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terça-feira, 25 de abril de 2017

Doentio

Na antecâmara do derby, fora das quatro-linhas, faleceu uma pessoa vítima de atropelamento na sequência de uma rixa entre adeptos de Benfica e Sporting supostamente afectos a claques dos respectivos clubes. Penso que importa analisar este caso não só pelo facto de ter ocorrido um homicídio mas também pelo aproveitamento do mesmo que adeptos e dirigentes têm tentado tirar para branquear épocas de insucesso, desculpabilizar culpados e para demonstrar o que não são.

O falecido, que me custa catalogar como sendo adepto de futebol, era afecto à Fiorentina e com ligações às claques do Sporting. Ter-se-á deslocado a Portugal para "viver" o clássico juntamente com um grupo de adeptos organizados do Sporting (alguém sabe se iria sequer ao jogo?) à sua maneira. E é nesta estranha forma de vida que gostaria de reflectir um pouco: o que estariam os adeptos do Sporting a fazer naquele local, àquelas horas, na véspera de um derby? Não foram seguramente ver as vistas, passear com as famílias nem terminar faixas, coreografias ou estandartes. Estavam ali com um de dois propósitos: vandalizar murais e infraestruturas fora ou mesmo pertencentes ao complexo da Luz ou para uma rixa previamente combinada com adeptos afectados a claques do Benfica. Se foi a primeira, a inexorável precipitação de eventos é de lamentar mas não pode nem deve surpreender ninguém, pois este é o modus operandi de uma escumalha sem ocupação independentemente se serem vermelhos, verdes ou azuis; se foi a segunda, a lamentar só mesmo não ter havido mais estropiados, uma vez que estes indivíduos que se dizem adeptos de um clube não são mais do que adeptos de uma organização que, legal ou não, serve para encapotar um conjunto de práticas que não são, de todo, legais.

E é precisamente sobre a legalização das claques que me debruço. Pese embora não ter doutoramento na matéria, gostava que claqueiros, dirigentes desportivos e governantes me explicassem quais os benefícios práticos da legalização das claques. O futebol ficou pacificado? Diminuíram os crimes de elementos dessas mesmas associações? Que se saiba, não. Uma medida sem tradução prática e que na prática não serve para mais a não ser para os "ilegais" continuarem a cometer as suas ilegalidades e os "legais" perpetrarem as mesma práticas com a suprema lata de acusarem os "ilegais" de não estarem legalizados.

E quando estas acusações se estendem aos presidentes, pior o caso fica. De Bruno de Carvalho já não se espera nada de construtivo, positivo ou digno para o futebol português. As mais recentes declarações onde, de forma abjecta, tenta tirar proveito do falecimento de alguém para atacar uma instituição como o Benfica são a prova disso mesmo. Com a agravante do triste espectáculo da entrega da coroa de flores aos membros de uma claque organizada como forma de mostrar solidariedade para com a morte do italiano, para inglês (e câmara de televisão) ver, uma vez que a mesma coroa de flores seria depositada no lixo comum no dia seguinte. Por outro lado, a postura de Luís Filipe Vieira, por aí tão elogiada, merece vários reparos, a começar pelo proteccionismo que a direcção do Benfica continua a dar aos adeptos das claques no que à aquisição de bilhetes diz respeito, como se viu aliás para o jogo de Alvalade.

Já se sabe que a justiça, no futebol português, é um conceito muito arbitrário e que reflecte essencialmente o benefício do clube de cada adepto. A pacificação do futebol nacional é um mito e uma ilusão que se encontram muito longe de ser cumpridos. Com adeptos, dirigentes clubísticos e dos organismos reguladores do futebol nacional e com governantes como estes, diria mesmo que tal será impossível. São estes os responsáveis pelo estado doentio que se vive no futebol português.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Porque vai o Benfica perder o derby de Domingo

Na antecâmara de mais um derby dos derbies, o Benfica vem deixando sinais desencorajadores relativamente ao momento de forma e ao futebol praticado em campo. De cinco pontos de vantagem sobre o eterno rival, arrisca-se a terminar a próxima jornada atrás do Sporting. E este Nostradamus que vos escreve acredita que tal acontecerá.

