado, que fazem da transição ofensiva o seu maior argumento ofensivo e, sobretudo isto, têm sido equipas sem grandes princípios e posicionamentos de posse e controlo de jogo.

O jogo entre o Vitória e Sporting a contar para esta última edição da Taça da Liga parece-me absolutamente paradigmático para ilustrar o que falo, isto é, nesse jogo o Sporting apresenta um 11 bastante alternativo e, não sei precisar os minutos, vê-se reduzido a 10 bastante cedo no jogo. Perante isto, o Vitória, sem embargo do natural domínio nos números da posse de bola, não foi capaz de criar uma única oportunidade clara de jogo, sendo que as suas tentativas de desmontar um adversário a defender em cima da sua área se resumiram a cruzamentos e mais cruzamentos, facilitando assim a vida à linha defensiva leonina. Se for isto o que Rui Vitória tiver de melhor para o Benfica… Não me parece suficiente. Não é menos verdade que o próprio, em entrevista à RTP durante a semana passada, afirmou que a sua ideia de jogo tem sido fortemente condicionada pela qualidade e características dos jogadores que vai podendo ter em Guimarães, sendo que, ainda segundo Rui Vitória, quando lhe fosse possível subir o nível de jogador que tivesse ao seu dispor, iria também apresentar uma ideia mais positiva e completa no seu jogo. Do que tenho visto em Guimarães, não vejo por onde, mas espero que sim.

Eu preferia seguir caminhos técnicos diferentes e que tenho por melhores. Caminhos que passassem por Marco Silva, Peseiro, Paulo Sousa, Paulo Fonseca ou Vítor Pereira (sobretudo este). Tudo treinadores de quem já vi muita qualidade de processos nas equipas que já conduziram e tudo treinadores com ideias claras e competentes para um futebol de equipa grande, independentemente da qualidade individual que têm ao dispor."

Escrevi o excerto atrás inserido no dia 4 de Junho, numa altura em que JJ já era dado como certo em Alvalade, ainda que não fosse oficial, e Rui Vitória na Luz.

Infelizmente, tudo o que escrevi sobre a contratação do nosso actual treinador, tem-se vindo a confirmar (para pior, não para melhor), levando-me a uma desilusão muito maior do que a perspectivava na altura.

Este é o problema de se contratar um treinador com base exclusiva nos resultados que obtém e não tendo em conta a forma como eles acontecem. Só assim fazia sentido achar que substituir JJ por Rui Vitória poderia dar bom resultado, com a agravante do primeiro ter saído para um rival directo.

Passados estes meses, continuo a achar que o grande problema não foi a saída de JJ, mas sim a escolha do seu sucessor. O plantel não é (já não o era) o melhor da liga, mas já mostrou ser superior ao que está a fazer. Analisando individualmente cada jogador, não há classe superlativa para lá de Gaitan e Jonas, é um facto, mas também não deixa de ser verdade que a qualidade dos comportamentos colectivos defensivos e ofensivos da equipa têm deixado demasiado a desejar. Criatividade individual é impossível de implementar e difícil de incrementar, mas organização e ideia colectiva é a missão primeira de um treinador, algo que o Benfica de Rui Vitória não tem, nem revela poder vir a ter.

Agora? Bom, agora parece-me evidente que Rui Vitória deve chegar ao final da época e, nessa altura, escolher com competência (há?) o novo treinador, pois escolher pela mudança antes disso poderá significar o "queimar" de quem venha a seguir, sem que haja essa necessidade.

sábado, 30 de maio de 2015

Balanço 2014-15

Acabou a época 2014-15.

Qual o balanço que fazem da época?

Positiva?
Muito positiva?
Podia ter sido melhor?
Devia ter sido melhor?

O que acharam do futebol praticado pela equipa?

Que jogadores destacam positiva e negativamente?

O que esperam para a próxima época?

domingo, 15 de março de 2015

Notas do Benfica x Braga

1 - À terceira foi de vez. O Benfica derrotou o Sporting Clube de Braga por 2-0 e reforça a liderança do campeonato nacional. Num jogo que tinha tudo para ser mais complicado, mérito para a estratégia delineada por Jesus e para a qualidade de execução dos jogadores. Estão de parabéns.

2 - Há várias formas de tentar contornar a pressão e os ambientes adversos quando se joga fora. Uma delas é não comparecer à hora marcada para o início da partida. Os jogadores do Braga atrasaram propositadamente a entrada das equipas em campo de modo a "fintarem" o momento do hino do Benfica e do levantar das cartolinas. As imagens da BTV esclarecem que os jogadores do Benfica já se encontravam perfilados para entrar em campo e nem sinal dos bracarenses havia no túnel.

3 - Muito se falou da agressividade, intensidade e vontade dos jogadores do Braga quando defrontam Benfica e Porto. Se dúvidas houvesse, o banco do Braga tratou de mostrar quão provocadores e nojentos são os elementos daquele clube: nem um minuto de jogo e já os suplentes e equipa técnica estavam a rodear e a provocar Eliseu.

4 - A boa preparação para este encontro viu-se nem um minuto de jogo estava decorrido. Assim que o banco do Braga tentou criar problemas e possivelmente arrancar uma expulsão a Eliseu, Samaris e Luisão acudiram rapidamente para tentar afastar todos os colegas daquela zona. O mesmo sucedeu à passagem do 5º minuto, quando após falta sobre Jonas, os jogadores do Braga criaram novo sururu à procura de criar problemas.

5 - Jonas Vieira Pinto. Classe a rodos, descomplica o difícil e tem golo. Vender Rodrigo por 30 milhões e ficar com este rebuçadinho trintão é de deixar qualquer benfiquista com um sorriso de orelha a orelha. E tem tanto de João Vieira Pinto. Até a chuteira, toda preta, é "anos 90". 5 - O campo esteve claramente inclinado. Mas para o lado. É que uma zona do relvado estava a ser pisada por Eliseu e Pardo. E depois ainda entrou o Salvador Agra. Só eu e esta barriguinha é que não conseguimos ser jogadores da bola.

6 - Dois golos com remates de fora da área deve ser quase inédito na Era Jesus. Curiosamente os autores dos golos dão o nome a um episódio bíblico bem conhecido. Ele há coisas…

7 - Samaris e Pizzi cresceram muito nestes meses. O primeiro ainda apresentou algumas precipitações no capítulo do passe, mas esteve bem a nível posicional defensivamente e supreendentemente bem na posse de bola. O segundo, mais discreto hoje, mas muito competente, está a desempenhar uma posição em campo que não conhecia à entrada para esta temporada. Importa lembrar que, em condições normais, nem um nem outro seriam titulares neste Benfica à partida.

8 - Mais uma expulsão. Pouca importa para os nossos rivais se os jogadores são bem ou mal expulsos, mas a mim pouco me importa o que eles pensam. Tantas expulsões contra os adversários do Benfica? Deve ser uma questão de intensidade. Mas da intensidade que os adversários colocam em campo contra o Benfica. Basta analisar o jogo que o Braga fez hoje e o que fez há uma semana contra o Porto.

9 - A equipa está a atingir níveis de confiança e qualidade que permitem ganhar qualquer jogo do campeonato português com maior ou menor grau de dificuldade. Mas o que mais me surpreende é a tranquilidade que a equipa exibe quando colocada sob situações de grande pressão mental. Hoje, tal como ao intervalo em Arouca (onde perdíamos por 1-0), não houve um único sinal de intranquilidade. E isso é revelador do carácter de um campeão.

10 - Segue-se uma complicada deslocação ao Estádio dos Arcos, onde mora uma equipa bem organizada e muito perigosa no contra-ataque. Será, na minha opinião, a deslocação mais difícil que teremos até final da prova. Ganhando aqui, a Via Verde para o título fica aberta. Mas será preciso que a maré vermelha invada Vila do Conde. O apoio dos adeptos no estádio é fundamental.

segunda-feira, 9 de março de 2015

O Optimismo pela Liderança

Bem sei que há motivos de preocupação. Bem sei que há razões para nervosismos.
O futebol da equipa não convence e é inconstante. Cada deslocação é um susto. A taça perdeu-se prematuramente. A participação na Europa foi no mínimo triste. Em todos os jogos de maior competitividade a equipa foi frágil, quase pequena. Também o Enzo já cá não mora. Dois jogos com o Braga, casa e fora, duas derrotas.
Sou daqueles que passa a semana preocupado com os possíveis cenários negativos do fim de semana que se avizinha. A cada dia acordar preocupado e deitar nervoso.
Mas hoje despertei com um desejo de optimismo. Quero começar a semana com confiança e com um espírito positivo. Quero caminhar até à próxima jornada com boa disposição.
Afinal de contas,

Somos os líderes do campeonato.
Faltam 10 jornadas e temos 4pts de avanço.
A vitória no Dragão dá-nos à partida vantagem no confronto directo. Portanto 5pts de avanço.
O Sporting já vai a 12 (ou 15) pontos.
Quem manda na Luz somos nós, o Braga que fique nervoso.
O Porto perdeu o seu pilar mais importante para os próximos jogos. Falo do Jackson claro.
O Porto ainda vai à sua madrasta Madeira enfrentar um Nacional de cara lavada.
Das 10 jornadas, 6 vão ser na Luz.
O Talisca já foi encostado ao banco. Só falta o Eliseu.
O Porto ainda tem de vir à Luz.
O Ola John voltou à sua melhor posição – suplente utilizado.
O Júlio César está de volta.
O Nico está de volta.
O Sílvio está de volta aos convocados.
O Amorim está de volta aos convocados.
O Lima já marca golos.
Temos dois reforços que talvez ainda venham a conferir mais qualidade à nossa equipa.
A estrelinha de campeão não nos larga.
Somos líderes do campeonato.
Somos Benfica.

domingo, 4 de janeiro de 2015

NOTAS DO PENAFIEL X BENFICA

1 - Vitória justa e praticamente sem sobressaltos perante um adversário que dificilmente terá qualidade para se manter na principal divisão do futebol português.

2 - Assustadora a descaracterização da equipa que ocorreu no espaço de um ano. Com um misto de saídas e lesões, o Benfica apresentou hoje um onze que tem uma qualidade individual muito aquém do que é necessário para ser campeão nacional.

3 - Chutão e bola para a frente. Quem tinha saudades do futebol de Quique Flores teve hoje uma bela reminiscência do que foi praticado pelo espanhol no ano em que cá esteve.

4 - Esta moda do lançamento de linha lateral que é despejado sem critério a pontapé para a frente é para continuar?

5 - Lisandro e Maxi, para mim, os melhores do Benfica. O primeiro com vários cortes de grande qualidade e com critério na saída com posse de bola. O segundo, em modo tractor, correu aquele flanco direito de trás para a frente e de frente para trás. Apesar das dificuldades (sobretudo pela falta de ajuda para defender), foi dos melhores.

6 - Ola John, o elo mais fraco. Ao contrário do jogo da Taça da Liga contra o Nacional, onde não mostrou vontade, hoje só mostrou incapacidade. Menos mau. Ainda assim, insuficiente. Saiu-lhe tudo mal.

7 - Pragmatismo. Com um onze com as limitações que este tem, o Benfica teria de ser pragmático. Atacar sem arriscar em demasia, saber defender sem se expor. Fê-lo com a qualidade que havia em campo. E isto bastará em 90% das vezes para ganhar a equipas da qualidade do Penafiel.