O principal motivo para tal crença prende-se com a forma como Benfica encara e joga os grandes jogos, contra equipas de valia desportiva semelhante, como Napoli, Besiktas e Porto. Se nos jogos com os italianos até se admite a superioridade transalpina, fruto não só da qualidade individual dos seus jogadores mas também pelos princípios de jogo, com privilégio pela posse de bola, maioritariamente a circular pelo corredor central, impostos por um dos melhores e mais sedutores treinadores europeus, tal não se compreende com equipas como Besiktas e Porto. Consentir e aceitar o domínio do Porto de Nuno Espírito Santo é um péssimo sinal. Especialmente quando, nos escassos momentos em que o Benfica tinha posse de bola, conseguia colocar em sentido a equipa azul-e-branca. Com o Besiktas, na Turquia, sinais diferentes de um mesmo problema: a forma como a equipa abdicou da posse de bola, voluntariamente, após o terceiro golo, despoletou a sólida recuperação dos turcos, potenciada por 15 minutos de descontrolo emocional à semelhança do que se vira em Napoli. Por outro lado, o Sporting, nos jogos que teve esta temporada com equipas de valia semelhante ou superior à sua (Porto, Dortmund e Real Madrid), conseguiu produzir exibições sólidas em todos os jogos, sem se encolher, com excepção na recepção aos alemães. Falhou em momentos chave, é certo, o mais flagrante esta quarta-feira passada com o Legia, mas é uma equipa que nos jogos grandes não se amedronta, não recua, não despreza a posse de bola e põe os adversários em sentido. Deste modo, não me admiraria se o Sporting entrasse na Luz sem medo, com vontade e capacidade para mandar no jogo, tal como no ano passado com o resultado que se conhece.

E tal situação é um espelho, mais do que o que valem as equipas, do que são os seus treinadores. Já aqui explanei o que penso de Jesus e de Vitória em escritos anteriores e o que faz de cada um deles, à sua maneira, com as suas características, treinadores com sucesso a nível nacional. Enquanto Jesus vale o que vale pelo que sabe e conhece do jogo, no plano táctico, peca no lado humano, na condução de homens, na forma como lida com a adversidade, onde Rui Vitória leva vantagem. Contudo, é nesta dualidade Jesus x Vitória que reside a força e a potencial da vantagem do Sporting e do seu treinador para o jogo de domingo. Pese embora o facto de o Benfica se ter sagrado campeão nacional, o ascendente psicológico de Jesus sobre Vitória é uma realidade que neste momento me parece indesmentível. Da mesma forma que Mourinho tem um ascendente sobre Wenger ou o Barça continua a conseguir dominar o Real Madrid, Jesus continua por cima nestes duelos com Rui Vitória, contribuindo para tal as três vitórias conseguidas nos primeiros quatro meses da época passada, com especial destaque para aquele derby que, por muito que tentem, os jogadores e adeptos do Benfica não esquecerão quando entrarem na Catedral no próximo domingo.

Por fim, a qualidade colectiva e individual. Acredito que do ponto de vista colectivo as equipas estão significativamente mais próximas uma da outra por esta altura do que há doze meses e que as diferenças que se poderão sentir no domingo serão fruto do que foi escrito nos parágrafos anteriores, isto é, da forma como jogadores e treinadores encaram os grandes jogos, nomeadamente o encontro com o maior rival. Já no campo das individualidades, estou longe de estar tranquilo. André Almeida não oferece a mesma qualidade que Eliseu (sim, leu bem, Eliseu); Luisão e Lindelof estão num momento de forma medonho (falaremos disso noutras núpcias) e Pizzi quando é obrigado a tarefas defensivas no corredor central contra equipas de alguma valia vê-se dominado pelas circunstâncias. Por tudo isto, não me chocaria se o Sporting saísse da Luz com os três pontos e a liderança.