8 - Péssimo timing nas substituições. A ganhar 0-2 desde os 78 minutos, contra um adversário medíocre que estava reduzido a dez elementos e com vários jogadores a justificarem mais utilização para ganhar ritmo (no caso de Sulejmani) ou para se estrearem (no caso de Gonçalo Guedes), não se percebe porque motivo a primeira substituição foi efectuada apenas aos… 88 minutos.

9 - Gestão de recursos humanos. O que pensará um jovem com qualidade como Gonçalo Guedes ao ouvir o seu treinador dizer na flash que só o colocou em campo porque havia muitos jogadores lesionados, caso contrário não entraria?


10 - Boa arbitragem. Um golo bem anulado por fora-de-jogo e uma expulsão absolutamente justificada. Esteve mal, assim de repente, num lance em que Cristante usa o cotovelo para parar um ataque perigoso do Penafiel, à entrada da área, perto do minuto 90. Vai haver choradeira da parte de Sporting e Porto durante a semana.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

6 conclusões sobre mais uma época muito mal planeada

Só amanhã poderei fazer a análise ao planeamento da época e comparação entre os plantéis do ano passado e o deste, mas não quero deixar passar a oportunidade de, antes de um jogo fundamental na Europa e quando vamos muito bem lançados a nível interno, poder apontar as principais conclusões sobre as escolhas que esta Direcção decidiu fazer para a presente época.

Faço-o agora apenas e só por falta de tempo, já que gostaria de ter apresentado o texto logo a seguir ao dia 1 de Setembro, mas assim, como vamos vencendo, sempre permite que não tenhamos de ouvir ou ler os especialistas do Totobola à Segunda-feira.

Na verdade, teremos sempre de ouvir ou ler alguém vociferar contra uma análise que critique o que foi e continua a ser feito de forma incompetente, visto que estes verdadeiros especialistas do resultadismo (o pensamento boçal que passa pela equação «ora, se estamos na liderança à 6ª jornada, então é porque planeámos muito bem a época!» está muito em voga e tem muitos fãs, porque pensar... não é para todos, já se sabe) acham que criticar algo no Benfica é querer mal ao clube ou, e esta é verdadeiramente dos verdadeiros especialistas, nem sequer merecer festejar os títulos do clube. Mas, enfim, em todos os clubes há atrasados mentais. No Benfica nota-se mais porque somos muitos.

Alguns pontos que tratarei de analisar amanhã:

1) O evidente decréscimo de qualidade no plantel - piores opções para a baliza, piores opções para a defesa, piores opções para o ataque;

2) O meio-campo que acabou por, nos últimos dias, ser bem reforçado e, por isso, dar garantias para as várias competições em que o Benfica estará inserido;

3) Consequência do primeiro ponto, perda da brutal vantagem desportiva com que tínhamos acabado a época anterior - tudo devido a um modelo financeiro que é destrutivo e leva à necessidade constante de vendas que destroem plantéis campeões;

4) Mais uma vez, Jesus a ser minado no seu trabalho pelas escolhas erradas e erráticas de uma Direcção que, em desespero por pagar as monstruosas dívidas que deixou no clube - e que, em termos desportivos, deram muito poucos títulos -, acaba a não dar as condições que devia dar para que o treinador do Benfica possa ter sucesso (o que, evidentemente, não significa que Jesus não poderá ser competente o suficiente para dar a volta à incompetência dos dirigentes)

5) Um plantel que é demasiado curto em qualidade para as ambições naturais de um clube como o nosso.

6) Uma expectável (já antes do jogo com os russos na Luz) repetição no falhanço da fase de grupos, tendo em conta o mau planeamento da época.

Amanhã darei corpo a estes pontos.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Só boas notícias



Do dia de ontem sobram 3 excelentes noticias. A permanência e Enzo, a chegada de Cristante e a renovação do empréstimo de Sílvio, fazem deste plantel algo muito melhor do que seria sem estes 3 acontecimentos.

Há ainda a considerar que deixaremos de ler todos os dias que é “amanhã” que Enzo vai para Valencia. Deixaremos de ter que saber todos os dias que é no “próximo fim-de-semana” que Peter Lim vem a Lisboa buscar o Argentino. Ou seja, a imprensa escrita portuguesa terá de arranjar novo tema para nos invadir os olhos e ouvidos até à náusea, mas eles são bons nisso.

A adição de Sílvio ao plantel reforça-nos em 3 posições: Lateral direito, lateral esquerdo e, por consequência de nova e solução para a lateral direita da defesa, pode haver a deslocação de André Almeida para o centro onde tem jogado e dado bem conta do recado.

Quanto ao médio italiano, estou muito curioso para ver o que pode sair dali. Confesso que apenas vi um jogo dele com olhos de ver, ainda na NextGen Series ao serviço da equipa primavera do Milan. E do que vi, gostei muito, mas muito mesmo. Naturalmente que um jogo e num escalão etário inferior, não pode ser conclusivo, por isso não posso adiantar muito sobre o jogador, mas não deixo de estar expectante com esta contratação.

A única noticia menos positiva que fica deste defeso é o falhanço na contratação de um avançado com as características que Jorge Jesus pediu, ou seja, semelhante a Rodrigo. Por um lado Abel Hernandez (não vejo nele um jogador próximo de Rodrigo, mas ok) que recusou a transferência e de Joel Campbell (este sim, muito mais próximo de poder dar o que oferecia Rodrigo). Sendo assim, lá iremos ter que levar com Jara, pelo menos, até Janeiro. Fica a sugestão para Jorge Jesus: E porque não Nélson Oliveira em vez do Franco Esforçado Mas Fraco Jara?

Fechada a janela de transferências, e olhando aos planteis dos 3 candidatos ao titulo, embora com algumas mudanças em todos, continuo a achar aquilo que disse antes do inicio do campeonato quando falei sobre os nossos rivais, ou seja, o Porto tem o plantel mais forte, o Benfica tem um 11 muito competitivo, mas perde para os azuis e brancos na profundidade do seu banco, e o Sporting tem o 11 e restante plantel mais fracos dos 3.

sábado, 23 de agosto de 2014

Uma Candeia mal iluminada II



“Deste final de época, para além do triplo triunfo e consequentes festejos, sobra ainda a contratação do jogador Candeias, pertença do Nacional da Madeira.

Percebendo que se trata de um negócio de ocasião, por se tratar de um jogador em final de contrato, não consigo encontrar nesta aquisição uma lógica desportiva facilmente entendível. Candeias é um jogador interessante – não mais que isso – que se encontra próximo do seu limite evolutivo. Não vejo no extremo Português uma capacidade para evoluir muito mais do que conseguiu até ao momento, logo, não me é previsível que venha a ter um nível competitivo suficiente para assumir um lugar indiscutível no 11 do Benfica. Naturalmente que é um jogador com qualidade e capacidade para fazer parte do plantel, numa lógica de 2ª linha, mas não mais que isso.

Não obstante, jogadores para constituírem uma 2ª linha do plantel do Benfica já o clube tem sob contrato como Pizzi e/ou Ola John, para lá de Ivan Cavaleiro a quem é preciso dar competição, seja por via de oportunidades na equipa principal, seja por via de um empréstimo a um clube de primeira liga onde se possa impor como escolha principal.

Perspectivando as mexidas naturais do mercado de verão, e na pior das hipóteses, há a considerar as possíveis saídas de Gaitan e Markovic, ou seja, dois jogadores de classe e qualidades inegáveis. Perdendo estes dois fica a pergunta: Candeias é capaz de suprir alguma destas saídas do 11? Obviamente que não. Nem Candeias nem sequer Pizzi, Ola John ou sequer Cavaleiro.

O melhor que consigo prever para Candeias no Benfica é ser o Hugo Vieira ou Steven Vitória do próximo plantel, isto é, contratação para adepto ver (Hugo Vieira) sendo emprestado em seguida ou contratação para preencher uma das vagas na lista a enviar para a UEFA como jogador formado localmente (Steven Vitória).

Em suma, não há em Candeias nada que o diferencie positivamente dos jogadores que já se encontram contratualmente ligados ao clube.

E se a ideia era a de contratar um jovem português para as alas do ataque que pudesse ir evoluindo e conquistando o seu espaço, havia em Ricardo Horta uma solução muito mais promissora, até porque Candeias já conta com 26 anos. Não, não é um “velho”, mas está próximo do máximo que poderá dar, bem diferente do jovem extremo do Vitória de Setúbal e que já pertenceu ao Benfica.”

Este post foi por mim escrito no passado dia 23 de Maio, depois de ver confirmada a contratação de Candeias por parte do Benfica. Os comentários a este post foram muitos e variados, dos quais destaco:

“Quem és tu para falar num jogador que não conheces, quando ignoras tudo sobre futebol, quando falas contra decisões tomadas por especialistas de futebol (Rui Costa e JJ), ignorante dos processos estratégicos que estão por detrás destas decisões?
Os talibans já começam a tentar destabilizar, dar a sua opinião ignorante sobre tudo o que mexe no Benfica. Para ajudar os pasquins que lambem os beiços de satisfação.”

Qual o meu objectivo com isto? Vangloriar-me por ter razão antes do tempo? Passar uma imagem de entendido? Não, longe disso. O objectivo é puro e simples: Demonstrar como um simples adepto como eu, entre milhões, conseguiu perceber o que os PROFISSIONAIS do Benfica não conseguiram.

E são os “Candeias” da vida do Benfica que nos fazem ter dezenas e dezenas de jogadores sob contrato e mesmo assim não conseguimos iniciar a competição com um plantel claramente definido e com lacunas completamente colmatadas. É este o tipo de organização que reina no Benfica e são casos como Candeias, Djavan, Luís Filipe, Vitor Andrade, Fariña, Eder Luis, Rojas, Andrés Diaz, Cortez, Emerson, Roberto, Hugo Vieira e tantos, mas tantos outros que nos custam a afectação de verbas importantes e que geram endividamento escusado e desmesurado. Talvez um dia saibamos a história completa.  

sábado, 16 de agosto de 2014

E o presidente falou



A entrevista da passada Quinta, tão aguardada pelo universo benfiquista, pouco mais serviu do que para alimentar aquele pássaro tão conhecido nas hostes benfiquistas. E não, não me refiro aos famosos abutres mas sim aos barulhentos papagaios.
Um minuto depois do termo da mesma já era possível assistir aos comentários dados com ar de grande pensador mas vociferados pura e simplesmente com base na repetição.
Pelo menos este sucesso está sempre garantido.

Sobre a entrevista em si.

É verdade que o Hélder Conduto fez grande parte das perguntas que se impunham e até insistiu num assunto sensível e que à primeira vista até deixava o presidente algo desconfortável. Infelizmente uma entrevista não é um debate e o jornalista não pode ultrapassar certos limites. As perguntas foram feitas, os assuntos abordados e as respostas foram dadas. Quando o entrevistado responde a tudo (ou quase tudo), por mais que as respostas façam pouco ou nenhum sentido, o entrevistador pouco pode fazer, principalmente num canal onde a idoneidade do presidente não pode ser colocado em causa.