domingo, 22 de novembro de 2015

Bailando

“O que aconteceu no domingo na Luz dificilmente voltará a suceder em circunstâncias semelhantes. O Sporting chegou a uma vantagem dilatada de uma forma dificilmente repetível, naquele que terá sido provavelmente o jogo mais fácil da temporada para a equipa de Jorge Jesus. Não se pense, contudo, que a vitória dos verde-e-brancos é injusta ou está aqui a ser menorizada. Não está. O maior erro será, por ventura, pensar que o jogo caiu para o lado do Sporting por acaso. Não, não e não. O Sporting foi mais organizado, soube tirar proveito dos momentos do jogo, foi mais adulto, maduro, trabalhado e, virando as palavras contra o próprio Rui Vitória, foi mais (a única) equipa. Vimo-lo na Supertaça e voltámos a vê-lo na Luz. O Sporting não vencerá o Benfica nem por 0-3 nem com facilidade em todos os jogos. Mas da forma como estão as coisas, seria surpreendente que o Sporting, em dez jogos com o Benfica, não ganhasse pelo menos sete ou oito, alguns deles com facilidade. Por questões que se prendem com as individualidades e com o colectivo. E quem não acredita nisto terá a realidade a entrar novamente de chofre pela cara adentro já no próximo dia 22 de Novembro.”

in Previsível, Ontem Vi-te no Estádio da Luz, 27 de Outubro de 2015

Vamos directos ao assunto. Não há volta a dar, o Benfica meteu-se a jeito. Primeiro na pré-época, ao não conseguir despachar Jorge Jesus para as arábias, como era aparentemente vontade de Vieira. Depois, ao potenciar o agravamento de uma situação por demais óbvia e que já se adensava desde o início da temporada anterior, a política de desinvestimento brutal no futebol, que serviu apenas para agudizar todos os problemas já conhecidos. O Benfica meteu-se nesta alhada porque quis. Porque foi anjinho. Basicamente, porque foi incompetente.

O Benfica começou a perder o jogo de sábado na conferência de imprensa de antevisão ao clássico, no só pelo atraso patético de Rui Vitória, que queria saber antecipadamente o que Jesus iria dizer, ou pelo menos que o treinador do Sporting não pudesse usar as suas palavras na conferência de imprensa do Sporting, mas também pelo próprio conteúdo que verbalizou, que mostrou um Rui Vitória completamente perdido, com um discurso pobre, desconexado e repetitivo. O desnorte que o Benfica revela dentro de campo tem o seu espelho no discurso e na postura que o seu treinador evidencia fora dele. O Sporting ganhou bem, merecido, ao som de bailando na conferência de imprensa de antevisão e no relvado.

Contudo, a culpa não morre só com o treinador. Já no ano passado o Benfica tinha sido claramente inferior ao Sporting no confronto directo. No jogo da Luz acabaram por ser os leões a dispor das melhores ocasiões de golo, com Slimani a falhar um golo feito no último fôlego da partida, enquanto que em Alvalade foi uma avalanche da equipa de Marco Silva que terminou com um anti-climáx final quando Jardel fez o primeiro e único remate do Benfica à baliza de Patrício nesse jogo, para golo, por sorte. E quem diz com o Sporting diz com o Porto (empate sofrível na Luz e vitória milagrosa no Dragão) e nos seis jogos que efectuou na Liga dos Campeões. Este ano, à semelhança do que aconteceu na época passada, o Benfica demite-se de jogar o jogo e procura apenas vencer com base na sorte de um chutão para a frente poder resolver a questão. E aqui o problema não é só do treinador (ou dos treinadores, neste caso). Prende-se essencialmente com a falta de qualidade dos intérpretes. O Benfica deu-se ao luxo de perder jogadores essenciais, com Maxi à cabeça, e ainda Salvio por lesão, sendo que Lima foi o único cuja saída acabou por ser colmatada com alguma qualidade. Se a estes problemas somarmos uma defesa envelhecida em que Sílvio tem abordagens assustadoramente más aos lances, Luisão está em pré-reforma, Jardel só tem mostrado o agravar das suas deficiências com a idade (para não falar no inenarrável Eliseu, que ontem nem foi o elo mais fraco), e um miolo do terreno sem a qualidade de outros tempos, nomeadamente craques como Javi, Ramires, Witsel, Matic ou Enzo, fica tudo muito mais perceptível.

E não venham com a desculpa da formação. Não se perdem estes jogos pela aposta nos jovens da formação. Basta ver que o Sporting terminou a partida de ontem com 7 elementos da sua academia. O projecto da aposta na formação encarnada está correcto. E tem tanto de correcto como de mal conduzido.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Previsível


Só se surpreendem os ingénuos, os sonhadores e os inconscientes. A esses, a realidade atinge-os de chofre, sem qualquer espécie de aviso, qual comboio desfrenado e desgovernado. Quando nos preparamos para o pior, a dor é atenuada. Não por fatalismo, não por acomodamento, resignação ou qualquer outro sentimento. A análise fria e racional de tudo o que se tem passado nos últimos dez meses no Benfica leva a essas conclusões. Poderão dizer que falar depois desta derrota é fácil. Será, certamente. Mas não sejam desonestos ao ponto de se esquecerem do que as Pitonisas de Delfos que por aqui escrevem vinham alertando desde o início da temporada.