Quem não assistiu ao que se passou naquela hora na BTV, pouco perdeu. Como sempre, o actual presidente do Benfica utilizou do populismo, da superficialidade de argumentos e da ignorância (maioritariamente condicional) de muitos dos benfiquistas. A táctica é a de sempre: empurrar os problemas e assuntos para a frente.
Quem procurou aliviar as suas dores para os picanços com adeptos rivais, ficou satisfeito. Quem procurou perceber o momento do Benfica, ficou ainda mais assustado, não devido ao presente do clube mas sim devido à postura do presidente.



Antes de mais nada vou fazer um destaque de algumas informações (ou afirmações) que o LFV nos deixou.


O Benfica não tem qualquer problema de tesouraria.
A relação entre o presidente e o treinador está saudável e está na mesa a possibilidade de renovação com o JJ mas sempre nas mesmas condições contratuais que as presentes.

O Karnezis está perto de ser garantido.

As relações institucionais com o Real Madrid estão salvaguardadas.

Quando o Markovic foi contratado veio com 2 cláusulas, uma de preferência para o Chelsea e uma de rescisão de 25 milhões.
Antes do jogo em Turim com a Juventus, ficou apalavrado um potencial contrato para o Siqueira, contudo o seu empresário nos dias seguintes aumentou as exigências contratuais para números que o Benfica não está disposto a suportar.
Na venda, por 45M, do A.Gomes e Rodrigo, ficaram também definidas 3 cláusulas. Uma de 25% das mais valias de uma futura venda do André e outras duas de 5M por objectivos relacionados com o desempenho do Rodrigo, 10M que o Benfica conta receber já nos próximos dois anos.

O Enzo e o Nico só saiem pela cláusula.

Não há qualquer proposta da Juventus pelo Luisão e o jogador vai terminar a carreira na Luz.

O Benfica só tem urgência na contratação de um trinco. Definiu dois alvos sendo que um falhou e o outro está a ser negociado.

O Nélson e o Pizzi vão ficar no plantel.
O Sílvio é uma incógnita e o Atl.Madrid até já requisitou o seu certificado internacional.

O Bernardo, o Ivan e o Cancelo foram emprestados e não vendidos. Os 45M foram desmentidos.

O grande objectivo da época é o campeonato.

Foi feito um apelo aos adeptos para uma maior participação na vida no clube. Por outras palavras, a empresa precisa de mais clientes.

O presidente concordou com o seu vice quanto à questão da desigualdade de tratamento por parte do BES para com o Benfica e Sporting. Penso que esta situação é delicada demais para ser abordada nestes termos. É preciso contextualizar as situações.

E ainda houve tempo para um pequeno drama sobre um chover de praça.




Deixo agora aqui alguns excertos da entrevista:


HC – O Benfica está a fazer um desinvestimento no futebol, isto tem a ver com o BES?

LFV – Não. Primeiro deixe-me dizer que responderia por três fases. A primeira é que o Benfica por opção própria só desinvestiu em dois jogadores, concretamente no Garay e Cardozo. Foi uma opção própria do Benfica que tinha de o fazer e fez.
Em segundo lugar o Benfica não desinvestiu, dir-lhe-ia que o Benfica não investiu aquilo que investiu na época passada. Por diversas circunstâncias. Nós tínhamos a final da Liga dos Campeões na nossa casa, nós tínhamos feito uma época anterior fantástica mas infelizmente com resultados negativos porque não ganhámos nada. E então foi uma opção que nós tivemos foi nessa altura investir. Investimos e bem como bem se lembram, tivemos resultados e investimos também por uma situação que tinha muito a ver com a final da liga dos campeões no nosso estádio, tinha a ver com o sonho que todos tínhamos, tinha a ver um pouco com o Eusébio também. Penso eu que os resultados foram bastante positivos porque ganhámos tudo o que tínhamos para ganhar em Portugal e infelizmente na liga Europa não conseguimos fazer mais do que aquilo que fizemos.


HC – Mas neste momento qual é o grau de disposição do Benfica em relação aos riscos que o Benfica corre da crise do BES?

LFV – Não. Dir-lhe-ia que o Benfica é uma grande empresa que factura 100M de euros, aproximadamente, fora a venda dos jogadores, e tem endividamento natural por isso mesmo. Digo-lhe que toda a divida do Benfica nunca serviu para pagar custos operacionais ou custos de divida ou a divida em si, foi sempre para projectos estruturados que o Benfica investiu. Agora para um clube que cumpriu sempre com essa instituição não vejo porque vem sempre a história do BES para cima da mesa. Por ter mudado uma administração? Para quem cumpriu sempre, é um bom cliente, eu não estou a ver que vá mudar qualquer tipo de politica.


HC – Está a desmentir a notícia que foi cancelada a conta caucionada?

LFV – Estou a desmentir mesmo a noticia. Nunca foi cancelada nenhuma conta caucionada. Um cliente como o Benfica que paga nos últimos 10 anos 200M de euros de juros, acha que é um mau cliente? O banco precisa de um cliente como este.


HC – O presidente do Benfica está a explicar que investiu para criar a obra que já foi destacada. Mas os seus críticos dizem que não é investimento, que é endividamento.

LFV – Se toda a gente dissesse bem de mim e concordasse comigo eu ia-me já embora. Já houve algumas críticas que me fizeram aprender alguma coisa mas há outras que não aceito.
Há uma coisa que lhe garanto. Quando cheguei ao Benfica não havia memória do Benfica, hoje posso-me ir embora que vai haver memória sempre.


HC – Deixe-me recuperar a notícia do expresso. Diz que o Benfica precisa de realizar em transferências de jogadores 200M euros para pagar obrigações até ao final do ano. Isto é verdade? O Benfica precisa de um encaixe desta natureza para cumprir os pagamentos dos empréstimos obrigacionistas e não só?