Três lances com erros individuais, três golos sofridos: no primeiro, Luisão com um corte deficiente, Almeida com perda de bola em zona proibida, Sílvio a colocar meio mundo em jogo e Júlio César a não ser assertivo na saída da baliza; no segundo, Sílvio sem baixar para encurtar o espaço entre o lateral e o central e Luisão com uma abordagem desastrosa, a permitir que Slimani tivesse tempo e espaço para se posicionar na perfeição e para cabecear sem dificuldades; no terceiro, uma vez mais Sílvio, que parte na frente de Ruiz no meio-campo leonino para só conseguir chegar depois do costa-riquenho, e Almeida, que não compreende que tem todos os companheiros de olhos postos no portador da bola e que se esquece da ameaça no espaço vazio onde viria a aparecer Ruiz. Assim se decidiu o derby.

Seria no entanto redutor resumir o jogo a esses três erros. Sé é certo que contribuíram para o resultado, não podemos encobrir o facto de esses mesmos erros surgirem também por questões que não estão exclusivamente relacionadas com as individualidades, com os intérpretes do jogo. Há todo um erro neste Benfica chamado “organização defensiva”. Se Jorge Jesus não era, ao contrário do que alguma imprensa e um ou outro internauta que se acha especializado queriam transparecer, um génio da organização defensiva, Rui Vitória ainda menos será. E com a escassez de qualidade das individualidades, essas carências realçam-se. A ausência de pressão na primeira fase de construção do adversário, o alheamento defensivo dos avançados e dos extremos em vários momentos defensivos do jogo, o espaço entre-linhas que se abre entre o meio-campo e a defesa e a incapacidade de fechar o corredor central tanto em lances de ataque organizado como em transições são só alguns dos problemas que um leigo com alguns anos de futebol a passar-lhe pelos olhos consegue descortinar. 

Urge portanto rectificar os erros. Não com a precipitação de despedir o treinador e contratar dezenas de jogadores de forma a constituir um novo plantel, mas com a celeridade necessária para que o Benfica se apresente mais competitivo e com reais possibilidades de lutar por títulos. E se o treinador, quanto a mim, ainda tem espaço de manobra para mostrar o que vale até final da época, o mesmo não se poderá dizer de alguns (muitos) jogadores: é que entre jogadores em início de ciclo, jogadores em fim de ciclo e jogadores cujo ciclo nunca deveria ter começado num clube com a grandeza e com as responsabilidades do Benfica, são poucos os que sobram. Mas isso são contas de outro rosário e que a seu tempo serão analisadas.

O que se vê hoje no Benfica é o resultado de um desinvestimento que se vem observando há quase dois anos mas com uma agudização e vertigem ainda maior desde o verão passado. Já disse anteriormente que não sou contra esse desinvestimento, especialmente por ser um “mal” necessário face ao endividamento em que os actuais dirigentes colocaram o clube e por o Benfica se ter dotado de um conjunto de infraestruturas e de profissionais competentes na área da formação do futebol jovem que poderão (e deverão) recatapultar o nosso clube para o sucesso a médio-prazo. Tem é de haver essa assumpção por parte de quem nos dirige. Tem de haver essa frontalidade e honestidade para com os sócios.

O que aconteceu no domingo na Luz dificilmente voltará a suceder em circunstâncias semelhantes. O Sporting chegou a uma vantagem dilatada de uma forma dificilmente repetível, naquele que terá sido provavelmente o jogo mais fácil da temporada para a equipa de Jorge Jesus. Não se pense, contudo, que a vitória dos verde-e-brancos é injusta ou está aqui a ser menorizada. Não está. O maior erro será, por ventura, pensar que o jogo caiu para o lado do Sporting por acaso. Não, não e não. O Sporting foi mais organizado, soube tirar proveito dos momentos do jogo, foi mais adulto, maduro, trabalhado e, virando as palavras contra o próprio Rui Vitória, foi mais (a única) equipa. Vimo-lo na Supertaça e voltámos a vê-lo na Luz. O Sporting não vencerá o Benfica nem por 0-3 nem com facilidade em todos os jogos. Mas da forma como estão as coisas, seria surpreendente que o Sporting, em dez jogos com o Benfica, não ganhasse pelo menos sete ou oito, alguns deles com facilidade. Por questões que se prendem com as individualidades e com o colectivo. E quem não acredita nisto terá a realidade a entrar novamente de chofre pela cara adentro já no próximo dia 22 de Novembro.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Samaris, o perfeito exemplo da teimosia de Jesus