LFV – Não, repare, o Benfica já se venceu outros empréstimos obrigacionistas e conseguiu-os liquidar, é verdade renovando-os praticamente. Não há razão nenhuma para esta nova administração do banco novo estar preocupada com a situação do Benfica.

HC – Portanto não está a vender jogadores para pagar os tais cerca de 200M?

LFV – Eu não vendi jogadores, não está a compreender.

HC – Mas os jogadores saíram e o Benfica encaixou dinheiro.

LFV – Está bem encaixou, o dinheiro está cá.

HC – Esse dinheiro vai servir para pagar estes empréstimos?

LFV – Não sei se vai ser ou não mas o Benfica vai cumprir.

HC – O Benfica vai renegociar os empréstimos obrigacionistas ou vai reembolsar?

LFV – Vamos fazer o que fazemos sempre. Vamos liquidar. Vamos liquidar mas podemos contrair outros empréstimos.


LFV – Ainda hoje vinha uma notícia num jornal de que o Danilo está perto do Benfica. Como é que é possível um jogador que abandonou o Benfica, o Benfica querê-lo dentro da nossa casa. Comigo não é possível.




HC – Há muita gente que diz que o Benfica fez um mau planeamento da pré-época.



LFV – Não. A pré-época é a pré-época. Foi uma opção técnica do treinador. Se calhar até foi bom os resultados porque com a euforia que havia foi bom voltarmos à realidade, ter os pés bem assentes na terra, voltarmos a ser humildes e o nossos jogadores perceberem que não se ganha só pela euforia. Isso já foi muito mau para nós.





HC – Muitos críticos também disseram que o Benfica demorou muito tempo para encontrar substitutos para os jogadores importantes que saíram. Nomeadamente para o guarda-redes Oblak, para o meio-campo depois da lesão de Fejsa… Porque é que o Benfica tem demorado tanto tempo…



LFV – O Oblak nunca pensámos que fugisse novamente. Foi uma surpresa, não tenho de ficar desiludido mas curiosamente já nos foi oferecido novamente.





HC – Mas também pegando aquilo que tem sido dito sobre a preparação da época do Benfica, tem sido dito que o Benfica já contratou muita gente mas que não são reforços. O Benfica tem contratado mal?



LFV – Acho que não, o Benfica não contrata mal. Mas se nós fossemos bruxos todos de certeza que não havia falhas. O caso do Oblak, contratámos foi emprestado. O caso do Enzo, chegou em Julho e saiu logo em Dezembro. E outros mais.



HC – O Benfica contratou Luís Felipe, Djavan, Farina, Candeias… Porque é que o Benfica faz estes negócios se depois os jogadores não ficam no plantel principal?



LFV – Então repare se não fizesse o negócio do Enzo não valia a pena, se não fizesse o negócio do Oblak não valia a pena, mesmo o caso do Djuricic que foi agora emprestado tem mais qualidade… não está é devidamente integrado no Benfica.

No caso do Luís Felipe, voltou para o Brasil. Esteve cerca de 6 meses parado mas temos esperanças que dentro de um ano ele regresse. No caso do Djavan, o Benfica não saiu prejudicado financeiramente e ficou com direito de opção sobre o jogador.
Entendemos que havia um determinado jogador que era português, o Eliseu, o qual preferimos e tivemos de fazer uma operação para o jogador ir para o Braga.



HC – O Eliseu era um namoro antigo mas o Benfica não apanhou esse jogador disponível quando estava a custo zero porquê?



LFV – Olhe porque há coisas que nos escapam também mas o custo do jogador para o Benfica não é nada que possamos estar a dizer que o Benfica foi muito penalizado.





HC – Em relação ao mercado de transferências. Começando pelo Garay. Como é que o Benfica vende um jogador que é vice-campeão do mundo e teve o currículo que teve no Benfica, é verdade que estava no último ano de contrato, por 6M de euros?
 
LFV – Deixe-me fazer outra pergunta. Eu explico o negócio todo do Garay.
Quando veio para o Benfica foi na altura que vendemos o Coentrão e ficámos 50% do Garay, que era para sair no ano seguinte de imediato pois tinha um salário muito elevado. Assim colocámos uma cláusula de rescisão muito baixa de 20M. Ao longe destes anos nunca tivemos nenhuma proposta e ele também não queria sair.
Apareceu uma oferta concreta de 15M em Janeiro e comunicámos ao Garay que não o podíamos deixar sair naquele momento mas que falávamos no final da época.
Sabendo o contrato que ele ia ter, nós não podíamos competir nem ele podia recusar uma oportunidade destas.
Não havia sequer hipótese de renovação pois isso só seria possível com redução salarial.
 
HC – Portanto não dá este como um mau negócio?
 
LFV – Eu acho que face às circunstâncias que tivemos e à motivação dele próprio não tínhamos outro caminho a seguir nem espaço para discutir porque o Garay em Janeiro estava livre. Não valia pena estar a contrariar o Garay, aí sim era uma situação delicada para nós, um jogador em final de contrato ficar mais uns meses para em Janeiro assinar…



HC – E não ponderou esperar até ao final do Mundial por outra proposta melhor?
 
LFV – Não porque havia um acordo entre nós. 48 Horas antes de começar o Mundial tinha de estar tudo resolvido.





HC – Quando o Markovic aterrou em Lisboa há um ano, já havia um compromisso para ele sair no final da temporada?



LFV – Não. Havia duas cláusulas no contrato, uma que dava direito de preferência ao Chelsea e outra de outro montante que era de 25M. As pessoas podem perguntar porque é que era 25M de euros? Isto dá para os dois lados quer dizer, se o Markovic chegasse e não jogasse era uma cláusula bastante elevada.





HC – E há cláusulas de opção de compra dos passes do Cavaleiro, Bernardo Silva e Cancelo para lá dos empréstimos.
 