Já é mais que sabido que Samaris é um número 8, um jogador forte no transporte, posse e na aproximação à área. Também já é mais que sabido que chegou à Luz para ser o novo número 6 de Jorge Jesus. 

Chegou em Setembro e estamos agora em Fevereiro. Ainda não conseguiu assumir-se como o 6 que o Benfica exige. Naquela posição tem alternado entre jogos maus e jogos medianos. Naquela posição tem cometido erros que não podem ser aceitáveis a este nível.
Estamos longe de ver o melhor Samaris, estamos longe de poder avaliar a real qualidade deste jogador. E com Jorge Jesus duvido muito que um dia Samaris possa finalmente mostrar aquilo que é capaz.
Provavelmente o melhor jogo do grego pelo Benfica foi no fim-de-semana de Alvalade. Curiosamente foi num jogo em que tinha outro médio defensivo ao seu lado.

Foi no referido jogo que vi que Jorge Jesus levará a sua teimosia até ao limite. 

André Almeida é um trinco que tem jogado competentemente adaptado a lateral. Aliás, até o prefiro como lateral do que no meio-campo.
No jogo com o Sporting o treinador do Benfica optou por prescindir de um médio de progressão (Talisca) e por reforçar defensivamente o meio campo com a integração do trinco André Almeida. Com Samaris e o André no miolo de jogo era esperado que o grego assumisse mais a bola e a ligação ao ataque e que o português jogasse mais fixo nas compensações defensivas.
Mas a teimosia de Jorge Jesus em definir o Samaris como o seu 6 fez com que nem neste jogo e nem nestas condições este avançasse ligeiramente no terreno.
Foi o André Almeida o médio mais ofensivo destes dois defensivos.
 

Depois do Derby fiquei com a certeza que mesmo com Fejsa operacional para competir ao mais alto nível o Samaris continuaria naquela posição. 

Ofereçam a Jorge Jesus um Gattuso, um Busquets, um Petit ou o Javi Garcia e ele os colocará a jogar à frente do Samaris como médios mais ofensivos e criativos.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Derby e Pós-Derby



Já muito se falou sobre o derby e sobre os acontecimentos que o antecederam e precederam. Como sempre e naturalmente a maioria puxa a brasa à sua sardinha.
 
“O Sporting esmagou e o Benfica parecia o Penafiel”

“O Benfica foi inteligente e controlou o jogo com uma posse de bola consentida”

“Faixa sobre o very-light? Ah e aquele insulto feito por aquela pessoa em 1923?”

“Nós somos os bons e os outros os maus! Cartaz para seguir o King? E aquele adepto que assobiou alguém em 1919?”


Acho interessante notar que sempre que temos uma má exibição perante os rivais essa é transformada em algo estratégico e intencional. É assim tão difícil admitir quando os nossos rivais são superiores ou quando somos beneficiados pela sorte?
Enorme resultado no Dragão com uma exibição paupérrima compensada por uma mistura de sorte e incompetência adversária, além da inspiração finalizadora pouco usual do Lima.
Menos mau resultado em Alvalade com mais uma má exibição do Benfica. 

Com o Sporting não jogámos mais porque simplesmente não conseguimos. Eles foram melhores, apresentaram um colectivo superior, mais vontade de vencer e mais capacidade para ter bola e construir jogo. A nossa equipa jogou sempre em luta mas raramente ganhou os duelos. Perdemos o meio-campo, jogámos com as linhas muito recuadas e ofensivamente fomos inofensivos. O Jonas foi o único a conseguir mostrar qualidade no nosso ataque.