LFV – As cláusulas estão lá nos jogadores. Imagine que aparece uma proposta de 15M de euros por um jogador que nunca jogou na equipa principal do Benfica, nós não podemos ignorar.
 
HC – Mas acha que são os clubes certos para (o Cavaleiro, Cancelo e Bernardo Silva) crescer?
  
LFV – Oiça, o Rui Costa quando apareceu foi crescer para o Fafe. O Ivan vi-o agora a jogar no Corunha e fiquei muito feliz por o ver a titular. O Bernardo foi para o Mónaco e o Cancelo para o Valência. Todos os anos vão sair jogadores do Benfica para ser emprestados. É natural que um ou outro caso possam ficar no Benfica e outros vão seguir a sua fase de crescimento com hipótese de regressar ao Benfica.




HC – O Sr. Luís Felipe Vieira já apresentou um projecto que é um Benfica made in Benfica. Isto não é uma inversão nessa estratégia?
 
LFV – E vamos lá chegar. Não é inversão nenhuma. Então nós íamos deixar os nossos jogadores dentro de casa. Repare, o A. Gomes e o Ivan já estiveram na nossa equipa principal. O Ivan não tinha espaço na equipa A do Benfica, nem o Cancelo ou B. Silva, não íamos pô-los na equipa B do Benfica. Foram crescer para grandes clubes. Como outros vão seguir o mesmo percurso.

Nós cada vez mais vamos apostar nos nossos jogadores.





HC – Ivan Cavaleiro disse que dificilmente volta ao Benfica se o JJ for o treinador. Não há aqui um contra-senso.
 
LFV – Não o Ivan… depende das circunstâncias onde foi. Foi no Corunha e estavam lá jornalista portugueses que o provocaram para essa situação.
 

HC – Mas está a ver o Benfica com JJ no comando e ter no plantel e a jogar B. Silva, J. Cancelo e Ivan Cavaleiro?
 
LFV – Não vai ter alternativa, não vai ter alternativa.
 

LFV – As pessoas têm memória curta. Há 9 anos não havia nada, não havia formação nenhuma, não existia e então andavam com a mala às costas.




HC – Há uma frase que é permanentemente ligada a LFV, foi quando disse que o Benfica tem como objectivo ganhar a LC. Será que é possível manter esse objectivo ou acha que face às circunstâncias é preciso dizer aos benfiquistas que futuramente isso não é possível?

                                

LFV – Nós provámos este ano que isso é possível. Fomos manifestamente infelizes da maneira como fomos afastados pelo Olympiakos.



HC – Prefere chegar aos quartos da LC ou ganhar a LE?



LFV – Ganhar um título europeu é muito mais importante do que chegar aos Quartos de finais.





HC – Muito se pergunta sobre as contas da BenficaTv. Que lucro é que dá? Quando é que gasta? Quanto é que recebe? É possível adiantar alguma coisa?



LFV – A única coisa que podemos dizer é que é um projecto inovador, somos pioneiros no Mundo, estamos felizes com o que podemos e temos alcançado.





LFV – Recebi uma carta de um sócio do Benfica a dizer que as minhas opções estavam a colocar em causa a mística do Benfica. Eu penso que pelo contrário nada existia, não existia mística alguma.




LFV – Eu vi nos últimos dois meses coisas que fiquei boquiaberto e preocupado. Eu vi jovens com faixas ofensivas, não digo só a mim… quando falo ofensivas a mim falo ofensivas ao Benfica. Até mesmo palavras impróprias aos profissionais do Benfica porque a pré-época não estava a ser boa. E são jovens que não têm memória curta, não se lembram minimamente o que se passou há 14 anos.



HC – Isso fá-lo repensar a sua ligação e tarefas que tem no Benfica?



LFV – Não. Eu já disse que estou numa missão e não abandono as coisas a meio. Mas faltam poucas coisas para fazer. Tenho mais dois anos de mandato e sei o que tenho para fazer nesses anos. Também não é menos verdade que á não se pode exigir muito mais. As pessoas não podem andar exigir, exigir, exigir, exigir porque a obra está cá, está feita, foi feita com o objectivo de não voltarmos a cometer os erros que cometíamos.







Muitas das respostas e afirmações do presidente Luís Felipe Vieira falam por si (e se falam…). Quanto a essas nada mais é necessário acrescentar. Contudo outras não podem passar sem um comentário.
 
O presidente LFV nesta entrevista diz claramente que o clube nada tinha a dizer sobre a venda do Markovic e do Oblak pois os valores das cláusulas de rescisão foram pagos. Com tanta negociação que houve custa acreditar nessa realidade. È que é preciso lembrar que tal só acontece quando o valor é pago totalmente no imediato e dificilmente, por todo o processo que decorreu, foi isto que aconteceu.



O presidente vem também confirmar que afinal o clube sempre investiu a pensar na final da Liga dos Campeões. Nesta visão descabida, e só nesta visão descabida mesmo, os resultados da época passada ficaram aquém do exigível. Um pouco contraditório com o que é dito por LFV.
No meio desta conversa toda é metido o nome do Eusébio ao barulho, dizendo que o Rei foi um dos motivos para tamanho investimento. Não sei qual foi o objectivo deste argumento mas sei que ficou muito mal ao presidente esta referência.



De seguida quero referir a insistência do LFV em se referir ao clube Sport Lisboa e Benfica como uma empresa. Só quero mesmo fazer esta pequena referência.


O assunto “BES” foi sem dúvidas o momento mais negro de toda esta entrevista. As voltas que o presidente deu com a sua revolta sobre o assunto só não foram cómicas porque estamos a falar do Benfica.