Contudo não se pense que a equipa de Alvalade fez um jogo excepcional.
O Benfica por ser Benfica tem de procurar jogar sempre para ganhar mas o Sporting tinha tanto a exigência da sua “grandeza” como da tabela classificativa para ganhar. Pontualmente o empate não era mau para o Benfica e só a vitória interessava ao Sporting.
Os de Alvalade tiveram uma exibição competente mas sem talento para causar sobressaltos na nossa defesa. Ganharam o meio-campo mas faltou-lhes capacidade e criatividade para povoar a nossa área, criar apoios aos extremos e construir jogadas de golo. Foram 10 cantos e mais alguns livres indirectos sem qualquer perigo para a baliza do Artur.

A Jorge Jesus elogio a percepção e admissão da necessidade de reforço do meio-campo neste jogo. A minha aposta sempre foi em jogar com o André na esquerda e o Samaris e Cristante no miolo. Porém sempre acreditei que teríamos Eliseu, Samaris e Talisca e como tal fiquei surpreso e agradado com a presença do André no lugar do brasileiro.
Com esta alteração o Benfica entrou mais equilibrado no jogo e conseguiu disputar o jogo com o Sporting, mesmo numa luta 2x3 no centro do terreno. Foram 20 a 30 minutos de jogo dividido. Depois faltou inspiração ao ataque, não só para fazer golos como para “desposicionar” o meio-campo leonino.
A quantidade absurda de passes falhados também não ajudou.

O Benfica nunca esteve perto de ganhar e esteve muito próximo de perder, isto porque o Sporting foi melhor e nós não tivemos competência para mais.
O Sporting perdeu o jogo porque não teve maturidade nem competência para matar o jogo nos últimos minutos e também devida à crença e capacidade dos nossos jogadores para conseguirem uma última jogada de perigo (ai o domínio do Jonas).

Apesar do que já li, não há qualquer fora-de-jogo no lance do empate. O Maxi não condiciona a intervenção do Jefferson mas sim a do Tobias, contudo nessa altura a bola vinha jogada pelo lateral sportinguista.

Destaco as exibições do Jonas, Samaris e Maxi. Ambos cometeram um grave erro no jogo mas exibiram-se com uma qualidade acima de todos os outros. O Jonas é maravilhoso, o Maxi tapou o Nani e o Samaris, agora com um 6 ao lado, conseguiu subir a sua qualidade exibicional.

Tanto o Luisão como o Almeida estiveram muito seguros e cumpriram o seu papel.

As piores exibições foram a do Salvio, Ola John e Eliseu. O argentino não conseguiu desequilibrar e apresentou-se sem inspiração. O holandês teima em não aproveitar as suas oportunidades apesar da qualidade que tem naqueles pés. Guedes?
O Eliseu não é defesa nem jogador para o Benfica. Foi o pior em campo, nada de novo.
 
O Artur cumpriu e o Jardel marcou. Não são os novos craques do Benfica como já por aí li e ouvi. O guarda-redes continua sem a segurança para ser titular no Benfica e o central continua a ser o jogador de recurso muito esforçado e lutador mas a quem falta qualidade num Benfica ambicioso.
 
O Talisca entrou cheio de vontade mas não acrescentou qualidade e ainda conseguiu perder a bola sem qualquer necessidade perto da meia-lua da nossa área.
 
Empatar em Alvalade não me diz nada. Principalmente jogando desta maneira. Perdemos a oportunidade de aumentar o fosso para 10 pontos e de manter a distância de 6 para o Porto.
Empatar no último minuto em plena festa sportinguista é sim motivo para alivio e festejo dos Visitantes. Mantemos o Sporting afastado da luta e o Porto continua sem depender de si próprio, é a diferença entre estarem a 3 ou 4pts.

PS: O terrorismo no futebol português é lamentável e condenável. Seja o que tem sido apontado aos adeptos sportinguistas como o que tem sido apontado aos adeptos benfiquistas. Envergonho-me com as faixas e cânticos sobre o very-light e não menos com o lançamento de petardos contra pessoas. Espero uma palavra e posição forte da direcção do meu clube. Quando vier virá já tarde mas tem de vir.
O corte de ralações institucionais é sustentado por argumentos verdadeiros mas envolto num moralismo que não lhes serve. Parece-me óbvio que o presidente do Sporting só esperava pelo momento certo para tomar esta decisão e que esta aparece como resposta à azia do minuto 94.
Não há heróis nesta história, só vilões.