Basicamente insistiu na ideia que a troca de administração de um banco não afecta a sua relação com uma empresa cumpridora, com um excelente cliente. Acho que todos sabemos que o que aconteceu no BES não foi uma troca de administração mas sim uma quase falência. Será possível qualquer cliente achar que a quase falência de um banco não vai ter qualquer implicação só porque o mesmo sempre cumpriu os seus compromissos com o banco? Ainda por cima falando de um cliente que não é cumpridor no pagamento da divida mas sim dos juros da mesma. Será que alguém pode, em consciência, afirmar que a quase falência de uma instituição bancária não vai alterar as suas politicas?
Relativamente ao assunto BES, estivemos presente uma prestação no mínimo vergonhosa por parte do presidente do Benfica. Nem se pode considerar um “atirar areia para os olhos” porque a mesma foi atirada em direcções sem qualquer sentido. Foi o simples empurrar o problema para a frente e fingir que está tudo bem e que a grave crise do BES em nada afecta o Benfica. Um triste momento.



200M de juros ao BES em 10 anos. Sim ouvimos bem.
 
Será que ser um bom cliente para os bancos é a nova bandeira desta direcção?


Ainda sobre a dívida ao BES, ficámos a saber que o plano passa por continuar a pagar divida com mais divida, por aumentar o endividamento. E este plano é mais uma vez traçado ignorando o momento do Bes/Novo Banco.



A conversa sobre o Danilo só não pega porque o presidente do Marítimo também falou. Isto mais parece um típico caso de empoleiramento após uma nega. Como quando um rapaz diz que nunca quis nada com uma rapariga depois de ter levado uma grande tampa.



A liderança do clube e da equipa ficou também exposta nesta entrevista. Esta é tão competente que são necessários maus resultados para os jogadores serem humildes e assentarem os pés na terra.



Quanto à novela Oblak só há a dizer que a mesma já cheira mal. Se é só para isto então mais vale nem se tocar mais no assunto. Infelizmente neste assunto o Hélder Conduto fez as perguntas que se impunham para desmontar todo este episódio.



Sobre o negócio Eliseu o presidente do Benfica, por outras palavras, lá admitiu que se tratou de pura incompetência dos responsáveis do nosso clube (sim eu disse clube).


Interessante também a comparação da situação do L.Felipe e Farina (e mais uma dezena de outros) com a do Oblak e a do Enzo. Faltou ao Hélder Conduto explicar ao presidente que o Enzo não foi emprestado por falta de qualidade ou más prestações mas sim devido a questões disciplinares e que o Oblak chegou ao Benfica com 17 anos, tendo desde sempre mostrado o potencial que acabou por comprovar.
 
Sobre o Garay há um amontoado de ideias que é preciso desmontar. A história foi longa mas em momento algum foi explicado como é que o mercado somente ofereceu 6M pelo jogador. Ficou esclarecido que o jogador queria sair e que o Benfica tinha intenção de o vender. Ficou esclarecido que o Zenit apresentou uma proposta de 6M pelo argentino e que o Benfica tinha de responder antes do início do Mundial. O que não ficou esclarecido foi o porquê de aceitar 6M por um jogador como o Garay, o qual estava prestes a começar um Mundial como titular pela Argentina. Também a justificação para a cláusula de rescisão não faz qualquer sentido, a menos que um jogador não possa ser vendido abaixo do valor da mesma. E já agora, alguém que explique ao presidente do Benfica que mesmo que um jogador em final de contrato assine por outro clube em Janeiro, continuará a ser jogador do clube até Julho.
 
Depois sobre o Markovic voltamos à história da cláusula de rescisão mas desta vez de uma forma ainda mais descabida. Portanto, o que nos foi dito foi que o sérvio só não tinha uma cláusula de rescisão superior porque depois as pessoas podiam comentar que a mesma era demasiado alta para o valor do jogador.
Infelizmente foi mesmo isto que o presidente do Benfica disse.



Mais à frente, no meio de um gaguejo, pareceu que o presidente do Benfica lá disse que os três jovens do Benfica foram emprestados com cláusula de aquisição. Também não se alongou muito neste assunto. Contudo, conseguiu ainda foi comparar o Fafe com o Deportivo, Mónaco e Valência.



A conversa sobre o Benfica made in Seixal já só ilude quem quer ser iludido. Será assim muito difícil perceber que os jogadores da formação só vão ter espaço no plantel quando quem manda contar com eles na elaboração do mesmo? Ou se deixa espaço os miúdos integrarem o lote de 25 jogadores ou então o Benfica made in Benfica nunca vai passar de um slogan bonito mas populista e oco. Como é que se pode insistir nesta ideia quando todos os verões contratamos mais de uma dezena de jogadores?
Isto que se está a fazer ou é mentir ou é não se perceber minimamente daquilo que o processo exige.



Quanto às declarações do Ivan sobre o Jorge Jesus, as quais são idênticas às de vários outros jogadores, ficámos a saber que tudo não passou de uma provocação dos jornalistas portugueses. Ok, é isso.



Aquela conversa sobre vencer a Liga dos Campeões e sobre a preferência entre chegar aos Quartos desta ou vencer a Liga Europa, merece algum tipo de comentário? Até o Hélder Conduto se engasgou com a resposta do presidente.



E sobre os lucros da BenficaTv…





“Nas horas da derrota é que temos de ser muito fortes, não é na derrota que temos de criticar, é quando estamos a ganhar que nos têm de criticar.”


“Se toda a gente dissesse bem de mim e concordasse comigo eu ia-me já embora.”





A primeira afirmação vem para confundir os fanáticos do “apoia”. A segunda vem para confundir aqueles que não concordam com a política da actual direcção do Benfica. Será que…
 
Felizmente esta entrevista coincidiu com a estreia dos Expendables e assim deu para aliviar momentaneamente muita da tensão acumulada durante aquela hora.